Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Homens de Pentecostes


Conhece-os? Precisamente por serem tão raros, é o seu valor inapreciável.


Homens de Pentecostes! Quem não pensaria aqui em um São Francisco de Assis! Até mesmo acatólicos confessam que era o mais bondoso, o mais amável dos homens dos séculos cristãos. Toda a sua pessoa estava de tal modo penetrada do “Deus do amor”, que chamava irmãos seus não somente homens honrados, mas até salteadores e outras criaturas rebaixadas e abjetas. Era uma imagem tão vívida da bondade do divino Espírito Santo, que animais ferozes se lhe prostravam nos pés e escutavam a sua palavra. Como seu coração devia estar repleto do Espírito de Pentecostes, para saudar a morte como amável irmã!


Homens de Pentecostes! Quando o viajante no deserto depara com um oásis, cujas árvores oferecem sombra e cujas fontes de águas refrigerantes, seus olhos brilham, seus membros vibram, sua coragem cresce. Vê, assim são os Homens de Pentecostes! Oásis no deserto da vida. À sua proximidade a gente se sente bem, a companhia deles reconforta. O brilho de seus olhos e o tom de sua voz dão segurança e força. Sempre têm alguma coisa que dar, seja uma dádiva modesta, seja uma palavra amável ou um olhar de amigo.


Homens de Pentecostes! A tarde caía lentamente, quando certa vez fui visitar uma velhinha enferma. Seu aposento era mesquinho, desconfortável, com apenas uma janela pequena. A mulher sentava em uma cadeira de braços meio quebrada, na proximidade de uma estufa de ferro. Antes de abandoná-la, levantou-se carregando também a cadeira. Perguntando eu, para onde desejava levar a cadeira, respondeu-me: “Para a janela! Em breve o sol descerá por detrás do espigão e eu devo percebê-lo; pois, passada uma hora desaparece de novo”. Como um raio solar em masmorra escura, assim atuam Homens de Pentecostes sobre o ambiente em que vivem. Devemos nos aperceber bem desses homens e dos minutos que nos privamos em companhia deles.


Homens de Pentecostes! São Anjos de alegria Não precisam dar coisa alguma; a presença deles já é um dom de Deus. Atuam como bálsamo suavizador e água refrigerante. Ao seu olhar emudece a maldade, a brutalidade sente-se envergonhada; até o vício se torna pensativo.


Homens de Pentecostes! Estão sempre contentes, mesmo passando mal. Não medem a sua sorte pela dos venturados e abençoados da fortuna, pela dos sadios e ricos, mas pela dos infelizes e padecentes. Sua riqueza é o contentamento. Quando o seu corpo se contorce de aflições, seus nervos fremem de cansaço, seu coração sangra de dor, ainda sabem cantar: “Gloria in excelsis Deo! - Glória a Deus nas alturas!


Homens de Pentecostes vivem sempre em ascensões luminosas. E quando descem aos pantanais obscuros da vida, fazem-no como as línguas de fogo do divino Espírito Santo. Trazem luz e calor para o frio e as trevas da alma.


Homens de Pentecostes! Por que motivo são tão raros? Por que São Francisco de Assis encontra tão poucos imitadores? Porque anda o homem moderno pavoneando-se por toda parte e apesar disto tão descontente? Ele tornou-se, como diz o Bispo von Keppler, um estranho no seu interior. Nisto se funda também o motivo da falta de alegria. A cultura moderna não favorece a vida interior. Com o domínio desta cultura de asfalto, como a chama Saubart, processou-se com a vida uma exteriorização e uma frivolidade incríveis. A vida do lar transformou-se em uma vida de rua, de trem e de clubes. A. M. Weiss chama-a um viver em massa, sempre em aposentos estranhos, uma vida de rãs com o coaxar dos lugares de hospedagem e dos prazeres, uma vida de ciganos, uma vida de pardais barulhentos”.1


Nós podemos também dizer: o homem tornou-se um estranho no seu íntimo, porque muita coisa se intrometeu no coração do homem, que não há mais espaço para o divino Espírito Santo.


Quando o homem se interna em si mesmo, quando aprende, como diz Keppler, a viver não para fora, mas para dentro, a tornar-se introspectivo, a ser em si mesmo grande, forte, feliz, então se transmuda em um Homem de Pentecostes: pois, viver interiormente, quer dizer, tornar-se uma só alma com o divino Espírito Santo.


Homens de Pentecostes! Se em cada paróquia, em cada associação houvesse um só, que aspecto diferente não apresentaria à Igreja e à paróquia!


Não queres tentar ser um desses homens? Um Homem de Pentecostes?


Veni, Sancte Spiritus!


Vinde, divino Espírito Santo! Ajudai-me para isto!



Fonte: Pe. Agostinho Kinscher, “Dem Unbekannten Gott - Ao Deus Desconhecido”, Cap. 35, pp. 195-197. Editora Mensageiro da Fé Ltda, Salvador/BA, 1943.


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1  P. Keppler: Mehr Freude.


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