Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 21 de março de 2021

A Eucaristia – Bossuet. 9


Fruto Espiritual da Eucaristia:

o desapego da vida deste mundo,

para só apreciar a vida onde nunca se morre.

Vida completa e inestimável da alma e do corpo.


No capítulo de São João, devemos achar duas coisas: a primeira, é o fruto espiritual que devemos tirar da Eucaristia; a segunda, é o meio de tirar dela esse fruto. Quanto ao fruto, é fácil entendê-lo: esse fruto é desapegarmo-nos da vida, e apegarmo-nos a Deus. É sobre o que Jesus Cristo se explica claramente por estas palavras: “Em verdade, em verdade, vos digo: vós me buscais, não porque vistes milagres; mas porque comestes pães que multipliquei no deserto, e vos alimentastes deles. Trabalhai, não pela comida que perece mas pela que não perece, que o Filho do homem vos dará: pois ele é aquele que o Pai celeste vos designou, imprimindo nele seu cunho e seu caráter”, e confirmando-lhe a doutrina e a missão por tantos milagres.


Vós vos explicais, meu Salvador! O vosso desígnio é desapegar-nos da comida e da vida perecedora, que tem todos os nossos cuidados, pela qual trabalhamos o ano todo; e transportar-nos a inteligência e o trabalho para a comida e para a vida que não perece. Ensinai-me, meu Salvador, meu Salvador: atraí-me dessa maneira admirável que faz com que vamos a Vós; desgostai-me de todos os cuidados que só resultam em viver para morrer: fazei-me apreciar essa vida em que nunca se morre.


Que milagre fazeis vós, para que creiamos em vós?” Que fazeis de tão maravilhoso? É verdade, fartaste-nos de pão no deserto. Mas esse pão é comparável ao maná que Moisés deu a nossos pais, do qual ele escreveu: Deu-lhes a comer o pão do Céu. O pão que nos destes era o pão da terra, e há tanta diferença entre vós e Moisés quanta há entre a terra e o Céu.


Vê-se claramente por esse discurso que eles só pensavam nos meios de sustentar esta vida mortal, e que não era sem razão que Jesus Cristo lhes exprobara os seus desejos carnais. Porque eles não levam o pensamento mais longe do que ao maná, com que seus corpos foram alimentados no deserto; nem conhecem outro Céu a não ser as nuvens donde ele lhes fora enviado; sem cogitar de que ele não fora chamado o pão do Céu, e o pão dos Anjos, senão em figura de Jesus Cristo, que lhes devia trazer a vida eterna. Serve-se ele, pois, da expressão de que se serve a Escritura, para salientar a maravilha do maná, para elevar os espíritos ao verdadeiro pão dos Anjos, à verdade que os faz felizes e que, havendo-se incarnado, se tornou familiar e sensível aos homens para fazê-los viver.


Diz-lhes, pois, que desceu do Céu; que quem vem a Ele nunca tem fome, e que quem crê nEle nunca tem sede; que Ele é por conseguinte o verdadeiro pão, a verdadeira comida das almas que a Ele vêm pela fé; que os homens, pois, não devem esperar atingi-lo pela sua Divindade, nem unir-se a Ele nela mesma; que é um objetivo demasiado alto para uma natureza pecadora e entregue aos sentidos corporais; que Ele se fez homem para se aproximar deles; que a Carne que Ele tomou é o único meio que Ele lhes deu para se unirem a Ele, e que para isso a encheu Ele da própria Divindade, por conseguinte, de espírito e de espírito e de graça, ou, como fala São João, de graça e de verdade, e em outra parte: “O espírito não lhe foi dado com medida: e nós todos havemos recebido do seu espírito”; que daí, portanto, se segue que nós temos nEle a verdadeira vida, a vida eterna, a vida da alma e do corpo, e não precisamente nEle como Filho de Deus, mas nEle como Filho do homem: pois é por aí que Ele começa. Trabalhai por vos preparardes a comida que vos será dada pelo Filho do homem; contanto que creiais que a sua Carne, pela qual Ele quer vivificar-nos, é cheia de espírito e de vida.


Assim o fim a que Ele quer chegar é fazer-nos viver, porém, da vida eterna, tanto segundo a alma como segundo o corpo: “É”, diz Ele, “a vontade de meu Pai que eu não perca nada daquilo que meu Pai me deu, e que, para dar a vida ao corpo como à alma, eu o ressuscite no último dia”; e ainda: “Vossos pais comeram o maná, e morreram; aquele que comer deste pão viverá eternamente”.


É, pois, esse o fruto da Eucaristia; ela é feita para contentar o desejo que temos de viver, e por isso, dar-nos a vida eterna, na alma pela manifestação da verdade, e no corpo pela sua gloriosa Ressurreição. Senhor, que tenho a desejar? Viver; viver em Vós, viver para Vós, viver de Vós e da vossa eterna verdade, viver todo, viver na alma, viver mesmo no corpo: nunca perder a vida, viver sempre! Tenho tudo isto na Eucaristia, nela tenho pois tudo, e só me resta fruir.



Fonte: Jacques-Bénigne Bossuet, Bispo de Meaux, Meditações sobre o Evangelho” – Opúsculo A Eucaristia”, Cap. IX, pp. 47-50. Coleção Boa Imprensa, Livraria Boa Imprensa, Rio de Janeiro/RJ, 1942.


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