Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 4 de outubro de 2020

O Insondável Abismo de Graças do Imaculado Coração de Maria.


1. Considerai que de dois modos nos comunica o Senhor a sua graça divina: consiste um deles em no-la dar segundo a disposição dos nossos méritos, e se chama ex opere operantis; o outro, por sua mera liberalidade, e se chama ex opere operato. Ora, esta segunda espécie de graça é ainda aquela que formou boa parte dos tesouros empregados para opulentar Maria, e lhe fizeram um acréscimo sem igual. E porque esta graça principalmente se dá na recepção dos Sacramentos, quem poderá compreender com que plenitude foi conferida a Virgem, quando Ela recebeu o Batismo por mão de seu divino Filho;1 quando recebeu a Confirmação no dia de Pentecostes com os outros Apóstolos, mas com disposição de caridade incomparavelmente maior do que os Apóstolos e todos os Santos juntos; quando recebeu a Extrema-unção,2 antes que saísse da terra e fosse assunta ao Céu? E, contudo, que é tudo isto em comparação com as riquezas que no virgíneo seio se lhe derramaram, durante os vinte e quatro anos que Ela sobreviveu à instituição da Divina Eucaristia, e com esta se refez todos os dias, segundo costumavam fazer aqueles primeiros fiéis, e segundo convinha o fizesse Aquela para quem, mais especialmente do que para todo o resto dos justos, tinha Jesus Cristo deixado no mundo esse alimento do Paraíso? Santa Catarina de Sena, quando se aprestava para chegar à sagrada mesa, muitas vezes viu, nas mãos do Sacerdote que lhe devia dar a comunhão, uma grande fornalha ardente para nos figurar o amor com que o Redentor se digna de unir-se com as nossas almas; e o Senhor um dia à Santa Brígida disse, que Ele a nós vinha como Esposo: Ingredior ut Sponsus,3 isto é, todo ternura, todo finezas: e, assim sendo, que amor deveria haver entre a Mãe divina e o seu divino Filho, todas as vezes que Ela se achegava à bem-aventurada mesa; e que incêndio de caridade ali de mais em mais havia de recrescer no Coração de Maria. Santa Maria Madalena de Pazzi tal estima tinha deste alimento dos Anjos, que costumava dizer, que uma só comunhão por si só bastava para nos fazer santos, si para ela nos soubéssemos bem dispor. Quanto pois, sobre si mesma se terá exaltado a Santa Virgem, todas as vezes que recebia o seu Filho Sacramentado, visto que, diariamente se lhe ia aumentando a santidade, e além de toda medida, todos os dias Ela O recebia com maior disposição, e com maior graça, do que da vez primeira O havia recebido, quando nas virgíneas entranhas Ele se fez homem!

Há quem assegure, que as espécies Sacramentais na Virgem não se consumiam tão depressa pelo calor natural, como em nós outros; mas, que íntegras permaneciam até ao outro dia, quando Ela de novo recebia o Senhor; pelo que, era o seu Coração como que uma custódia animada, um vivo tabernáculo do diviníssimo Sacramento; e, se isto é verdade, que flamas de caridade devia, no seio da Virgem, excitar aquele Sol incriado e que jamais descia ao ocaso? O nosso sol, nos países para quem olha mais longamente do que para outros, tamanho calor produz que não só às plantas, porém, mesmo as areias se abrasam. E quem poderia dizer o ardor que no Coração de Maria produzisse aquele Senhor, que disse: Quandiu sum in mundo, lux sum mundi – enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo,4 desde que, ali de contínuo se mantendo, ali fazia um perpétuo dia de caridade?

Talvez pensais que, isto dizendo, nada mais possamos acrescentar; e contudo, ainda estamos no princípio; e aqui também de nós se pode entender o dito do Sábio: Cum consummaverit homo, tunc incipiet – Quando o homem tiver acabado, então estará no começo,5 da mesma sorte que, ao subir uma grande montanha, quem imagina já lhe ter escalado o cimo, descobre ainda mais alturas, a que deve ascender. Tal espécie de graça não foi concedida à Virgem unicamente na recepção dos Sacramentos; mas também frequentemente no decorrer da sua vida, por ocasião dos principais Mistérios da vida do Salvador, e dos obséquios mais consideráveis que Ela lhe prestou, já quando O deu à luz, já quando O criou na infância, já quando O serviu e acompanhou na maior idade. Na Conceição do Verbo Incarnado, quando por Maria Ele se desposou com a natureza humana, Consigo trouxe do seio da Virgem, onde se realizaram essas bem-aventuradas núpcias, um dote tão rico, que a alguns tem parecido que mais não se poderia aumentar, como se a Virgem tivesse então atingido a meta da sua perfeição.6 Ora, isto conquanto não se deva admitir como verdade, todavia, nos pode servir de medida e guia para idearmos a opulência dos dons que Ela alcançou na Ressurreição do seu divino Filho, ou na Ascensão, ou quando o Espírito Santo desceu sobre a Igreja, e em outros semelhantes sucessos, nos quais, se sobre os demais Santos choviam as graças, para a Virgem se abriam as portas do Paraíso, caindo sobre Ela dilúvios de graça. Que mais? Deve acreditar-se que toda a vida da Virgem fosse de contínuo entretecida de tal acréscimo de graça, além do que era devido aos atos da sua virtude, desde que Ela continuamente conviveu com Aquele Senhor que, por onde quer que passasse, deixava estampados os vestígios da sua beneficência: Pertransiit benefaciendo – como ele andou fazendo o bem,7 e curando as almas com o mesmo toque com que curava os corpos, pelo que podia dizer: Totum hominem sanum feci – curei um homem em todo o seu corpo.8 Quem tão néscio será, diz Canísio9, que ponha em dúvida se a Virgem, pela contínua familiaridade do seu Filho, e com assiduamente servi-lO, e com o haver nutrido de seu leite, e com tantas vezes apertá-lO ao seio, não se tornasse de dia em dia, pelo contato desse divino Corpo, mais divina também e mais santa? Quis nisi insulsus ambigat, an beata Virgo in summa, et quotidiana cum Christo familiaritate, et per crebram divinae carnis contrectationem, ipsa subinde sanctior, atque divinior effecta sit?10 E não será, pois, dever nosso venerarmos como um abismo de graça o Coração de Maria, erário em que se depositaram tantos tesouros? Basta que uma vez chegue a qualquer porto uma das esquadras da Índia, para que o enriqueça: quão rica foi a Santa Virgem, em cujo seio tão frequentes se depunham as primeiras riquezas do Paraíso!


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Fonte: O Sagrado Coração de Maria Virgem – Proposto à devoção dos fiéis, pelo Pe. João Pedro Pinamonti, S.J., Consideração III, pp. 68-73. Tradução do Italiano, Duprat & Comp., São Paulo/SP, 1904.


Ato de Desagravo ao

Imaculado Coração de Maria


Virgem Santíssima e Mãe nossa querida, tendo mostrado um dia à Vossa Serva o Vosso Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Vos cravam com blasfêmias e ingratidões, pedistes quem Vos consolasse. Como filhos Vossos Vos queremos honrar, amar, consolar sempre; mas hoje especialmente, ao ouvir as Vossas amargas queixas, desejamos desagravar o Vosso maternal Coração, que a impiedade dos homens nestes desgraçados dias ainda fere com a dura espada de Vossas dores.

O Vosso Jesus ainda é hoje tido por malfeitor e condenado à morte; ainda é despojado dos seus vestidos, cuspido, flagelado e posto numa Cruz.

E a Vós, Virgem Dolorosíssima, como digna Mãe de Jesus, também tratam com a mesma ingratidão.

Virgem Santíssima, movidos pelos ardentes de amar-Vos como Mãe e promover uma terna devoção ao Vosso Imaculado Coração, prostramo-nos a Vossos pés, para Vos mostrarmos a pena que sentimos pela dor que os homens Vos causam e para repararmos com os nossos obséquios e afetos tantos pecados com que os Vossos filhos ingratos pagam as finezas do Vosso amor.

Perdoai-lhes, Senhora, a eles e perdoai-nos a nós todos, que se Vós nos perdoardes, também Jesus nos perdoará.

Convertei ao Vosso amor tantos infelizes, que cegamente vivem no erro; e em especial, lançai os olhos Mãe misericordiosa para nós, Vossos filhos, que queremos amar-Vos na terra cada vez mais, sendo fiéis discípulos de Jesus com a vida verdadeiramente cristã, a fim de Vos contemplarmos nas suaves delícias do Céu, e para isto alcançar, lançai-nos a Vossa bênção junto com a do Vosso Jesus. Assim seja.


O Maria, omnia mea tua sunt!

Ó Maria, todos os meus bens são Vossos!


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1.  Suarez, t. 2, in 3 disp. 18 sec. 3.

2.  Vide Suarez, 1. c., et apud ipsum Albert. M. Almain. Silves. Et Canis.

3.  Lib. 4, Revel. c. 62.

4.  Joann. 9, 5.

5.  Eccl. 18.

6.  Scotus, et alii apud Suarez, t. 2 in 3 disp. 18 sect. 1.

7.  Act. 10, 38.

8.  Joann. 7, 23.

9.  Lib. 4 de Deip. Cap. 26.

10.  Vega Palaes. 16 n. 1164.


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