Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 18 de abril de 2021

Pastor Bonus


1º Ponto.

O Bom Pastor1


Dizei-me, amorosíssimo JESUS, que Vós sois o Bom Pastor. Dizei-me também: quais são as ovelhas, qual o aprisco delas; onde pastam e bebem; qual é o vosso cajado, e o som com que as chamais; e quais os lobos, de que as defendeis. O aprisco (diz o Senhor) é minha Igreja; as ovelhas sois vós outros os fiéis dela; o cajado com que Vos dirijo é a minha Cruz; o silvo, com que Vos chamo, minha inspiração; o pasto que Vos dou, meu Corpo sacramentado; as fontes onde bebeis, minhas Chagas preciosas; os lobos de que Vos guardo, são os Demônios; e Vos guardo com tanto amor e vigilância, que dei a vida para Vos tirar da boca deles. Ó meu dulcíssimo JESUS, quem, senão Vós, é Pastor bom? Graças vos sejam dadas, porque com tanto cuidado e trabalho, fazeis este ofício. Peço-Vos que, já que o Pastor é bom, eu a ovelha seja também boa; boa suportando o cajado da Cruz e obedecendo ao som da inspiração; boa, não me afastando do aprisco da Igreja e chegando-me ao pasto e bebida de vosso Corpo e Sangue; e boa fugindo de todas as obras más, que dão entrada aos lobos infernais.




2º Ponto.

Porta das Ovelhas2


Eu (disse o nosso JESUS amantíssimo) Sou a porta das ovelhas; se alguém entrar por mim, salvar-se-á; e entrando e saindo achará pastos.

Pondera o primeiro. Porque razão se chama o Senhor, Porta. É porque a Fé explícita (ou clara, e expressa) em Cristo, é necessária precisamente para o princípio e fim de nossa salvação, que é a Graça e Glória; e pelos merecimentos deste Senhor se salvam todos os que se salvam; e Ele é causa de nossas boas obras, pelas quais entramos no Reino dos Céus. Adverte aqui, quanto deves pôr em Cristo toda tua Fé, Esperança e Amor.

Pondera o segundo. Como este Senhor disse que era porta só para as ovelhas: Ego sum ostium ovium. Quais são as ovelhas, senão as almas que O seguem, as que Lhe obedecem, as que são mansas e humildes, e sofridas. Todas as demais ficam de fora; fechar-se-á a porta, e lhes dirão: Nescio vos. Não Vos conheço. Adverte aqui, quanto te importa ser ovelha na mansidão e humildade, e no seguimento e obediência de Cristo.

Pondera o terceiro. Quão venturosos são os que entram por esta porta! Que abundantes pastos acham à entrada e saída; à entrada, na vida contemplativa; à saída, na ativa; à entrada, na Divindade de Cristo; à saída, em sua Santíssima Humanidade! Ó Porta viva e racional! Porta mais que de ouro e margaridas! Porta que nos franqueias os Reinos da vista de Deus, de sua posse e amor eterno! Bendita seja a mão do Altíssimo, que nos abriu para entrarmos, os filhos de desterrado Adão. Admite, Senhor, a todos por esta porta, pois por ela cabem todos, e para todos a franqueou tua infinita misericórdia.




3º Ponto.

Caminho, Verdade e Vida.3


Como se entende, Senhor, o que dissestes por S. João, que Vós éreis o Caminho, a Verdade, e a Vida? Atende, Filho meu: sou caminho, na doutrina; sou verdade, na fidelidade do que te prometo; e sou vida, no prêmio com que te remunero. Com meus exemplos te mostro o caminho, com minhas palavras te descubro a verdade, e com minha graça te comunico a vida. Enquanto Caminho, me deves seguir; em quanto Verdade, me deves crer e esperar; e em quanto Vida, me deves amar mais que todas as coisas. Deixa por meu amor o mundo; que tudo nele são descaminhos; deixa as sugestões do Demônio, que tudo é falsidades; e deixa-te a ti mesmo, que de teu, não tens mais que a morte. Assim o proponho com vossa graça, ó suavíssimo JESU, caminho seguro, verdade infalível e vida eterna. Suscipe nos quasi via, confirma quasi veritas, et vivifica quasi vita.4



Fonte: Ven. Pe. Manoel Bernardez, Oratoriano, “Luz e Calor”, 2ª Parte, Opúsculo III, Meditação XXII, Pontos I-II-III, n. 350, pp. 375-376. Nova Edição, Lisboa, 1871.


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1  Joan., 10, 11.

2  Joan., 10, 7.

3  Joan., 14, 6.

4  D. Amb. de bono mottis c. 12.


sábado, 17 de abril de 2021

Santo Aniceto, Papa e Mártir. (156-166)


Santo Aniceto, festejado em 17 de Abril, nasceu na Síria, morreu Mártir e foi sepultado no cemitério de São Calisto nas Catacumbas. Proibiu ao Clero cultivar o cabelo; não se trata aqui da tonsura, ou “coroa clerical”, de uso mais antigo, mas sim da recomendação de se evitar o cuidado profano e vaidoso, recomendação já feita pelo Apóstolo. – Em seu tempo, São Policarpo, Bispo de Esmirna (Ásia Menor) veio a Roma, para tratar da questão de se fixar o dia da Páscoa. A visita de Policarpo e suas deferências para com Aniceto são índices da Comunhão das Igrejas e da necessidade de se recorrer ao Bispo de Roma, mesmo em questões disciplinares. Veio também o escritor grego Hegésipo, talvez um judeu convertido, em visita às Igrejas do Ocidente. É autor de cinco livros de comentários desde a Paixão de Cristo até seu tempo. Pena que se haja perdido obra tão preciosa; restam alguns fragmentos nos escritos de Eusébio. Por ele sabemos da sucessão Aniceto-Sotero-Eleutério e de sua fé na Tradição Apostólica como critério de Catolicidade.


A Igreja de Aniceto atraiu muitos homens sequiosos da verdade. Justino, o filósofo, cansado das teorias estoicas, peripatéticas e pitagóricas, insatisfeito com o platonismo, abriu sua alma ao Evangelho de Cristo, a Quem defendeu com seus escritos, fundou uma escola de filosofia cristã e encerrou gloriosamente sua vida no martírio. – Em 1604 o duque de Altaemps dedicou a Santo Aniceto uma linda capela, com este elogio: “Se a perfeita inteligência da Escritura, se a inocência e santidade de vida, se a glória do martírio, bastam, cada uma de per si, para a imortalidade, o que devemos pensar do mérito de Santo Aniceto, que possuiu todos esses dons?”


Fonte: Pe. Iran Corrêa, S.D.B., “Biografias dos Papas – Guardiães Vigilantes dos Textos Sagrados através dos Séculos”, 17 de Abril, p. 35. Editora das Américas, São Paulo/SP, 1951.


quinta-feira, 15 de abril de 2021

A Conversão de Clemente Brentano.


Quando o poeta alemão Clemente Wenzeslaus Brentano de La Roche (1778-1842), depois de ter passado muito tempo nas loucuras mundanas, chegou ao conhecimento de sua miséria, com pessoas bem intencionadas e de sua confiança lastimava-se muitas vezes dos erros de sua vida, esperando assim achar algum alívio e consolo. Porém, essas queixas não lhe restituíram a paz do coração. Um descontentamento geral e profundo apoderou-se-lhe da alma, e pesaroso olhava para sua vida passada. Nesta triste disposição de ânimo, encontrou-se um dia (era ao fim do ano de 1816) com uma piedosa senhora protestante, a poetisa Luíza Hensel, a qual lhe conquistou em breve a confiança pela sua inocência e candidez, de modo que Brentano lhe abriu todo o seu coração. Esta, porém, lhe respondeu gravemente: “De que lhe serve manifestar isso a uma jovem? O senhor é católico; tem a felicidade de ter a Confissão. Exponha seus vexames ao seu Confessor”. A estas palavras Brentano começou a chorar, e disse, de modo que os que estavam presentes na sala o podiam ouvir: “Pois, me diz isso, a filha de um pastor protestante!”


Foi uma humilhação para Brentano ouvir da boca de uma senhora, que não era a uma jovem, nem num salão e sim ao Sacerdote e na igreja, que devia fazer a confissão de suas misérias, mas foi uma humilhação para o seu bem! Lutou para achar a paz e achou-a.


Vá confessar-se”, era a resposta que a amiga, ao encontrar-se com ele e ouvindo-lhe as queixas, sempre lhe repetia; conformando-se ao conselho dela, tomou a resolução de fazer uma Confissão Geral. Foi ter com o Cônego Tauber, bom e zeloso Sacerdote pedindo-lhe ouvisse-o em Confissão, logo que para isso estivesse preparado. Já nesta ocasião, em que expôs ao Padre o triste estado de sua alma em geral, e dele recebeu palavras de animação e conforto, começou a fundir-se-lhe o gelo do coração como que às brisas primaveris da graça. Após uma longa preparação por entre os combates mais veementes, Brentano fez, por fim, sua confissão (a primeira depois de 10 anos).


No dia seguinte recebeu também a Santa Comunhão. Era sobremodo feliz por ter-se reconciliado com a Santa Igreja, por ter achado a paz com Deus e consigo.


O senhor é católico; tem a felicidade de gozar do benefício da Confissão; vá confessar-se!” Que preciosa verdade encerram estas palavras! Sim, assim é. Felizes somos nós católicos por termos a Confissão. Quantas graças não devemos a Deus por ter instituído para nossa salvação o Santo Sacramento da Penitência, no qual o Sacerdote, autorizado para isso, perdoa em nome de Deus os pecados, se o pecador arrependido os confessa sinceramente e tem a vontade de cumprir a penitência imposta.


Nós católicos somos felizes por termos a Confissão. Ela é para nós o meio mais fácil e mais simples para nos reconciliarmos com Deus; é uma fonte de paz e consolo para nosso coração atribulado. Por uma boa e digna confissão fechamos as portas do Inferno e abrem-se-nos as do Céu.


A Confissão, porém, não é somente para nós uma felicidade inestimável, mas também um dever rigoroso. O divino Salvador disse aos seus discípulos: “Em verdade vos digo, que tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado também no Céu; e tudo o que desatardes sobre a terra, será também desatado no Céu”.1 E pouco antes da sua Ascensão conferiu solenemente aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, dizendo-lhes: “Assim como o Pai me enviou, assim eu vos envio… Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.2


Que se segue daí? Sem dúvida, que é obrigatório ao pecador o reconciliar-se com Deus pelo Sacramento da Penitência e que não lhe é facultado fazê-lo de outra maneira; pois, se pudéssemos, sem o Sacramento da Penitência e sem o Padre, obter o perdão dos nossos pecados, Cristo em vão teria dado tal poder somente aos Apóstolos e seus Sucessores. Este seu poder seria vão e inútil, se não pudessem exercê-lo: não seria nenhum poder.


Bem exprimiu este pensamento Santo Agostinho († 480): “Fazei penitência como se faz na Igreja, a fim de que a Igreja ore por vós. Ninguém diga consigo: ‘Eu faço penitência perante Deus, às ocultas. Deus que me perdoe, sabe que estou arrependido no coração’. – Pois desta forma seria dito em vão: ‘Tudo o que desatardes sobre a terra, será desatado também no Céu’; em vão a Igreja teria recebido o Poder das Chaves. Acaso nos é lícito frustrar o Evangelho e as palavras de Cristo?” Em outras palavras: Cristo nos remete para os Apóstolos e seus Sucessores, os Bispos e Sacerdotes, se desejamos obter o perdão dos pecados.


Para todos os fiéis, portanto, que, depois do Batismo, cometeram um pecado mortal, torna-se necessária a recepção do Sacramento da Penitência, ou, sendo esta impossível, ao menos o desejo de recebê-lo…


Felizes somos nós católicos por termos este grande Sacramento, que não só nos purifica do pecado, mas também nos protege poderosamente contra ele, ajudando-nos eficazmente a alcançar a perfeição cristã.


É verdade: como todas as coisas boas são combatidas, e até convém que o sejam, para poderem mostrar sua força e vigor, assim também a instituição da Confissão. Poucas instituições da Santa Igreja são tanto impugnadas pelo poder das trevas quanto a Confissão. Que pretextos e razões fúteis inventam os homens para difamarem na opinião de outros o Sacramento da Penitência ou ao menos para se eximirem a si mesmos da obrigação de recebê-lo! Até bons cristãos sofrem às vezes estas tentações.



Fonte: Pe. Fr. Frutuoso Hockenmaier, O.F.M., “O Cristão Prático – Exposição Prática da Moral Cristã”, Notas Preliminares, pp. 9-13. Editora Mensageiro da Fé, Bahia, 1925.


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1  Mat. 18, 18.

2  Jo. 20, 21-23.


A Morte da Reformadora do Carmelo.


A 2 de Outubro, a Madre anunciou a Ana de São Bartolomeu que estava próxima a sua morte. Pediu o Santíssimo Sacramento. O Rev. Pe. Vigário Provincial, Antônio de Jesus, ouviu-lhe a confissão ajoelhado junto do leito. No fim suplicou-lhe:


Madre, pedi ao Senhor que não vos leve. Não nos deixeis tão depressa…


Ouviram-na responder:


Calai-vos, Padre! Sois vós que me falais dessa maneira? Já não sou necessária neste mundo.1


Agora que a sua obra estava terminada, deixava-se aniquilar pelo amor de Deus e pelo desejo que tinha de se encontrar com Ele.



As recomendações às suas filhas foram breves:


Minhas filhas e minhas senhoras, peço-vos pelo amor de Deus, que observeis bem a Regra e as Constituições: se as guardardes pontualmente não precisareis de mais nenhum milagre para serdes canonizadas. Não imiteis os maus exemplos que vos deu esta má Religiosa, e perdoai-me”.2


Não se reuniam aqui as suas virtudes preferidas: o amor, a humildade, a obediência, o trabalho?


Repetiu muitas vezes, com nitidez e majestade: “Senhor, sou filha da Igreja”.3


Estava tão mal que eram precisas duas Religiosas para a moverem na cama. Mas, quando viu entrar o Santíssimo Sacramento, ergueu-se dum salto e pôs-se de joelhos: o rosto inflamou-se-lhe de amor e alegria.


A última comunhão fez-lhe brotar dos lábios as derradeiras exclamações: “Meu Esposo e Senhor! Chegou a hora desejada. É hora de nos vermos, meu Amado, meu Senhor. É tempo de me pôr a caminho. Partamos, é a hora…”.4


Quando o Pe. Antônio de Jesus lhe perguntou se queria que lhe levassem o corpo para Ávila, esboçou um sorriso naqueles lábios que tanto haviam louvado a alegria como pregado a renúncia:



Jesus! Isso é coisa que se pergunte, meu Pai? Eu tenho alguma coisa que me pertença? Não me farão a esmola de me dar aqui um pouco de terra?.5


Toda a noite passou em beatitude extática, repetindo o versículo dum Salmo; ela, porém, que tantas vezes declarava não querer freiras latinistas, pronunciou-o na sua língua castelhana: “Um ânimo aflito é um sacrifício agradável ao Senhor… Meu Deus! Vós não desprezais um coração arrependido!”6


Voltava muitas vezes às palavras “coração arrependido” e parecia sentir prazer em as acentuar.


Na madrugada do dia seguinte, festa de São Francisco, deitou-se de lado, “na posição em que é representada Maria Madalena”; as Irmãs puderam-na contemplar: as rugas cavadas pela idade e pela doença haviam desaparecido; o rosto, transfigurado, estava tão calmo e luminoso “que parecia uma lua cheia”.7


As que a tinham visto em êxtase, afirmavam que estava na presença de Deus.


Só uma vez o seu se voltou para o mundo: o Pe. Antônio de Jesus acabava de ordenar a Ana de São Bartolomeu que fosse comer alguma coisa – havia vários dias que a pobre Religiosa não provava nem sono nem alimento. A Madre abriu os olhos inquietos e esforçou-se por voltar a cabeça como a procurar alguém. Teresita compreendeu e correu a chamar a Irmã de véu branco. Ao vê-la entrar, a Madre sossegou, pegou-lhe nas mãos e, com um sorriso que não mais se apagou, deitou a cabeça nos seus braços.



Foi assim, amparada por uma camponesa castelhana, que ela esperou o momento de ser arrebatada para além das Sétimas Moradas, pela “águia impetuosa da Majestade de Deus”.8 Emanava dela admirável perfume.


Expirou com três gemidos muito fracos, muito doces. O rosto de Teresa de Jesus conservou-se tão belo, na morte, tão resplandecente, “que se diria um sol deslumbrante”.9


A duquesa de Alba mandou cobrir com um pano dourado o corpo daquela que havia preferido viver vestida de burel.



Fonte: Marcelle Auclair, “Santa Teresa de Ávila – A Dama Errante de Deus”, V Parte, Cap. VI, pp. 451-453. Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1959.


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1  MF (Maria de S. Francisco) ct (citado por) SEC (S. Teresa, edição crítica das suas obras, pelo P. Silvério de Santa Teresa) t. (Tomo) II p. (página) 242.

2  MF ct SEC t. II p. 242

3  Idem.

4  Idem.

5  Idem.

6  Idem.

7  Idem.

8  SEC E (Exclamaciones) XIV.

9  MF ct SEC t. I p. 243.


quarta-feira, 14 de abril de 2021

VENID, JESÚS NUESTRO SENOR.

 


"La Humanidad no tiene fuerzas para apartar el obstáculo que ella misma ha creado tratando de impedir vuestro regreso. Enviad a vuestro ángel, ¡oh, Senor!, y haced que nuestra noche se vuelva luminosa como el día.


¡Cuántos corazones os esperan, oh, Senor! ¡Cuántas almas se consumen en el anhelo del día en que sólo Vos viviréis y reinaréis en los corazones!


VENID, JESÚS NUESTRO SENOR.



Hay muchas senales de que la hora de vuestro regreso no está lejana.


¡Oh, María! Vos, que le habéis visto resucitado, que con la primera aparición de Jesús visteis suprimida la inenarrable angustia producida por la noche de la Pasión, María, a Vos ofrecemos las primicias de este día. A Vos, esposa del Espíritu divino, nuestro corazón y nuestra esperanza".


Pio XII, "Mensaje Pascual", de 1957.

terça-feira, 13 de abril de 2021

O ETERNO PAI, AFORMOSEOU AS CRIATURAS EM CRISTO RESSUSCITADO.


"Assim disse o mesmo Filho de Deus: 'Se eu for exaltado da terra, atrairei a mim todas as coisas' (Jo. 12, 32). Nesta exaltação da Encarnação de seu Filho, e da glória de sua Ressurreição segundo a carne, aformoseou o Pai as criaturas não só parcialmente, mas, podemos dizer, deixou-as totalmente vestidas de formosura e dignidade".


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Fonte: São João da Cruz, Cântico Espiritual, Canção V, Ponto 4, p. 621. Obras Completas, 4° Edição, Editora Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1996.

JESUS RESSUSCITADO, APARECE PARA A SUA SANTÍSSIMA MÃE, A SEMPRE VIRGEM MARIA.



"Três outras aparições aconteceram ainda no próprio dia da Ressurreição, mas o texto sagrado nada fala sobre elas...

A terceira das aparições, sobre as quais os Evangelistas nada falam, deu-se à Virgem Maria. A Igreja romana parece aprovar essa opinião, já que a Estação litúrgica do dia de Páscoa ocorre na igreja de Santa Maria Maior. Se não concordarmos com tal ideia, tendo em vista que nenhum dos Evangelistas a menciona, isso significará que Cristo nunca apareceu à Virgem depois de ter ressuscitado. Mas descartamos a ideia de que tal mãe tenha sido assim negligenciada e desonrada por um Filho como Aquele. Os Evangelistas devem ter silenciado a esse respeito porque seu objetivo era fornecer testemunhos da Ressurreição, e não era conveniente que uma mãe fosse chamada a testemunhar por seu filho. Se o relato das outras mulheres que tinham ido ao sepulcro parecia devaneio, com mais razão se poderia dizer que a mãe estava delirando por amor ao filho, daí porque os Evangelistas não escreveram sobre o fato, considerando-o evidente. A primeira alegria da Ressurreição deve ter sido proporcionada à sua Mãe, que sofreu mais que ninguém com a morte do Filho, de forma que Ele, que consolava outras pessoas, não iria se esquecer de consolar sua Mãe. Esta é a opinião de Ambrósio na terceira parte de seu livro 'A Virgindade': 'A Mãe viu a Ressurreição e foi a primeira que viu e que acreditou, enquanto Maria Madalena viu mas não O reconheceu de imediato'.

Sedúlio falou assim dessa aparição de Cristo:

'A sempre Virgem espera, mais que ninguém, o amanhecer,

E a luz do Senhor aparece para a boa Mãe,

Testemunha de imensos milagres, canal de sua vinda ao mundo,

A primeira a saber que havia ressuscitado'."


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Fonte: Beato Jacopo de Varazze, O.P., "Legenda Áurea - Vida de Santos", Cap. 52 - A Ressurreição do Senhor, pp. 344-345. Companhia das Letras, São Paulo/SP, 2003.

A IMPORTÂNCIA DA DÚVIDA DE SÃO TOMÉ.

 


"A dureza dos discípulos em acreditarem na Ressurreição, diz São Gregório, não foi apenas sinal de que eram ainda enfermos na fé, mas antes argumento para firmar a nossa fraqueza. Menos me aproveita a mim Madalena que logo acreditou, que Tomé que duvidou por muito tempo; porque o Apóstolo, tocando nas Chagas, amputou-nos do peito a raiz da dúvida".


Fonte: Dom Gaspar Lefebvre, O.S.B., "Missal Quotidiano e Vesperal", Domingo in Albis, nota introdutória ao Santo Evangelho, p. 656. Desclée de Brouwer & Cie, Bruges, Bélgica, 1951.

SÃO GREGÓRIO MAGNO, EM SUA EXPLICAÇÃO DE EZEQUIEL.



"Cristo morreu em uma sexta-feira, ficou sábado no sepulcro e ressuscitou da morte no domingo, porque a vida presente ainda é para nós a sexta-feira cheia de angústias e dores, depois da morte encontramos o repouso da alma correspondente ao repouso de sábado no sepulcro, quando ressuscitarmos de corpo e de alma estaremos na glória no domingo. No sexto dia temos a dor, no sétimo o repouso e no oitavo a glória".


Fonte: Beato Jacopo de Varazze, O.P., "Legenda Áurea - Vida de Santos", Cap. 52 - A Ressurreição do Senhor, p. 339. Companhia das Letras, São Paulo/SP, 2003.

RECOMPENSA DO ARDENTE AMOR À DEUS.



"É para notar, diz São Gregório falando de Madalena, o amor que ardia na alma desta mulher, que se conserva sozinha junto do sepulcro, quando os Apóstolos já se tinham afastados. Buscava quem não encontrara e buscando chorava acesa em amor e desejos d'Aquele que julgava roubado. Donde só ela mereceu vê-lO, que ficara a procurá-lO, porque os merecimentos das boas obras estão na perseverança; ou não teria dito a Verdade: quem perseverar até ao fim será salvo".


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Fonte: Dom Gaspar Lefebvre, O.S.B., "Missal Quotidiano e Vesperal", quinta-feira de Páscoa, nota introdutória ao Santo Evangelho, p. 646. Desclée de Brouwer & Cie, Bruges, Bélgica, 1951.

A RESSURREIÇÃO DO SENHOR, É A NOSSA FESTA, E A FESTA DOS ANJOS.


"O Anjo apareceu envolto numa túnica branca, diz São Gregório, para anunciar a alegria da nossa festa. A alvura das vestes, representava o brilho e a magnificência da nossa Solenidade.

Da nossa? Da nossa e da deles; porque a Ressurreição do Senhor foi e é indubitavelmente a nossa festa, pois reintegrou-nos na vida da graça, e é também a dos Anjos, porque reabilitando-nos para o Céu preencheu entre eles as cadeiras que a defecção dos Anjos rebeldes deixara vazios".


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Fonte: Dom Gaspar Lefebvre, O.S.B., "Missal Quotidiano e Vesperal", Solenidade da Ressurreição de Nosso Senhor, nota introdutória ao Santo Evangelho, p. 628. Desclée de Brouwer & Cie, Bruges, Bélgica, 1951.

O QUE É A RESSURREIÇÃO, SENÃO, O ESTADO DE INCORRUPTIBILIDADE!


"Podemos perguntar, diz São Gregório, porque motivo o Senhor depois da Ressurreição fica na praia e deixa os discípulos trabalharem sozinhos no mar, Ele, que antes caminhava nas vagas diante deles. O motivo depressa se descobre, se considerarmos no Mistério. Que representa o mar senão este descaroado século, em que as vagas dos interesses e paixões do homem se entrechocam e quebram? E a terra firme da praia, de que nos fala senão da imobilidade do repouso eterno? Porque os discípulos se encontravam ainda entre as ondas desta vida mortal, trabalhavam no mar e, como o Senhor depois da Ressurreição se despojara já da corruptibilidade da carne, ficou na praia".


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Fonte: Dom Gaspar Lefebvre, O.S.B., "Missal Quotidiano e Vesperal", Quarta-feira de Páscoa, nota introdutória ao Santo Evangelho, p. 641. Desclée de Brouwer & Cie, Bruges, Bélgica, 1951.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

O DIA DO SOL, É O DIA DO SENHOR.



"Reunimos-nos sempre no dia do sol, porque é o primeiro dia, o dia em que Deus, extraindo a matéria das trevas, criou o mundo e, nesse mesmo dia, Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos".


Fonte: São Justino, Apol. 1, 67; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 2174.

O OITAVO DIA DA CRIAÇÃO.

 


"Mas para nós nasceu um dia novo: o dia da Ressurreição de Cristo. O sétimo dia encerra a primeira criação. O oitavo dia dá início à nova criação. Assim, a obra da criação culmina na obra maior da Redenção. A primeira criação encontra o seu sentido e o seu ponto culminante na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira".1


Fonte: Catecismo da Igreja Católica, I Parte, II Seção, Cap. I, Parág. V, Ponto II, n. 349, p. 101. Editora Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1993.


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1.   Cfr. MR, Vigília pascal: oração após a Primeira Leitura.

POR QUE CRISTO RESSUSCITOU AO TERCEIRO DIA?



"... Não está também fora de Mistério que Cristo tenha desejado ressuscitar ao terceiro dia.


Primeiro, para manifestar por este número, que ressuscitou pela virtude da Trindade, e daí dizer-se, por vezes, que o Pai O ressuscitou; por vezes, que Ele ressuscitou por virtude própria. Não há, com efeito, contradição nessas duas expressões, porque só há uma única e mesma virtude do Pai, do Filho e do Espírito Santo.


Segundo, para também demonstrar, que a reparação da vida não foi feita no primeiro dia dos séculos, isto é, sob a lei natural; nem no segundo dia, isto é, sob a Lei mosaica; mas no terceiro dia, que é no tempo da graça.


Apresenta-se, finalmente, uma outra razão para explicar, por que Cristo permaneceu no sepulcro um dia inteiro e duas noites inteiras; porque Ele, por meio de uma só coisa velha que assumiu, a saber, a pena do velho homem, destruiu duas coisas velhas nossas: a culpa e a pena, significadas pelas duas noites".


Fonte: São Tomás de Aquino, "Compêndio de Teologia", I Parte, Cap. CCXXXVI, Questão VI, p. 242. 2° Edição, EDIPUCRS, Porto Alegre/RS, 1996.

TEMAMOS O CÁLICE DA IRA DE DEUS.



"Se o Filho de Deus é castigado tão severamente por pecados alheios, como o serão os ímpios pelos pecados próprios? Se assim é tratada a suma inocência, mansidão e humildade, como será tratada a nossa soberba, ira, obstinação e insolência? Se tanto pesa a mão de Deus sobre os ombros do Filho, que zela por sua honra, como pesará sobre os inimigos que a desprezam? É possível que houve espinhos para a Cabeça da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade; houve fel para a Boca donde procedem as palavras de vida eterna; houve pregos para as Mãos que fabricaram os Céus e a terra; houve salivas (cuspes) para o Rosto de cuja luz e formosura vivem os Anjos? Que tormentos, que opróbrios, que amarguras, que confusão haverá para os escravos do Diabo e tristes vítimas da perdição eterna? Ó, TEMAMOS, pecadores, temamos o cálice da ira de Deus, que amarga muito, e se dele bebeu Cristo grande parte, até as fezes, todavia, ficaram guardadas para os pecadores obstinados: 'Verum tamen fex ejus non est exinanita; bibent omnes paccatores terrae'."


Fonte: Ven. Fr. Manoel Bernardez, Oratoriano, "Sermões e Práticas", Segunda Parte, II-152/153, Prática da Dominga Segunda da Quaresma. 1733.

CRUCIFICADO ENTRE DOIS LADRÕES.



"O Senhor quis padecer entre dois ladrões, um deles réprobo, o outro predestinado, para nos dar a entender que sua Paixão Sagrada, é juntamente motivo de temor e de confiança, porque é sinal que ao mesmo tempo aponta para as duas contrárias partes: para as profundezas e para as alturas: 'Signum in profundum inferni, sive in excelsum supra'."


Fonte: Ven. Fr. Manoel Bernardez, Oratoriano, "Sermões e Práticas", Segunda Parte, II-153, Prática da Dominga Segunda da Quaresma. 1733.

O LIVRO DA VOSSA PAIXÃO.



"Meu Jesus, minha única esperança, agradeço-Vos por esse livro que abristes diante dos olhos da minha alma. Esse livro é a Vossa Paixão que assumistes porque me amastes. Desse livro aprendi como amar a Deus e as almas. Nesse livro estão contidos para nós tesouros inesgotáveis. Ó Jesus, quão poucas almas Vos compreendem em Vosso martírio de amor. Oh, como é grande o fogo do amor mais puro que arde nesse Santíssimo Coração. Feliz é a alma que compreendeu o amor do Coração de Jesus".


Fonte: S. Faustina Kowalska, "Diário", Caderno I - 304, p. 108. Congregação dos Padres Marianos, Curitiba/PR, 1982.

terça-feira, 6 de abril de 2021

A Questão é: se os Pecadores Obtêm de Deus, o que Lhe pedem nas suas Orações.

 


O décimo sexto artigo discute-se assim. – Parece que os pecadores nada obtêm do que pedem a Deus nas suas orações.


1. – Pois, diz a Escritura1: “Sabemos que Deus não ouve a pecadores”; o que concorda com outro lugar2: “Daquele que desvia os seus ouvidos para não ouvir a lei, a mesma oração sera execrável”. Ora, a oração execrável nada alcança de Deus, logo, os pecadores nada obtêm de Deus.


Resposta à primeira objeção: – Como diz Agostinho3, as palavras referidas são de um cego ainda não ungido, isto é, ainda não perfeitamente iluminado. Por isso não foi ratificada. – Embora possa verificar-se, se a entendermos do pecador, como tal. Sendo desse modo que também a oração dele é chamada execrável.



2. Ademais. – Os justos obtêm de Deus o que merecem, como já se estabeleceu.4 Ora, os pecadores nada podem merecer, por carecerem, tanto da graça, como da caridade, que é a virtude da piedade, segundo a Glosa àquilo do Apóstolo5 Tendo por certo uma aparência de piedade, porém, negando a virtude dela. E portanto, não oram piamente, que é condição necessária para a oração ser eficaz,6 como se estabeleceu. Logo, os pecadores nada obtêm do que pedem nas suas orações.


Resposta à segunda objeção: – O pecador não pode orar piamente, no sentido em que sua oração seja informada pelo hábito da virtude. Mas, ela pode pia por pedir o que pertence à piedade; como também quem não possui o hábito da justiça pode querer coisas justas, conforme do sobredito7 resulta. E embora a sua oração não seja meritória, pode contudo alcançar o que pede, por se fundar o mérito na justiça; ao passo que a obtenção do que pedimos se funda na graça.



3. Ademais. – Crisóstomo diz8: O Pai não ouve de boa vontade a oração que o Filho não ensinou”. Ora, a Oração que Cristo ensinou diz: “Perdoai-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores” – o que os pecadores não fazem. Logo, ou mentem se o dizem, e não são nesse caso dignos de serem ouvidos; ou, se não o dizem, não são ouvidos, por não observarem a forma de orar que Deus instituiu.


Resposta à terceira objeção: – Como já dissemos9, a Oração Dominical é recitada em nome da Igreja universal. Por onde, quem a rezar, não querendo perdoar os pecados do próximo, não mente, embora não seja verdade o que diz, em seu próprio nome; porque o é, em nome da Igreja. Mas como se coloca assim, merecidamente, fora dela, fica também privado do fruto da oração. Mas, às vezes, certos pecadores estão dispostos a perdoar aos seus devedores; e por isso, são ouvidos nas suas orações, conforme ao dito da Escritura10: “Perdoai ao teu próximo o mal que te fez e então, deprecando tu, ser-te-ão perdoados os teus pecados”.



Mas, em contrário, Agostinho11: “Se Deus não ouvisse os pecadores, em vão teria orado o publicano – Senhor, sede propício a mim pecador”. E Crisóstomo12: “Todo aquele que pede recebe, isto é, quer seja justo, quer pecador”.


Solução: Duas coisas devemos considerar no pecador: a natureza, que Deus ama; e a culpa, que Ele odeia. Quando, portanto, o pecador pede alguma coisa, na sua oração, enquanto pecador, isto é, movido pelo desejo do pecado, Deus não o ouve com misericórdia. Mas, às vezes, ouve-o por vingança, deixando-o precipitar-se mais profundamente no seu pecado; pois, como ensina Agostinho13, “certas coisas Deus as nega, quando propício, que concede quando irado”. Mas, Deus ouve a oração do pecador, quando ela procede do bom desejo da natureza. Não na ouve, porém, por justiça, porque tal não merece o pecador; mas, por pura misericórdia, se contudo ele observar as quatro condições preestabelecidas, isto é, pedir por si, pedir o necessário à salvação, pia e perseverantemente.



Fonte: São Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, 2ª Parte da 2ª Parte, Questão LXXXIII, Artigo XVI, Vol. VI, da 2ª Edição, pp. 2682-2683. EST SULINA UCS, tradução de Alexandre Corrêa, Porto Alegre/RS, 1980.


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1  Jo., IX, 31.

2  Prov., XXVIII, 9.

3  Super Ioan., (Tract., XLIV).

4  (a. 15, ad 2).

5  II ad Tim., III, 5.

6  (a. 15, ad 2).

7  (q. 59, a. 2).

8  Super Matth. (Hom. XIV Op. Imperf.).

9  ( a. 7, ad I).

10  Eccli., XXVIII, 2.

11  Super Ioannem (Tract. XLIV).

12  Super Matth. (Hom. XVIII Op. imperf.).

13  Serm. CCCLIV, cap. VII.


domingo, 4 de abril de 2021

JESUS, O DIVINO RESSUSCITADO.


"Predita por Jesus, a sua Ressurreição contém em si o duplo caráter de milagre físico e de profecia realizada. De todos os milagres operados por Jesus, a sua Ressurreição foi o maior. Foi ela que reuniu de novo e transformou os Apóstolos dispersos e desanimados. É o ponto central e essencial de toda a pregação apostólica; ser Apóstolo é ser testemunha da Ressurreição de Cristo: Atos I, 22; III, 15; IV, 33; XIII, 30-31; I Cor. IX, 1 e XV, 11.

A razão disso, é porque ela constitui a suprema confirmação divina, a síntese e a coroa de todos os milagres. É o grande sinal apontado por Jesus, o critério máximo da Divindade da Religião Cristã, o argumento básico da nossa fé. "Se Cristo não ressuscitou", escrevia São Paulo, "é vã a vossa fé..." (I Cor. XV, 14-17). - É sobre a Ressurreição de Cristo que se alicerça a Igreja toda*.


* É conhecida a resposta de Barras a Laréveillère-Lepeaux, fundador da teofilantropia: 'Sua religião não medra? Há, porém, um meio infalível de lhe assegurar o bom êxito: faça-se crucificar numa sexta-feira... e procure ressuscitar no domingo seguinte!' (Apud Duplessy, Apologétique, II, p. 295)".


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Fonte: Pe. Pedro Cerruti, S.J., "Síntese da Teologia Católica", Vol. II, "O Cristianismo - em sua Origem Histórica e Divina", II Parte, Cap. III, Art. 4°, Ponto 314, pp. 409-410. PUC-RJ, 1963.

A Ressurreição.


Vamos assistir ao grande sucesso, que os inimigos de Cristo receavam tanto, e que os discípulos, na amargura da sua dor, nem quase se atreviam a esperar!

Jesus tinha afiançado diante de todos, que ressurgiria ao terceiro dia, vencendo a morte, e rasgando as trevas do sepulcro.

Os guardas romanos, colocados pelos fariseus em volta do jazigo, estavam ali para estorvar que o zelo dos seus adeptos substituísse a fraude à realidade, fingindo um testemunho, que os hipócritas sabiam, que importava a pública reprovação das suas iniquidades.

Mas a verdade é mais poderosa que os ardis dos homens; a precaução dos deicidas endurecidos voltou-se contra eles.

À hora própria, que, segundo se julga, foi pouco depois de romper a alva do terceiro dia, deixando o lençol no fundo do sepulcro, Jesus ressuscitou pela sua própria virtude, não quebrando, nem deslocado a pedra, mas penetrando-a, pela sutileza do seu Corpo glorioso.



Tinha acabado o Sábado, e Maria Madalena, juntamente com Maria, mãe de Tiago, e com Salomé, compraram os perfumes, com que determinavam embalsamar a Cristo. Apenas raiou a aurora do primeiro dia da semana, mal distinto ainda o albor da manhã, encaminharam-se, pois, ao sepulcro, perguntando umas às outras: “Mas quem nos tirará a campa, que o cobre?”

O seu enleio era razoável; a pedra maciça e pesada requeria o esforço de possantes braços para se levantar. Mas o Senhor depressa removeu os obstáculos.

De repente um grande tremor abala a terra: o Anjo de Deus desce do Céu, e derrubando a campa, assenta-se-lhe em cima.

Resplandecia no seu rosto o fulgor do relâmpago, e as roupas, que vestia, eram alvas e cândidas como a neve.



Os soldados romanos, que não se tinham apercebido da Ressurreição de Jesus, sentindo o terremoto ao pé de si, e vendo o Anjo, caíram no chão transpassados de terror, e perderam os sentidos.

Entretanto, que estas coisas passavam, as santas mulheres chegaram ao sepulcro. Admiradas por acharem caída a campa trataram de executar o propósito, que as trazia; porém, entrando ficaram atônitas; o Corpo de Jesus não estava ali!

Saíram, e a Madalena, mais impaciente, separando-se das outras, correu a dizer a Simão Pedro, e a João, o discípulo amado: Não sabeis? Levaram o Senhor do sepulcro, e não consta onde O puseram!

Neste meio tempo Maria, mãe de Tiago, e Salomé, tornando a entrar no sepulcro, e confirmando-se, em que na realidade faltava o Corpo, caíram em grande consternação, que logo se converteu em espanto e temor encontrando subitamente diante dos olhos dois homens cobertos de vestes, cuja alvura era deslumbrante.



Quando, tímidas e confusas, abaixavam a vista, o Anjo assentado à direita, na figura de um mancebo, disse-lhes: “Não receies, sei a quem buscais, é a Jesus Nazareno, que foi crucificado. Porque procurais entre os mortos a quem vive? Não está aqui, ressuscitou como vos disse. Vinde, e vede o lugar aonde puseram o Senhor. Lembrai-vos do que lhe ouvistes quando ainda estava em Galileia! O Filho do Homem será entregue aos pecadores e crucificado, e ressuscitará ao terceiro dia. Ide dizer já aos seus discípulos e a Pedro, que Jesus ressurgiu, e que ei-lO vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, e recordai-vos de que vo-lo anuncio primeiro que suceda!”

Trêmulas, e ainda cheias de susto as duas fugiram: e divididas entre os transportes da sua alegria por tão boa nova, e o assombro das maravilhas, que tinham presenciado, logo foram levar a notícia aos discípulos.

Entretanto, Pedro, ouvindo-a da boca de Madalena, ergueu-se rápido, e com o discípulo amado de Jesus, dirigiu-se, correndo, ao sepulcro; mas o discípulo era mais veloz, e entrou primeiro. Inclinando-se, apenas chegou, viu este logo o lençol e as ligaduras, e tomado de respeito deteve-se, não querendo aproximar-se mais.

O outro Apóstolo, que vinha depois, viu também o mesmo, mas seguindo adiante, achou dobrado à parte o sudário, em que fora envolta a cabeça de Jesus, e só então é que o discípulo querido ousou avizinhar-se do jazigo, e que observando tudo, acreditou; porque não entendiam ainda as Escrituras, que tinham prometido a Ressurreição.

Depois, voltaram para casa. João crente e confirmado: Pedro ainda assombrado pelo que acabara de acontecer.



Maria Madalena, porém, tendo avisado os Apóstolos, tornou ao sepulcro já depois deles se haverem retirado, mas receosa e magoada, ficou de fora chorando. Assim consternada, saltando-lhe as lágrimas dos olhos, lançou casualmente a vista para dentro do túmulo, e descobriu os dois Anjos sentados, um à cabeceira, e o outro aos pés, no lugar em que fora depositado o Corpo de Jesus.

Disseram-lhe eles então: “Porque choras, mulher?” “Porque levaram o meu Senhor, e não sei aonde O puseram”, respondeu.

Voltando-se, viu a Cristo ao pé de si, mas não O reconheceu. “Porque choras?”, perguntou o Mestre. “A quem procuras?”

Supondo-O jardineiro, como o traje inculcava, ela redarguiu: “Senhor, se tu é que O tiraste, dize-me aonde está que eu O levarei!”

A estas palavras, que pintavam a dor e o imenso afeto daquela alma, Jesus replicou, chamando-a pelo seu nome de Maria, e ela, virando-se, respondeu: “Mestre!” Reconheceu o Salvador.

Não Me toques, disse Cristo, porque ainda não subi a meu Pai; mas busca a meus irmãos, e dize-lhes da minha parte, que vou para o meu e vosso Pai, para o meu e vosso Deus”.



Maria obedeceu; e procurando os discípulos, ainda cheios de aflição e abismados em pranto, exclamou: “Vi o Senhor, e eis o que Ele me disse!” Depois, repetiu-lhes as próprias palavras do Mestre.

Assim recompensou Jesus o fervor e a constância de Madalena, manifestando-se-lhe antes de o fazer aos outros discípulos, porque é crença admitida, que a Virgem Santíssima foi a primeira a quem apareceu depois de ressuscitado.

As santas mulheres, que vieram ao sepulcro, não ficaram esquecidas.

Quando iam no caminho para anunciar aos Apóstolos dispersos, o que dissera o Anjo, apresentou-se-lhes Cristo subitamente, exclamando: “Salve!” E tendo-se chegado a Ele, e vendo que era o Mestre, prostraram-se todas, e O adoraram, beijando-lhe as mãos.

Jesus prosseguiu então: “Nada receies. Dizei a meus irmãos, que vão para a Galileia, que lá Me hão de ver!”



Assim o fizeram, contando tudo aos onze Apóstolos, e aos demais discípulos; e as que falaram, foram Maria Madalena, que se lhes juntara depois, Maria, mãe de Tiago, e outras muitas, que iam com elas.


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Fonte: Luiz Augusto Rebello da Silva, Fastos da Igreja – Vida de Jesus Cristo, Volume IV, Livro IV, Parte II, Cap. I, pp. 59-63. Empresa da História de Portugal Sociedade Editora, Livraria Moderna – Typographia, Lisboa, 1907.


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