A Fé dá a Inteligência desse Mistério.
A Voz do Pai que nos Atrai ao Filho.
Não é tudo sabermos que dom recebemos de Jesus Cristo; há ainda que saber d'Ele duas coisas muito necessárias; das quais, uma é o fruto que devemos tirar d'Ele, e outra é o meio de recebê-lo. Tudo isto nos é explicado no mesmo capítulo. Mas o que primeiro se deve aí entender é que só Deus pode nos dar a inteligência disso, conforme a esta palavra: “Não murmureis entre vós: ninguém pode vir a mim, se meu Pai, que me enviou, não o atrai”.1 Portanto, para vir a Jesus e Lhe penetrar as palavras, há que ser atraído pelo Pai, senão ser ensinado por Deus, como acrescenta o Salvador: “Escrito está nos Profetas: Eles serão todos ensinados por Deus. Aqueles que ouviram a voz de meu Pai, e que aprenderam o que Ele lhes ensina, vêm a mim”.2 Assim, ser atraído por Ele é escutar a voz, e ser ensinado pela doce e Onipotente insinuação e inspiração da verdade. Quando somo instruídos desse modo, não murmuramos das suas palavras; ouvimo-las, saboreamo-las; e foi por isto que Ele disse no fim: “Há uns entre vós que não creem; e foi por isto que eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se isso não lhe é dado por meu Pai”. Atraído a Jesus Cristo é, pois, aquele a quem é dado crer. O Pai atrai-nos a Jesus Cristo quando nos inspira a fé.
Creio, Senhor, creio; não sou daqueles que querem retirar-se de Vós, por causa da altitude das vossas palavras: ao contrário, sou dos que Vos dizem com São Pedro: “Mestre, a quem iríamos nós? Tendes palavras de vida eterna. Havemos crido e conhecido que Sois o Cristo, o Filho de Deus”.3
Crede, pois, e conhecei: crede primeiro como verdadeiro filho da Igreja, dócil e submisso, e verdadeiramente ensinado por Deus. Depois de serdes ensinado por Deus e docemente atraído à fé, sê-lo-eis ainda à inteligência, tanto quanto é necessário para confirmar a vossa fé; e direis em todas as ocasiões, mas particularmente na Comunhão: “Havemos crido e conhecido que Sois o Cristo, o Filho de Deus”. Roguemos ao Pai de Jesus Cristo, que quis ser o nosso, que nos atraia, que nos faça ouvir a sua voz e penetrar a sua palavra.
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Fonte: Jacques-Bénigne Bossuet, Bispo de Meaux, “Meditações sobre o Evangelho” – Opúsculo “Eucaristia”, Cap. VIII, pp. 45-46. Coleção Boa Imprensa, Livraria Boa Imprensa, Rio de Janeiro/RJ, 1942.
1. Jo. VI, 43 e segs.
2. Jo. VI, 45; cfr. Is. LIV, 13; Jer. XXXI, 33s.
3. Jo. VI, 68-69.
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