Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

A EUCARISTIA – BOSSUET. 8

 


A Fé dá a Inteligência desse Mistério.

A Voz do Pai que nos Atrai ao Filho.


Não é tudo sabermos que dom recebemos de Jesus Cristo; há ainda que saber dEle duas coisas muito necessárias; das quais, uma é o fruto que devemos tirar dEle, e outra é o meio de recebê-lo. Tudo isto nos é explicado no mesmo capítulo. Mas o que primeiro se deve aí entender é que só Deus pode nos dar a inteligência disso, conforme a esta palavra: “Não murmureis entre vós: ninguém pode vir a mim, se meu Pai, que me enviou, não o atrai”.1 Portanto, para vir a Jesus e Lhe penetrar as palavras, há que ser atraído pelo Pai, senão ser ensinado por Deus, como acrescenta o Salvador: Escrito está nos Profetas: Eles serão todos ensinados por Deus. Aqueles que ouviram a voz de meu Pai, e que aprenderam o que Ele lhes ensina, vêm a mim”.2 Assim, ser atraído por Ele é escutar a voz, e ser ensinado pela doce e Onipotente insinuação e inspiração da verdade. Quando somo instruídos desse modo, não murmuramos das suas palavras; ouvimo-las, saboreamo-las; e foi por isto que Ele disse no fim: “Há uns entre vós que não creem; e foi por isto que eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se isso não lhe é dado por meu Pai”. Atraído a Jesus Cristo é, pois, aquele a quem é dado crer. O Pai atrai-nos a Jesus Cristo quando nos inspira a fé.


Creio, Senhor, creio; não sou daqueles que querem retirar-se de Vós, por causa da altitude das vossas palavras: ao contrário, sou dos que Vos dizem com São Pedro: “Mestre, a quem iríamos nós? Tendes palavras de vida eterna. Havemos crido e conhecido que Sois o Cristo, o Filho de Deus”.3


Crede, pois, e conhecei: crede primeiro como verdadeiro filho da Igreja, dócil e submisso, e verdadeiramente ensinado por Deus. Depois de serdes ensinado por Deus e docemente atraído à fé, sê-lo-eis ainda à inteligência, tanto quanto é necessário para confirmar a vossa fé; e direis em todas as ocasiões, mas particularmente na Comunhão: “Havemos crido e conhecido que Sois o Cristo, o Filho de Deus”. Roguemos ao Pai de Jesus Cristo, que quis ser o nosso, que nos atraia, que nos faça ouvir a sua voz e penetrar a sua palavra.


Fonte: Jacques-Bénigne Bossuet, Bispo de Meaux, Meditações sobre o Evangelho” – Opúsculo Eucaristia”, Cap. VIII, pp. 45-46. Coleção Boa Imprensa, Livraria Boa Imprensa, Rio de Janeiro/RJ, 1942.


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1  Jo., VI, 43 e segs.

2  Jo., VI, 45; cfr. Is., LIV, 13; Jer., XXXI, 33s.

3  Jo., VI, 68-69.


A Santa Missa não Prejudica ao Trabalho, Antes o Favorece.

Mons. Fulton J. Sheen

 

Um dos principais pretextos que alegam os homens, para dispensar-se da Santa Missa, é o trabalho. Dia e noite a ele se entregam, lastimam a perda de tempo, se devem consagrar-se uma hora ao serviço de Deus, e qualificam de preguiçosos aqueles que encaram, de modo sobrenatural, o emprego de sua vida. Que erro grosseiro o destes insensatos!


Se, indo para o trabalho, encontram um amigo, param de bom grado para ouvir novidades, conversam disto ou daquilo; tratando-se, porém, de ouvir a Santa Missa, a lembrança do trabalho os atormenta. Não vês que é o Demônio que os torna tão apressados para as coisas da terra e que tem grande interesse de os afastar da Santa Missa? Crê-nos, longe de prejudicar o trabalho, o Santo Sacrifício o adianta e o torna mais lucrativo.


Nosso divino Mestre nos recomenda a procurar, antes de tudo, o reino de Deus e sua justiça e todo o mais nos será dado por acréscimo. Estas palavras se podem interpretar assim: Não te inquietes do alimento corporal, porém, antes de principiar o trabalho, procura ouvir a Santa Missa, ou pelo menos, que um membro da família a assista em nome da família toda. Assim prestas a Deus, o culto que Lhe é devido, e Deus em troca, te dará o pão de cada dia.


Se prestares um serviço importante e agradável a um príncipe deste mundo, não serás recompensado? Ora, assistindo à Santa Missa, rendes a Deus uma homenagem relevante, uma glória infinita, uma incomparável satisfação; Lhe ofereces um presente mais precioso que o próprio Céu. O Senhor, riquíssimo e bondosíssimo, deixaria este ato sem recompensa? Jamais! Se todo e qualquer bem é recompensado por Ele, quanto mais o maior de todos os bens!


No tempo de São João, o Esmoler, viviam na cidade de Alexandria dois artistas, um sobrecarregado de família e outro que vivia só com sua mulher. O primeiro sustentava sua numerosa família e, ao fim de cada ano, realizava algumas economias. O outro, apesar de estar só e trabalhar muito, morria quase de fome. Nunca, porém, assistia à Santa Missa. Um dia, dirigiu-se, confidencialmente, ao seu vizinho feliz, pedindo que o esclarecesse sobre a diversidade de sorte. “Dir-se-ia, disse, que, em tua casa, Deus faz cair todos os bens, ao passo que a mim, infortunado, todas as desgraças acabrunham” . – “Ensinar-te-ei, de bom grado, o meu recurso, respondeu o outro, amanhã de manhã passarei por tua casa e iremos juntos ao lugar, onde acho a fortuna”.


No dia seguinte, o piedoso operário foi buscar o colega e conduziu-o à igreja, onde ouviram a Santa Missa e, depois, voltou com ele para a oficina. O mesmo fez no segundo e no terceiro dia. “Se é somente isto, disse então o outro operário contrariado, posso dispensar-lhe o serviço, pois o caminho para a igreja já conheço”. – “É precisamente isto que faço, respondeu o piedoso operário, e não conheço outra coisa senão assistir, frequentemente, ao Santo Sacrifício da Missa. Se quiseres imitar meu exemplo, Deus te abençoará os trabalhos e nada te faltará. Para confirmar a minha palavra, apelo para Nosso Senhor, que disse: Buscai, primeiro, o reino de Deus e a sua justiça, e todo o mais vos será dado por acréscimo. Desde os primeiros dias de meu casamento, tenho procurado assistir, todo dia, à Santa Missa, e como sabes, nada me faltou. E tu, pelo contrário, sob pretexto de trabalho, negligenciaste a assistência à Santa Missa e experimentaste, à própria custa, que o Senhor é fiel em suas promessas”. Esta exortação tocou o coração do operário. Desde então e sem prejuízo do trabalho, procurou assistir, cada manhã, ao Santo Sacrifício e a bênção de Deus repousou visivelmente sobre sua família.


Ah, como este bom artista tinha razão de chamar a Santa Missa um tesouro! Sim, é o tesouro de que fala o livro da Sabedoria: É um tesouro inestimável para os homens; os que nele tem parte gozam da amizade de Deus. É uma mina donde se extrai o ouro terrestre e o ouro celeste. Aquele que assiste a este Sacrifício, sai enriquecido dos méritos de Jesus Cristo, cumulado das bênçãos do Pai celeste: bênçãos mais eficazes que as de Isaac a cumular Jacó, dizendo: Que Deus te dê a abundância do trigo e do vinho, do orvalho do Céu e da gordura da terra.1


Esta bênção era toda terrestre, ao passo que a da Santa Missa é, ao mesmo tempo, temporal e espiritual, assim como vemos pela oração que se segue à Consagração: … para que todos, participando deste altar, recebendo o Sacrossanto Corpo e Sangue de teu Filho, fiquemos cheios de toda a graça e bênção celestial.


Em virtude desta oração e do Santo Sacrifício és abençoado em teu corpo e em tua alma, em tuas empresas e em teus trabalhos.


Todos reconhecem a verdade do velho provérbio: “Tudo depende da bênção de Deus”. Por maiores que sejam o zelo e a habilidade do homem ao trabalho, sem a mão de Deus, ele não frutificará. Ora, não há meio mais eficaz, neste mundo, de atrair os favores celestes do que a piedosa audição da Santa Missa. Numa visão, Santa Brígida viu o divino Salvador que, depois da elevação da Sagrada Hóstia, traçava com a mão direita o Sinal da Cruz sobre o povo, dizendo: “Eu vos abençoo, a vós todos que credes em Mim”. – Avalia, pois, o prejuízo, mesmo no teu trabalho, se, podendo assistir à Santa Missa, por descuido lhe perderes as graças abundantes.


Não digas, caro leitor, que a Santa Missa de pouco serve, materialmente falando. Pois, só a ignorância pode afirmar isto e não duvidamos que a leitura deste livro te iluminará a inteligência e te fará apreciar o valor e eficácia do Santo Sacrifício dos nossos altares. “No dia em que ouvires a Santa Missa, diz Fornero, Bispo de Hebron, teu trabalho andará melhor, tuas penas serão mais aliviadas, tua cruz menos pesada”. “O Senhor te fortificará no corpo e na alma, acrescenta outro autor de vida espiritual, os Anjos te cercarão mais afetuosamente e, se vieres, neste dia, a morrer, Jesus te assistirá no último momento, como O assististe de manhã na Santa Missa”.


A audição da Santa Missa favorece o trabalho; nossa própria experiência no-lo testemunha.


Lemos na vida de São Isidoro, que cultivava as terras de um rico senhor. Entregava-se ao trabalho com todo o zelo possível, sem todavia faltar à Santa Missa um só dia. Sua devoção agradou de tal modo ao Bom Deus, que mandou os Anjos ajudarem-no nos trabalhos campestres. Quando sua esposa lhe levava a refeição, via, não raras vezes, dois Anjos trabalhando ao lado de Isidoro. Este não os via e a piedosa mulher nada dizia, com receio de incitá-lo ao orgulho.


Entretanto, alguns companheiros de trabalho, caluniaram-no, dizendo ao fazendeiro: “Senhor, ignorais, sem dúvida, que Isidoro passa o tempo nas igrejas a ouvir Missa e trabalha menos que os outros. Advertimo-vos, porque isto vai de encontro aos vossos interesses”.


O fazendeiro, encolerizado, dirigiu-se então ao campo para repreender o acusado de sua negligência em servi-lo. Este, porém, respondeu com doçura: “Reconheço que dependo de vossa senhoria, mas dependo também do Rei dos reis, e não devo descuidar-me dos meus deveres para com Ele. Se temeis que vos prejudique, começando o trabalho um pouco mais tarde que os outros, vos indenizarei no tempo da ceifa”. A humilde resposta do Santo acalmou o fazendeiro, que não foi mais de encontro aos seus exercícios de piedade, quis, porém, observar a que hora Isidoro principiava o trabalho. Num dia, foi ao campo muito cedo e lá se ocultou. Com efeito, viu que o Santo começou o trabalho mais tarde que os outros. Irritado de novo, aproximou-se dele, para repreendê-lo; indo, porém, observou ao lado de Santo Isidoro dois outros lavradores, conduzindo bois brancos. A surpresa lhe foi grande, e, novo prodígio: chegando perto do Santo desapareceram os bois alvos e seus condutores. Perguntou então amigavelmente: “Pelo amor de Deus, dize-me quem são os homens que te ajudam a trabalhar?” Isidoro sorriu, não sabendo que responder. O fazendeiro insistiu: “Asseguro-te que vi contigo outros lavradores que desapareceram com a minha chegada”. – “Tomo a Deus por testemunha, respondeu Isidoro, que não tive ajudante e que não chamo em meu socorro outro senão Ele mesmo”. Então o fazendeiro compreendeu que vira Anjos, e regozijou-se de possuir um tão piedoso operário.



Fonte: “Explicação da Santa Missa”, pelo Venerável Martinho de Cochem, O.F.M.Cap., Cap. XXIV, pp. 278-284. 2ª Edição, Typ. de S. Francisco, Bahia, 1914.


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1Gên., 27, 28.


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