Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 14 de agosto de 2021

O Desenlace Ditoso da Rainha Divinal

Exposição Doutrinária


1. Já havia muito – segundo opinam alguns teólogos, talvez 15 anos – desde a vinda do Espírito Santo, em Pentecostes, que Maria, por disposição divina, assistia com cuidados maternais a Igreja nascente de Cristo.


Mais do que um São Paulo, desejava Ela, com veemência, “desprender-se dos laços da carne para estar com Cristo”,1 pois, amava a seu Filho mais do que qualquer outro Santo.


Com saudades muito mais ardentes que o Profeta Davi, Ela exclamava: “Quem me dera penas de pomba para voar ao meu Deus e n’Ele achar o meu repouso? Como o cervo suspira pelos mananciais das águas, assim por Vós suspira minha alma, ó meu Deus!”.2


Maria desejava a morte, a fim de unir-se para sempre ao seu Filho bem-amado.


Sua morte não foi uma separação violenta do corpo e da alma, por não estar apegada à criatura alguma. Nem foi, como nos demais homens, uma pena do pecado, sendo Ela toda Santa e isenta de qualquer mancha.


Querendo Deus, fosse Maria bem semelhante a Jesus”, assim se exprime Santo Afonso de Ligório, “convinha que morresse a Mãe como tinha morrido o Filho. Queria o Senhor dar aos justos um exemplo da morte preciosa que lhes está preparada e por isso determinou que morresse a Virgem, mas de uma morte toda doce e feliz”.3


Se no dizer do Salmista4 “é preciosa aos olhos do Senhor a morte dos seus Santos”, quão preciosa não havia de ser a morte da mais Santa de Todos os Santos! Pois, conforme se exprime com sutileza Santo Ildefonso: “Se os Santos morreram ‘no amor’ de Deus, só Maria é que morreu ‘de amor’!”5


2. Referem alguns escritores sacros, como São João Damasceno, que os Apóstolos, vindo, como por milagre, das diversas partes do mundo, onde estavam dispersos e pregando o Evangelho, se reuniram em derredor do leito de Maria.6


Observa um grande teólogo da atualidade, Dr. Scheeben, acerca da tradição da presença dos Apóstolos à morte de Maria, que esta não foi nem impossível, nem incoveniente.7


Com efeito, considerando as íntimas relações que ligavam os Apóstolos à Mãe de Deus, depois da Ascensão do Senhor ao Céu, achamos muito natural, que os Apóstolos – os filhos recomendados por Jesus a Mari – por disposição divina, se encontrassem presentes à hora suprema de sua Mãe e Rainha.


É também de supor que a Virgem não morresse inesperada e repentinamente, mas que São João, ou por própria iniciativa ou por desejo de Maria, em vista de sua avançada idade e outras circunstâncias, avisasse com antecedência os Apóstolos do desenlace próximo futuro da Mãe de Deus.


Maria, vendo então os amados filhos reunidos ao redor de Si, lhes terá dado seus últimos avisos e conselhos, animando-os a continuarem na luta e na propagação do Reino de Cristo e lhes terá lançado a sua última bênção maternal e prometido a sua assistência e auxílio de lá, do Céu.


3. As palavras “eis aí teu filho” – “eis aí tua Mãe”, que Jesus moribundo dirigiu à sua Mãe e ao Discípulo amado, bem como a reunião dos Apóstolos ao redor de Maria no Cenáculo, por ocasião da descida do Espírito Santo e, em seguida, a longa assistência da Virgem À Igreja nascente, dão à Mãe de Deus um legítimo direito ao título de “Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos”.


A Santíssima Virgem cumpria exatamente sua missão nesta terra. Consumira sua vida no Apostolado de que fora incumbida por Deus: de cooperar com seu Filho divino na Redenção do mundo e assistir a Igreja nascente.


Afinal chegou o termo de sua vida, o momento de sua libertação do exílio terrestre.


Assim como o sol refulgente do meio-dia, ao declinar e dissolver-se em crepúsculo vespertino, sorri pela última vez à terra e, como despedindo-se, a beija com os seus lábios purpúreos, assim declinou a vida luminosa e apostólica da Santíssima Virgem ao ocaso.


A sua morte foi semelhante ao esplêndido pôr do sol. Foi, na expressão da Santa Igreja, “dormitio Virginis” – um doce “adormecer”.


Consideração Prática


Statutum est hominibus semel mori” – “Estabelecido está que os homens morram”.8


A morte é certa, certíssima. Incertas, porém, são as circunstâncias.


Será preciosa aos olhos do Senhor a minha morte, como a dos seus Santos?


Sim, será, se eu tiver, à imitação da Mãe de Deus, cumprido com o fim principal de minha vida, que é “conhecer, amar e servir a Deus” – doutrina cristã fundamental – e desta maneira salvar a minha própria alma e, conforme as condições do meu estado, procurar a salvação do próximo.


É este o fim, a missão, o Apostolado de minha vida cristã.


Conta um Padre Missionário: Hoje fui visitar uma moça, Filha de Maria. Cheguei a tempo para assistir à sua morte edificante. Já a conhecia, mas hoje se revelou-me, como nunca antes, a sua alma cândida e generosa.


Com toda a ingenuidade e com um sorriso nos lábios, ela me disse: “Meu Pai, hoje me vou!”


E não tem medo, minha filha?” – “Como ter medo”, replicou, “sou Filha de Maria! Esforcei-me sempre por ser boa filha de minha Mãe celeste. Consola-me também o ter cooperado no Apostolado, como Catequista, em prol das almazinhas das meninas. Nunca esqueci a bela palavra da Sagrada Escritura, que Vossa Reverendíssima, num seu sermão, citou: Aqueles que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça ou da virtude, luzirão como as estrelas por toda a eternidade”.9


Após alguns instantes, continuou: “Meu pai, hoje tenho que revelar-vos ainda um segredo meu. Faço-o, porque se trata da salvação da alma de meu querido Papai. Desde o seu casamento, ele nunca mais voltou a confessar-se e comungar. E a Missa, ouviu-a uma vez no ano. A Missa do Galo no Natal, porque gostou.


Quando caí doente, desejava e esperava restabelecer-me. Mas, desde que declararam incurável minha doença, me resignei. Sim, com custo e relutância, mas, afinal, me resignei. E para não viver e sofrer em vão, ofereci a minha doença e minha vida, em holocausto, pela conversão do meu Papai. Não duvido que Deus Nosso Senhor, em atenção ao meu sacrifício, lhe dará esta graça. Por isso, recomendo aos cuidados de V. Revma. a alma de meu Papai, depois da minha morte”.


Todo emocionado, prometi à moça interessar-me no que desejava. E lhe disse: Desta maneira, a Sra. Encerra a sua vida com um ato sublime de Apostolado e poderá fazer suas as palavras de São Paulo: O tempo da minha dissolução avizinha-se; combati o bom combate, acabei a minha carreira, guardei a fé. De resto me está reservada a coroa da justiça que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia”.10


Na verdade, que bela sentença esta! Que consolação para mim!” exclamou a doente e logo acrescentou: “Mas, já sinto, meu Pai, que estamos na hora. Faça entrar os meus Pais e irmãozinhos e diga-lhes que entoem o meu canto predileto que lhes ensinei também a cantar”.


Depois de entrada a família toda, os pequeninos começaram, por entre soluços, a cantar:


Com minha Mãe estarei

Na santa glória um dia!

Junto à Virgem Maria

No Céu triunfarei!


No Céu, no Céu,

Com minha Mãe estarei!


Na terceira estrofe, a doente, virando a cabeça para o outro lado, com um doce sorriso, expirou. A sua alma cândida e generosa voou para junto de sua Mãe celestial.


Morrer sorrindo é privilégio dos mimosos de Maria”.


Foi na hora em que, no Coro da Catedral, os Clérigos entoavam as primeiras Vésperas da festa da Assunção de Nossa Senhora.


Não menos edificante, foi a morte de Da. Maria Desidéria, grande devota de Maria e célebre escritora Brasileira, falecida em Florianópolis, em 1933. Pouco antes de entregar sua alma ao Criador, pedira às Irmãs Religiosas, que lhe assistiam, cantassem “Com minha Mãe estarei”.


Desejamos morte semelhante? Dirijamos, todos os dias, com atenção e devoção, à Mãe celeste a Oração da Santa Igreja: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte”. Amém.



Fonte: Rev. Pe. Dr. Erasmo Raabe, S.A.C., “Regina Mundi – Considerações doutrinal-práticas em trinta e três capítulos para os meses e festas de Maria”, 2ª Parte, Cap. XXIII, pp. 123-128. 2ª Edição, Edições Paulinas, São Paulo, 1954.


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1.  Filip., 1, 23.

2.  Salm., 41.

3.  S. Afonso M. de Ligório, “Glórias de Maria”, Segunda Parte, Tratado I, Cap. II, VII. da Assunção de Maria, Consideração Primeira, p. 264. 6ª Edição, Editora Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1964.

4.  Salm., 115, 15.

5.  Frei Henrique Trindade, “A Alma Gloriosa de Maria”, p. 151, “Vozes”.

6.  Die 4º infra Oct. Assumptionis, lectio 4-6.

7.  Dogm., III, 588.

8.  Heb., 9, 27.

9.  Dan., 12, 3.

10.  II Tim., 4, 7.


Sodomia – Pederastia – Homossexualismo - O Pecado Contra a Natureza é o Compêndio Universal de Todas as Impurezas. 3ª Parte.


3ª Parte



Carta de Barnabé

(Escrito Apostólico – 134-135 d.c.)


Fujamos, pois, radicalmente de todas as obras iníquas, para que as obras iníquas jamais se apoderem de nós. Odiemos o erro do mundo presente, para que sejamos amados no mundo futuro…


Também ‘não comerás a lebre’. Por que razão? Isso quer dizer: não serás Pederasta, nem imitarás aqueles que são assim. Porque a lebre, a cada ano, multiplica seu ânus. Ela têm tantos orifícios quanto o número de seus anos. Também ‘não comerás a hiena’. Isso quer dizer: não serás nem adúltero, nem homossexual, e não te assemelharás àqueles que são assim. Por que razão? Porque esse animal muda de sexo todos os anos, e torna-se ora macho, ora fêmea. Ele odiou também ‘a doninha’. Muito bem! Não serás como aqueles que cometem, como se diz, iniquidade com a boca por depravação, nem te ligarás a esses depravados que cometem iniquidade com sua boca. De fato, esse mal se concebe pela boca.


Moisés, tendo recebido tríplice ensinamento sobre os alimentos, usou de linguagem simbólica. Eles (os hebreus), porém, o entenderam sobre os alimentos materiais, por causa do desejo carnal”.1


Este é o Caminho da luz: se alguém quer andar no Caminho e chegar ao lugar determinado, que se esforce em suas obras. Eis, portanto, o conhecimento que nos foi dado para andar nesse Caminho: Não te ligues àqueles que andam no Caminho da morte. Odeia tudo o que não é agradável a Deus… Não abandones os Mandamentos do Senhor… Não mates a criança no seio da mãe, nem logo que ela tiver nascido… Não te descuide de teu filho ou de tua filha. Pelo contrário, dá-lhes instrução desde a infância no temor do Senhor… O quanto podes, sê puro com a tua alma… Odeia totalmente o mal… Confessa os teus pecados. Não te apresentes em má consciência para a oração”.2


O Caminho das trevas é tortuoso e cheio de maldições. De fato, em sua totalidade, ele é o Caminho da Morte eterna nos tormentos. Nele se encontram as coisas que arruínam a alma dos homens: … adultério… são os que… corrompem a imagem de Deus… e, por fim, são pecadores consumados”.3


Hermas, o Pastor.

(Escrito Apostólico – 150 d.c.)


Eu perguntei: Senhor, quais são os males de que nos devemos abster? Ele me respondeu: Escuta: adultério, fornicação, excesso na bebida, prazer depravado, comer em demasia, luxo da riqueza, ostentação, orgulho, altivez, mentira, maledicência, hipocrisia, rancor e todo tipo de blasfêmia. São essas as piores obras que existem na vida dos homens. O servo de Deus deve abster-se dessas obras, pois, aquele que não se abstém delas, não pode viver em Deus”.4


Eu perguntei: Senhor, quais são as obras do desejo mau, que entregam os homens à morte? Dá-me a conhecê-las, para que me afaste delas. Ele respondeu: Escuta com quais obras o desejo mau mata os servos de Deus: Antes de tudo, o desejo de outra mulher ou homem...”.5


Atenágoras de Atenas

(Padre da Igreja – 177 a.c.)


Nós (os cristãos), porém, estamos tão longe de ver isso com indiferença (pois, os pagãos viam a imoralidade com total indiferença), que, não nos é lícito sequer olhar com intenção de desejo. De fato, a Escritura diz: ‘Aquele que olha para uma mulher a fim de desejá-la, já cometeu adultério em seu coração’.


Como não acreditar que são castos os que nada podem olhar além daquilo para o qual Deus formou os olhos, isto é, para que fossem nossa luz, aqueles que consideram adultério o olhar com prazer, pois, os olhos foram criados para outra finalidade, e os que serão julgados até pelos seus pensamentos? Nós nada temos a ver com leis humanas, que qualquer malvado pode burlar (desde o começo, ó soberano, vos assegurei que nossa Doutrina era ensinamento de Deus), mas temos uma lei e Mandamento, que nos deu a nós mesmos e ao nosso próximo como medida de justiça. Por isso, dependendo da cidade, consideramos a uns como filhos e filhas, a outros como irmãos e irmãs, e aos mais velhos tributamos honra de pais e mães. Assim, empenhamo-nos para que aqueles aos quais damos nome de irmãos e irmãs e outras qualificações familiares, permaneçam sem ultraje ou corrupção em seus corpos, como nos diz também a Palavra Divina: ‘Se alguém, por ter gostado, dá um segundo ósculo...’.


Portanto, é preciso ser muito exato a respeito do ósculo e principalmente na adoração, porque, por pouco que manchem nossa mente, nos colocam fora da vida eterna…


Nós que somos assim (por que devo falar o que não pode ser dito?), temos que ouvir o Provérbio: ‘A prostituta para a casta’. Com efeito, os que fazem mercado de prostituição e constroem para os jovens, prostíbulos para todo prazer vergonhoso; os que não perdoam nem aos homens, cometendo atos torpes homens com homens; os que ultrajam de mil modos os corpos mais respeitáveis e mais formosos, desonrando a beleza feita por Deus (pois a beleza não nasce espontaneamente da terra, mas é enviada pela Mão e desígnios de Deus); esses, nos atiram na cara aquilo de que têm consciência, o que eles chamam de deuses, adúlteros e pederastas insultando aos (cristãos) virgens e monógamos. Eles que vivem como peixes (pois, devoram quem lhes cai na boca...)”.6


Teófilo de Antioquia

(Padre da Igreja – II séc. d.c.)


Deus é experimentado por aqueles que podem vê-lo, desde que os olhos da alma estejam abertos. Todos têm olhos, mas alguns os têm obscurecidos e não percebem a luz do sol; e não é porque os cegos não veem que a luz do sol deixa de brilhar, mas os cegos devem buscar a causa em si mesmos e em seus olhos. Do mesmo modo, ó homem, tu tens os olhos de tua alma obscurecidos por tuas faltas e tuas más ações. O homem deve ter a alma pura como o espelho brilhante. Quando o espelho fica enferrujado, não se pode mais ver a face do homem no espelho; assim também, quando há falta no homem, esse homem já não pode contemplar a Deus. Mostra-te a ti mesmo, se não és adúltero, se não és devasso, se não és pederasta, se não és ladrão, se não és explorador, se não és colérico, se não és invejoso, se não és impostor, se não és soberbo, se não és brutal, se não és amante do dinheiro, se não desobedeces a teus pais, se não vende teus filhos. Com efeito, Deus não se manifesta àqueles que cometem essas faltas, a não ser que antes se purifiquem de toda mancha. Por isso, tudo é obscuro para ti, como a bandagem que se coloca no olho por não poder contemplar a luz do sol. Assim também, ó homem, as tuas impiedades projetam sobre ti trevas e tu não podes ver a Deus.


Tu me dirás: ‘Deus fica irado?’ Eu respondo: Sim, Ele se ira contra aqueles cujas ações são más; no entanto, Ele é bom, propício e misericordioso para com aqueles que O amam e O temem; Ele é o Educador dos fiéis, o Pai dos justos, o Juiz e Castigador dos ímpios.


Ó homem, se compreenderes isso, e viveres de maneira pura, piedosa e justa, poderás ver a Deus. Antes de tudo, porém, entrem em teu coração a Fé e o Temor de Deus, e então compreenderás isso...”.7


Deus, porém, Pai e Criador do Universo, não abandonou a humanidade, mas deu-lhe uma Lei e lhe enviou seus Santos Profetas, para anunciar e ensinar todo o Gênero Humano, a fim de que cada um de nós viva vigilante e conheça que há um só Deus. Também nos ensinaram a nos afastarmos da sacrílega idolatria, do adultério, do assassínio, da fornicação, do roubo, da avareza, do perjúrio, da mentira, da ira e de toda dissolução e impureza. E que aquilo que o homem não quer que façam a ele, também ele não faça a ninguém. Dessa forma, ele deve praticar a justiça, para escapar dos castigos eternos e se tornar digno da vida eterna que vem de Deus.


Daí se demonstra que todos os outros estão errados e que só nós, os cristãos, possuímos a Verdade, pois, somos ensinados pelo Espírito Santo, que nos falou pelos Santos Profetas e nos anuncia tudo antecipadamente”.8


A Sodomia é uma das Idolatrias do Paganismo


O Bem-aventurado Apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios que habitam a Grécia da região lacônica, disse: ‘Caríssimos, a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus’.9 Ao falar assim, Ele não errou o alvo, pois, parece-me que a sabedoria deste mundo começou com a apostasia dos Anjos, e esta é a causa pela qual os filósofos expõem as suas doutrinas sem estar em harmonia ou de acordo entre si”.10


Eu nem deveria estar refutando essas coisas, se não fosse porque te vejo agora duvidando sobre a Doutrina da Verdade…


Muito bem. Já que leste muito, que achas dos conteúdos do livro de Zenão, de Diógenes e de Cleantes, que ensinam a antropofagia (canibalismo), dizendo que os pais devem ser cozidos por seus próprios filhos e comidos por estes, e que se alguém se nega a comer ou joga um membro qualquer dessa abominável comida, deve-se comer aquele que não come? Ainda se encontra uma voz mais ímpia, a de Diógenes, que ensina os filhos a levar seus próprios pais para serem sacrificados e depois comê-los. O que mais? O historiador Heródoto não conta que Cambises degolou os filhos de Harpago e os serviu cozidos para o pai? Também conta que entre os indianos os pais são comidos por seus filhos. Que ímpio ensinamento dessas pessoas que registram tais coisas e até as professam! Que impiedade o ateísmo, que especulações, daqueles que filosofam tão acuradamente e propagam filosofia. Com efeito, os que espalham tais doutrinas encheram o mundo de impiedade.


De fato, no que se refere à união ilegítima, todos os que se extraviaram no coro dos filósofos estão de acordo. Em primeiro lugar Platão, que dentre eles parece ser o que filosofou com mais profundidade. No livro primeiro da República, legisla expressamente, digamos assim, que as mulheres de todos devem ser comuns, alegando o exemplo de Minos, filho de Zeus e legislador dos cretenses, a fim de que, sob esse pretexto, os nascimentos sejam numerosos e que, com tais costumes, sejam consolados os que se acham tristes. Além disso, Epicuro, não contente de ensinar o ateísmo, aconselha a relação carnal com mães e irmãs, mesmo transgredindo as leis que o proíbem. Sólon, também legislou com toda clareza sobre isso, dizendo que, os filhos devem nascer de matrimônio legítimo e não de adultério, para que não se honre como pai aquele que não é pai e se desonre, por ignorância, aquele que o é. Digamos o mesmo do resto que as leis dos romanos e gregos proíbem. Então, com que finalidade Epicuro e os estóicos afirmam como dogma as uniões de irmãos e a pederastia e encheram as bibliotecas com esses ensinamentos, para que se aprenda a união ilegítima desde criança? Não compensa, porém, gastar o tempo com isso, pois propagam coisas semelhantes a respeito do que eles chamam deuses”.11


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1.  “Significado Espiritual das Prescrições Alimentares”, 2ª Formulação, nn. 6-9.

2.  “Os Dois Caminhos – O Caminho da luz”, nn. 1-12.

3.  “Os Dois Caminhos – O Caminho das Trevas”, nn. 1-2.

4.  “Oitavo Mandamento – Sobre a Abstinência”, nn. 3-4.

5.  “Décimo Segundo Mandamento – Sobre o Desejo Mau”, n. 3.

6.  “Petição em Favor dos Cristãos”, III Parte – Refutação das Acusações de Imoralidade, Incesto e Refeições Bacanais”, p. 32 e 34.

7.  “I Livro a Autólico”, parágs. 2-3 e 7.

8.  “II Livro a Autólico”, parágs. 33-34.

9.  I Cor., 1, 18-31.

10.  Hérmas, o Filósofo, “Escárnio dos Filósofos Pagãos”, parág. 1, II séc. d.c.

11.  Teófilo de Antioquia, “III Livro a Autólico”, parágs. 4-6, II séc. d.c.


Juízo dos Justos e dos Pecadores


À Santa Catarina de Sena disse um dia Jesus, sobre o juízo dos justos e dos pecadores: “Tanto uns, como outros, não têm depois da morte outros juízes senão a si mesmos; o juiz de cada um é a própria consciência. Os maus morrem no ódio, os justos no amor, os arrependidos na confiança da misericórdia divina.


Após a morte, cada um segue instintivamente o seu destino, que eles pressentem já antes mesmo de haverem abandonado inteiramente o corpo. Aos bons guia-os a luz do amor, da fé e da esperança no Sangue do Calvário; os arrependidos, confiados na misericórdia divina, seguem para o Purgatório; os condenados, são seguidos pelo ódio e pelo desespero.


Muitos pecadores há que na hora da morte obtêm tal contrição, que até o Purgatório mesmo lhes é perdoado”.1


A esta mesma Santa, revelou um dia Nosso Senhor, os terríveis suplícios por que passam no Inferno as desgraçadas almas que lá caem. “Minha filha, lhe disse Jesus, a língua não pode jamais exprimir o que aí sofrem as desgraçadas almas. Aí vão e levam o orgulho, o ódio, o amor-próprio, a cupidez, a voluptuosidade, a ambição, a injustiça, as crueldades e as devassidões”.


São quatro os seus suplícios: primeiro, privação da visão de Deus; segundo, o verme do remorso; terceiro, a visão do Demônio; quarto, o fogo que arde e não consome e que arde eternamente.


E à Santa Maria Madalena de Pazzi, disse também Jesus: “Reina entre os condenados, um ódio eterno. Quanto mais aumenta o seu número, mais os seus sofrimentos aumentam, pois que os novos que chegam aumentam a raiva que os anima uns contra os outros”.2



Fonte: Rev. Pe. Geraldo Vasconcellos, “Lições Edificantes – Coleção de Trechos Escolhidos de Revistas, Livros e Jornais”, VIII Parte, Cap. “Juízo”, pp. 387-388. 1951.


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1.  Ibidem, pp. 457-458.

2.  Cônego Dr. Ananias Corrêa do Amaral, “Manual da Pia União das Filhas de Maria”.


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