Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 5 de setembro de 2021

Alguns Exemplos Onde Não Há Pecado. 10ª Parte.


10ª Parte


Segundo a sentença de Deuteronômio 22, 5: “A mulher não se vestirá de homem nem o homem se vestirá de mulher; porque aquele que tal faz é abominável diante de Deus”.1


O Doutor Angélico o confirma: “... em si mesmo, é pecaminoso uma mulher trazer trajes viris, ou inversamente…”.2


Mas, “o Mestre do bem pensar”3 em seguida, também ensinou: “Pode-se, porém, proceder desse modo e sem pecado, se o exigir a necessidade: quer para ocultar-se dos inimigos, quer por falta de outras roupagens, quer por outro motivo semelhante”.4


Seguindo os ensinamentos do “Doctor communis Ecclesiae”, houveram variados exemplos na História da Igreja, dos quais, publico os seguintes:


10º Exemplo



Santos Proto, Jacinto

e Eugênia, Mártires. 5


Proto e Jacinto foram domésticos e companheiros de Eugênia, filha de Filipe, no estudo da filosofia. Este Filipe, romano de origem nobilíssima, aceitara do Senado o governo de Alexandria, e para lá levou consigo a esposa Cláudia, os filhos Ávito e Sérgio e a filha Eugênia. Eugênia havia atingido a perfeição em todas as letras e artes liberais, e Proto e Jacinto, que com ela estudaram, tornaram-se também completos em todos os conhecimentos.


Aos quinze anos de idade, Eugênia foi pedida em casamento por Aquilino, filho do cônsul Aquilino. Ela respondeu: “Deve-se escolher um marido menos pelo nascimento do que pelos costumes”. Como chegara às suas mãos a doutrina de Paulo, ela começara em sua alma a se tornar cristã. Naquela época era permitido aos cristãos morar nos arredores de Alexandria, por isso, que indo para uma propriedade rural, ouviu cristãos cantando: “Todos os deuses dos gentios são Demônios, foi o Senhor que fez os Céus”.6 Então disse aos jovens Proto e Jacinto que estudavam com ela:


Nós nos dedicamos ao escrupuloso estudo dos silogismos dos filósofos, mas estas poucas palavras eliminam todos os argumentos de Aristóteles e Platão, todas as ideias de Sócrates, todo o canto dos poetas, todo o pensamento dos oradores e filósofos. O poder me concede a designação usurpada de “senhora”, enquanto a sabedoria faz de mim na verdade uma irmã de vocês. Portanto, sejamos irmãos e sigamos Cristo.


Esta proposta agradou a eles, Eugênia vestiu roupas de homem e foram a um mosteiro dirigido por um escravo de Deus, Heleno, que não aceitava a entrada ali de nenhuma mulher. Certa vez discutira com um herege ao qual não pudera demover com argumentos, então fez acender uma grande fogueira na qual quem não se queimasse provaria ter a fé verdadeira. Quando foi acesa a fogueira, o Prior entrou nela e saiu ileso, e como o herege não quis entrar foi expulso por todos.


Eugênia foi até Heleno e disse ser homem, ao que ele respondeu: “Está certo você dizer que é homem, pois embora mulher, age de forma viril”. De fato, a condição dela tinha sido revelada a ele por Deus. Junto com Proto e Jacinto, ela recebeu o hábito monacal e se fez chamar por todos de irmão Eugênio.


Quando os pais de Eugênia viram sua carroça voltar vazia para casa, ficaram tristes e mandaram perguntar pela filha por todos os lados, mas não puderam encontrá-la. Interrogando adivinhos sobre o que fora feito de sua filha, eles responderam que os deuses haviam-na trasladado entre os astros. Por isso, o pai fez uma imagem da filha e
mandou que todos a adorassem, porém ela, de seu lado, permanecia no temor a Deus junto com seus companheiros. Falecido o Prior, ela foi colocada à frente do mosteiro.


Havia então em Alexandria uma rica e nobre mulher de nome Melania, que Santa Eugênia libertara de uma febre recorrente ungindo-a com óleo em nome de Jesus Cristo. Daí por que ela enviou muitos presentes, que Eugênia não aceitou. A mulher, julgando que o irmão Eugênio fosse homem, visitava-o com frequência, e vendo sua elegância, juventude e beleza corporal, inflamou-se fortemente de amor por ele. Ansiosa, começou a cogitar como poderia juntar-se a ele. Simulou, então, uma doença e pediu que Eugênio se dignasse visitá-la. Ele foi e ela revelou estar tomada de amor, arder de concupiscência, rogou que tivesse relações carnais com ela e sem demora o abraçou, beijou e incitou ao crime. Este fato horrorizou o irmão Eugênio, que disse: “É bom você saber que tem o nome adequado, pois, Melania significa ‘negrura’ e você está cheia de negra perfídia, é filha obscura das trevas, amiga do Diabo, produtora de sujeira, fomentadora da lascívia, irmã da angústia perpétua e filha da morte eterna”. Vendo-se frustrada e temendo que ele revelasse seu crime, quis entregá-lo primeiro e começou a gritar que Eugênio queria violá-la.


Melania foi até o prefeito Filipe e queixou-se, dizendo: “Um pérfido jovem cristão, que para me medicar entrou em casa, lançou-se desavergonhadamente sobre mim, querendo violar-me, e não fosse me libertar a única escrava que estava no quarto, ele saciaria sua libido comigo”. Ao ouvir isso, acendeu-se a ira do prefeito, que enviou muitos homens trazerem acorrentados Eugênio e os outros escravos de Cristo, e determinou o dia em que deveriam ser lançados às feras. Filipe chamou-os e disse a Eugênia: “Diga-nos, criminoso, se o Cristo de vocês ensina obras de corrupção e a loucura impudente de violar mulheres”.


Eugênia, com a cabeça abaixada para não ser reconhecida, respondeu:


Nosso Senhor ensina a castidade e promete a vida eterna aos que conservam sua integridade. Podemos provar que Melania prestou falso testemunho, mas é melhor sofrermos nós do que ela, pois, ao saber, você a puniria e o fruto de nossa paciência pereceria. No entanto, que seja trazida a escrava que ela diz ter testemunhado nosso crime, para que por sua boca as mentiras possam ser refutadas.


Ela foi levada, e instruída por sua senhora, afirmou várias vezes que Eugênio quisera submeter sua senhora. Todos os domésticos de Melania, igualmente corrompidos, testemunharam do mesmo modo.


Então Eugênia disse: O tempo de calar passou e o tempo de falar chegou. Não quero que uma impudica imponha um crime aos escravos de Cristo, nem que seja glorificada na falácia. A fim de que a verdade supere a mentira e a sabedoria vença a malícia, vou mostrar a verdade. Não o faço para minha própria vaidade, mas para a glória de Deus”. Dizendo isso, rasgou a túnica da cabeça até a cintura, mostrou que era mulher e disse ao prefeito: “Você é meu pai, Cláudia é minha mãe, estes dois sentados com você são meus irmãos, Ávito e Sérgio, eu sou sua filha Eugênia e estes dois são Proto e Jacinto”. Ao ouvir e reconhecer a filha, o pai começou a abraçá-la enquanto a mãe lançou-se sobre ela, derramando muitas lágrimas. Eugênia transformou-se, e coberta de vestes douradas foi elevada para o Céu, de onde veio um fogo que consumiu Melania e os seus.


Desta forma Eugênia converteu à fé em Cristo seu pai, sua mãe, seus irmãos e toda a família. Por causa disso seu pai foi logo deposto da prefeitura e ordenado Bispo, persistindo na oração até que os infiéis o mataram. Cláudia, por sua vez, com seus filhos e a filha, retornaram a Roma, onde muitos foram convertidos a Cristo por eles.


Por ordem do imperador, Eugênia foi amarrada a uma grande pedra e lançada no Tibre, mas a pedra quebrou-se e ela caminhou incólume sobre as águas. Foi então jogada em uma fornalha ardente, mas o fogo extinguiu-se e a fornalha serviu de refrigério. Depois foi trancada em um cárcere tenebroso, mas dali passou a irradiar uma luz esplêndida. Ficou dez dias sem comida, mas o Salvador apareceu e estendendo para ela um pão branquíssimo disse: “Receba este alimento de minha mão. Eu sou seu Salvador, ao qual você amou com toda a alma. Virei para levá-la no dia em que desci à terra”. De fato, no dia do Nascimento do Senhor foi enviado um carrasco, que cortou sua cabeça. Depois disso, ela apareceu à sua mãe e predisse que a seguiria no domingo seguinte. Chegado o domingo, Cláudia, em posição de oração, entregou o espírito.


Proto e Jacinto foram levados ao templo dos ídolos e, com suas orações, fizeram-nos em pedaços. Como não quiseram sacrificar, suas cabeças foram cortadas e dessa maneira receberam o martírio. Foram martirizados sob Valeriano e Galo, no ano do Senhor de 256.


* Com este 10º exemplo, finalizo esta brevíssima exposição, ficando demonstrado que toda regra tem sua exceção, até mesmo para o Deuteronômio 22, 5. Só à Igreja Católica Apostólica Romana, foi dada a autoridade e o poder para interpretar legitimamente as Sagradas Escrituras e a sua exata aplicação. Quem obedece à Igreja, imediatamente obedece à Deus, e quem obedece à Deus, realiza em si toda a obra de salvação. Por outro lado, não façamos da regra a exceção e da exceção a regra, pois seria um grande e fatal erro. Credo!


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1.  Bíblia Sagrada – Traduzida da Vulgata Sixto-Clementina e anotada pelo Pe. Matos Soares, p. 222. 9ª Edição, Ed. Paulinas, 1957.

2.  São Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, II-IIae. q. 169 a.2, ad 3.

3.  São Paulo VI, Discurso pronunciado no Congresso Internacional Tomista, a 20 de abril de 1974.

4.  São Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, II-IIae. q. 169 a.2, ad 3.

5.  Beato Jacopo de Varazze, O.P., Arcebispo de Gênova, “Legendae Sanctorum, vulgo Historia Lombardica dicta” – Legenda Áurea – Vidas de Santos, Cap. 129, pp. 763-766. Tradução Portuguesa, Companhia das Letras, 2003.

6.  Salm. 95, 5.


Alguns Exemplos Onde Não Há Pecado. 9ª Parte.


9ª Parte


Segundo a sentença de Deuteronômio 22, 5: “A mulher não se vestirá de homem nem o homem se vestirá de mulher; porque aquele que tal faz é abominável diante de Deus”.1


O Doutor Angélico o confirma: “... em si mesmo, é pecaminoso uma mulher trazer trajes viris, ou inversamente…”.2


Mas, “o Mestre do bem pensar”3 em seguida, também ensinou: “Pode-se, porém, proceder desse modo e sem pecado, se o exigir a necessidade: quer para ocultar-se dos inimigos, quer por falta de outras roupagens, quer por outro motivo semelhante”.4


Seguindo os ensinamentos do “Doctor communis Ecclesiae”, houveram variados exemplos na História da Igreja, dos quais, publico os seguintes:


9º Exemplo




Santa Teodora de Alexandria5


Teodora era mulher nobre, casada com um homem temente a Deus, que viveu em Alexandria na época do imperador Zenão. Com inveja da santidade de Teodora, o Diabo fez com que um homem rico se inflamasse de concupiscência por ela. Ele a incomodava com repetidas mensagens e presentes tentando seduzi-la, mas ela repelia os mensageiros e desprezava os presentes. Ele tanto a atormentou que ela perdeu o sossego e a saúde. Sem desistir, o homem recorreu a uma feiticeira que a exortou a ter piedade dele e a se render a seus desejos. Como Teodora respondia que nunca cometeria um pecado tão enorme ante os olhos de Deus, que tudo vê, a feiticeira acrescentou: “Tudo o que se faz de dia, Deus certamente sabe e vê, mas tudo o que se passa depois que cai o sol, Deus não vê”. A moça perguntou à maga: “É verdade isso que estás dizendo?”. Ela respondeu: “Sim, digo a verdade”.


Enganada pelas palavras da feiticeira, a moça disse-lhe para mandar o homem vir à sua casa à noitinha, que ela satisfaria a vontade dele. Exultante com isso, o homem foi à sua casa na hora combinada, teve relação com ela e retirou-se. Tendo caído em si, Teodora derramava lágrimas amarguíssimas e batia na própria face dizendo: “Ai! Ai de mim! Perdi minha alma, destruí o que me tornava bela”.


Ao voltar para casa e ver sua mulher desolada e aos prantos, sem saber o motivo, o marido esforçou-se para consolá-la, mas ela não queria aceitar consolo algum. Ao amanhecer, ela foi a um mosteiro de monjas e perguntou à Abadessa se Deus podia conhecer um grave delito que ela havia cometido ao cair do dia. A Abadessa respondeu: “Nada pode ser escondido de Deus, que sabe e vê tudo o que acontece, qualquer que seja a hora”. Chorando com amargura, ela disse: “Dê-me o livro do Santo Evangelho, para que eu mesma tire minha sorte”. Abrindo o livro ao acaso, leu: “O que escrevi, escrevi”.6


Voltou para casa, e um dia em que o marido estava ausente cortou os cabelos, vestiu roupas de homem e rapidamente se dirigiu a um mosteiro de monges distante oito milhas dali, onde pediu para ser recebida na comunidade. Quando perguntaram seu nome, disse que era Teodoro. Ali fazia com humildade tudo o que lhe pediam, e sua conduta agradava a todos. Alguns anos depois, o Abade chamou o irmão Teodoro e ordenou-lhe que atrelasse os bois e fosse buscar azeite na cidade. Enquanto isso, seu marido chorava muito, pensando que a mulher tinha fugido com outro homem. Então um Anjo do Senhor disse-lhe: “Levante-se de manhã bem cedo, fique na estrada chamada Martírio do Apóstolo Pedro e encontrará sua esposa”. De fato, ao passar por ali com seus bois, Teodora viu e reconheceu o marido e disse consigo mesma: “Ai, meu bom marido, quanto trabalho para pagar o pecado que cometi contra você”. Quando se aproximou, ela o cumprimentou dizendo: “Alegria, meu senhor”. Ele a reconheceu, e depois de ter esperado muito tempo pensou que tinha sido enganado e ouviu uma voz que lhe disse: “Quem o saudou esta manhã era sua esposa”.


A bem-aventurada Teodora era de tal santidade que fazia muitos milagres, como ressuscitar um homem dilacerado por uma fera, a quem ela amaldiçoou fazendo-a cair morta na mesma hora. Mas o Diabo, que não podia suportar tanta santidade, apareceu a ela dizendo: “Você é uma prostituta, uma adúltera que abandonou seu marido para vir aqui me desprezar, então, combaterei com meus terríveis poderes e se não conseguir fazê-la renegar o Crucificado, pode dizer que não sou eu”. Mas ela fez o Sinal da Cruz e no mesmo instante o Demônio desapareceu.


Outra vez, quando voltava da cidade com uns camelos, hospedou-se num lugar onde de noite uma moça foi até ela dizendo: “Dorme comigo”. Como Teodora repeliu-a, a moça foi encontrar outra pessoa hospedada no mesmo lugar. Quando se descobriu que estava grávida e perguntaram-lhe de quem concebera, ela respondeu: “Do monge Teodoro, que dormiu comigo”. Ao nascer a criança, levaram-na ao Abade do mosteiro, que depois de ter repreendido Teodora, que se limitou a pedir perdão, deu-lhe a criança e expulsou-a do mosteiro. Ela ficou sete anos do lado de fora do mosteiro alimentando a criança com o leite dos rebanhos.


Invejoso de tamanha paciência, o Diabo apareceu diante dela transfigurado no seu marido: “Que estás fazendo aqui, minha senhora? Eu suspiro por você sem encontrar consolo. Venha, minha luz, mesmo que você tenha dormido com outro homem, eu perdoo”. Acreditando que era seu marido, ela respondeu: “Não posso ficar mais com você, porque o filho do soldado João deitou comigo e quero fazer penitência do pecado que cometi”. Como se pôs a rezar e imediatamente a figura desapareceu, ela entendeu que era o Demônio. Outra vez ainda, o Diabo quis assustá-la com Demônios aparecendo para ela sob a forma de feras terríveis e com um homem que as instigava dizendo: “Devorem esta meretriz”. Mas ela rezou e tudo se esvaneceu.


Outra vez, surgiu uma tropa de soldados conduzidos por um príncipe que era adorado por eles, e os soldados disseram a Teodora: “Levante e adore nosso príncipe”. Ela respondeu: “Eu adoro o Senhor Deus”. Quando contaram isso ao príncipe, ele mandou que a levassem à sua presença e que a espancassem até parecer morta, depois do que a tropa toda sumiu. Em outra ocasião, Teodora viu ao seu lado uma grande quantidade de ouro, mas fugiu fazendo o Sinal da Cruz e recomendando-se a Deus. Um dia, viu um homem levando uma cesta cheia de toda espécie de alimentos e que lhe disse: “O príncipe que bateu em você encarregou-me de dizer-lhe para pegar e comer disso tudo porque ele a maltratou por engano”. Então ela se persignou, e tudo desapareceu.


Passados sete anos, em consideração pela paciência que ela demonstrava, o Abade reconciliou-se com ela e permitiu que junto com a criança entrasse no mosteiro. Certo dia, dois anos mais tarde, sempre vivendo de maneira elogiosa, ela trancou-se em sua cela com a criança. O Abade mandou alguns monges verificar com atenção o que ela estava fazendo. Ela apertava o menino em seus braços e beijava-o, dizendo: “Meu doce filho, o tempo da minha vida já chega ao fim e deixo-o a Deus para que seja seu pai e seu protetor. Doce filho, entregue-se ao jejum e à prece e sirva seus irmãos com devoção”. Após essas palavras, rendeu o espírito e adormeceu feliz no Senhor, por volta do ano de 470. O menino pôs-se a chorar copiosamente.


Naquela mesma noite, o Abade teve a seguinte visão: faziam-se preparativos para magníficas bodas, às quais por ordem dos Anjos compareciam Profetas, Mártires e Todos os Santos, no meio dos quais uma mulher caminhava sozinha, circundada por uma inefável glória. Tendo chegado ao local do banquete, ela sentou-se e todos os presentes aclamaram-na. Uma vos disse: “Este é o monge Teodoro, falsamente acusado durante sete anos de ter tido um filho, mas castigada por ter traído seu marido”. Ao despertar, o Abade correu com todos os irmãos à cela dele, que já estava morto. Ao despirem o corpo para prepará-lo, confirmaram que se tratava de uma mulher. O Abade mandou imediatamente buscar o pai da moça que a tinha difamado e disse: “O homem de sua filha morreu”. E descobrindo o corpo o pai viu que era uma mulher. Quando se soube disso, o medo tomou conta de todos.


Um Anjo do Senhor falou ao Abade: “Saia depressa, pegue um cavalo, corra para a cidade e traga com você a primeira pessoa que encontrar”. No caminho cruzou com um homem, a quem o Abade perguntou aonde ia e ele respondeu: “Minha mulher morreu e vou vê-la”. O Abade colocou o marido de Teodora junto consigo no cavalo, e quando chegaram choraram muito e enterraram-na com grandes honras. O marido de Teodora ocupou a cela da mulher, onde permaneceu até adormecer no Senhor. O menino seguiu os conselhos de sua mãe adotiva Teodora e distinguiu-se pela honestidade de costumes, de sorte que ao morrer o Abade, foi eleito por unanimidade para substituí-lo.


Cfr. Santa Teodora de Alexandria, monja († 480) ,11 de Setembro (catedralortodoxa.com)


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1.  Bíblia Sagrada – Traduzida da Vulgata Sixto-Clementina e anotada pelo Pe. Matos Soares, p. 222. 9ª Edição, Ed. Paulinas, 1957.

2.  São Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, II-IIae. q. 169 a.2, ad 3.

3.  São Paulo VI, Discurso pronunciado no Congresso Internacional Tomista, a 20 de abril de 1974.

4.  São Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, II-IIae. q. 169 a.2, ad 3.

5.  Beato Jacopo de Varazze, O.P., Arcebispo de Gênova, “Legendae Sanctorum, vulgo Historia Lombardica dicta” – Legenda Áurea – Vidas de Santos, Cap. 87, pp. 531-534. Tradução Portuguesa, Companhia das Letras, 2003.

6.  Jo. 19, 22.


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