BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 26 de setembro de 2021

NOVENA EM HONRA DE SÂO FRANCISCO DE ASSIS. (2º Dia)


ORAÇÕES1

para todos os dias da Novena


V. Vinde, † ó Deus em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-Vos em socorrer-me.

V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

R. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amém.


Oração Preparatória


Ó Deus, que nos destes, no vosso grande servo São Francisco, um modelo sublime da imitação de Cristo, dai-me a graça de meditar, com o coração devoto e dócil, as suas excelsas virtudes, para que, movido pelo seu exemplo e ajudado pela vossa divina graça, comece seriamente a emendar a minha vida, fugir do pecado, praticar a virtude, e aspirar, decidida e constantemente, à perfeição cristã, a fim de que, sendo imitador de São Francisco aqui na terra, mereça ser, um dia, admitido à participação de sua glória no Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.


Oração a São Francisco2


Glorioso Patriarca São Francisco, a quem o Senhor, por um prodígio de graças, se dignou tornar, desde o berço até à morte, uma viva imagem Sua, vós, que a Ele consagrastes todo o vosso coração e todo o vosso ser, e protestáveis desejar fazer por Ele, mediante o seu divino auxílio, obras cada vez maiores, dignai-vos, ó grande Patriarca dos pobres, lá dos Céus onde estais, lançar sobre nós a vossa bênção. Por aquele divino amor, que tanto vos abrasava, pelo qual pedíeis a Deus a graça de morrer por seu amor, como Ele tinha morrido pelo vosso, e pelo qual vos imprimiu as Suas cinco Chagas, lembrai-vos de nós. Rogai, ó grande Santo, pela Santa Igreja, da qual o Senhor vos quis fazer forte e inabalável coluna. Rogai à Virgem Santíssima da Conceição, à doce e excelsa Maria, poderosa protetora das Vossas três Ordens, que proteja o Sumo Pontífice, Chefe visível da Igreja, e alcance que essa Igreja triunfe sobre seus inimigos e, reunindo em seu seio os seus filhos, chame também a si todos aqueles que dela se acham extraviados; e igualmente os que ainda jazem nas trevas do paganismo, para que todos juntos cantemos no Céu eternamente as misericórdias do Senhor. Amém.


SEGUNDO DIA


São Francisco,

Filho Dedicado da Santa Igreja.


1ª Meditação. “Se (alguém) não ouvir a Igreja – disse Nosso Senhor Jesus Cristo – tem-no por um gentio ou um publicano”,3 mostrando-nos com estas palavras que quem quer segui-lO e pertencer ao seu rebanho, deve ouvir a sua Santa Igreja e a Ela entregar-se com amor e respeito filial. Não admira, pois, que também São Francisco se distinguisse por essa dedicação, por esse amor e respeito filial para com a Santa Igreja, que considerava sua querida mãe e na qual via e venerava a verdadeira Arca da Salvação.


Logo que a ele se reuniram os primeiros discípulos, Francisco põe-se com eles a caminho de Roma, a fim de obter do Santo Padre a bênção e aprovação da sua nova Ordem, a qual deveria depender, em tudo e absolutamente, da vontade e mercê do representante de Jesus Cristo na terra.


Esta submissão e dedicação perfeita para com a Santa Sé Apostólica, deveria ser um sinal distintivo de toda a sua Ordem e dos seus membros. Por isso principia a sua admirável Regra, chamada pelo Papa Clemente V “uma forma da vida celeste”, com as solenes palavras: “O irmão Francisco promete obediência e reverência ao Papa Honório e aos seus legítimos Sucessores, e à Santa Igreja Romana”.


Também à Ordem Terceira impôs São Francisco, como um dever particular, a obediência e submissão perfeita à Santa Igreja Católica, de modo que ninguém pode ser recebido no número dos Terceiros que não se distinga, conforme a Regra, “por provada fé católica e provado respeito à Igreja Romana e à Sé Apostólica”. – E, antes de todos os negócios importantes, São Francisco não deixava de pedir o conselho e bênção à Santa Sé, e com o mais profundo respeito e submissão aceitava os seus conselhos e as suas determinações. Jamais consentia que os seus filhos criticassem qualquer preceito ou prescrição da Santa Igreja, exortando-os frequentemente a amarem e respeitarem a Igreja como mãe particular da sua Ordem. Ainda no leito de morte, preocupava-o este cuidado e uma das últimas recomendações que fez aos seus filhos, foi a de permanecerem sempre fiéis e obedientes à Santa Igreja Católica.


2ª Meditação. Feliz do cristão compenetrado, como São Francisco, deste filial amor e profundo respeito para com a Santa Igreja e seus Ministros, em particular o Santo Padre, lugar-tenente de Jesus Cristo! Feliz nós também, se formos filhos submissos e delicados da Santa Igreja! Por que felizes? Porque teremos sempre a bênção especial de Deus nesta e na outra vida.


Se Deus prometeu, no IV Mandamento, salvação e bênção àquele que honrar pai e mãe carnais, quanto mais abençoará, desde este mundo, àquele que honrar com amor e dedicação sua mãe espiritual, a Santa Igreja, e obedecer com humilde respeito a seu pai espiritual, o Papa, representante de Jesus Cristo!


Devemos, portanto, honrar a Santa Igreja e seus Ministros, e amá-lA com todo o afeto de nossa alma, como nossa melhor mãe e maior benfeitora neste mundo! Maior benfeitora, sim! Pois tudo, na ordem espiritual, devemos a essa boa mãe, a Santa Igreja Católica, que desde o berço até ao túmulo nos cumula de benefícios. Foi Ela que, apenas entrados neste mundo, nos recebeu nos seus braços maternais, pelo Santo Sacramento do Batismo, lavando a nossa alma do Pecado Original e revestindo-a com a veste nupcial da graça santificante. Foi Ela que, mais tarde, nos ensinou as verdades eternas e nos mostrou o caminho em que devemos andar para nosso destino eterno. E quando, às vezes, caímos no pecado, foi e é essa boa mãe, a Santa Igreja, que nos reconciliou e reconcilia sempre de novo com o Deus ofendido. É Ela que no Sacramento da Crisma nos comunica o Espírito Santo, fortalecendo-nos para o combate espiritual. É Ela que na Santa Eucaristia alimenta as nossas almas com o Pão dos Anjos para a vida eterna. E em todas as necessidades, em todos os combates espirituais, essa boa mãe nos assiste, oferecendo-nos os seus socorros, para não sucumbirmos. E quando, enfim, chegar a hora de nossa morte, quando, na última agonia, nos virmos desamparados talvez por todos, a Santa Mãe Igreja não nos abandonará. Mandará então o seu Ministro, para nos fortificar com os últimos Sacramentos para o combate decisivo, de que dependerá a eternidade. E, ainda depois da morte, a Santa Igreja não se esquece de nós, mas acompanha-nos, com a sua bênção, até à sepultura, e não deixa de se lembrar das nossas almas, no Santo Sacrifício da Missa e nas suas orações.


Vede que boa e amorosa mãe é para nós a Santa Igreja Católica! E não havíamos então de a amar? Não a honraríamos com profundo respeito? Não lhe obedeceríamos com humilde submissão? Oh, sim! Amemos, honremos e ouçamos sempre, com amor filial, a Santa Mãe Igreja e seus Ministros, e Ela mostrar-se-á sempre nossa verdadeira mãe, e nos guiará com mão carinhosa e segura através de todas as tempestades desta vida, para o porto feliz da eternidade.


Oração


Como sou feliz, meu Jesus, em pertencer, por vossa graça e misericórdia, à Santa Igreja Católica, mãe carinhosa dos vossos filhos! Mas, ai! Que tão ingrato tenho sido para com esta mãe, que tantas vezes a entristeci, por falta de respeito e dedicação! Perdoai-me, meu bom Jesus! Animado com o exemplo de vosso servo São Francisco, quero, de hoje em diante, amar de coração a Santa Mãe Igreja e todos os seus Ministros, o Santo Padre, os Bispos e os Sacerdotes, quero ouvir sempre a sua voz, seguir os seus conselhos, respeitar as suas prescrições, e defendê-lA, sempre que preciso se faça, contra os seus inimigos. Ajudai-me, meu Jesus, com a vossa graça, a ser digno filho da vossa Igreja e, guiado por Ela, a alcançar o porto da salvação.


E vós, São Francisco, filho dedicado e dileto da Santa Mãe Igreja, alcançai-me a graça de apreciar, cada vez mais, a grande felicidade da fé católica, e força para seguir e aderir fielmente a esta boa mãe, em todos os lugares e em todas as situações da vida, como filho fiel e dedicado, na vida e na morte, para que tenha um dia a felicidade de expirar nos braços desta mãe, e passar, acompanhado com a sua bênção, para a melhor vida. Assim seja.


*Rezar 5 Pai Nossos, Ave Marias e Glória ao Pai, em honra das Cinco Chagas de São Francisco de Assis.



Ladainha de São Francisco de Assis

(Para uso Privado)


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Santa Virgem imaculada, rogai por nós.

São Francisco Seráfico, rogai por nós.

São Francisco, pai sapientíssimo, rogai por nós.

São Francisco, pai dos pobres, rogai por nós.

São Francisco, que desprezastes o mundo, rogai por nós.

São Francisco, espelho da penitência, rogai por nós.

São Francisco, vencedor dos vícios, rogai por nós.

São Francisco, zeloso imitador de Cristo, rogai por nós.

São Francisco, com as Chagas de Jesus adornado, rogai por nós.

São Francisco, amante da pobreza, rogai por nós.

São Francisco, mestre da obediência, rogai por nós.

São Francisco, espelho puríssimo da castidade, rogai por nós.

São Francisco, norma da humildade, rogai por nós.

São Francisco, pai rico de graças, rogai por nós.

São Francisco, caminho dos que erram, rogai por nós.

São Francisco, auxílio dos enfermos, rogai por nós.

São Francisco, coluna da Igreja, rogai por nós.

São Francisco, protetor da fé, rogai por nós.

São Francisco, herói valente de Cristo, rogai por nós.

São Francisco, baluarte dos que pelejam, rogai por nós.

São Francisco, escudo inexpugnável, rogai por nós.

São Francisco, martelo dos hereges, rogai por nós.

São Francisco, apóstolo dos infiéis, rogai por nós.

São Francisco, sustentáculo dos fracos, rogai por nós.

São Francisco, ressuscitador dos mortos, rogai por nós.

São Francisco, saúde dos leprosos, rogai por nós.

São Francisco, seráfico do mais ardente amor, rogai por nós.


Cordeiro de Deus, que tirais o pecado mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.


Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.


V. Rogai por nós, São Francisco de Assis.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


Oremos: Deus onipotente, cuja providência governa tudo, ouvi a oração de vossos servos e fazei com que, celebrando devotamente a memória do glorioso confessor vosso, sejamos dignos de contemplar a glória do vosso Filho Unigênito, que convosco vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.


Oração de São Francisco,

para obter o perfeito amor.


Santíssimo Senhor Jesus Cristo, instantemente Vos peço, que a ardente e suave força de vosso Amor, demova o meu coração de todo o afeto das coisas que estão abaixo do Céu; a fim de que, eu deseje morrer por amor de Vós, como Vós, Vos dignastes morrer por meu amor. Amém.



_____________________

1.  “Novena em Honra de São Francisco de Assis”, por Fr. Júlio Janssen, O.F.M., pp. 23-30 e 87-89. 5ª Edição, Editora Vozes, Petrópolis/RJ, 1935.

2.  Indulgenciada.

3.  Mat. 18, 17.


sábado, 25 de setembro de 2021

NOVENA EM HONRA DE SÂO FRANCISCO DE ASSIS. (1º Dia)


ORAÇÕES1

para todos os dias da Novena


V. Vinde, † ó Deus em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-Vos em socorrer-me.

V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

R. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amém.


Oração Preparatória


Ó Deus, que nos destes, no vosso grande servo São Francisco, um modelo sublime da imitação de Cristo, dai-me a graça de meditar, com o coração devoto e dócil, as suas excelsas virtudes, para que, movido pelo seu exemplo e ajudado pela vossa divina graça, comece seriamente a emendar a minha vida, fugir do pecado, praticar a virtude, e aspirar, decidida e constantemente, à perfeição cristã, a fim de que, sendo imitador de São Francisco aqui na terra, mereça ser, um dia, admitido à participação de sua glória no Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.


Oração a São Francisco2


Glorioso Patriarca São Francisco, a quem o Senhor, por um prodígio de graças, se dignou tornar, desde o berço até à morte, uma viva imagem Sua, vós, que a Ele consagrastes todo o vosso coração e todo o vosso ser, e protestáveis desejar fazer por Ele, mediante o seu divino auxílio, obras cada vez maiores, dignai-vos, ó grande Patriarca dos pobres, lá dos Céus onde estais, lançar sobre nós a vossa bênção. Por aquele divino amor, que tanto vos abrasava, pelo qual pedíeis a Deus a graça de morrer por seu amor, como Ele tinha morrido pelo vosso, e pelo qual vos imprimiu as Suas cinco Chagas, lembrai-vos de nós. Rogai, ó grande Santo, pela Santa Igreja, da qual o Senhor vos quis fazer forte e inabalável coluna. Rogai à Virgem Santíssima da Conceição, à doce e excelsa Maria, poderosa protetora das Vossas três Ordens, que proteja o Sumo Pontífice, Chefe visível da Igreja, e alcance que essa Igreja triunfe sobre seus inimigos e, reunindo em seu seio os seus filhos, chame também a si todos aqueles que dela se acham extraviados; e igualmente os que ainda jazem nas trevas do paganismo, para que todos juntos cantemos no Céu eternamente as misericórdias do Senhor. Amém.


PRIMEIRO DIA


São Francisco,

Imagem Fiel de Jesus Cristo.


1ª Meditação. Em toda a vida de São Francisco nota-se uma semelhança admirável com a vida do Salvador.


Deus mesmo parecia dirigir São Francisco e as circunstâncias de sua vida, de tal forma que ele em tudo se tornasse uma imagem e cópia fiel do Crucificado.


Como seu divino Mestre, também São Francisco quis renunciar a todas as coisas, sacrificar tudo pelo amor do Pai Eterno e por amor das almas imortais. Podendo dispôr de grandes bens de fortuna, desprezou-os, para viver na mais completa pobreza, segundo Aquele que, “sendo rico, se fez pobre, por nosso amor”.3


Podendo facilmente conseguir as honras e os louvores deste mundo, São Francisco rejeitou-os, escolhendo para si e seus filhos o estado da humildade e obediência, por amor d’Aquele que, sendo Deus todo poderoso, “a si mesmo se aniquilou por nosso amor – como diz São Paulo Apóstolo – tomando a natureza do servo, fazendo-se semelhante aos homens, e que segundo o mesmo Apóstolo, se humilhou, feito obediente até à morte e à morte de Cruz”.4


E, tendo São Francisco os meios de gozar os prazeres e divertimentos mundanos, calcou-os aos pés, preferindo, por amor do Crucificado, seguir o caminho da penitência e da Cruz. Enfim, como Jesus morreu pobre e despido, no duro madeiro da Cruz, assim também quis São Francisco morrer, despido de tudo, no duro chão, para se tornar ainda na morte semelhante ao Salvador, e subir, como Ele, desembaraçado de tudo, à mansão celeste.


Deus mesmo aperfeiçoou e completou esta imagem do seu divino Filho em São Francisco, imprimindo-lhe, com um milagre inaudito, as Cinco Chagas do Salvador, para que, como a alma, assim também o corpo do seu grande servo fosse uma imagem fiel e uma perfeita cópia de Jesus Crucificado.


2ª Meditação. Eis aí o nosso modelo: São Francisco, imagem fiel de Jesus Cristo, imitador fervoroso do divino Mestre. Eis o caminho que nós também devemos seguir, a fim de alcançarmos o nosso destino eterno: o caminho da imitação de Cristo. “Eu sou – diz o divino Salvador – o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem a Pai, senão por mim”.5 Devemos, pois, ir ao Pai, por Jesus Cristo, devemos seguir o caminho, que Jesus nos traçou com seu sublime exemplo, devemos viver a vida de Cristo, sendo, por assim dizer, outros Cristos, como o exige o nosso nome de cristãos, pois só assim chegaremos ao nosso destino. E quanto mais nos tornarmos semelhantes a Jesus, mais segura será também a nossa esperança da eterna salvação; pois “os que Ele conheceu na sua presciência – diz São Paulo Apóstolo – também os predestinou para serem conformes à imagem do seu Filho”.6


Como temos nós até hoje seguido a Jesus Cristo Nosso Senhor? Qual é a nossa conformidade e semelhança com Ele? Renunciamos também, como São Francisco, ao mundo, com seus bens e honras e prazeres? Não amamos, porventura, desordenadamente, essas coisas transitórias? Não nos apegamos a elas com o coração? Pois, se o fazemos, estamos ainda longe da imitação de Cristo e não podemos agradar a Deus nem salvar a nossa alma. “Não ameis o mundo – diz o Espírito Santo – nem o que há no mundo! Se alguém ama o mundo, não há nele o amor do Pai; porque tudo o que há no mundo é concupiscência dos olhos e concupiscência da carne e soberba da vida”.7


Renunciemos, pois, ao mundo, desprezemos os seus convites e maus exemplos, para ouvirmos unicamente a voz do divino Salvador que nos chama à sua imitação, e nos convida a seguirmos as suas pegadas! Animemo-nos, com o exemplo do grande Patriarca São Francisco, a calcar aos pés os bens passageiros do mundo, imitando, cada vez mais, a vida e as virtudes do divino Mestre.


Imitação de Cristo, seja essa a nossa divisa neste mundo: viver a vida de Cristo em nossos pensamentos e afetos e desejos, em nossas palavras e nossas ações: seja essa toda a nossa preocupação! Assim também nós, como São Francisco, nos tornaremos semelhantes a Jesus, conformes ao Filho de Deus, em nossa vida e um dia também na eterna glória.


Oração


Ó Deus, que por infinita misericórdia me chamastes para vosso serviço e para a imitação de vosso divino Filho, e que quereis que os vossos escolhidos sejam, já nesta vida, conformes a Ele, perdoai, que até agora tenha sido tão surdo ao vosso apelo, tão tardo e tíbio na imitação de Cristo. Reconheço e detesto a minha tibieza, e firmemente proponho, com a vossa graça, seguir sempre a Jesus, caminhando por suas pegadas, e vivendo a sua vida, para que, tornando-me imagem de vosso divino Filho na terra, possa chegar também à perfeita união com Ele no Céu.


E vós, glorioso São Francisco, imagem fiel de Jesus, pela vossa santíssima vida, e pelas Cinco Chagas que o Altíssimo se dignou imprimir no vosso corpo mortal, olhai benigno para o pobre pecador, que humilde implora a vossa proteção. Ajudai-me, grande amigo de Deus, a que também eu principie a ser, como vós, imitador e imagem de Jesus Cristo, tornando-me dia a dia mais conforme a Ele, e mereça ser do feliz número dos escolhidos. Assim seja.


*Rezar 5 Pai Nossos, Ave Marias e Glória ao Pai, em honra das Cinco Chagas de São Francisco de Assis.



Ladainha de São Francisco de Assis

(Para uso Privado)


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Santa Virgem imaculada, rogai por nós.

São Francisco Seráfico, rogai por nós.

São Francisco, pai sapientíssimo, rogai por nós.

São Francisco, pai dos pobres, rogai por nós.

São Francisco, que desprezastes o mundo, rogai por nós.

São Francisco, espelho da penitência, rogai por nós.

São Francisco, vencedor dos vícios, rogai por nós.

São Francisco, zeloso imitador de Cristo, rogai por nós.

São Francisco, com as Chagas de Jesus adornado, rogai por nós.

São Francisco, amante da pobreza, rogai por nós.

São Francisco, mestre da obediência, rogai por nós.

São Francisco, espelho puríssimo da castidade, rogai por nós.

São Francisco, norma da humildade, rogai por nós.

São Francisco, pai rico de graças, rogai por nós.

São Francisco, caminho dos que erram, rogai por nós.

São Francisco, auxílio dos enfermos, rogai por nós.

São Francisco, coluna da Igreja, rogai por nós.

São Francisco, protetor da fé, rogai por nós.

São Francisco, herói valente de Cristo, rogai por nós.

São Francisco, baluarte dos que pelejam, rogai por nós.

São Francisco, escudo inexpugnável, rogai por nós.

São Francisco, martelo dos hereges, rogai por nós.

São Francisco, apóstolo dos infiéis, rogai por nós.

São Francisco, sustentáculo dos fracos, rogai por nós.

São Francisco, ressuscitador dos mortos, rogai por nós.

São Francisco, saúde dos leprosos, rogai por nós.

São Francisco, seráfico do mais ardente amor, rogai por nós.


Cordeiro de Deus, que tirais o pecado mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.


Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.


V. Rogai por nós, São Francisco de Assis.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


Oremos: Deus onipotente, cuja providência governa tudo, ouvi a oração de vossos servos e fazei com que, celebrando devotamente a memória do glorioso confessor vosso, sejamos dignos de contemplar a glória do vosso Filho Unigênito, que convosco vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.


Oração de São Francisco,

para obter o perfeito amor.


Santíssimo Senhor Jesus Cristo, instantemente Vos peço, que a ardente e suave força de vosso Amor, demova o meu coração de todo o afeto das coisas que estão abaixo do Céu; a fim de que, eu deseje morrer por amor de Vós, como Vós, Vos dignastes morrer por meu amor. Amém.


__________________

1.  “Novena em Honra de São Francisco de Assis”, por Fr. Júlio Janssen, O.F.M., pp. 14-23 e 87-89. 5ª Edição, Editora Vozes, Petrópolis/RJ, 1935.

2.  Indulgenciada.

3.  II Cor. 8, 9.

4.  Filip. 2, 7-8.

5.  Jo. 14, 6.

6.  Rom. 8, 29.

7.  I Jo. 2, 15-16.


quinta-feira, 23 de setembro de 2021

AS SETE ÚLTIMAS PALAVRAS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, NO ALTO DA CRUZ. 2ª PALAVRA.


SEGUNDA PALAVRA1


“Hodie mecum eris in paradiso”.2

–

“Hoje estarás comigo no Paraíso”.


A súplica, que Jesus acabava de dirigir ao Pai Eterno, implorando o perdão dos seus inimigos, não podia deixar de ser atendida, Deus não havia de ficar surdo ao apelo de seu Filho, que morria em cumprimento da vontade soberana.

Dois ladrões foram crucificados com Jesus e um deles, tocado pela graça, implorou a misericórdia divina e sua prece foi acolhida favoravelmente.

Escutemos a narrativa evangélica, segundo São Lucas:

“E um daqueles ladrões, que estavam pendurados, blasfemava-O, dizendo: Se Tu és o Cristo, salva-te a Ti e a nós também.

Mas o outro, respondendo, o repreendia, dizendo: Não temes a Deus, nem tu, que estás sob o mesmo suplício?

E nós na verdade o estamos com justiça, porque recebemos o que mereceram as nossas obras; mas este, nenhum mal fez.

E dizia a Jesus: Senhor, lembra-Te de mim, quando entrares em Teu reino.

E Jesus lhe respondeu: Em verdade Te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”.

Estas breves palavras, estas poucas frases bastaram à misericórdia divina para transformar um pecador em um justo, um criminoso em um Bem-aventurado.

Diz o grande Doutor da Igreja, São Bernardo, que nada há mais soberbo, do que este passo do Evangelho. O Bom Ladrão implora o socorro de um crucificado prestes a expirar e está seguro de o obter.

Para vergonha dos Apóstolos, que O abandonaram, dos Sacerdotes, que O condenaram, do povo, que O insulta, depois de ter sido testemunha de seus milagres, enquanto todos blasfemam, ele só, o ladrão da direita, publica a inocência e a glória de Jesus; enquanto que todos O acusam e O desprezam, só o Bom Ladrão O defende e O adora.

Esse episódio, verdadeiramente estonteante, pela rapidez com que as coisas se passaram, é um dos mais consoladores e reconfortantes de quantos se desenrolaram no Calvário!…

Procuremos sondar, um pouco ao menos, o que se passou na alma do Bom Ladrão.

Esse homem, entregue pela sociedade à justiça e por esta mandado ao suplício da cruz, em poucos momentos consegue alcançar o perdão de suas culpas, satisfazer à justiça divina e elevar-se às cumeadas da santidade.

Três atos praticou o Bom Ladrão, pelos quais conseguiu a reconciliação divina.

Em primeiro lugar, ele confessa as suas culpas, reconhece seus crimes passados, e não se envergonha de reconhecer e proclamar os próprios pecados. E o faz com humildade profunda e arrependimento sincero, pois declara que recebe o que mereceram suas obras e está pronto a dar a própria vida para expiar os seus erros.

Não pode haver arrependimento mais sincero e humildade mais profunda, do que encontramos nesse ladrão penitente.

Em segundo lugar, tem ele a coragem de defender a inocência de Jesus e proclamar-lhe a santidade, quando todas as vozes se erguem contra o Profeta de Nazaré.

Vai muito mais além…

Torna-se apóstolo de Jesus e apresenta característicos de verdadeiro zelo pela glória de Deus.

E que zelo… Zelo caritativo, que tenta arrancar seu companheiro ao erro; – zelo corajoso, que não receia falar abertamente em defesa de Jesus, quando todos O escarnecem e afrontam; – Zelo esclarecido, que apresenta como fonte e origem de todos os pecados a falta de temor de Deus: “Também tu não temes a Deus? – Zelo insistente, que argumenta contra o companheiro e retruca as blasfêmias… “nós sofremos justamente, mas este”...3

Com muita razão Santo Agostinho podia dizer, que o Bom Ladrão apresentou o exemplo de uma fé viva e tão profunda, que outra a ela semelhante não se tinha encontrado ainda em Israel.

É certo que Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Isaías e todos os Patriarcas e Profetas tinham acreditado em Deus, mas é também certo que todos eles haviam visto e admirado as manifestações divinas…

A todos, na fé, excedeu o Bom Ladrão, porque proclamou a Realeza e a Divindade de Jesus, quando Ele estava despido, pregado em uma Cruz, oprimido de toda sorte de dores, insultado pelos principais da Sinagoga, blasfemado pela populaça, prestes a exalar o último suspiro, em circunstâncias bem pouco dignas da Realeza e da Divindade.

“O! Conversão estranha, diz São João Crisóstomo. Vê um crucificado… e confessa um Rei de glória!”

Eis o motivo pelo qual São Leão, referindo-se ao Ladrão, da direita dizia: Este homem, que morre na cruz, é o primeiro profeta, o primeiro evangelista, o primeiro mártir, o primeiro confessor de Jesus Cristo. E foi tão grande a sua fé, que mereceu esta admirável promessa: “Em verdade Te digo, que hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.

A resposta de Jesus ao ladrão arrependido não podia ser mais pronta nem mais generosa.

Foi a resposta da Misericórdia infinita de Deus.

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“O! Mistério das eleições divinas! O! Profundeza das potências da nossa vontade! Os dois ouviram a santa e abençoada palavra. Um se cala, opresso, aturdido por aquele golpe de misericórdia; o outro, entregue todo à sua dor, ao seu violento desejo de viver, à raiva de ter sido crucificado mais cedo, por causa daquele Jesus, e do outro, apanhando no ar todas as blasfêmias que veem lá de baixo, pega de uma e exclama: – Se és verdadeiramente o Cristo, principia por Te salvares a Ti e a nós depois...4

Bem diversos eram os sentimentos que se aninhavam no peito do Bom Ladrão. Compenetrado da própria miséria, conhecedor das suas culpas, não se animava a pedir grandes coisas… contentava-se em pensar que lhe seria suficiente Jesus lembrar-se dele, depois que chegasse ao seu reino. Uma lembrança, uma recordação de Cristo, era o prêmio único a que aspirava aquela alma já resgatada pelo Sangue da Vítima do Gólgota.

É verdadeiramente espantoso que dois homens, em igualdade de circunstâncias, testemunhas dos mesmos fatos, tenham tido tão diverso destino.

Um, ao vomitar a última blasfêmia, entregou seu espírito ao Inimigo, para ser torturado eternamente… Outro, em derradeira prece, na extrema agonia, deu sua alma a Deus e entrou na posse da Bem-aventurança.

A obra de nossa salvação e a santificação de nossa alma devemo-la operar, agindo em correspondência com a graça divina.

Deus, que nos criou sem nós, não nos quer salvar sem nosso concurso.

São altos e impenetráveis os juízos de Deus.

O Eterno confere a todos os homens um auxílio e uma assistência especial, em ordem aos negócios da salvação eterna.

Esse auxílio e essa assistência são a graça santificante. É um dom gratuito e sobrenatural, que Deus nos concede, em virtude dos merecimentos de Nosso Jesus Cristo, para que possamos alcançar a salvação eterna de nossa alma.

É dom gratuito, quer dizer, uma dádiva espontânea de Deus, sem que tenhamos a ela nenhum direito. É sobrenatural e, nisso, se distingue dos dons e das mercês que recebemos de Deus, na ordem temporal. É ainda uma resultante e consequência dos merecimentos infinitos de Jesus Cristo, que padeceu e morreu para nos alcançar o Céu. Por último, diz respeito à salvação da alma e não às coisas da vida terrena.

Esses são os caracteres principais e as notas distintivas da graça divina, que nos é concedida sempre, durante o tempo que passamos neste mundo, em marcha para a eternidade.

O homem é livre em aceitar ou repelir os impulsos e as sugestões da graça. Nessa terrível liberdade está a nossa felicidade e a nossa desgraça… Se o homem corresponde à graça divina, salva a própria alma e abre a si próprio as portas do Céu; se resiste, cava com suas próprias mãos o abismo insondável, em que se vai perder eternamente.

Aqui está a explicação da diversidade do destino dos dois companheiros de Jesus, no Calvário. Um entregou-se, por completo, à ação da graça divina e deixou-se guiar pelas mãos da Providência; terminou santificando-se. É um justo do Novo Testamento.

O outro, desgraçadamente, não quis seguir os influxos celestiais da graça; resistiu aos impulsos da consciência e concentrou todas as suas esperanças nos poucos dias desta vida miserável e limitada; perdeu-se para o mundo e, o que é pior, para a eternidade. É um réprobo nos Infernos.

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Duas, apenas, são as entradas do Paraíso abertas aos mortais: inocência e penitência.

O Céu está sempre franqueado às almas puras e inocentes, conservaram intacta a veste da graça batismal.

Quem pecou, quem ofendeu a Deus, depois do Batismo, só poderá conseguir o perdão e reconquistar a perdida amizade do Senhor por meio da penitência, por meio do sacrifício e da expiação…

De penitência, sacrifício e expiação o Bom Ladrão, o da direita, é perfeito modelo.

De obstinação e de impenitência, o mau ladrão, o da esquerda, é tremendo exemplo que nos adverte quão terrível é resistir à graça.

Não permitamos que o nosso coração fique surdo e endurecido, quando a voz de Deus se nos fizer ouvir.

“Nolite abdurare corda vestra”.5

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“O! Meu Deus! Sempre é certo que o homem é senhor de seu próprio coração! Se o não quer abrir, quando de algum modo lhe bateis à porta, sejam quais forem as vossas instâncias e por mais abundantes que sejam as lágrimas que sobre ele derramais, se o não quer abrir, é preciso, Ah! – é preciso então retirardes-Vos e abandoná-lo à sua funesta sorte… Mas, apenas, por meio da Fé e do arrependimento, nos é permitido a entrada nesse coração, fazei-lhe ouvir estas palavras de infinita doçura:

“Tu será comigo no Paraíso”.6

Assim seja.


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1.  “Espírito e Vida” – As Sete Palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo Pe. J. Cabral, II Palavra, pp. 39-46, da Coleção Cristo Redentor. Empresa Editora A.B.C. Ltda, Rio de Janeiro, 1938.

2.  Luc. XXIII, 39-43.

3.  Monteiro – Reflexões Evangélicas – Pág. 551.

4.  Perroy – La Montée du Calvaire – Pág. 286.

5.  Psalm. 94, 7-9.

6.  Weber – De Gethsemane ao Golgotha – Pág. 169-170.


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