BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 29 de junho de 2026

UM JUSTO VALE MAIS DIANTE DE DEUS, DO QUE MULTIDÕES ARMADAS.

SANTO PROFETA ELIAS E AS

EMBAIXADAS DOS EXÉRCITOS DO REI ACAB,


A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A SERVIÇO DO CATOLICISMO


E quanto as Embaixadas dos Exércitos do rei Acab, para trazerem o Profeta Elias, para esclarecer ao rei sobre a Seca de três anos lançada sobre o reino de Israel. O que os Santos Padres, Doutores, Teólogos, Exegetas e Autores Espirituais comentaram sobre o assunto?

A passagem à qual vos referis encontra-se em 1 Reis 18, 10-15, quando Abdias relata a Elias que o rei Acab havia enviado mensageiros e emissários por diversos reinos e nações para procurá-lo durante os três anos de seca. Acab acreditava que Elias era o responsável pela calamidade que assolava Israel.

Os Padres da Igreja e os Autores Espirituais viram neste episódio, significados históricos, morais e místicos muito profundos.


1. Acab procura Elias,

mas não procura a Deus.

Santo Ambrósio e diversos comentaristas antigos observam que, Acab procurava o Profeta, mas não procurava se converter.

O rei desejava remover os efeitos do castigo, mas não a sua causa.

A seca, não era o verdadeiro problema de Israel. O verdadeiro problema, era a apostasia promovida por Acab e Jezabel.

Espiritualmente, isto representa a alma que:

  • deseja paz, mas não arrependimento;

  • deseja bênçãos, mas não obediência;

  • deseja o fim dos sofrimentos, mas não a conversão do coração.

Como observa a Tradição Patrística, Deus frequentemente permite tribulações, para conduzir os homens ao retorno da verdade.


2. Elias escondido pela Providência Divina.

Os Padres ressaltam que, durante três anos ninguém conseguiu encontrar Elias, porque ele estava protegido pelo próprio Deus.

São João Crisóstomo comenta frequentemente, em temas semelhantes, que quando Deus protege um de seus servos, nenhum poder humano pode alcançá-lo.

Acab possuía:

  • Exércitos;

  • riquezas;

  • autoridade real;

  • alianças políticas.

Elias possuía apenas a Palavra de Deus.

Contudo, foi o rei quem fracassou, e o Profeta quem permaneceu seguro.

Misticamente, os Autores veem aqui, a superioridade da Graça sobre todo o poder do mundo.


3. A busca de Elias pelas Nações.

Abdias declara: “Não há nação nem reino, para onde meu senhor não tenha mandado te procurar” (1 Rs 18, 10).

Alguns Comentaristas Medievais veem nisso, uma figura da busca incessante da Verdade.

Entretanto, Acab a procura de forma equivocada.

Ele busca o Profeta como inimigo.

A Verdade que poderia salvá-lo, é tratada como ameaça.

São Gregório Magno, ensina um princípio espiritual muito próximo:

Os maus perseguem frequentemente aqueles, que lhes mostram seus pecados, porque consideram inimigo, aquele que lhes oferece remédio.

Assim aconteceu com Elias.


4. O Profeta perseguido,

é figura de Cristo.

Muitos Autores cristãos enxergam em Elias, uma prefiguração de Cristo.

Assim como Elias:

  • Cristo foi rejeitado pelos poderosos;

  • foi perseguido pelos que deveriam acolhê-Lo;

  • tornou-se Sinal de Contradição.

Os reis procuram eliminar a voz profética, porque ela denuncia o pecado.

O mesmo acontece ao longo de toda a história da Igreja:

  • com os Profetas;

  • com os Apóstolos;

  • com os Mártires;

  • com os Santos reformadores.

A perseguição é frequentemente, a resposta do mundo à verdade.


5. A Impotência dos Exércitos

diante de um Homem de Deus.

Uma interpretação muito querida pelos Autores Espirituais, é esta:

Acab mobiliza reinos inteiros.

Elias está sozinho.

Todavia, quem possui a força verdadeira?

  • Os exércitos procuram.

  • Os soldados procuram.

  • Os mensageiros procuram.

  • Mas não encontram.

Santo Efrém da Síria, vê frequentemente nos episódios de Elias uma demonstração de que, um justo vale mais diante de Deus do que multidões armadas.

O Profeta não vence pela força das armas.

Vence, pela união com Deus.


6. Interpretação Carmelita.

A Espiritualidade Carmelita contempla neste episódio, o ideal do Profeta escondido em Deus.

Elias torna-se imagem, da alma contemplativa.

Enquanto o mundo corre agitado:

  • procurando respostas exteriores;

  • acumulando poder;

  • confiando em estratégias humanas;

o Homem de Deus permanece oculto na Presença Divina.

O silêncio de Elias durante aqueles anos, é tão eloquente quanto suas palavras no Monte Carmelo.

Antes de falar ao povo, ele aprendeu a permanecer diante do Senhor.

Por isso o lema carmelita:

Vivit Dominus, in cuius conspectu sto”.

“Vive o Senhor, em cuja presença estou”.


Sermão Espiritual.

Acab procurou Elias por toda a terra, mas não procurou o Deus de Elias.

Quantas vezes, o homem moderno faz o mesmo.

Procura soluções, mas não conversão.

Procura prosperidade, mas não santidade.

Procura o alívio da seca, mas não a fonte da água da viva.

O rei possuía soldados.

Elias possuía oração.

O rei possuía palácios.

Elias possuía o deserto.

O rei possuía autoridade.

Elias possuía Deus.

E ao final, não foi Elias quem compareceu diante de Acab por necessidade; foi Acab quem teve de ouvir a palavra daquele Profeta que não conseguira encontrar. Assim acontece em toda vida espiritual: o mundo parece poderoso por um tempo, mas a última palavra pertence sempre ao Senhor. Quem permanece firme na presença de Deus possui uma fortaleza que nenhum exército da terra pode vencer. O Profeta escondido vale mais que um reino inteiro, quando sua alma está unida ao Deus Vivo.

Por que duas vezes caiu fogo do Céu e na terceira vez não? Qual o sentido místico disto, segundo os comentários dos Santos Padres?


Creio que vos referis ao episódio de 2 Reis 1, 9-15, quando o rei Ocozias (Acazias), filho de Acab, envia três destacamentos de cinquenta homens para prender o Profeta Elias.

Os dois primeiros capitães aproximam-se com arrogância e ordem imperiosa:

Homem de Deus, o rei manda que desças”.

Elias responde:

"Se eu sou homem de Deus, desça fogo do céu e te consuma a ti e aos teus cinquenta homens".

E o fogo desce e os consome.

O terceiro capitão, porém, aproxima-se de modo totalmente diferente:

"Homem de Deus, peço-te que a minha vida e a vida destes cinquenta servos, sejam preciosas aos teus olhos" (2 Rs 1, 13).

Então o fogo não cai, e o Anjo do Senhor manda Elias acompanhá-lo.

Os Padres e Autores Espirituais viram neste acontecimento, um profundo ensinamento sobre a justiça, a misericórdia e a conversão.


1. Os dois primeiros capitães representam a soberba.

São Beda, o Venerável, ensina que os dois primeiros grupos, simbolizam os homens que resistem à Verdade Divina.

Eles não vêm, para ouvir o Profeta.

Não vêm para se converter.

Vêm para impor a força do rei, contra a autoridade de Deus.

Misticamente, representam:

  • a soberba;

  • a autossuficiência;

  • o coração endurecido.

O fogo desce, porque a soberba não pode subsistir diante da santidade divina.

Como ensina a Escritura: “Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes” (Tg 4, 6).


2. O terceiro capitão representa a humildade.

São Gregório Magno, vê neste terceiro homem, uma figura da alma penitente.

Ele não exige.

Ele suplica.

Ele não invoca o poder do rei.

Ele reconhece a Autoridade de Deus.

A mudança não está em Elias.

A mudança está, no coração daquele que se aproxima.

O mesmo Profeta que invocou o fogo, torna-se agora, instrumento de misericórdia.


3. O Fogo,

é figura do Juízo Divino.

Muitos Padres entendem o fogo, como símbolo da justiça de Deus.

Santo Efrém da Síria, observa frequentemente que, o fogo celeste possui um duplo significado:

  • Destrói o pecado;

  • purifica o justo.

O mesmo fogo que consome os rebeldes, ilumina os Santos.

Por isso a Escritura apresenta Deus como:

Fogo devorador”

(Hb 12, 29),

e também, como Luz e Amor.

Tudo depende, da disposição do coração humano.


4. Interpretação Cristológica:

Lei, Juízo e Graça.

Alguns Autores Medievais viram ainda, um simbolismo muito rico no número três.

Os dois primeiros capitães figurariam, a humanidade endurecida sob o peso do pecado.

O terceiro prefiguraria, a chegada da Graça.

Antes, vêm as advertências.

Depois, vem a misericórdia.

Antes, o homem experimenta a justiça.

Depois, encontra a compaixão.

Não porque Deus mude, mas porque o pecador, finalmente, muda.


5. Interpretação Carmelita.

A Tradição Carmelita contempla Elias, como o Profeta do zelo divino.

O fogo que cai do céu, é o mesmo fogo que havia descido no Monte Carmelo.

Trata-se do fogo, da Presença de Deus.

Quando encontra resistência orgulhosa, manifesta-se como juízo.

Quando encontra humildade, manifesta-se como proteção.

São João da Cruz desenvolve uma ideia semelhante, ao falar do amor divino:

O mesmo fogo que amolece a cera, endurece o barro.

Deus é o mesmo.

A diferença está, na disposição da alma.


Sentido Místico Mais Profundo.

Por que o fogo caiu duas vezes e na terceira não?

Porque Deus quis mostrar que:

  • a soberba, atrai o juízo;

  • a humildade, atrai a misericórdia;

  • a força humana, nada pode contra Deus;

  • a oração humilde obtém, aquilo que a violência jamais consegue.

Os dois primeiros capitães confiaram, na autoridade do rei.

O terceiro confiou, na misericórdia de Deus.

Os primeiros, encontraram o fogo.

O terceiro, encontrou a vida.

Eis a grande lição dos Padres: a justiça de Deus não foi vencida pela força, mas foi “desarmada” pela humildade. Onde a soberba perece, a humildade encontra graça.

Faça-me uma Catena Patrística e Mística sobre este Estudo, com citações diretas e comentadas, tendo como Base os Riquíssimos Comentários dos Santos Padres, Doutores, Teólogos, Exegetas e Autores Místicos da Igreja Católica.


Catena Patrística e Mística

sobre os Três Capitães Enviados a Elias.

(2 Reis 1, 9-15)

O episódio dos três capitães enviados pelo rei Ocozias, para prender o Profeta Elias, sempre despertou o interesse dos Padres da Igreja e dos grandes Mestres Espirituais. Nessa narrativa, eles enxergaram o Mistério da justiça e da misericórdia divina, o combate entre a soberba e a humildade, e uma figura da ação de Deus na alma humana.


1. Santo Ambrósio de Milão.

Elias age movido pelo zelo de Deus.

“Elias não procurou vingar uma injúria pessoal; defendeu a honra de Deus. Não foi a ira de um homem, mas o julgamento de Deus que se manifestou pelo fogo celeste” (De Officiis Ministrorum, III).


Comentário.

Santo Ambrósio combate a interpretação superficial, que faria de Elias um homem violento. O fogo não é fruto de vingança privada. Elias age como Profeta e Ministro da Justiça Divina.

Misticamente, isto ensina que, o verdadeiro zelo nasce do amor a Deus e não do amor-próprio ferido.


2. São João Crisóstomo.

O poder dos Santos procede de Deus.

“Vede como um homem desarmado, é mais forte que numerosos soldados, porque possui consigo o Senhor de todas as coisas” (Comentário atribuído à tradição crisostômica sobre Elias).


Comentário.

O rei possui tropas.

Elias possui Deus.

Os soldados representam os recursos humanos.


Elias representa a alma unida ao Altíssimo.

A força espiritual, sempre supera a mera força material.


3. São Gregório Magno.

A humildade abre as portas da misericórdia.

“Aquele que se humilha diante de Deus, já começa a escapar do julgamento que merecia” (Moralia in Job, XXII).


Comentário.

O terceiro capitão não exige.

Ele se ajoelha interiormente.

Por isso encontra misericórdia.

Segundo São Gregório, a humildade já é o início da cura espiritual, porque destrói a raiz do pecado, que é a soberba.


4. São Beda, o Venerável.

Os dois caminhos da alma.

Comentando esta passagem, São Beda ensina:

“Os dois primeiros capitães, representam aqueles que desprezam os Mandamentos Divinos; o terceiro, figura os que se submetem à vontade de Deus” (Quaestiones in Libros Regum).


Comentário.

Toda alma se aproxima de Deus, de uma dessas duas maneiras:

  • pela autossuficiência;

  • pela humildade.

Os primeiros, encontram condenação.

Os segundos, encontra vida.


5. Santo Efrém da Síria.

O fogo da justiça divina.

“O fogo que desceu do alto, revelou aquilo que já ardia invisivelmente na justiça de Deus” (Tema recorrente nos comentários siríacos sobre Elias).


Comentário.

Para Santo Efrém, o fogo não cria o julgamento.

Ele apenas manifesta exteriormente, uma realidade espiritual já existente.

A condenação começa, quando o homem se fecha obstinadamente à Verdade.


6. Orígenes.

O fogo espiritual.

“Há um Fogo Divino, que consome os pecados e purifica as almas” (Homilias sobre Jeremias).


Comentário.

Embora Orígenes não esteja comentando diretamente esta passagem, muitos autores posteriores aplicaram seu ensinamento ao episódio de Elias.

O fogo simboliza a Presença Divina.

Quando encontra resistência, consome.

Quando encontra abertura, purifica.


7. São João da Cruz.

O mesmo fogo produz efeitos diferentes.

“O Fogo do Amor de Deus produz em cada alma, aquilo que ela está disposta a receber” (Chama Viva de Amor).


Comentário.

Esta ideia ajuda a compreender o Mistério dos três capitães.

O fogo é o mesmo.

Deus é o mesmo.

Mas os corações são diferentes.

Os soberbos, experimentam a justiça.

Os humildes, experimentam a misericórdia.


8. Santa Teresa de Jesus.

A humildade atrai as graças.

“Todo o edifício da vida espiritual, está fundado na humildade” (Castelo Interior, VII Moradas).


Comentário.

O terceiro capitão salva-se, porque reconhece sua condição diante de Deus.

S. Teresa ensina que a humildade, é a porta por onde entram todas as graças.

Sem ela, não existe verdadeira oração.

Sem ela, não existe santidade.


9. São Bernardo de Claraval.

A escada da soberba e a escada da humildade.

"Assim como a soberba fez os Anjos caírem do céu, a humildade eleva os homens ao céu" (De Gradibus Humilitatis).


Comentário.

Os dois primeiros capitães, sobem o monte cheios de orgulho.

O terceiro, sobe carregando humildade.

Os primeiros, descem pela condenação.

O terceiro, desce vivo e reconciliado.


10. Cornélio a Lápide.

O capitão humilde, como exemplo para todos os fiéis.

“A reverência do terceiro capitão, obteve aquilo que a autoridade do rei não pôde alcançar” (Comentário sobre 2 Reis).


Comentário.

Aqui está a síntese de toda a passagem.

O poder fracassou.

A humildade venceu.

O rei não conseguiu trazer Elias.

Mas a humildade conseguiu.

Síntese Mística dos Santos Padres e Doutores.

Para os Padres, este episódio não trata apenas de três capitães.

Trata-se de três atitudes da alma diante de Deus.

Os dois primeiros representam:

  • a soberba;

  • a autoconfiança;

  • a resistência à Graça;

  • a dureza de coração.


O terceiro representa:

  • a humildade;

  • o temor de Deus;

  • a abertura à Graça;

  • a verdadeira oração.

O fogo que cai do Céu, simboliza a santidade divina.

Essa santidade nunca muda.

O que muda, é a disposição daquele que dela se aproxima.

Como ensinam os Santos do Carmelo, o fogo que destrói o pecado é o mesmo fogo que inflama os Santos. O mesmo Deus que é Juiz, é também Pai; o mesmo Deus que corrige, é também Misericórdia. Por isso, a grande lição de Elias, é que ninguém vence a Deus pela força, mas todos podem alcançar Seu Coração pela humildade. Pois onde a soberba encontra fogo, a humildade encontra Graça.

Faça-me um Pequeno Sermão Doutrinário

sobre este Assunto.


Sermão Doutrinário:

O Fogo que Julga e a Humildade que Salva.

Caríssimos irmãos,

Ao contemplarmos o episódio dos três capitães enviados a Elias (cf. 2 Rs 1, 9-15), aprendemos uma verdade fundamental da vida espiritual: Deus é imutável, mas os homens recebem de modo diferente a Sua ação, segundo a disposição de seus corações.

Os dois primeiros capitães aproximaram-se do Profeta, com arrogância e presunção. Amparavam-se na autoridade do rei terreno e julgavam poder submeter o homem de Deus às suas ordens. O fogo que desceu do Céu manifesta, que nenhuma força humana pode prevalecer contra a Soberania Divina. Quem se exalta contra Deus, encontra o juízo; quem endurece o coração, fecha-se à Graça.

O terceiro capitão, porém, aproximou-se com reverência e humildade. Não ordenou, não ameaçou, não reivindicou direitos. Suplicou. Reconheceu sua pequenez diante do Senhor. E onde a humildade abriu espaço, a misericórdia encontrou morada. O fogo não desceu para destruir, porque a alma já havia descido pela humildade.

Esta passagem ensina que o maior obstáculo entre Deus e o homem não é a fraqueza, mas a soberba. Deus não rejeita o pecador arrependido; rejeita o coração que se considera autossuficiente. A humildade atrai mais graças, do que a força conquista vitórias.

Elias, Pai Espiritual do Carmelo, mostra-nos que o verdadeiro poder não está nos exércitos, nos títulos ou nas honras deste mundo, mas na fidelidade ao Deus Vivo. Os poderosos passam; a Palavra de Deus permanece. Os reinos se levantam e caem; a Verdade Divina permanece para sempre.

Peçamos, pois, ao Senhor a Graça de nos aproximarmos d'Ele, não como os dois primeiros capitães, cheios de confiança em nós mesmos, mas como o terceiro, que se apresentou com espírito humilde e coração contrito. Pois está escrito: “Deus resiste aos soberbos, mas concede sua Graça aos humildes” (Tg 4, 6).

Amém.

Faça-me uma Pequena Oração Final.


Oração Final

Ó Deus Eterno e Todo-poderoso, que manifestastes em vosso servo Elias o zelo pela Verdade e o poder de vossa santa Presença, concedei-nos a Graça de fugir da soberba e de caminhar sempre pela senda da Humildade.

Livrai-nos da dureza de coração que resiste a vossa Vontade, e ensinai-nos a aproximar-nos de Vós com reverência, confiança e espírito de sincera conversão. Que o fogo do vosso Amor Divino não venha para nos julgar, mas para purificar nossas almas, iluminar nossas mentes e inflamar nossos corações, no serviço fiel ao vosso Reino.

Pela intercessão, da Santíssima Virgem Maria, Rainha e Mãe do Carmelo, e do Santo Profeta Elias, fazei-nos perseverar em vossa Presença todos os dias de nossa vida, até contemplarmos para sempre, a glória do vosso rosto no Céu.

Por Cristo, nosso Senhor.

Amém.


O ERRO É UM OBSTÁCULO PARA A UNIÃO (CURA D'ARS).


 

D. José Falcão responde 

ao Pe. Reginaldo Manzotti



Padre Reginaldo Manzotti afirma:

“Jesus, por ser humano,

errou muitas vezes”.

E cita a pregação da parábola do grão de mostarda, onde a Verdade Eterna e Encarnada, diz que o grão de mostarda é a menor das sementes do mundo.

Não preciso dizer, mas dizendo, que isto é uma inadvertida e herética blasfêmia. Vamos aos fatos.


A Parábola da Semente da Mostarda.

Na Sagrada Escritura, o grão de mostarda é uma metáfora poderosa usada por Jesus Cristo, para ilustrar o Reino dos Céus e o poder da Fé. Ele representa o princípio de que, grandes obras e transformações espirituais podem se originar, a partir de começos humildes e aparentemente insignificantes.

O contraste fundamental baseia-se no fato, de a semente ser minúscula, mas possuir uma capacidade de expansão extraordinária. Consultemos a Sagrada Escritura: No Evangelho de São Mateus, Jesus ensinando sobre o Reino dos Céus, disse:

Propôs-lhes outra parábola, dizendo: “O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou no seu campo.

É a mais pequena, de todas as sementes, mas, depois de ter crescido, é maior que todas as hortaliças e chega a tornar- se uma árvore, de sorte que as aves do céu vêm aninhar sobre os seus ramos” (Mt 13, 31-32).

Em, São Marcos no seu Evangelho, demonstra a mesma cena:

Dizia mais: "A que coisa compararemos nós o reino de Deus? Com que parábola o figuraremos?

É como um grão de mostarda que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na terra; mas, depois que é semeado, cresce e torna-se maior que todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de modo que as aves do céu podem vir pousar à sua sombra (Dn. 4, 9 e Dn. 4, 18; Ez. 17, 23 e Ez. 31, 6)” (Mc 4, 30-32).

E, finalmente, São Lucas no seu Evangelho, cita o mesmo ensino de Jesus:

Dizia também: "A que é semelhante o reino de Deus, a que o compararei eu?

É semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou na sua horta; cresceu, tornou-se uma grande planta, e as aves do céu repousaram nos seus ramos” (Lc 13, 18-19).


Distinção a Ser Feita.

Se considerarmos o grupo das hortaliças (plantas cultivadas em hortas), a resposta mais famosa e historicamente citada, é a semente de mostarda.

No entanto, há uma distinção importante entre o conhecimento cultural/histórico e a botânica moderna:


1. O Contexto Histórico e Cultural

(A Mostarda).

A semente de mostarda (Brassica nigra), ficou mundialmente conhecida como a “menor das sementes”, devido à famosa parábola bíblica, que menciona que ela é a menor semente que um homem planta em sua horta, mas que cresce até se tornar a maior das hortaliças. De fato, para os agricultores daquela época e região, ela era a menor semente cultivada de forma comum, medindo entre 1 e 2 milímetros.


2. O Cenário Botânico Atual nas Hortas.

Se olharmos estritamente para as hortaliças que consumimos hoje, a mostarda divide o pódio de pequenez com outras plantas de sementes minúsculas:

  • Aipo (ou Salsão): Suas sementes são incrivelmente pequenas, muitas vezes menores e mais leves que as de mostarda, medindo cerca de 1 mm a 1,5 mm.

  • Cenoura: Também possui sementes minúsculas e muito leves (um único grama pode conter mais de 800 sementes).

E no reino vegetal inteiro? Se sairmos do universo das hortaliças e olharmos para todas as plantas do planeta, as menores sementes do mundo pertencem às orquídeas (especialmente as orquídeas-joia). Elas são microscópicas, parecem uma poeira fina e medem apenas 0,05 milímetros — sendo invisíveis a olho nu individualmente!


Contexto Agrícola Antigo

Para os agricultores da região da Galileia no primeiro século, o grão de mostarda era uma das sementes cultivadas mais minúsculas (medindo entre 1 e 2 milímetros), que eles manuseavam no dia a dia.


Sentido Figurado

A intenção de Jesus Cristo ao citar a semente, não era dar uma aula de botânica, mas sim fazer uma analogia. O objetivo da parábola é contrastar algo quase invisível (o Ministério terreno de Jesus e a pregação inicial) com o grande resultado final, já que a semente de mostarda cresce e se torna uma planta que pode chegar a mais de 2 ou 3 metros de altura.

Representa, também, como a Mensagem Cristã e a Igreja começaram pequenas – com um grupo simples de seguidores – mas se expandiram de forma extraordinária, para acolher e transformar o mundo.

Como o grão de mostarda, A Igreja era pequena em seu começo, e está espalhada por todo o mundo; tornou-se uma grande árvore, onde os pássaros – os cristãos de todos os séculos – vêm buscar abrigo e alimento. Os grandes e belos ramos desta grande árvore são os ensinos que saem do firmíssimo tronco, que é a Igreja. As almas nobres e verdadeiramente aladas, os que sabem se erguer acima das misérias da vida, encontram repouso, paz e tranquilidade, à sombra de sua doutrina” (Cônego Duarte Leopoldo, “Concordância dos Santos Evangelhos…”, 4ª Edição, Cap. XX, p. 120. Linográfica, São Paulo/SP. 1951).

A semente da mostardeira designava nos provérbios dos Judeus, uma quantidade mínima, por ser a mais pequena das sementes empregadas: nas margens do Jordão, porém, a haste da mostardeira atinge a altura de dez pés” (Synopse Evangélica, por um Padre da Congregação da Missão, 74º Lição, p. 124. Turnhout (Bélgica) Estabelecimentos Brepols, A. G., Editores Pontifícios. 1913).

Pone esta parábola de relieve la oposición entre la humildad del reino de Deus en sus orígenes y su futura grandeza. Cumplese esto en el fundador del reino, Jesucristo, en su vida terrestre, tan humilde, y tan gloriosa en su exaltactión en el cielo” (Nuevo Testamento, versión directa del texto original griego, por Eloíno Nácar Fuster y Alberto Colunga Cueto, O.P., p. 50. BAC – Madrid. 1960).

Será que Aquele que afirmou ser Ele “A Verdade” (Jo. 14, 6), poderia ensinar o erro, ou, se enganar e com isso enganar os outros? Afinal, Ele é Deus Eterno, ou fomos enganados? Prefiro acreditar que o Reverendíssimo Padre Reginaldo Manzotti, se enganou em sua interpretação e naufragou, ainda que temporariamente na Fé, pelo puro afastamento do sentir unânime de toda a Tradição Católica. Que Deus o ilumine, para que ele possa reconhecer o seu erro, e se arrependa e repare o mal cometido. Vejamos o que diz a Doutrina Católica.


Toda a Doutrina de Jesus Cristo é Divina,

e, obrigatoriamente, destinada a todos os homens.


1) Durante toda a sua vida pública, insiste constantemente na perfeita identidade da sua doutrina com a doutrina do Pai:

A minha doutrina não é minha, mas é d’Aquele que me enviou…” (Jo. 7, 16).

As palavras que ouvistes não são minhas, mas sim do Pai que me enviou” (Jo. 14, 24).

Eu falo o que vi em meu Pai” (Jo. 8, 38).


2) Nada faz, nada ensina senão o que ouviu do Pai:

“… mas quem me enviou é verdadeiro e o que d’Ele ouvi, isso eu digo ao mundo… nada de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou” (Jo. 8, 26-28).


3) Por isso, crer em Cristo, é crer em Deus:

Quem crê em mim, não crê em mim, mas n’Aquele que me enviou… Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue: a palavra, que eu tenho falado, julgá-lo-á naquele dia. Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, Ele mesmo foi quem me prescreveu o que devo dizer e o que devo falar. E sei que o seu Mandamento é vida eterna. Pois o que eu digo, digo-o segundo me falou o Pai” (Jo. 12, 44-50).

4) Por conseguinte, afirmando Cristo, sem excetuar nenhuma parte do seu ensino, que não fala senão “o que ouviu do Pai, o que o Pai lhe mandou falar”, apresenta a sua doutrina, e toda a sua doutrina, como doutrina de seu Pai, isto é, como Doutrina Divina, Palavra de Deus…

Tal é também a crença universal e constante da Cristandade, como o prova a própria existência do Cristianismo, como Religião Revelada por Deus.


5) Obrigação para todos os homens de aceitarem a Doutrina de Cristo:

Ao enviar seus Apóstolos pelo mundo, acrescentou Cristo:

Quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer, será condenado” (Mc. 16, 16; cfr. Jo. 3, 18.36; 5, 24; 12, 48-50).

É também a conclusão natural de todo o ensino evangélico: Jesus traz “na terra a paz aos homens de boa vontade” (Lc. 2, 14). É “a luz para a revelação às gentes” (Lc. 2, 32), “vindo do alto, para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte” (Lc. 1, 79), “a luz verdadeira, que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo. 1, 9), “o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo” (Jo. 1, 29), “o Salvador do mundo” (Jo. 4, 42). – Para a salvação, é necessário crer em Cristo (Jo. 3, 14-18.36; 5, 24), pois “ninguém vai ao Pai senão por Ele” (Jo. 14, 6), sem Ele não podemos fazer nada (Jo. 15, 1-6); e a vida eterna consiste em conhecer o único Deus verdadeiro e Àquele que enviou, Jesus Cristo (Jo. 17, 3), “não há salvação em nenhum outro” (Atos 4, 12).

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Fonte: Pe. Pedro Cerruti, S.J., Síntese da Teologia Católica, Tomo II – O Cristianismo em sua Origem Histórica e Divina, 2ª Parte, Cap. II, Tese IX, III Ponto, pp. 336-338. Universidade Católica, Rio de Janeiro/RJ. 1963.


Todo Católico Deve Combater o Erro

Palavras de São João Maria Vianney (o Cura d'Ars), dirigidas a Hernest Hello e Jorge Seigneur, que pediam conselhos a respeito da fundação de um Diário Católico (1858):

"O princípio de uma grande obra deve ser pequeno. Não é a questão financeira que vos deve afligir. Tudo o que Deus quer se arranja, não se sabe como. Tereis o necessário auxílio, e, mesmo faltando este, deveis começar.

Vivemos em um mundo miserável. Deveis expor esta miséria e dizer a verdade sem acepção de pessoas. Há uma massa de mentiras e de erros que deveis dissipar, sem olhar para as pessoas que os espalham. Deveis combater o erro, mesmo entre os católicos, pois estes têm menos direito - se posso falar de direito - do que os outros para pregar ideias errôneas. Amai os vossos adversários. Rezai por eles, mas não deveis fazer-lhes cumprimentos. É tempo perdido. Não procureis agradar a todos, nem podeis a todos agradar. Procurai agradar a Deus e seus Anjos e Santos, eis o vosso público!

Pois bem, meus filhos, mãos à obra! Os que de vós se afastam, que vos censuram por falta de amor, intimamente vos darão razão, talvez vos defendam publicamente. Se os homens pudessem ver como eu trato o "Grappin" (alcunha regional depreciativa com que o Santo designava o Demônio), diriam que não lhe tenho amor. Meto-lhe medo, causo-lhe espanto, lanço-o por terra, e digo-lhe: "Grappin, tu me atacas; pois bem, eu me defendo também".

Mas vós, meus filhos, dir-me-eis que os homens não são Demônios. Sem dúvida, muitos não são Demônios. Mas, em todos que não estão unidos intimamente a Cristo, está latente alguma coisa diabólica; e contra isso deveis levantar-vos como executores da justiça. O erro é um obstáculo para a união. Meu Deus, quão inexaurível é a verdade, quão imarcescível, quão repleta de vida! Mais uma vez, não deixeis jamais de combater o erro. E para isto, gastai a maior parte de vosso tempo. Começai, pois, e perseverai! Não vos deixeis intimidar pela contradição. Contradição, não vale nada. Fareis bem e muito bem".

Fonte: "Verdades Esquecidas" - Coletânea de textos do mensário Catolicismo, p. 9. Catolicismo nº 16, Abril de 1952. Artpress Indústria Gráfica e Editora Ltda, Bom Retiro/SP. 1992.


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