Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

A Primeira Sexta-feira do Mês de Setembro.



Coração de Jesus,
Amigo das Almas Castas.

O Coração de Jesus consagra afeto especial às virgens e almas puras; elas Lhe são tão caras como os Anjos. Tais são os atrativos da virtude da castidade; também, diz Santo Ambrósio, aquele que a guarda, é um Anjo, aquele que a perde, é um Demônio. Uma alma casta é a esposa predileta do Coração de Jesus: Eu prometi a Jesus Cristo, diz São Paulo, apresentar-lhe vossas almas como esposas castas.1 Escrito está que o Esposo divino se nutre entre os lírios.2 Estes lírios são as almas que se conservam puras para agradar a Deus. Um intérprete nota sobre esta passagem dos Cânticos, que, como o Demônio se sustenta das manchas da impudicícia, assim o Coração de Jesus se nutre dos lírios da castidade.

Esta virtude, alcançada em grau supremo, é que formou a união mais íntima entre Jesus e Maria, a Virgem das virgens. Esta união de amor foi tal, que, como Maria mesma revelou a Santa Brígida, seu Coração não formava senão um com o Coração de Jesus. Esta Virgem incomparável pareceu tão bela aos olhos do Senhor, que Ele ficou arrebatado por sua beleza, e por isso lhe chama Sua única columba, Sua única perfeita.3 Quanto mais um coração é puro, diz Alberto o Grande, tanto mais se enche de amor divino. Daí vem que o amor sagrado feriu e transpassou de tal modo o Coração de Maria, que não ficou parte alguma dele que não fosse abrasada. São Bernardo atesta que Ela nunca foi tentada pelo Inferno; porque, diz ele, como as moscas afastam-se de um fogo grande, assim os Demônios eram repelidos para longe do Coração de Maria, que era uma chama de caridade tão intensa, que eles não ousavam aproximar-se Dela. Seu sono mesmo não A impedia de amar a Deus atualmente. Ela podia então dizer com Seu divino Filho: Eu durmo e meu Coração vela,4 meu Coração ama, meu Coração não cessa de ser unido ao Coração de meu Amado. Ó efeitos admiráveis da pureza!

A grande pureza de São José é que lhe mereceu a glória incomparável de ser escolhido para pai nutrício de Jesus; sua pureza mereceu-lhe a felicidade de viver na intimidade do Filho de Deus, de ser ternamente amado por Ele, de poder tantas vezes estreitar sobre seu coração o Coração ardente de Jesus Cristo. Ah! Que afetos deviam penetrar o coração de São José, quando levava em seus braços este amável Menino, e Lhe fazia ou recebia ternas carícias, e ouvia sair de Sua boca as palavras de vida eterna, que, como outros tantos dardos inflamados, abrasavam sua bela alma! Entre as pessoas que se amam, muitas vezes o amor esfria à medida que a frequência é maior, porque quanto mais os homens conversam, tanto mais descobre um os defeitos do outro. Isto não sucedia com São José: quanto mais ele conversava com Jesus, mais admirava sua santidade, e quanto mais O admirava, mais O amava. Ele teve o favor inefável, depois de ter apertado a Jesus tantas vezes contra seu coração, de exalar o último suspiro nos braços e sobre o Coração de Jesus. Tais foram as relações deste esposo virgem com seu Deus.

São João era o Discípulo amado de Jesus, porque primava na pureza. Na última Ceia, ele teve a ventura de reclinar a cabeça sobre o peito e o Coração do Seu divino Mestre.5 Ó Discípulo de predileção, vós sentistes então toda a ternura do Coração ardente de Jesus para com aqueles que O amam!… Se queremos também tornar-nos caros ao Coração de Jesus e merecer Suas ternas consolações, procuremos primar na castidade, sabendo que todas as riquezas da terra não são nada em comparação de uma alma casta.6 Por ser maior o valor desta virtude, mais terrível é a guerra que a carne faz ao homem para lhe arrebatar este tesouro. Para conservá-lo, pois, é necessário empregar toda a vigilância possível.

Primeiro, é necessário fugir da ocasião. Fugi do pecado, diz o Espírito Santo, como se foge de uma serpente.7 Não se contenta de fugir da mordedura das serpentes; foge-se de seu contato, foge-se até de sua vizinhança. Se pessoas há que podem ser para nós ocasião de queda, devemos fugir até de sua presença e conversação. O casto José não quis nem escutar o que a mulher de Putifar tinha começado a lhe dizer: fugiu logo, persuadido que era perigoso parar para a ouvir.

Importa ainda, se queremos ser castos, fugir a ociosidade. O Espírito Santo nos adverte que a ociosidade ensina a cometer muitos pecados.8 Mas diz Santo Isidoro, o trabalho amortece o fogo da concupiscência.

Pratiquemos além disto a humildade e mortificação. A carne que não é mortificada, dificilmente se submete ao espírito. A castidade conserva-se no meio das mortificações, como o lírio no meio dos espinhos. Quanto aos orgulhosos, Deus os pune permitindo que caiam nalguma falta vergonhosa: Priusquam humiliarer, ego deliqui.9 São Bernardo diz: Pela humildade é que se obtém a castidade.

O mais necessário, porém, é a oração. Cumpre orar e orar continuamente; porque para praticar uma virtude qualquer, tem-se necessidade da graça de Deus, e com muito mais razão é necessária, para conservar a castidade, uma graça poderosa, vista a violenta inclinação do homem para o mal. Assim, desde os primeiros assaltos do vício impuro, é bom renovar o firme propósito de antes morrer do que pecar, e imediatamente depois, é necessário refugiar-se nos Corações de Jesus e Maria, invocando seus Santos Nomes. Assim é que os Santos venceram todas as tentações de que foram acometidos.

Prática


Para obter grande pureza, invocarei cada dia a São José pela seguinte oração, que é chamada oração eficaz:

São José, pai e protetor das virgens, guarda fiel a quem Deus confiou Jesus, a Inocência mesma, e Maria, a Virgem das virgens, eu vos rogo e conjuro por Jesus e Maria, este duplo depósito que vos foi tão caro, fazei que eu conserve meu coração isento de toda mancha, e que, puro e casto, sirva constantemente a Jesus e Maria em castidade perfeita. Assim seja”.10

Afetos e Súplicas

Terno Redentor meu, eu Vos agradeço me terdes dado tantos meios para vencer as tentações que me assaltam cada dia. Prometo praticar estes meios constantemente; ajudai-me a Vos ser fiel. Vejo que quereis minha felicidade eterna: eu também a quero, principalmente para agradar ao Vosso Coração que deseja tanto a minha salvação. Meu Deus, não quero mais resistir ao amor que me tendes. Por um efeito deste amor é que me suportastes com tanta paciência quando Vos ofendia. Vós me convidais a Vos amar: oh! Isto é o que desejo. Sim, eu Vos amo, ó bondade suprema, eu Vos amo, Bem infinito; pelos merecimentos do Vosso Coração não permitais que eu seja ingrato a Vossos benefícios; ponde fim à minha ingratidão, ou à minha vida. Senhor, o que haveis operado em mim, dignai-Vos confirmar e completar.11 Esclarecei-me, fortificai-me, abrasai-me no Vosso amor. Ó Maria, tesoureira do Coração de Jesus, proclamai-me Vosso servo; é o título que ambiciono, e rogai a Jesus por mim. Após seus merecimentos, são Vossas orações que devem me salvar.



Oração Jaculatória

Bendita seja a Santa e Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria!12


Exemplo

Imelda Lambertini nasceu em Bolonha, de uma família nobre. Desde o berço, tudo nela anunciava alguma coisa de sobrenatural. Para parar suas lágrimas, bastava pronunciar os nomes sagrados de Jesus e Maria. Apenas terminada sua infância, ela fez para si um pequeno oratório aonde ia frequentemente para rezar e oferecer a Deus seu coração virginal. Desprezando o mundo, ela pedia a seus pais a permissão de entrar para um convento da Ordem de São Domingos. Impossível descrever suas mortificações, seu amor da oração, sua generosidade em cumprir todos os seus deveres. Todos os seus afetos eram para a Rainha dos Anjos e para a Eucaristia. Todos os dias ouvia a Missa. Sua tenra idade não lhe permitia participar do banquete sagrado, e isto lhe causava grande dor, porque seu coração vivia abrasado no amor de Jesus. Ela não cessava então de convidar o Esposo divino a vir morar em sua alma. O Coração de Jesus, que ama sempre aqueles que O amam, dignou-se ouvi-la pelo prodígio que vamos referir.

Era o dia da Ascensão do ano de 1333; Imelda tinha então doze anos. Enquanto suas companheiras, felizes e recolhidas, iam, cada uma a seu turno, tomar lugar na mesa santa, só ela ficou ajoelhada no seu lugar, chorando de santa inveja a pensar na felicidade das outras. Seus olhos erguidos para o Céu, suas pequenas mãos cruzadas sobre o peito, e segurando entre os dedos o crucifixo que nunca deixava, ela dizia com a esposa sagrada:

Vinde, ó Amado da minha alma! Descei ao jardim do meu coração, que é todo Vosso. Ou cessai de inclinar para mim Vosso olhar, ou deixai minha alma voar para Vós. Arrastai-me para Vós: corra eu ao odor de Vossos perfumes! Oh! Pudesse eu também Vos dar asilo e fazer-Vos festa em meu coração! Ó Jesus, vinde, porque enlanguesço de amor para Convosco!”

Mas, Jesus não vinha. Sabendo que tudo é possível à oração, ela orava e chorava ao mesmo tempo. De repente, uma hóstia sai do Cibório, atravessa a grade do Coro, e voando pelo ar, pára acima de Imelda. As religiosas, comovidas por este espetáculo, não ousavam crer a seus próprios olhos; mas a ilusão não é mais possível: o milagre persevera; uma claridade se espalha na igreja, acompanhada de suave odor. O confessor, advertido deste prodígio, corre, e vendo neste fato manifestação inequívoca de Deus, recolhe respeitosamente sobre uma Patena a Santa Hóstia, e a dá em comunhão à ditosa menina. Enfim, ela possui seu Deus, o único objeto de seu amor!… Com as mãos cruzadas sobre o peito, os olhos suavemente cerrados, a piedosa menina abisma-se em profunda e deliciosa contemplação. Muito tempo suas irmãs admiram-na em silêncio, não ousando interrompê-la. Afinal, chamam-na, sacodem-na, mandam que se levante; Imelda, sempre tão pronta em obedecer, fica imóvel, ela não ouve, não sente. Imelda, a amante da Eucaristia, não era mais deste mundo… Ela tornou-se logo objeto da veneração pública. Tendo sido operados muitos prodígios em seu túmulo, a Igreja permitiu honrá-la sob o título de Bem-aventurada.13



Fonte: O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório, ou, Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês; coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.Ss.R., “A Primeira Sexta-feira do Mês de Setembro”, pp. 344-350. 5ª Edição Portuguesa, Tipografia de Frederico Pustet, Impressores da Santa Sé. Ratisbona/Alemanha, 1926.


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1.  II Cor. 11, 2.

2.  Cânt. 2, 16.

3.  Cânt. 6, 3.

4.  Cânt. 5, 2.

5.  Jo. 13, 25.

6.  Eclo. 26, 20.

7.  Eclo. 21, 2.

8.  Eclo. 33, 29.

9.  Salmo 118, 67.

10.  Oração Indulgenciada. [4 de Fevereiro de 1877.

11.  Salmo 67, 29.

12.  Jaculatória Indulgenciada. [21 de Novembro de 1793]

13.  Petits Bollandiste, 16 de Setembro.


Meditação Para o Mês de Setembro.


Coração de Jesus Afligido,
por Causa da Tibieza das Almas.


Muito errados estaríamos, se pensássemos que todas as almas em estado de graça são motivos de consolação para o Coração afligido de Jesus. Ai! Não é assim; há almas que, favorecidas como são de Deus, vivem na tibieza, e são deste modo, espinhos muito pungentes para o divino Coração. Jesus as ama, não com o amor geral que Ele, como Criador, tem a tudo que existe, mas com especial amor, o de eleição; Ele lhes dedica amizade verdadeira. Ora, esta amizade mesma é a medida da pena que o estado delas lhe causa. Com efeito, Ele vê que, em consequência desta tibieza, elas cairão insensivelmente no pecado mortal, farão poucos esforços para sair dele, e assim se perderão.

Uma alma é tíbia, primeiro quando comete pecados veniais frequentemente e de olhos abertos, sem procurar corrigir-se deles. Oh! Que perigo corre a alma a quem Deus preveniu com Suas graças, quando se deixa ir à perpetração de muitas faltas leves cientemente e sem de nada se inquietar, dizendo: Basta que eu me salve! Todos estes pequenos regatos formarão um rio, que desastradamente a arrastará ao abismo. O Senhor repreendia ao Bispo de Laodicéia não ser nem quente nem frio.1 Este é o estado de uma alma tíbia; ela não ousa voltar inteiramente as costas a Deus; contudo, não se inquieta com os pecados leves que comete e multiplica todos os dias as impaciências, mentiras, murmurações, gulodices, imprecações, aversões secretas no coração, apego às criaturas; esforço nenhum faz para se corrigir de tantas faltas. Oxalá fôsseis quente ou frio! Dizia o Senhor a esse Bispo de Laodicéia; mas porque sois tépido, e não sois nem frio nem quente, estou para vomitar-vos de minha boca. Isto é, melhor seria que fôsseis inteiramente privado de minha graça; porque daríeis mais esperança de cura. Mas ficando na vossa tibieza, estais muito exposto a condenar-vos, porque facilmente caireis neste estado em algum vício mortal, com pouca esperança de vos levantardes dele. Notai bem estas palavras: Porque sois tépido, estou prestes a vomitar-vos. Ah! Quanto a alma tíbia deve pesar no Coração de Jesus! Facilmente pára no estômago a bebida, que é fria ou quente, mas a morna, não, porque provoca vômitos. Assim é que a alma tíbia está exposta a ser vomitada do Coração de Deus, a ser privada da graça e abandonada, o que é muito bem significado pelo vômito, pois que todos temos horror de tornar a engolir o que se vomitou.

O maior sinal de tibieza é o desgosto voluntário e habitual da oração. Quando um jardim é continuadamente regado por uma água benéfica, oh! Como as flores e as plantas aparecem sempre aí cheias de vida e frescura! O mesmo sucede com a alma que ama a oração: vemo-la crescer sem cessar em bons desejos e frutos de virtudes. Donde lhe vêm estas vantagens? Da oração, que, regando-a continuamente com suas águas salutares e fecundas, vai, dia a dia, transformando-a em jardim de delícias. Mas suprimi esta feliz fonte: logo as flores caem, as plantas secam, e tudo desaparece; porquê? Porque a fonte da vida está seca. Tal pessoa será, enquanto ama a oração, modelo de modéstia, humildade, devoção e mortificação; abandone a oração, e logo sua imodéstia manifestar-se-á no seu olhar; seu orgulho irromperá à menor palavra que a mortifique; cessará de frequentar os Sacramentos e de assistir à Missa; não pensará mais em se mortificar; vê-la-eis, ao contrário, amar as vaidades e companhias mundanas, os divertimentos e prazeres terrenos, e porquê? Ah! A água não corre mais sobre ela; falta-lhe a vida; ela deixou a oração; o jardim secou-se, e o mal se agrava de dia em dia. Uma vez que a alma deixa a oração, diz São João Crisóstomo, eu a considero, não só como enferma, mas morta.

A irmã Maria Boaventura, religiosa em Roma, vivia em estado de tibieza. Por meio da meditação, resolução e devoção ao Sagrado Coração, ela conseguiu sair de tão miserando estado. Porque um dia em que ela assistia aos exercícios espirituais dados pelo Padre Lancicio, ficou de tal maneira comovida desde a primeira meditação que, desfeita em lágrimas, foi encerrar-se no seu quarto, e aí aos pés do crucifixo, escreveu o ato seguinte: “Eu, Maria Boaventura, neste dia em que começam os exercícios espirituais, ofereço-me toda a Vós, ó meu Deus, e prometo não amar mais senão a Vós, meu Jesus. Aceitai, ó terno Redentor meu, este escrito banhado com minhas lágrimas; como penhor do meu amor vo-lo consagro, depondo-o na Chaga de Vosso lado, sobre Vosso Coração, a fim de que me perdoeis, pelos merecimentos de Vosso Sangue, todos os meus pecados e me estabeleçais de tal modo no Vosso amor, que não seja eu mais para mim, mas toda para Vós somente”. Em pouco tempo santificou-se Maria Boaventura; dizem até, que depois de sua morte, houve sinais manifestos da glória que ela gozava.

Prática

Se estou no estado de tibieza, quero para dele sair, meditar seriamente as verdades eternas, tomar firme e determinada resolução e consagrar-me ao Divino Coração de Jesus. Se não vivo nesta desgraça, orarei pelas almas tíbias.

Afetos e Súplicas

Ó meu Deus, Vós me tendes prodigalizado Vossos benefícios, preferindo-me aos outros; eu Vos tenho prodigalizado ofensas. Ó Coração amargurado de meu Redentor, que, no jardim das Oliveiras, fostes tão afligido e atormentado pela vista de meus pecados, concedei-me, por Vossos merecimentos, verdadeiro conhecimento e viva dor de minhas faltas. Ah! Meu Jesus, cheio estou de vícios; mas Vós, que sois onipotente, podeis encher-me de Vosso santo amor. Ponho, pois, toda a minha confiança em Vós, bondade e misericórdia infinitas. Ó Bem supremo, arrependo-me de Vos ter ofendido: quem me dera ter morrido antes do infausto dia em que cometi o primeiro pecado! Ah! Desde hoje, tomo a resolução de Vos amar de todo o meu coração e de não amar mais senão a Vós. Ó bondade infinita, eu Vos adoro por todos aqueles que não Vos adoram; eu Vos amor por todos os que não Vos amam. Em Vós creio, em Vós espero, e dedicando-Vos meu coração, ofereço-me todo a Vós. Assisti-me com Vossa graça. Muito fraco sou, bem o sabeis; mas se me tendes prodigalizado tantos favores, quando eu não Vos amava, que não devo esperar de Vossa misericórdia, agora que Vos amo e desejo Vos amar para sempre? Terno Coração de Jesus, dai-me Vosso amor, mas um amor fervoroso, que me faça esquecer todas as criaturas; amor forte, que me faça vencer todas as dificuldades para Vos agradar, amor constante, que me apegue a Vós por laços indissolúveis. Ó Maria, Mãe do belo amor, obtende-me a graça de ser sem reserva para Jesus.

Oração Jaculatória

Belas chamas de amor do Coração de Jesus, consumi em mim todas as afeições desregradas.


Exemplo

A natureza dos Santos não é diferente da nossa. Nada melhor o prova que as faltas e imperfeições que eles deploraram em si. A Bem-aventurada Maria dos Anjos, esta flor perfumada do Carmo, mais que uma vez no-lo prova. Ela mesma conta que, na sua mocidade, era dada à vaidade, aos divertimentos, à dança, aos jogos, às conversações. “Eu amava muito, diz ela, os adornos vãos e esquisitos; passava largas horas diante do espelho; muitas vezes me sucedia aborrecer-me, não me achando bela quanto era meu desejo”. Ela nos diz também, que seu coração experimentava inveja, quando via suas companheiras mais preparadas do que ela, que os louvores lhe agradavam, gostava de ser procurada e amada. Um dia, colocada diante de um espelho, Maria se esmerava em compor seus cabelos. De súbito, pára espantada! Não é sua cabeça que ela vê no espelho, mas a cabeça triste, ensanguentada, coroada de espinhos do Salvador. A partir deste momento, a vitória da graça foi completa. Tornada carmelita, ela não quis viver senão para amar a Jesus Cristo. Pensamentos, palavras, ações, tudo nela era inspirado pelo amor divino. “Eu venho do amor, dizia ela, vou para o amor, penso no amor, tudo faço pelo amor”. Seus desejos de padecer eram ardentíssimos. “Ou dai-me padecimentos, ou fazei que eu morra! Porque a vida me é muito amarga quando não padeço”, escrevia ela. Um dia em que dores agudíssimas a retinham na cela, reputando-se muito miserável para que o Rei do Céu fosse visitá-la nesse lugar, Maria dos Anjos se resignava a privar-se da comunhão. Ora, no momento mesmo em que suas irmãs comungavam, Jesus lhe apareceu brilhante de luz; disse-lhe que, visto como ela se conservava longe Dele pelo respeito, vinha a ela por amor e a queria toda sua como Ele era todo para ela. Depois a apertou contra seu Divino Coração, e a inebriou com alegria que não tem nome na terra. Na sua derradeira enfermidade, ela dizia: “Minha vida foi abreviada com a doçura da obediência; eu pedi com tanta instância esta graça ao Coração de Jesus, que Ele me a concedeu, tão bom que é!” Aconselhando-lhe uma de suas irmãs que não pedisse padecimentos, visto que ela já padecia muito: “Sofrer! Sofrer! Retorquiu a doente; ó minha filha, se soubésseis que tesouro está oculto no sofrimento!”

Ela adormeceu no ósculo do Esposo divino, em fins de 1717, na idade de 57 anos.



Fonte: O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório, ou, Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês; coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.Ss.R., “Hora Santa” de Setembro, pp. 256-261. 5ª Edição Portuguesa, Tipografia de Frederico Pustet, Impressores da Santa Sé. Ratisbona/Alemanha, 1926.


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1.  Apoc. 8, 15.

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