Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Maria… Maria… Maria!…


[Um sonho de São João Bosco]1

Em Fevereiro de 1884, Dom Bosco, enfraquecido por decênios de trabalho titânico, caiu numa prostração de forças tão grave que não aguentava mais ficar em pé. Um início de bronquite deu a rasteira em sua excepcional resistência, de modo que no dia 12 foi obrigado a ficar de cama.

Imobilizado, assim, fisicamente, já estão consumido pelas vigílias e fadigas, todavia, seu espírito se expandia livre em direção ao reino do amor e da alegria: o Paraíso. Nesse estado, durante a noite de 12 para 13, ele assim sonhou:

Pareceu-lhe encontrar-se em uma casa onde teve dois encontros muito especiais: São Pedro e São Paulo. Vestiam sobre a túnica um manto que chegava até um pouco abaixo dos joelhos e usavam um turbante oriental. Eles sorriam para Dom Bosco. Este lhes perguntou, se tinham algum recado para ele; nada responderam, mas começaram a falar do Oratório e dos jovens. Nisso, eis que chega um amigo de Dom Bosco.

Olhe um pouco essas duas pessoas – disse ao recém-chegado.

Olhem só quem que estou vendo! – exclamou o amigo – É possível? São Pedro e São Paulo aqui?

Dom Bosco então renovou a pergunta feita um pouco antes aos dois Apóstolos que, mesmo se mostrando muito afáveis, continuaram a falar de outras coisas. Depois, improvisamente, São Pedro lhe pergunta:

E a vida de São Pedro?

Igualmente São Paulo:

E a vida de São Paulo?

Dom Bosco se escusou humildemente, confessando que tinha esquecido a decisão de reimprimir as duas biografias.

Se você não o fizer logo, não terá mais tempo – avisou-o São Paulo.

Entretanto, tendo São Pedro retirado seu turbante, apareceu sua cabeça calva com dois tufos de cabelos nas têmporas: tinha realmente o aspecto de um velhinho simpático e bem conservado. Retirando-se um pouco à parte, ele se colocou em atitude de oração. Dom Bosco queria acompanhá-lo, mas:

Deixe-o rezar – ordenou-lhe São Paulo.

Queria ver – respondeu Dom Bosco – diante do que ele se ajoelhou.

Foi para perto dele e viu que estava ajoelhado diante de uma espécie de altar, mas diferente dos altares comuns. E perguntou a São Paulo:

Mas não há os candelabros?

Não há necessidade de candelabros lá onde resplandece o sol eterno – respondeu o Apóstolo.

Não estou vendo nem sequer a mesa.

A Vítima não se sacrifica mais, pois vive eternamente.

Mas, afinal, então não há altar?

O altar é para todos, o Monte Calvário.

Então São Pedro, com voz alta e harmoniosa, mas sem cantar, rezou assim:

Glória a Deus Pai Criador, a Deus Filho Redentor, glória a Deus Espírito Santo Santificador. Só a Deus sejam dadas honra e glória por todos os séculos dos séculos. Louvor seja dado a Ti, ó Maria. O Céu e a terra Te proclamam sua Rainha. Maria… Maria… Maria!…”

Pronunciava esse Nome com uma pausa entre uma exclamação e outra, e com tal expressão de afeto e com um aumento tão grande de emoção, que não sou capaz de descrever, de modo que lá se chorava de ternura.

Logo que São Pedro acabou, se levantou e voltou, São Paulo foi se ajoelhar no mesmo lugar e, com voz clara, dedicou-se também à oração, rezando assim:

Ó profundidade dos divinos arcanos! Grande Deus, os teus segredos são inacessíveis aos mortais. Somente no Céu eles poderão penetrar a sua profundidade e a sua majestade, acessível aos celestes compreensores. Ó Deus Uno e Trino, a Ti sejam dadas honra, salvação e ação de graças de todas as partes do Universo. Teu nome, ó Maria, seja louvado e abençoado por todos. Cantamos no Céu a tua glória; e na terra sejas sempre o Auxílio, o conforto, a salvação. Regina Sanctorum omnium, alleluia, alleluia”.

Dom Bosco concluiu:

Essa oração, pelo modo de proferir as palavras, produziu em mim tal comoção que comecei a chorar copiosamente e acordei. Depois disso, permaneceu na minha alma uma indizível consolação”.



Fonte: “Os Sonhos de Dom Bosco”, Cap. 61, pp. 263-265. Coletânea organizada por Pietro Zerbino, traduzida por P. Júlio Bersano, Editora Salesiana Dom Bosco, São Paulo/SP, 1988.


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1MB – Memorie Biografiche di Don Giovanni Bosco, XVII, 27. Torino 1898-1939.


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