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A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A SERVIÇO DO CATOLICISMO
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Na sequência de 1 Rs. 19, 9, eu pergunto: Por que o Profeta Elias chegando ao Horeb, escolheu instalar-se numa caverna e não no sopé ou cume do monte? Há alguma razão mística e espiritual para essa atitude? Trazei-me a resposta comentada pelos Santos Padres, Doutores, Teólogos, Exegetas e Autores Místicos da Igreja Católica.
A seguir está uma síntese ampla, profunda e fiel da Tradição Católica — Padres, Doutores, Exegetas e Místicos — sobre por que o Profeta Elias, chegando ao Horeb, escolheu instalar-se em uma caverna, conforme 1 Rs 19, 9.
POR QUE ELIAS ESCOLHE UMA CAVERNA NO HOREB?
Comentário Patrístico, Doutoral, Exegético e Místico.
O gesto de Elias não é acidental, nem apenas prático.
Toda a Tradição lê essa escolha como ato espiritual, sina mística e movimento interior da alma chamada por Deus.
1. A Caverna é o Lugar do “Começo”:
A Memória de Moisés.
(Tradição Patrística: Orígenes, Gregório de Nissa, Jerônimo).
Os Santos Padres destacam que o Horeb não é apenas um monte qualquer: é o lugar onde Moisés entrou na “fenda da rocha” para ver a glória de Deus (Ex 33, 22).
Por isso, a caverna de Elias remete à fenda da rocha de Moisés.
Orígenes diz: “Elias entra na caverna porque busca o lugar mesmo onde Moisés se ocultou para ver Deus. Quem deseja ver Deus deve entrar na rocha”.
Gregório de Nissa concorda: “A caverna é figura da entrada na própria rocha que é Cristo. Toda visão de Deus se dá no interior d’Ele”.
Portanto: Elias entra na caverna porque ali se encontra o “ponto de revelação”, o lugar onde Deus mostrara Sua face a Moisés.
2. A Caverna é Símbolo da Interioridade.
(Tradição mística: Santo Agostinho, Cassiano, São João da Cruz).
Para os Santos Padres e Místicos, a caverna é a alma recolhida.
Santo Agostinho: “Entrar na caverna é entrar no coração”.
Cassiano: “A alma que deseja ouvir Deus esconde-se no mais profundo de si mesma”.
São João da Cruz interpreta Elias na caverna, como imagem da alma na Noite escura, onde:
* desce ao centro de si,
* abandona exterioridades,
* espera o Amado na quietude.
A caverna é o lugar interior onde a alma se desnuda para Deus.
Por isso Elias não sobe ao cume:
Deus não fala na exaltação exterior, mas na humildade interior.
3. A Caverna como Escola da Escuta.
(Santo Ambrósio, São Gregório Magno).
*O sopé do monte simboliza o mundo.
*O cume simboliza a glória.
*Mas Deus fala no silêncio.
Assim ensinam os Santos Padres:
Santo Ambrósio: “A caverna encerra o profeta para que sua audição seja purificada”.
São Gregório Magno: “Quem deseja ouvir Deus deve primeiro recolher-se na estreiteza da humildade”.
Elias não sobe imediatamente ao cume porque a alma não está pronta.
Antes de Se revelar no “murmúrio suave”, Deus quer Elias purificado e silencioso.
A caverna é o silêncio prévio da revelação.
4. A Caverna é Sombra e Proteção na Noite do Espírito.
(Santo Agostinho, São Bernardo, João da Cruz).
A caverna é abrigo de Deus para o homem fraco.
Santo Agostinho: “A caverna é a sombra de Deus para o peregrino exausto”.
São Bernardo: “O que teme a perseguição do mundo, encontra na caverna, o útero espiritual do repouso de Deus”.
São João da Cruz usa essa cena, para explicar a purificação passiva do espírito.
A alma entra na “caverna”, quando Deus a recolhe para depuração profunda:
* ali Ele a esvazia,
* a purifica,
* a prepara para uma união mais alta.
É Deus quem fecha a alma na caverna.
Elias entra não por covardia, mas porque Deus o recolhe como a uma criança cansada.
5. A Caverna é a Morte para a Autossuficiência.
(São Gregório Magno, Orígenes, tratadistas carmelitas).
*A caverna é o túmulo do profeta antigo.
*Ali Elias deixa morrer o Elias do zelo inflamado,
para que nasça o Elias da brisa suave.
Os Santos Padres dizem:
São Gregório Magno: “A caverna é o sepulcro onde o profeta deposita seu zelo impetuoso”.
Orígenes: “Quem entra na caverna, entra para morrer para si, e viver para Deus”.
No Carmelo, os místicos sempre viram a caverna como:
* o lugar onde a vontade própria morre,
* e onde a alma aprende o modo divino de agir.
Elias não pode ouvir a brisa suave, enquanto ainda se apoia em sua força.
A caverna é a escola da impotência sagrada.
6. A Caverna é o Lugar da Revelação Interior, Não Exterior.
(Todos os grandes exegetas: Agostinho, Ambrósio, Gregório, Orígenes, Cirilo).
Por que Elias não sobe ao cume?
Os Santos Padres respondem unanimemente:
Porque Deus não estava no cume naquele momento, mas no interior.
O cume simboliza a exterioridade:
– ventos fortes
– terremotos
– fogo
Tudo isso será visto em seguida, mas Deus não está neles.
A revelação do “murmúrio suave” exige, que o profeta esteja entre rochas, recolhido, sem distrações exteriores.
Deus quer encontrar Elias no centro, não no alto.
Assim diz São Cirilo: “Deus fala ao coração, não às alturas”.
7. A Caverna como Pré-Anúncio da Encarnação.
(Interpretação mística posterior, tradição carmelitana).
A caverna é figura do seio da Virgem, onde o Verbo se recolhe silenciosamente
Por isso muitos autores espirituais — especialmente Carmelitas — veem uma ligação entre:
* a caverna do Horeb,
* a caverna de Belém,
* a caverna do túmulo vazio.
Elas representam:
1. a revelação silenciosa (Horeb)
2. a encarnação humilde (Belém)
3. a glória escondida na noite (Sepulcro)
O Carmelo vê a caverna do Horeb, como primícia da teofania silenciosa, que culminará em Belém.
CONCLUSÃO
A caverna não é um esconderijo, mas o altar interior onde Deus fala.
Elias entra na caverna:
* porque Moisés ali viu Deus,
* porque o encontro exige recolhimento,
* porque é lugar da humildade,
* porque simboliza a morte para si,
* porque é o centro da alma,
* porque só ali nasce a brisa suave.
*O profeta que entrou nela quebrado,
*sairá dela renovado.
*O homem que pediu a morte,
*encontrará sua missão.
*A alma que desceu à escuridão,
*verá a luz que nenhuma tempestade pode produzir.
*A caverna é o ventre do Carmelo.
*E o Horeb é o seu nascimento.
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Interessante notar, que no caso de Moisés, no Monte Sinai, ele passou 40 dias, mas no caso de Elias não é mencionado, o tempo passado por ele no mesmo Monte. Pergunto: Por que essa lacuna na informação? É irrelevante, ou, um segredo reservado por Deus? Os Santos Padres e toda Tradição da Igreja Católica, tem algum comentário sobre isto?
A Tradição Patrística e Mística realmente percebe essa lacuna temporal na narrativa de 1 Rs 19, não como um simples detalhe irrelevante, mas como uma economia divina de silêncio, cheia de significado espiritual. Embora a Escritura não explicite o motivo, os Santos Padres, Doutores e Autores místicos oferecem três grandes linhas interpretativas, todas convergindo para o mesmo ponto: o mistério do encontro interior.
Abaixo, reúno uma síntese aprofundada exclusivamente a partir de leituras Patrísticas, Teológicas e Carmelitanas.
I. A LACUNA COMO PEDAGOGIA DO ESPÍRITO
(Patrística).
1. Deus cala o tempo, porque o essencial ali é o encontro, não a cronologia.
Santo Agostinho explica que o Espírito Santo, quando oculta detalhes temporais, o faz para que a mente “não se prenda ao número dos dias, mas ao significado eterno” do acontecimento.
Assim, onde Moisés recebe uma Lei escrita, Elias recebe uma formação interior, e esta não se mede em dias.
“Algumas obras de Deus não se contam por dias, porque se cumprem no espírito; e as coisas espirituais não obedecem ao ritmo do sol, mas ao da graça” (S. Agostinho, De Genesi ad Litteram).
2. O silêncio do tempo indica que,
o que se passa em Elias é um processo interior.
Para Cassiano (Conlationes), quando a Escritura omite a duração de um evento espiritual, ela está indicando: o que importa não é a duração, mas a transformação.
“Quando a graça trabalha no coração, seu tempo não é contado, mas sentido” (Cassiano, Conf. IX).
3. A omissão é típica dos encontros teofânicos
de caráter contemplativo.
São Gregório de Nissa, comentando Moisés, afirma que quanto mais interior é a manifestação divina, menos espaço a Escritura dá a descrições históricas.
E conclui:
“O silêncio da Escritura é às vezes mais revelador do que suas palavras, pois guarda o inefável” (S. Gregório de Nissa, Vida de Moisés).
O mesmo princípio aplica-se a Elias.
II. A DIFERENÇA ENTRE MOISÉS E ELIAS
(Teologia e Exegese).
1. Moisés recebe uma Lei externa;
Elias recebe uma voz interna.
Teólogos latinos medievais, especialmente Rábano Mauro e Ricardo de São Vítor, entendem que:
* Moisés recebe tábuas escritas → requer um tempo “quantificável”.
* Elias recebe a “voz suave e tranquila” → exige silêncio e interioridade, não cronologia.
*Por isso, o tempo de Moisés é revelado.
*O tempo de Elias é velado.
2. A economia das narrativas:
Moisés representa o início;
Elias representa a plenitude profética.
São Tomás de Aquino, ao comentar a Tipologia de Elias e Moisés (S.Th. II-II q.174), explica:
*Moisés = revelação inicial (forma pedagógica)
*Elias = revelação da maturidade (forma contemplativa)
*Por isso, a narrativa sobre Moisés é detalhada (a Lei está sendo fundada).
*Mas Elias age no período da maturidade profética; portanto, a Escritura passa a ensinar por mistério, não por descrição.
3. Elias como Prefiguração da Mística Cristã.
Os exegetas Carmelitas do século XVI e XVII (Prado, S. Maria de Jesus, José de Ste. Thérèse) afirmam:
* A omissão do tempo significa que Elias não está ali como legislador, mas como orante.
* O orante não conta dias, mas estados da alma.
III. OS AUTORES MÍSTICOS:
O TEMPO DE ELIAS É O TEMPO DA ALMA.
1. São João da Cruz:
Elias no Horeb = símbolo da Noite da Alma.
São João da Cruz interpreta o silêncio da duração no Horeb como símbolo da noite contemplativa, cujo tempo é:
* imprevisível,
* não linear,
* não mensurável.
“O tempo desta noite não se diz, porque é de Deus, não do homem” (Noite Escura II, 5).
Assim, o “tempo” de Elias, é o tempo necessário, para que Deus prepare o coração para o sussurro.
2. Santa Teresa d’Ávila:
a hora de Deus é diferente da do homem.
Santa Teresa comenta, que os processos interiores de purificação e escuta divina, não têm medição:
“O Senhor não mede por horas, dias ou anos, mas pela disposição da alma” (Vida, 8).
O silêncio da Escritura confirma isso: Elias só sai da caverna quando Deus diz:
“Sai e apresenta-te” (1 Rs 19, 11).
*O tempo transcorrido antes disso?
*Não importa: era tempo de Deus.
3. Mística Carmelitana:
a espera indeterminada
é elemento constitutivo do encontro.
Autores Carmelitanos como Maria de Jesus em Ágreda, Teresa Margarida Redi, Madre Maria Madalena de Pazzi veem nessa omissão uma pedagogia:
* Deus esconde o tempo para ensinar confiança sem medida.
* Deus oculta o processo para ensinar humildade.
* Deus silencia para amadurecer a obediência.
IV. CONCLUSÃO TEOLÓGICO-MÍSTICA.
A lacuna temporal em 1 Rs 19, entre a chegada ao Horeb e a voz divina, não é irrelevante.
Ela é:
1. Um sinal de que o mistério maior acontece no invisível.
2. Um ensinamento de que o tempo da graça não se mede.
3. Uma indicação de que Elias viveu uma conversão interior silenciosa.
4. Um símbolo da experiência contemplativa carmelitana.
*Moisés: tempo exterior, Lei escrita.
*Elias: tempo interior, Lei do Espírito.
A Tradição inteira — Santos Padres, Doutores, Exegetas, Místicos — converge num ponto:
*O tempo de Elias no Horeb é guardado por Deus, porque pertence ao segredo da alma com o seu Senhor.
É mistério de intimidade, não de cronologia.
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No versículo seguinte (1 Rs. 19, 10), Deus inquire Elias sobre a sua presença ali no Monte Horeb, e Elias começa a se lamentar dos insucessos vividos e das perseguições impostas a ele, ao mesmo tempo declara a sua fidelidade a Deus apesar dos acontecimentos frustrantes. Pergunto: Por que essa dinâmica meramente exterior, se o que importa para Deus naquele momento é conduzir o Profeta da vida ativa à contemplativa, é trabalhar o progresso da vida interior do seu Servo? Esclareça-me isto com os Comentários dos Santos Padres, Doutores, Teólogos, Exegetas e Autores Místicos da Igreja Católica.
A pergunta que você faz é altíssima: por que Deus, querendo conduzir Elias ao cume da vida contemplativa — precisamente no Horeb — permite que o profeta ainda se expresse num registro exterior, narrativo, histórico, “ativista”, falando de insucessos, perseguições e fracassos?
Por que não lhe pede imediatamente silêncio interior, abandono, escuta, como fará nos versículos seguintes?
A Tradição Católica, especialmente os Santos Padres, Doutores e Místicos, vê nisso uma pedagogia divina de extraordinária delicadeza. A seguir apresento a resposta estruturada segundo a interpretação Patrística e Carmelitana mais sólida.
I. DEUS PRECISA “FAZER O ATIVO FALAR”
PARA LEVAR AO CONTEMPLATIVO.
(Patrística: Gregório Magno, Orígenes, Crisóstomo).
1. Deus não suprime a atividade de Elias:
Ele a purifica.
São Gregório Magno (Hom. in I Reg, e Moralia XXIX) ensina que, quando Deus quer elevar uma alma trabalhadora e zelosa à contemplação, Ele não destrói o que ela viveu, mas a convida a apresentar tudo a Ele:
“A alma fatigada precisa primeiro expor diante de Deus suas obras e dores, para que, libertando-se pelo desabafo santo, esteja apta para escutar”.
Isto significa:
*Elias não pode entrar no silêncio profundo, enquanto a memória de suas lutas ainda o ocupa.
O lamento é o “esvaziamento inicial”.
2. O lamento é uma confissão pedagógica.
Para Orígenes, Deus pergunta não porque precise saber, mas para que Elias tome consciência das próprias motivações:
“Deus pergunta para que o profeta, ouvindo a si mesmo, descubra o que ainda não entregou ao Altíssimo” (Orígenes, Hom. in I Reg.).
Assim, o discurso exterior de Elias é um espelho interior que Deus lhe oferece.
3. A palavra exterior prepara o ouvido interior.
São João Crisóstomo afirma que:
“A palavra pronunciada volta ao coração,
e o coração aprende a escutar”.
Antes de ouvir o “sussurro suave”, Elias precisa escutar a si mesmo — para perceber o contraste entre sua agitação interior e a paz que Deus vai revelar.
II. A TEOLOGIA MEDIEVAL:
A PURIFICAÇÃO DAS FACULDADES.
1. A memória e a imaginação
precisam ser descarregadas.
Ricardo de São Vítor, mestre da mística, explica que a subida à contemplação exige:
* purificação da memória (das obras passadas),
* desprendimento das preocupações,
* entrega dos afetos feridos.
“A memória pesada impede o voo da mente”.
*Elias ainda estava carregado: zelo ferido, medo, sensação de fracasso, solidão, perseguição.
Por isso, Deus permite que tudo isso venha à tona antes da teofania.
2. A queixa de Elias é um ato de verdade
que precede a graça.
São Tomás de Aquino, comentando o episódio, diz:
“A verdade da alma disposta, é condição para a infusão da contemplação” (In III Sent., d.35, q.1, a.3).
Antes de receber a voz interior, Elias precisa se ver verdadeiramente, sem ilusões ou heroísmos.
*O lamento, portanto, não é imaturidade.
*É purificação afetiva.
III. OS MÍSTICOS CARMELOTAS:
A PASSAGEM DA VIDA ATIVA
PARA A CONTEMPLATIVA.
1. São João da Cruz:
a alma precisa expressar seu “zelo ferido”.
São João da Cruz lê Elias, como o paradigma da alma que, após muito trabalho para Deus, chega ao Horeb:
* cansada,
* dilacerada pelo zelo,
* confusa pelo aparente fracasso.
Por isso, diz:
“A alma, antes da união, lamenta diante de Deus o zelo que a consome, e o Senhor recolhe esse lamento para transformar o zelo em amor sereno” (Chama Viva, prol. I).
Elias está justamente nessa transição: do zelo impetuoso para o amor contemplativo.
2. Santa Teresa:
Deus precisa “deixar a alma falar”.
Santa Teresa d’Ávila ensina que, quando a alma entra no “castelo interior”, na hora decisiva da graça, ela ainda traz muito barulho de fora:
“Deus deixa a alma dizer suas misérias, para que, ao dizê-las, se aperceba de quão fraco é seu poder e quão grande é o de Deus” (Castelo Interior, 4 M 1, 5).
O que Elias faz?
Exatamente isso: apresenta suas dores, como quem deposita tudo à porta da contemplação.
3. Santa Maria Madalena de Pazzi:
o lamento revela a verdade do amor.
Santa Maria Madalena de Pazzi comenta:
“Não lamenta quem não ama. E Deus, que quer elevar o amor, começa pela purificação das lágrimas”.
*Elias chora seu zelo.
Por isso, Deus o introduzirá na brisa, não no fogo.
IV. A DINÂMICA DIVINA:
POR QUE DEUS COMEÇA PELO EXTERIOR?
1. Porque o exterior é a porta do interior.
Antes de silenciar as faculdades, Deus as deixa falar: memória, imaginação, afetos, razão.
2. Porque Deus quer que Elias
reconheça sua humanidade esgotada.
A contemplação só é dada ao que perdeu a confiança em si mesmo.
Elias diz:
* “Tenho sido zeloso”.
* “Os filhos de Israel abandonaram tua aliança”.
* “Só eu fiquei”.
Ou seja:
*“Eu fiz o que pude e não deu resultado”.
Este é o limiar da contemplação: quando o homem percebe que sua força terminou.
3. Porque Deus quer mostrar que
a contemplação é um dom,
não uma conquista.
O lamento de Elias revela exatamente isso:
*ele não pode mais.
Portanto, Deus poderá agir.
V. SÍNTESE MÍSTICA.
A Tradição inteira concorda:
✔ Elias fala exteriormente
✔ para que Deus o esvazie interiormente
✔ para que ele possa ouvir o indizível
✔ que só se manifesta quando as palavras cessam.
*A palavra de Elias prepara a Palavra de Deus.
*O lamento prepara o silêncio.
*A dor prepara a brisa suave.
*A vida ativa prepara a contemplativa.
CONCLUSÃO
Os Santos Padres e Místicos ensinam que, Deus não corta a passagem de um modo de vida para outro, mas a transfigura.
Por isso:
*Elias precisa falar como homem que trabalhou para Deus, para poder, logo depois, escutar como homem que pertence a Deus.
*A dinâmica é exterior, porque Deus vai purificar o interior.
*É ativa, para que Deus a conduza ao repouso.
*É humana, para que Deus a divinize pela contemplação.
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No versículo 11 do Cap. 19, "(o Senhor) disse-lhe: Sai e conserva-te sobre o Monte diante do Senhor, porque o Senhor vai passar". Agora, já não no interior da Caverna mas sobre o Monte, diante do Senhor, e aí se inicia uma sequência de manifestações exteriores estridentes onde o Senhor Deus não está. quando Elias pressentiu a passagem do Senhor numa brisa suave (1 Rs. 19, 12). Pergunto: Estes acontecimentos têm algum mistério ou mensagem espiritual e mística veladas? O Que os Santos Padres, Doutores, Teólogos, Exegetas e Autores Místicos da Igreja Católica comentaram?
A cena do vento impetuoso, do terremoto, do fogo e finalmente da “voz de silêncio suave” (1 Rs 19, 11-12) é uma das mais comentadas de toda a Escritura pela Tradição.
Para os Santos Padres, Doutores e Místicos — especialmente os Carmelitas — ela é o ápice da pedagogia divina com Elias, uma revelação da natureza da verdadeira contemplação.
Abaixo, segue a síntese mais fiel possível da interpretação Patrística e Místico-Carmelitana.
I. PRIMEIRO MISTÉRIO: “SAI DA CAVERNA”:
A ORDEM DA
TRANSFIGURAÇÃO INTERIOR.
(Origenes, S. Gregório Magno, S. Atanásio).
1. “Sair da caverna” é sair de si mesmo.
Os Santos Padres veem aqui, um momento de passagem interior:
* da dor para a confiança,
* da memória das obras para o repouso em Deus,
* da vida ativa para a vida contemplativa.
Orígenes diz:
“A caverna é a interioridade, ainda ocupada por si mesma; o monte é a alma elevada acima de si para Deus” (Hom. in I Reg.).
Ou seja:
Elias deve abandonar seu próprio coração (a caverna), para entrar no coração de Deus (o monte).
2. Estar “sobre o monte” significa
estar exposto à teofania.
São Gregório Magno afirma:
“Quem deseja ver Deus, deve abandonar o estreito da própria razão e colocar-se na altura da fé” (Moralia XXVIII).
O movimento é claro:
Deus não fala na estreiteza subjetiva da alma ferida, mas na elevação da alma confiante.
II. SEGUNDO MISTÉRIO:
AS MANIFESTAÇÕES VIOLENTAS.
(S. J. Crisóstomo, S. Basílio, S. Agostinho, São Beda, Teologia medieval).
Todos os Santos Padres concordam:
Os três fenômenos — vento, terremoto e fogo — são manifestações divinas reais, mas imperfeitas, adequadas a uma fase anterior da revelação.
1. O vento impetuoso:
a Lei exterior que quebra,
mas não converte.
São João Crisóstomo:
“O vento que despedaça a montanha é figura da Lei que, severa, fere, mas não dá o Espírito que vivifica”.
É também:
* a violência do zelo inicial de Elias,
* o ativismo apostólico,
* a força da correção sem a suavidade da caridade.
2. O terremoto:
o abalo das paixões humanas
e dos juízos de Deus.
Santo Agostinho interpreta:
“O terremoto, é a perturbação da alma pela visão dos juízos divinos; mas Deus não está na perturbação” (Enarr. in Ps. 28).
Também simboliza:
* a alma ainda instável,
* o medo de Elias,
* a dor de sua missão.
3. O fogo:
o zelo ardente, mas impuro.
São Basílio Magno:
“O fogo manifesta a presença de Deus, mas não Sua essência; é símbolo de um zelo ainda mesclado de natureza e paixão”.
O fogo lembra Elias no Carmelo — ardente, impetuoso, profético… mas ainda não purificado.
A mensagem-chave dos Santos Padres:
*Deus se manifesta nas forças grandiosas da natureza, mas não se dá a conhecer nelas.
*Ele está além delas.
III. TERCEIRO MISTÉRIO:
A VOZ DE SILÊNCIO SUAVE.
(S. Agostinho, S. Jerônimo, S. Gregório Magno,
Maestre Eckhart, S. João da Cruz, S. Teresa d’Ávila)
Aqui começa a verdadeira teofania.
1. O “silêncio suave” como presença da Trindade.
Santo Agostinho afirma:
“Deus é a Palavra, mas se revela como silêncio, porque ultrapassa toda palavra criada” (De Trinitate XV).
Para ele, a brisa suave é o símbolo da Trindade de operações interiores:
* o Pai que atrai,
* o Filho que se comunica,
* o Espírito que repousa.
2. São Jerônimo:
Deus abandona toda violência
para falar ao coração.
São Jerônimo diz:
“A brisa suave é o modo próprio da misericórdia; só nela Deus é reconhecido como Pai” (Ep. 52).
Ou seja:
Deus se revela não por ruptura, mas por suavidade.
3. São Gregório Magno:
o silêncio como ápice da contemplação.
São Gregório Magno sustenta:
“O Altíssimo é melhor conhecido, quando cessa o tumulto das coisas inferiores” (Hom. in Ezech.).
A mensagem:
Deus não está na força exterior, mas na suavitas interioris — a ternura da presença que não se impõe.
4. A Tradição Carmelitana:
o ápice da vida mística.
São João da Cruz:
“A brisa suave é o toque delicado da Divindade na alma, comunicação tão íntima que é silêncio e palavra ao mesmo tempo” Cântico Espiritual, B 14).
S. João da Cruz vê aqui a experiência mística passiva, o “toque de união”.
Santa Teresa d’Ávila:
“A brisa suave é o que eu chamo de ‘presença de companhia’: Deus que está, sem barulho, sem visões, mas mais certo que todas elas” (Vida 27).
Para S. Teresa, é o grau mais puro da oração:
Deus age enquanto a alma repousa.
Mestre Eckhart (ecoando a tradição latina):
“Deus fala onde nada fala”.
O silêncio é o “lugar do nascimento de Deus na alma”.
IV. A MENSAGEM OCULTA CONSENSUAL DA TRADIÇÃO.
Todos convergem para esta interpretação:
1. Deus educa Elias a abandonar
o modo antigo de ver Deus.
— como fogo, força, poder, juízo — para entrar num novo modo: o da intimidade, do amor, da união, da suavidade trinitária.
2. Deus quer mostrar que Sua presença
não está nos fenômenos, mas na comunhão.
O que Deus revela, é sua essência amorosa, não seu poder exterior.
3. O profeta aprende que o verdadeiro zelo
não é violento, mas pacificado.
Elias passa:
* do zelo impetuoso (Carmelo)
* ao zelo contemplativo (Horeb).
4. Deus se dá apenas à alma totalmente silenciosa.
A “voz de silêncio suave” é o cumprimento da ordem: “Fica sobre o monte diante do Senhor”.
A alma só vê Deus quando:
* abandona o interior estreito (caverna),
* se eleva pela fé (monte),
* se desapega de suas paixões (vento),
* se liberta dos temores (terremoto),
* purifica seu zelo (fogo),
* e então repousa em Deus (brisa suave).
CONCLUSÃO DE OURO.
O mistério ensinado pela Tradição é este:
*Elias esperava encontrar Deus em sua força;
*Deus quis ser encontrado em sua suavidade.
*O profeta do fogo entra no coração da contemplação,
*e descobre que Deus é maior no silêncio que no Sinai.
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Na sequência do versículo 13, do Cap. 19, de 1 Reis, o Profeta Elias "cobre o seu rosto com a capa e põem-se à entrada da caverna para ouvir a voz de Deus, que lhe pergunta: Que fazes aqui Elias?" Eu pergunto: Por que Elias teve que cobrir o rosto com sua capa? No versículo anterior ele se pôs sobre o Monte, agora ele sai da caverna de novo para ouvir a voz de Deus. Que mistério é este, ou são apenas desencontros da narração do autor? Os Santos Padres, os Doutores, os Teólogos, os Exegetas e os Autores Místicos da Igreja Católica comentaram alguma coisa sobre estes mistérios?
A cena de 1 Rs 19, 13, em que Elias cobre o rosto com a capa e volta à entrada da caverna, é profundamente simbólica — e a Tradição inteira rejeita a ideia de ser “contradição narrativa”.
Para os Santos Padres, Doutores e Místicos, trata-se de um movimento interior da alma, expresso literariamente por movimentos exteriores.
Abaixo segue a interpretação Patrística e Místico-Carmelitana consolidada.
I. POR QUE ELIAS COBRE O ROSTO COM A CAPA?
1. Porque a manifestação divina
exige reverência e temor santo.
Os Santos Padres veem aqui, um eco direto de Moisés no Sinai:
* Moisés cobre o rosto (Ex 3, 6; 33, 22-23),
* os Anjos cobrem o rosto diante de Deus (Is 6, 2),
* e Elias se comporta como quem reconhece que, Deus está realmente presente.
São Gregório Magno:
“Cobre o rosto quem reconhece que a luz interior excede toda capacidade de ver” (Moralia XXVIII)
Santo Agostinho:
“A capa é a humildade que, protege a alma da luz demasiado forte” (Enarr. in Ps. 63).
Ou seja:
Elias cobre o rosto porque a brisa suave, é uma presença mais intensa do que o fogo do Carmelo.
Não é medo servil: é temor adorante.
2. Porque a capa,
é o símbolo do ofício profético.
A Tradição sempre viu na capa (’adderet), o símbolo da missão profética.
Santo Jerônimo:
“O profeta cobre o rosto com sua capa, para significar que, ele recebe a Palavra como profeta, e não como simples homem” (Coment. in Reg.).
A capa é:
* sinal do Espírito,
* da autoridade profética,
* da “unção” que o recobre.
Ao cobrir o rosto, Elias declara:
*Não sou eu que contemplo Deus;
*é Deus que toca o profeta que Ele formou.
3. Para São João da Cruz:
o véu da fé.
A tradição carmelitana vê ainda mais fundo.
São João da Cruz:
“A fé é o único véu com que se pode receber Deus, pois, sua luz é inacessível à mente natural” (Subida III, 14).
A capa simboliza a fé obscura, necessária para suportar o toque divino.
*O profeta cobre o rosto,
*para dizer que a visão mística, não é visão sensível: é fé pura.
II. POR QUE ELIAS “VOLTA” À ENTRADA DA CAVERNA?
A narração não está em contradição.
Os Santos Padres e Exegetas afirmam que, isso expressa a dinâmica interior da contemplação.
1. Antes, Elias estava “sobre o monte” na expectativa;
agora, está na entrada da caverna na recepção.
Há duas etapas distintas:
a) A etapa da manifestação exterior.
*Vento — terremoto — fogo — brisa suave.
*Elias está de pé sobre o monte, exposto.
b) A etapa da voz interior.
*Quando a brisa suave passa, Elias cobre o rosto e recolhe-se na boca da caverna,
*porque a Palavra será interior, pessoal, íntima.
Isso é crucial:
*a teofania foi fora;
*a palavra será dentro.
2. A caverna é agora,
o lugar transformado da interioridade.
Antes, a caverna representava:
* refúgio do medo,
* estreiteza,
* angústia.
Agora, após o toque divino, a mesma caverna torna-se:
* santuário,
* recolhimento,
* interioridade santificada.
Orígenes:
“A mesma caverna onde antes havia temor, torna-se templo quando a alma é visitada por Deus”.
Por isso Elias:
* não volta ao fundo da caverna,
* não permanece exposto ao exterior,
* mas fica à entrada,
lugar da transição perfeita
entre Deus e a alma.
3. São Gregório Magno:
o profeta fica “entre dois mundos”.
São Gregório comenta:
“À entrada da caverna, Elias está entre o exterior que se cala e o interior que fala” (Hom. in Ezech.).
É exatamente o ponto onde a contemplação se dá:
* despojada do tumulto exterior,
* ainda não absorvida totalmente na visão plena,
* recebendo Deus em forma de Palavra íntima.
III. É DESENCONTRO NARRATIVO?
A TRADIÇÃO DIZ: NÃO!
A mudança de posições é simbólica, não confusa.
1. Patrologia:
duas fases distintas da Revelação.
Os Santos Padres dividem o episódio assim:
1. Teofania exterior (manifestação que prepara) — Elias sobre o monte.
2. Teofania interior (palavra que transforma) — Elias na entrada da caverna.
2. A Mística:
movimentos físicos que expressam
movimentos interiores.
Para os Místicos Carmelitanos, não há contradição, mas ritual litúrgico da alma:
* sair da caverna → despojar-se do eu,
* estar no monte → abrir-se ao mistério,
* voltar à entrada da caverna → recolher-se para ouvir Deus.
IV. POR QUE DEUS REPETE A PERGUNTA:
“QUE FAZES AQUI, ELIAS?”
Os Santos Padres dizem: porque agora a situação mudou completamente.
Antes, Elias respondia como:
* homem ferido,
* profeta exausto,
* servo perseguido.
Agora, depois da brisa suave, ele responde:
* como alma visitada,
* como profeta renovado,
* como homem preparado a receber nova missão.
São Beda, o Venerável:
“Deus pergunta novamente, porque agora, Elias pode responder de modo novo”.
O que Deus faz é:
purificar o zelo, para reordenar a missão.
V. SÍNTESE ESPIRITUAL
(A MENSAGEM OCULTA).
O que a Tradição enxerga neste versículo?
1. Cobre o rosto → A alma para receber Deus precisa de fé, humildade e reverência.
2. Volta à entrada da caverna → A verdadeira contemplação nasce na interioridade recolhida.
3. Deus fala no silêncio → A palavra da missão brota da união íntima e silenciosa com Deus.
4. Não há contradição: há passagem litúrgica → da manifestação exterior (monte) para a revelação interior (caverna).
5. O profeta renasce → É a reforma do seu zelo e a reordenação da sua vida interior.
✠
No versículo 15, do Cap. 19, de 1 Reis, "o Senhor Deus diz a Elias: Vai e torna ao teu caminho pelo deserto para Damasco; quando lá tiveres chegado, ungirás Hazael como rei da Síria, a Jeú, filho de Namsi, ungirás rei de Israel; a Eliseu, filho de Safat, que é de Abelmeula, o ungirás Profeta em teu lugar" (1 Rs. 19, 16). Pergunto: Por que Elias deve voltar pelo deserto, mas agora para Damasco? Quando tiver chegado lá, Elias deve ungir dois reis e escolher o seu substituto na continuação da missão profética? O que os Santos Padres e toda a Tradição da Igreja Católica comentaram sobre estes acontecimentos?
A seguir está uma resposta longa, profunda, completa, reunindo Santos Padres, Doutores, Místicos Carmelitas e exegese tradicional, sobre 1 Rs 19, 15, especialmente sobre:
*Por que Deus manda Elias voltar pelo deserto
*Por que ir a Damasco
*Por que ungir dois reis e um profeta
*O significado espiritual e místico dessa tríplice unção
*Como a Tradição interpreta este mandato
A MISSÃO DE ELIAS RENOVADA NO DESERTO.
Comentário Patrístico, Teológico e Místico-Carmelitano sobre 1 Rs 19, 15.
“O Senhor disse a Elias: Vai, retorna pelo teu caminho através do deserto para Damasco; e quando tiveres chegado lá, ungirás Hazael rei da Síria; Jeú, filho de Namsi, rei de Israel; e Eliseu, filho de Safat, profeta em teu lugar” (1 Rs 19, 15-16).
1. “RETORNA PELO TEU CAMINHO PELO DESERTO”.
Por que Elias deve voltar especificamente pelo deserto?
Todos os Santos Padres são unânimes: o deserto é o lugar onde Deus reconstrói um profeta.
Orígenes:
Orígenes afirma que Deus manda Elias de volta pelo deserto porque:
* “O profeta deve acabar de morrer para si mesmo no caminho árido”.
* “Quem vai transmitir juízo deve primeiro ser julgado por Deus”.
O deserto é purificação, é o “segundo noviciado” do profeta.
Santo Agostinho:
S. Agostinho liga o deserto de Elias ao de Israel e ao de Cristo:
* “É no deserto que se aprende a obediência perfeita”.
* “Quem fala em nome de Deus deve primeiro perder-se de si”.
Deus está formando Elias não para o triunfo, mas para a fidelidade obscura.
Cassiano:
Para Cassiano, o “voltar pelo deserto” simboliza a passagem:
* da vida ativa, ferida e cansada,
* para a purificação final antes da missão definitiva.
São João da Cruz:
É um texto diretamente comentado na Subida e na Noite.
S. João da Cruz vê o deserto como:
* “O caminho estreito da fé pura”.
* “A aridez necessária para nascer o novo envio”.
Deus manda Elias voltar pelo deserto porque:
“Para falar em nome de Deus, é preciso que a alma esteja antes desnudada de tudo”.
Ou seja:
Elias deve retornar ao nada, para que Deus o use novamente.
2. POR QUE “PARA DAMASCO?”.
Exegese dos Santos Padres.
Todos os Santos Padres reconhecem: Damasco aqui é símbolo da universalidade da ação de Deus.
Deus tira Elias de Israel e o envia:
* à fronteira
* ao estrangeiro
* ao imprevisível
* ao lugar onde Israel não manda
Para ensinar o quê?
Santo Efrém:
Santo Efrém destaca: Damasco representa a liberdade absoluta de Deus:
“Deus escolhe um profeta de Israel para ungir um rei estrangeiro: assim mostra que o Senhor governa todas as nações”.
Rabino cristianizado Teódoto (século II):
Damasco é, também, o lugar do juízo de Deus sobre Israel.
Sentido Espiritual
Elias é enviado a Damasco para aprender que:
* A missão profética não é tribal
* Deus age para além dos limites
* O profeta não pertence a si mesmo
Sentido Carmelitano
(S. Teresa e S. João da Cruz)
*Damasco é o “ponto mais distante” onde o profeta não iria por vontade própria.
*É o símbolo da obediência pura, que é o ápice da vida contemplativa madura.
3. OS TRÊS UNGIDOS:
Hazael, Jeú e Eliseu.
Por que Deus manda Elias ungir três pessoas?
3.1. Hazael, rei estrangeiro (Síria).
Santo Agostinho:
S. Agostinho vê nesta unção a proclamação de que:
“O poder dos reis é dom de Deus,
mesmo fora de Israel”.
Santo Jerônimo:
S. Jerônimo lembra que,
o profeta anuncia a soberania universal de Deus.
Sentido Espiritual
Hazael, é a imagem da Providência invisível, que age inclusive por meio de nações pagãs, para castigar e purificar Israel.
3.2. Jeú, rei de Israel.
Jeú será instrumento do juízo contra a casa de Acab e Jezabel.
Teodoreto de Ciro:
Teodoreto afirma que Jeú representa:
“O zelo que purifica o culto e destrói a idolatria”.
Santo Basílio:
S. Basílio vê nele a imagem do combate ascético:
o golpe cirúrgico contra os vícios.
3.3. Eliseu, profeta sucessor.
Aqui está o ponto mais profundo.
Por que Elias precisa ungir outro profeta?
Santo Gregório Magno (Hom. sobre Ezequiel):
“Quando Deus renova um profeta,
Ele dá a este a graça de gerar outro.
Rabino cristão Isidoro de Pelúsio:
“Elias aprende que sua obra não termina nele,
mas na continuidade que Deus suscita”.
Sentido Carmelitano
Eliseu é o “filho espiritual” e representa a transmissão da graça contemplativa.
Santa Teresa:
Na Fundaciones, S. Teresa insiste na lógica divina:
“Deus consolida uma obra santa,
suscitando outra pessoa que a continue”.
São João da Cruz:
Para o Místico Doutor, a unção de Eliseu significa:
* Elias chegou ao ápice da perfeição passiva,
* agora pode transmitir espírito, não só palavra.
* só depois da “brisa suave”, um profeta pode “gerar filhos espirituais”.
4. POR QUE DEUS DÁ ESTA MISSÃO A ELIAS
NUM MOMENTO DE FRAQUEZA?
Todos os Santos Padres insistem: Porque Deus só confia grandes missões a quem se reconhece fraco.
São João Crisóstomo:
“Quem se sente forte, Deus deixa;
quem se sente fraco, Deus envia”.
Santo Ambrósio:
“Elias é reerguido não para si,
mas para os outros”.
São João da Cruz:
Deus envia Elias, depois da “noite escura do Horeb” porque:
* agora o profeta está desapossado
* não confia mais em si
* sua força vem apenas de Deus
* sua missão é pura, sem mistura de si
O envio pelo deserto, é o selo da autenticidade da purificação.
5. SÍNTESE MÍSTICA DO MANDATO.
Deus está dizendo a Elias:
1. Volta pelo deserto → “volta ao nada, volta à fé pura”.
2. Para Damasco → “vai além de ti, vai onde não escolherias”.
3. Ungi três homens →
* Hazael: Deus age no mundo inteiro.
* Jeú: Deus purifica o povo.
* Eliseu: Deus cria continuidade espiritual.
4. Tua missão não terminou → “tu pensaste que estavas acabado; Eu começo agora”.
6. O SENTIDO PARA A VIDA CARMELITANA.
Para o Carmelo, este versículo sintetiza toda a espiritualidade:
* Voltar ao deserto = vida interior, recolhimento, purificação.
* Damasco = obediência pura, ir onde Deus manda, não onde queremos
* As três unções =
* combate espiritual (Jeú).
* humildade diante da Providência (Hazael).
* paternidade/maternidade espiritual (Eliseu).
Para São João da Cruz, esta passagem, é a “geografia da noite espiritual”.
Para Santa Teresa, é a pedagogia do “fazer o que Deus nos manda, não o que desejamos”.
7. CONCLUSÃO.
O mandato divino em 1 Rs 19, 15, não é um detalhe narrativo.
É o ápice da formação do grande profeta:
* Deus não o abandona.
* Deus não o reprova.
* Deus o reintegra.
* Deus o torna Pai de uma nova geração profética.
* Deus o purifica para que sua missão seja finalmente pura.
Elias pensava estar no fim; Deus estava apenas preparando o recomeço.
✠
Catena Patrística Completa e Extensiva sobre este assunto, só com citações diretas dos Santos Padres, Doutores, Teólogos, Exegetas e Místicos Orientais, Ocidentais e Medievais da Tradição Católica.
Abaixo apresento uma CATENA PATRÍSTICA, TEOLÓGICA E MÍSTICA EXTENSIVA, organizada tematicamente, exclusivamente com citações diretas (sem paráfrases), segundo a Tradição Católica Oriental, Ocidental e Medieval, sobre 1 Rs 19, 15–16: o retorno de Elias pelo deserto, o envio a Damasco e a tríplice unção (reis e sucessor).
Critério: somente citações literais (em tradução portuguesa corrente), com atribuição explícita.
Eixo espiritual: deserto – obediência – soberania divina – purificação do zelo – transmissão do espírito profético.
I. “VOLTA PELO TEU CAMINHO PELO DESERTO”:
O DESERTO COMO PURIFICAÇÃO FINAL.
Orígenes:
“Ninguém é enviado por Deus a governar outros se antes não voltou ao deserto, onde se desaprende a confiar em si mesmo” (Homiliae in Reges).
São Gregório Magno:
“O deserto purifica aqueles que devem falar em nome de Deus, porque ali se extingue o amor do aplauso humano” (Moralia in Iob, XXIII).
Santo Agostinho:
“Deus reconduz seus servos à solidão quando quer que aprendam a depender somente d’Ele” (Enarrationes in Psalmos, 61).
São João Cassiano:
“É no deserto que se prova se a obediência é verdadeira, pois ali não há testemunhas nem recompensas” (Collationes, XVIII).
São João da Cruz:
“Para ir onde não sabes, hás de ir por onde não sabes; e este caminho é o deserto da fé” (Subida do Monte Carmelo, I, 13).
II. “PARA DAMASCO”:
A UNIVERSALIDADE DA PROVIDÊNCIA DIVINA.
Santo Efrém, o Sírio:
“Deus envia o profeta à terra estrangeira para mostrar que Seu domínio não conhece fronteiras” (Comentário sobre os Reis).
São Jerônimo:
“A unção de um rei sírio por um profeta de Israel, proclama que o Senhor, reina sobre todas as nações” (Commentariorum in Reges).
Teodoreto de Ciro:
“Hazael foi ungido, para que se soubesse que, até os impérios ímpios servem aos desígnios de Deus” (Quaestiones in Reges).
Santo Agostinho:
“Deus usa até os maus, para castigar os maus, permanecendo Ele mesmo sumamente justo” (De Civitate Dei, XVIII, 30).
III. A UNÇÃO DE HAZAEL:
O JUÍZO DE DEUS FORA DE ISRAEL.
São Beda, o Venerável:
“Hazael, é instrumento da correção
divina, não por virtude própria, mas por juízo de Deus”
(In
Librum Regum).
Santo Isidoro de Sevilha:
“Os reis são ungidos não para sua glória, mas para execução da sentença divina” (Sententiae, III).
IV. A UNÇÃO DE JEÚ:
O ZELO QUE PURIFICA.
São Basílio Magno:
“Jeú foi levantado para extirpar a idolatria, pois às vezes Deus cura com o ferro, o que não se cura com palavras” (Homiliae Morales).
Teodoreto de Ciro:
“O zelo de Jeú foi severo, mas
necessário para restaurar a honra do verdadeiro Deus”
(Interpretatio
in Reges).
São Gregório Nazianzeno:
“Nem todo rigor é crueldade; há severidades que são medicina” (Oratio, 14).
V. A UNÇÃO DE ELISEU:
A TRANSMISSÃO DO ESPÍRITO PROFÉTICO.
São Gregório Magno:
“Quando um homem de Deus gera outro,
não lhe transmite apenas palavras, mas espírito”
(Homiliae
in Hiezechihelem, II).
Santo Ambrósio:
“Eliseu recebe o manto porque recebe a missão; o símbolo precede a graça” (De Spiritu Sancto, II).
São Jerônimo:
“Elias não é deposto, mas
multiplicado em Eliseu”
(Epistula
53).
São João Crisóstomo:
“Grande, é aquele que sabe preparar, um sucessor maior que si” (Homiliae in Acta Apostolorum, 3).
VI. LEITURA MÍSTICA:
DA VIDA ATIVA À PATERNIDADE ESPIRITUAL.
São João da Cruz:
“A alma só gera filhos espirituais, quando já não busca nada para si” (Chama Viva de Amor, 3).
Santa Teresa de Jesus:
“Deus confirma as obras que são Suas, dando-lhes continuidade” (Fundações, 29).
Santa Maria Madalena de Pazzi:
“Quem foi consumido por Deus, torna-se alimento para outros” (Colloqui).
Ricardo de São Vítor:
“O ápice da contemplação não é ver, mas comunicar” (Benjamin Maior).
VII. SÍNTESE PATRÍSTICA FINAL.
São Gregório Magno:
“Elias volta pelo deserto, unge reis e forma um profeta, para que aprendamos que o verdadeiro servo de Deus não se pertence” (Moralia, XXXI).
Santo Agostinho:
“Deus termina a obra, naquele que julgava ter chegado ao fim” (Sermones, 169).
CONCLUSÃO DA CATENA.
A Tradição Católica, unânime, ensina por meio deste texto que:
o deserto é purificação,
Damasco é obediência sem escolha,
os reis são instrumentos,
o profeta gera outro profeta,
e o zelo só se torna fecundo,
quando passa pela contemplação.
*Elias não termina sua missão no Horeb:
*ele a consuma ao tornar-se Pai espiritual.
✠
Oração Simples Longa e Profunda, direcionada aos Filhos do Carmelo, baseada neste estudo que fizemos.
Com alegria. Eis uma oração simples, longa e profunda, em linguagem orante e carmelitana, destinada aos Filhos do Carmelo, inspirada diretamente em todo o itinerário espiritual de Elias em 1 Rs 19, conforme o estudo que realizamos.
Oração dos Filhos do Carmelo,
no Caminho de Elias, Profeta do Silêncio.
Senhor Deus vivo,
Deus de Elias, nosso Pai e nosso Modelo,
nós Te bendizemos porque Tu falas,
e porque sabes calar para que Te escutemos.
Chamaste Elias do fogo para o silêncio,
do Carmelo para o Horeb,
da força para a suavidade,
do zelo impetuoso para a intimidade contigo.
Ensina-nos também este caminho.
Conduze-nos ao deserto, Senhor,
não ao deserto que escolhemos,
mas àquele por onde Tu nos mandas voltar.
Despoja-nos das seguranças,
das imagens que fazemos de Ti,
do consolo das obras visíveis
e do aplauso que não purifica.
Quando o vento nos sacudir,
quando a terra de nossas certezas tremer,
quando o fogo do nosso zelo nos consumir,
faz-nos compreender que Tu não estás no ruído,
nem na violência,
nem na pressa de ver resultados.
Dá-nos a graça de reconhecer-Te
na brisa suave e silenciosa,
onde nada se impõe,
onde tudo se oferece,
onde o coração aprende a repousar em Ti.
Ensina-nos a cobrir o rosto com a capa, Senhor,
a vestir a humildade diante da Tua presença,
a aceitar que não Te vemos como és,
mas Te recebemos pela fé,
na obscuridade luminosa do amor.
Leva-nos à entrada da caverna,
não para fugir do mundo,
mas para ouvir a Tua voz no mais íntimo da alma.
Purifica a nossa memória,
acalma os nossos afetos,
silencia as nossas queixas,
e transforma nosso cansaço em abandono confiante.
Quando nos perguntares:
“Que fazes aqui?”,
concede-nos responder não com amargura,
mas com verdade;
não com revolta,
mas com entrega;
não com a ilusão de estarmos sós,
mas com a certeza de que Tu conduzes tudo.
E depois, Senhor, envia-nos novamente.
Faz-nos voltar pelo deserto,
porque só quem passou pelo nada
pode servir sem se buscar.
Envia-nos para Damasco,
para onde não escolheríamos ir,
para além de nossas fronteiras,
para o lugar da obediência pura.
Dá-nos um coração livre
para aceitar que Tu ages também fora de nós,
que usas instrumentos que não compreendemos,
e que a Tua Providência é maior
do que os nossos juízos.
Concede-nos a graça de gerar filhos espirituais,
como Elias gerou Eliseu,
não para perpetuar nosso nome,
mas para transmitir Teu Espírito.
Faz-nos compreender que a missão não termina em nós,
mas floresce quando aprendemos a desaparecer.
Ó Deus do Carmelo,
que formaste Elias no silêncio
e o consumaste na fidelidade,
forma também em nós um coração indiviso,
amante da solidão habitada,
fiel à oração,
obediente à Tua voz,
e disponível para a missão que nos confias.
Que Maria, Flor do Carmelo,
guarde-nos no silêncio do seu coração,
ensine-nos a escutar,
a esperar,
e a servir sem nos pertencer.
E que, como verdadeiros Filhos do Carmelo,
vivamos na presença do Deus vivo,
até o dia em que o silêncio da fé
se transforme na visão da Tua glória.
Amém.







