Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Flores e Frutos, para Maria Santíssima.

(Sonho de São João Bosco)1


Na noite de 30 de Maio de 1865, encerrando o Mês de de Maria, Dom Bosco contou ter visto em sonho um grande altar dedicado à Virgem Maria e os jovens do seu Oratório, que em procissão, caminhavam, cantando, em direção a esse altar.


Alguns cantavam com vozes angelicais, outros com vozes roucas, outros desafinavam; havia até mesmo alguns rapazes que bocejavam entediados.


Todos levavam consigo um presente para oferecer a Maria. Mas, que variedade de presentes! Um, levava um ramalhete de rosas; outro, um maço de lírios; outros ainda, um buquê de violetas; havia alguém, que levava carneiros; outros, coelhos; outros, peixes; este, levava nozes; aquele, uvas; etc. etc. Havia, porém, alguns que levavam para a Virgem Maria, presentes realmente esquisitos: um, levava uma cabeça de porco; um outro, um gato; outro ainda, um prato de sapos.


Um Anjo belíssimo, talvez o Anjo da Guarda do Oratório, estava de pé diante do altar e recebia os presentes e os colocava sobre o altar. Antes, porém, retirava as flores belas, mas sem perfume, como as dálias e as camélias; principalmente tirava os espinhos e os pregos, que se escondiam em alguns ramalhetes.


Chegaram até à frente também os jovens que traziam presentes esquisitos e inconvenientes.


Como? Você tem coragem de oferecer à Virgem um porquinho?! – disse o Anjo ao primeiro –. Não sabe você, que ele significa a impureza? E Maria é Toda Pura, a Toda Santa? Afaste-se daqui!


Vieram outros trazendo um gato, e o Anjo os expulsou com indignação.


vocês não sabem, que o gato representa o furto?


Aos que apresentaram um prato com sapos, o Anjo gritou indignado:


Os sapos representam os pecados vergonhosos do escândalo e vocês pretendem oferecê-los à Virgem?!


Houve alguns que chegaram até à frente com um punhal enterrado no coração: símbolo dos sacrilégios.


Vocês não veem – disse-lhes o Anjo – que estão com a morte no coração? Por caridade, vão pedir a alguém que tire esse punhal de seu coração!


Também esses foram rejeitados.


Quando todos acabaram de oferecer os seus presentes, apareceram outros dois Anjos, que seguravam duas cestas cheias de magníficas coroas, entretecidas com belíssimas rosas. O Anjo da Guarda coroou a todos os jovens, cujos presentes haviam sido aceitos e lhes disse:


Maria, hoje, quis que vocês fossem coroados com tão belas rosas. Façam de tudo para que ninguém as roube de vocês, praticando a humildade, a obediência, a pureza, três virtudes que tornarão vocês sempre queridos a Maria e tornarão vocês dignos de receberem uma coroa infinitamente mais bela do que esta.


Os jovens coroados exprimiram sua alegria com o canto Laudate Maria, com vozes tão fortes, que Dom Bosco acordou.2


* * *


O Próprio Dom Bosco deu esta interpretação: as flores sem perfume, são boas obras feitas por fins humanos; os espinhos, as desobediências; os pregos, os pecados graves.



E terminou dizendo: “Meus caros, eu sei bem quem foi coroado, e quem foi rechaçado pelo Anjo. Vou dizê-lo a cada um, para que trate de levar à Virgem Maria, presentes que Ela se digne aceitar”.



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1.  Pe. Pietro Zerbino, “Os Sonhos de Dom Bosco”, Cap. 23. Traduzido pelo Pe. Júlio Bersano. Editora Salesiana Dom Bosco, São Paulo, 1988.

2.  Memorie Biografiche di Don Giovanni Bosco, VIII, 129. Torino, 1898-1939.


Sodomia – Pederastia – Homossexualismo - O Pecado Contra a Natureza é o Compêndio Universal de Todas as Impurezas. 5ª Parte.


5ª Parte


3º Concílio Ecumênico de Latrão (1179)1


Todos aqueles culpados do vício antinatural – pelo qual a ira de Deus desceu sobre os filhos da desobediência e destruiu as cinco cidades com fogo – se são clérigos, que sejam expulsos do clero e confinados em mosteiros para fazerem penitência; se são leigos, devem ser excomungados e completamente separados da sociedade dos fiéis” (Cânon 11).


5º Concílio Ecumênico de Latrão (1512-1517)2


Este Concílio estabeleceu que qualquer membro do clero surpreendido na prática do homossexualismo, seja suspenso de ordens ou obrigado a fazer penitência em um mosteiro”.


Código de Direito Canônico de 19173


Os leigos que tenham sido legitimamente condenados por delitos contra o Sexto Mandamento, cometidos com menores que não tenham chegado aos dezesseis anos de idade, ou por estupro, sodomia, incesto, lenocínio, são ipso facto infames, ademais de outras penas que o Ordinário queira impor-lhes” (cânon 2357, § 1). O cânon 2358 prevê que clérigos de ordens menores (os que não são ainda subdiáconos ou acima) sejam punidos “até pela dispensa do estado clerical”. Com relação aos clérigos de ordens mais elevadas (Diácono, Sacerdote e Bispo): “Se cometeram um crime contra o Sexto Mandamento com um menor de 16 anos de idade, ou cometeram adultério, estupro, bestialidade, sodomia, lenocínio, ou incesto com consanguíneos ou afins, serão suspensos de ordem, declarados infames, privados de qualquer ofício, benefício, dignidade ou cargo que possam ter; e em casos mais graves, serão depostos” (cânon 2359).


Congregação para a Doutrina da Fé (1975)4


Em 29 de dezembro de 1975, em meio ao abandono da Moral Cristã provocado pela revolução sexual, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé publicou a Declaração Persona Humana – Sobre alguns pontos de ética sexual. Denuncia o subjetivismo moral prevalente, que muitos teólogos estavam defendendo com base em uma abordagem pastoral mal orientada, e relembra a doutrina categórica da Igreja e da ética natural, afirmando que todo ato sexual fora do Matrimônio é pecaminoso. Consequentemente condena o sexo pré-matrimonial, a coabitação, a masturbação e o homossexualismo (doc. cit., VII, IX). Condena também a conclusão de que uma relação homossexual estável análoga ao Matrimônio possa ser justificada: “Não pode ser usado nenhum método pastoral que dê justificação moral a esses atos com base em que eles seriam consoantes com a condição de tais pessoas. Pois, de acordo com a ordem moral objetiva, as relações homossexuais são atos desprovidos de uma finalidade essencial e indispensável” (doc. cit., VIII).


São João Paulo II5


Na Encíclica Veritatis Splendor (1993), João Paulo II tratou de assuntos fundamentais que envolvem o ensinamento moral da Igreja. Certos teólogos haviam alegado, com base numa concepção errada do ato sexual, que os documentos do Magistério, particularmente sobre a Moral Sexual e Conjugal, apresentam como leis morais certas leis que, em si mesmas, seriam apenas biológicas. Tais teólogos sustentam que esse modo de entender a Lei Natural conduziu a condenar como moralmente inadmissível a contracepção, a esterilização direta, a masturbação, as relações pré-matrimoniais, as relações homossexuais, como também a fecundação artificial. A Encíclica contrapõe a esses erros esta afirmação: “Ao ensinar a existência de atos intrinsecamente maus, a Igreja cinge-se à doutrina da Sagrada Escritura. O Apóstolo Paulo afirma categoricamente: 'Não vos enganeis: nem os imorais, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os maldizentes, nem os que se dão à embriaguez, nem os salteadores possuirão o Reino de Deus' (I Cor. 6, 9-10)”. Portanto, essa Encíclica constitui uma reafirmação da Lei Natural e da perene condenação do homossexualismo.


Catecismo da Igreja Católica (1993)6


Em 1993, a Santa Sé publicou o Catecismo da Igreja Católica, que reafirma a doutrina expressa em documentos anteriores. Ensina claramente que o homossexualismo é contrário à natureza, e que os atos homossexuais estão entre os “pecados gravemente contrários à castidade” (CIC, nº 2396). Ensina, também, que os atos homossexuais são “intrinsecamente desordenados”, “contrários à Lei Natural”, e “em nenhuma circunstância podem ser aprovados” (CIC, nº 2357).


A Moral Católica adverte

ensinando sobre a Sodomia


Os pecados consumados contra a natureza, são aqueles cometidos de modo não adequado à geração. São três: a polução, a sodomia e a bestialidade. Falaremos somente da Sodomia, que é o objeto deste ensaio.


É, porém, este assunto muito dificultoso de explicar sem faltarmos à modéstia e ao decoro, que Deus nos manda guardar em todo lugar; mas só direi o que é indispensável para se conhecer esta suma impiedade. Haverá alguns tópicos que me é vedado aprofundar e que o leitor poderá identificar por este sinal (…).


A Sodomia, é a união carnal entre pessoas do mesmo sexo, ou de sexo diverso, mas em lugar não natural. A primeira é sodomia perfeita, a segunda é imperfeita (…).


Onde a sodomia é um caso reservado, como também para incorrer nas penas eclesiásticas, é preciso que seja perfeita e consumada (…).


A malícia da sodomia consiste no afeto ao sexo indevido e no lugar não natural (vas indebitum).


Se falta este afeto à pessoa e ao lugar não natural, não há sodomia, mesmo se duas pessoas buscam a polução com toques ou outros meios (…).


A sodomia imperfeita, é um pecado diferente da sodomia perfeita; esta, de fato, nasce do afeto ao sexo indevido; aquela outra ao lugar indevido (…). Tem havido muitos casos entre cônjuges.


Para maior esclarecimento, procurar um Sacerdote de comprovada virtude, ou um bom livro de Teologia Moral (Católica).7



O Catecismo da Igreja Católica

condena os Atos Homossexuais

como intrinsecamente desordenados,

ou seja, inteiramente maus.


A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves,8 a Tradição sempre declarou que “os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados”.9 São contrários à Lei Natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.


Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais inatas. Não são eles que escolhem sua condição homossexual; para a maioria, pois, esta constitui uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus na sua vida e, se forem cristãs, a unir ao Sacrifício da Cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa da sua condição.


As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela Graça Sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da Perfeição Cristã.10


Admoestação à Vida de Castidade


Não sabeis que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Porventura imaginais que a Escritura diz em vão: O Espírito que habita em vós ama-vos com ciúme? Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E que não pertenceis a vós mesmos? Porque é santo o templo de Deus, que sois vós. Glorificai (pois) e trazei a Deus no vosso corpo. Se alguém violar o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque fostes comprados por um grande preço: O Seu próprio Sangue, o Sangue de Cristo. É por isto que há entre vós muitos enfermos e sem forças, e que muitos dormem. (Porque) vão atrás da carne na imunda concupiscência, de modo que desonraram os seus corpos em si mesmos, cometendo a torpeza, e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu desregramento. O homem que abusa do seu corpo não terá sossego, enquanto não acender o fogo, (e) não se cansará de pecar até ao fim da vida, ao Inferno, às trevas e aos tormentos. Porque (os maus) não dormem, sem terem feito o mal, e não podem conciliar o sono, se não tiverem feito cair alguém (nos seus laços); mas, quando o homem é puro, são retas as suas obras.


(Portanto), estás ligado a uma mulher? Não busques mulher. Cada um, pois, irmãos, permaneça diante de Deus no estado (civil) em que foi chamado, para que não vos tente Satanás. Mas, se tomares mulher, não pecaste. E, se uma virgem se casar, não pecou, contanto que seja no Senhor. Porque é melhor casar-se do que abrasar-se (no fogo da torpeza). Todavia, estes terão tribulações da carne (nos encargos da vida conjugal). E eu quisera poupar-vos (a ela). Aquele, pois, que casa a sua (filha) virgem, faz bem, e o que a não casa, faz melhor. Quanto a mim, castigo o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que não aconteça que, tendo pregado aos outros, eu mesmo venha a ser réprobo. E julgo que também eu tenho o Espírito de Deus. Se alguém não ama a Nosso Senhor Jesus Cristo, seja anátema, Maranata”.11


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1.  Rev. Pe. David Francisquini, ob. cit.

2.  Rev. Pe. David Francisquini, ob. cit.

3.  Rev. Pe. David Francisquini, ob. cit.

4.  Rev. Pe. David Francisquini, ob. cit.

5.  Rev. Pe. David Francisquini, ob. cit.

6.  Rev. Pe. David Francisquini, ob. cit.

7.  Rev. Pe. Fr. Teodoro da Torre del Greco, O.F.M., “Teologia Moral”, Segunda Parte, Livro Primeiro, Secção II, Tratado VI, Cap. II, Art. III, Ponto III, n. 220, pp. 259-260; Edições Paulinas, São Paulo, 1959.

8.  Gên., 19, 1-29; cfr. Rom., 1, 24-27; I Cor., 6, 10; I Tim., 1, 10.

9.  Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração “Persona Humana”, 8.

10.  Parágrafos 2357-2359.

11.  Deut., 4, 24; Prov., 4, 16; 21, 8; Eclo., 21, 11; 23, 23-24; Rom., 1, 24.27; I Cor., 3, 16-17; 6, 15.19-20; 7, 5.9.24.27-28.39-40; 9, 26-27; 11, 30; 16, 22; Heb., 9, 12.14; Tg., 4, 5; II Ped., 2, 10.


Sobre a Assunção de Maria.

(Para o dia 15 de Agosto)


Maria optimam partem elegit,

quae non auferetur ab ea”.


Maria escolheu a melhor parte,

que jamais lhe será roubada.1


Grandes elogios rendeu Jesus Cristo à Madalena ainda na sua vida. Quando Ele é hospedado em sua casa, enquanto Marta cuida de preparar a ceia para tão digno hospede, sua irmã Madalena se chega para o Divino Salvador, gozando de sua santa conversação. Se porém, Marta amorosamente se queixa para o Senhor, de que sua irmã a deixou só no serviço da casa, o mesmo Senhor rende este louvor a Madalena, dizendo: “Maria escolheu a melhor parte, que jamais lhe será roubada – Maria optimam partem elegit, quae non auferetur ab ea”. Ah! E quem não vê aqui retratado o mais completo elogio a outra melhor Maria, à própria Mãe de Deus? A Santa Igreja celebrando hoje a sua Assunção ao Céu, alegrando-se em considerar que a Senhora foi neste dia colocar-se na Divina Presença do seu amado Filho, gozar para sempre da sua amorosa companhia e da sua doce conversação, rende o maior louvor à mesma Senhora, dizendo-nos: “Maria Santíssima escolheu pelas suas virtudes a melhor parte, que jamais lhe será roubada – Maria optimam partem elegit, quae non auferetur ab ea”.

E com razão, irmãos meus, Maria Santíssima tendo vivido neste vale de lágrimas sempre cheia de trabalhos, mortificações e dores por amor do seu Deus, e tendo ainda mesmo vivido na sua doce companhia, contemplando as suas perfeições, hoje elevada em Corpo e Alma ao Céu, gozando ainda melhor da sua Presença, e contemplando a sua Essência Divina, alcançou assim uma glória incomparável, que jamais há de perder. Santíssima desde a sua Conceição até a sua morte, perfeitíssima em toda a sua vida, neste dia em que Ela foi conduzida pelos Anjos ao Céu, ficou sendo para sempre beatíssima e gloriosíssima. Tanta virtude e santidade não podia deixar de ser premiada por Deus com a maior glória, nem podia deixar de merecer o mais completo elogio. Se a Madalena, por que se entregou à doce conversação com o Divino Salvador, contemplando a sua Divindade, foi por isso tão louvada, sendo antes tão pecadora, quanto mais merece uma Virgem, que sempre Virgem reuniu em Si mesma todas as mais virtudes? E qual o prêmio devido a tanta santidade? A parte, pois, que Ela foi tomar neste dia, a sua Assunção ao Céu para gozar eternamente da visão de Deus, é para Maria gloriosa, e para nós muito proveitosa; eis aqui o que tenho a mostrar. – Eu principio.


A morte sendo pena do pecado, parece que a Mãe de Deus, sendo Santíssima desde a sua Conceição, não devia ser a ela sujeita, não devia experimentar a mesma morte que os filhos de Adão, infectados do veneno da culpa. Mas Deus, querendo mostrar a Maria semelhante a Jesus, seu Filho, convinha que depois de morrer o Filho, morresse também sua Mãe; mas a morte para a Mãe não foi mais do que um doce sono, um breve e suave passamento desta vida para a outra, e uma ligeira passagem do desterro para a ditosa Pátria da Bem-aventurança. Apenas, porém, Maria pagou este tributo decretado por Deus a toda a humanidade, não devia contudo seu Corpo estar entregue à corrupção, nem a terra era digna de conservar em seu seio uma tão estimável prenda. Por isso, logo depois da morte, Deus se apressou a chamá-lA à sua Presença em Corpo e Alma, para premiá-lA de tantas virtudes; por isso, Ela subiu neste dia transportada pelos Anjos ao Céu no maior triunfo. Seu amado Filho, para mais honrar sua Mãe, vem do Paraíso Celeste a sair-lhe ao encontro para acompanhá-lA, diz São Bernardino de Sena; e apenas com Ela se encontra lhe dirige estas palavras: “Andai, minha cara Mãe, minha amada, minha formosa pomba, deixai esse vale de lágrimas, onde tanto tendes sofrido por amor de Mim; vinde, vinde em Corpo e Alma gozar a recompensa que vossa vida tem merecido”.

Num instante Maria deixa a terra, Jesus Cristo lhe dá a mão; e esta Bem-aventurada Senhora se eleva aos ares, atravessa as nuvens, e chega as portas do Céu. Estas num momento se abrem, Ela entra triunfante nessa Celestial Jerusalém; todas as Hierarquias Angélicas e todos os Santos a saúdam a uma voz, como diz Orígenes – Una omnium in caelo erat laetantium non. Quem é esta Criatura, que vem da terra, lugar de espinhos, tribulações e tentações, tão pura, tão formosa e brilhante, e tão acompanhada e protegida do seu amado? É a Mãe do nosso Rei, nossa Rainha, a mulher mais feliz entre todas as mulheres, a mais bela de todas as criaturas. Vós sois, Senhora, lhe dizem eles, Vós sois a glória de Jerusalém, a alegria de Israel, e a honra do nosso povo.

Oh! Até toda a Trindade Santíssima a louva e abençoa; o Pai Eterno a recebe e estima como sua Filha, o Filho como sua Mãe, e o Espírito Santo como sua Esposa. O Pai Eterno a coroa, fazendo-a participar de seu poder, o Filho reparte com Ela da sua sabedoria, e o Espírito Santo do seu amor. Todas as três Pessoas Divinas a colocam sobre o seu trono a direita de Jesus Cristo, e a declaram Rainha dos Céus e da terra, e mandam que os Anjos e os Santos, tudo lhe obedeçam, respeite e louve a Maria.


Ah! Quanta glória não começou Maria Santíssima a gozar desde este dia, subindo e tomando posse do Céu! Se ninguém pode compreender a glória, que Deus reparte no Paraíso com aquelas almas que neste mundo O serviram e amaram, qual será aquela que Ele concedeu a sua Mãe, a qual neste mundo O serviu e amou mais que nenhuma outra criatura? Se Ela chegou a amá-lO mais do que os mesmos Anjos, por isso é elevada, glorificada ainda mais do que os Anjos, como canta neste dia a Igreja Santa. Enfim, basta dizer que Ela está colocada a direita de Deus, como diz Santo Atanásio com outros – Collocatur Maria a dexteris Dei. É verdade que todos os Bem-aventurados gozam no Céu de uma perfeita paz e de um pleno contentamento; mas ainda podiam gozar mais, se mais tivessem servido e amado a Deus. Maria porém, tendo feito neste mundo quanto pode pela honra e glória de Deus, não pode ter nem gozar mais glória no Céu.

Qual o Santo, diz o grande Agostinho, qual o Santo do Paraíso, que possa dizer que nunca cometeu algum pecado? Nenhum certamente; todos esses que povoam o Céu ou mais ou menos ofenderam a Deus. Ainda que neste mundo fizeram verdadeira penitência, se emendaram e amaram a Deus, nem por isso deixaram de ser em alguma coisa defeituosos e culpados. Maria, porém, em tempo algum cometeu culpa alguma, nem ainda o mais leve defeito, como testificam os Padres de Trento. Ela não fez ação alguma que não fosse meritória, não disse nem uma palavra, nem teve um pensamento, nem deu um suspiro sem referir tudo a Deus; não perdeu nem um momento de tempo, não desperdiçou nem uma graça; enfim, Ela pode dizer, como ensina Santo Afonso: “Senhor, se eu não Vos amei como mereceis, ao menos amei-Vos tanto quanto pude”.

Mas se Ela amou a Deus mais do que todos os Santos, quanto maior será a sua glória no Céu! Oh! Assim como o resplendor do sol excede muito ao resplendor de todas as estrelas, do mesmo modo, diz São Basílio, a glória de Maria excede a de todos os Bem-aventurados do Céu.

Bem podia, diz São Tomás, bem podia Deus criar um firmamento mais belo; bem podia criar mais estrelas, e ainda mais brilhantes, bem podia criar um mar mais largo e uma terra mais fecunda; mas não podia fazer mais gloriosa sua Mãe no Céu. A sua glória e alegria é tamanha, que chega para Ela, e se comunica ainda aos demais Santos. Assim como o sol, diz São Bernardino, comunica as suas luzes a outros planetas, também Maria, de tanta glória que goza no Céu, a reparte pelos demais Santos; estes se alegram imenso só em ver a Maria; donde, diz São Pedro Damião, que os Santos do Céu, depois da visão de Deus, não têm maior glória do que ver a esta bela Rainha.

Ó Virgem Santíssima, Mãe de Deus e Mãe nossa, quão grande é a vossa alegria no Céu, quão incomparável a vossa glória! E se Vós sois beatíssima e gloriosíssima, e se fazeis parte ainda mesmo da glória dos demais Bem-aventurados, não promovereis também a nossa felicidade? Não nos ajudareis neste mundo a merecer ao menos uma pequena parte dessa glória? Por ventura, digo eu com São Pedro Damião, por ventura, por que fostes por Deus tão exaltada, esquecer-Vos-eis de nós neste vale de lágrimas? – Nunquid, quia ita sublimata es, ideo nostrae mortalitatis oblita? Oh! Não de certo; os amigos do mundo, quando se veem elevados à grandeza, esquecem-se dos seus antigos afeiçoados que ficaram ainda na miséria. Mas Vós não sois assim, em tão alta elevação como existis, não Vos esqueceis de nós; antes, estando Vós mais perto de Deus, e tendo aí maior poder para pedir graças e favores, Vos empenhais por aquelas almas que neste mundo Vos servem; não deixais de valer com mais cuidado aos vossos verdadeiros devotos: na vida lhes alcançais graça e perdão das culpas, e na morte lhes assistis para que não pereçam eternamente.


Na verdade, irmãos meus, assim como Ela é nosso alívio no tempo do desterro, também é nossa consolação na hora da morte, se nós a temos servido e a Deus, como devemos; Ela, diz Santo Afonso, depois que assistiu à morte do seu Jesus conseguiu o poder de assistir à morte dos seus verdadeiros devotos. Na hora da morte são às vezes grandes as agonias dos moribundos; os remorsos dos pecados passados, ainda que fossem confessados e emendados, o medo ao juízo de Deus e a incerteza da salvação, tudo isto inquieta mais ou menos, ainda mesmo algumas almas que tem servido a Deus e a Maria. Então o Inferno se arma todo contra o moribundo, emprega todas as forças para ganhar essa alma que está próxima a partir à eternidade. O Demônio sabe que já há pouco tempo para ganhá-la, que se a perde então nunca mais a poderá fazer sua; por isso, se ele costuma tentar-nos durante a vida, nos tenta muito mais durante a agonia da morte. Ele não se contenta, então, em vir sozinho, mas chama companheiros para o ajudar. Quando alguém está próximo a morrer, sua casa se enche de espíritos infernais, que se reúnem contra essa alma, diz Santo Afonso.

Conta-se de Santo André Avelino, que na ocasião da sua morte, dez mil Demônios vieram para o tentar: lê-se na sua Vida, que no momento da sua agonia sustentou contra o Inferno um combate tão terrível, que fez tremer todos os religiosos, que lhe assistiam; eles viram o rosto do Santo tão inflamado pela agonia que sentia, que até se chegou a fazer negro; viram seus membros tremerem, seus olhos derramarem torrentes de lágrimas, sua testa destilar suores violentos, tudo isto sinais do horrível assalto que lhe fazia o Inferno. Todos os religiosos choravam de compaixão, redobravam as suas orações, e ao mesmo tempo tremiam de susto, vendo assim morrer um Santo; eles se consolavam não obstante, vendo que o mesmo Santo voltava muitas vezes os olhos para a imagem de Maria, e se lembravam do que ele tinha dito na sua vida: que na hora da morte Maria Santíssima havia de ser o seu refúgio. Permitiu Deus, porém, por fim, de lhe conceder a graça de terminar o combate por uma gloriosa vitória. Os movimentos convulsivos do corpo cessaram, o rosto se desinflamou, e viu-se que o Santo, tendo os olhos abertos, os pôs na imagem da Senhora, e lhe fez uma devota inclinação, como para agradecer-lhe o favor que lhe tinha feito em ajudá-lo a vencer tão cruel guerra do Inferno; e julga-se que a mesma Senhora lhe apareceu então em visão, e deu assim sua bendita alma sossegadamente nos braços de Maria, subindo por esse fim com Ela para o Céu.

Mas atendei, que para haver boa morte, assistida de Maria, é necessário haver boa vida; atendei, que para subir ao Céu, é preciso viver com Deus e Maria; é preciso emendar os vícios, fugir ao pecado como ao Demônio; se assim o fizermos, quanto seremos felizes! Subiremos também num dia ao Céu a ver e a gozar a Deus e a Maria. Oh! Que alegria não será então a nossa! Só por vermos a Mãe de Deus, deveremos sofrer todos os trabalhos, tentações e tribulações deste mundo, até deveremos sofrer tormentos e o martírio, se necessário for. Que gosto não teremos em ver aquela Senhora, que neste dia foi levada pelos Anjos ao Céu, e que lá está toda bela, toda formosa, toda cheia de glória! Que gosto não teremos em ver a Maria coroada de estrelas, vestida de brilhantes, mais formosa que a lua, mais resplandecente que o sol, enfim, mais gloriosa que nenhuma outra criatura!

Ó irmãos meus, se vós tendes tanto prazer em viver na companhia de vossas mães, que vos geraram e criaram, que prazer não tereis em viver na companhia daquela boa Mãe, que Vos adotou por filhos do seu amor no alto do Calvário! Se vós algumas vezes tendes chorado de saudade por vossas mães, ao menos quando meninos, desejando tanto ir para os seus braços gozar dos seus carinhos e amores, qual não deve ser a vossa saudade em ir para aquela melhor Mãe do Céu a gozar das suas delícias e da sua doce e amorosa companhia! Como não suspirais por tão rica Mãe? Porque não a servis com devoção agora mesmo? Porque não A procurais muitas vezes? Porque não fugis para os seus braços? E porque não imitais as suas virtudes da pureza, da humildade, da paciência, da caridade, e de todas as demais para depois a gozardes?

Vamos pois, ouvintes meus, vamos todos ver nossa boa Mãe. Mas para isto imitemos primeiro as suas virtude e bons exemplos que nos deixou, invoquemo-lA muitas vezes com a oração da Ave Maria, com a sua coroa ou rosário, e agora mesmo prostremo-nos aos seus pés, e digamos-lhe com todo o coração: Ó grande Mãe e Senhora, Vós já estais no Céu, e nós ainda estamos na terra; Vós já estais na ditosa Pátria, e nós ainda estamos no desterro; Vós já estais alegre, gozando à vista de Deus, e nós ainda gememos e choramos neste triste vale de lágrimas; Vós já não podeis ser tentada nem perder a Deus; mas nós ainda sofremos terríveis tentações do mundo, do Demônio e da carne, e ainda estamos no perigo de nos perdermos; mas com o vosso compadecido socorro tudo venceremos.

Desse trono, pois, onde estais e reinais, lançai vistas amorosas para nós. Olhai que somos vossos filhos, e pobres filhos, que precisamos muito que Vós, nossa Mãe, nos deis o pão da graça de Deus, para vivermos e morrermos santamente. Somos vossos filhos, e filhos que queremos e desejamos muito ver tão boa Mãe; já que neste mundo não temos esta fortuna, tenhamo-la no Céu. Ai! Quantos meninos choram por sua mãe, quando ela lhes falta! Que amargura não sofrem na ausência de quem lhes deu o ser! Que amargura não é também a nossa de estarmos ausentes e tão longe de Vós, que sois a melhor de todas as Mães! E se chegarmos a estar eternamente separados de Vós, fechados nas cadeias infernais, que maior amargura, que maior saudade, que maior desgraça será ainda a nossa! Ó Senhora e Mãe nossa, não permitais que tal nos aconteça; choraremos então por Vós, mas nossas lágrimas já não serão capazes de Vos comover o Coração. Agora, Senhora, agora, que ainda é tempo; agora, que ainda nossos pecados têm remédio, ouvi nossas súplicas, escutai os nossos suspiros e gemidos, atendei as nossas lágrimas; ajudai-nos a emendar as nossas culpas, fazei de pecadores, como somos, uns Santos; valei-nos na vida e na morte, e dai-nos então a vossa mão; conduzi-nos ao Céu para viver convosco e com o vosso Jesus, e para Vos louvar e agradecermos eternamente tantos favores. Amém



Fonte: Pe. Fr. Manoel da Madre de Deus, O.C.D., Práticas Mandamentais ou Reflexões Morais Sobre os Mandamentos da Lei de Deus e os Abusos que lhes são Opostos, Outras Práticas e Missões – Prática 11ª, pp. 568-575. 3ª Edição, Em Casa de Cruz Coutinho – Editor, Porto, 1871.


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1.  Luc., 10, 38-42.


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