
✠
O
MÍSTICO ARREBATAMENTO
DE
SANTO ELIAS
1ª
PARTE
✠
A
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A
SERVIÇO DO CATOLICISMO
Agora tratemos finalmente,
sobre o Arrebatamento de Santo Elias aos Céus num Carro de Fogo. A
primeira pergunta é: Qual o significado místico das duas primeiras
paradas (Betel e Jericó), contendo as mesmas indagações dos filhos
dos Profetas, sobre o arrebatamento de Elias e na terceira parada (a
beira rio Jordão), onde não houve as indagações anteriores;
responda-me com base nos Comentários dos Santos Padres, Doutores,
Teólogos, Exegetas e Autores Místicos da Igreja Católica.
A
narrativa do arrebatamento de Elias (2 Rs 2, 1-18) foi objeto de
profunda contemplação dos Padres da Igreja, dos Autores
Monásticos
e dos Místicos
Carmelitas.
Os detalhes aparentemente simples da caminhada de Elias por Gálgala,
Betel, Jericó e Jordão
foram lidos como uma verdadeira Ascensão
Espiritual,
na qual cada etapa representa um grau de purificação da alma antes
de sua entrada na glória.
A
questão que levantais é particularmente interessante: por
que os filhos dos Profetas
interrogam Eliseu em Betel e em Jericó acerca da partida de Elias,
mas não o fazem junto ao Jordão?
1.
Betel:
O
Conhecimento Inicial do Mistério.
Em
Betel, os filhos dos profetas perguntam: “Sabes que hoje o
Senhor, vai tirar teu senhor de sobre tua cabeça?” (2 Rs 2,
3).
Santo Ambrósio observa,
que Deus frequentemente revela seus desígnios, aos servos fiéis
antes de realizá-los, para que aprendam a reconhecer a ação
divina na história.
Betel
significa “Casa de Deus”.
Para
muitos Intérpretes Espirituais, como Rábano Mauro e Cornélio
a Lapide, Betel simboliza o início da vida contemplativa,
quando a alma recebe as primeiras luzes sobre os Mistérios Divinos.
Os
Filhos dos Profetas sabem que Elias partirá, mas ainda não
compreendem plenamente o significado desse acontecimento.
Misticamente:
Assim
ocorre com muitos fiéis: possuem informações espirituais, mas
ainda não penetraram na inteligência sobrenatural dos
acontecimentos de Deus.
Por
isso, fazem perguntas.
A
pergunta manifesta uma Fé, ainda em busca de compreensão.
2.
Jericó:
O
Conhecimento mais Profundo,
porém
ainda Imperfeito.
Em
Jericó, a mesma pergunta é repetida: “Sabes que hoje o Senhor,
vai tirar teu senhor de sobre tua cabeça?” (2 Rs 2, 5).
Jericó
possui um simbolismo muito rico nos Padres.
Santo Agostinho,
frequentemente associa Jericó ao mundo presente, sujeito à
mutabilidade e à condição mortal.
São Gregório Magno vê
Jericó, como figura da condição humana ainda peregrina.
Aqui
a pergunta reaparece, porque a alma já avançou no conhecimento
espiritual, mas ainda permanece diante do Mistério
da separação.
Os
Comentaristas observam, que a repetição não é inútil.
Ela
mostra que, a proximidade do acontecimento aumenta a expectativa.
Quanto
mais Elias se aproxima da Glória, mais os discípulos falam dela.
Segundo Teodoreto de Ciro:
“O anúncio repetido da partida, tornava mais manifesta, a
grandeza daquele que seria levado pelo Senhor”.
Misticamente,
isto representa, os estágios intermediários da vida espiritual.
A
alma começa a compreender, que Deus a chama para algo superior,
mas ainda não contempla diretamente o Mistério.
Há
conhecimento, mas ainda não visão.
Por
isso, permanecem as perguntas.
3.
O Jordão:
O
Silêncio Diante do Mistério Consumado.
Chegando
ao Jordão, ocorre uma mudança.
Os
Filhos dos Profetas, já não interrogam Eliseu.
Passam
apenas a observar: “Cinquenta homens dos Filhos
dos Profetas, foram e pararam à distância” (2
Rs 2, 7).
Os
Padres veem aqui, um detalhe profundamente significativo.
A
pergunta desaparece.
Permanece
apenas a contemplação.
São Gregório Magno
ensina que, quando a alma se aproxima dos Grandes
Mistérios de Deus, as palavras diminuem.
O
conhecimento discursivo cede lugar, ao assombro contemplativo.
O
Jordão é figura da morte, da passagem, da consumação.
Foi
o rio atravessado por Josué, para entrar na Terra Prometida.
Foi
o rio, do Batismo de Cristo.
Foi
o limite, entre o deserto e a herança.
Segundo Orígenes: “O
Jordão, é a passagem dos Mistérios inferiores
para os superiores”.
Por
isso, não há mais perguntas.
O
Mistério, já está diante dos olhos.
Os
discípulos, apenas observam.
4.
A Progressão Espiritual Segundo os Místicos.
Diversos
Autores Espirituais viram, uma ascensão pedagógica nessas três
etapas.
Em
Betel: A alma pergunta.
Em
Jericó: A alma compreende parcialmente.
No
Jordão: A alma contempla.
São João da Cruz
descreve algo semelhante, quando ensina que, a alma avançada
deixa os raciocínios e entra numa ciência amorosa e silenciosa de
Deus.
O
Jordão representa precisamente, esse limiar.
A
razão cala-se.
A
contemplação começa.
5.
Elias como Figura de Cristo.
Muitos
Padres veem o arrebatamento de Elias, como uma prefiguração da
Ascensão de Cristo.
Nesse
contexto, as duas perguntas anteriores possuem ainda outro
significado.
Antes
da Ascensão do Senhor:
Depois da Ascensão:
a Igreja contempla;
adora;
anuncia.
Assim
também ocorre aqui.
Em
Betel e Jericó há perguntas.
No
Jordão há contemplação.
Logo
depois, vem o carro de fogo.
A
revelação, cede lugar à manifestação.
6.
Síntese Patrística e Mística.
Os
grandes Comentaristas Católicos, veem nas três etapas um Caminho
Espiritual:
Lugar
|
Sentido Místico.
|
Betel.
|
Primeiras luzes da
revelação; a alma pergunta.
|
Jericó.
|
Conhecimento mais profundo;
a alma compreende parcialmente.
|
Jordão.
|
Consumação do Mistério;
a alma contempla em silêncio.
|
Por
isso, os Filhos dos Profetas perguntam duas vezes e silenciam na
terceira.
Segundo
a leitura espiritual dos Padres, não se trata de mera repetição
narrativa.
É
a Pedagogia Divina.
Primeiro,
vem o anúncio.
Depois,
a confirmação.
Finalmente,
o Mistério manifesta-se.
Quando
a alma chega ao Jordão, já não necessita de perguntas.
Está
diante da Obra de Deus.
E
diante das maiores Obras de Deus, o silêncio contemplativo
torna-se mais eloquente, do que qualquer palavra.
✠
A beira do Jordão, por que
Elias tomou a sua Capa e a dobrou e feriu as águas; e por que ambos
(Elias e Eliseu) passaram a pé enxuto, e não os outros 50 Filhos
dos Profetas?
A
cena do Jordão (2 Rs 2, 8) é uma das mais profundas de toda a vida
de Santo Elias. Os Padres da Igreja, os Comentaristas Medievais e os
Autores Espirituais enxergaram nela, um verdadeiro Compêndio
dos Mistérios da Graça, da Sucessão
Profética e da Passagem para a Vida
Eterna.
O
Texto Sagrado diz: "Então Elias tomou o seu manto, dobrou-o,
feriu as águas, e elas se dividiram para um e outro lado; e ambos
passaram a pé enxuto" (2 Rs 2, 8).
Cada
detalhe, possui um significado espiritual.
I.
Por que Elias tomou sua Capa?
A
capa (ou manto) de Elias, não era apenas uma veste.
Desde
os Primeiros Padres, ela foi vista como símbolo da autoridade
profética recebida de Deus.
Quando
Elias chamou Eliseu, lançou-lhe o manto (1 Rs 19, 19).
Agora,
antes de partir para o Céu, o mesmo manto realiza um milagre.
São Jerônimo observa
que, Deus quis manifestar exteriormente, que a virtude
operante não estava no tecido, mas na Graça
Divina, associada ao Ministério de
Elias.
A
capa simboliza:
Segundo Cornélio a Lapide:
“O manto era o sinal visível, do espírito profético
invisível”.
Misticamente,
a capa representa também a humanidade dos Santos, através da
qual Deus realiza suas Obras.
II.
Por que Elias dobrou a Capa?
Os
Padres, raramente, consideram insignificante, um detalhe
mencionado pela Escritura.
Rábano Mauro interpreta
a dobra do manto, como sinal de concentração da força
espiritual.
A
Graça não se dispersa.
Ela
se recolhe para agir.
Alguns
Autores Monásticos viram nessa dobra, um símbolo da unidade
interior da alma contemplativa.
Antes
do Milagre, Elias recolhe o manto.
Antes
da Ação Divina, há recolhimento.
Antes
da Glória, há interiorização.
São Gregório Magno
frequentemente ensina que, Deus age poderosamente nas almas que,
aprenderam a reunir todas as suas potências n'Ele.
Nesse
sentido, a Capa dobrada representa:
III.
Por Que Elias Feriu as Águas?
A
ação recorda imediatamente, Moisés no Mar Vermelho e Josué no
Jordão.
Os
Padres veem aqui, uma sucessão dos Grandes
Libertadores de Israel.
Santo Efrém observa
que, Elias aparece como herdeiro espiritual de Moisés.
Como
Moisés dividiu o mar, Elias divide o Jordão.
Mas
existe um sentido mais profundo.
Na
Escritura, as águas frequentemente simbolizam:
Ao
ferir as águas, Elias manifesta o domínio que Deus concede aos
seus servos, sobre tudo aquilo que ameaça o homem.
São João Crisóstomo
comenta frequentemente que, os elementos da natureza obedecem aos
amigos de Deus, porque eles próprios obedecem perfeitamente ao
Criador.
IV.
Por Que o Jordão se Abriu?
O
Jordão possui enorme importância simbólica.
Segundo Orígenes: “O
Jordão é a imagem da passagem, dos bens terrenos para os bens
celestes”.
Para
Santo Ambrósio,
ele
prefigura o Batismo.
Para São Gregório de
Nissa, representa a passagem da vida presente, para a vida
futura.
O
rio abre-se, porque Elias está prestes a atravessar o último
limiar, antes da sua glorificação.
Misticamente:
o Jordão, é a morte;
a abertura das águas, é a
vitória sobre a morte;
a passagem, é a entrada na
vida divina.
V.
Por Que Elias e Eliseu Passaram a Pé Enxuto?
Aqui,
encontramos um dos aspectos mais belos, da Interpretação
Patrística.
Os
dois atravessam juntos.
O
Mestre e o Discípulo.
O
Pai espiritual e o Filho espiritual.
A
Antiga Missão e a Nova Missão.
Santo Beda, o
Venerável, observa que Eliseu atravessa, porque foi escolhido
para receber a herança de Elias.
Ele
não é mero espectador.
Ele
participa do Mistério.
Os
Padres enxergam aqui, uma figura da Sucessão
Apostólica e da Transmissão da Graça.
Elias
não deixa apenas ensinamentos.
Ele
transmite uma Missão.
Por
isso, Eliseu participa da travessia.
VI.
Por Que os Cinquenta Filhos dos Profetas
não
Atravessaram?
Esta
questão recebeu comentários particularmente ricos.
O
texto diz: “Cinquenta homens dos Filhos dos
Profetas, ficaram à distância, observando” (2
Rs 2, 7).
Eles
veem.
Mas
não atravessam.
Conhecem.
Mas
não acompanham.
Segundo
Orígenes, existe aqui uma distinção entre:
Os
cinquenta discípulos representam os que, permanecem nos graus
iniciais da vida espiritual.
Eliseu
representa, a alma chamada à intimidade singular com Deus.
São Gregório Magno
escreve frequentemente que, muitos seguem os Santos pela admiração,
mas poucos os seguem pela imitação.
Os
cinquenta observam.
Eliseu
acompanha.
Os
cinquenta permanecem na margem.
Eliseu
atravessa.
VII.
O Significado Místico dos Cinquenta Observadores.
Vários
Autores Medievais, associaram o número cinquenta à plenitude da
Lei e da instrução religiosa.
Eles
possuem conhecimento.
Possuem
formação.
Possuem
piedade.
Mas,
ainda lhes falta algo.
Não
receberam a Missão de Elias.
Não
foram escolhidos para a herança profética.
Não
foram chamados para aquela travessia.
Misticamente,
representam os fiéis que, contemplam os Mistérios
de Deus de longe.
Eliseu
representa os que, são introduzidos no próprio coração do
Mistério.
VIII.
A Interpretação Carmelita.
A
Tradição Carmelita contempla esta cena, com particular
veneração.
Elias
atravessa o Jordão, antes de ser elevado ao Céu.
Eliseu
o acompanha, até o último momento.
Isto
simboliza a alma contemplativa que, persevera até o fim na
companhia dos Santos.
Os
cinquenta permanecem observando.
Eliseu
caminha com Elias.
Os
cinquenta veem o Milagre.
Eliseu
recebe o espírito.
Os
cinquenta testemunham a Glória.
Eliseu
torna-se herdeiro da Missão.
Por
isso, muitos Autores Carmelitas enxergam nesta passagem, um
convite à vida interior profunda: não basta admirar os Santos
de longe; é preciso segui-los pelo caminho da oração, da
fidelidade e da união com Deus.
Assim,
segundo a leitura espiritual dos Padres e dos Místicos, a capa
dobrada significa o recolhimento da alma; o golpe nas águas,
o poder da Graça; o Jordão aberto, a
vitória sobre a morte; a travessia a pé enxuto, a passagem
para os Mistérios divinos; e a diferença entre os
cinquenta Filhos dos Profetas e Eliseu mostra que, muitos
contemplam a santidade, mas poucos aceitam percorrer até o fim, o
caminho que conduz à plena herança espiritual.
✠
Ao passarem o rio Jordão,
Elias concede um único pedido a Eliseu sob condição de dar ou não
dar, dizendo ser dificultosa coisa o que Eliseu pediu; e, por que
disse que ele é que alcançaria este favor? Enriqueça as respostas
com os Comentários dos Santos Padres, Doutores, Teólogos, Exegetas
e Místicos da Igreja Católica, com citações diretas e comentadas.
A
passagem de 2
Reis 2, 9-10
constitui o ponto culminante da relação entre Elias e Eliseu:
“Pede
o que queres que eu te faça,
antes
que eu seja arrebatado de ti”.
Eliseu
respondeu:
"Que
haja em mim, eu te peço,
uma
dupla porção do teu espírito".
Elias
disse:
“Pediste uma coisa
difícil; contudo, se me vires quando eu for arrebatado de ti, assim
te acontecerá; se não me vires, não acontecerá”.
Os
Padres e Doutores da Igreja viram neste diálogo, um dos maiores
ensinamentos bíblicos sobre a Herança Espiritual, a Transmissão da
Graça e a Perseverança Contemplativa.
I.
Por que Elias concede a Eliseu um único pedido?
Santo Ambrósio observa
que, Elias está prestes a concluir sua missão terrena e, como os
grandes servos de Deus antes de partir, deixa uma bênção ao seu
sucessor.
Há
aqui um paralelo com:
Jacó abençoando seus
filhos;
Moisés abençoando Israel;
Cristo instruindo os
Apóstolos antes da Ascensão.
Segundo Santo Ambrósio:
“Os Santos, ao deixarem esta vida, não se preocupam com bens
terrenos, mas com a transmissão dos dons espirituais”.
Comentário.
Elias
não pergunta sobre riquezas, honras ou segurança.
Seu
último ato, é favorecer o crescimento espiritual de seu
discípulo.
Os
Místicos Carmelitas viram nisso um retrato da verdadeira
Paternidade Espiritual: o Pai
Espiritual deseja que, o filho avance ainda mais no caminho de
Deus.
II.
Por que Eliseu pede
uma
dupla porção do espírito de Elias?
À
primeira vista, poderia parecer um pedido de superioridade.
Os
Padres rejeitam essa interpretação.
A
expressão provém da legislação mosaica.
Em
Deuteronômio 21, 17, o filho primogênito recebia uma dupla parte da
herança paterna.
São Jerônimo explica:
“Eliseu não pediu para ser maior que Elias, mas para
ser reconhecido como verdadeiro herdeiro de seu Pai
Espiritual”.
Comentário.
Eliseu
acabara de chamar Elias: “Meu
pai! Meu pai!”
(2 Rs 2, 12).
Seu
pedido não é ambicioso.
É
filial.
Ele
pede a herança do primogênito.
Pede
para ser o legítimo continuador da Missão
Profética.
III.
O que Significa a “Dupla Porção”?
Os
Comentaristas Católicos, oferecem diversas dimensões
complementares.
São Beda, o Venerável:
“A dupla porção não significa dois espíritos, mas uma
abundância maior da mesma Graça”.
Comentário.
O
Espírito Santo é um só.
Mas
seus Dons, podem manifestar-se com maior intensidade.
Cornélio a Lapide,
escreve: “Eliseu pede a plenitude necessária, para sustentar o
peso do Ministério que receberia”.
Comentário.
Elias
enfrentara Acab, Jezabel, os falsos profetas e a apostasia nacional.
Agora,
Eliseu deveria continuar essa obra.
Ele
pede forças proporcionais à Missão.
São Gregório Magno,
afirma: “Quanto maior a missão, maior deve ser a Graça
para sustentá-la”.
Comentário.
A
verdadeira humildade não consiste em pedir pouco, mas em pedir
aquilo que Deus exige para cumprir a vocação recebida.
IV.
Por que Elias responde:
“Pediste
uma coisa difícil”?
Esta
frase impressionou profundamente os Santos Padres.
Elias
não diz: “Pediste algo impossível”.
Ele
diz: “Pediste
uma coisa difícil”.
Santo Jerônimo:
“Difícil, não porque Deus seja incapaz de concedê-la, mas
porque poucos são capazes de recebê-la”.
Comentário.
O
problema não está na generosidade de Deus.
Está
na capacidade da alma, de acolher tamanha Graça.
São
João Crisóstomo, embora comentando passagens semelhantes,
ensina um princípio aplicável aqui:
“Os
grandes Dons,
exigem
grandes disposições”.
Comentário.
Receber
a herança de Elias significava:
Era
uma Graça gloriosa, mas também exigente.
Cornélio a Lapide,
comenta: “Era difícil, porque Eliseu pedia não um benefício
comum, mas a excelência do espírito profético”.
Comentário.
Ele
não pedia um milagre isolado.
Pedia
uma vida inteira transformada pela Graça.
V.
Por que Elias diz que,
ele
próprio não pode conceder esse favor?
Aqui
encontramos um dos pontos mais importantes da passagem.
Elias
responde indiretamente, que a concessão não depende dele.
Santo Agostinho ensina:
“Os Santos podem pedir, mas Deus é quem concede”.
Comentário.
Elias
reconhece os limites do próprio Ministério.
Ele
é Profeta.
Não
é a Fonte da Graça.
São Gregório Magno:
“Os servos distribuem os Ministérios; Deus distribui os Dons”.
Comentário.
Somente
Deus pode comunicar a plenitude do Espírito.
Elias
pode interceder.
Não
pode agir, como Autor da Graça.
VI.
Por que a condição é:
“Se
me vires quando eu for arrebatado”?
Esta
condição fascinou os Intérpretes Cristãos.
Santo Ambrósio: “A
visão seria o sinal de que, Deus acolhera o discípulo na
sucessão do mestre”.
Comentário.
Não
é uma prova arbitrária.
É
um Sinal Divino.
São Beda, o
Venerável: “Aquele que perseverasse até o fim, contemplando
seu mestre, receberia sua herança”.
Comentário.
Aqui
aparece, uma das grandes lições espirituais do texto.
Eliseu,
precisava permanecer fiel até o último instante.
Não
bastava ter seguido Elias durante anos.
Precisava
acompanhá-lo até o fim.
São Gregório Magno,
escreve: “Os dons mais altos, são concedidos aos que não
abandonam a contemplação”.
Comentário.
Ver
Elias subir representa a perseverança da alma, que mantém os
olhos fixos em Deus.
VII.
O Significado Místico da Visão de Elias.
Os
Místicos encontraram aqui, uma riqueza extraordinária.
São
João da Cruz, embora não comentando diretamente esta passagem,
ensina um princípio muito próximo:
“A
alma transforma-se naquilo,
que
contempla com amor”.
Aplicação.
Eliseu
recebe o espírito de Elias, porque permanece olhando para Elias.
A
contemplação prepara, a recepção da Graça.
Tradição
Carmelita.
Os
Autores Carmelitas veem Elias, como figura da vida contemplativa.
Ver
Elias subir significa:
Permanecer unido ao ideal
contemplativo;
não desviar os olhos da
vocação;
perseverar na busca de
Deus.
Somente
quem permanece contemplando, recebe a herança espiritual.
VIII.
Interpretação Cristológica dos Padres.
Diversos
Padres enxergam Elias, como figura de Cristo e Eliseu como figura
dos Apóstolos.
Assim
como:
também:
Santo Efrém da Síria
escreve: “O que Elias figurou em sombra, Cristo realizou em
Plenitude”.
Comentário.
Após
a Ascensão de Cristo, a Igreja recebeu o Espírito em
Pentecostes.
Da
mesma forma, após a subida de Elias, Eliseu recebe sua herança
espiritual.
Conclusão
Patrística e Mística.
Segundo
os Santos Padres, Doutores e grandes Comentaristas Católicos, Eliseu
não pediu poder, glória ou prestígio. Pediu a herança do filho
primogênito, isto é, a Plenitude da Graça
necessária, para continuar a Missão de seu Pai
Espiritual.
Elias
chama esse pedido de "difícil", porque os maiores Dons
exigem uma alma preparada para recebê-los. Contudo, a concessão
não depende de Elias, mas de Deus, Único Autor
da Graça. Por isso, o Profeta estabelece um Sinal:
se Eliseu perseverar até contemplar seu arrebatamento, terá a
certeza de que o Senhor lhe concedeu aquilo que pediu.
Para
os Padres, a lição permanece atual: os maiores Dons de Deus não
são recebidos pelos curiosos nem pelos inconstantes, mas pelos
que permanecem fiéis até o fim, com os olhos fixos no Senhor e no
caminho que Ele lhes confiou. Assim como Eliseu recebeu a herança
de Elias contemplando sua ascensão, a Igreja recebe a Plenitude
do Espírito, contemplando Cristo glorificado à direita do Pai.
✠
Elias e Eliseu continuaram
caminhando e entretendo-se em conversa. Qual conversa, seria uma
última instrução? O que os Santos Padres e os Místicos Católicos
comentaram?
A
Escritura diz apenas:
“Enquanto
caminhavam e conversavam...”
(2
Rs 2, 11).
O
Texto Sagrado não revela, o conteúdo da conversa. Contudo,
precisamente por causa desse silêncio, muitos Padres,
Doutores, Exegetas e Autores Espirituais, procuraram penetrar no
significado desse último diálogo, entre Elias e Eliseu.
A
Igreja nunca definiu qual foi o assunto da conversa. Portanto, tudo
o que se diz pertence ao campo da interpretação espiritual.
Ainda assim, os Comentários dos Santos
oferecem reflexões muito profundas.
I.
O Silêncio da Escritura é intencional.
São
Gregório Magno frequentemente ensina que, em certas passagens, a
Escritura cala para levar o leitor à contemplação.
Ele escreve nos Moralia:
“Muitas vezes a Escritura omite certas coisas para que, os
corações dos fiéis se exercitem na busca dos Mistérios”.
Comentário.
A
última conversa entre Elias e Eliseu, pertence a esses Mistérios
silenciosos.
O
Espírito Santo não quis registrar as palavras, mas quis
registrar que houve uma conversa.
O
fato é importante.
O
conteúdo permanece velado.
II.
Uma última instrução espiritual?
A
maioria dos Comentaristas antigos considera muito provável que,
Elias estivesse transmitindo suas últimas recomendações ao
discípulo.
Cornélio a Lapide
comenta: "É verossímil que, Elias estivesse instruindo
Eliseu acerca do governo profético, que deveria assumir depois
de sua partida".
Comentário.
Toda
a narrativa aponta nessa direção.
Elias
sabe que partirá naquele mesmo dia.
Eliseu
sabe que ficará.
Seria
natural, que o mestre preparasse o discípulo, para a Missão
futura.
Assim
como:
também
Elias provavelmente, transmitiu suas últimas exortações.
III.
Os Místicos veem uma transmissão
de
sabedoria contemplativa.
Os
Autores Carmelitas antigos,
contemplaram essa caminhada com especial atenção.
Para
eles, Elias representa o grande mestre da contemplação.
Nesse
contexto, a conversa simboliza a transmissão dos segredos da vida
interior.
O Carmelita João de São
Sansão escreve: “Os maiores tesouros da vida espiritual, são
frequentemente comunicados de coração a coração”.
Comentário.
Antes
do carro de fogo, vem o diálogo.
Antes
da glorificação, vem a instrução.
Antes
da separação, vem a herança espiritual.
Os
Místicos veem aqui, a imagem da direção espiritual perfeita.
IV.
O Caminho e a Conversa.
São
Beda, o Venerável, observa um detalhe importante.
A
Escritura não diz: “Pararam e conversaram”.
Mas:
“Caminhavam e
conversavam”.
Comentário.
O
ensinamento é profundo.
O
discípulo aprende enquanto caminha.
A
vida espiritual não é apenas teoria.
É
caminho.
É
seguimento.
É
convivência.
É
imitação.
Elias
não forma Eliseu apenas por palavras.
Forma-o
por toda uma vida compartilhada.
Esta
última conversa, é o coroamento de anos de discipulado.
V.
Um Possível Paralelo com Cristo
após
a Ressurreição.
Alguns
Autores Cristãos veem aqui, uma prefiguração do caminho de
Emaús.
Cristo
caminha com os discípulos e lhes fala dos Mistérios
do Reino.
Depois
sobe aos Céus.
Elias
caminha com Eliseu e conversa com ele.
Depois
é elevado ao Céu.
Santo
Efrém da Síria, ao falar das figuras do Antigo Testamento,
ensina:
“Os
acontecimentos antigos
continham
sombras das realidades futuras”.
Comentário.
Muitos
Intérpretes veem nesta última caminhada, uma figura da
preparação dos Apóstolos antes da Ascensão do Senhor.
VI.
O que poderia ter sido dito?
Vários
Autores Espirituais propõem, com prudência, alguns temas que
provavelmente fizeram parte do diálogo.
1.
Perseverança na Missão.
Elias
havia enfrentado:
Acab;
Jezabel;
a idolatria;
a perseguição.
Agora,
Eliseu deveria continuar essa luta.
2.
Fidelidade a Deus.
Toda
a vida de Elias resumiu-se numa frase:
“Vive
o Senhor, em cuja presença estou”
(1
Rs 17, 1).
Os
Místicos acreditam que, esta foi a principal herança deixada a
Eliseu.
3.
A Vida de Oração.
Segundo
a Tradição Carmelita, Elias é o Modelo da alma
contemplativa.
Seria
natural que, suas últimas palavras, tratassem da união com Deus.
4.
O Futuro de Israel.
Teodoreto
de Ciro considera plausível que, Elias tenha instruído Eliseu
acerca dos acontecimentos, que deveriam ocorrer após sua partida.
VII.
Por que a conversa termina,
com
o aparecimento do Carro de Fogo?
Existe
aqui, uma lição espiritual muito bela.
A Escritura diz: “Enquanto
caminhavam e conversavam, eis que apareceu um carro de fogo...”
(2 Rs 2, 11).
O
carro não aparece durante o silêncio.
Aparece
durante a comunhão, entre mestre e discípulo.
São Gregório Magno
ensina: “A Graça divina encontra frequentemente as almas, ocupadas
em Santos exercícios”.
Comentário.
Elias
não está esperando passivamente.
Está
ensinando.
Eliseu
não está distraído.
Está
ouvindo.
Ambos
estão unidos numa obra santa.
E
então, vem a manifestação de Deus.
VIII.
A Interpretação mais profunda dos Místicos.
Os
Autores Contemplativos veem nesta conversa, algo ainda mais
elevado.
Ela
representa o momento em que, a alma avançada recebe as últimas
iluminações, antes da união mais perfeita com Deus.
São João da Cruz
ensina: “Antes da transformação gloriosa, Deus costuma
aperfeiçoar na alma, suas últimas purificações e instruções”.
Aplicado
a Elias:
o caminho representa, a
peregrinação terrestre;
a conversa representa, a
comunicação dos Mistérios divinos;
o Carro de Fogo representa, a
entrada na Glória.
Conclusão.
Os
Santos Padres reconhecem que, não sabemos com certeza o conteúdo da
conversa entre Elias e Eliseu. A Escritura deliberadamente guarda
silêncio. Contudo, a Tradição Católica vê nela, a última
transmissão da herança espiritual do mestre ao discípulo:
ensinamentos sobre a fidelidade, a oração, a missão profética e a
perseverança.
Mais
importante do que as palavras exatas, é o fato de que Elias foi
arrebatado enquanto ainda instruía seu discípulo. Assim, o
último ato do grande Profeta não foi um milagre, nem uma repreensão
aos reis, nem um julgamento contra os ímpios, mas a formação de
um sucessor. Para os Padres e os Místicos, isso revela que a
obra mais duradoura dos Santos, não é aquilo que realizam por si
mesmos, mas a Graça que transmitem às almas que Deus
lhes confia.
✠
Elias é arrebatado ao Céu,
separando-se de Eliseu. Por que a Escritura separa "Carro de
Fogo" de "Cavalos de Fogo"? Não poderia ser
simplesmente "Carro de Fogo"? E completa com o fato de ter
subido ao Céu, no meio de um redemoinho. Por que? Responda-me com os
Comentários e citações diretos dos Santos Padres, Doutores,
Teólogos, Exegetas e Autores Místicos da Igreja Católica.
A
passagem do arrebatamento de Elias é uma das mais misteriosas e
grandiosas de toda a Sagrada Escritura:
"Enquanto
caminhavam e conversavam, eis que um carro de fogo e cavalos de fogo
os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu num redemoinho"
(2 Rs 2, 11).
Os
Padres da Igreja ficaram profundamente impressionados, pelo fato de o
texto não dizer simplesmente que, apareceu um Carro
de Fogo,
mas que apareceram “um
carro de fogo e cavalos de fogo”,
e ainda que Elias subiu “num
redemoinho”.
Nada disso foi considerado supérfluo.
I.
Por que a Escritura distingue o Carro dos Cavalos?
São
João Crisóstomo ensina um princípio fundamental:
“Na Escritura, quando o
Espírito Santo multiplica as expressões, não o faz inutilmente,
mas para manifestar a Plenitude do Mistério”.
Os
Padres observaram que, o texto poderia ter dito apenas “um carro de
fogo”. Entretanto, faz questão de mencionar também os cavalos.
Para
os Antigos Comentadores, isso indica que não se trata de um simples
veículo, mas de uma visão simbólica da ação das potências
celestes.
Santo
Efrém da Síria, comentando as teofanias do Antigo Testamento,
escreve:
“Deus adapta as visões à
capacidade dos homens, mostrando sob formas visíveis as
realidades invisíveis”.
Comentário.
O
carro e os cavalos não são necessariamente, realidades materiais
semelhantes às da terra.
São
imagens visíveis de uma realidade celestial.
O
Profeta vê aquilo, que sua inteligência humana pode compreender.
II.
O Carro como Símbolo da Providência Divina.
Diversos
Padres associaram o carro, ao Governo Divino.
São Gregório Magno
escreve: “O carro significa, a condução de Deus, que
transporta os eleitos das coisas inferiores para as superiores”.
Comentário.
O
carro representa, a ação divina que eleva a alma.
Elias
não sobe por sua própria força.
É
conduzido.
É
levado.
É
transportado pela vontade de Deus.
A
salvação é Dom, antes de ser conquista.
Rábano Mauro, afirma:
“O carro simboliza o Ministério dos Anjos, que servem aos
desígnios divinos”.
Comentário.
O
carro manifesta a intervenção do mundo angélico, na
glorificação do Profeta.
III.
Os Cavalos de Fogo.
Aqui
os Padres veem algo complementar.
Se
o carro representa o veículo da Providência, os cavalos
representam a força que impulsiona esse movimento.
Cornélio a Lapide,
comenta: “Os cavalos significam a rapidez, a força e a eficácia
com que Deus executa seus decretos”.
Comentário.
Nada
pode retardar a Vontade divina.
Quando
chega a hora determinada por Deus, Elias é levado com poder
irresistível.
São
Jerônimo, ao comentar imagens semelhantes dos Profetas, escreve:
“Os cavalos figuram as
Virtudes celestes e as Potências angélicas, que executam os
Mandamentos do Altíssimo”.
Comentário.
O
carro manifesta, o Governo de Deus.
Os
cavalos manifestam, a energia desse Governo.
IV.
Por que tudo é de Fogo?
Este
detalhe, fascinou especialmente os Místicos.
Não
apenas os cavalos.
Não
apenas o carro.
Tudo
é fogo.
São Gregório de Nissa,
escreve: “O Fogo Divino, ilumina os justos e consome aquilo que
é terreno”.
Comentário.
O
fogo simboliza:
a Santidade de Deus;
a Glória Divina;
a Caridade Perfeita;
a Purificação Final.
Pseudo-Dionísio
Areopagita, ao falar da simbologia celeste, afirma:
“O
fogo, é a imagem mais adequada das operações divinas, porque
ilumina, purifica e eleva”.
Comentário.
O
fogo não destrói Elias.
Ele
o glorifica.
O
mesmo fogo que, para os ímpios pode ser juízo, para os Santos
é iluminação.
V.
Interpretação Angélica dos Padres.
Muitos
Padres relacionaram o carro e os cavalos com os Anjos.
A
inspiração vem de Ezequiel e dos Salmos.
Santo Atanásio, ensina:
“Os Anjos são frequentemente representados sob imagens de fogo,
por causa de sua pureza e prontidão em servir a Deus”.
Comentário.
O
carro e os cavalos manifestariam a presença das hostes celestes,
que acompanham o Profeta.
São João Damasceno
afirma: “Os Anjos são chamados fogo não por natureza, mas pela
participação na Luz Divina”.
Comentário.
A
visão de Elias seria, uma manifestação visível dessa realidade
invisível.
VI.
Por que o Carro e os Cavalos
separaram
Elias de Eliseu?
O
texto diz: “Separaram
um do outro”.
Os
Padres viram aqui, um detalhe de enorme significado.
Santo Ambrósio escreve:
“Quando Deus chama um de seus servos à glória, nenhuma afeição
terrena pode acompanhá-lo”.
Comentário.
Nem
mesmo Eliseu podia ultrapassar aquele limite.
Chega
um momento em que, cada alma comparece sozinha diante de Deus.
São Gregório Magno
afirma: “A separação mostra que, o caminho da glória pertence
unicamente àquele que Deus chama”.
Comentário.
Eliseu
podia acompanhar Elias até o Jordão.
Podia
atravessar o Jordão.
Podia
contemplar sua ascensão.
Mas
não podia participar dela.
VII.
Por que Elias sobe num Redemoinho?
Este
detalhe é talvez o mais profundo de todos.
A
Escritura não diz apenas que Elias subiu.
Diz:
"Subiu ao
Céu
num redemoinho".
Santo
Agostinho comentando as manifestações divinas ligadas ao vento,
escreve:
“O
vento impetuoso manifesta,
a
força invisível da ação de Deus”.
Comentário.
O
redemoinho simboliza, a potência irresistível do Espírito
divino.
São Gregório Magno
afirma: “O vento eleva aquilo que é leve e deixa o peso na
terra”.
Comentário.
A
alma totalmente desprendida das coisas terrenas, torna-se apta
para as realidades celestes.
Elias
foi o grande homem do desapego.
Por
isso, sobe levado pelo vento.
VIII.
O Simbolismo do Redemoinho nos Místicos.
Os
Autores contemplativos viram aqui, uma imagem da união
transformante.
São
João da Cruz, embora não comentando diretamente Elias, escreve:
“A
alma inflamada pelo amor divino,
é
elevada acima de si mesma”.
Aplicação.
O
redemoinho simboliza o ímpeto do amor de Deus, que arrasta a
alma para as alturas.
Santa
Teresa de Jesus, descrevendo certos êxtases, afirma:
“Parece
que uma força superior,
arrebata
a alma para Deus”.
Comentário.
Os
Místicos frequentemente relacionaram essa experiência espiritual,
ao arrebatamento de Elias.
IX.
A Interpretação Cristológica.
Muitos
Padres viram em Elias, uma figura da Ascensão de Cristo.
São Efrém escreve:
“Elias foi elevado como servo; Cristo ascendeu como Senhor”.
Comentário.
Elias
é levado.
Cristo
sobe, por seu próprio poder divino.
Mas,
o arrebatamento do Profeta anuncia profeticamente, a glorificação
futura do Salvador.
Conclusão
Patrística e Mística.
Segundo
os Santos Padres, Doutores e grandes Autores
Espirituais,
a Escritura distingue o carro
de fogo dos
cavalos de fogo
porque deseja mostrar aspectos diversos da ação divina: o carro
simboliza a condução providencial de Deus e o Ministério
Celeste;
os cavalos representam a força, a rapidez e a eficácia das
Potências
Angélicas
e dos Decretos
Divinos.
Ambos são de fogo, porque
o fogo é o símbolo por excelência da Santidade,
da Caridade
e da Glória
de Deus.
A
separação entre Elias e Eliseu ensina que, ninguém
pode ultrapassar o limiar da eternidade senão aquele que Deus chama.
E o redemoinho manifesta a força irresistível do Espírito Santo,
que eleva o justo
completamente purificado.
Assim, carro, cavalos, fogo e vento convergem para uma única
realidade: a
glorificação do homem que viveu
continuamente “na
presença do Senhor”
e que, ao término de sua Missão,
foi conduzido das
realidades terrestres para as celestes pela própria potência de
Deus.
✠
Por que Eliseu gritou “Meu
Pai, Meu Pai!, Carro de Israel e seu condutor!” O que significam
estas expressões? E, por que Eliseu rasgou as suas vestes em duas,
se o momento é de glória? E na beira do rio Jordão, tomou da Capa
que Elias tinha deixado cair, feriu as águas e atravessou para a
outra margem a pé enxuto, com grande assombro e admiração dos 50
filhos dos Profetas. Enriqueça as respostas com os Comentários e
citações diretas, tiradas dos Santos Padres, Doutores, Teólogos,
Exegetas e Autores Místicos da Igreja Católica.
A
cena de 2 Reis
2, 12-14 é uma
das mais emocionantes de toda a Escritura. Elias desaparece aos olhos
de Eliseu, e o discípulo, tomado de dor, admiração e reverência,
exclama:
“Meu
pai! Meu pai!
Carro
de Israel e seu cavaleiro!”
(2
Rs 2, 12).
Em
seguida: “Tomou
as suas vestes e rasgou-as em duas partes”.
Depois:
"Levantou o
manto de Elias, que lhe havia caído, voltou e parou à margem do
Jordão. Tomou o manto de Elias, feriu as águas e disse: 'Onde está
o Senhor, o Deus de Elias?' Então as águas dividiram-se para um e
outro lado, e Eliseu atravessou"
(2 Rs 2, 13-14).
Os
Padres da Igreja, os Doutores, os Exegetas Medievais e os Autores
Místicos viram nesta passagem, uma verdadeira síntese da
sucessão espiritual, da herança profética e da Ação
da Graça.
I.
“Meu Pai! Meu Pai!”
Santo
Jerônimo comentando esta passagem, escreve:
“Eliseu chama Elias
de pai não por geração da carne, mas porque dele recebera a
formação do espírito”.
Comentário.
Na
Tradição Bíblica, o verdadeiro pai
não é apenas quem gera biologicamente.
Pai
é também, quem forma para Deus.
Elias
havia chamado Eliseu, instruído Eliseu, provado Eliseu e preparado
Eliseu para a Missão.
Por
isso, ao vê-lo partir, o discípulo não exclama: “Meu
mestre!”
Mas:
“Meu pai!”
Santo Ambrósio
escreve:
“A geração
espiritual é mais excelente que a corporal, porque conduz à vida
eterna”.
Comentário.
A
dor de Eliseu não é apenas humana.
É
a dor de um filho espiritual que vê partir, aquele que o conduziu
à intimidade com Deus.
II.
Por que repete duas vezes:
“Meu
Pai! Meu Pai!”?
Os
Padres viram nisso a intensidade da emoção.
São João Crisóstomo
afirma:
“A repetição
manifesta a abundância do afeto, que não encontra expressão
suficiente numa única palavra”.
Comentário.
É
o mesmo movimento, que aparece em outras passagens bíblicas:
“Absalão! Absalão!”
(2 Sm 18, 33; 19, 4).
“Marta! Marta!” (Lc
10, 41).
“Saulo! Saulo!” (At
9, 4).
A
repetição manifesta, profundidade de amor e intensidade
espiritual.
III.
“Carro de Israel e seu Cavaleiro”.
Esta
expressão, intrigou profundamente os antigos Comentaristas.
O
texto hebraico pode ser traduzido: “Carro
de Israel e seu cavaleiro”.
Ou:
“Carro e
condutor de Israel”.
São Jerônimo
explica:
“Eliseu
reconhece que, Elias valia para Israel mais do que exércitos
inteiros”.
Comentário.
Israel
costumava confiar em:
cavalos;
carros de guerra;
poder militar.
Mas
Elias havia protegido Israel, mais do que todos os exércitos.
Sua
oração, fechou os Céus.
Sua
oração, trouxe chuva.
Sua
palavra, derrotou os falsos profetas de Baal.
Sua
intercessão, sustentou o povo.
Por
isso, Elias era o verdadeiro “carro de Israel”.
Cornélio a Lapide
comenta:
“Um único
Profeta
Santo,
é mais útil a uma nação, do que milhares de soldados”.
Comentário.
Eliseu
compreende que, a força de Israel não estava nas armas.
Estava
na santidade.
São João Crisóstomo
afirma:
“A oração
dos justos protege mais, eficazmente, uma cidade do que suas
muralhas”.
Comentário.
Por
isso, Elias é chamado: “Carro de Israel”.
Ele
era a verdadeira defesa do povo.
IV.
Por que Eliseu rasga suas Vestes?
O
texto diz: “Tomou
suas vestes e rasgou-as em duas partes”.
À
primeira vista parece estranho.
O
momento é glorioso.
Elias
foi elevado ao Céu.
Por
que lamentar?
Santo Ambrósio
responde:
“A alegria
pela glória do Santo,
não elimina a tristeza da separação”.
Comentário.
As
duas coisas coexistem.
Eliseu,
alegra-se por Elias.
Mas,
sofre por si mesmo.
Perde
a presença visível, daquele que amava.
São Gregório Magno
escreve:
“Os Santos
não são insensíveis à separação, mas subordinam sua dor à
vontade de Deus”.
Comentário.
O
rasgar das vestes não é desespero.
É
expressão legítima de amor.
V.
Por que rasga as Vestes em duas partes?
Os
Comentadores Medievais viram um simbolismo profundo.
Rábano Mauro,
escreve:
“Eliseu
abandona o homem antigo para revestir-se da herança recebida”.
Comentário.
As
vestes antigas devem desaparecer.
Uma
nova Missão começa.
Uma
nova identidade nasce.
O
discípulo torna-se sucessor.
São Beda,
afirma:
“Ao rasgar
suas próprias vestes, prepara-se para receber o manto do Profeta”.
Comentário.
Há
aqui uma troca simbólica.
O
antigo Eliseu termina.
O
novo Eliseu começa.
VI.
O Manto que cai de Elias.
Os
Santos Padres, ficaram impressionados com este detalhe.
Elias
sobe.
Mas
o manto permanece.
Santo Ambrósio,
escreve:
“O mestre
parte; a graça do Ministério
permanece”.
Comentário.
A
Missão não desaparece.
A
obra continua.
O
instrumento muda.
Deus
permanece.
São Beda,
comenta:
“O manto caído
manifesta que, o Espírito não foi retirado da terra, mas
transmitido ao sucessor”.
Comentário.
É
uma figura da continuidade, da Obra Divina na história.
VII.
Por que Eliseu fere novamente as Águas?
Eliseu
repete exatamente o gesto de Elias.
São Gregório Magno,
escreve:
“Aquele que
recebe a herança dos Santos,
deve também seguir seus exemplos”.
Comentário.
Não
basta admirar Elias.
É
preciso agir como Elias.
Cornélio a Lapide,
afirma:
“Eliseu não
testa a Deus; exerce com confiança o Dom
recebido”.
Comentário.
A
pergunta: “Onde
está o Senhor, Deus de Elias?”
Não
exprime dúvida.
Exprime
Fé.
O
Deus de Elias continua vivo.
VIII.
“Onde está o Senhor, Deus de Elias?”
Esta
frase emocionou profundamente os Místicos.
Santo
Agostinho, ensina um princípio aplicável aqui:
"Deus,
não é o Deus dos mortos,
mas
dos Vivos".
Comentário.
Eliseu
não pergunta: “Onde está Elias?”
Pergunta:
"Onde está
o Deus de Elias?"
O
centro, não é o Profeta.
O
centro, é Deus.
São
Bernardo de Claraval,
escreve:
“Os
Santos passam; Deus permanece”.
Comentário.
Toda
a Espiritualidade Cristã, está resumida nisso.
IX.
Por que os Cinquenta Filhos dos Profetas,
ficam
Assombrados?
O
texto diz: “Vendo-o,
disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu”
(2 Rs 2, 15).
São Jerônimo,
comenta:
“Não
reconheceram Eliseu por suas palavras, mas pelas obras”.
Comentário.
O
Jordão, abre-se novamente.
O
mesmo milagre reaparece.
A
herança tornou-se visível.
São Gregório Magno,
afirma:
“A Graça
recebida interiormente, manifesta-se exteriormente pelas obras”.
Comentário.
Os
Cinquenta Profetas, não veem apenas um homem atravessar o rio.
Veem
a confirmação pública, da sucessão profética.
Interpretação
Mística Final.
Os
Autores Carmelitas contemplam toda esta cena, como uma figura da
vida espiritual.
Elias representa, os
grandes mestres da santidade.
Eliseu representa, o
discípulo fiel.
O rasgar das vestes,
simboliza a morte do homem antigo.
O manto representa, a
herança espiritual.
O Jordão representa, a
passagem das provações.
A travessia a pé enxuto
representa, a Ação da Graça.
Os Cinquenta Profetas
representam, aqueles que observam a santidade.
Eliseu representa, aqueles
que recebem e vivem a santidade.
Por isso, segundo São
Bernardo: “Não
basta louvar os Santos;
é preciso receber o espírito que os animava”.
E
esta é precisamente a grande lição da cena: Elias desaparece dos
olhos, mas sua Missão continua; o Pai parte,
mas a herança permanece; o Profeta sobe ao céu, mas o
Deus do Profeta continua operando na terra. O
verdadeiro milagre não foi apenas o Carro de Fogo, mas a
transmissão do espírito de fidelidade, oração e zelo por Deus,
que fez de Eliseu um novo Elias para Israel.
✠
Agora vem a pergunta final:
Assim como o Santo Profeta Elias transmitiu a sucessão profética à
Santo Eliseu, supõem-se que Santo Eliseu transmitiu a sua missão
profética a outro sucessor, e assim sucessivamente. Mas, a história
Carmelitana até nossos dias não registra esta contínua sucessão.
Como entender essa lacuna histórica? O que os Santos Padres,
Doutores, Teólogos, Exegetas e Autores Místicos comentaram sobre
este Mistério?
Esta
é uma questão profunda e que foi objeto de reflexão, sobretudo,
entre os Autores Carmelitas, os Exegetas Católicos e os
Historiadores da Espiritualidade. A resposta exige distinguir
cuidadosamente três coisas:
A sucessão do dom
profético de Elias.
A sucessão da escola
dos Filhos
dos Profetas.
A sucessão da
espiritualidade eliana, que a Ordem do Carmo reivindica.
Nem
sempre essas três realidades coincidem.
I.
A Escritura não fala
de
uma Sucessão ininterrupta de Profetas.
Após
Elias, a Escritura mostra claramente Eliseu como seu sucessor.
Depois
de Eliseu, porém, não encontramos uma linha sucessória
explicitamente definida.
Ao
contrário, vemos que Deus suscita Profetas de modos
diversos:
Samuel;
Natã;
Elias;
Eliseu;
Isaías;
Jeremias;
Ezequiel;
Daniel;
Oséias;
Amós.
Nenhum
deles recebe necessariamente sua Missão, de um
predecessor profético.
São Jerônimo observa:
“O Espírito sopra onde quer; não é transmitido por geração
carnal nem por direito hereditário”.
Comentário.
O
profetismo bíblico, não funciona como uma dinastia.
Deus
chama quem quer.
Quando
quer.
Como
quer.
II.
Elias transmite um espírito,
não
um Cargo Institucional.
São
Gregório Magno, ensina um princípio muito importante:
“Os Dons do Espírito Santo,
não são herdados por sangue, mas comunicados segundo o
Beneplácito Divino”.
Comentário.
A
sucessão de Eliseu, não é principalmente jurídica.
É
espiritual.
O
que Eliseu recebe é:
Isso
pode reaparecer em muitos homens ao longo da história, sem que
exista uma cadeia documental contínua.
III.
O Desaparecimento Histórico das Escolas Proféticas.
Os
Exegetas observam que, as chamadas “escolas dos profetas”,
parecem desaparecer gradualmente após o período monárquico.
Cornélio a Lapide,
comenta: “As congregações proféticas tiveram duração limitada,
conforme a necessidade daquele tempo”.
Comentário.
Elas
cumpriram sua missão histórica.
Não
foram destinadas a permanecer para sempre.
O
que permaneceu, foi o espírito profético.
IV.
Como os Carmelitas Entendem a Questão?
A
Tradição Carmelitana nunca ensinou
oficialmente, uma sucessão histórica documentada desde Elias
até os nossos dias.
O
que ela reivindica é algo diferente.
João Baconthorp (Doutor
Carmelita), escreve: “A Ordem do Carmo não reivindica uma sucessão
política ou carnal, mas a continuidade do espírito e da vida de
Elias”.
Comentário.
O
ponto central, não é provar uma linha documental ininterrupta.
O
ponto central, é conservar a mesma inspiração espiritual.
Felipe
Ribot (Livro da Instituição dos Primeiros Monges), afirma:
“A herança de Elias consiste
principalmente, na pureza do coração e na contemplação de
Deus”.
Comentário.
A
sucessão verdadeira, seria a sucessão da vida interior.
V.
O Pensamento dos Grandes Místicos Carmelitas.
Aqui
encontramos uma resposta, ainda mais profunda.
São João da Cruz,
ensina: “O Espírito de Deus não está preso a lugares, nem a
sucessões humanas, mas é comunicado àqueles que se dispõem a
recebê-lo”.
Comentário.
Sob
esta ótica, o espírito de Elias pode reaparecer em diferentes
épocas.
Não
depende de documentos.
Depende
da ação do Espírito Santo.
Santa Teresa de Jesus,
escreve: “Deus sempre suscita amigos fortes, quando sua Igreja
atravessa necessidades maiores”.
Comentário.
Os
Grandes Reformadores, Contemplativos e Santos surgem, quando Deus
os suscita.
Assim
ocorreu com Elias.
Assim
ocorreu com muitos Santos posteriores.
VI.
Elias Reaparece Continuamente
na
História da Igreja.
São
Gregório Magno oferece uma chave muito interessante:
“Os mesmos Dons reaparecem em
diferentes servos, embora não sejam as mesmas pessoas”.
Comentário.
Segundo
muitos Autores Espirituais, o espírito de Elias reapareceu em:
São João Batista;
Santo Antão do Deserto;
São Bento;
São Bernardo;
São Francisco;
Santa Teresa de Jesus;
São João da Cruz;
Inúmeros Contemplativos.
Não
como sucessores jurídicos.
Mas,
como participantes da mesma Graça.
VII.
A Interpretação Escatológica.
Diversos
Padres acreditaram que, Elias retornará antes da Segunda
Vinda de Cristo.
Santo Agostinho,
escreve:
"É crença muito difundida e muito digna de crédito, que
Elias voltará antes do juízo"
(De Civitate Dei,
XX, 29).
São Tomás de Aquino,
afirma:
“Elias será enviado no fim dos tempos, para
reconduzir Israel à Fé”
(Suma Teológica,
III, q. 49, a.5 ad 2).
Comentário.
Sob
essa perspectiva, a Missão de Elias nunca foi
encerrada.
Ela
permanece suspensa, até sua manifestação final.
VIII.
O “Mistério” da Aparente Lacuna.
Os
Autores Espirituais frequentemente enxergam nessa ausência
documental, um ensinamento Providencial.
São Bernardo de Claraval,
escreve: “Deus frequentemente oculta as raízes, para que
admiremos os frutos”.
Comentário.
Talvez
Deus não tenha querido que a herança de Elias, fosse
identificada com uma Instituição meramente Humana.
O
essencial, não é a documentação histórica.
O
essencial, é a permanência do espírito.
São João da Cruz,
afirma: “Deus trabalha mais no ocultamento, do que na
manifestação”.
Comentário.
A
aparente lacuna histórica pode ser vista, como uma expressão
desse modo Divino de agir.
IX.
A Resposta mais Profunda dos Místicos Carmelitas.
Para
os grandes Autores do Carmelo, a pergunta decisiva não é:
“Quem
recebeu exteriormente o manto de Elias?”
Mas:
“Quem
recebeu interiormente o espírito de Elias?”
Porque
o manto pode desaparecer.
Os
documentos podem perder-se.
As
Instituições podem transformar-se.
Mas,
o espírito permanece.
Síntese
Final.
Segundo
os Santos Padres, Doutores, Teólogos, Exegetas e Místicos da Igreja
Católica, não existe uma Tradição segura, que
demonstre uma Sucessão Histórica,
Institucional e Documental ininterrupta,
desde Elias e Eliseu até a Ordem do Carmo. A própria Escritura
não apresenta uma cadeia sucessória contínua após Eliseu.
Entretanto,
a Tradição
Católica
entende que, a
verdadeira herança de Elias não consiste primariamente numa
sucessão jurídica,
mas numa sucessão
espiritual. O
“espírito de Elias” — seu
amor ardente por Deus, sua vida contemplativa, sua coragem profética,
sua pureza de coração e seu zelo pela Glória
divina — reaparece
continuamente na história da salvação, em
homens e mulheres escolhidos pelo Espírito Santo.
Por
isso, para os grandes Mestres do Carmelo, a questão não é a
continuidade ininterrupta de uma instituição humana, mas a
continuidade de uma chama espiritual. O manto de Elias pode não
ser rastreável historicamente em todos os séculos; porém, o seu
espírito, segundo a Tradição Mística
da Igreja, jamais deixou de agir. E, no entendimento de muitos
Padres e Doutores, essa Missão ainda não terminou,
pois Elias está destinado a reaparecer nos desígnios finais de
Deus, antes da manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
✠
Fazei-me uma Oração Final
sobre Todo Este Estudo, com um Sabor Místico-Profético-Teológico,
dentro daquele Sentir com a Igreja Católica.
Oração
Final ao Deus de Elias.
Ó
Deus Eterno e Todo-poderoso,
Senhor
de Abraão, de Isaac e de Jacó,
Deus
de Moisés, de Elias e de Eliseu,
Pai
de Nosso Senhor Jesus Cristo,
que
conduzis os vossos servos pelos caminhos ocultos da Providência
e
os elevais das sombras da terra à luz de vossa Glória,
nós
Vos bendizemos por todos os Mistérios contemplados
na
vida e no arrebatamento do Santo Profeta Elias.
Nós
Vos louvamos pelo espírito de Fé que o sustentou,
pela
chama de zelo que o consumiu,
pela
coragem com que combateu a idolatria,
pela
pureza com que viveu em vossa Presença,
e
pela contemplação sublime que fez dele
o
Profeta do Fogo, do silêncio e da intimidade divina.
Ó
Senhor,
assim
como conduzistes Elias por Betel, Jericó e Jordão,
conduzi
também nossas almas pelos caminhos da purificação,
da
perseverança e da fidelidade.
Quando
estivermos em Betel, ensinai-nos a escutar;
quando
estivermos em Jericó, ensinai-nos a esperar;
e
quando chegarmos ao Jordão de nossas provações,
ensinai-nos
a confiar unicamente em Vós.
Concedei-nos
a Graça de não permanecermos apenas,
entre
os que observam de longe os vossos Mistérios,
mas
entre aqueles que, como Eliseu,
seguem
o mestre até o fim,
atravessam
o rio da renúncia,
permanecem
firmes na prova
e
recebem a herança dos filhos fiéis.
Ó
Deus de Elias,
fazei
descer sobre a vossa Igreja
uma
renovada porção daquele espírito profético
que
não teme anunciar a Verdade,
que
não se curva diante dos ídolos deste mundo,
que
não negocia o Evangelho,
que
não abandona a Oração,
que
não se deixa seduzir pelas vaidades passageiras.
Dai-nos
algo daquele Fogo Santo
que
ardia no coração de Elias;
não
o fogo da violência dos homens,
mas
o Fogo da Caridade,
da
Verdade,
da
Pureza,
da
Contemplação
e
do Amor apaixonado pela vossa Glória.
Senhor
Jesus Cristo,
que
Vos manifestastes glorioso no Tabor
ao
lado de Moisés e Elias,
fazei-nos
compreender que toda a Missão Profética
encontra
em Vós sua Plenitude,
pois
sois o Profeta prometido,
o
Filho amado do Pai,
o
Verbo Eterno Encarnado,
o
Senhor da História
e
o Rei dos séculos.
Que
jamais procuremos apenas os Dons,
mas
o Doador;
não
apenas o manto,
mas
o Espírito;
não
apenas os milagres,
mas
a Santidade;
não
apenas os Sinais,
mas
a União Convosco.
Ó
Espírito Santo,
que
repousastes sobre Elias,
que
transbordastes sobre Eliseu,
que
descestes sobre os Apóstolos em Pentecostes,
renovai
a Face da Igreja.
Suscitai
Santos,
suscitai
Contemplativos,
suscitai
Missionários,
suscitai
Almas ocultas, que sustentem o mundo pela Oração,
e
fazei florescer novamente o Espírito do Carmelo,
como
um Jardim de Almas inteiramente entregues a Deus.
Ó
Virgem Santíssima,
Rainha
e Formosura do Carmelo,
Mãe
dos Profetas e Senhora da Esperança,
vós
que fostes figurada naquela Pequena Nuvem
vista
por Elias sobre o Monte Carmelo,
guardai-nos
sob vosso Manto Materno.
Conduzi-nos
à perfeita escuta da Palavra,
à
fidelidade nas tribulações
e
à perseverança até o fim.
E
quando chegar para nós o último Jordão,
quando
terminar nossa peregrinação terrestre,
quando
se calarem as vozes deste mundo
e
se abrirem diante de nós os Umbrais da Eternidade,
concedei-nos
a Graça de ter os olhos fixos em Cristo,
como
Eliseu os teve fixos em Elias;
e
fazei que, sustentados pela Misericórdia Divina,
atravessemos
em segurança as águas da morte
para
contemplar eternamente
a
Face gloriosa do Pai,
do
Filho
e
do Espírito Santo.
A
Ele toda Honra,
todo
Louvor,
toda
Glória,
todo
Poder e Majestade,
pelos
séculos dos séculos.
Amém.