BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 29 de junho de 2026

O ERRO É UM OBSTÁCULO PARA A UNIÃO (CURA D'ARS).


 

D. José Falcão responde 

ao Pe. Reginaldo Manzotti



Padre Reginaldo Manzotti afirma:

“Jesus, por ser humano,

errou muitas vezes”.

E cita a pregação da parábola do grão de mostarda, onde a Verdade Eterna e Encarnada, diz que o grão de mostarda é a menor das sementes do mundo.

Não preciso dizer, mas dizendo, que isto é uma inadvertida e herética blasfêmia. Vamos aos fatos.


A Parábola da Semente da Mostarda.

Na Sagrada Escritura, o grão de mostarda é uma metáfora poderosa usada por Jesus Cristo, para ilustrar o Reino dos Céus e o poder da Fé. Ele representa o princípio de que, grandes obras e transformações espirituais podem se originar, a partir de começos humildes e aparentemente insignificantes.

O contraste fundamental baseia-se no fato, de a semente ser minúscula, mas possuir uma capacidade de expansão extraordinária. Consultemos a Sagrada Escritura: No Evangelho de São Mateus, Jesus ensinando sobre o Reino dos Céus, disse:

Propôs-lhes outra parábola, dizendo: “O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou no seu campo.

É a mais pequena, de todas as sementes, mas, depois de ter crescido, é maior que todas as hortaliças e chega a tornar- se uma árvore, de sorte que as aves do céu vêm aninhar sobre os seus ramos” (Mt 13, 31-32).

Em, São Marcos no seu Evangelho, demonstra a mesma cena:

Dizia mais: "A que coisa compararemos nós o reino de Deus? Com que parábola o figuraremos?

É como um grão de mostarda que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na terra; mas, depois que é semeado, cresce e torna-se maior que todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de modo que as aves do céu podem vir pousar à sua sombra (Dn. 4, 9 e Dn. 4, 18; Ez. 17, 23 e Ez. 31, 6)” (Mc 4, 30-32).

E, finalmente, São Lucas no seu Evangelho, cita o mesmo ensino de Jesus:

Dizia também: "A que é semelhante o reino de Deus, a que o compararei eu?

É semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou na sua horta; cresceu, tornou-se uma grande planta, e as aves do céu repousaram nos seus ramos” (Lc 13, 18-19).


Distinção a Ser Feita.

Se considerarmos o grupo das hortaliças (plantas cultivadas em hortas), a resposta mais famosa e historicamente citada, é a semente de mostarda.

No entanto, há uma distinção importante entre o conhecimento cultural/histórico e a botânica moderna:


1. O Contexto Histórico e Cultural

(A Mostarda).

A semente de mostarda (Brassica nigra), ficou mundialmente conhecida como a “menor das sementes”, devido à famosa parábola bíblica, que menciona que ela é a menor semente que um homem planta em sua horta, mas que cresce até se tornar a maior das hortaliças. De fato, para os agricultores daquela época e região, ela era a menor semente cultivada de forma comum, medindo entre 1 e 2 milímetros.


2. O Cenário Botânico Atual nas Hortas.

Se olharmos estritamente para as hortaliças que consumimos hoje, a mostarda divide o pódio de pequenez com outras plantas de sementes minúsculas:

  • Aipo (ou Salsão): Suas sementes são incrivelmente pequenas, muitas vezes menores e mais leves que as de mostarda, medindo cerca de 1 mm a 1,5 mm.

  • Cenoura: Também possui sementes minúsculas e muito leves (um único grama pode conter mais de 800 sementes).

E no reino vegetal inteiro? Se sairmos do universo das hortaliças e olharmos para todas as plantas do planeta, as menores sementes do mundo pertencem às orquídeas (especialmente as orquídeas-joia). Elas são microscópicas, parecem uma poeira fina e medem apenas 0,05 milímetros — sendo invisíveis a olho nu individualmente!


Contexto Agrícola Antigo

Para os agricultores da região da Galileia no primeiro século, o grão de mostarda era uma das sementes cultivadas mais minúsculas (medindo entre 1 e 2 milímetros), que eles manuseavam no dia a dia.


Sentido Figurado

A intenção de Jesus Cristo ao citar a semente, não era dar uma aula de botânica, mas sim fazer uma analogia. O objetivo da parábola é contrastar algo quase invisível (o Ministério terreno de Jesus e a pregação inicial) com o grande resultado final, já que a semente de mostarda cresce e se torna uma planta que pode chegar a mais de 2 ou 3 metros de altura.

Representa, também, como a Mensagem Cristã e a Igreja começaram pequenas – com um grupo simples de seguidores – mas se expandiram de forma extraordinária, para acolher e transformar o mundo.

Como o grão de mostarda, A Igreja era pequena em seu começo, e está espalhada por todo o mundo; tornou-se uma grande árvore, onde os pássaros – os cristãos de todos os séculos – vêm buscar abrigo e alimento. Os grandes e belos ramos desta grande árvore são os ensinos que saem do firmíssimo tronco, que é a Igreja. As almas nobres e verdadeiramente aladas, os que sabem se erguer acima das misérias da vida, encontram repouso, paz e tranquilidade, à sombra de sua doutrina” (Cônego Duarte Leopoldo, “Concordância dos Santos Evangelhos…”, 4ª Edição, Cap. XX, p. 120. Linográfica, São Paulo/SP. 1951).

A semente da mostardeira designava nos provérbios dos Judeus, uma quantidade mínima, por ser a mais pequena das sementes empregadas: nas margens do Jordão, porém, a haste da mostardeira atinge a altura de dez pés” (Synopse Evangélica, por um Padre da Congregação da Missão, 74º Lição, p. 124. Turnhout (Bélgica) Estabelecimentos Brepols, A. G., Editores Pontifícios. 1913).

Pone esta parábola de relieve la oposición entre la humildad del reino de Deus en sus orígenes y su futura grandeza. Cumplese esto en el fundador del reino, Jesucristo, en su vida terrestre, tan humilde, y tan gloriosa en su exaltactión en el cielo” (Nuevo Testamento, versión directa del texto original griego, por Eloíno Nácar Fuster y Alberto Colunga Cueto, O.P., p. 50. BAC – Madrid. 1960).

Será que Aquele que afirmou ser Ele “A Verdade” (Jo. 14, 6), poderia ensinar o erro, ou, se enganar e com isso enganar os outros? Afinal, Ele é Deus Eterno, ou fomos enganados? Prefiro acreditar que o Reverendíssimo Padre Reginaldo Manzotti, se enganou em sua interpretação e naufragou, ainda que temporariamente na Fé, pelo puro afastamento do sentir unânime de toda a Tradição Católica. Que Deus o ilumine, para que ele possa reconhecer o seu erro, e se arrependa e repare o mal cometido. Vejamos o que diz a Doutrina Católica.


Toda a Doutrina de Jesus Cristo é Divina,

e, obrigatoriamente, destinada a todos os homens.


1) Durante toda a sua vida pública, insiste constantemente na perfeita identidade da sua doutrina com a doutrina do Pai:

A minha doutrina não é minha, mas é d’Aquele que me enviou…” (Jo. 7, 16).

As palavras que ouvistes não são minhas, mas sim do Pai que me enviou” (Jo. 14, 24).

Eu falo o que vi em meu Pai” (Jo. 8, 38).


2) Nada faz, nada ensina senão o que ouviu do Pai:

“… mas quem me enviou é verdadeiro e o que d’Ele ouvi, isso eu digo ao mundo… nada de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou” (Jo. 8, 26-28).


3) Por isso, crer em Cristo, é crer em Deus:

Quem crê em mim, não crê em mim, mas n’Aquele que me enviou… Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue: a palavra, que eu tenho falado, julgá-lo-á naquele dia. Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, Ele mesmo foi quem me prescreveu o que devo dizer e o que devo falar. E sei que o seu Mandamento é vida eterna. Pois o que eu digo, digo-o segundo me falou o Pai” (Jo. 12, 44-50).

4) Por conseguinte, afirmando Cristo, sem excetuar nenhuma parte do seu ensino, que não fala senão “o que ouviu do Pai, o que o Pai lhe mandou falar”, apresenta a sua doutrina, e toda a sua doutrina, como doutrina de seu Pai, isto é, como Doutrina Divina, Palavra de Deus…

Tal é também a crença universal e constante da Cristandade, como o prova a própria existência do Cristianismo, como Religião Revelada por Deus.


5) Obrigação para todos os homens de aceitarem a Doutrina de Cristo:

Ao enviar seus Apóstolos pelo mundo, acrescentou Cristo:

Quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer, será condenado” (Mc. 16, 16; cfr. Jo. 3, 18.36; 5, 24; 12, 48-50).

É também a conclusão natural de todo o ensino evangélico: Jesus traz “na terra a paz aos homens de boa vontade” (Lc. 2, 14). É “a luz para a revelação às gentes” (Lc. 2, 32), “vindo do alto, para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte” (Lc. 1, 79), “a luz verdadeira, que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo. 1, 9), “o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo” (Jo. 1, 29), “o Salvador do mundo” (Jo. 4, 42). – Para a salvação, é necessário crer em Cristo (Jo. 3, 14-18.36; 5, 24), pois “ninguém vai ao Pai senão por Ele” (Jo. 14, 6), sem Ele não podemos fazer nada (Jo. 15, 1-6); e a vida eterna consiste em conhecer o único Deus verdadeiro e Àquele que enviou, Jesus Cristo (Jo. 17, 3), “não há salvação em nenhum outro” (Atos 4, 12).

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Fonte: Pe. Pedro Cerruti, S.J., Síntese da Teologia Católica, Tomo II – O Cristianismo em sua Origem Histórica e Divina, 2ª Parte, Cap. II, Tese IX, III Ponto, pp. 336-338. Universidade Católica, Rio de Janeiro/RJ. 1963.


Todo Católico Deve Combater o Erro

Palavras de São João Maria Vianney (o Cura d'Ars), dirigidas a Hernest Hello e Jorge Seigneur, que pediam conselhos a respeito da fundação de um Diário Católico (1858):

"O princípio de uma grande obra deve ser pequeno. Não é a questão financeira que vos deve afligir. Tudo o que Deus quer se arranja, não se sabe como. Tereis o necessário auxílio, e, mesmo faltando este, deveis começar.

Vivemos em um mundo miserável. Deveis expor esta miséria e dizer a verdade sem acepção de pessoas. Há uma massa de mentiras e de erros que deveis dissipar, sem olhar para as pessoas que os espalham. Deveis combater o erro, mesmo entre os católicos, pois estes têm menos direito - se posso falar de direito - do que os outros para pregar ideias errôneas. Amai os vossos adversários. Rezai por eles, mas não deveis fazer-lhes cumprimentos. É tempo perdido. Não procureis agradar a todos, nem podeis a todos agradar. Procurai agradar a Deus e seus Anjos e Santos, eis o vosso público!

Pois bem, meus filhos, mãos à obra! Os que de vós se afastam, que vos censuram por falta de amor, intimamente vos darão razão, talvez vos defendam publicamente. Se os homens pudessem ver como eu trato o "Grappin" (alcunha regional depreciativa com que o Santo designava o Demônio), diriam que não lhe tenho amor. Meto-lhe medo, causo-lhe espanto, lanço-o por terra, e digo-lhe: "Grappin, tu me atacas; pois bem, eu me defendo também".

Mas vós, meus filhos, dir-me-eis que os homens não são Demônios. Sem dúvida, muitos não são Demônios. Mas, em todos que não estão unidos intimamente a Cristo, está latente alguma coisa diabólica; e contra isso deveis levantar-vos como executores da justiça. O erro é um obstáculo para a união. Meu Deus, quão inexaurível é a verdade, quão imarcescível, quão repleta de vida! Mais uma vez, não deixeis jamais de combater o erro. E para isto, gastai a maior parte de vosso tempo. Começai, pois, e perseverai! Não vos deixeis intimidar pela contradição. Contradição, não vale nada. Fareis bem e muito bem".

Fonte: "Verdades Esquecidas" - Coletânea de textos do mensário Catolicismo, p. 9. Catolicismo nº 16, Abril de 1952. Artpress Indústria Gráfica e Editora Ltda, Bom Retiro/SP. 1992.


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