Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 5 de junho de 2022

Consagração ao Divino Espírito Santo.


Espírito Santo, nosso Senhor e Deus!

Com o sentimento de nossa indignidade, nós nos ajoelhamos ante vossa Divina Majestade, a fim de, conjuntamente com vossa Corte celeste e Sua gloriosa Rainha, vossa Imaculada Esposa Maria, manifestar-vos a nossa adoração e gratidão, nossos louvores e dedicação.

Com o Pai e o Filho sois um só Deus. Criastes com Eles o Universo e com vosso poder infinito o governais em maravilhosa ordem.

Criastes o Redentor do gênero humano e O dotastes com a abundância de vossas dádivas e graças; dirigido por Vós, subiu Ele como oferenda imaculada o Altar da Cruz.

No dia de Pentecostes, vossa sagrada Páscoa, estabelecestes os fundamentos da Igreja de Cristo e visitastes os Apóstolos que, sem receio, pregaram em seguida com a força e a coragem da fé, perante judeus e pagãos.

Preservastes de todo erro a Igreja de Cristo e ornastes seus maiores Pastores com a graça da infalibilidade nos Dogmas e na Moral.

Por tudo isso, louvores e gratidão a Vós, ó Divino Espírito, por toda a eternidade!

Ó Espírito Criador, Distribuidor de vida e Fator sagrado, destes-nos o ser e a vida e nos conduzistes à verdadeira Igreja, fora da qual não há salvação. Enriquecestes nossa alma com as custosas roupagens da Graça Santificante; Vós a preparastes para vosso templo e tomastes morada nela; Vós a adornastes com virtudes e a encheis com vossa força e luz.

Por tudo isso, louvores e gratidão a Vós por toda a eternidade!

Deus Espírito Santo, Senhor infinitamente bom! Inúmeras vezes iluminastes nosso espírito, consolastes e aliviastes nosso ânimo, fortalecestes nosso coração e o enchestes com o santo amor de Deus e do Próximo. Vós nos dais a cada instante novos incentivos para a prática do bem; Vós nos distribuís graças infindas para o exercício da virtude, bem como para o combate ao pecado e à tentação.

Por tudo isso, graças e glória a Vós por toda a eternidade!

Como devemos recompensar-Vos, ó amoroso Espírito Santo, por todos os benefícios que nos tendes outorgado?

Nós Vos amamos, nós Vos louvamos, nós Vos agradecemos e adoramos, ó Divino Espírito e, em troca, consagramo-nos a Vós, neste momento, de corpo e alma, com todas as nossas forças e com tudo o que somos e possuímos.

Ofertamo-Vos nosso mísero coração com todo o seu amor, nossa vida com todas as orações, trabalhos, fadigas, sacrifícios e padecimentos. Tudo para vossa maior glória e veneração, Deus Espírito Santo, tudo por vosso amor!

Tudo em vosso louvor, tudo conVosco e por vosso intermédio! Tudo para a difusão de vossa Igreja na terra, bem como para a salvação e santificação das almas.

Aceitai misericordiosamente, ó Espírito de Amor, esta oferenda de nós mesmos e fortalecei nossa fraca vontade. Abençoai-nos a todos nós, míseros pecadores. Conservai em nós um bom espírito religioso, ardente esforço para a prática da virtude, fidelidade ao dever e ao cumprimento de nossas obrigações sociais e sincero amor ao próximo!

Livrai-nos do espírito de rebeldia e heresia, que ora ameaça o mundo, ó Consolo dos aflitos, e conduzi esta pobre Humanidade ao porto da salvação.

Assisti à Santa Igreja Católica, ao Santo Padre em Roma, aos Bispos e Sacerdotes do mundo inteiro. Iluminai com vossas luzes e graças todos os nossos Superiores Eclesiásticos. Santificai o nosso Clero! Abençoai a nossa estremecida Pátria Brasileira. Abençoai a nosso Cardeal. Esclarecei todas as nossas Autoridades Eclesiásticas e civis, para que governem segundo a vossa Divina vontade e torne feliz a Terra de Santa Cruz.

Abençoai e santificai as famílias brasileiras, para que, cada vez mais fielmente, sigam os vossos Divinos ensinamentos. Ó Rei do belo Amor, reinai nos nossos lares. Afastai tudo o que Vos desagrada. Preservai-nos, enfim, do pernicioso veneno do Espiritismo, do Comunismo e das Seitas acatólicas!

Sim, abençoai-nos e sede sempre para nós, um Senhor misericordioso, e acolhei-nos sempre com o vosso grande amor!

Como no dia de Pentecostes visitastes Maria Santíssima e os Santos Apóstolos, visitai hoje nossas almas ansiosas, ó Espírito da Sabedoria e da Inteligência, Espírito do Conselho e da força, Espírito da Ciência, da Piedade e do Temor de Deus!

Sim, vinde, ó doce Hóspede das almas, alegrai nossos corações sequiosos com vossa deliciosa presença; enriquecei nossas almas com vossos tesouros de graças; avivai em nós o fogo do vosso sagrado Amor!

Fortalecei-nos na desgraça e no sofrimento, protegei-nos em todos os perigos da alma e do corpo, consolai-nos na tribulação e na necessidade. Esclarecei-nos na ignorância, aconselhai-nos na dúvida, fortalecei-nos na angústia e dai-nos coragem na luta, pois queremos para vossa maior glória e honra, lutar e propagar com todos os esforços, o vosso Santo Amor e vossa devoção.

Queremos seguir voluntariamente vossas santas inspirações, amar-Vos de todo o coração e pertencer-Vos na vida e na morte. Cheios de esperança e confiantes em Vós, havemos de aguardar então o nosso derradeiro momento, desde que uma incomparável recompensa nos há de caber por nossos serviços e nosso amor.

Então Vos avistaremos, ó Espírito Santo, em vossa admirável, celestial Majestade e contemplaremos a beleza de vosso Semblante, que os Anjos extasiados adoram.

Então provaremos nós as doçuras de vossa alegria e ficaremos unidos a Vós em ditosa e amorosa companhia para sempre. Amém.


Sobre a Vinda do Espírito Santo.

(Para o dia da mesma Festividade)


Spiritus Sanctus… vos docebit omnia”.1


O Espírito Santo vos ensinará

tudo o que for necessário.


Quão admirável é Deus nas Suas obras, quão poderoso nos Seus benefícios! Depois de ter nascido, vivido e morrido pelo gênero humano; depois de ter ressuscitado glorioso, subido ao Céu, mostrando-nos em tudo isto o Seu grande poder e os excessos do Seu amor para conosco, passados cinquenta dias depois da Sua Ressurreição e Ascensão, para dar ainda mais provas da Sua Onipotência e bondade, enviou o Seu Espírito, isto é, o Espírito Santo sobre os Seus Discípulos e demais fiéis. Já Ele mesmo antes O tinha prometido aos mesmos Discípulos, quando com eles conversava, e os instruía sobre o que então podiam perceber, dizendo-lhes uma vez: “O Espírito Santo vos ensinará tudo o mais que necessário for – Spiritus Sanctus… vos docebit omnia.

Este Divino Salvador, que bem conhecia a curta inteligência dos Apóstolos e de todos os fiéis para cumprirem com os deveres, que Ele mesmo lhes impõe; conhecendo ao mesmo tempo o pouco ânimo para se arrostarem contra tantos perigos e inimigos, promete a vinda e assistência do Espírito Santo, que, como verdadeira luz, a todos guiaria sobre o que deveriam fazer, e a todos confortaria no meio dos combates, para os sofrer com valor; e isto mesmo obrou maravilhosamente neste dia. Veio, com efeito, o Espírito Santo dos altos Céus sobre a terra, e mudou assim os entendimentos humanos, mudou os corações, e renovou a face da mesma terra. Tão maravilhosos foram os seus efeitos, que fizeram pasmar a humanidade, e assombrar os inimigos da Religião. Enfim, os prodígios realizados pelo Espírito Santo nestes dias são tantos e tamanhos, que só uma fiel explicação de tais acontecimentos vos poderá dar algum conhecimento. Eu passo, por isso, a fazê-la para vossa instrução, isto é, vou mostrar-vos ou explicar-vos os grandes prodígios que realizou nestes dias o Espírito Santo. – Eu principio.

Quem é o Espírito Santo? É a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, a qual procedeu do Pai e do Filho por operação infinita de amor, Deus com o mesmo Pai e com o mesmo Filho, e em tudo igual às duas Pessoas Divinas. É ele quem mais particularmente nos ensina tudo quanto é bom, e nos repreende tudo quanto é mau; quem nos guia para o Céu; quem nos move o nosso coração para o arrependimento das culpas, e para uma sincera conversão; quem nos comunica forças para sofrer trabalhos, perseguições, e toda a qualidade de tribulações; finalmente, é Ele quem nos ensina toda a verdade, tudo quanto é necessário para a nossa salvação e para o bem da Santa Religião. Mas para mostrar-vos estas verdades, não preciso mais do que referir-vos aquilo que neste dia aconteceu, e é o seguinte.

Depois que os Apóstolos viram subir o Divino Mestre ao Céu, retiraram-se com mais alguns fiéis à cidade de Jerusalém, e se fecharam na casa do Cenáculo com medo dos judeus, mas entregando-se ao mesmo tempo à oração, e esperando a vinda do Espírito Santo, como lhes tinha prometido o Divino Salvador. Havia dez dias que ali estavam, e perseveravam orando e esperando esse momento ditoso. E no dia de hoje pelas nove horas da manhã sentiu-se um som estrondoso, como de um forte e veemente vento, que descia do Céu e abalava a casa em que estavam, soprando sobre todos.2 Então se viu descer sobre cada um o Espírito Santo em línguas de fogo, mas Fogo Divino, que docemente os abrasavam no amor de Deus. E então ficaram os Apóstolos transformados em outros homens pela virtude do Espírito Santo. Verdadeiramente sábios para pregar e confundir toda a sabedoria humana; verdadeiramente fortes e animosos para combater com os inimigos de Jesus Cristo, para sofrerem toda a qualidade de trabalhos, de perseguições, e até a própria morte com os mais cruéis tormentos.

Saindo logo para fora da casa onde estavam, sem medo algum levantam sua voz contra os judeus que tinham crucificado o Messias prometido, Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que os tinha vindo remir do pecado. Eles sendo pescadores tão grosseiros e ignorantes, que nem ainda sabiam ler, citam a Sagrada Escritura, apontam muitas das suas profecias, formam discursos lógicos e admiráveis, e de tal modo e com tanto milagre, que estando então em Jerusalém uma grande multidão de povo de muitas partes do mundo, todas as pessoas de diferentes línguas os ouviam e entendiam; todos estava assim pasmados e admirados – Stupebant omnes, et mirabantur. Que prodígio é este, diziam muitos, que prodígio é este? Não são estes homens porventura habitantes da Galileia? Como pois os ouvimos nós, e entendemos em todas as nossas línguas? Porventura não são estes os mesmos homens que há pouco dirigiam os barcos, puxavam as redes, sendo uns pobres pescadores, rústicos de geração, sem poderem, nem saberem dizer coisa alguma diante dos sábios? Não são estes os mesmos que há pouco estavam escondidos com grande medo aos inimigos de seu Mestre? Como pois agora os ouvimos falar com tanto acerto, com tanta sabedoria, referindo as profecias, e sem medo algum? – Stupebant omnes, et mirabantur.

Só os mais emperrados judeus resistiam a este grande prodígio; e não tendo essa Sinagoga crucificadora de Jesus Cristo mais para onde apelar, começou a dizer que aqueles homens estavam tomados de vinho, que não estavam em perfeito juízo – Musto pleni sunt isti. Pedro, porém, como mais velho, como Chefe do Apostolado e Vigário de Jesus Cristo, toma o lugar mais alto, e com os seus onze companheiros ao lado, levanta por todos a sua voz, e diz: “Judeus e estrangeiros, vós todos que me ouvis, entendei este Mistério; não estamos nós embriagados, como alguns de vós pensais e dizeis; ainda são nove horas, tempo em que não é lícito comer nem beber; o que vos pregamos, o mostramos pela Escritura Sagrada; o que vós fizestes a Jesus Cristo já estava previsto pelos Profetas; a sua Ressurreição e Ascensão o mesmo; e isto que estais vendo e ouvindo, são efeitos maravilhosos do Espírito Santo, o que também já estava profetizado”. Com tanta clareza lhes prega, apontando as autoridades da Escritura, e com tanto zelo, que logo no primeiro Sermão converteu três mil pecadores; na segunda-feira, pregando outra vez, e dando saúde a um aleijado desde o nascimento, converteu cinco mil pecadores; de sorte que pela virtude do Espírito Santo foram convertidas nestes dois dias 8 mil almas para Deus.

Tais são os maravilhosos prodígios que nestes dias obrou o Espírito Santo; é esta a História Sagrada da presente Festividade. Ah! E quem não se admira de ver maravilhas tão raras e tão repentinas, realizadas pelo Divino Espírito? Os Apóstolos, pescadores ignorantes, mudados em sábios; homens medrosos, feitos valentes guerreiros da milícia de Jesus Cristo; muitos judeus crucificadores, e inimigos figadais do Redentor, convertidos em amigos Seus; muitos corações congelados no frio do pecado, abrasados inteiramente no amor de Deus! Mas ainda, aqui não param os maravilhosos prodígios do Espírito Santo. Os Apóstolos, guiados e animados por Ele, dividem o mundo entre si; caminham a toda a parte sem medo; pregam a todos os povos, a judeus e a gentios, a sábios e a ignorantes, a reis e a vassalos, e a todos anunciam a Verdade, a Religião de Jesus cristo. Imensas pessoas que os ouvem, andando cegas dos seus erros e paixões, abrem os olhos por virtude do Espírito Santo, conhecem a Verdade, renunciam os deuses falsos que adoravam, seguem o Deus verdadeiro; deixam os vícios, e buscam a virtude, e não temem sofrer perseguições e a morte por amor de Deus; enfim, o Espírito Divino soprou em todo o mundo, e mudou toda a terra – Spiritus replevit orbem terrarum.

E não causará Ele em nós os mesmos prodígios? Sim, irmãos meus; com verdade vos digo, que o Espírito Santo não só hoje, mas todos os dias e até todas as horas desce aos corações e às almas de todas aquelas pessoas que não Lhe resistem. Se acaso não baixa com os mesmos prodígios visíveis com que baixou sobre os Apóstolos, baixa com os efeitos de conversão, de santificação, de sabedoria e de amor, para servirmos e amarmos a Deus, e sofrermos por Ele e pela nossa salvação. Porém, desgraçadamente há contínua e quase obstinada resistência da parte de imensas pessoas a este Espírito Divino. Eu vejo, e com mágoa o digo, vejo sim muita gente desprezar os impulsos do Espírito Santo, e seguir o espírito mau, que é o Demônio. O Espírito Santo vos inspira que ameis a Deus, e o espírito mau vos ensina que ameis o mundo, as suas riquezas, os seus prazeres e divertimentos, as suas máximas e as suas modas; e vós desprezais os conselhos do Espírito de Deus, e seguis os conselhos do Demônio.

O Espírito Santo vos inspira que não andeis por benzedeiras, que não rogueis pragas, que não jureis, que não falteis à Santa Missa, nem trabalheis nos dias do Senhor, que cumprais com os deveres do vosso estado, que não vos agonieis, e que não façais, nem desejeis mal ao vosso próximo; e o espírito mau vos tenta e ensina a fazer tudo pelo contrário: e vós deixais os conselhos ou inspirações Divinas, e seguis as do Demônio. O Espírito Santo vos inspira que deveis ser castos em pensamentos, palavras e obras; que deveis resistir a todas essas impurezas ou apetites da carne; que não deveis falar dos defeitos do vosso próximo; que não deveis julgar mal sem fundamento; enfim, que não deveis fazer estes nem outros pecados: mas o espírito mau vos ensina e vos tenta para tudo isto; e vós desgraçadamente desprezais os conselhos do Espírito Divino, e seguis as tentações do Demônio. O Espírito Santo vos ensina, ou vos inspira muitas vezes, que confesseis esses pecados calados; que não andeis a fazer confissões nulas e comunhões sacrílegas; que vos confesseis bem, e que vos emendeis, porque pode vir a morte, e cairdes no Inferno repentinamente: e o espírito mau vos ensina, que para outra vez direis esses pecados, que ainda tereis tempo de os confessar, ou que Deus vos perdoará por outro modo; e vós desprezais os conselhos do Espírito Divino, e seguis as sugestões do Demônio, encobrindo as vossas culpas ao Confessor, e andando assim a fazer sacrilégios e mais sacrilégios, a condenar-vos sem remédio algum.

O Espírito Santo, quando ouvis um Missionário ou um Pregador, ou Confessor, vos inspira que olheis para o que vos diz para o vosso bem, que deixeis o pecado, que vos emendeis, que vos confesseis, e que vos volteis sinceramente para Deus, para vos salvar; mas o espírito mau vos diz pelo contrário no vosso interior, que deixeis falar esse Pregador ou Confessor, que não é tanto como eles dizem, que são muito rigorosos, que Deus é de misericórdia, que vos há de dar tempo e perdoar, que ainda sois novos; e vós infelizmente desprezais os conselhos do Espírito Divino, que vos avisa por meio do Pregador ou Confessor e por meio de graças interiores, e seguis esses enganos do Demônio, continuando a pecar. Enfim, sois da qualidade daqueles pecadores, de quem falou Santo Estêvão: pecadores que sempre resistem ao Espírito Santo – Vós semper Spiritui Sancto resistitis. Sois pecadores os mais miseráveis e desgraçados, porque resistis a tudo; nunca obedeceis ao Espírito Santo, nunca vos emendais; só obedeceis ao Demônio.

Converteram-se no Domingo do Espírito Santo e na segunda-feira, só com dois Sermões de São Pedro oito mil judeus, movidos pela graça do mesmo Espírito Santo; e vós nem com quantos sermões, missões, ou práticas que vos façam, vos converteis de coração. Estou bem certo, que o Espírito Santo vos avisa muitas vezes no coração, repreendendo-vos o pecado, e chamando-vos com a Sua graça à penitência e à emenda; mas vós nem pelos Pregadores, nem pelos Confessores, nem pelo Espírito Santo deixais de pecar, ora de um modo, ora de outro; sois por isso, mais endurecidos, mais impenitentes do que os judeus crucificadores de Jesus Cristo. Estes, quando ouviram a primeira vez pregar os Apóstolos no dia de hoje, de tal maneira se comoveram, que logo verdadeiramente arrependidos dos seus pecados, banhados em lágrimas de sincera dor, exclamaram deste modo: “Que havemos nós agora de fazer, Apóstolos do Senhor? Nós temos ofendido tanto a Deus, desprezamos o nosso Redentor, crucificamo-lO, matamo-lO, cometemos estes e outros muitos crimes; mas agora que remédio teremos? Que será de nós? - Quid facimus, viri fratres?”

Porém, São Pedro lhes dá logo o remédio, dizendo: “Fazei penitência; batizai-vos e emendai-vos de vossos pecados, e Deus vos perdoará tudo”; e logo uma multidão imensa de homens e mulheres deixaram o pecado, voltando-se sinceramente para Deus. A sua conversão, ainda vos direi mais, não era uma cerimônia ou ilusão, quero dizer, não era uma conversão fingida, como de muitos do nosso tempo, mas uma conversão com tal firmeza, com tanta resolução, que renunciaram logo a todos os seus bens; venderam quanto tinham, deram tudo aos Apóstolos para com mais facilidade se entregarem à oração e demais atos da Religião; enfim, eram firmes e constantes em seguir a doutrina dos Apóstolos e a verdadeira virtude – Erant perseverantes in doctrina Apostolorum. A sua conversão era tão sincera, tanto do coração, que depois já não temiam os outros judeus ainda teimosos no erro e no pecado; já não temiam os tormentos, nem a morte; e tudo sofriam com a maior constância e valor; guiados e animados pelo Espírito Santo, nada os intimidavam; nada era capaz de os fazerem voltar atrás, deixarem a Deus para seguirem o Demônio.

Porém, vós cristãos, pecadores do nosso tempo, que fazeis? Como obrais? É deste modo como aqueles? De certo não. Ou resistis sempre ao Espírito Santo, continuando do mesmo modo no pecado, como já vos disse, ou se alguma vez vos comoveis e converteis, seguindo os impulsos da graça do Espírito Santo, daí a pouco ou daí a algum tempo vos corrompeis de novo; deixais o caminho começado; deixais de obedecer ao Espírito Divino, e seguis outra vez o Demônio. Não é preciso que vos persigam com tormentos, que vos ameacem com a cadeia ou com a morte, para deixardes a Deus ou a Sua Lei, para cairdes neste ou naquele pecado mortal, para deixardes de vos confessar constantemente, buscar a oração e demais atos de piedade e virtude; basta qualquer dito, qualquer zombaria, qualquer tentação, já deixais tudo; basta que alguém vos peça ou convide para o pecado, já não vos importais com inspirações divinas, com avisos do Espírito Santo, com as promessas que lhe fizestes diante dos Altares, ou aos pés do Confessor; já deixais tudo pelo Demônio. Ó miseráveis almas, que conversões são as vossas? Quanto sois infiéis ao Espírito Santo! Ele a ensinar-vos, e vós a desobedecer-Lhe; Ele a conduzir-vos pelo caminho do Céu, e vós a irdes pelo caminho do Inferno; Ele a desviar-vos do Demônio, e vós a seguirdes o mesmo Demônio; Ele a querer-vos salvar, e vós a querer-vos condenar!

Ó desgraçados pecados, que será de vós! Se não seguis os conselhos ou inspirações do Espírito Santo, mas sim os conselhos ou sugestões do Demônio, o mesmo Demônio será o vosso deus, visto que ele é o vosso amigo, a quem tanto fazeis a vontade, com ele vivereis, com ele morrereis, e com ele estareis eternamente de companhia no Inferno. Mas, olhai o que fazeis, pecadores. Para que haveis de andar com esses corações duros, sempre resistindo aos impulsos do Espírito Santo? Pois, os Apóstolos e tantos fiéis do Cristianismo viviam e morriam abrasados no amor de Deus; movidos pelo Espírito Divino tudo faziam, tudo sofriam, e vós não podeis fazer coisa alguma por Deus e pela vossa alma, não podeis sofrer qualquer tentação sem cair nela? O Espírito Santo ainda é, e será sempre o mesmo, os Seus dons os mesmos; logo, os efeitos de conversão e amor, por que não são hoje os mesmos, como noutro tempo? Ah! Toda a culpa é vossa, irmãos meus. Vós quereis mais fazer a vontade ao espírito mau, do que ao Espírito Santo.

Mas não, irmãos meus, não façais assim de hoje em diante. Segui sempre os conselhos do Espírito Santo, e deixai o Demônio para sempre; convertei-vos hoje, confessai-vos, fazei penitência do passado, e não sejais ingratos ao Espírito Santo; não continueis mais nessa dureza de coração e do pecado. Andai para Deus, porque Ele vem para vós. Vinde, ó Espírito Divino, e lá do trono celeste vibrai um raio de luz sobre a morada terrestre. Dos pobres, amante Pai, das graças Dispensador; clara Luz dos corações, vinde a nós, ó Santo Amor. Sem a vossa Graça Divina, sem a vossa Divindade, só há miséria no homem, só há culpa e iniquidade. O que é duro tornai brando, o frio tornai amante; pela estrada da vossa Lei conduzi o cego errante. Ó meu Deus, não afasteis de nós o vosso Espírito, digo eu com o vosso Profeta. Guiai-nos para o bem; movei o nosso coração para tudo quanto é do vosso agrado. Eu quero obedecer-Vos de hoje em diante. Maldito Demônio, afasta-te de mim; eu não quero seguir mais os teus conselhos, porque não servem senão para minha perdição. Maria Santíssima, Esposa do Espírito Santo, ajudai-me a que eu não Lhe resista mais: ajudai-me a obedecer-Lhe em tudo. Amém.


Fonte: Pe. Fr. Manoel da Madre de Deus, O.C.D., Práticas Mandamentais ou Reflexões Morais Sobre os Mandamentos da Lei de Deus e os Abusos que lhes são Opostos, Outras Práticas e Missões – Prática 10ª, pp. 560-567. 3ª Edição, Em Casa de Cruz Coutinho – Editor, Porto, 1871.


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1.  Joann. 14, 26.

2.  Act. Ap. 2, 2.


Explicação das Promessas do Sagrado Coração de Jesus. 2ª Explicação.


A Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

é Sinal de Predestinação ao Céu


Como declara o Concílio de Trento1, na terra não se pode ter a certeza da própria Predestinação, a não ser por Revelação Especial. Nenhum dos justos, a não ser por Revelação Especial, sabe se perseverará nas boas obras e na oração...”.2

O Concílio de Trento iniciou as suas atividades em 1545 e as encerrou em 1563; e Nosso Senhor aparece a Santa Margarida Maria em 1674, numa sexta-feira pedindo a Hora Santa de Reparação nas quintas-feiras, e faz a Promessa que mais tarde terá a denominação de “A Grande Promessa”. 111 anos separam o grande Concílio de Trento da Grande Promessa do Sagrado Coração de Jesus.



Promessas Feitas a Todos que Honrarem

o Sagrado Coração de Jesus Cristo


  1. Dar-Lhes-ei todas as Graças necessárias ao seu estado.

  2. A paz reinará nas suas famílias.

  3. Consola-Los-ei em todas as suas aflições.

  4. Serei o seu refúgio seguro na vida e, sobretudo, na hora da morte.

  5. Derramarei abundantes bênçãos sobre todas as suas empresas.

  6. Os pecadores acharão sempre no Meu Coração a Fonte e o Oceano infinito de misericórdia.

  7. As almas tíbias, muda-Las-ei em fervorosas.

  8. As almas fervorosas, eleva-Las-ei em pouco tempo a um alto grau de perfeição.

  9. Abençoarei as casas em que se achar exposta e honrada a imagem do Meu Sagrado Coração.

  10. Darei aos Sacerdotes o dom de abrandarem os corações mais endurecidos.

  11. As pessoas que propagarem esta Devoção, terão os seus nomes escritos no Meu Coração, de onde jamais serão riscados.

  12. A Grande Promessa: Prometo, na excessiva misericórdia do Meu Coração, que o Meu Amor Todo-Poderoso concederá a todos os que comungarem nas Primeiras Sextas-feiras de nove meses consecutivos, a Graça da Penitência Final (a Graça da Boa Morte), fazendo que não morram em desgraça Minha, nem sem receber os Meus Sacramentos, e achando eles no Meu Divino Coração um asilo seguro nessa última hora.



Explicações das Promessas feitas

pelo Sagrado Coração de Jesus

a seus Devotos3


2ª Promessa


Concederei a paz às Famílias daqueles que

tiverem uma grande Devoção ao Meu Coração”


I. Coisa bem desejável é a paz; onde ela existe, está a bênção de Deus, e onde está Deus, não há tribulação.

Et in terra pax hominibus, bonae voluntatis – e na terra paz aos homens de boa vontade”: assim cantaram os Anjos do Céu no Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Anjo de paz” se chama a uma pessoa pacífica, porque se assemelha a esses Anjos, e porque é ofício destes trazer a paz; enquanto, pelo contrário, trazer a discórdia, a desunião, foi o ofício do Demônio no Céu, desobedecendo a Deus, e no Paraíso terrestre, seduzindo a nossos antepassados.

Que estado lamentável apresentam a Família, a Sociedade e as Nações, se nelas não reinar a paz! As consequências das discórdias experimentamos atualmente. Ódios, suicídios, homicídios, vinganças, guerras e misérias de toda sorte, são o resultado da falta da paz e união nos povos.

II. A fraqueza e as paixões humanas, triste herança do Pecado Original, provocam discussões e contrariedades entre os homens. Porém, para um bom cristão há muitos meios de reconciliação.

Um deles é a palavra do Apóstolo São Paulo, que nos incita, dizendo: “Não deixeis pôr-se o sol, estando zangados com alguém”.4 E por quê? Porque ignoramos a hora de nossa morte, que nos pode surpreender e levar-nos ante o Tribunal de Deus, para darmos contas de todas as nossas ações, palavras e pensamentos.

Outra ocasião que se nos apresenta para nos reconciliarmos com o próximo, é a assistência à Santa Missa nos Domingos e nas Festas, pois a Sagrada Escritura nos diz: “Se te lembrares que teu irmão tem uma coisa contra ti, vai primeiro reconciliar-te com ele, e então, vem e oferece o teu sacrifício”.5

Estas palavras significam que, as nossas orações não serão aceitas por Deus, se guardarmos ódio ou rancor ao nosso próximo. Antes do Santo Sacrifício da Missa devemos, pelo menos de coração, reconciliar-nos com ele.

Uma terceira ocasião se nos oferece pela recepção dos Santos Sacramentos da Confissão e Comunhão; pois, claro está que não podemos esperar perdão dos nossos pecados, se não perdoarmos a nosso próximo de todo coração, conforme no-lo ensinou nosso Divino Salvador, ao rezar o Padre Nosso: “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

Recebendo depois a Santa Comunhão, abrigando em nosso coração o “Príncipe da Paz”, isto é, a Jesus Cristo, que desceu do Céu para trazer a paz, necessariamente temos de sentir em nós os efeitos de uma boa Comunhão, que são a caridade, a paz e a concórdia.

Quantas almas há, que deixam passar estas boas ocasiões, todas estas graças divinas que lhes facilitariam a reconciliação com os seus irmãos! Contudo, continuam em seu estado lastimável, levando ao sepulcro o ódio e o rancor em seus corações, que lhes merecem as penas eternas.

III. Ora, qual é então, o meio e remédio para manter em nós, nas Famílias e na Sociedade a paz e a concórdia?

É o Sagrado Coração de Jesus, que prometeu conceder a paz às Famílias daqueles que lhe tivessem uma grande devoção.

Devemos venerar ao Sagrado Coração não só por palavras e sentimentos, mas também por fatos, imitando-O; pois, nos exorta a isso, dizendo: “Aprendei de Mim, que Sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas”.6

Estejamos também prontos a fazer sacrifícios para manter a paz com o próximo, à semelhança de Nosso Senhor, que os fez imensos para nos reconciliar com Seu Eterno Pai. Então, poderemos esperar o cumprimento destas palavras: “Bem-aventurados os pacíficos, pois, serão chamados filhos de Deus”.7 Teremos o sublime título de “filhos de Deus” com Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus, que é o “Príncipe da Paz”. E para que se realize em nós esta preciosa promessa de Jesus, digamos-lhe: “Coração de Jesus, paz e reconciliação nossa, tende piedade de nós”. Amém.



Epílogo8


Depois de ter Jesus revelado a Santa Margarida Maria Alacoque estas promessas, acrescentou as seguintes palavras:

Anunciai e manda anunciar a todo o mundo, que não porei limites nem medida às Minhas graças, para com aqueles que as buscarem no Meu Coração”.

Sigamos, pois, este honroso convite e participaremos, neste mundo, destas promessas e graças, para que se verifique um dia, no Céu, o que pedimos nas Ladainhas: “Coração de Jesus, delícias de todos os Santos, tende compaixão de nós”. Amém.


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1.  Denz., 805 e 826.

2.  Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, O.P., “L'éternelle vie et la profondeur de l'ame – O homem e a eternidade”, Parte V, p. 308; Tradução de Januário Nunes, Editorial Aster – Lisboa / Editora Flamboyant – São Paulo, 1959.

3.  “As Promessas do Sagrado Coração de Jesus, feitas aos Seus devotos por meio de Santa Margarida Maria Alacoque, explicadas pelo Pe. Erasmo Raabe, P.S.M.”, pp. 7-39; Ed. Vozes, Petrópolis, 1931.

4.  Ef. 4, 26.

5.  Mat. 5, 23.

6.  Mat. 11, 29.

7.  Mat. 5, 9.

8.  “As Promessas do Sagrado Coração de Jesus, feitas aos Seus devotos por meio de Santa Margarida Maria Alacoque, explicadas pelo Pe. Erasmo Raabe, P.S.M.”, ob. cit., p. 40.


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