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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Não ter Devoção à Maria Santíssima é Sinal Certo de Perdição Eterna



“… Pobre das almas que deixam de ser devotas de Maria e de se recomendar a Ela em todas as ocasiões. Diz Santo Anselmo, que assim como aquele que se recomenda a Maria e por Ela é olhado com amor, não pode se perder, tampouco é possível que se salve o que não é devoto de Maria e por Ela protegido. – São Francisco de Borja perguntou certa vez a uns noviços, de que Santo eram mais devotos, e achando que alguns não tinham devoção especial a Maria, avisou ao Mestre dos Noviços que olhasse com mais atenção para aqueles desgraçados; e sucedeu que todos perderam miseravelmente a vocação, e quiçá com esta, também, a alma… Quem dera que todos os homens amassem esta benigníssima e amantíssima Senhora, e a Ela recorressem sempre e imediatamente no momento da tentação! Quem jamais havia de cair? Cai e perde-se quem não recorre a Maria”.1

Cum metu et tremore vestram salutem operamini – ‘Com temor e tremor empenhai-vos na obra da vossa salvação’. Meu irmão, avivemos a nossa fé, que tanto o Inferno como o Céu são eternos; lembremo-nos que um ou outro nos caberá por sorte. Este grande pensamento nos encherá de medo e nos fará evitar as ocasiões de ofendermos a Deus e empregar os meios necessário para alcançarmos a salvação. Quem não treme pelo temor de se perder, não se salvará. – Façamos, sobretudo, por adquirir uma devoção verdadeira para com a Santíssima Virgem, e examinemos frequentes vezes se, porventura, nos tenhamos relaxado neste ponto. Oh, quantos cristãos estão ardendo no Inferno, por terem deixado de honrar a grande Mãe de Deus!”2

Que a prática de invocar aos Santos, a fim de nos alcançarem a divina graça, seja não somente lícita, mas também útil, é um ponto da fé. Entre os Santos, porém, que são amigos de Deus, e a Santíssima Virgem, que é sua verdadeira Mãe, há esta diferença, que a intercessão de Maria não é só utilíssima, mas também moralmente necessária, de modo que o Bem-aventurado Alberto Magno e São Boaventura chegam a afirmar, que todos os que se descuidam da devoção a Nossa Senhora, não a servem, e consequentemente não são por Ela protegidos, morrerão todos em pecado mortal e se condenarão: A gente que não Te servir, perecerá. É esta, diz Soares, a opinião universal da Igreja”.3 “… Assim como Holofernes, para conquistar a cidade de Betúlia, ordenou que se cortassem os aquedutos, também o Demônio faz quanto pode, a fim de que as almas percam a devoção à Mãe de Deus. Pela experiência o Espírito Maligno sabe que, tapado este canal das graças, depois fácil ou, antes, certamente consegue conquistá-las. Quantos cristão estão agora no Inferno, por terem se deixado iludir assim”.4

É tão liberal e grata a Rainha do Céu, que, no dizer de Santo André de Creta, recompensa com riquíssimos prêmios os pequenos obséquios de seus servos… Mas não te exorto tanto a praticar todos estes obséquios, como a praticares os que possas escolher ou já tenhas escolhido, com perseverança, temendo que, se te descuidares deles no futuro, percas a proteção da divina Mãe. Oh! Quantos daqueles que agora estão no Inferno, teriam sido Santos do Paraíso, se tivessem perseverado nos obséquios a Maria, uma vez escolhidos e principiados!”.5

Meu irmão, quando nos sentirmos culpados perante a justiça divina e já como que, condenados ao Inferno, por causa dos nossos pecados, não nos entreguemos à desesperação; recorramos a Maria, refugiemo-nos debaixo de seu manto, e Ela nos salvará. Tomemos a resolução de mudarmos de vida; tenhamos boa vontade e grande confiança no patrocínio de Maria e seremos salvos, porquanto, Ela é uma Advogada poderosa e uma Advogada piedosa… Quando a divina Mãe apareceu um dia a Santa Brígida e lhe falou de sua misericórdia para com os pecadores, disse: ‘É para lastimar, e sê-lo-á eternamente, aquele que, podendo em vida recomendar-se a Mim, que Sou tão benigna, para sua desgraça não recorre a Mim e se condena’. – Grande Deus! Se nos condenássemos, qual não seria a nossa pena no Inferno, ao pensar que nos podíamos salvar tão facilmente, recorrendo a Maria, mas que não o fizemos e em toda a eternidade não o poderemos mais fazer? Para que não nos aconteça tamanha desgraça, avivemos hoje a nossa devoção e coloquemo-nos novamente debaixo do patrocínio desta grande Advogada”.6

Oh! Que belo Sinal de Predestinação têm os servos de Maria! A Santa Igreja aplica a esta Bem-aventurada Mãe as palavras da Sabedoria divina e lhe faz dizer: In omnibus requiem quaesivi et in haereditate Domini morabor7 ​– Em toda parte busquei repouso e morarei na herança do Senhor”. A Santíssima Virgem, pelo amor que tem para com os homens, procura fazer que em todos reine a sua devoção. Muitos, ou não a recebem, ou não a conservam; porque esta devoção habita em todos aqueles que são a herança do Senhor, isto é, que irão ao Céu louvá-lO eternamente”.8

É, pois, com razão que chamamos à Virgem a nossa esperança, esperando alcançar por sua intercessão o que não alcançaríamos só com as nossas orações. Oh, quantos soberbos, com a devoção a Maria, acharam a humildade! Quantos iracundos acharam a mansidão! Quantos cegos acharam a vista! Quantos desesperados acharam a confiança! Quantos perdidos acharam a salvação! Numa palavra, afirma Santo Antonino, que todo verdadeiro devoto de Maria pode dizer: Venerunt mihi omnia bona pariter cum illa9‘Com a devoção a Maria vieram-me, juntamente, todos os bens’.”10

Meu irmão, valhamo-nos sempre do excelente conselho que São Bernardo nos dá. Em todos os perigos de perder a graça divina, em todas as angústias, em todas as dúvidas, pensemos em Maria, e invoquemos o seu Nome, juntamente, com o Nome de Jesus, porque andam sempre juntos estes dois Nomes.11 Não se apartem nunca estes dois dulcíssimos e poderosíssimos Nomes, nem do nosso coração, nem da nossa boca. Com eles chegaremos seguros ao porto da eterna salvação. – Mas lembremo-nos que, para obter o socorro deste grande Nome de Maria, é necessário que imitemos os exemplos de suas virtudes: Et ut impetres eius orationis suffragium, non deseras conversationis exemplum”.12


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1“Meditações para todos os Dias e Festas do Ano, tiradas das Obras Ascéticas de Santo Afonso Maria de Ligório”, pelo Pe. Thiago Maria Cristini, CSsR, versão Portuguesa do Pe. João de Jong, CSsR, Tomo III, Cap. Maria Santíssima alcança a perseverança para seus devotos, pp. 57; Herder & Cia - Livreiros-Editores Pontifícios, Friburgo em Brisgau (Alemanha), 1922.
2Ob. cit., Cap. A perda da Salvação é um mal sem remédio, p. 180.
3Tom. 2 in 3 p., disp. 23, sect. 3.
4Ob. cit., Cap. Necessidade que temos da Intercessão de Maria Santíssima para nossa Salvação, pp. 205-206.
5Ob. cit., Cap. Prática da Devoção a Maria Santíssima, pp. 259-260.
6Ob. cit., Cap. Da Confiança no Patrocínio de Maria Santíssima, pp. 277-279.
7Eclo. 24, 11.
8Ob. cit., Cap. Maria Santíssima conduz os seus Servos ao Paraíso, p. 332.
9Sab. 7, 11.
10Ob. cit., Cap. Maria Santíssima é a Esperança de todos, p. 114.
11Invocação dos Nomes de Jesus e Maria é indulgenciada.
12Ob. cit., Cap. Festa do Santíssimo Nome de Maria, p. 359.


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