Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Breve Conhecimento Sobre Heresia e Hereges. 2ª Parte.


A Caridade

Jamais Deve Abafar

A Verdade

(4ª Parte)


1. “A Religião Cristã, de fato, não existe fora da Igreja”.1

2. “Mas vós, meus filhos, dir-me-eis que os homens não são Demônios. Sem dúvida, muitos não são Demônios. Mas, em todos que não estão unidos intimamente a Cristo (pela graça), está latente alguma coisa diabólica: e contra isso deveis levantar-vos como executores de justiça. O erro é um obstáculo para a união (com Deus)”.2

3. “Adormeci alguns instantes durante a oração. Sonhei que faltavam soldados para uma guerra. Vós dissestes: É preciso enviar Soror Teresa do Menino Jesus. Respondi, que preferiria bem que fosse para uma guerra santa. Afinal parti assim mesmo.

Oh! Minha Madre – acrescento com animação – que felicidade eu teria sentido, por exemplo, em combater no tempo das Cruzadas, ou, mais tarde, em lutar contra os hereges. Ah! Eu não teria tido medo do fogo! Será possível que eu morra em uma cama!”.3

4. “Os hereges são tão insolentes, quanto impacientes em receber repreensões; muitos deles, para não sofrer correções, acusam de provocadores e agressivos aos que os increpam... Alguns extraviados devem ser tratados com certa aspereza caridosa”.4

5. “É muito mais grave corromper a Fé, pela qual a alma vive, do que falsificar o dinheiro, por meio do qual se conserva a vida temporal”.5

6. “Se, quando começaram a aparecer as heresias de Lutero e Calvino, se houvesse, sobretudo, sua condenação até que seus sequazes se mostrassem dispostos a submeter-se e a unir-se aos demais, ainda permaneceriam aquelas heresias no rol das coisas indiferentes, que se pode seguir ou repelir, e teriam infectado a um número muito maior de pessoas. Pois se estas opiniões, cujos perniciosos efeitos nas consciências estamos vendo, são dessa natureza, em vão esperaremos que os que as semeiam se ponham de acordo com os defensores da Doutrina da Igreja: isso não se pode esperar nem acontecerá jamais, e diferir a obtenção de sua condenação pela Santa Sé, é dar-lhes tempo de espalhar seu veneno... as leis nunca se hão de reconciliar com os crimes, nem a mentira se pode por de acordo com a verdade... não se há de desejar a união no mal nem no erro... ambos os partidos creem estar com a razão e a verdade. Reconheço que, de fato assim é, mas também sabeis que todos os hereges têm dito outro tanto, e isso não os tem livrado da condenação e dos anátemas contra eles fulminados pelos Papas e Concílios... Nunca se entendeu que o acordo com eles fosse um meio de curar o mal, mas, pelo contrário, aplicou-se o ferro e o fogo, – por vezes demasiado tarde, como poderia acontecer aqui... (o erro) ao ser tratado em pé de igualdade com a verdade, têm tido tempo de propagar-se, e está sendo demasiada a tardança em erradica-lo de vez que, constituindo esta doutrina (do erro) não só na teoria, mas principalmente na prática, as consciências já não podem suportar a perturbação e a inquietação que nascem da dúvida que está penetrando nos corações de todos...”.6

7. “De modo algum parece que se deva tolerar ali (nas universidades) aqueles de quem há suspeita de que pervertem a juventude: muito menos ainda, os que são abertamente hereges. E até os estudantes de quem se veja que não poderão emendar-se facilmente, deveriam absolutamente ser despedidos... Conviria que quantos livros heréticos se achassem – mediante diligente pesquisa – em poder de livreiros e de particulares, fossem queimados... Outro tanto se diga das obras dos hereges que não sejam heréticas, como as que tratam de gramática ou retórica, ou de dialética, de Melanchton, etc., que parece deveriam ser inteiramente relegadas em ódio à heresia de seus autores, porque não convém nem nomeá-los, e menos ainda que a eles se afeiçoem os jovens, em cujo espírito se insinuam os hereges por meio de tais obrinhas... mais vale estar a grei sem pastor, do que ter por pastor um lobo... Quem chamar os hereges de ‘evangélicos’, conviria que pagasse alguma multa, para que não folgue o Demônio de que os Inimigos do Evangelho e da Cruz de Cristo tomem um nome contrário as suas obras. Aos hereges se há de chamar por seu nome, para que cause horror até nomear os que são tais e cobrem o ‘veneno mortal’ com o véu de um nome de salvação...”.7

8. “Por duas razões não se deve manter relações com os hereges.

Primeiramente, por causa da excomunhão, pois, sendo excomungados, não se deve ter relações com eles, da mesma maneira que com os outros excomungados.

A segunda razão, é a heresia. – Em primeiro lugar, por causa do perigo, para que as relações com eles não venham a corromper os outros, segundo aquilo da Primeira Epístola aos Coríntios: ‘As más conversações corrompem os bons costumes’ (15, 33). E em segundo lugar, para que não se pareça prestar algum assentimento às suas doutrinas perversas. Daí dizer-se na Segunda Epístola Canônica de São João: ‘Se alguém vier a vós e não trouxer esta Doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis, pois, que quem o saudar, toma parte em suas obras más’ (v. 10). E aqui a Glosa comenta: ‘Já que para isso foi instituída, a palavra demonstra comunhão com esse tal: de outro modo não seria senão simulação, que não deve existir entre Cristãos’. Em terceiro e último lugar, para que nossa familiaridade não dê aos outros ocasião de errar. Por isso, outra Glosa comenta a respeito dessa passagem da Escritura: ‘E se acaso vós mesmos não vos deixais enganar, outros, todavia, vendo vossa familiaridade, podem enganar-se, acreditando que esses tais vos são agradáveis, e assim crer neles’. E uma terceira Glosa acrescenta: ‘Os Apóstolos e seus Discípulos usavam de tanta cautela em matéria religiosa, que não sofriam nem sequer a troca de palavras com os que se haviam afastado da verdade’. Entende-se porém: excetuado o caso de alguém que trata com outro a respeito da salvação, com intuito de salvá-lo”.8

9. “É melhor resultar algum escândalo de se dizer a verdade, do que deixar abandonada e indefesa a mesma verdade”.9

10. “E esta é a maldade comum a todos eles (os hereges), rebelar-se contra Cristo; e por isto, se acham, não mais cristãos, mas arianos; e isso que se esforçam por encobrir, convém manifestá-lo”.10

11. “Sim, o Deus Vivo encarregou-me de anunciar-vos, que castigará todos os que não O defenderem contra Seus inimigos. Todos, pois, às armas!”.11

12. “Um homem que se preze de prudente, terá cuidado de não ultrapassar em suas tentativas o número de vezes que o Apóstolo indicou ao dizer: “Foge do herege, se ele não se emendar depois de o advertires uma ou duas vezes sobre seu erro; porque deves ter por certo que quem não se corrige prontamente, e permanece pertinaz em seu erro, já está pervertido e condenado por seu próprio julgamento’ 12”.13

13. “A vida cristã não consiste simplesmente em louvar o Senhor e honrá-lO por manifestações externas: ela exige que se cumpra tudo o que está prescrito nos 10 Mandamentos, que repetem – com quanta clareza e eficácia! – a lei natural impressa no coração de todo homem. Trata-se de dizer ‘não’ ao mal, em todas as suas formas, e é precisamente por ter proclamado um desses ‘non licet’ que a cabeça de João foi cortada e levada numa bandeja...

Na vida quotidiana, ouve-se muitas vezes repetir: bem poderia a Igreja ser mais indulgente, admitir algum ligeiro compromisso... Isso nunca. O Papa pode ser bom, longânime quanto se quiser, mas, em face de tristes realidades, de miseráveis inobservâncias, sua atitude será inabalavelmente firme, clara, irredutível, respeitosamente submissa à verdade”.14

14. “A história antiga é muito instrutiva para quem quer julgar as posições modernas, o modo de pensar e de viver de hoje em dia”.15

15. “Tive uma grande alegria… pelas gratas notícias que me trouxe de vossa constância e lealdade no serviço que deveis à vossa Fé… bem como no ódio e zelo que alimentais contra os hereges, de modo que cada um de vós pode repetir sem mentira aquilo do Profeta: ‘Porventura não aborrecia eu, Senhor, os que Vos odeiam? Com ódio perfeito os aborrecia, e tive-os por inimigos meus, só por saber que eram vossos inimigos’16 São salteadores e ladrões, como observa o Senhor no Evangelho; gente perdida, que cifra todo o seu prazer em perder os demais. São corruptores ao mesmo tempo de vossos Costumes e de vossa Fé. Bem se diz que ‘as conversas más corrompem os bons costumes’,17 e que ‘a linguagem desses tais estende sua corrupção com a rapidez da gangrena’18”.19

16. “Também os leigos, procedendo de maneira legítima, ainda que isso lhes cause alguns incômodos, devem resistir aos acatólicos, que não só ousam disseminar entre o povo o que pensam contra a Fé Católica, como também se esforçam por incutir no espírito dos outros as suas opiniões”.20

17. “Estamos em tempos em que se deve resistir não só aos adversários, mas também àqueles que, na frente de batalha, olham com simpatia mais para o campo oposto do que para o seu próprio, e fazem mais mal a este do que se fossem já trânsfugas21”.22

18. “Tanto será alguém reputado por bom, quanto abomina o mal; pois tanto se ama um objeto, quanto se lastima a sua destruição”.23

19. “O homem de hoje vive num espaço existencial (…) determinado por atitudes, doutrinas, tendências que devem ser qualificadas como heréticas, contrastantes com a Doutrina Evangélica”.24

20. “Meu paladar saboreará a verdade e meus lábios detestarão o que é ímpio.25 (…) É próprio de uma mesma coisa afirmar um dos contrários e repelir o outro; assim, a medicina produz a saúde e exclui a doença. Por isso, do mesmo modo que é próprio ao sábio meditar a verdade, especialmente no que se refere ao primeiro princípio, e discorrer acerca das demais coisas, assim também lhe é próprio impugnar a falsidade contrária. Portanto, está convenientemente indicado pela boca da Sabedoria, nas palavras que citamos, o duplo ofício do sábio, ou seja: meditar a Verdade Divina, que é a Verdade por antonomásia, e uma vez meditada, falar dela, que é ao que se refere a Escritura quando diz: Meu paladar saboreará a verdade; bem como impugnar o erro contra a verdade, que outra coisa não significa: e meus lábios detestarão o que é ímpio, pois, por impiedade se designa a falsidade contra a Verdade Divina, falsidade que é contrária à Religião, também denominada piedade, de onde a falsidade contrária a esta toma o nome de impiedade”.26

21. “É muito conveniente estar bem instruído a respeito do debate que há atualmente na Igreja, o qual diz respeito ao tema da Graça.

1 – Quais são os motivos que temos para nos instruirmos na matéria proposta?

a) Que estamos em perigo de ser enganados quando se apresentam opiniões novas, e de seguir o erro em lugar da verdade; e nesse sentido diz o Espírito Santo, que o ignorante será ignorado e perecerá em sua ignorância.27 Foi o que aconteceu com muitos que, por não terem estudado a fundo desde o início as opiniões de Lutero e Calvino, caíram no erro.

b) Que está comprometida neste assunto a nossa salvação, a qual exige que creiamos tudo o que ensina a Igreja; e que, em certo sentido, os que não querem instruir-se nas coisas relativas à sua salvação se encontram a caminho da condenação.

c) Que, em caso de divisão no seio da Religião, é prudente instruir-se bem, e muito perigoso agir de outro modo”.28


________________________

1.  Pe. Eugênio Polidori, S.J., “Curso de Religião”, 1915.

2.  São João Maria Vianney, palavras dirigidas a Ernesto Hello e Jorge Seigneur, em 1859.

3.  Santa Teresinha do Menino Jesus, palavras dirigidas à Madre Inêz de Jesus, em 4 de Agosto de 1897, dois meses antes de sua morte. “Novissima Verba”, 1ª Ed., p. 115.

4.  Santo Agostinho, apud D. Félix Sardá y Salvani, “El liberalismo es pecado”, 9ª Ed., Madrid, p. 113, 1936.

5.  Santo Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, IIa. Iiae., q. 11, ª 3, c.

6.  São Vicente de Paulo, “Biografia y Seleccion de escritos”, por José Herrera, C.M., e Veremundo Pardo, C.M., BAC, Madrid, 1950, p. 846.

7.  Santo Inácio de Loyola, “Obras Completas”, BAC, Madrid, 1952, Carta 111, p. 880.

8.  Santo Tomás de Aquino, “Quaestiones quodlibetales”, quodlibetum 10, q. 7, a 1 (15) in c.

9.  São Gregório Magno, “Homil. 7”, in Ezech.

10.  Santo Atanásio, Da “Apologetica”, Migne, P.G., XXV, 643-87; apud “Joyas de los Santos Padres”, Pe. Guillermo Ubillos, S.J., Ed. E. Subirana, Barcelona, 1925, p. 48.

11.  São Bernardo, do Sermão pregado em Vézelay, na Borgonha, em favor da 2ª Cruzada, convocada pelo Bem-aventurado Papa Eugênio III; apud “História das Cruzadas, de Joseph-François Michaud, trad. do Pe. Vicente Pedroso, Ed. Das Américas, Liv. VI, Vol. II, p. 234.

12.  Tit., 3, 10-11.

13.  São Bernardo, de uma Carta a um alto Prelado; cfr. “Obras Completas del Doctor Melifluo, San Bernardo, Abad., de Claraval” – vol. V, “Epistolário”, – trad. Do Pe. Jaimes Pons, S.J. – p. 408, Carta 196, Barcelona, 1929.

14.  São João Paulo II, da Exortação dirigida, no dia 29 de Agosto, Festa da Degolação de São João Batista, aos fiéis reunidos na Sala de Audiências Gerai de Castel Gandolfo, – segundo o resumo publicado pelo “Osservatore Romano”.

15.  São João XXIII, Discurso de Encerramento do Sínodo Romano; cfr. “Osservatore Romano”, de 12/2/1960.

16.  Salm. 138, 21-22.

17.  I Cor. 15, 33.

18.  II Tim. 2, 17.

19.  São Bernardo, “De uma Carta aos habitantes de Toulouse”; cfr. In “Obras Completas del Doctor Melifluo, San Bernardo, Abad. de Claraval”, – trad. Espanhola do Pe. Jaimes Pons, S.J., Barcelona, 1929 – vol. V, “Epistolário” – Carta CCXLII, p. 505.

20.  São João XXIII, Constituição Apostólica “Sollicitudo omnium Ecclesiarum”, de 29 de Junho de 1960.

21.  Desertores.

22.  Cardeal Alfredo Ottaviani, “Il Baluardo”; Ed. Ares, Roma, 1961, cap. 16, p. 179.

23.  São Boaventura, “As Seis Asas do Serafim”, cap. II; cfr. “Escritos Espirituais de São Boaventura”, – escolhidos e traduzidos por Frei Saturnino Schneider, O.F.M., II série, Ed. Vozes, p. 155.

24.  Rev. Pe. Karl Rahner, S.J., teólogo; Was ist haeresie”; trad. Italiana, p. 11 ss.; apud “Diritto della religione non vera?”, de Mons. Giuseppe Di Meglio, Roma, 1964, pro manuscripto, pp. 92-93.

25.  Prov. 8, 7.

26.  Santo Tomás de Aquino, “Suma Contra os Gentios”, 1. I, cap. 1.

27.  I Cor. 14, 38.

28.  San Vicente de Paúl, “Biografia y Seleccion de Escritos”, BAC, Madrid, 1950, p. 821.


sábado, 29 de janeiro de 2022

SÃO FRANCISCO DE SALES E O FALSO ZELO

 

Do Verdadeiro Zelo: ódio ao pecado.

Do Falso Zelo: ódio ao pecador.


Um pecador famoso veio um dia lançar-se aos pés de um bom e digno Sacerdote, protestando com muita submissão vir para achar o remédio de seus males, isto é, para receber a santa absolvição de suas faltas. Um certo monge chamado Demófilo, achando, no seu entender, que aquele pobre penitente se aproximava demais do Santo Altar, entrou em cólera tão violenta, que, precipitando-se sobre ele a grandes pontapés, expulsou-o e exortou-o para fora dali, injuriando ultrajantemente o bom do Sacerdote, que, consoante o seu dever, docemente acolhera aquele pobre penitente; depois, correndo ao Altar, tirou dele as coisas santíssimas que ali estavam e carregou com elas, com medo, como queria fazer crer, de que pela aproximação do pecador o lugar houvesse sido profanado. Ora, tendo feito essa bela façanha de zelo, ele não ficou nisso, mas festejou-a grandemente junto ao grande São Dionísio Areopagita, por uma carta que lhe escreveu sobre isso, da qual recebeu uma resposta digna do espírito Apostólico, de que era animado esse grande discípulo de São Paulo. Pois São Dionísio lhe fez ver claramente que o seu zelo fora indiscreto, imprudente e impudente conjuntamente, visto que, embora o zelo da honra devida às coisas santas seja bom e louvável, todavia fora praticado contra toda razão, sem consideração nem julgamento algum, dado que ele empregara os pontapés, os ultrajes, injúrias e exprobrações num lugar, numa ocasião e contra pessoas a quem devia honrar, amar e respeitar; de modo que o zelo não podia ser bom, exercido como era com tamanha desordem. Mas nessa mesma resposta esse grande Santo relata outro exemplo admirável de um grande zelo procedente de uma alma muito boa, estragada todavia e viciada pelo excesso da cólera que excitara:

Um pagão seduzira e fizera voltar à idolatria um cristão candiota,1 recém-convertido à fé. Carpo, homem eminente em pureza e santidade de vida, e que há grande aparência de ter sido Bispo de Cândia, concebeu por isso tamanha cólera como nunca sofrera tal, e deixou-se arrastar tanto por essa paixão, que, levantando-se à meia-noite para rezar segundo seu costume, concluiu consigo mesmo não ser razoável que os homens ímpios vivessem mais, rogando à Divina Justiça matar com um raio aqueles dois pecadores juntos, o pagão sedutor e o cristão seduzido. Vede, porém, Teótimo, o que Deus fez para corrigir a aspereza da paixão de que o pobre Carpo estava dominado. Primeiramente fez-lhe ver, como a outro Santo Estêvão, o Céu todo aberto, e Jesus Cristo Nosso Senhor sentado num grande trono, rodeado por uma multidão de Anjos que lhe assistiam em forma humana; depois ele viu em baixo a terra aberta como um horrível e vasto báratro2 e os dois desviados, a quem ele desejara tanto mal, à beira desse precipício, trêmulos e quase desmaiados de pavor, por estarem prestes a cair dentro, atraídos de um lado por uma multidão de serpentes, que, saindo do abismo, se lhes enroscavam nas pernas e com as caudas lhes faziam cócegas e os provocavam à queda; e, do outro lado, certos homens que os empurravam e batiam para os fazerem cair, de modo que eles pareciam estar a pique de ser abismados naquele precipício. Ora, considerai, rogo-vos, Teótimo, a violência da paixão de Carpo. Porque, conforme ele mesmo contava depois a São Dionísio, ele não fazia caso de contemplar Nosso Senhor e os Anjos que se mostravam no Céu, tanto prazer achava em ver embaixo a angústia tremenda daqueles dois míseros maus, incomodando-se somente com o fato de tardarem eles tanto a perecer, e esforçando-se portanto para os precipitar por si mesmo; e, não o podendo fazer logo, despeitava-se com isso e os maldizia, até que enfim, levantando os olhos ao Céu, viu o meigo e mui compassivo Salvador que, por uma extrema piedade e compaixão do que se passava, se levantou do seu trono e, descendo até o lugar onde estavam aqueles dois pobres miseráveis, lhe estendeu a Sua mão providente, ao mesmo tempo que os Anjos também, uns de um lado, outros de outro, os retinham para impedi-los de cair naquele tremendo abismo; e, por conclusão, o amável e bondoso Jesus, dirigindo-se ao colérico Carpo, diz: olha, Carpo, bate agora em Mim; pois estou pronto a padecer mais uma vez para salvar os homens; e isto Me seria agradável se pudesse suceder sem o pecado dos outros homens. Porém, ademais, reflete o que te seria melhor, estar neste abismo com as serpentes ou ficar com os Anjos que são tão grandes amigos dos homens. Teótimo, o santo homem Carpo tinha razão de entrar em zelo por aqueles dois homens, e o seu zelo excitara justamente a cólera contra eles; porém, uma vez movida, a cólera deixara a razão e o zelo para trás, ultrapassando as fronteiras e limites do Santo Amor, e por conseguinte do zelo, que lhe é o fervor. Convertera o ódio do pecado em ódio do pecador, e a dulcíssima caridade em furiosa crueldade.

Assim há pessoas que pensam que não se possa ter muito zelo, se não se tem muita cólera, achando não poderem acomodar coisa alguma se não estragarem tudo, conquanto, ao contrário, o verdadeiro zelo quase nunca se sirva da cólera: porque, assim como não se aplica o ferro e o fogo aos doentes senão quando não se pode fazer de outro modo, assim também o santo zelo não emprega a cólera senão nas extremas necessidades.


Fonte: São Francisco de Sales, “Tratado do Amor de Deus”, Livro X, Cap. XV, pp. 540-543. 2ª Edição, Ed. Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1996.


___________________

1.  Pertencente à Ilha de Cândia ou Creta.

2.  Abismo, voragem (o Inferno).


sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

A Glória da Escolástica: O Boi Mudo!


“… Temendo os Superiores que segunda vez lhe roubassem aquele tesouro, enviaram-no para Roma, donde o Geral da Ordem o fez partir para Paris, e dali para Colônia, onde estava então ensinando teologia Alberto Magno, o mais famoso doutor que naquele tempo tinha a Ordem dos Pregadores.

Sob a direção de tal mestre, fez Tomás assombrosos progressos; porém, tão ocultos no véu da modéstia, que os seus condiscípulos chamavam-lhe o boi mudo. Mas, por maior cuidado que tivesse de confirmar pelo silêncio a opinião menos vantajosa que corria da sua capacidade, a penetração do seu espírito transluzia através da profunda humildade, e aquele pretenso boi mudo, tornou-se dentro de pouco tempo o oráculo de todo o universo e o Anjo das Escolas…

A facilidade que tinha em aclarar e resolver as dificuldades mais obscuras, comprovam o que o Papa João XXII diz na Bula da sua canonização: Que a sua doutrina teve mais de infusa que de adquirida…

Posto que houvesse recebido por especial privilégio o dom da pureza, nada poupou que pudesse servir à conservação de tão delicada virtude. Nunca fitou o rosto de mulher alguma, e toda a vida evitou escrupulosamente todas as conversações que pode escusar com este sexo…

A ternura de Santo Tomás para com a Santíssima Virgem constituiu desde o berço parte do seu caráter. Muitas vezes lhe apareceu esta Soberana Rainha durante a vida; e poucos dias antes de morrer assegurou-lhe que ele nada tinha pedido ao Filho por intercessão da Mãe, que não tivesse conseguido.

Seria interminável a relação das virtudes e das maravilhas deste grande gênio. Nunca deixava de pregar a Palavra de Deus; e estando a exercer este Ministério pela Oitava da Páscoa na Basílica de São Pedro, curou de um fluxo de sangue uma mulher, que tocou a fímbria das suas vestes.

A sua vida foi uma perpétua cadeia de milagres, o mais visível dos quais, como notaram os próprios Sumos Pontífices, é que um só homem em menos de vinte anos pudesse ensinar com inaudito aplauso em quase todas as universidades mais célebres da Europa; combater e dissipar com os seus escritos os maiores inimigos da Igreja; converter com os seus sermões grande número de pecadores e de hereges; compor aquela prodigiosa multidão de sapientíssimas obras, que podem chamar-se o Tesouro da Religião; explicar com tanta precisão e com tanta solidez os Mistérios mais obscuros da teologia; ensinar com tanta unção e nitidez as verdades da moral; expor com tanta clareza nos seus sábios comentários os livros da Sagrada Escritura; satisfazer tão plenamente a quantas dúvidas que incessantemente e de todas as partes lhe propunham como a oráculo; e apesar disto, dar todos os dias muitas horas à oração; não se dispensar quase nunca dos mais ordinários exercícios da comunidade; macerar a sua carne com austeríssima penitência, sem embargo de ter uma saúde débil. Tal foi a vida de Santo Tomás de Aquino.

Mas não se deve admirar, diz Santo Antonino, falando do nosso grande Santo, que um homem que nunca perdia a Deus de vista e tinha frequente conversação com as celestiais inteligências; que um homem, a quem tantas vezes se viu arrebatado em êxtases maravilhosos, durando alguns por espaço de três dias inteiros; um homem a quem os Apóstolos São Pedro e São Paulo ditavam a exposição de suas Epístolas; não se deve admirar, que um homem assim possuísse uma ciência tão profunda e operasse tantas maravilhas em favor da Religião…”.1



Doctor communis Ecclesiae

O Papa Pio XI “como seus antecessores, é a Santo Tomás que recorre para dirigir a especulação teológica e filosófica. Com ênfase não comum, Pio XI, em Alocuções e, principalmente, na Encíclica Studiorum Ducem,2 valoriza a doutrina de Santo Tomás e o proclama Doutor Universal da Igreja. Lê-se nesta Encíclica: A sua doutrina3 acerca da ciência metafísica, não obstante ter sido frequentemente impugnada por uma crítica contumaz e injusta, retém integralmente toda sua força e esplendor, como o ouro, que por ácido algum pode ser dissolvido. Bem dizia o nosso Predecessor Pio X: Não se pode abandonar S. Tomás nas questões metafísicas, principalmente, sem grave detrimento4”.5

“… o Cardeal Gaetano não hesitou em escrever – e o texto é citado na Encíclica:6 Santo Tomás, porque teve em suma reverência os Doutores Sagrados, herdou, em certo sentido, o pensamento de todos eles... As obras do Angélico, escreve ainda Leão XIII, contém a doutrina mais conforme ao Magistério da Igreja”.7


_______________________

1.  Pe. Croiset, “Ano Cristão – ou Devocionário para Todos os Dias do Ano”, Vol. III – 7 de Março, pp. 88-84. Traduzido do Francês, revisto e adaptado às últimas reformas litúrgicas pelo Pe. Matos Soares, Professor do Seminário do Porto, A. Campos – Livraria Católica, São Paulo, 1923.

2.  29/5/1923.

3.  De S. Tomás.

4.  Cfr. Santiago Ramirez, “Introduction a Tomás de Aquino”, Madrid, BAC, 1957.

5.  D. Odilão Moura, O.S.B., “Ideias Católicas no Brasil – Direção do Pensamento Católico do Brasil no Século XX”, Cap. III, pp. 92-93. Ed. Convívio, São Paulo, 1978.

6.  Leão XIII, Carta Encíclica “Aeterni Patris”, de 4/8/1879.

7.  S. Tomás de Aquino, Exposição Sobre o Credo, Apresentação, pp. 9-10. 4ª Edição, Tradução de D. Odilão Moura, O.S.B., Edições Loyola, São Paulo, 1997.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Reminiscências


Ubi Petrus, Ibi Ecclesia”: “Esse aforismo se deve a Santo Ambrósio, Doutor da Igreja, Bispo de Milão e Mestre de Santo Agostinho. Insere-se no seguinte contexto: ‘Este é Pedro, a quem disse Cristo: Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a Minha Igreja’. Portanto, onde estiver Pedro aí estará a Igreja. E onde está a Igreja não há morte’ (‘Ipse est Petrus cui dixit: Tu es Petrus et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam. Ubi ergo Petrus, ibi Ecclesia. Ubi Ecclesia, ibi nulla mors’, In. Ps. XL, n. 30, ML, XIV, ed. 1844 sqts., col. 1082)”.1

Predestinação e Graças suficientes: “Aquilo que se chama em teologia ‘graças suficientes’, oferecidas por Deus mas recusadas pelos que irão para o Inferno, são a mesma coisa que São Paulo chama os ‘gemidos inenarráveis do Espírito Santo’, com que Nosso Senhor persegue o pecador, até a hora de sua morte, com a Sua misericórdia”.2



Bi-milenário de Nossa Senhora: “Três canonistas franceses, entre os quais Jean Crété, lembraram às Autoridades do Vaticano, em 1979, que os cálculos conjecturais mais prováveis indicavam o período 1979-1980, como o que melhor compreenderia a comemoração do Bi-milenário do Nascimento de Nossa Senhora. Nenhum interesse despertou esta lembrança. Mais uma vez enviaram ao Vaticano em 1983 a lembrança do fato, já que o período 1983-1984 poderia também ser adotado para tal comemoração, tendo em vista a alegada diferença 4 ou 5 anos entre as datas reais dos fatos bíblicos e a referência que deles ficou. Desta vez tiveram uma resposta: Não é oportuna a comemoração.3



Os Papas e os Anjos da Guarda: “O grande Papa Pio XI falava com muita devoção no seu Anjo da Guarda e dizia que sempre se aconselhava com ele. Pio XII, numa famosa Alocução, lembrava que, com o favor de Deus, teremos uma eternidade de alegria na companhia dos Anjos: ‘Aprendei a conhecê-los desde agora’. O Papa João XXIII, com grande simplicidade entretinha familiar conversação com seu Anjo da Guarda”.4


_____________________

1.  Revista Permanência, Ano I, n. 2, Novembro de 1968, p. 31.

2.  Revista Permanência, n. 208-209, Março-Abril de 1986, p. 4.

3.  Revista Permanência, n. 176-177, Julho-Agosto de 1983, p. 9.

4.  Revista Permanência, n. 53, Março de 1973, p. 52.


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Carmelitas no Zelo e no Espírito de Elias


Santa Teresa de Jesus

e o Protestantismo


Nesse tempo tive conhecimento das desgraças da França e do mal que lá tinham feito aqueles luteranos. Era uma aflição para mim e chorava diante do Senhor, pedindo-Lhe remédio, como se pudesse alguma coisa. Teria dado a minha vida mil vezes para salvar uma só das almas que por lá se perdiam…”.1

Tinha eu lido em certo livro que é imperfeição ter imagens primorosas, e andava querendo desfazer-me de uma que tinha na cela. Mesmo antes, parecia-me ser conforme à pobreza só ter alguma de papel; e como um dia destes li isso, já não as quisera de outra qualidade. E, estando bem descuidada deste assunto, foi-me dito: ‘Não era boa essa mortificação. Que coisa é melhor: pobreza ou caridade? Se melhor é o amor, tudo o que a ele me movesse não deixasse eu de lado, nem o tirasse às minhas monjas, pois o livro se referia a molduras ricas e ornamentos custosos, e não propriamente às imagens. O que o Demônio fazia entre os luteranos, era tirar-lhes todos os meios de se afervorarem, e assim os ia perdendo. Meus cristãos, filha, agora mais do que nunca, hão de fazer o contrário do que eles fazem’.2



Santa Teresinha do Menino Jesus

e os Hereges


Adormeci um segundo durante a oração. Sonhei que faltavam soldados para uma guerra.

Você disse: É preciso enviar Irmã Teresa do Menino Jesus. Respondi que preferiria que fosse para uma guerra santa. Finalmente, parti assim mesmo.

Oh! não, não teria medo de ir para a guerra. Com que felicidade, por exemplo, teria partido para combater os hereges, no tempo das cruzadas. Ora! Não teria tido medo de levar um tiro!

E eu que desejava o martírio, é possível que morra numa cama?”3


__________________________

1.  S. Teresa d’Ávila; cfr. Marcelle Auclair, Santa Teresa de Ávila – A Dama Errante de Deus”, 2ª Parte, Cap. V, p. 123. Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1959.

2.  Santa Teresa de Jesus, “As Relações e Favores”, nº 30, p. 819; cfr. Obras Completas, Edições Loyola, São Paulo, 1995.

3.  Santa Teresinha do Menino Jesus, “Novissima Verba – Últimas Palavras”, palavras dirigidas à Madre Inês de Jesus em 4 de Agosto de 1897, p. 1153; cfr. Obras Completas, Edições Loyola, São Paulo, 1997.


Do Suicídio de Martinho Lutero, Patriarca Fundador do Protestantismo.


Lutero, com igual audácia que impiedade, chegou a dizer que, se o ir ao Céu lhe custasse levantar do chão uma palha, não queria ir ao Céu: Si Caelum (são palavras suas, ou, para melhor dizer, vômitos de suas entranhas danadas) apertum viderem, idque culmo stramineo de terra sublato mereri possem, culmum nequaquam vellem tollere”.1 Mas, é isto na verdade, o que Davi estranhava e repreendia no ímpio, dizendo: Que fingia trabalho na observância da Lei de Deus: “Fingis laborem in praecepto”. Porque este miserável não fingiu senão facilidade e tão leve como uma palha, e, ainda que a lâmpada de sua fé estava apagada mais do que a das virgens loucas, não representava consigo que ia bater às portas do Céu fechadas, como elas bateram: “Domine, Domine, aperi nobis”, senão que as via patentes: “Si caelum apertum viderem”, e nem ainda assim quis entrar por elas. E quê de dificuldades, quê de temores, quê de perigos, quê de remorsos, quê de desgraças lhe custou o ir ao Inferno? De sorte que para salvar-se, não queria nem levantar uma palha, e para perder-se meteu os punhos e os peitos ao remo, até rebentar; para ir ao Céu havia de ser, tendo uma mão sobre a outra; para servir ao Demônio, afogou-se, com obra e com obras das suas mãos, porque se pôs (como dizem muitos) o laço à garganta, qual outro Iscariotes. Eis aqui o jugo suave de Cristo rejeitado, e o peso intolerável do Demônio aceitado voluntariamente; eis aqui as trevas preferidas à luz.



Fonte: Ven. Pe. Manuel Bernardes, “Nova Floresta”, Tom. I, Tit. V, Exemplo XXXII, Art. III, pp. 215-216. Ed. Liv. Lello & Irmão, Porto, 1949.


_____________________

1.  Apud Caramuel in sua Theologia fundamentali, fundamento 3, ratione 6, n. 216.


Como Criar um Delinquente


(Dez maneiras fáceis)


1ª. Comece na infância a dar ao seu filho tudo o que ele quiser. Assim, quando ele crescer, ele acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que deseja.

2ª. Quando ele disser nomes feios, ache graça. Isso o fará considerar-se interessante.

3ª. Nunca lhe dê orientação religiosa. Espere até que ele chegue aos 21 anos, e “decida por si mesmo”.

4ª. Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas. Faça tudo para ele, para que aprenda a jogar sobre os outros toda a responsabilidade.

5ª. Discuta com frequência na presença dele. Assim não ficará muito chocado quando o lar se desfizer mais tarde.

6ª. Dê-lhe todo o dinheiro que ele quiser. Nunca o deixe ganhar seu próprio dinheiro. Por que terá ele de passar pelas mesmas dificuldades por que você passou?

7ª. Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida e conforto. Negar pode acarretar frustrações prejudiciais.

8ª. Tome o partido dele contra vizinhos, professores, policiais. (Todos têm má vontade para com o seu filho).

9ª. Quando se meter em alguma encrenca séria, dê esta desculpa: “Nunca consegui dominá-lo”.

10ª. Prepare-se para uma vida de desgosto. É o seu merecido destino.


______________________________________________________________________


Um alerta da União Brasileira dos Policiais Civis e “Jornal Imprensa Policial” (SP)

______________________________________________________________________


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Pregar a Verdade integral, isto é, Condenando, também, o Erro.

Pintura "Triunfo da Verdade Católica"
de Peter Paul Rubens


A missão docente da Igreja não consiste só em ensinar a verdade, mas também em condenar o erro. Nenhum ensino da verdade é suficiente enquanto ensino, se não inclui a enunciação e refutação das objeções que contra a verdade se possam fazer. “A Igreja – disse Pio XII – sempre transbordante de caridade e de bondade para com os desgarrados, mas fiel à palavra de seu Divino Fundador, que declarou: ‘Quem não está coMigo, está contra Mim’,1 não pode faltar a seu dever de denunciar o erro e de arrancar a máscara aos semeadores de mentiras…”.2 No mesmo sentido se exprimiu Pio XI: “O primeiro dom de amor do Sacerdote ao seu meio, e que se impõe da maneira mais evidente, é o dom de servir à verdade, à verdade inteira, e desmascarar e refutar o erro sob qualquer forma, máscara ou disfarce com que se apresente”.3 É da essência do liberalismo religioso a falsa máxima de que para ensinar a verdade não é necessário impugnar ou refutar o erro. Não há formação cristã adequada, que prescinda da Apologética. Resulta particularmente importante notá-lo, à vista do fato de que a maioria dos homens tende a aceitar como normal o regime político e social em que nasce e vive, e de que o regime exerce a este título uma influência formativa profunda sobre as almas…”


Fontes: 

Catolicismo Nº 152 - Agosto de 1963 - A liberdade da Igreja no Estado comunista (pliniocorreadeoliveira.info)

Catolicismo Nº 161 - Maio de 1964 - A liberdade da Igreja no Estado comunista - Reedição ampliada (pliniocorreadeoliveira.info)


___________________

1.  Mat. 12, 30.

2.  Radio-mensagem do Natal de 1947 – “Discorsi e Radiomessagi”, vol. IX, p. 393.

3.  Carta Encíclica “Mit Brennender Sorge”, de 14 de Março de 1937 – AAS, vol. XXIX, p. 163.


terça-feira, 18 de janeiro de 2022

A Sabedoria de Santo Antão, Abade.

Conselhos Espirituais de Santo Antão

Sempre exortava todos os monges que lá iam, e eis o que lhes recomendava: crer no Senhor e amá-lO, guardar-se dos pensamentos impuros e dos prazeres carnais, e, como está escrito no livro dos Provérbios (Prov. 24, 15), não deixar-se desviar por um ventre saciado, fugir da vanglória e orar sem cessar, salmodiar antes de deitar e ao levantar, imprimir (na alma) os Preceitos das Escrituras e lembrar-se das ações dos Santos, para pôr em uníssono com seu zelo uma alma sempre atenta aos Mandamentos Divinos. Aconselhava, sobretudo, a meditar continuamente na palavra do Apóstolo: ‘Não se ponha o sol sobre a vossa ira’ (Efés. 4, 26). Devemos pensar, explicava, que isso se aplica a todos os Mandamentos. O sol não deve pôr-se nem sobre a vossa ira, nem sobre nenhuma falta. É belo e necessário que o sol não nos condene por um pecado do dia, nem a lua por um pecado ou pensamento da noite. Para nos fazer entender e guardar essa palavra, o Apóstolo diz: ‘Julgai e provai a vós mesmos’ (II Cor. 13, 5). Que cada um pense em suas ações do dia e da noite: se pecou, cesse de pecar; se não pecou, não se glorie, mas persevere no bem; não descuide de si e não condene o próximo, nem se justifique até que, como diz o Bem-aventurado Apóstolo Paulo, ‘venha o Senhor, o qual julga as coisas ocultas’ (I Cor. 4, 5; Rom. 2, 16). Com efeito, muitas vezes o que fazemos permanece oculto a nós mesmos. Não o sabemos, mas o Senhor observa tudo. Deixemos-lhe, pois, o julgamento, compadeçamo-nos uns dos outros e carreguemos os fardos uns dos outros. Julguemos a nós mesmos e tentemos preencher nossas lacunas...”.


Fonte: Santo Atanásio, “Vida e Conduta de Santo Antão”, Cap. 55, pp. 76-77; tradução de Benôni Lemos, Edições Paulinas, Coleção “Herança Espiritual”, São Paulo-SP, 1991.



Horror de S. Antão ao Cisma e à Heresia

Admiráveis eram sua fé e sua piedade. Nunca se relacionou com os melecianos cismáticos, cujas malícias e defecções discerniu desde o começo; não teve nenhuma relação de amizade com os maniqueus ou com os hereges, a não ser para exortá-los a se converterem à piedade; pensava e declarava que a amizade e o relacionamento com os hereges, fazem mal à alma e a arruínam. Abominava a heresia ariana e proibia a todos de se aproximarem deles, e de seguir sua fé pervertida. Algumas pessoas, vítimas das ilusões de Ario, vieram a ele; tendo conhecido sua impiedade, expulsou-as de sua montanha, dizendo que suas palavras eram piores que o veneno das serpentes”.


Fonte: Santo Atanásio, “Vida e Conduta de Santo Antão”, 3ª Parte (312-356), P. 68, p. 88, Coleção “Herança Espiritual”; Edições Paulinas, São Paulo, 1991.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Exorcismo contra Satanás e os anjos rebeldes.

(Publicado por ordem do Papa Leão XIII)


Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Oração a São Miguel Arcanjo


GLORIOSÍSSIMO Príncipe da Milícia Celeste, São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares. Vinde em socorro dos homens que Deus fez à imagem de Sua própria natureza, e resgatou por grande preço da tirania do Demônio.

A Santa Igreja vos venera como seu guarda e protetor. Confiou-vos o Senhor a missão de introduzir na felicidade celeste as almas resgatadas. Rogai, pois, ao Deus da paz que esmague Satanás sob nossos pés, a fim de que ele não mais possa manter cativos os homens e fazer mal à Igreja. Apresentai ao Altíssimo as nossas preces, a fim de que, sem tardar o Senhor nos faça misericórdia, e vós contenhais o Dragão, a antiga Serpente, que é o Demônio e Satanás, e o lanceis encadeado no abismo, para que não mais seduza as nações.



EXORCISMO

Em nome de Jesus Cristo, Deus e Senhor Nosso, por intercessão da Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, do Bem-aventurado São Miguel Arcanjo, dos Bem-aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo, e de Todos os Santos, empreendamos com segurança, repelir os assaltos da astúcia diabólica.

Salmo 67

LEVANTE-SE Deus e sejam dispersados os Seus Inimigos, e fujam de Sua presença aqueles que O odeiam.

Desvaneçam-se como se desvanece o fumo; como se derrete a cera ao calor do fogo, assim pereçam os ímpios à vista de Deus.

V. Eis a Cruz do Senhor , fugi potências inimigas.

R. Vence o Leão da tribo de Judá, a estirpe de Davi.

V. Venha a nós, Senhor, a vossa misericórdia.

R. Como esperamos em Vós.



NÓS TE EXORCISAMOS, quem quer que sejas; espírito imundo, poder satânico, horda do Inimigo infernal, legião, assembleia ou seita diabólica. Em nome e pelo poder de Jesus Cristo Nosso Senhor, sê extirpado e expulso da Igreja de Deus, das almas criadas à imagem de Deus e resgatadas pelo Sangue Precioso do Cordeiro Divino . Não ouses mais, pérfida Serpente, enganar o gênero humano, perseguir a Igreja de Deus, atormentar e joeirar como o trigo os eleitos de Deus .

Ordena-te o Deus Altíssimo , a Quem em tua grande soberba pretendes ainda te igualar; a Ele que quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.

Ordena-te Deus Pai , ordena-te Deus Filho , ordena-te Deus Espírito Santo . Ordena-te Cristo, Verbo eterno de Deus feito Carne , e que, para salvar nossa raça, perdida por teu ódio, Se humilhou a Si mesmo, fazendo-Se obediente até a morte; que edificou Sua Igreja sobre a Rocha firme, e decretou que as portas do Inferno nunca prevalecerão contra Ela, porque permanecerá com Ela todos os dias, até a Consumação dos séculos.

Ordena-te a virtude oculta da Cruz e o poder de todos os Mistérios da Fé Cristã . Ordena-te a gloriosa Virgem Maria, Mãe de Deus , que em Sua humildade esmagou, desde o primeiro instante de Sua Conceição Imaculada, tua cabeça cheia de soberba. Ordena-te a fé dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e dos outros Apóstolos . Ordena-te o sangue dos Mártires e a piedosa intercessão de Todos os Santos e Santas.

Assim, pois, Dragão maldito e toda legião diabólica, nós te conjuramos pelo Deus vivo, pelo Deus verdadeiro, pelo Deus Santo, por Deus que amou o mundo a ponto de entregar Seu Filho Unigênito, a fim de que, quantos creiam n’Ele, não pereçam, mas tenham a vida eterna: cessa de enganar as criaturas humanas, e de lhes oferecer o veneno da perdição eterna; cessa de fazer mal à Igreja e de armar laços à Sua liberdade.

Vai-te, Satanás, inventor e mestre de toda mentira, Inimigo da salvação dos homens. Dá lugar a Cristo, em Quem nada encontraste de tuas obras. Dá lugar à Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica, que o próprio Cristo adquiriu com Seu Sangue. Abaixa-te sob a mão poderosa de Deus, treme e foge à invocação que fazemos do Santo e terrível Nome de Jesus, a Quem os Infernos temem, a Quem estão sujeitas as Virtudes dos Céus e as Potestades e as Dominações; a Quem os Querubins e Serafins louvam num concerto sem fim, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos.

V. Senhor, escutai minha oração.

R. E chegue até Vós o meu clamor.



OREMOS

DEUS do Céu, Deus da terra, Deus dos Anjos, Deus dos Arcanjos, Deus dos Patriarcas, Deus dos Profetas, Deus dos Apóstolos, Deus dos Mártires, Deus dos Confessores, Deus das Virgens, Deus que tendes o poder de dar a vida após a morte, o repouso após o trabalho, porque não há outro Deus além de Vós, e não pode haver outro senão Vós, o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, cujo Reino não terá fim: suplicamos humildemente à vossa gloriosa Majestade que se digne libertar-nos com Seu poder e guardar-nos incólumes de todo domínio, laço, ardil e perversidade dos espíritos infernais.

Por Cristo Nosso Senhor. R. Amém.

Dos embustes do Demônio, livrai-nos, Senhor.

Que vossa Igreja Vos sirva em tranquila liberdade, nós Vos rogamos, ouvi-nos.

Que Vos digneis confundir os Inimigos da Santa Igreja, nós Vos rogamos, ouvi-nos.


(E asperge-se o lugar com água benta).


Redes Sociais

Continue Acessando

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...