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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Santo Antônio de Lisboa, o Filho Predileto do Sagrado Coração de Jesus.



A devoção para com o Sagrado Coração de Jesus tem o seu gérmen na origem da humanidade.

Foi no Paraíso, depois da queda primitiva de Adão e Eva, que o Filho de Deus recebeu, pela primeira vez, o justo tributo da veneração e do amor.

Apresentado e prometido por Deus mesmo ao gênero humano, como Redentor, suspiravam por Ele incessante e ardentemente todas as nações. Com seu Nascimento, exultaram de alegria os descendentes de Adão, por virem realizados os seus votos. Desde esta data gloriosa surgiu e foi-se desenvolvendo, rapidamente, a devoção para com o Divino Coração.

O Fundador do Cristianismo ainda não havia instituído os Santos Sacramentos, nem lançado os alicerces inabaláveis destinados a sustentar o edifício grandioso da Igreja Católica, e já se venerava e adorava o seu Sagrado Coração. Já naquele tempo, era este o objeto do amor entranhado da Virgem Mãe de Deus e de São José.

Anjos do Céu aparecem cá na terra convidando os homens a renderem ao Salvador recém-nascido as suas homenagens. Aos coros Angélicos se unem os bons pastores, os três Reis Magos do Oriente, porfiando em testemunhar os sentimentos de fé e confiança, de gratidão e respeito, de submissão e amor ao Sagrado Coração de Jesus. Ao contemplá-Lo, todos ficaram cativados e extasiados.

E com efeito, o que há de mais nobre e sublime, se acha concentrado no Amantíssimo Coração de Jesus, como na sua fonte original. O seu amor transcende todos os afetos, por mais puros que sejam. Símbolo tocante, imagem perfeita e personificação do amor infinito de Deus para com os homens é o seu Sagrado Coração.

Nele habita a plenitude da Divindade, estão encerrados todos os tesouros da ciência e sabedoria e o Pai Eterno pôs Nele todas as suas complacências, é portanto, digníssimo de louvor, veneração e adoração.

No reino glorioso do Céu não há um só Santo, que não houvesse sido devoto do Sagrado Coração. Este amor era tão ardente em São Francisco, que o transformou num Serafim abrasado, e fê-lo digno de trazer em seu corpo, as Chagas de Jesus Cristo, Senhor Nosso.


Este amor seráfico, para com o Divino Coração, é característico de Santo Antônio.

Deus mesmo acendeu as belas chamas do amor sobrenatural e divino no santuário do seu Coração inocente e puro.

Fazer que jamais se apagassem, era a solicitude contínua, nutri-las e aumentá-las, o supremo desejo da sua pura alma. Para consegui-lo, contemplava, de preferência a outros Mistérios, os do Nascimento de Jesus, da Dolorosa Paixão e Morte, e em particular, do Sacramento Augustíssimo do Altar.

Não se contentava porém, com isso. Nos seus Sermões enaltecia as perfeições e celebrava os louvores do Sagrado Coração, a fim de abrasar de amor para com Ele todos os corações.

Mais ainda! As poucas obras de Santo Antônio, que chegaram até nós são provas irrefutáveis, de que se salientou, visivelmente, na devoção de Jesus, sob o terno culto do seu amabilíssimo Coração. A cada passo, exalam ativamente os perfumes deste amantíssimo Coração.

A alma piedosa, assim escreve ele, a alma piedosa encontrará no Coração de Jesus um delicioso retiro, um asilo seguro contra todas as tentações do mundo; no mais íntimo do Coração de Jesus, ela encontrará a paz, as consolações, a luz e inefáveis delícias. O Coração de Jesus é como que o princípio da vida sobrenatural, é como que o altar de ouro, onde, de noite e de dia, um incenso odorífero se evola até aos Céus e perfumes suavíssimos embalsamam a terra.

A meditação dos sofrimentos exteriores de Jesus Cristo é santa e meritória, sem dúvida, mas, se queremos encontrar ouro puro, necessitamos de ir ao altar interior, ao Coração mesmo de Jesus, e ali estudar as Riquezas do seu Amor”.

Palavras belíssimas que só podiam sair de um coração angélico e seráfico, como o de Santo Antônio.

O Sagrado Coração não deixou de mostrar ao seu filho predileto, quanto Lhe era agradável a sua terna devoção, por um milagre todo excepcional.

Santo Antônio havia pregado durante a estação do Advento de 1229 na cidade de Pádua.

Um fidalgo, chamado Tiso, Conde de Campo Sampiero, íntimo amigo do Santo, convidou-o, repetidas vezes, a honrá-lo com a sua visita e passar algum tempo na sua chácara silenciosa e pitoresca. Santo Antônio aceitou o convite. O piedoso Conde, todo atenção para com o seu venerado hóspede, não poupou coisa alguma para lhe tornar bem aprazível a demora em sua residência, oferecendo-lhe um aposento separado e condigno.

Segundo o seu louvável costume, Santo Antônio prolongava a vigília pelas noites, todo concentrado nas suaves delícias da oração.

Numa das vezes, que em sua vigilância doméstica Tiso passava junto ao aposento do Santo, surpreendeu-o uma claridade vivíssima, que partia de dentro.

A precaução levou-o, providencialmente, a observar por um orifício da porta a razão de uma luz tão intensa. Ficou então maravilhado.


Vê o Santo envolvido em fulgores brilhantes, tendo nos braços um menino resplandecente e de uma beleza incomparável; e o menino a prodigalizar afavelmente ao Taumaturgo as graças mais doces e angélicas; Santo Antônio a responder-Lhe respeitosamente com as carícias mais santas e afetuosas.

Esta cena encantadora deixou estupefacto o fidalgo, que ansiava por saber, donde viera aquele menino tão formoso e deslumbrante. Jesus Cristo mesmo descera aos braços do seu filho predileto, Antônio, transformado na forma graciosa de menino, a fim de preconizar deliciosamente os seus labores apostólicos, demonstrar a todos a sua pureza angélica, e recompensar o seu amor eminentemente seráfico.

Ao desaparecer do aposento de Santo Antônio, o Divino Menino advertiu-lhe, que o Conde Tiso observara aquela cena. Por este fato, Santo Antônio após os transportes inefáveis desta contemplação divina, chama o seu benfeitor, explica-lhe a realidade daquele milagre, que havia sido uma afetuosa aparição de Jesus, na encantadora figura da sua Infância, como símbolo de verdadeiro amor, e por último, proibiu-lhe, terminantemente, que revelasse coisa alguma do que ali se passara, enquanto ele vivesse na terra.

Assim foi; depois da morte de Santo Antônio, o ditoso fidalgo manifestou, com garantia de seu juramento, e enternecido até as lágrimas a cena maravilhosa, que se passara no aposento, que cedera a Santo Antônio.

Todos os historiadores são unânimes em afirmar a realidade desta deliciosa e divina visão, que tem dado assunto, o mais eloquente às esculturas e às pinturas cristãs, que se desvanecem em caracterizar e imortalizar o filho Amantíssimo do Sagrado Coração de Jesus.

Este fato prodigioso, que só o piedoso Tiso testemunhara, despertou e amadureceu em seu coração, fascinado pelo perfume das virtudes acrisoladas de Santo Antônio, e cativado pela formosura celestial de Deus-Menino, cuja contemplação o inebriara de amor divino, o ardente desejo, de consagrar-se exclusivamente ao Divino Coração, abraçando a vida religiosa.

Seus votos se realizaram. Passados poucos anos, voou a sua bela alma ao Céu, onde Santo Antônio já o havia precedido, e onde ambos acharam uma felicidade indefinível no Sagrado Coração de Jesus, delícias de todos os Santos.



Fonte: Frei Luiz, Rev. Pe. O.F.M., “A Vida e o Culto de Santo Antônio”, 1ª Parte, Cap. 23, pp. 238-245. 3ª Edição. Butzon e Bercker – Editores Pontifícios, Petrópolis/RJ, 1907.

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