Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 19 de maio de 2020

Auxílium Christianórum



Aos Pés de Maria


I. A efígie de Maria como que emoldurada numa coroa de louros, guarnecida de escudos de guerra, de águias, de bandeiras e outros emblemas de vitória, e num plano inferior a esquadra do crescente desbaratada nas águas de Lepanto, é o que nos representa a gravura de hoje para nos recordar que o título de Auxílium Christianórum – Auxílio dos Cristãos com que São Pio V enriqueceu as Ladainhas Lauretanas, são o devido tributo de ação de graças rendido a Maria pela grande vitória de 1571, alcançada sobre os inimigos do nome cristão.

Nada mais bem fundado do que este título de Maria. Maria é a Mãe da Igreja e a Igreja Sua filha predileta. Ela foi a obra-prima do Salvador, que na Sua Inteligência arquitetou e do Seu Coração fez nascer esse novo mundo de almas associadas na luz e no amor.

E para deixar bem vincada esta verdade, a tal ponto a assemelhou a Si que não só lhe comunicou tudo o que tinha, os seus tesouros de verdade e de graça, mas em certo modo tudo o que Ele mesmo é: Deus e Homem, Sacerdote e Vítima, Salvador e Rei Imortal dos séculos, repartindo com Ela os Seus próprios atributos. Dela se fez Ele próprio parte essencial, fazendo-A parte componente do Seu Corpo plenário e místico, de que Ele se constituiu Cabeça, Cabeça invisível da Igreja, de Quem o Papa, Cabeça visível é Vigário e Lugar-tenente. Entre eles realiza-se a mística permuta de desposórios divinos que longe de serem uma simples imitação, são antes o ideal das uniões congêneres das criaturas.

Por isso, a linguagem do dogma católico não recua diante do título de Esposa, – o que melhor exprime as intimidades da Igreja com Jesus Cristo.

Nada mais se requer para fazer adivinhar as relações de Maria com a Igreja.

II. Ela aparece-nos no Calvário aconchegando ao seio a Igreja nascente. Eis aí o teu filho, foi a despedida do Seu Unigênito moribundo. E esse filho, ali representado em São João, era o Cristianismo no seu berço, no seu desenvolvimento futuro, na sua adolescência, na sua maturidade, era enfim, a plenitude de Cristo.

Cinquenta dias mais tarde, em pleno Cenáculo, era Deus que voltava a insuflar a vida no barro informe, que desta vez era o Colégio Apostólico. E o Colégio Apostólico vivificado com o sopro do Espírito Divino, tornou-se uma alma viva, e tão viva que durante 19 séculos não houve poder humano nem diabólico, que conseguisse sufocá-La.

Mas esse sopro vivificante, que era a vida da Igreja, passara por Maria, paraninfa assistente dessa nova criação, para que o nascimento da Igreja, de algum modo se assemelhasse ao do Seu Divino Esposo pela operação do Espírito Santo e a cooperação da Virgem-Mãe.

E desde então não cessou jamais de lhe prodigalizar a sua assistência maternal.

Começa a época das perseguições: a Igreja põe toda a sua confiança no culto que consagra a Maria. Esse culto lê-se ainda hoje vivo e imortal nas paredes das Catacumbas, onde o desenho e a pintura o perpetuaram. A imagem de Maria, colocada nas ábsides principais dessas criptas, onde a fé dos primeiros cristãos ia consolidar-se e defender-se, mostra como desde o berço o Cristianismo compreendeu onde estava o seu refúgio contra qualquer perseguição de um inimigo sanguinário.

Auxílio dos Cristãos tem-nos sido também sempre que os inimigos da Igreja a assaltam à mão armada para afogarem em sangue os seus defensores. É a imortal epopeia de Maria, que no seio da Igreja se ergue como a torre inexpugnável de Davi, da qual pendem mil escudos de guerra, toda a armadura dos bravos. Temerosa como um exército em ordem de batalha.

Ela foi a fortaleza dos cristãos no século das Cruzadas, Ela desbaratou os inimigos do nome cristão numa série interminável de batalhas, desfez o poder dos Albigenses no Ocidente, foi o terror do Islão no Oriente.

Lepanto, Viena, Malta, Corfú são monumentos imorredouros que perpetuam a memória dos triunfos de Maria.

III. Sempre que abrandam as perseguições cruentas, o inimigo procura dar a morte à alma da Igreja. De que modo? Corrompendo os seus dogmas, adulterando a verdade revelada. É a época das heresias.

A Igreja sabe muito bem que as portas do Inferno não hão de prevalecer contra Ela. Mas essa vitória final e definitiva pode ser precedida de vitórias ou de derrotas parciais e temporárias. A heresia não faz Mártires, mas pode fazer renegados, pode descristianizar regiões inteiras. Não pode aniquilar a Igreja Católica, mas pode destruir vários núcleos de cristãos, levar à apostasia nações inteiras. É o caso da Inglaterra.

A Igreja deve, pois, defender-se com essas armas da luz que São Paulo preconiza e que só matam o erro. Com elas conseguiu pulverizar as heresias dos primeiros séculos.

Mas essa vitória nunca a Igreja deixou de atribuí-la a Maria, proclamando-A até na sua liturgia: Só tu, ó Virgem, no universo inteiro tens dado morte a todas as heresias.

E, de fato, não é Ela o trono da Sabedoria? Não foi Ela quem inspirou os Padres e Doutores da Igreja e lhes sugeriu as verdades e argumentos luminosos que esmagaram o erro? Quem sustentou em denodados certames teológicos um Santo Atanásio, um Santo Hilário, um São Cirilo de Alexandria, um Santo Agostinho? E não foi a imagem de Maria que presidiu aos Concílios dos séculos IV e V e os iluminou com os seus esplendores? “Mãe de Deus!” foi o grito que outrora irrompeu da Assembleia de Éfeso a anunciar à multidão, ávida de acolher a sentença do Concílio, que a heresia de Nestório fora condenada e o dogma da Maternidade Divina de Maria definido.

E a multidão louca de entusiasmo aplaude freneticamente o triunfo de Maria, que em Éfeso esmagava a cabeça da heresia. A cidade ilumina-se jubilosa e todo o mundo católico, com a sua Profissão de Fé, torna-se eco harmonioso do Concílio.

E no meio do século passado, da Basílica de São Pedro, em Roma, ouve-se por todo o mundo o eco antecipado da voz autêntica de Maria, que, quatro anos mais tarde, se faz ouvir na gruta de Massabielle: Eu Sou a Imaculada Conceição. E essa voz confunde para sempre todas as heresias, a começar pelo materialismo negador da espiritualidade da alma, pelo naturalismo que negava a queda original do Paraíso e a elevação do homem à ordem sobrenatural.

Há ainda e haverá sempre heresias no mundo. Mas a Igreja não deixará nunca de cantar aos pés de Maria: só Tu, ó Virgem, no universo inteiro tens dado morte a todas as heresias. E é matando as heresias que Ela se mostra verdadeiramente o Auxílio dos Cristãos.

No passado a nação brasileira, desde que recebeu o Batismo da ortodoxia católica, foi, por especial proteção da Providência, preservada de adulterações heréticas. Em vão tentou o Calvinismo holandês levar à apostasia o Norte do país. Os nossos antepassados, na sua perseverante resistência à invasão da heresia já então mostravam de que fibra era tecida a nobre e sempre fiel alma brasileira, da qual não é fácil desarraigar a verdadeira fé.

As hodiernas heresias, o desacreditado positivismo, o grosseiro e fraudulento espiritismo, o traiçoeiro comunismo e o nefasto protestantismo, já esfacelado nas suas mil Seitas, insistem nas suas pérfidas investidas contra a Ortodoxia Católica do Brasil. Mas a esperança dos brasileiros está posta em Maria, Auxílio dos Cristãos.

O Brasil em peso ergue o seu olhar para a Estrela rutilante de Fátima, que nesta hora, como Mãe e Missionária, desde o seu extenso litoral até aos mais remotos sertões, percorre a sua imensidade e a todos os seus recantos leva a força de Sua proteção.


EXEMPLO



Auxílio dos Cristãos, ímã dos pagãos.


Grossos volumes encheria quem tentasse arquivar todas as maravilhas de salvação e de bênção, que por esse mundo à fora tem semeado, e semeando continua, Quem só sai de Fátima para ser peregrina do mundo.

É nessas peregrinações através de todos os continentes, ilhas e mares, que Ela se manifesta o verdadeiro Auxílio dos Cristãos. Mas não é já mobilizando exércitos, como em Lepanto ou Viena, é exercendo a Sua magia divina de Mãe de Deus, e refletindo os encantos irresistíveis da Sua bondade que Ela atrai a Seus pés os próprios infiéis, cativados por uma fascinação sublime só comparável à que nos ares paralisa as asas das pombinhas e as faz descer rendidas aos pés do Seu andor. Nem os filhos de Maomé, contra os quais a cruzada suplicante de São Pio V teve de invocar outrora todo o poder da Auxiliadora dos Cristãos, se mostram refratários aos atrativos maternais da Virgem de Fátima. É assim que Ela hoje dominando os inimigos do Cristianismo auxilia os cristãos.

Detenhamo-nos apenas num ou outro recanto da Índia pagã e respiguemos rapidamente alguns episódios, tais quais em 1950 eram transmitidos à Vos de Fátima pelo incansável Sacerdote que tem acompanhado a celestial Peregrina.

Não nos referiremos já aos fenômenos solares com que Ela em Negombo [Ceilão] quis reeditar aos olhos dos seus habitantes o grande prodígio de 1917, e que tanta admiração despertaram na imprensa local.

Nessa ilha, «budistas, hindus e muçulmanos rivalizaram com os católicos em Lhe prestarem as suas homenagens. O Presidente da Câmara de Colombo… declarou que era um privilégio para ele receber oficialmente a Imagem. O de Negombo, que é budista, da mesma forma saudou a Nossa Rainha».

Na Diocese de Trivandrum, a filha paralítica de um protestante ergue-se à passagem de Nossa Senhora, e começa a andar. Os pais mandam celebrar uma Missa em ação de graças e prometem entrar na Igreja Católica com toda a família.

Na Diocese de Kottar, uma surda-muda, filha de hindus, à passagem de Nossa Senhora começa a ouvir e a falar.

As autoridades de Tuticorim, todas pagãs, mandam imprimir uma grande folha com a mensagem da cidade a nossa Senhora de Fátima, diante de Quem o Presidente da Câmara a veio ler.

«Todos dizem que nunca na Índia houve um movimento assim. Os Senhores Bispos ordenaram nas suas Dioceses preces públicas como preparação para a vinda de Nossa Senhora». Em algumas, determinou-se que a véspera da Sua chegada fosse jejum de Preceito. «Em muitos lugares, quando a Imagem chega, está toda a população de joelhos, com os braços estendidos, a cantar ou a rezar. Todos querem ver a Imagem, tocar-lhe com as mãos ou com objetos religiosos».1

Em Kobamkonam, o povo já não deixava sair a Imagem da sua Igreja. Teve de se tirar às escondidas, saindo da cidade num automóvel sem qualquer cerimônia.

Em Chetped, diz um hindu a um Sacerdote: Deus concedeu à Senhora de Fátima um poder especial. Já não temos a menor dúvida. Em Rentechintala, a procissão vai, das 9 da noite às 3 da madrugada, entre cânticos ininterruptos.

Em Bhopal, são os muçulmanos que pagam as despesas feitas com as iluminações.

Na Diocese de Patna, Nossa Senhora andou pela primeira vez de elefante. Outros elefantes formavam alas, baixando as trombas em saudação. Ao chegar a Bahr, foi recebida por bailarinos coroados de plumas de pavão, que dançaram diante da Imagem, em homenagem a Nossa Senhora.

Em Kantur, um muçulmano categorizado ajoelhou diante de Nossa Senhora, pedindo em voz alta, com sinceros sinais de humildade e devoção, perdão para as suas culpas.

Em Bettiah, veio um hindu dizer-nos: «Muito obrigado por nos terdes trazido Nossa Senhora de Fátima. Esperamos d'Ela a Paz para o mundo. Sabemos que Ela pediu que rezássemos pela paz. Por isso, vamos juntar as nossas orações às vossas, e juntos elevá-las até Deus pela Paz do mundo».

Em Patna, confessa o Governador também hindu: «Nunca assisti a coisa tão bela e tão comovedora».

Em Dacca, diz o Sr. Bispo ao ver a multidão de pagãos que aclama Nossa Senhora: «Isto é quase inacreditável».

Em Bombaim, cidade de 4 milhões de habitantes, diz o próprio Chefe da Polícia, nunca se ter visto manifestação semelhante. A multidão percorre as ruas enfeitadas e repletas de povo. Na Catedral faz-se a Consagração solene ao Imaculado Coração de Maria; e no Estádio da cidade à uma hora da noite celebra-se solene pontifical, a que assistem 60 a 70 mil pessoas, continuando as Missas e Comunhões até às dez horas e meia.

Finalmente, em Elumboor, distrito do Maduré, foi escrita esta carta patética assinada por mais de 30 cristãos e pagãos, que traduzida reza assim:

«Ó Mãe Divina, ainda que nós e todos os nossos compatriotas sejamos pobres, contudo, movidos por uma cega confiança em Vós, ardentemente Vos pedimos nos obtenhais de Vosso Divino Filho que nós, convertidos ao Seu caminho, levando uma vida pura, livre de todas as adversidades, e gozando de todos os bens necessários à vida, cresçamos mais e mais no espírito de oração. É o que Vos pedem Vossos humildes servos».



Fonte: Rev. Pe. José de Oliveira Dias, S.J., “Florilégio Ilustrado da Fátima – Novo Mês de Maria”, Dia 23 de Maio, pp. 279-286. 3ª Edição, Edição da Sociedade Brasileira de Educação, Braga/Portugal, 1952.


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1.  Voz de Fátima, nº 330.


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