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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 20 de março de 2021

São José na Sagrada Família: Viagem à Judeia.


Após as núpcias, os dois Santos Esposos viveram juntos em Nazaré, provendo ao sustento com o trabalho das próprias mãos. Maria desempenhava as ocupações caseiras e José continuou a exercer o mister de carpinteiro, mas sempre antepondo, cada dia, longas preces ao Senhor, orando e louvando-O também no decurso do trabalho.


Levantava-se bem cedo pela manhã e, terminadas as orações ia despedir-se da Senhora, a quem encontrava em seu quartinho, atenta à oração. Depois, dirigia-se para a sua oficina. Trabalhando, considerava-se sempre na presença de Deus, e, à glória de Deus, oferecia sempre as próprias fadigas e suores. Executava os trabalhos com tanta paciência e perícia que não poderiam ser melhor executados. Assim, não só evitava o ócio, mas com os frutos das fadigas provia ao sustento para si, para a Virgem, e muitas vezes também para os pobrezinhos.


Seus concidadãos, vendo tanta diligência, modéstia e assiduidade, gostavam de ir a ele, e, admirando seus trabalhos tão bem terminados, demonstravam grande desejo de possuí-los; de fato, cada um lhe pedia, ora uma coisa, ora outra. O Santo se prestava a todos e sempre se contentava com o preço que, em justa compensação dos trabalhos executados, lhe ofereciam, o que lhe aumentava cada vez mais a estima e afeto.


Nunca recusava qualquer trabalho exigido, pois sabia executar trabalhos de toda espécie. Construía casinhas de madeira, tabiques, estacadas, arados, jugos para bois, carros, armários, ombreiras e muitos outros objetos. Trabalhando, sabia falar de Deus, do Messias esperado, dos deveres do homem, de maneira que todos quantos iam ouvi-lo, regressavam admirados, mais do que se tivessem ouvido as explicações da Sagrada Escritura na Sinagoga, como era costume no sábado.




Maria mesma revelou a Santa Brígida as grandes virtudes de que José lhe dava exemplo, dizendo:


Entre os serviços e cuidados do governo doméstico, jamais ouvi sair de seus lábios uma palavra vã ou um lamento de impaciência. Sofria a pobreza com perfeita resignação; nas dificuldades, aceitava sem discussão os mais rudes trabalhos. Era cheio de doçura e afabilidade para todos; o respeito e afeto para comigo era imenso.


Era fiel custódio de minha virgindade e um testemunho digníssimo de fé a respeito das maravilhas que Deus operara em Mim. Estava morto para a carne e para o mundo e, não vivia senão para o Céu. Tinha uma confiança tão firme nas divinas promessas, que muitas vezes eu o ouvi dizer: ‘Se desejo viver, é somente para ver sempre, e em tudo, cumprida a vontade de Deus’. Era o único objetivo, e por isso, é agora tão grande a sua glória no Céu”.1


Também a Senhora dava exemplos de sublime santidade. Não tinha em casa nem servas, nem outras pessoas para auxiliá-lA; tudo fazia Ela mesma, desde tirar água do poço até buscar lenha e prover tudo quanto era necessário. Mantinha a casa em ordem e muito asseada, preparava os alimentos e roupas para São José e para Si mesma. Fazia sempre tudo com tanta alegria e precisão, que todos quantos A viam, ficavam imensamente maravilhados. Oh! Que delícia naquela casa! E que consolação para São José ter uma companheira tão experiente, benigna e santa!


Não transcorreu, porém, muito tempo e sucedeu um extraordinário e maravilhoso acontecimento. O Filho de Deus encarnou-Se no seio puríssimo de Maria. Eis o fato como aparece narrado pelo Evangelho: Estando Maria desposada com José, pouco tempo depois de se acharem vivendo juntos em Nazaré, achando-se Ela só e absorta na oração, apareceu-Lhe inesperadamente o Arcanjo Gabriel e Lhe disse: “Eu Te saúdo, ó cheia de graça; o Senhor é contigo, bendita és Tu entre as mulheres”.


À vista do Anjo e ao ouvir essas palavras de louvor, Maria perturbou-se e pensava no que significaria aquela saudação. O Arcanjo A tranquilizou, dizendo: “Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Serás Mãe e terás um filho ao qual darás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará sobre a casa de Jacó eternamente; e o seu reino não terá fim”.


A estas palavras do Arcanjo, Maria perturbou-se mais ainda e responde: Vós me dizeis em nome de Deus que me tornarei Mãe; mas como será possível, estando eu consagrada a Ele com voto perpétuo de virgindade? “Como se fará isto, pois não conheço varão?” E o Anjo Lhe respondeu: “O Espírito Santo descerá sobre Ti, e a virtude do Altíssimo Te cobrirá com a sua sombra; por isso, o Santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus”.


Por estas palavras, compreendeu Maria o grande Mistério que Lhe era anunciado, isto é, que tornaria Mãe de Deus por obra do Espírito Santo, sem perder a própria virgindade. E, dócil como era à vontade de Deus, inclinou reverente a fronte e disse ao Arcanjo: “Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”.


Terminadas essas palavras, o Arcanjo desapareceu e Maria permaneceu sozinha em seu quarto.




Que acontecimento solene e memorável para Maria, para nós, para o mundo inteiro e para todos os séculos! No instante em que Maria inclinou a fronte e disse: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”, o Espírito Santo descia ao seu puríssimo seio, com seu sangue virginal formava um corpo ao qual unia uma alma como a nossa. A esse corpo e alma, milagrosamente formados, o Filho de Deus unia a própria Divindade, isto é, Encarnava-Se, fazia-Se verdadeiro homem sem cessar de ser verdadeiro Deus. Naquele instante, realizava-se o grande Mistério da Encarnação no seio puríssimo de Maria, e Ela, verdadeira esposa de José, sem deixar de ser Virgem, tornou-se verdadeira Mãe de Deus.


Nesse acontecimento, não se fala diretamente de São José, mas indiretamente, tendo Maria perguntado ao Arcanjo: “Como posso tornar-me Mãe, eu que sou e quero permanecer Virgem?” Destas palavras se conclui que Ela, após o Matrimônio com São José conservavam o candor virginal. Não é uma opinião, mas uma certeza, pois é de fé, que Maria Santíssima foi Virgem tanto antes como depois das núpcias com São José.


Observa Santo Ambrósio: “Deus imprimiu no semblante de Maria tais aparências e atrativos, tanta graça, e comunicou às suas palavras, tanta virtude que, bastava vê-lA para ficar enamorado da virtude da virgindade”.


Ora, se um olhar, uma palavra de Maria bastava para inspirar em quem quer que fosse um grande amor à virgindade, que estímulo para aperfeiçoar-se nesta virtude não terá achado em Maria, São José que tinha com Ela confiança e afabilidade?*


*Escreve o Pe. Joaquim Ventura: “Este dom de Deus, a beleza, por si mesma inocente, que faz tantos culpados, que serve de incentivo ao pecado, que corrompe os olhares; que produz o orgulho em quem a possui e desejos profanos em quem a contempla; a beleza, flor agradável à vista, mas sob cujas pétalas oculta-se muitas vezes a Serpente que envenena e causa a morte; a beleza, nestes dois Esposos, elevados pela graça ao estado da natureza angélica e perfeita, não fazia senão aumentar os valores recíprocos de seu candor, cujo ornamento formava. A beleza era-lhes encanto suave e celeste, que purificava, que lhes elevava o coração da região dos sentidos para a do espírito; favorecia-lhes apenas um respeito mútuo, santos pensamentos, afetos pudicos, e era fomento de virgindade”.


Por conseguinte, cada vez que imaginamos São José com Maria em Nazaré, coloquemos sempre em sua mão um belo lírio, símbolo de sua virgindade, pois deve lembrar-nos o Coração mais casto e mais delicado após o de Maria.




O Arcanjo Gabriel, ao anunciar a Maria o Mistério da Encarnação, dissera-Lhe que Santa Isabel, sua prima, embora já avançada em anos, estava para tornar-se mãe. “Maria, em uma visão espiritual, diz Ágreda, conheceu que o filho de Santa Isabel seria grande diante de Deus, Profeta e Precursor do Verbo Encarnado, sendo portanto, vontade do Senhor visitasse a parenta, para que fosse santificada e São João, seu filho, libertado da Culpa Original. Movida, pois, por um sentimento de vivíssima caridade, pôs-se logo a caminho, para levar à prima o conforto e auxílio em suas necessidades.


Entretanto, não foi só, mas acompanhada por seu castíssimo Esposo São José. O Evangelho cala esta circunstância, por não ter relação direta com o Mistério da Encarnação, mas muitos autores, entre os quais São Boaventura, São Bernardino de Sena, Gérson, Suárez, admitem-na. O Evangelho não a menciona, mas não diz que tenha ele permanecido em casa e Maria ido sozinha.


Seria possível que o “Homem justo”, concedido a Maria para companheiro fiel, custódio nos perigos, consolador nas adversidades, tivesse abandonado a jovem e delicada esposa num momento em que mais necessitava de sua presença e auxílio, deixando-A partir sozinha em uma viagem de cerca de três dias, por estradas difíceis e perigosas? O mesmo espírito de caridade que levou Maria a dirigir-se para a Judeia a fim de levar conforto à prima Isabel, induziu também São José a acompanhá-lA repartindo com Ela as dificuldades de tão longa viagem. Dispondo pois tudo quanto poderia ser necessário, puseram-se a caminho, invocando em seus Corações o auxílio do Senhor e dos Anjos da Guarda.


Escreve São Francisco de Sales: “Maria empreende a viagem com certo alvoroço; com efeito, diz o Evangelho, que se fez com grande pressa. Ò santa solicitude que não perturba e nos apressa sem precipitação: Os Anjos se dispunham a acompanhá-lA e São José a conduzi-lA. Desejaria saber o objeto da conversação dessas duas grandes almas, e vós leríeis com prazer a minha narrativa. Mas creio que a Virgem se entretinha apenas a respeito do que A cumulava, e respirava somente o Salvador.


São José, igualmente, aspirava apenas ao Salvador que, por raios secretos, feria-lhe o coração com mil extraordinários sentimentos. E assim como o vinho encerrado no tonel rescende, sem que se perceba, o perfume das vinhas em flor, assim o coração do Santo Patriarca sentia, sem saber como, o perfume, o sabor, a força do divino Infante que florescera em sua mimosa vinha… Ó Deus! Que bela peregrinação! O Salvador lhes é bordão, alimento e bebida”.2


A viagem era difícil, árdua e por bosques algumas vezes quase inacessíveis, tanto mais que procuravam passar em lugares solitários e possuíam apenas um mísero jumento.




Mas o amor não sente a fadiga, e a companhia das pessoas amadas faz suportar com alegria os maiores incômodos, especialmente quando o Espírito de Deus paira com elas. Será pois para admirar-se que Maria e José, ora edificando-se alternativamente com santas palavras, ora recolhendo-se cada um em oração ao Senhor, não sentissem o peso da longa viagem e chegassem à casa de Zacarias mais dispostos e animados às obras de caridade do que ao partirem?


Apenas entraram em casa de Isabel, a Santíssima Virgem saudou sua parenta com o título de Mãe do grande Profeta e Precursor. Isabel retribuiu a saudação a Maria, chamando-A Mãe do Verbo, e exclamou: “E donde me é concebido que a Mãe do meu Senhor venha ter comigo?”


A essas palavras, respondeu a Virgem Santíssima com o belíssimo cântico: o Magnificat, que jamais cessará, no decurso dos séculos, de despertar a admiração de todos.




A minha alma glorifica o Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador! Porque lançou os olhos para a humildade da sua serva; e eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão Bem-aventurada; porque fez em mim grandes coisas o Onipotente, cujo nome é Santo; e cuja misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço; dissipou aqueles que se orgulhavam nos pensamentos do seu coração. Depôs do trono os poderosos, e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos. Tomou cuidado de Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia; conforme tinha dito a nossos pais, a Abraão e à sua posteridade para sempre”.


São José, desconhecendo o Mistério realizado no seio de Maria por obra do Espírito Santo, não pode compreender plenamente o altíssimo significado das palavras de Isabel e de Maria. Teve, porém, motivo para admirar cada vez mais a obra da graça em sua Santa Esposa, e esperar o momento em que aprazeria ao Senhor revelar-lhe os divinos segredos.


Os Santos esposos ali se entretiveram cerca de três meses. Depois, trocados os abraços e agradecimentos daquelas santas criaturas, com grande alegria regressaram a Nazaré.




Fonte: Rev. Pe. Tarcísio M. Ravina, da Pia Sociedade de São Paulo, São José – na Vida de Jesus Cristo, na Vida da Igreja, no Antigo Testamento, no Ensino dos Papas, na Devoção dos Fiéis e nas Manifestações Milagrosas; 1ª Parte, pp. 33-40. Edições Paulinas, Recife, 1954.


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1Bolandistas.

2Cartas Espirit., Livro VI, carta 46.


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