Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 19 de abril de 2022

A Harmonia do Céu, descansando nos braços do Paraíso de Deus.

 


Em Consideração do Menino Deus,

Dormindo nos Braços de Sua Mãe Santíssima.


Perguntáveis, Senhor, ao vosso servo Jó: Quem faria adormecer a harmonia do Céu: Concentum coeli quis dormire faciei?1 Muito obscuro era então este sagrado enigma: porém, já agora é muito claro; porque então este ocupavam a terra as sombras da Lei da Natureza: e agora, reina o formoso dia da vossa graça. A harmonia do Céu sois Vós meu Deus Menino: e a Donzela Mãe, no seu regaço fez dormir esta harmonia; dormir, porém, não para que emudeçais, senão para que respireis mais suavemente.

Nesta admirável partitura de Deus Menino, Vós mesmo, meu Deu Menino, sois o papel com notas, que são os membros de que se vestiu vossa Pessoa, para que Vos percebêssemos visivelmente: Cum ille (disse de Vós Crisóstomo) oculis cerni non posset, Deus ipsum literis, velut corpore vestivit, eique ceu carnem literas aspectabiles apposuit.2 E Vós mesmo também sois a clave: O clavis David, qui aperis, et nemo claudit.

Vós mesmo sois o compasso: porque a vossa mão, isto é, a vossa vontade e império, depois da anunciação maior de tantos séculos passados, assinalou o tempo perfeito, em que havíeis de baixar ao mundo no meio dos anos: In medio annorum notum facies,3 e no meio da noite, Dum nox in suo cursu medium iter haberet.4

Vós mesmo sois a voz que canta: Vox Dilecti mei, ecce iste venit. Ó, como esta voz é sonora? Tonabit in você sua mirabiliter, qui facit magna, et inscrutabilia.5 Ó, como é doce e suave, que faz derreter as almas! Anima mea liquefacta est, ut locutus est.6 Que destramente alterna e interpõem os pontos graves da Onipotência, com os agudos da Sabedoria, e os sobreagudos do Amor.

E não só sois a voz que canta; senão também o verso, ou canção que cantais; canção verdadeiramente nova, e admiravelmente composta para glória do Altíssimo. Porque, que consonâncias pode haver mais novas e esquisitas, que o Deus Homem, o Verbo feito carne, o Sol de noite, a Eternidade no tempo, o Imenso em faixas, o Infinito limitado? Christus (disse São Clemente de Alexandria) novum mihi vocantum est canticum; hoc est canticum novum,7 adventus qui nunc refulsit in carne.

E não somente sois o verso ou canção; senão também o instrumento musical em que cantais. Sois a suave cítara, por cuja vinda, como glória de toda vossa ascendência, suspirava vosso progenitor Davi: Exurge gloria mea, exurge psalterium, et cithara.8 Para a cítara dar sua melodia, três coisas concorrem: a arte, a mão e as cordas; as cordas tocadas da mão, e a mão governada pela arte. Vós sois a Arte, porque sois o Verbo, pelo qual o Supremo Artífice formou todas as coisas: Omnia per ipsum facta sunt.9 E sois também a mão, que desejava e pedia o mesmo Davi, que fosse feita para nos salvar: Fiat manus tua, ut salvet me10 verdadeiramente feita pela Encarnação quanto à Humanidade, abeterno éreis mão não feita, mas gerada: Manus quippe Dei (diz São Gregório) quae per Divinitatem non est facta, sed genita, per humanitatem facta est.11 E esta mão de Deus, que sois Vós, ó Unigênito do Pai, pegou das cordas, porque pegastes não dos Anjos, mas da nossa carne, fazendo-a instrumento de vossas maravilhas, que soasse nos Céus e na terra, e debaixo da terra: Sonum sola chorda excuitit, carnem solus Christus accepit:12 disse Santo Agostinho. Estas cordas de que pegastes como Mão e que tocastes como Arte, são as de Adão, com que tínheis prometido atrair-nos: In funiculis Adam traham eos.13 Ó, quanto melhor cítara é a vossa, meu Deus Menino, que a de Arião e a de Orfeu, celebradas pela fabulosa antiguidade! A cítara de Arião, dizem que edificou a Tebas atraindo pedras: a vossa edifica a Igreja militante e triunfante, atraindo os homens. A cítara de Orfeu, dizem que amansava as feras e transplantava as árvores: a vossa cítara, como tem tão finas cordas, tão destra mão, tão engenhosa arte, amantes os corações humanos, mais indomáveis que as mesmas feras; e transplanta as árvores estéreis do inculto deserto da Gentilidade, para o Paraíso da Igreja, onde levam frutos de vida eterna.

Pois se Vós, meu amantíssimo Menino, juntamente sois o papel, e as notas, e a clave, e o compasso, e a voz, e o verso, e o instrumento: quem negará que sois harmonia celestial: Concentum coeli? Esta harmonia pois do Céu, quem a faz adormecer, é MARIA, vossa Mãe Santíssima, reclinando-Vos amorosamente no recosto de seus braços. Os vales sombrios, a viração branda e o murmurar das fontes conciliam sono ao caminhante cansado. Caminhante sois, sendo juntamente compreensor, e estais cansadinho, porque vindes de muito longe, transpondo montes de dificuldades (Ecce iste venit saliens in montibus, transiliens valles)14, a fazer compreensores os caminhantes: que muito que adormecesses, se Vos recostastes no vale dos lírios e açucenas, nos braços, digo, de vossa Mãe puríssima: Maria vallis amoena, vernans virtutum lilijs:15 soando entretanto o brando sopro de suas aspirações amorosas, e o rugido manso de suas lágrimas puras? Vejo a MARIA como aurora, declinando para Vós seus olhos como estrelas: dormi meu belo infante; que a aurora traz consigo mais doce sono, e as estrelas ao caírem O persuadem: Suadent que codentia sydera somnos. Vendo-Vos assim reclinado no braço e ombro de MARIA Santíssima, Ela me parece Rainha, e Vós me pareceis Cetro: mas se o vosso Profeta Jeremias Vos visse agora, não diria que via um Cetro vigilante, Virgam vigilantem ego video:16 senão antes um Cetro dormente; pois, dormis Vós, que sois o Cetro ou Vara da virtude de Deus, mandado desde Sião a dominar o mundo: Sceptrum virtutis tuae emittet Dominus ex Sion dominare, etc. E se o Cetro vigiando é o símbolo da Justiça, e o Cetro dormindo é o símbolo da Misericórdia: a quem, meu Deus Menino, podia pertencer O tornar-Vos de vigilante para dormente, senão à vossa Mãe Santíssima, que trocou vossa justiça em misericórdia? A São Hadelino estando dormindo, o seu Anjo em figura de pomba, lhe fez sombra com as asas, porque o Sol dando-lhe nos olhos não o acordasse.17 Poderíamos temer, que os raios dos olhos de MARIA, dando-Vos no rosto, em que estão empregados, Vos acordassem: se assim como Ela é o Sol, Electa, ut Sol, não seria também pomba, Columba mea: e se como Sol com seus raios Vos descobre, como pomba com suas asas Vos ampara.

Dormi pois, meu precioso Menino, delícias de minha alma: dormi a bom levar; que se MARIA é poço, Puteus aquarum viventium,18 e Vós sois pedra, Petra autem erat Christus: ninguém estranhará que durmais como pedra em poço. Dormi; que bem é se sujeite às semelhanças da morte (Quid est somnus, gelidae nisi mortis imago?) quem se há de sujeitar às realidades, e se as realidades da morte as tereis nos braços de uma Cruz, as semelhanças hás tereis nos de uma Donzela. Dormi; que se Adão dormiu no Paraíso, Vós sois o Segundo Adão, MARIA o melhor Paraíso. Dormi, que ainda que Deus não dorme, é certo que descansou no Sábado: Requievit die septimo:19 e MARIA é o vosso Sábado delicado, onde achais o vosso descanso. Ó MARIA Santíssima, puríssima e formosíssima, pedi a essa harmonia do Céu, que em vossos braços tendes adormecida; que de tal sorte sossegue em nós o inquieto ruído de nossos remorsos e pecados, de nossas paixões e cuidados, de nossos sentidos e potências; que possamos pegar no sono da Oração de quietude, para acordar no dia de sua contemplação clara. Amém.

Fonte: Ven. Pe. Manoel Bernardez, Oratoriano, “Luz e Calor – Obra Espiritual para os que Tratam do Exercício de Virtudes e Caminho de Perfeição”, 2ª Parte, Opúsculo IV, Solilóquio XIX, Pontos 395-396, pp. 444-447. Nova Edição, Lisboa, 1871.


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1.  Job 38, 37.

2.  Ser. de Sigillis libror. t. 6. Graeco lat.

3.  Habac. 3, 2.

4.  Sap. 18, 14.

5.  Job 37, 5.

6.  Cânt. 5, 6.

7.  Initio Proterptici.

8.  Psalm. 56, 9.

9.  Joan. 1, 3.

10.  Psalm. 118, 173.

11.  Homil. 2. super Ezechi. Iem.

12.  Serm. 3. de Tempore.

13.  Osee. 11.

14.  Cânt. 2, 8.

15.  Lud. Blosius.

16.  Jeram. 1, 11.

17.  Acta Sanctorum 3. Februarij.

18.  Cânt. 4, 15.

19.  Gên. 2, 2.


sexta-feira, 15 de abril de 2022

Novena do Sagrado Coração de Jesus, em Sua Sagrada Paixão. 9º Dia.


Sofrimentos de Jesus no Gólgota 3


Invocação ao Divino Espírito Santo1

Vinde, ó Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado.

R. E renovareis a face da terra.

Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos que pelo mesmo Espírito, conheçamos tudo o que é reto e sempre gozemos de Suas consolações. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Ato de Contrição

Prostrados perante o Sacrário ou diante de uma imagem de Nosso Senhor, persignar-se e rezar:

Senhor meu Jesus Cristo. Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado, e porque Vos amo e estimo sobre todas as coisas, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração de Vos ter ofendido, pesa-me também, por ter perdido o Céu e merecido o Inferno, e proponho firmemente ajudado com o auxílio de vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender, espero alcançar o perdão de minhas culpas, pela vossa infinita misericórdia. Amém.


V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.

R. Apressai-Vos, Senhor, em me socorrer.

V. Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.2

R. Assim como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.



Vamos ao Calvário:

aí acharemos o Coração de Jesus aberto para todos.3


Quando os soldados foram quebrar as pernas aos dois ladrões, vendo que Jesus já estava morto, não Lhe aplicaram o mesmo tormento. Mas, um deles abriu-Lhe o Lado com a lança, e no mesmo instante correu Sangue e Água.4 Conforme São Cipriano, a lança foi diretamente ferir o Coração de Jesus de tal modo que foi dividido em duas partes, segundo a revelação feita à Santa Brígida. Crê-se por conseguinte, que a água saiu do Lado de Nosso Senhor com o Sangue, visto que a lança, para atingir o Coração, teve de ferir primeiro o pericárdio, isto é, a membrana que o cerca.

Santo Agostinho nota, que o Evangelista se serviu da palavra abrir: Aperuit, porque então se abriu no Coração do Salvador a porta da vida, por onde saíram os Sacramentos, sem os quais não se pode chegar à vida eterna. Diz-se que o Sangue e a Água que correram do Lado de Jesus Cristo, foram a figura dos Sacramentos, porque a Água é o símbolo do Batismo, que é o primeiro dos Sacramentos, e o Sangue do Divino Salvador é contido na Eucaristia, que é o maior dos Sacramentos.

São Bernardo ajunta, que Jesus Cristo quis receber a lançada que Lhe fez uma Chaga visível, para nos dar a entender, que Seu Coração trazia uma Chaga invisível de amor para com os homens. Quem então, conclui este grande Santo, não amaria este Coração ferido de amor?

Ó meu Redentor, de tal maneira tendes amado os homens, que não é possível que deixe de amar-Vos quem pensa nisto, porque vosso amor faz violência a nossos corações, como diz o Apóstolo.5 Este amor do Coração de Jesus aos homens vem do amor que Ele tem a Seu Pai; por isso, é que Ele dizia depois da Ceia: A fim de que o mundo saiba que amo a meu Pai, levantai-vos; vamos.6 E aonde queria ir? Morrer pelos homens sobre a Cruz.

Nenhuma inteligência pode compreender o ardor deste fogo divino no Coração de Jesus Cristo. Se, em vez de uma só morte, necessário Lhe fosse padecer mil, Jesus tinha amor bastante para sofrê-las. Se Lhe fosse preciso sofrer por todos, nosso Salvador não se teria negado a uma só de Suas imensas dores. Se, enfim, em lugar de ficar três horas na Cruz, necessário Lhe fosse ficar até o dia do juízo, Jesus amorosamente padeceria ainda este longo suplício. De sorte que o Coração de Jesus amou muito mais do que padeceu. Ó Coração de Jesus, vossa ternura é muito maior do que todos os sinais que me tendes dado dela. Estes sinais são grandes, porque tantas Chagas, tantas machucaduras, anunciam ardente amor; entretanto, só descobrem uma fraca parte da realidade; nós temos visto sair apenas uma centelha deste imenso fogo de amor. A maior prova de amor é dar a vida pelos amigos; isto não bastou a Jesus para exprimir toda a ternura do Seu Coração: Ele foi morto pelos Seus mais cruéis inimigos. Este prodígio de amor assombra as almas Santas, e as arrebata fora de si mesmas; faz nascer nelas os abrasados afetos, o desejo do martírio, a alegria nos padecimentos; ele é que faz triunfar nas grelhas ardentes, caminhar sobre os carvões acesos como sobre rosas, suspirar pelos tormentos, amar o que o mundo teme, abraçar com alegria o que o mundo odeia. Porquanto, Santo Ambrósio diz, que uma alma unida a Jesus na Cruz, não acha nada mais glorioso do que trazer sobre si as insígnias de Seu Esposo crucificado. Como, ó terno Coração de meu Salvador, como poderei Vos pagar este amor incomparável que me haveis testemunhado? Justo é que o sangue compense o sangue. Ah! Não me ver eu coberto deste Sangue Divino e cravado nesta Cruz que abraço! Ó Cruz Santa, recebe-me com Aquele que em ti está cravado, para minha salvação. Ó Coroa de espinhos, alarga-te, para que eu possa unir minha cabeça à do meu terno Senhor. Ó Cravos crudelíssimos, saí das Mãos inocentes de meu Deus, vinde penetrar meu coração de compaixão e amor.

São Paulo nos afirma, ó meu Jesus, que Vós morrestes para reinar sobre os vivos e sobre os mortos, não pelos castigos, mas pela doçura de vosso amor. Ó Conquistador dos corações, a força de vosso amor soube quebrar a dureza dos nossos. Vós abrasastes o mundo inteiro com vosso amor.7 Ó Jesus, vossa Cruz é um arco armado para ferir os corações. Saiba o mundo todo, que eu tenho o coração ferido… Ó Coração amantíssimo, que fizestes? Viestes para me curar, e me feristes!… Vistes para me ensinar a bem viver, e me tornastes como insensato!… Ó loucura cheia de sabedoria, não viva eu jamais sem Vós! Senhor, tudo o que meu olhar descobre na Cruz, convida-me a Vos amar; os cravos, os espinhos, o Sangue, as Chagas, principalmente, vosso Coração transpassado, tudo me convida a Vos amar e a não Vos esquecer jamais.

Prática

Por amor do Sagrado Coração, perdoo desde já a todos os meus inimigos. Minha reconciliação com eles se fará quanto antes possível; procurarei até esquecer as ofensas que eles me fizeram. – Perdoai, e sereis perdoados, diz Jesus.8



Afetos e Súplicas

Eu me compadeço, ó Mãe aflitíssima, da dor pungente que sentistes, quando vistes transpassar o doce Coração de vosso Filho já morto, morto por esses ingratos que, depois de Lhe terem tirado a vida, procuravam ainda atormentá-lO. Por este cruel tormento, cuja pena sentistes, ó Mãe das Dores, eu Vos suplico que me obtenhais a graça de habitar no Coração de Jesus ferido e aberto para mim, nesse Coração, que é o belo asilo, o retiro de amor, onde vão repousar todas as almas que tem verdadeiro amor a Deus, e onde Deus somente, enquanto eu aí ficar, será o objeto de meus pensamentos e afetos. Virgem Santíssima, Vós podeis alcançar-me esta felicidade, de Vós a espero. Amém.

Oração Jaculatória

Ó Coração aberto para ser o refúgio das almas, recebei-me.



Exemplo

Santo Atanásio referiu a história seguinte aos Padres do Concílio de Niceia. Um cristão de Berito, devendo mudar de habitação, esqueceu de levar consigo, por descuido, uma bela imagem de Nosso Senhor em tamanho natural. A Providência quis que, depois de sua partida, um judeu fosse habitar na mesma casa, sem dar atenção à imagem que aí ficara. Tendo outro judeu visto a imagem, correu a avisar os rabinos do fato que presenciara. Estes, indignados, foram à casa indicada, e, vendo a imagem de que lhes tinham falado, exclamaram referindo-se a Cristo: “Como outrora Ele serviu de joguete a nossos pais, a nós também sirva agora”. E começaram a Lhe escarrar no rosto, a Lhe dar bofetadas, a ferir a Santa Imagem, dizendo: “Tudo o que nossos pais fizeram ao Nazareno, façamos à Sua Imagem”. E então meteram cravos nas Mãos e Pés do Salvador. Continuando na sua impiedade, disseram: “Consta-nos que Lhe deram a beber fel e vinagre; façamos nós também a mesma coisa”. Depois disseram: “Sabemos que nossos pais feriram Sua Cabeça com uma cana, firamo-la da mesma sorte”. E tomando uma cana, feriram a Cabeça do Salvador. Enfim, acrescentaram: “Afirmam que nossos pais transpassaram seu Lado e seu Coração com uma lança. Façamo-lo também, e ajuntemos este ultraje aos outros”. E um deles feriu com uma lança o Lado do Senhor. Mas, ó prodígio! Eis que grande quantidade de Sangue e Água corre por esta abertura… Vendo isto, disseram entre si: “Aqueles que adoram o Crucificado falam muitas vezes de curas por Ele operadas. Tomemos deste Sangue e desta Água, levemos à Sinagoga, reunamos todos os doentes, unjamo-los, e veremos se é verdade o que dizem”. Eles aproximaram então um vaso do Lado aberto pela lança, encheram-no de Sangue e Água que corriam dele, e o levaram proferindo blasfêmias. E tendo reunido todos os enfermos, ungiram primeiramente, em presença de todos os outros, um paralítico de nascimento, e de repente este se ergue e salta diante dos assistentes: estava perfeitamente curado. À esta notícia comoveu-se toda a cidade, os habitantes se deram pressa em levar para o lugar toda sorte de enfermos: paralíticos, coxos, cegos, leprosos, e à medida que os enfermos eram ungidos, cobravam saúde. À esta vista, todos os judeus exclamaram: “Glória ao Cristo, que nossos pais crucificaram, e nós crucificamos na Sua Imagem! Glória ao Filho de Deus, autor de tão grandes milagres! Nele cremos”. Eles então pediram o Batismo, e o Bispo, aquiescendo ao seu desejo, passou muitos dias batizando-os. Santo Atanásio, por esta narração, comoveu todos os Padres do Concílio e fez correr as lágrimas. Desta sorte é que ele mostrou que se deve honrar as Santas Imagens, e que elas eram a fonte das maiores graças.9 Imitemos nosso Divino Mestre, cujo Coração foi tão bondoso para com Seus mais cruéis inimigos, e demos, como Ele, o bem pelo mal.



Ladainha da Paixão10

Senhor, tende compaixão de nós.

Jesus Cristo, tende compaixão de nós.

Senhor, tende compaixão de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Deus Pai dos Céus, tende compaixão de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende compaixão de nós.

Deus Espírito Santo, tende compaixão de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende compaixão de nós.


Jesus, Rei da Glória, que fizestes a vossa entrada em Jerusalém para consumar a obra da nossa Redenção, tende compaixão de nós.

Jesus, prostrado no jardim das oliveiras, diante de vosso Pai, e carregado com os crimes do mundo inteiro, tende compaixão de nós.

Jesus, acabrunhado de tristeza, reduzido à agonia e abismado num mar de dores, tende compaixão de nós.

Jesus, que de todas as partes do vosso Corpo suastes sangue em abundância, tende compaixão de nós.

Jesus, traído por um Apóstolo pérfido e vendido a vil preço como um escravo, tende compaixão de nós.

Jesus, que abraçastes com amor o traidor Judas, tende compaixão de nós.

Jesus, arrastado por uma corda no pescoço pelas ruas de Jerusalém e coberto de maldições, tende compaixão de nós.

Jesus, injustamente acusado e condenado, tende compaixão de nós.

Jesus, saciado de opróbrios, coberto de escarros e contundido de bofetadas, tende compaixão de nós.

Jesus, vestido com um manto de ignomínias e tratado como insensato na corte de Herodes, tende compaixão de nós.

Jesus, flagelado, rasgado por golpes e alagado no vosso Sangue, tende compaixão de nós.

Jesus, coroado de agudos espinhos, tende compaixão de nós.

Jesus, tratado como um rei de comédia, tende compaixão de nós.

Jesus, que fostes comparado com Barrabás e proposto a ele, tende compaixão de nós.

Jesus, entregue por Pilatos à raiva dos vossos inimigos, tende compaixão de nós.

Jesus, esgotado de sofrimentos e sucumbido sob o peso da vossa Cruz, tende compaixão de nós.

Jesus, pregado na Cruz entre dois malfeitores, tende compaixão de nós.

Jesus, homem das dores, tende compaixão de nós.

Jesus, obediente até a morte, e morte horrorosa da Cruz, tende compaixão de nós.

Jesus, cheio de doçura para aqueles que Vos davam a beber fel e vinagre, tende compaixão de nós.

Jesus, que pedistes perdão pelos vossos algozes, tomando a defesa deles ante o vosso Pai, tende compaixão de nós.

Jesus, que pela nossa Redenção sacrificastes honra e vida, tende compaixão de nós.

Jesus, que expirastes na Cruz por amor de nós, tende compaixão de nós.


Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.

Sede-nos propício, escutai-nos, Senhor.


De todo o mal, livrai-nos, Senhor.

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.

Da morte em mau estado, livrai-nos, Senhor.

Da condenação eterna, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa agonia e suor de sangue, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa cruel flagelação, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa coroa de espinhos, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa Cruz e sofrimentos, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa sede e suspiros, livrai-nos, Senhor.

Pelas vossas cinco Chagas, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa morte, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa Ressurreição, livrai-nos, Senhor.

No dia do Juízo, livrai-nos, Senhor.


Ainda que muito pecadores, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que pela vossa Paixão aprendamos a conhecer a enormidade do pecado por cuja causa sofrestes, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que pela lembrança das vossas dores e sofrimentos, possamos suportar com paciência todas as penas, adversidades e doenças, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que em todas as nossas aflições, tristezas e tribulações, nos voltemos para Vós para obtermos paciência, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que recebamos da vossa mão sem murmurar as humilhações, desprezos, ultrajes, perseguições, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que suportemos a vosso exemplo as falsas acusações e juízos injustos, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que Vos digneis de nos tornar participantes dos frutos da vossa Cruz, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, pela virtude da vossa Cruz, triunfemos do Demônio, do mundo e da carne, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que possamos ser purificados de todo o pecado no vosso Sangue, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que possamos todos os dias levar a nossa cruz e seguir-Vos, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que pensemos muitas vezes com amor e reconhecimento na vossa Paixão, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, lembrando-nos de que morrestes pelo nosso amor, Vos amemos de todo o nosso coração, e só para Vós vivamos, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, na hora da nossa morte, Vos digneis de nos fortalecer pela vossa Cruz e Morte, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, pela vossa Cruz, Vos digneis conduzir-nos a glória eterna, nós Vos pedimos, atendei-nos.


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Jesus.


Oremos: Senhor Jesus, que, descido do Céu e do seio de vosso Pai, derramastes o vosso precioso Sangue para remissão dos nossos pecados, humildemente Vos pedimos, que sejamos no dia do juízo colocados a vossa direita e mereçamos ouvir da vossa boca estas palavras: Vinde, benditos de meu Pai. Amém.


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1.  Manual das Indulgências – Normas e Concessões, Cap. “Outras Concessões” – Concessão 62, p. 72. Editora Paulus, 2ª Edição, São Paulo, 1990.

2.  Indulgência parcial. (Manual das Indulgências, ob. cit., Apêndice).

3.  “O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Afonso de Ligório – ou Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês”, coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.SS.R., 2ª Parte, 21º Dia, pp. 130-136. Tradução Portuguesa feita da 83ª Edição; 5ª Edição; Tipografia de Frederico Pustet, Impressor da Santa Sé; Ratisbona, 1926.

4.  Jo. 19, 34.

5.  II Cor. 5, 14.

6.  Jo. 14, 31.

7.  Luc. 12, 49.

8.  Luc. 6, 37.

9.  Labbe. Conc. t. 7.

10.  “As Mais Belas Orações de Santo Afonso de Ligório”, pelo Pe. Saint-Omer, C.Ss.R., Parte IV, Art. 2, § 3, pp. 514-516. Imprimé par les Etablissements Casterman, S.A., Tournai/Bélgica, 1921.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Novena do Sagrado Coração de Jesus, em Sua Sagrada Paixão. 8º Dia.


Sofrimentos de Jesus no Gólgota 2


Invocação ao Divino Espírito Santo1

Vinde, ó Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso amor.

V. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.

R. E renovareis a face da terra.

Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, concedei-nos que pelo mesmo Espírito, conheçamos tudo o que é reto e sempre gozemos de Suas consolações. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Ato de Contrição

Prostrados perante o Sacrário ou diante de uma imagem de Nosso Senhor, persignar-se e rezar:

Senhor meu Jesus Cristo. Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado, e porque Vos amo e estimo sobre todas as coisas, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração de Vos ter ofendido, pesa-me também, por ter perdido o Céu e merecido o Inferno, e proponho firmemente ajudado com o auxílio de vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender, espero alcançar o perdão de minhas culpas, pela vossa infinita misericórdia. Amém.


V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.

R. Apressai-Vos, Senhor, em me socorrer.

V. Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.2

R. Assim como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.



Vamos ao Calvário:

aí acharemos o Coração de Jesus morrendo por todos.3


Aproxima-se a hora da morte de Jesus. Contempla-O, alma cristã; Seus olhos se obscurecem, Sua bela Face empalidece, Seu Coração bate mais lentamente, Seu Corpo Sagrado abandona-se à morte. Jesus vai pois dar o último suspiro. Vinde, Anjos do Céu, vinde assistir à morte do vosso Deus. E Vós, ó Maria, Mãe de Dores, aproximai-Vos da Cruz, erguei os olhos para vosso Filho, que vai expirar. Já nosso Redentor permite que a morte venha feri-lO: “Vem, ó morte, diz-Lhe, faze teu ofício, corta-Me o fio da vida e salva Minhas ovelhas”. Nesse momento a terra treme, os túmulos se abrem, o véu do Templo rasga-se. Logo, abatido pela violência das dores, o Salvador sente desfalecer Suas forças; o calor natural O desampara; Sua respiração para; Seu Corpo se abate; Ele solta de Seu Coração aflito um profundo suspiro; Sua cabeça cai sobre Seu peito, abre a boca e expira!… Sai, ó bela Alma de meu Salvador, sai, e vai nos abrir o Paraíso até agora fechado para nós. As pessoas presentes, dizem: “Ele morreu! Ele está morto!” Maria ouve estas palavras e diz a Seu turno: “Ah! Meu Filho, estais morto!” Ele morreu!… Ai! Quem morreu? O Autor da vida, o Filho único de Deus, o Senhor do universo. Ó morte, que assombra os Céus e pasma a natureza! Um Deus morrer por Suas criaturas!… Ai! Quem então O conduziu à morte? É Seu Coração, é Seu amor. Ó caridade infinita! Um Deus que se imola inteiramente, sacrifica Suas delícias, Sua honra, Seu Sangue, Sua vida, por quem? Pelas criaturas ingratas!…

Ó minha alma, eleva os olhos e contempla o Homem-Deus crucificado; vê o Divino Cordeiro imolado sobre o altar de dor: é o Filho amadíssimo do Pai Eterno; Ele morreu por amor de ti!… Vê como Ele tem os braços abertos para te receber, a cabeça inclinada para te dar o ósculo da paz, o Lado aberto para te dar entrada no Seu Coração! Que dizes? Merece ser amado um Deus tão bom e amante? Ouves, o teu Senhor te diz do alto da Cruz: “Meu filho, vê se no mundo inteiro alguém te dá provas de mais amor do que Eu, que sou teu Deus”.

Por essa morte, Jesus Cristo fez desaparecer tudo o que nossa morte tinha de horrível. Antes a morte era um suplício infligido a rebeldes; mas pela graça e pelos merecimentos de nosso Salvador, tornou-se sacrifício de tal maneira agradável a Deus, que, unindo-a à morte de Jesus Cristo, nós nos tornamos dignos de ir gozar da glória de Deus, que Ele também goza.

Assim, graças à morte de Jesus Cristo, nossa morte cessou de ser motivo de dor e temor; o Coração de Jesus converteu-a em meio de passarmos das misérias deste mundo para as delícias inefáveis do Céu.

Daí vem, que os justos olham a morte não com temor, mas com alegria. Santo Agostinho diz, que aqueles que amam a Jesus Crucificado, suportam a vida com paciência e recebem a morte com prazer. E a experiência ordinária faz ver que as pessoas virtuosas, que tem mais que sofrer durante a vida, por causa das perseguições, tentações, escrúpulos, ou outras coisas incômodas, são as que Jesus Crucificado consola mais em seus últimos momentos.

Oh! Que duro era morrer antes da morte de Jesus Cristo! Mas, por esta morte tão salutar para nós, o Inferno foi vencido, a graça foi comunicada às almas, Deus se reconciliou com os homens, e a celeste pátria foi aberta a todos que morrem na inocência ou na penitência.

Procuremos, pois, almas cristãs, enquanto vivemos neste exílio, procuremos olhar a morte, não como desgraça, mas, como fim de nossa peregrinação tão cheia de angústias e perigos; olhemo-la como porta da eterna felicidade, que esperamos obter um dia pelos merecimentos do Coração tão caridoso de Jesus.

Prática

Oferecer-me-ei a Deus, protestando querer morrer no tempo e da maneira, que Lhe agradar, e rogando-Lhe pelos merecimentos infinitos do Coração de Jesus, fazer que eu saia desta vida em estado de graça.



Afetos e Súplicas

Ó meu Jesus, recordai-Vos que prometestes atrair a Vós, todos os corações quando fosseis elevado na Cruz. Eis aqui meu coração, enternecido à vista de vossa morte, ele não quer mais Vos resistir: dignai-Vos atraí-lo completamente a vosso amor. Por mim morrestes, meu Jesus, e por isso, só para Vós quero viver. Ó dores de Jesus, ó ignomínias de Jesus, ó morte de Jesus, ó amor de Jesus, fixai-Vos no meu coração: vossa lembrança esteja sempre nele presente, para me estimular e inflamar continuamente no amor a Jesus. Ó Pai Eterno, pelos merecimentos de Jesus, vosso Divino Filho, morto por amor de mim, usai de misericórdia comigo. Minha alma, não percas a confiança por causa dos pecados que cometeste. Deus mesmo é que enviou Seu Filho a terra, para te salvar; e este Filho de Deus se ofereceu voluntariamente em sacrifício, para expiar tuas faltas. Ah! Meu Jesus, visto que, para me perdoar, não poupastes a Vós mesmo, inclinai para mim vossos olhos hoje, tão afetuosamente como no dia em que agonizastes por mim na Cruz; e perdoai-me especialmente a ingratidão de que me tornei culpado para conVosco no passado, pensando tão pouco em vossa Paixão e no amor de que então me destes prova. Eu Vos agradeço, por me terdes mostrado, atravéz de vossas Chagas e membros dilacerados, os ternos afetos de vosso Coração para comigo. Desgraçado de mim, se, depois de tal favor, cessasse de Vos amar, ou se amasse outro objeto mais do que a Vós. Permiti que eu Vos diga com vosso fervoroso servo São Francisco de Assis: Morra eu por amor de vosso amor, ó meu Jesus, que Vos dignastes morrer por amor de meu amor! Ó Coração de meu Redentor, feliz morada das almas amantes, não Vos dedigneis de receber também minha pobre alma. Ó Maria, Mãe das Dores, recomendai-me a vosso Divino Filho, cujo Coração se consumiu de amor para comigo. Contemplai essas carnes em pedaços, vede Seu precioso Sangue derramado por mim, e conclui quanto Lhe é agradável, que Lhe recomendeis minha salvação. Minha salvação é amá-Lo; obtende-me então, o amor a Jesus Cristo, mas um amor ardente e eterno. Amém.

Oração Jaculatória

Ó meu Amor Crucificado, desde já Vos recomendo minha última hora.



Exemplo

Se queremos saber como Nosso Senhor se digna recompensar, na morte, aqueles que amam Seu Divino Coração, basta lermos a narração dos últimos momentos da Senhora de Angelis, jovem Romana, que morreu a 30 de Maio de 1869. A 28 de Maio, ela recebeu o viático; durante a ação de graças, ela apertou por muito tempo sobre o peito a imagem do Coração de Jesus, falando-Lhe com tal ternura, que julgaram-na arrebatada em êxtase: “Oh! Como estou contente, exclamava ela, como sou feliz, ó meu Jesus, por ser chegado o momento de me ir para junto de Vós! Oh! Quanta consolação sinto! Sabeis, ó meu Deus, quanto Vos amo”. Tendo mandado chamar seu irmão mais velho e seu sobrinho, falou-lhes com zelo apostólico sobre a importância da salvação, o apego à Igreja, a assistência cotidiana à Santa Missa, a fugida das más companhias. Tendo-lhe seu Confessor dito, que ela iria logo para o Paraíso, exclamou: “Ó meu Pai! Que doce palavra! O Paraíso, vou para o Paraíso! Vou, enfim, ver meu Jesus, unir-me à Maria, minha boa Mãe. Sim, vou para o Paraíso”. Ela se pôs então a beijar mil vezes a imagem do Coração de Jesus, depois a de Maria e a de São José. “Em verdade, dizia ela, não sou mais deste mundo; estou no Coração de Jesus sob o manto de Maria: oh, como sou feliz! Nunca esperei ser tão consolada nos meus últimos momentos”. Em meio das mais violentas dores, ela falava a Nosso Senhor com a maior ternura: “Vinde, dizia ela, vinde já, ó meu Jesus! Quanto me tarda unir-me a Vós! Oh! Quão amável sois, Senhor! Quão alegre Paraíso é o vosso Coração! Ah! Quando verei o rosto tão arrebatador de meu Jesus! Quando beijarei Suas mãos, Seus pés, Seu Divino Coração: sim, este Coração, cujo amor para comigo é sem limites, este Coração, que será minha morada eterna, este Coração tão cheio de doçura e amabilidade!” Enfim, tendo nas suas mãos a imagem do Coração de Jesus e olhando-a com ternura, repetiu muitas vezes: Jesus! Jesus! Jesus! E deu tranquilamente sua alma a Deus. Todos os que a conheceram, concordam em proclamar que sua bem-aventurada morte, foi o fruto de sua devoção verdadeiramente extraordinária ao Sagrado Coração de Jesus.


Ladainha da Paixão4

Senhor, tende compaixão de nós.

Jesus Cristo, tende compaixão de nós.

Senhor, tende compaixão de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Deus Pai dos Céus, tende compaixão de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende compaixão de nós.

Deus Espírito Santo, tende compaixão de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende compaixão de nós.


Jesus, Rei da Glória, que fizestes a vossa entrada em Jerusalém para consumar a obra da nossa Redenção, tende compaixão de nós.

Jesus, prostrado no jardim das oliveiras, diante de vosso Pai, e carregado com os crimes do mundo inteiro, tende compaixão de nós.

Jesus, acabrunhado de tristeza, reduzido à agonia e abismado num mar de dores, tende compaixão de nós.

Jesus, que de todas as partes do vosso Corpo suastes sangue em abundância, tende compaixão de nós.

Jesus, traído por um Apóstolo pérfido e vendido a vil preço como um escravo, tende compaixão de nós.

Jesus, que abraçastes com amor o traidor Judas, tende compaixão de nós.

Jesus, arrastado por uma corda no pescoço pelas ruas de Jerusalém e coberto de maldições, tende compaixão de nós.

Jesus, injustamente acusado e condenado, tende compaixão de nós.

Jesus, saciado de opróbrios, coberto de escarros e contundido de bofetadas, tende compaixão de nós.

Jesus, vestido com um manto de ignomínias e tratado como insensato na corte de Herodes, tende compaixão de nós.

Jesus, flagelado, rasgado por golpes e alagado no vosso Sangue, tende compaixão de nós.

Jesus, coroado de agudos espinhos, tende compaixão de nós.

Jesus, tratado como um rei de comédia, tende compaixão de nós.

Jesus, que fostes comparado com Barrabás e proposto a ele, tende compaixão de nós.

Jesus, entregue por Pilatos à raiva dos vossos inimigos, tende compaixão de nós.

Jesus, esgotado de sofrimentos e sucumbido sob o peso da vossa Cruz, tende compaixão de nós.

Jesus, pregado na Cruz entre dois malfeitores, tende compaixão de nós.

Jesus, homem das dores, tende compaixão de nós.

Jesus, obediente até a morte, e morte horrorosa da Cruz, tende compaixão de nós.

Jesus, cheio de doçura para aqueles que Vos davam a beber fel e vinagre, tende compaixão de nós.

Jesus, que pedistes perdão pelos vossos algozes, tomando a defesa deles ante o vosso Pai, tende compaixão de nós.

Jesus, que pela nossa Redenção sacrificastes honra e vida, tende compaixão de nós.

Jesus, que expirastes na Cruz por amor de nós, tende compaixão de nós.


Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.

Sede-nos propício, escutai-nos, Senhor.


De todo o mal, livrai-nos, Senhor.

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.

Da morte em mau estado, livrai-nos, Senhor.

Da condenação eterna, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa agonia e suor de sangue, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa cruel flagelação, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa coroa de espinhos, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa Cruz e sofrimentos, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa sede e suspiros, livrai-nos, Senhor.

Pelas vossas cinco Chagas, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa morte, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa Ressurreição, livrai-nos, Senhor.

No dia do Juízo, livrai-nos, Senhor.


Ainda que muito pecadores, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que pela vossa Paixão aprendamos a conhecer a enormidade do pecado por cuja causa sofrestes, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que pela lembrança das vossas dores e sofrimentos, possamos suportar com paciência todas as penas, adversidades e doenças, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que em todas as nossas aflições, tristezas e tribulações, nos voltemos para Vós para obtermos paciência, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que recebamos da vossa mão sem murmurar as humilhações, desprezos, ultrajes, perseguições, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que suportemos a vosso exemplo as falsas acusações e juízos injustos, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que Vos digneis de nos tornar participantes dos frutos da vossa Cruz, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, pela virtude da vossa Cruz, triunfemos do Demônio, do mundo e da carne, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que possamos ser purificados de todo o pecado no vosso Sangue, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que possamos todos os dias levar a nossa cruz e seguir-Vos, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que pensemos muitas vezes com amor e reconhecimento na vossa Paixão, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, lembrando-nos de que morrestes pelo nosso amor, Vos amemos de todo o nosso coração, e só para Vós vivamos, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, na hora da nossa morte, Vos digneis de nos fortalecer pela vossa Cruz e Morte, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, pela vossa Cruz, Vos digneis conduzir-nos a glória eterna, nós Vos pedimos, atendei-nos.


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Jesus.


Oremos: Senhor Jesus, que, descido do Céu e do seio de vosso Pai, derramastes o vosso precioso Sangue para remissão dos nossos pecados, humildemente Vos pedimos, que sejamos no dia do juízo colocados a vossa direita e mereçamos ouvir da vossa boca estas palavras: Vinde, benditos de meu Pai. Amém.


______________________

1.  Manual das Indulgências – Normas e Concessões, Cap. “Outras Concessões” – Concessão 62, p. 72. Editora Paulus, 2ª Edição, São Paulo, 1990.

2.  Indulgência parcial. (Manual das Indulgências, ob. cit., Apêndice).

3.  “O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Afonso de Ligório – ou Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês”, coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.SS.R., 2ª Parte, 20º Dia, pp. 124-130. Tradução Portuguesa feita da 83ª Edição; 5ª Edição; Tipografia de Frederico Pustet, Impressor da Santa Sé; Ratisbona, 1926.

4.  “As Mais Belas Orações de Santo Afonso de Ligório”, pelo Pe. Saint-Omer, C.Ss.R., Parte IV, Art. 2, § 3, pp. 514-516. Imprimé par les Etablissements Casterman, S.A., Tournai/Bélgica, 1921.

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