Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Alguns Exemplos Onde Não Há Pecado. 8ª Parte.


8ª Parte


Segundo a sentença de Deuteronômio 22, 5: “A mulher não se vestirá de homem nem o homem se vestirá de mulher; porque aquele que tal faz é abominável diante de Deus”.1


O Doutor Angélico o confirma: “... em si mesmo, é pecaminoso uma mulher trazer trajes viris, ou inversamente…”.2


Mas, “o Mestre do bem pensar”3 em seguida, também ensinou: “Pode-se, porém, proceder desse modo e sem pecado, se o exigir a necessidade: quer para ocultar-se dos inimigos, quer por falta de outras roupagens, quer por outro motivo semelhante”.4


Seguindo os ensinamentos do “Doctor communis Ecclesiae”, houveram variados exemplos na História da Igreja, dos quais, publico os seguintes:


8º Exemplo



Santa Marina


Marina era filha única, e quando seu pai ingressou em um mosteiro, trocou a roupa da menina para que ela parecesse homem, e não mulher, pedindo então ao Abade e aos monges, que também aceitassem receber seu único filho. Eles anuíram e ela foi recebida como monge, sendo chamada por todos de irmão Marino, que levou uma vida religiosa de muita piedade e obediência. Quando seu pai sentiu a aproximação da morte, chamou a filha, então com 27 anos, e estimulou-a a prosseguir no seu bom propósito e proibiu-a de revelar a quem quer que fosse que era mulher.


Marino ia com frequência buscar lenha para o mosteiro com o carro de bois. Nessas ocasiões tinha o costume de se alojar em casa de um homem cuja filha estava grávida de um soldado. Interrogada pelo pai, ela respondeu que tinha sido violentada pelo monge Marino. Perguntado como pudera cometer tão grave crime, Marino confessou o pecado e pediu perdão. Imediatamente foi expulso do mosteiro, diante de cuja porta permaneceu por três anos, durante os quais foi sustentado a cada dia com um pequeno bocado de pão.


Quando a criança cuja paternidade lhe atribuíram foi desmamada, levaram-na ao Abade, que a entregou a Marino para cuidar dela, o que fez por dois anos com a maior paciência e dando graças a Deus por todas as coisas. Compadecidos de sua humildade e sua paciência, os irmãos receberam-no de volta no mosteiro, impondo-lhe as mais vis funções, que ele executava porém com alegria, fazendo tudo com paciência e dedicação. Enfim, após uma vida de boas obras, migrou para o Senhor. Quando lavavam seu corpo, preparando-o para sepultá-lo em lugar pouco honrado, viram que se tratava de uma mulher. Todos ficaram estupefactos e assustados ao perceberem o quanto haviam se enganado a respeito daquela escrava de Deus, e acorreram para ver tão extraordinário espetáculo e pedir perdão pela ignorância e erro cometidos em relação a ela. Seu corpo foi honradamente colocado na igreja.


A mulher que desonrara a escrava de Deus foi possuída pelo Demônio, confessou seu crime e foi libertada no túmulo da virgem. Para ele confluem pessoas de todas as partes, e ali se realizam grandes números de milagres. Ela morreu no dia 18 de julho.5


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1.  Bíblia Sagrada – Traduzida da Vulgata Sixto-Clementina e anotada pelo Pe. Matos Soares, p. 222. 9ª Edição, Ed. Paulinas, 1957.

2.  São Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, II-IIae. q. 169 a.2, ad 3.

3.  São Paulo VI, Discurso pronunciado no Congresso Internacional Tomista, a 20 de abril de 1974.

4.  São Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, II-IIae. q. 169 a.2, ad 3.

5.  Beato Jacopo de Varazze, O.P., Arcebispo de Gênova, “Legendae Sanctorum, vulgo Historia Lombardica dicta” – Legenda Áurea – Vidas de Santos, Cap. 79, pp. 478-479. Tradução Portuguesa, Companhia das Letras, 2003.


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