Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

A EUCARISTIA – BOSSUET. 27


A Eucaristia,

junta à refeição comum,

ensina a santificar tudo o que

serve para alimentar o corpo.

Sustentando as forças do corpo,

apliquemos o espírito às coisas celestes.


Direi tudo, Senhor, dir-me-ei a mim mesmo, e direi a todos aqueles a quem destino este escrito, — e destino-o a todos os que puserdes na mente sobre os vossos Santos Mistérios, na vossa santa palavra.

Vejo ainda outra razão que Vos levou a unir a Eucaristia à refeição comum: quereis santificar toda a nossa vida, na ação que a mantem e a faz durar; quereis que a comida corporal fosse acompanhada da espiritual, a fim de que aprendêssemos a fazer tudo em espírito, mesmo às coisas que deviam servir para sustentar-nos o corpo. Só devemos alimentar esse corpo para ser um digno instrumento ao espírito: devíamos tomar o comer e o beber neste espírito. A Eucaristia, tomada antes da refeição, devia ser um tempero salutar ao prazer dos sentidos, de modo que nos deixássemos arrastar a este, e que Ele viesse a predominar. Mas, ainda que a Igreja, a quem Jesus Cristo deixou a dispensação dos Seus Mistérios, tenha com a continuação separada, e mui sabiamente, o que Jesus Cristo parecia haver unido e ainda que Ela celebrasse a Eucaristia fora da refeição ordinária, o desígnio de Jesus Cristo não está aniquilado: a instrução que Ele nos deu subsiste sempre. Quando fizermos as nossas refeições, devemos sempre lembrar-nos de que, segundo a instituição primitiva da Eucaristia, esta devia acompanhá-las; que Jesus Cristo assim o fez; que a Igreja assim observava sob os Apóstolos; que então, portanto, se queria ensinar aos cristãos que todas as duas ações, e mesmo as mais comuns, deviam ser feitas santamente. Esta instrução subsiste sempre.

Comendo e bebendo, pensemos naquele beber e naquele comer espiritual da mesa de Nosso Senhor; tenhamos o espírito aplicado às coisas celestes; não lhes abandonemos o pensamento durante as refeições. Senão as pudermos acompanhar de santas leituras, como se faz nas casas especialmente consagradas a Deus, acompanhemo-las de santos discursos, ao menos de santos pensamentos. Não nos entreguemos aos sentidos, nem a esse corpo miserável que seria vergonhoso engordar e nutrir, se o não nutríssemos como Ministro e servo do espírito. Pois, do contrário, nutrirmo-nos não é mais do que trabalharmos para a morte, engordar-lhe a presa, e a sermos o seu pasto. Alimentemo-nos com regra e, como dizia um antigo, comamos tanto quanto é necessário para nos sustentarmos; bebamos tanto quanto convém a pessoas pudicas, que não querem irritar os desejos sensuais. Enfim, façamos o que fizermos, “quer bebamos, quer comamos, quer façamos alguma outra coisa em relação ao corpo façamo-lo para a glória de Deus, e em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, dando graças por Ele a Deus Pai”.

O reino não é beber, nem comer; mas justiça e paz, e alegria no Espírito Santo”.1


Fonte: Jacques-Bénigne Bossuet, Bispo de Meaux, “Meditações sobre o Evangelho” – Opúsculo “A Eucaristia”, Cap. XXVII, pp. 121-123. Coleção Boa Imprensa, Livraria Boa Imprensa, Rio de Janeiro/RJ, 1942.


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1.  Rom. XIV, 17.


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