Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 21 de setembro de 2021

AS MODAS INDECENTES E A MAÇONARIA.


Os maçons se ocupam da maçonaria e de mais algumas coisinhas resolvidas nas altas rodas, pelos chefes ocultos, ou nas Lojas e quejandas chafaricas da Seita excomungada. Se até há maçons em todo o mundo que se ocupam ativamente das MODAS FEMININAS!… Com que fim?… Prezado leitor, examine os trechos seguintes e entenderá tudo perfeitamente.


1. Da revista maçônica «La Française», de 4 de Outubro de 1924:


É necessário que os nossos filhos (e as filhas também) realizem quase o ideal da NUDEZ” – “Il faut que nos enfants réalisent presque l’idéal de la NUDITE”.


2. Da Loja maçônica «Besançon»:


Persuadamo-nos intimamente de uma coisa: no dia em que tivermos O APOIO E AUXÍLIO DA MULHER, então, e só então, seremos realmente vitoriosos das superstições; mas enquanto não tivermos conseguido arrancar e subtrair as nossas filhas aos ensinamentos da Igreja, os nossos esforços ficarão infrutíferos, condenados a um deplorável malogro”.


3. Dos doutores maçons Debille e Rellier:


Promovamos escolas ao ar livre e ao sol («Faisons des écoles de plein air et de soleil»…). Este método desempenha um papel importante e considerável não somente sob o ponto de vista físico, mas ainda, sob o ponto de vista moral… digamos até sob o ponto de vista sensual. A mentalidade da criança modifica-se rapidamente. Para evitarmos toda e qualquer oposição, (vejam lá a astúcia da raposa), será conveniente e indispensável recorrer a uma progressão metódica: em primeiro lugar, contentemo-nos com os pés descalços e pernas nuas, depois virão as mangas arregaçadas (ou mesmo a supressão total das mangas, coisa muito mais simples!…). Feito isto, descobrireis os membros inferiores e superiores, a parte superior do tórax, os ombros e as costas, etc. No verão, as crianças deverão andar sempre quase NUAS, seja qual for a temperatura e faça o tempo que fizer. «(En été, l’enfant circulera PRESQUE NU par tous les temps)»


Eis aí o sublime (?) ideal da maçonaria corruptora dos bons costumes: reduzir o homem e a mulher, as crianças de ambos os sexos A SIMPLES ANIMAIS, acostumando-os pouco a pouco a adotar a MODA DOS ÍNDIOS, que se contentam com a TANGA, promover por todos os meios A MODA APERFEIÇOADA DA NUDEZ quase completa (e viva o progresso), apagar na mulher e nas jovens O SENTIMENTO DO PUDOR, e introduzir o DIVÓRCIO para favorecer O AMOR LIVRE e a liberdade absoluta (isto é, a libertinagem), transformar o nosso querido Brasil, nação civilizada, em imenso sertão povoado de ADORADORES E ADORADORAS DA PRIMITIVA TANGA, entre os quais TUDO seja comum; tudo se reja unicamente pelo capricho de cada um, tendo por lei única as suas próprias paixões, por mais degradantes e brutais que sejam, por lema único o lema revolucionário e maçônico: “liberdade, igualdade e fraternidade”.



Prêmios para Alfaiates e Modistas


Fomentar e propagar por todos os meios a moda da QUASE NUDEZ é também um modo eficaz de descristianizar a sociedade, fazendo-a resvalar pouco a pouco AO NÍVEL DOS BRUTOS; e lá dentro nos bastidores das suas lojas, às ocultas e com muita cautela para não ser descoberta, a maçonaria não deixa de recorrer a esta arma predileta, espalhando a imoralidade pelo mundo inteiro. Ainda o ano passado, jornais estrangeiros falavam de uma reunião maçônica, em que se deliberou instituir prêmios para animar e estimular os mais célebres alfaiates italianos e as modistas.


Esses prêmios, que fazem parte do programa artístico (?) que a maçonaria patrocina, promovendo ignóbeis exibições com o pomposo rótulo de NÚ ARTÍSTICO, têm por fim estimular alfaiates e modistas, para que todos à porfia se empenhem incansavelmente na vergonhosa tarefa de oferecer ao mundo feminino MODAS VERDADEIRAMENTE SELVAGENS E IMORAIS: vestir o menos possível, para despir o máximo possível. Este é o ideal brutal da maçonaria.


E este sublime ideal maçônico faz parte da campanha de corrupção organizada pela Seita excomungada, para lutar no terreno dos costumes contra a sã e salutar influência da Igreja, à qual jurou guerra de extermínio, repetindo em todos os tons o brado do ímpio Voltaire: «Ecrasons l’infâme!» Esmaguemos a infame!


Com as modas desbragadas modernas a maçonaria se apodera da mulher, muito melhor do que o poderia fazer com uma propaganda direta, escrita ou oral, que seria imediatamente repelida; pelas modas, pelo contrário, lisonjeia a vaidade feminina, atrai a mulher para o seu ambiente corruptor e a vence, sem ela sequer dar por isso, sem desconfiar sequer de que é vítima da Seita matreira e hipócrita, que proclamou estas normas de proceder para governo dos seus adeptos:


«ON DOIT SENTIR LA MAÇONNERIE PARTOUT, ON NE DOIT LA DE’COUVRIR NULLE PART». Quer isto dizer em nosso idioma: “Em toda a parte se deve sentir a ação da maçonaria, e em nenhuma, porém, se deve descobrir”.


É isto mesmo: a maçonaria deve andar sempre alerta, sempre ativa, sempre intrometida e abelhuda, mas também, sempre embuçada hipocritamente em pele de ovelha!…


A maçonaria decidiu premiar alfaiates e modistas, a fim de que todos e todas continuem a lançar modas impudicas, se se preocuparem com os conselhos e advertências da Igreja. A maçonaria não quer que alfaiates e modistas, cedendo a instâncias de muitas senhoras e senhoritas que ainda prezam a sua honra e dignidade, se resolvam, para não perderem as clientes, a preparar modelos de trajes femininos que à elegância unam a modéstia; eis aí porque determinou oferecer-lhes o necessário para compensar os eventuais prejuízos. E destarte a vaidade feminina e o respeito humano continuarão a medrar à sombra maléfica dos antros maçônicos.


Senhoras e senhoritas católicas, não vos mete medo a gravíssima responsabilidade que pesa sobre vós neste assunto de modas? Lembrai-vos das contas rigorosas que brevemente haveis de prestar no tribunal de Deus! Ah, mães cristãs, que vos ufanais do glorioso título de católicas, assisti de antemão e em espírito ao Juízo Final, ouvi aquele coro aterrorizador de maldições e impropérios das vossas filhas, escravizadas pelas modas com o vosso consentimento e talvez a instâncias vossas, as maldições de centenas de almas condenadas por gravíssimos pecados e crimes a que as arrastaram as vossas modas provocadoras!… Refleti seriamente nisto aos pés de Jesus Cristo crucificado, e tomai logo salutares e eficazes resoluções enquanto é tempo.


Senhoras e senhoritas católicas, Filhas de Maria Imaculada, depois de tanto vos olhardes ao espelho de cristal, olhai-vos também um pouco no espelho da Virgem Imaculada, vosso Modelo, e vede o que deveis ser; olhai-vos também ao espelho de uma caveira ou de um esqueleto, e vede o que brevemente haveis de ser, ainda que o não queirais, lembrai-vos dos crimes provocados pelas modas modernas, e não queirais ultrajar a Jesus Cristo, a quem tudo deveis, com a imodéstia provocadora das modas maçônicas, pelas quais tantas se deixam escravizar!.


Recepção de uma jovem - 1º Império (França).

A Maçonaria e a Mulher


Numa reunião maçônica que houve na Itália, um dos oradores, arrebatado pelo entusiasmo, anunciava que dentro em breve se alcançaria a ruína completa do Catolicismo. Notando que alguns dos ouvintes sorriam e encolhiam os ombros com desdenhosa incredulidade, perguntou-lhes com altivez:


Por que estais rindo, meus senhores?


Ora, meu amigo, porque o seu ideal é um sonho de todo o ponto irrealizável. Para destruir o Catolicismo seria preciso abolir a mulher.


E, no diabólico intuito de obter este resultado, os filhos de Satanás, a maçonaria de todo o mundo, têm traçado um plano verdadeiramente infernal que estão apostados a realizar, e com muito êxito, infelizmente.


E estes resultados na propaganda das modas imorais, a maçonaria os têm alcançado e os vai ainda obtendo, não obstante serem católicas, em grande maioria, as senhoras e senhoritas do nosso querido Brasil católico!… Quer isto dizer, que se estas modas brutais se adotam geralmente em todo o país e em todas as camadas sociais, apesar de serem condenadas pelo bom senso e pela moral, apesar de serem propagadas pela maçonaria, as culpadas, diante da sociedade e diante de Deus, são as senhoras católicas; porque é inegável que se todas elas, que formam a grandíssima maioria em nossa nação católica, repelissem essas modas inconvenientes, ainda mais auxiliadas nesta campanha pelo contingente de senhoras e senhoritas honestas, que prezam a sua dignidade de mulheres e de pessoas de bem, embora não pertençam à Igreja Católica, tornariam completamente baldadas e inúteis todos os esforços da maçonaria e da impiedade. Mas, se em lugar de as repelir, as adotam, louvam, propagam e impões até a pessoas de sua família, que contas não terão elas que dar a Deus, seu Juiz, na hora da morte, que tarde ou cedo há de chegar para todas!…



Fonte: Raios de Sol – Folhas Populares de Propaganda Católica”, publicadas mensalmente, pelos Reverendíssimos Padres Jesuítas. Primeira Série – Coleção dos 100 primeiros números, 2ª Parte, nº 74, pp. 126-132. Escolas Profissionais do Liceu do Coração de Jesus, São Paulo, 1931.


Cum Petro et sub Petro: Semper: Quem são os verdadeiros Fautores das Modas Indecentes (Continuação) (cumpetroetsubpetrosemper.blogspot.com)



O CÂNTICO DA PUREZA


(Sonho de São João Bosco)1


A redação deste sonho foi feita pelo Pe. Lemoyne, que não teve a oportunidade de apresentá-lo à revisão de Dom Bosco; limitamo-nos, pois, a apresentá-lo sinteticamente.


Numa noite de Julho de 1884, a Dom Bosco pareceu encontrar-se diante de um interminável e ameno declive, esplendidamente iluminado por uma luz pura e mais viva que a do sol, todo revestido por uma grama verdejante, recoberto por flores variadíssimas e sombreado por grande número de árvores, cujos ramos, se entrelaçando uns com os outros, formavam uma espécie de festões. Um verdadeiro paraíso terrestre.


Porém, mais do que aquele jardim encantado, chamaram sua atenção duas belas meninas com seus 12 anos, sentadas na orla da margem de uma estradinha, perto de onde ele estava. Uma celestial modéstia emanava de seus rostos e de todo o seu modo de se apresentar. De seus olhos, sempre dirigidos para cima, transparecia uma ingênua simplicidade de pomba e uma alegria de sobre-humana felicidade. A graça de seus movimentos lhes dava um ar de nobreza, que contrastava com sua juventude. Uma veste candidíssima descia até os pés. Seus flancos eram cingidos por uma faixa purpúrea com bordas de ouro, sobre a qual sobressaia um enfeite como se fosse um laço, entretecido de lírios, de violetas e de rosas. Um ornamento análogo, à guisa de colar, traziam ao pescoço. Dois pequenos feixes de margaridinhas brancas ornavam seus pulsos como se fossem braceletes. Cândidos os calçados e bordados com uma faixa filetada a ouro. Longos os cabelos, cingido na fronte por um diadema, que permitia que continuassem a cair ondulantes sobre os ombros, formando cachos e anéis abundantes.


Elas mantinham um diálogo falando, interrogando, exclamando, ora sentadas ambas, ora estando uma de pé e a outra sentada, ora caminhando para cima e para baixo lentamente.


Dom Bosco, testemunha silenciosa, escutava toda a conversa delas, prolongada por muito tempo, sem que demonstrassem perceber sua presença. Elas cantavam os louvores da pureza, os meios para conservá-la, os prêmios reservados para ela neste mundo e no outro.


No fim se voltaram e subiram a rampa caminhando sobre as flores sem dobrá-las ou machucá-las, cantando um hino angélico, ao qual responderam turmas de espíritos celestes que haviam descido ao seu encontro. Aos primeiros se ajuntavam continuamente outros e outros, elevando, unidos todos, um cântico imenso e harmoniosíssimo, terminado o qual, todos juntos, pouco a pouco, foram se elevando ao Céu e desapareceram juntamente com toda a visão. Dom Bosco naquele ponto acordou.2


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É conhecido como Dom Bosco se encontra no rol das figuras dos educadores Santos mais amados e que exerceu entre os jovens um fascínio, todo seu, de cálida paternidade conquistadora.


Mas também é conhecido que, amava os jovens com um candor angelical. Neste sonho presencia visões deslumbrantes de Anjos e de virgens, que exalam o eflúvio de seu candor e cantam os louvores da pureza.


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1.  Pe. Pietro Zerbino, “Os Sonhos de Dom Bosco”, Cap. 63. Traduzido pelo Pe. Júlio Bersano. Editora Salesiana Dom Bosco, São Paulo, 1988.

2.  MB: Memorie Biografiche di Don Giovanni Bosco, XVII, 722. Torino, 1898-1939.


As Sete Palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, no Alto da Cruz. 1ª Parte.


PRIMEIRA PALAVRA1


Pater, dimitte illis;

non enim sciunt quid faciunt”.

Pai, perdoai-lhes,

porque não sabem o que fazem.”



Faz dezenove séculos que, no cimo de um montículo da Judeia, expirava um condenado à morte, e morte de Cruz… Faz dezenove séculos que, no alto do Calvário, nas vizinhanças da cidade santa de Jerusalém, entre tormentos indizíveis, entregava sua Alma a Deus, Jesus de Nazaré, o Messias prometido ao povo de Israel.

Suspenso no infamante madeiro da Cruz, supliciado entre dois reconhecidos malfeitores, que a justiça mandara à morte, expirou Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus.

No decurso dos séculos posteriores a esses acontecimentos lutuosos e terríveis, a humanidade tem experimentado toda espécie de transformações e o mundo tem sofrido toda sorte de abalos. Impérios sucederam a impérios; nações tomaram lugar de outras nações; ergueram-se poderosos condutores de povos, que jogaram, nos campos de batalha, a sorte de milhões e milhões de homens.

A própria face de nosso planeta não escapou às transformações oriundas, parte da ação do tempo, parte da obra do próprio homem.

O quadro político do universo não oferece menores alterações. Várias vezes as raças se confundiram e, no rolar incessante dos séculos, pereceram algumas nacionalidades, perdeu-se a memória de alguns povos.

Dos super-homens, que a humanidade tem produzido, muito poucos conseguiram escapar à ação destruidora do tempo, supremo nivelador das grandezas terrenas.

Em meio desse quadro, de renovação constante da nossa espécie, a figura de Jesus Cristo aparece revestida de uma auréola imarcescível, que os tempos apenas tornam mais fulgurante e mais bela.

Quando se perde a memória dos grandes homens de todos os povos e apenas raros conseguem transmitir o próprio nome às gerações modernas, Jesus Cristo, após dezenove séculos de sua morte de Cruz, se mostra em pleno fastígio de seu poder e recebe as adorações mais fervorosas e mais sinceras de todos os povos.

Não será preciso procurar maiores provas e mais poderosos argumentos em favor da Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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A piedade, que consagramos aos nossos semelhantes, nos faz guardar profundamente em nossa alma, as últimas palavras proferidas pelos entes queridos, que se partem desta vida terrena… Isso é tão natural e tão espontâneo que, às vezes, até parece que o homem sente um pouco de alívio e de conforto, em transmitindo a outrem as palavras e narrando as circunstâncias da morte de alguém que era objeto de seu mais terno afeto. É a necessidade que sentimos de confiar aos nosso íntimo, desabafando o que nos vai na alma.

A essa lei geral da nossa vida e da nossa natureza não podia escapar o drama sanguinolento do Gólgota, em que Jesus Cristo deu a vida a troco do resgate espiritual da humanidade.

O Evangelho, para nossa felicidade, guardou as principais circunstâncias dessa morte e registrou as derradeiras palavras do Divino Mestre.

A cultura cristã, no decurso dos tempos, tem estudado e meditado, profundamente, o sentido e os ensinamentos do quanto Jesus proferiu do alto da Cruz.

As palavras de Nosso Senhor são espírito e vida e encerram preciosas lições morais e doutrinárias.2

São verdades, que iluminam nossa inteligência; são normas de conduta, que nos orientam na vida prática.

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Conta-se que Manlio, quando era levado ao patíbulo, ao passar próximo do Capitólio, exclamou para os romanos:

Eis aqui o lugar de onde expulsei o exército gaulês, expondo-me ao perigo de perder a vida para defender a minha pátria: eu, sozinho, defendi a todos, e agora não há um só que tome a minha defesa!”

E essas palavras despertaram a gratidão dos romanos e Manlio foi restituído à liberdade.

Assim falou um pagão.

Mui diferente foi a linguagem de Cristo. Foi a palavra de um Deus.

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Insultado pela multidão; seviciado pelos soldados e executores da sentença; traído pelos seus amigos e companheiros; renegado pelos seus compatriotas, Jesus calava-se e envolvia em um olhar de compaixão aqueles mesmos que o vilipendiavam na derradeira hora…

Temendo talvez que os Céus não pudessem mais suportar a impunidade de um deicídio, o Redentor apressa-se a implorar o perdão de seus algozes e dos seus inimigos.

Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Foram essas as primeiras palavras, que Jesus proferiu na Cruz, suplicando misericórdia para aqueles que O tratavam com tamanha crueldade.

Dirigiu-se ao Pai, ao seu Eterno Pai, cuja vontade viera cumprir, à risca, aqui na terra.

Pediu perdão para os juízes, que O condenaram injustamente; para os esbirros, que O imolavam; para os blasfemos, que escarneciam de seus tormentos… E o pensamento de Jesus ia muito mais longe…

É que nem todos os deicidas estavam no Calvário… a Paixão de Jesus Cristo não terminou com o seu último suspiro.

Vemo-la perpetuar-se a nossos olhos, com as suas diferentes cenas de hipócritas traições, odiosas mentiras, revoltantes perfídias, ódios infernais, crueldades selvagens!…”.3

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Em breves palavras Jesus encerrou três atos e três lições:

a) Perdoa aos seus inimigos;

b) Pede perdão para eles;

c) Desculpa e escusa, de algum modo, o procedimento dos seus algozes.

Na derradeira hora de sua existência mortal, Jesus não podia deixar de ser coerente consigo mesmo e de praticar aquilo que Ele próprio havia ensinado e imposto aos seus discípulos.

Entre as novidades contidas nos ensinos do Divino Mestre existia uma que era motivo de escândalo para os espíritos fracos daquela época: o perdão dos inimigos.

Efetivamente, nada há mais contrário à natureza humana, nada há mais oposto aos nossos sentimentos do que suportar, sem protesto, uma injustiça manifesta, perdoar uma ofensa gratuita.

Por causa das injustiças, que se praticam em público e em particular, entre indivíduos e entre sociedades, no recesso das famílias ou nas sentenças dos tribunais, é que se executam horríveis vinganças, se ateiam guerras exterminadoras e povos inteiros são entregues à ruína e à desolação.

Dente por dente; olho por olho”.4

Foi essa a lei universal e a prática usual da humanidade. Jesus Cristo foi quem primeiro se insurgiu contra esses princípios e impôs aos seus discípulos outro procedimento e outra lei. Ensinava Ele coisas muito diferentes: “Amai-vos uns aos outros”; “Fazei bem aos que vos fazem mal”; “Quando vos ferirem numa face, oferecei a outra”; “Amai…”, “Fazei o bem”, “orai pelos vossos perseguidores…”, “para que sejais verdadeiros filhos do vosso Pai Celeste”.5

Quem tais ensinamentos havia dado, era natural, em tempo oportuno, soubesse perdoar aos seus inimigos e algozes.

Mas Jesus foi muito além… depois de haver perdoado, pediu ao Pai que perdoasse também e, não satisfeito, ergueu a voz e tomou a palavra para defender e escusar a ingratidão humana.

Observa Santo Agostinho, que jamais houve um advogado tão engenhoso para livrar um réu da morte temporal, como Jesus, na prece ao Pai, para arrancar os pecadores à morte eterna. Em duas palavras, fez sobressair, simultaneamente, a dignidade do Supliciado – o Filho de Deus –; a bondade d’Aquele a quem se dirigia a sua prece – Um Deus, que é Pai –; o muito do seu pedido – um pedido que lhe sai dos lábios, ao mesmo tempo que o sangue jorra de todas as suas veias –; a desculpa daqueles que Ele defende – a ignorância, a cegueira e a loucura.

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O mundo contemporâneo abisma-se em uma série interminável de competições tremendas, de ódios inextinguíveis, de rivalidades perenes…

Os indivíduos se espreitam mutuamente, desconfiados; as famílias nutrem divergências constantes; as classes sociais se entreolham como rivais; as nações buscam o aniquilamento umas das outras…

Para tanta desordem, para tantos males, que ameaçam os povos, só existe o remédio de Jesus: o perdão das ofensas e a fraternidade entre os homens, segundo os Preceitos Evangélicos. E só.

E para mais fácil reconciliação da grande família humana, para que a paz reine entre os povos, comecem os católicos a pôr em prática o primeiro artigo do testamento de Jesus e, na hora extrema, experimentarão os efeitos salvíficos da palavra do Redentor: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem!”.


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1.  “Espírito e Vida” – As Sete Palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo Pe. J. Cabral, I Palavra, pp. 31-37, da Coleção Cristo Redentor. Empresa Editora A.B.C. Ltda, Rio de Janeiro, 1938.

2.  Joan. VI, 64.

3.  Weber – De Gethsemane ao Golgotha. Pág. 165.

4.  Êxod. CXXI, 24.

5.  Rom. XII, 10; Math. V, 44; Luc. VI, 29; Math. VI, 12; Math. V, 45.


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