BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

TRÁGICO EXEMPLO DE PECADOS CALADOS NA CONFISSÃO.



PECADOS DESONESTOS

Exemplo de uma senhora que por muitos anos calou na Confissão um pecado desonesto.

Refere Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, e mais particularmente o Padre Antônio Caroccio, que passaram pelo país em que vivia esta senhora, dois religiosos, e ela, que sempre esperava Confessor forasteiro, rogou a um deles que a ouvisse em Confissão, e confessou-se. Logo que partiram os Padres, o companheiro disse ao Confessor ter visto que, enquanto a senhora se confessava, saíam de sua boca muitas cobras, e uma serpente enorme deixara ver fora a sua cabeça, mas voltara de novo para dentro da boca, e após ela, todas as outras cobras que antes haviam saído. Suspeitando o Confessor o que aquilo podia significar, voltou à cidade, e à casa daquela senhora, onde lhe disseram que, ela no momento de entrar na sala, morrera repentinamente.

Por três dias seguidos jejuaram e oraram por ela, suplicando ao Senhor, que lhes manifestasse aquele caso.

Ao terceiro dia, apareceu-lhes a infeliz senhora condenada e montada sobre um Demônio, em figura de um dragão horrível com duas serpentes enroscadas ao pescoço, que a afogavam e lhe comiam os peitos; tinha uma víbora na cabeça, dois sapos nos olhos, setas ardentes nas orelhas, chamas de fogo na boca, e, dois cães danados que a mordiam e lhe comiam as mãos; e a infeliz dando um triste e espantoso gemido, disse:

“Eu sou a desventurada senhora que Vossa Reverendíssima confessou há três dias; conforme ia confessando meus pecados, iam saindo como animais imundos pela minha boca, e aquela serpente enorme, que o seu companheiro viu tirar a cabeça, e que voltou depois para dentro, era figura de um pecado desonesto (imoral), que calei sempre por vergonha; quis confessá-lo com Vossa Reverendíssima, mas também não me atrevi; por isso, voltou a entrar na minha boca, e com ele todos os demais pecados que haviam saído. Cansado já Deus de tanto me esperar, tirou-me, repentinamente, a vida e me precipitou no Inferno, onde sou atormentada pelos Demônios, que vós vedes, em figura de horrendos animais.

A víbora me atormenta a cabeça, pela minha soberba e pelo meu excessivo cuidado em pentear os cabelos; os sapos cegam-me os olhos, por causa dos meus olhares lascivos; as flechas incandescentes me atormentam os ouvidos, porque eu escutei murmurações, palavras e cantigas obscenas; o fogo abrasa-me a boca pelas murmurações e beijos torpes; tenho as serpentes enroscadas no pescoço e que me comem os peitos, porque os levei de um modo provocativo, pelos decotes dos meus vestidos e pelos abraços desonestos; os cães que me comem as mãos, são por causa das más obras e tatos impuros; mas, o que mais me atormenta, é o horroroso dragão, em que vivo montada e que me abrasa as entranhas, em castigo de meus pecados impuros.

Ai! Porque não há mais remédio para mim, senão tormentos e pena eterna!

Ai das mulheres! Acrescentou a infeliz; porque muitas delas se condenam por causa de quatro gêneros de pecados: por pecados de impureza; pelas galas e enfeites; por feitiçarias, e por calar pecados na Confissão. Os homens se condenam por toda classe de pecados; mas, as mulheres, principalmente, por estes quatro pecados. Dito isto, abriu-se a terra e por ela entrou esta infeliz mulher, para o mais profundo do Inferno, onde padece e padecerá por toda a eternidade.

Reflete, cristão, e entende que Deus, Nosso Senhor, mandou sair esta infeliz senhora do Inferno, e que passasse pela vergonha, para que todos os homens (e mulheres) soubessem da sorte que os espera, se pecando, não se confessarem bem. Quem dera que tu tirasses da leitura deste exemplo horroroso, o fruto que tiraram outros, fazendo uma boa Confissão e emendando-te de tudo. Um autor diz, que este exemplo converteu mais gente que 200 Quaresmas. O Padre missionário Jayme Corella, fez voto de pregá-lo em todas as Missões, pelo grande proveito que dele tiravam os fiéis. E até um Prelado estabeleceu, que em certos tempos do Ano, se pregasse ou se lê-se este caso na igreja. Mas, ai de ti, se não te aproveitares dele! Ai de ti, se não confessares todos os teus pecados! Ai de ti, se mal preparado, fosses receber a Sagrada Comunhão! Melhor seria, então, não teres nascido!

Não há crime com que Deus mais se ofenda como é com a Comunhão Sacrílega. Os Santos Padres no-lo pintam com palavras e exemplos assombrosos. Quem comunga em pecado mortal, diz Santo Agostinho, comete maior crime que Herodes; mais horrendo do que o pecado de Judas, acrescenta São João Crisóstomo; e outros Santos dizem que é maior ainda que os pecados que fizeram os Judeus crucificando o Salvador; e por todos, diz São Paulo, que será réu do Corpo e do Sangue do Senhor; isto é, diz a Glosa, será castigado como se com suas mãos tivesse crucificado o Filho de Deus. É a Comunhão Sacrílega, um delito tão grande, que Deus não espera castigá-lo no Inferno, senão, que começa já neste mundo com doenças e mortes; de modo que já no tempo dos Apóstolos, como conta São Paulo, muitos pelas comunhões sacrílegas, padeciam gravíssimos males corporais, e outros morriam...”


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Fonte: “Caminho Reto e Seguro para Chegar ao Céu”, escrito pelo Venerável Padre Antônio Maria Claret, Arcebispo-Fundador dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, traduzido do Espanhol, 5ª Edição, pp. 92-95; Administração da Revista “Ave Maria”, São Paulo, 1909.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

LADAINHA DE REPARAÇÃO.



Nossa Mãe dulcíssima! Permiti que nós, Vossos filhos dedicados, unidos num só pensamento de veneração e amor, venhamos a reparar as horrendas ofensas que cometem contra Vós tantos infelizes, que não conhecem o paraíso de bondade e de misericórdia do Vosso Coração Maternal.

Das horríveis ofensas, que se cometem contra o Vosso amabilíssimo Filho, Jesus, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Da espada de dor, que filhos desnaturados querem de novo cravar no Vosso Coração Maternal, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Das infames negações, que se fazem dos Vossos privilégios e das Vossas glórias mais excelsas, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Dos insultos, que os protestantes e outros hereges lançam contra o Vosso culto dulcíssimo, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Das sacrílegas afrontas, que os ímpios cometem contra as Vossas queridas imagens, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Das profanações, que se cometem nos Vossos santuários, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Das ofensas, contra a virtude angélica, personificada em Vós, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Dos ultrajes, que se cometem com as modas, contra a dignidade da mulher reivindicada e santificada por Vós, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Dos horrendos delitos, com que se afastam os inocentes do Vosso Seio Maternal, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Das incompreensões, dos Vossos direitos divinamente maternais, por parte de tantas mães, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Das ingratidões de tantos filhos, às Vossas graças mais preciosas, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Da frieza de tantos corações, perante as Vossas ternuras maternais, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Do desprezo, dos Vossos convites amorosos, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Da cruel indiferença, de tantos corações, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Das Vossas lágrimas maternais, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Das angústias do Vosso dulcíssimo Coração, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Das agonias, da Vossa Alma santíssima em tantos Calvários, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Dos Vossos suspiros de amor, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Do martírio, que Vos causa a perda de tantas almas, remidas pelo Sangue do Vosso Jesus e pelas Vossas lágrimas, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Dos horrendos atentados, que se cometem contra o Vosso Jesus, que vive no seu Vigário e nos seus Sacerdotes, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Da conjura infernal, contra a vida de Jesus na sua Igreja, havemos de consolar-Vos, Senhora.

Bondosíssima Mãe! Que no heroísmo do Vosso amor maternal, ao pé da Cruz, intercedestes pelos algozes, que tão atrozmente martirizavam o Vosso querido Filho Jesus, e tão duramente magoavam o Vosso terníssimo Coração, tende piedade de todos os que têm a infelicidade de Vos ofenderem; fazei que também eles possam ser acolhidos no Vosso Seio Maternal, purificados pelas Vossas benditas lágrimas e admitidos a gozar dos frutos maravilhosos da Vossa misericórdia de Mãe. Assim seja.


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Fonte: Dr. D. Ildefonso Rodriguez Villar, “Pontos de Meditação sobre a Vida de Nossa Senhora”, Apêndice, pp. 438-439; Tradução da 4ª Edição, revista pelo Pe. Manuel Versos Figueiredo, S.J., Livraria Figueirinhas, Porto, 1941.

sábado, 11 de novembro de 2017

MANIFESTO DO EPISCOPADO BRASILEIRO (Excertos).

D. Jaime de Barros Câmara


Regozijemo-nos no Senhor,
mas não Cruzemos os Braços.


Jesus Cristo, o Verbo de Deus, que se fez homem para salvar o homem, é hoje o que era ontem e o que será pelos séculos, a Luz do mundo, o Caminho, a Verdade e a Vida. Sem Cristo não haverá salvação, nem para os indivíduos nem para os povos. Longe d’Ele ou contra Ele, todos os esforços de construção serão baldados. E por haverem deliberadamente fechado os olhos à luz da mensagem evangélica, multiplicaram-se os erros políticos, sociais e morais, que desfecharam na catástrofe que ora enluta a humanidade… Cruzar os braços em face de ruínas, não é gesto cristão…

A Igreja a todos estende os benefícios de sua assistência espiritual; Ela não é nem pode ser partidária, e sua atividade, sempre indispensável às almas e às nações, não pode estar sujeita aos vai-vens da política de partidos. “Querer empenhar a Igreja”, já escrevia Leão XIII, “nas lutas de partido e pretender servir-se de seu apoio para triunfar com mais facilidade dos adversários, é abusar indiscretamente da Religião” (Carta Encíclica “Sapientiae Christianae”, Editions des Lettres Apostoliques de Léon XIII, Maison de la Bonne Presse, t. II, p. 289). A política divide, a religião une...

Aos fiéis (a Igreja) permite que, no desempenho de seus deveres cívicos, militem em partidos que não contrastem com as exigências superiores do bem comum e da consciência católica…

Na esfera das respectivas atribuições, lembremo-nos todos ainda da lição do grande Papa Pio XII, na sua Alocução de Natal de 1942: “Quem deseja que a estrela da paz nasça e se detenha sobre a sociedade… favoreça por todos os meios lícitos, em todos os campos da vida, aquelas formas sociais em que se torne possível e se garanta plena responsabilidade social” (Pio XII, “Problemas da Guerra e da Paz”, Lisboa, s. d., p. 351.

“Tudo quanto, nas instituições ou nos costumes, contribuir para desviar a família dos seus altos fins, representa uma vitória das paixões sobre a razão, do individualismo egoísta sobre os imperativos sociais do bem comum, e acarretará sobre um povo as mais calamitosas desgraças que poderão desfechar até na catástrofe fatal do suicídio… Aos fiéis e às próprias famílias recomendamos a solicitude vigilante e enérgica em combater as ideias, os costumes, as infiltrações insidiosas de mentalidades que possam atentar contra a dignidade tradicional e cristã da família brasileira.

A crença em Deus é o mais forte esteio da vida moral… Enquanto o ateísmo desfecha logicamente no amoralismo, a presença de Deus representa nas almas uma fonte inesgotável de fortaleza, de dedicação, de sacrifício, de energias sempre renovadas para o bem… A incredulidade trabalha para a ruína e desagregação dos povos; a religião é a base insubstituível de toda a vida social. Sem voltar sinceramente a Deus e a Jesus Cristo, a humanidade, desolada por tantas ruínas e dividida por tantos ódios, não encontrará os verdadeiros caminhos da paz.

Nós temos, por graça de Deus, na mensagem da nossa fé, uma doutrina de verdade e de vida. Esconder esta luz sob o alqueire seria omissão de incalculáveis responsabilidades. Nenhuma alma generosa pode resignar-se à cumplicidade de abstenções comodistas. O amor de Deus e das almas, o sentimento de justiça e de caridade, a piedade filial para com a Pátria condenam a inação, e impõem-nos uma atividade esclarecida, coesa e disciplinada.

Aos esforços da ação cumpre associar uma cruzada de orações. Se Deus não construir a casa, em vão trabalham os que a edificam; se Deus não guardar a cidade, frustrada será a vigilância dos que por ela velam (Salm. 126, 1). Levantemos os braços a Deus numa oração constante e humilde para que Ele proteja o Brasil e a humanidade, inspire propósitos de justiça e de paz aos que neste momento têm em mãos os destinos dos povos.

À Virgem Imaculada, que, da colina da Aparecida, estende o seu manto materno sobre a Terra de Santa Cruz, renovemos, com a consagração das nossas almas, a desta Pátria estremecida a Ela singularmente devotada.



Fonte: "Manifesto do Episcopado - Sobre o Problema Político e a Questão Social no Brasil"; Livraria Agir Editora, 1945.


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