Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 2 de janeiro de 2021

A Primeira Sexta-feira do Mês de Janeiro.


A Devoção ao Sagrado Coração,

seta reservada.


Santo Agostinho diz que Deus, para conquistar o amor dos homens, lançou-lhes nos corações diversas setas de amor. Quais são elas? São, primeiro, as criaturas, depois o Verbo Encarnado, e enfim, a devoção especial ao Sagrado Coração, reservada para estes últimos tempos. Todas as criaturas que vemos, são setas de amor; Deus as fez para o homem, a fim de ganhar seu coração.

Por esta razão Santo Agostinho parecia ouvir as vozes com que elas lhe pregavam o amor divino. Parecia-lhe que o sol, a lua, as estrelas, as montanhas, os campos, os mares, os tios, as flores, os frutos, os pássaros e os peixes lhe bradavam, uns após outros: Agostinho, ama a Deus; Agostinho, ama a Deus; porque Deus nos criou para ti, para te atrair ao seu amor.

Todos estes objetos são então outras tantas setas de amor, que devem inflamar o coração do homem; mas, como se não bastassem, o Pai Eterno chegou ao extremo de nos dar seu próprio Filho, seu Filho muito amado. Deus amou tanto o mundo, diz Jesus a Nicodemos, que lhe deu seu Filho único!1 Oh! Que seta de fogo Jesus Cristo! Como suas qualidades divinas são capazes de arrebatar todos os corações! Quando as filhas de Jerusalém perguntavam a esposa dos Cânticos pelas qualidades do seu Amado: “Qualis est dilectus tuus?”,2 ela respondia com amorosa pressa: Meu Amado é escolhido entre mil; é de uma beleza que excede todas as belezas. Sua cabeça é brilhante como o ouro puro; seu rosto é como um lírio branco e vermelho… E assim continua, empregando os emblemas mais expressivos para descrever a Jesus Cristo, até que, não sabendo mais que dizer, termina por estas palavras: Enfim, meu Amado é todo desejável; Ele não é como os outros filhos dos homens: entre todos se distingue pela beleza;3 é tão perfeito, que não lhe falta perfeição nenhuma: é, em tudo, o mais belo. Com efeito, em qualquer situação de sua vida que Jesus Cristo se apresenta ao nosso olhar, parece-nos todo desejável, todo amável, seja como Menino na Lapa, seja como simples operário na oficina de São José, quer como solitário no deserto, quer como pregador do Evangelho, percorrendo a Judeia e a Galileia; mas em lugar algum nos parece mais amável do que sobre a Cruz, onde O vemos com o Coração transpassado, e na Eucaristia, onde se digna dar-se a nós como Vítima, Companheiro e Alimento: Totus desiderabilis, talis est dilectus meus.

Esta seta ardente abrasou muitas almas que se consumiram de amor para com Deus; mas ai! Muitos corações, contudo, ficaram endurecidos. Que fez o Senhor? Apareceu à Bem-aventurada Margarida Maria, dizendo-lhe: Eis aqui o Coração que tanto amou os homens! O caçador reserva a sua melhor flecha para o último arremesso, a fim de melhor assegurar a presa que persegue; assim, Jesus Cristo, entre todos os seus benefícios, guardou a devoção especial para com seu Sagrado Coração, como uma seta de reserva, até estes últimos tempos: e agora, Ele quer que ela se propague por toda parte, como para dar o último golpe, e ferir com seu amor os corações dos homens: Possuit me sicut sagittam electam, in pharetra sua abscondit me.4

É agora então, alma cristã, é agora o tempo de amar: É agora a época do amor: Ecce tempus tuum, tempus amantium.5 E qual será a prova de amor que ides dar a Jesus Cristo? Ah! Ides procurar-Lhe agradar; ides tomar por vossa divisa: Agradar a Deus e morrer!… Oh! Quanto é belo agradar a Deus! Se quereis saber o que se entende por agradar a Deus, escutai o que escreveu o Padre Antônio Torres: Significa agradar a esse Coração cheio de amor, ao qual devemos tanto; ser agradável aos divinos olhos sempre cheios de solicitude para nosso bem; satisfazer a esta vontade divina, sempre ocupada em nos amar. Agradar a Deus, é o fim para que fomos criados, o fim a que devem tender todos os nossos desejos, a regra que deve dirigir todo o nosso proceder. Agradar a Deus, é o que os Santos buscam antes de tudo; é o que levou tantas virgens a se consagrarem ao Senhor nos claustros; é o que tornou insensíveis às calúnias e às injúrias os que foram perseguidos; é o que tornou doces aos Mártires os tormentos e a morte mesma. Agradar a Deus, é uma coisa tão excelente, que se deve preferi-la a todos os interesses, a todas as felicidades… Eis aí o que quer dizer: Agradar a Deus”.

Aquele que deseja agradar a Deus perfeitamente, deve tomar as resoluções seguintes:

1º. Evitar toda falta venial voluntária.

2º. Despir-se de todo afeto às coisas da terra.

3º. Nunca deixar seus exercícios ordinários de oração e mortificação, quaisquer que sejam o nojo e desgosto que neles ache.

4º. Meditar todos os dias na Paixão de Nosso Senhor.

5º. Submeter-se à vontade de Deus em todas as contrariedades.

6º. Pedir sem cessar a Deus o dom de seu Santo amor.


Prática

Tomarei por divisa: Agradar ao Coração de Jesus, e morrer. Seu amor para comigo é sem limites! Não chegarei a amá-lO também sem reserva? Isto alcançarei, se puser em prática os meios acima indicados.



Afetos e Súplicas

Meu Senhor, meu Deus, meu amor, meu tudo, sei que só Vós me podeis tornar feliz, nesta vida e na outra; mas não quero Vos amar para minha própria satisfação; todo meu desejo, no amor que Vos consagro, é contentar vosso divino Coração: quero que minha paz, minha felicidade, durante toda a minha vida, consista unicamente em unir minha vontade à vossa Santa vontade, ainda que me fosse preciso sofrer para isto todos os males. Vós sois meu Deus, e eu sou vossa criatura; ah! Que posso desejar senão agradar a meu Soberano Senhor, a meu Deus, que me consagra amor de predileção? Ó meu Jesus, Vós descestes do Céu para levardes cá na terra vida pobre e mortificada por amor de mim; renuncio a tudo e não quero mais viver senão para Vos amar; todo meu prazer será Vos agradar. Eu Vos amo, ó meu amável Redentor, eu Vos amo com todas as minhas forças. Para que me permitais Vos amar, tratai-me como Vos agradar! Estou resolvido a Vos satisfazer quanto me for possível. Ó Mãe de Deus, tornai-me semelhante a Vós, não na glória, que não posso merecer no mesmo grau que Vós, mas na graça de agradar ao Senhor e de fazer como Vós sua divina vontade. Amém.


Oração Jaculatória

Dulcíssimo Coração de Jesus, feri meu coração com vosso Santo amor.



Exemplo


A Madre Mélin tinha privado da comunhão a Bem-aventurada Margarida Maria na primeira sexta-feira do mês. O Senhor, para a punir, ameaçou-a com o tirar-lhe uma jovem professa de grande esperança: era a irmã Rosália Verchère. Ainda na flor da idade, pois tinha apenas dezoito anos, caiu de repente perigosamente enferma, e em poucos dias corria risco de vida. Margarida Maria se tinha posto em oração para pedir a Nosso Senhor seu restabelecimento, e foi-lhe respondido que esta irmã continuaria enferma, até que a Superiora tirasse a proibição quanto à comunhão da primeira sexta-feira do mês. Não podendo resolver-se por si mesma a fazer conhecer as graças que recebeu do Coração do seu Amado, a Bem-aventurada recorreu a uma irmã antiga, Maria Madalena, em quem tinha grande confiança. Escreveu-lhe, pois, o bilhete seguinte: “No Sagrado Coração de Jesus Cristo é que vos escrevo este bilhete, minha querida irmã, pois Ele assim o quer. Não vos surpreendais que me dirija a vós na extrema pena que padeço por causa de minha irmã Verchère. Esta manhã, levantando-me, pareceu-me ouvir distintamente estas palavras: Dize a tua Superiora, que ela Me dá grande desgosto… proibindo-te a comunhão que Eu te tinha mandado fazer nas primeiras sextas-feiras de cada mês, a fim de satisfazer, oferecendo a meu Eterno Pai os merecimentos de meu Sagrado Coração, a sua divina justiça pelas faltas que se cometem contra a caridade. Visto como te escolhi para seres a vítima expiatória destas faltas, e ela te proibiu cumprir minha vontade nisto, estou resolvido a sacrificar para Mim, como vítima, a irmã que está enferma”. A irmã Madalena não hesitou em aconselhar-lhe que declarasse tudo à Superiora; a Bem-aventurada o fez, apesar de sua extrema repugnância. A Madre Mélin respondeu que lhe permitiria a comunhão na primeira sexta-feira do mês, mas contanto que ela rogasse a Jesus pelo restabelecimento da irmã Verchère. Margarida obedeceu, e a enferma, cuja morte parecia inevitável, saiu logo do perigo. Entretanto, a Bem-aventurada, que tomou as palavras da Superiora como simples promessa, não ousava ainda recomeçar suas comunhões. Também a irmã Verchère, saída das portas do túmulo, continuava com grandes dores. Durante os cinco ou seis meses que ela esteve na enfermaria, a Bem-aventurada lhe fez frequentes visitas, e ao mesmo tempo conjurava ao Coração de Jesus que acabasse a cura que tinha começado. Mas Nosso Senhor declarou positivamente que ela não seria atendida, senão quando tivesse recomeçado suas comunhões da primeira sexta-feira do mês. Pelo que Margarida resolveu-se a falar de novo à Superiora; esta não quis resistir mais tempo a uma vontade do Céu tão claramente manifestada. Logo a irmâ Verchère ficou completamente sã.



Fonte: O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório, ou, Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês; coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.Ss.R., “A Primeira Sexta-feira do Mês de Janeiro”, pp. 288-294. 5ª Edição Portuguesa, Tipografia de Frederico Pustet, Impressores da Santa Sé. Ratisbona/Alemanha, 1926.


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1.  Jo., 3, 16.

2.  Cânt., 5, 10.

3.  Psal., 41, 3.

4.  Is., 49, 2.

5.  Ez., 16, 8.


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