BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 12 de outubro de 2021

AS SETE ÚLTIMAS PALAVRAS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, NO ALTO DA CRUZ. 5ª PARTE.


QUINTA PALAVRA1


Sitio”2

Tenho sede”


Entre os tormentos, que afligiam os supliciados de cruz, era a sede um dos mais terríveis. As chagas, expostas ao contágio do ar, inflamavam-se, rapidamente, provocando uma febre violenta que ocasionava sede intensíssima, intolerável.

E Jesus a experimentou em toda a sua crueldade.

Esta sede justificava-a de sobra o horrível trabalho do seu Corpo e do seu Espírito. Tudo devia acender-lha: o Sangue derramado em borbotões, as lágrimas correntes, os suores estranhos de Getsemani, a noite de vigília, a incrível flagelação e, principalmente, aquele desamparo interior de Deus, cuja justiça implacável O abrasava mais ainda do que a febre, que a crucifixão lhe inflamava nas veias”.3

A sede, que lhe queimava as entranhas, era tal que a língua havia aderido ao véu palatino, verificando-se o que profetizara o salmista: “Adhaesit língua mea faucibus meis”.4

Estas palavras, parece, traduzem o máximo do horror da sede, que possa suportar uma criatura humana.

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É verdadeiramente digno de reparo que Jesus, que suportara sem uma palavra de queixa e de lamento todos os martírios da Paixão, haja se queixado da sede…

Esse particular não escapou aos comentadores das Escrituras, que o explicam cabalmente.

No próprio Evangelho de São João encontramos a razão primária desse lamento do Salvador: “Para que se consumasse a Escritura, disse: – Tenho sede”. “Ut consummaretur Scriptura dixit: Sitio”.5

Foi para cumprir o que os Patriarcas e Profetas, videntes da Antiga Aliança, haviam pronunciado, que Jesus, no cimo do Calvário, se queixou da sede horrível, que Lhe abrasava e consumia as entranhas.

As palavras de São João, o discípulo amado do Mestre, no-lo fazem entender, de modo claro e insofismável.

Outra razão ainda descobrem os comentadores da narrativa da Paixão e Morte de Jesus. Dizem alguns exegetas, que o Divino Salvador assim procedeu para dar lugar a um novo tormento, cumprindo-se à risca as palavras do real Profeta:

Em minha sede deram-me a beber vinagre”. “Et in siti mea potaverunt me aceto”.6

A caridade infinita do Redentor não Lhe permitia escapar a um sequer dos tormentos, que Lhe estavam reservados. Por isso, proferiu aquelas palavras, que dariam lugar a um novo sofrimento.

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O eterno Dissentador, que tantas vezes matou a sede alheia e que deixa no mundo uma fonte de vida que não secará jamais – onde os cansados encontram a força; os corrompidos, a juventude; e os inquietos, a paz – sofreu sempre de uma insatisfeita sede de amor. Mesmo agora, no ardor dilacerante da febre, a sua sede não é de água, mas de uma palavra de misericórdia, na medonha opressão de seu desconsolado abandono”.7

Naquela hora tremenda, não era somente a sede material que torturava Jesus. Além dessa, que não era pequena, havia outra, a sede espiritual, o desejo intenso e infinito de salvar todas as almas de todos os homens.

O grande doutor da Igreja, Santo Agostinho, comentando essa passagem do Evangelho, escreveu estas palavras:

Oh, meu Deus, que bebida desejava o vosso Sangue derramado e dessecado?

Pediríeis água fresca e límpida das fontes para extinguir o ardor da febre, que abrasava todos os vossos membros? Ah, sem estardes livre desta sede ardente, quão mais elevados eram os vossos desejos! Tínheis sede da nossa salvação, da nossa felicidade, do nosso amor; tínheis sede de ver consumada esta laboriosa Redenção, empreendida havia trinta e três anos e que tocava o seu termo…”

Essa era a sede que mais atormentava o divino Agonizante do Calvário.

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Naqueles momentos, via Jesus, em espírito, a multidão inumerável dos condenados, dos réprobos, daqueles para os quais a Redenção seria inútil.

E podia perguntar-se a Si mesmo, qual seria o proveito de tanto Sangue derramado, de tantos tormentos suportados… E bem poderia renovar a interrogação do Profeta-Rei: “Quae utilitas in sanguine meo?”8

Aos olhos de Jesus moribundo desfilavam, em sinistra procissão, todos os pecadores do mundo, todos os inimigos de sua Igreja; sofistas, heresiarcas, perseguidores e sacrílegos.

Espíritos enfatuados, cheios de falsa ciência, que, nos tempos antigos e nos dias contemporâneos, procuram lançar a confusão no mundo das ideias, a fim de que, não resplandeça o sol da verdade. Jesus os viu, do cimo do Calvário.

Homens cheios de orgulho, aferrados às próprias opiniões, que preferem o erro por própria conta à submissão ao Magistério infalível da Igreja. São os hereges, que, dilacerando a túnica do Mestre, promoveram a cisão e o desmembramento no seio do rebanho de Jesus Cristo… Dessas almas também tinha sede o Supliciado do Gólgota.

Césares poderosos e imperadores absolutos, que juraram “apagar o nome cristão”; todos os potentados da terra, de Augusto, de Roma, aos déspotas do México, da Espanha e da Rússia, que fizeram e ainda fazem, em plena civilização do século XX, jorrar em tormentos o sangue generoso dos Confessores da Fé – todos esses estiveram presentes durante a agonia do Senhor…

Os sacrílegos, que conspurcam os Sacramentos, os profanadores, que violam lugares e pessoas sagradas, aumentavam a sede misteriosa de Jesus…

E Ele tinha ante os olhos todos os pecados e todos os desmandos dos indivíduos, em particular, das famílias e da sociedade, em geral.

O casamento civil, instituído em oposição ao Sacramento da Nova Aliança; o divórcio, que vem “separar o que Deus mesmo uniu; o amor livre, que é o supremo desregramento das paixões humanas; os atentados cometidos contra a lei da propagação da nossa espécie; os desmandos e a licenciosidade dos teatros, dos cinemas, das praias de banho, das modas indecorosas, das danças lascivas e toda a orgia das metrópoles antigas e modernas, que tanto e tanto ofendem a Deus – tudo isso atormenta o Coração amoroso de Jesus, que experimentava dor infinita por não poder evitar a perda eterna de tantas almas!… E podia perguntar-se a Si próprio: Qual o proveito de tantos sofrimentos, de tantas dores?

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Jesus veio à terra trazer a luz da verdade, para iluminar a vida das inteligências, e a justiça, para ordenar a vida da sociedade.

E, após os dezenove séculos de existência do Cristianismo, nós nos encontramos ainda tão distanciados dos ideais de perfeição evangélica.

Quando olhamos, superficialmente embora, para a vida da humanidade, quando percorremos a história dos séculos passados, somos forçados a reconhecer que, infelizmente, estamos muito afastados da verdade, na vida intelectual, e da justiça, na vida social.

O mundo moderno procura a verdade. Parece que a intelectualidade contemporânea repete a célebre interrogação de Pôncio Pilatos, no Pretório: “Que é a verdade?” - “Quid est veritas?”9

O mundo procura a verdade e não a encontra, porque não a procura com as disposições necessárias. Procura-a, displicentemente, como a procurava o pro-cônsul romano. Por isso, não a encontra nem a merece encontrar.

A sociedade contemporânea acha-se empenhada em lutas tremendas e cheia de rivalidades profundas, que a ameaçam de destruição e de morte.

A questão social e as competições entre as classes tocam aos extremos e o anarquismo desfralda aos quatro ventos a sua bandeira negra, encharcada de sangue. Daí crimes que assombram o mundo, atentados que envergonham a civilização, como a tragédia, recentemente, desenrolada em Marselha.10

Falta ao mundo contemporâneo o senso da justiça social, que deve presidir as relações entre servos e senhores, patrões e operários, pobres e ricos – o capital e o trabalho.

De uma parte, vemos o proletariado, nem sempre justo em suas reivindicações, nem sempre resignado às condições de sua sorte… De outra, as classes abastadas não se compenetram da função social da propriedade privada, para auferir sempre maiores lucros e acumular maiores fortunas, mesmo à custa da vida e do sangue dos desprotegidos da sorte…

Extorsões e injustiças concentram ódios, que explodem em revoluções, que semeiam a dor, a morte e o luto.

Nunca a humanidade ostentou maiores conquistas nas ciências, maiores progressos nas artes e nas letras, do que nos tempos presentes. Mas debaixo dessas aparências deslumbrantes, há crises e misérias de toda sorte. Há crise na filosofia, cujas teorias se contradizem; há crise na política, onde se revezam ditaduras e revoluções, desacreditando os sistemas de governo; há crise na vida econômica, financeira, que se demonstra na existência da superprodução e da falta de trabalho.

Tudo isso, porque a sociedade pretende viver sem Cristo e até mesmo contra Cristo – sem Deus e contra Deus.

Toda a série infinda dos males sem conta de nossa sociedade torturava a Alma de Jesus crucificado, aumentando-Lhe a sede devoradora, que então experimentava.



É necessário que as almas cristãs compreendam, que foram os seus próprios pecados, que tornaram mais intensa a sede de Jesus e mais dolorosos e mais cruéis os tormentos do Redentor do mundo.

É necessário que os corações amantes do supremo regenerador dos filhos do pecado se voltem para a Vítima da justiça divina, procurando saciar a sede infinita que Jesus sente de almas…

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Senhor Jesus, pelo tormento indizível da sede que experimentastes na hora da vossa morte, dessedentai as nossas almas, dando-nos a beber a água da vida, a água da salvação, para que não tenhamos mais sede por toda a eternidade.

Qui biberit ex aqua, quam ego dabo ei, non sitiet in aeternum”.11O que beber da água que eu der, jamais terá sede…”.


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1.  “Espírito e Vida” – As Sete Palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo Pe. J. Cabral, V Palavra, pp. 63-70, da Coleção Cristo Redentor. Empresa Editora A.B.C. Ltda, Rio de Janeiro, 1938.

2.  Joan. XIX, 28.

3.  Perroy – La Montée du Calvaire – pág. 325.

4.  Psalm. XXI, 15.

5.  Joan. XIX, 28.

6.  Psalm. XLVIII, 2.

7.  Giovanni Papini – “Historia de Christo.” – pág. 524.

8.  Psalm. XXIX, 10.

9.  Joan. XVIII, 38.

10.  Alusão ao atentado de que foi vítima o rei Alexandre, da Iugoslávia.

11.  Joan. IV, 13.


AVE, Ó MÃE DE DEUS!


Como a vide, lancei flores dum agradável cheiro;

e as minhas flores dão frutos de honra e de honestidade.

EU SOU A MÃE DO AMOR FORMOSO,

E DO TEMOR, E DA CIÊNCIA E DA SANTA ESPERANÇA.

Em mim há toda a graça do caminho e da verdade,

em mim toda a esperança da vida e da virtude.

Vinde a mim todos os que me desejais,

e enchei-vos dos meus frutos;

porque o meu espírito é mais doce do que o mel,

e a minha herança mais suave que o favo de mel.

A minha memória durará por toda a série dos séculos.

Aqueles que me comem terão mais fome;

e os que me bebem terão mais sede.

Aquele que me ouve não será confundido;

e os que se guiam por mim não pecarão.

Aqueles que me tornam conhecida

terão a vida eterna”.1


São Bernardino de Sena, em um de seus deliciosos sermões marianos, dizia:

Vem-me à memória um dito de Santo Agostinho. Dizia ele, que tinha três desejos: um, de ver a Jesus Cristo corporalmente; outro, de ouvir São Paulo pregar; o terceiro, de ver Roma triunfar. E eu acrescento um quarto: ver a Virgem Maria com seu doce Filho no colo, com toda inocência e pureza”.2

Ver Maria com seu doce Filho no colo!

O primeiro alicerce sobre que se levanta o edifício da grandeza mariana, é constituído pelo fato, ou melhor, pela missão da Maternidade Divina. Este é um fato que excede de tal modo a força cognoscitiva do homem, que deve ser enumerado entre os Mistérios maiores de nossa fé, Mistérios que, para serem conhecidos por nós, devem ser revelados por Deus. Que uma humilde mulher deste nosso pobre planeta, que uma de nossas irmãs, semelhante a nós, descendente de Adão como nós, se torne Mãe de Deus, é um Mistério tão sublime de elevação do homem e de condescendência divina, que deixa atônita qualquer inteligência, angélica ou humana, no século e na eternidade.


Da Boca de Santa Isabel,

sai a Condenação dos Negadores

da Maternidade Divina.


Respondendo à saudação que Maria lhe dirigira, Santa Isabel, inspirada pelo Espírito Santo, como acentua São Lucas, disse, cheia de admiração: “E como me é dado, que a Mãe de meu Senhor venha a mim?”.3

A expressão “meu Senhor” é, evidentemente, sinônimo de Deus, pois que, logo depois, Isabel acrescenta: “Cumprir-se-ão em ti todas as coisas que te foram ditas da parte do Senhor”, ou seja, da parte de “Deus”. Isabel, portanto, inspirada pelo Espírito Santo, proclamou explicitamente, que Maria é verdadeira Mãe de Deus. Era a condenação antecipada dos Eutiquianos e dos Nestorianos.4


Toda a Tradição,

Confirma este DOGMA.


Toda a Tradição cristã, a partir dos tempos apostólicos, é uma proclamação contínua desta verdade mariológica fundamental. Nos dois primeiros séculos, os Padres ensinaram que Maria concebeu e deu à luz a Deus. No terceiro século, começa o uso do termo que se tornou clássico: Theotokos, ou seja, Mãe de Deus. O primeiro a usar esse título parece ter sido Orígenes5, chefe da célebre escola de Alexandria. Também na célebre prece “Sub Tuum praesidium”, muito difundida entre os cristãos do século III, a Virgem Santíssima é invocada como Mãe de Deus6.

No século IV, mesmo antes do Concílio de Éfeso, a expressão “Mãe de Deus” se tornara tão comum entre os cristãos, que dava nos nervos do Imperador Juliano, o Apóstata, o qual se lamentava de os cristãos não se cansarem nunca de chamar a Maria de “Mãe de Deus”. João de Antioquia, aconselhava a seu amigo Nestório, para não insistir demasiado em negar este título, a fim de evitar tumulto do povo. O próprio Alexandre de Hierápolis, cognominado de “outro Nestório”, reconhecia que a expressão “Mãe de Deus” estava em uso entre os fiéis desde muito tempo. – A exultação mesma que os fiéis demonstraram, quando a Maternidade Divina foi definida solenemente como dogma de fé, comprova até à evidência quão profundamente estava radicada essa verdade fundamental na alma daqueles antigos cristãos. Com efeito, sabe-se que, logo que teve conhecimento da notícia, a população de Éfeso aclamou entusiasticamente os Padres do Concílio e os acompanhou as suas residências com archotes acesos.


Conclusão

A Virgem é, portanto, verdadeira e própria Mãe de Deus! Prostrados humildemente a seus pés, possamos nós saudá-La e repetir-lhe com a maior certeza: Ave, ó Mãe de Deus! Pode-se, porventura, imaginar uma saudação mais solene do que esta?

Mas, afastando um momento o olhar do fulgor de tanta grandeza e pousando-o por alguns instantes em nossa baixeza, unamos à saudação ainda a invocação de seu valioso patrocínio, dizendo-lhe: “Ó Mãe de Deus, tão grande e tão santa, recordai-vos de mim, tão pequeno e tão pecador!”

Oremos: Ó Deus, que pela Anunciação do Anjo quisestes que o Vosso Filho encarnasse no seio da Virgem Maria, fazei que, confessando-A verdadeiramente por Mãe de Deus, mereçamos junto de Vós o auxílio da sua intercessão. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.


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Fonte: Pe. Gabriel Roschini, O.S.M., “Instruções Marianas”, Instrução IV, Cap. III, Art. I, pp. 41-48. Edições Paulinas, São Paulo/SP, 1960.

1.  Eclesiástico 24, 23-31.

2.  Pred. Volgari, I, 21.

3.  Luc. 1, 43.

4.  N.C.: E dos Protestantes e seus similares.

5.  Socrates, Hist. Ecle. VII, 32, PG. 68, 812.

6.  Marianum, T. III (1941) 97-101.


segunda-feira, 11 de outubro de 2021

OS DONS DO ESPÍRITO SANTO, EM SANTA TEREZINHA DO MENINO JESUS.


Si Spiritu vivimus, Spiritu et ambulemus”.1 

Se vivemos pelo Espírito, ajamos também pelo Espírito”.


Consideraremos nesta conferência a ação dos dons do Espírito Santo em Santa Teresa do Menino Jesus.

Na palestra precedente insinuei de passagem que é o Espírito Santo que opera e realiza em nós a renúncia perfeita. Nesta, precisarei como Ele age e sobretudo, o que exige e espera da alma para realizá-lo efetivamente. É a questão da atuação dos dons do Espírito Santo na alma cristã, questão sumamente importante, pois de sua solução depende a santidade.

Teresinha dissera um dia:

Quero que Jesus se apodere de tal modo de minhas faculdades, que minhas ações não sejam ações humanas e pessoais, mas divinas, inspiradas e dirigidas pelo Espírito de Amor”.2

Não fazer mais ações humanas, mas ações divinas, inspiradas e dirigidas pelo Espírito de Amor. Eis o que deve desejar toda alma que tende, sinceramente, para a perfeição e a santidade. Foi o que fez Teresa e o que a tornou Santa.

Como realizou ela esta ideia de vida divina? E como deve realizá-la toda alma de boa vontade, pois ela deseja, como declara expressamente “que as pequenas almas nada tenham que lhe invejar?”

Relembro apenas os pontos fundamentais de doutrina:

1 – Em primeiro lugar, os dons do Espírito Santo são conferidos à alma no Batismo com a graça santificante (e as virtudes sobrenaturais).

2 – Esses dons não são conferidos às almas cristãs, para permanecerem, como no maior número delas, inativos e estéreis, mas, ao contrário, para produzirem na alma o pleno desenvolvimento da vida da graça.

3 – Os dons diferem das virtudes, enquanto dispõe o cristão a receber diretamente de Deus, do Espírito Santo, o impulso que o fará agir e não a operar por si mesmo. Os dons supõem as virtudes sobrenaturais e as aperfeiçoam em seu exercício. É por eles que o cristão se torna plenamente cristão: isto é, age e vive divinamente.

4 – Segue-se daí, que os dons do Espírito Santo e por conseguinte, as graças atuais especiais que os põem em ação, não são absolutamente favores excepcionais, coisas extraordinárias, concedidas a algumas almas privilegiadas (Teresa do Menino Jesus, por exemplo), mas graças propostas, concedidas a toda alma cristã de boa vontade.

O Padre Petitot escreve: É evidente, que Teresa do Menino Jesus governou-se, em sua vida mística, sobretudo, pelos dons do Espírito Santo”. Nisso ele tem razão. O mesmo autor acrescenta: “Precisamos recorrer mais aos dons do Espírito Santo”. Aqui ainda ele tem razão. Mas ele não nos diz como Teresa fez para se deixar governar pelos dons, nem como devemos fazer para agir e viver sob a ação do Espírito Santo.

Sobre este ponto, aliás, os autores espirituais ficam, geralmente, no vago. Repetem que é preciso agir pelos dons. Mas, o que a alma deve fazer para que os dons atuem? A resposta é de ordinário imprecisa, muito especulativa, envolta em fórmulas teológicas ou em termos místicos.

Interroguemos nossa Santinha. Aprendamos dela, primeiramente, como nos governar pelos dons do Espírito Santo; acrescentaremos, em seguida, algumas explicações que sublinham o sentido e o alcance de seu ensino.



1ª Consideração


Parece-me que foi aqui que Teresa prestou o maior serviço à espiritualidade e às almas de boa vontade, que desejam viver plenamente a vida espiritual. Em Teresa não vemos fórmulas nem palavras complicadas ou análises eruditas. Tudo é simples, tão simples, que nos poderíamos enganar encarando sua “pequena via” como o simples caminho das virtudes e um método de ascetismo comum.

Mas afinal, que deve fazer a alma para entrar na via mais elevada, onde não fará mais – retomando a expressão de Teresa – ações humanas e pessoais, mas ações divinas? É o que nos interessa. O que a alma deve fazer não é, evidentemente, ativar-se, agitar-se, agir por si mesma. Deve, ao contrário, procurar reduzir-se ao estado passivo, para receber o movimento e a ação do Espírito Santo. Isso é elementar no problema; para deixar-se “agir”, e “mover” por outrem, a condição é, evidentemente, tornar-se passivo.

Nossa mania, nossa tendência natural, é de querer sempre agir por nós mesmos: imaginamos que, se não nos ativamos nada se faz em matéria de santidade, que o negócio de nossa santificação depende principalmente, antes de tudo, de nossa atividade pessoal. Nosso mesquinho espírito exalta-se com as ideias que o engrandecem. Daí nossa precipitação, inquietação e atividade natural. E é de tal modo verdade, que quando se trata de estabelecer-nos na submissão e docilidade à direção do Espírito Santo, procuramos imediata e instintivamente como devemos fazer, como agir para isso. Evidentemente, é dar as costas à solução.

Para permitirmos ao Espírito Santo pôr-nos em ação – pois é disso que se trata – é preciso pacificar-nos, acalmar-nos, permanecermos interiormente no repouso e na paz. Somente, então, o Espírito Santo poderá nos pôr em ação.

Para nossa Santinha a solução resume-se toda em duas palavras muito simples, às quais se reduzem sua vida e sua pequena via, duas palavras que já conhecemos, mas cujo sentido, alcance e valor, apreciaremos aqui sob uma nova luz. Humildade e Confiança. Eis tudo. Não procuremos outra coisa, mas penetremos bem, aprofundemos o mais simplesmente possível essas duas palavras: Humildade e Confiança. Duas disposições passivas!…

Em primeiro lugar, a consciência tranquila, sinceramente aceita de nossa impotência, fraqueza radical, incapacidade, nulidade: aceitá-lo e confessá-lo livremente e com toda verdade, na presença de Deus: primeira disposição passiva. Não é mais do que a humildade sincera.

Depois, o olhar confiante da alma voltado para o Amor infinito, infinitamente misericordioso de Deus, espera tranquila e certa da ação onipotente de Deus sobre o nada que a Ele se entrega, para que faça dele o que lhe aprouver; numa palavra, confiança sincera e sem hesitação: segunda disposição passiva.

Colocai essas duas disposições numa alma de verdadeira boa vontade – pois Teresa supõe, evidentemente a boa vontade, isto é, o desejo sincero de amar a Nosso Senhor e de dar-Lhe prazer em tudo – ponde nessa alma estas duas disposições: humildade e confiança – e o Espírito Santo agirá infalivelmente nessa alma, dirigindo-a, esclarecendo-a, elevando-a, fortificando-a, conduzindo-a rápida e suavemente ao grau de santidade que Deus lhe destina e que será certamente muito alto.3

Basta que a alma assim disposta, pacífica e atenta no interior, faça simplesmente a cada momento o que achar, o que acreditar ser a vontade de Deus naquele instante, deixando-se de lado, não se inquietando consigo mesma, com sua vontade e seus desejos. O Espírito Santo, o Espírito de Amor, agirá livremente nessa alma: os dons do Espírito Santo atuarão constantemente e de um modo cada vez mais perfeito.

O voto de Teresa realizar-se-á nessa alma: “Jesus apoderar-se-á de tal modo de suas faculdades, que ela não fará mais ações humanas e pessoais, mas divinas, inspiradas e dirigidas pelo Espírito de Amor!”

Como são felizes as pequenas almas que se deixam assim conduzir pelo Espírito Santo! Pequenas! Pois notemo-lo, é preciso não ter mais pretensão alguma, não querer compreender o que se opera em nós, nem conhecer o fim para onde nos leva o Espírito Santo e o resultado de sua moção, não examinar o caminho por onde Ele nos conduz, não querer conduzir-nos a nós mesmos! Isso não mais nos compete, é o trabalho de nosso Guia Divino. Por que nos envolver com nossa direção? – fracos e ignorantes que somos, confiemos, esperemos em nosso Guia, que sabe tudo, que pode tudo e que nos ama!

Humildade e Confiança: é tão simples! Mas, como vai longe! Em suma, a verdadeira renúncia de si mesmo não é mais do que isso!… Teresa, esclarecida, compreendeu-o para ela e para nós!



2ª Consideração


Prometi algumas explicações e esclarecimentos relativos a via de humildade e de confiança, para completar esta conferência. Não sou eu, mas o Venerável Padre Libermann, quem dará essas explicações. Enquanto meditava o assunto desta palestra, caíram sob meus olhos três cartas deste Grande Espiritual e eminente Diretor de almas: duas dirigidas a seminaristas e a outra a um Diretor de Seminário. Vi nelas como que um comentário direto da “Pequena Via” de Santa Teresa do Menino Jesus.

São dois seminaristas que a vista das próprias faltas e misérias paralisa; um Diretor de Seminário levado ao temor, à inquietação. Humildade, confiança, abandono à ação de Deus: eis o caminho por onde o santo Homem os conduz ao perfeito amor e à santidade.

Ouçamo-lo: “Entregai-vos, diz ele a um seminarista, a uma santa e amorosa confiança”.4 E ao outro: “Procurai caminhar humilde e simplesmente nesta via de confiança e de amoroso abandono”.5 E ainda (dirigindo-se ao Diretor do Seminário): “Tendes grandes necessidade de ir com confiança a Deus em vossas orações”. “Esta humilde confiança é da mais alta importância”.6

O Venerável Padre assinala claramente, o progresso imenso que faz uma alma que deixa a via laboriosa das virtudes, onde o esforço e o trabalho pessoal tem o principal lugar, e entra no caminho “fácil” e “rápido” da humildade, da confiança e do abandono a Deus. “Até agora, diz ele, tivestes o hábito de trabalhar por vós mesmo, de considerar vosso trabalho e vossa aplicação como sendo alguma coisa, eis porque vos desanimais, vendo vossa fraqueza. Mas, abandonando-vos entre as mãos de Deus habituar-vos-eis a ver vossa grande inutilidade e incapacidade, reconhecereis que só Deus deve ser e fazer tudo em vós; lançar-vos-eis cegamente em seus braços, conservando sempre o sentimento de vossa baixeza e pobreza. Deleitar-vos-eis singularmente neste sentimento. Só então começareis a fazer algum progresso”.7

Só então começareis a fazer algum progresso! Como isso é sugestivo! É a passagem da via em que a alma se arrasta por seu próprio esforço à via em que voa, levada pelo Espírito Santo. “Deus faz tudo nessa alma”. Os dons entram em ação – a vida, antes humana, torna-se divina!

Isso não quer dizer que não se tenha mais dificuldades, penas, obstáculos, trabalhos. Mas em tudo isso a alma progride muito com pouco trabalho, enquanto antes, cansava-se muito mais com pouco resultado. Ela é carregada.

O Venerável Padre chama “almas imperfeitas”, aquelas que estão ainda no caminho laborioso: “Sua vida, diz ele, é uma vida de pena e aflição, sem que cheguem, por isso, a uma verdadeira abnegação de si mesmas nem a um verdadeiro conhecimento e amor de DeusDeus”.8 Como tudo isto é luminoso! Começa-se a renunciar-se verdadeiramente, a conhecer e a amar verdadeiramente a Deus somente quando se cessa de agir, deixando-se guiar, iluminar, mover pelos dons. Como? Pela confiança e o abandono. “Se, ao contrário, aprouver a Deus fazer-vos entrar no caminho fácil do abandono, todas as penas, todos os obstáculos diminuirão, incomparavelmente, pela confiança e pelo amor com que vos colocareis plenamente entre as mãos de Nosso Senhor”.9

Assim as almas “perfeitas” não são aquelas que não têm mais fraquezas, defeitos, misérias, falhas, mas sim as que, sendo mais esclarecidas, se servem de tudo isso para se entregarem pela humildade e pela confiança à ação, à direção do Espírito Santo.

Desde então o caminho fica livre: o Espírito Santo toca a alma nesses pontos de sensibilidade sobrenatural que Ele mesmo criou e que chamamos os dons. Ele a move, e, numa palavra, é Ele que a liberta efetivamente e eficazmente de seu egoísmo, de seu amor-próprio e de todos os defeitos que, infelizmente, infectam nossa vida humana e natural. Então, somente então, as virtudes de fé, esperança, caridade, etc… têm seu pleno rendimento. A alma vive divinamente, a vida da graça chega a seu pleno desenvolvimento.

Direi eu todo o meu pensamento? Parece-me que essas duas disposições “humildade e confiança” são a linha de demarcação entre a vida espiritual própria e puramente ascética, e a vida espiritual em via de se tornar mística, isto é, aquela em que a ação divina prevalece efetivamente sobre a ação humana. Humildade e Confiança – mas chegadas a este grau, ou antes, a esta profundidade em que reduzem, de algum modo, a alma a estado de puro nada, diante de Deus. Se a alma se deixa resolutamente, a si mesmo e se entrega ao Espírito de Deus, ela entra na verdadeira vida divina, na via da santidade.

Em que momento da vida espiritual dá-se esta mudança, muitas vezes, decisiva? Parece ser bem cedo. Acho que é muito justa a tendência que se tem em colocá-la na chamada via iluminativa, e mesmo no início desta via. O Venerável Padre Libermann – embora não o diga, assim como Teresa, em linguagem técnica – parece-me ser desta opinião: toda a sua direção é orientada, desde o princípio para a vida mística. E, de fato, não é a verdadeira Direção Espiritual, a única que corresponde à realidade contida no Tratado da Graça?

Ouçamos o Venerável Diretor ensinar-nos o uso que devemos fazer de nossas misérias, de nossas fraquezas e faltas, como tudo isso deve mudar, para nós, em humildade e confiança. Ao ler-se esta página, pergunta-se se foi escrita por ele ou pela Carmelita de Lisieux, de tal modo a doutrina é idêntica.

Trata-se de um seminarista desanimado com suas faltas: “Não vos deixeis nunca abater ou desanimar por vossas fraquezas. Desde que cometestes alguma falta, entrai suavemente em vós mesmo; ponde-vos em seguida, diante de Nosso Senhor, numa grande, porém, doce e pacífica humilhação interior à vista de vossas misérias. Não é preciso grandes esforços para isto. Abri-Lhe vosso coração e vosso espírito a fim de que Ele possa ver a chaga de vossa alma; conservai-a assim aberta diante d’Ele, num sentimento profundo de humilhação e de baixeza em sua presença”.10

É bem essa a humildade de Teresa – a verdadeira e profunda humildade do Evangelho. Continuemos: parece ser, cada vez mais Teresa que nos fala e apresenta em algumas palavras o resumo de sua pequena via: “É preciso, porém, que esse sentimento (de vossa baixeza) seja acompanhado de amor filial, do desejo de lhe ser agradável, de uma doce e total confiança de que Jesus… terá piedade de vossa fraqueza, de vossa miséria e pobreza! Feito isto, ficai tranquilo e convencei-vos de que sois sempre de Jesus. Excitai-vos a maiores desejos de Lhe agradar”.

Teresa dissera:

Um olhar para Jesus, com o conhecimento de vossa miséria, tudo repara”.11

A página que acabamos de ler não é o comentário literal desta frase tão simples quão instrutiva? Mais ainda, uma passagem do homem de Deus repete literalmente a palavra de Teresa do Menino Jesus, desenvolvendo-a um pouco. Trata-se de pensamentos de temor, de desconfiança que correm o risco de deter um seminarista que se inicia na via da verdadeira humildade e da confiança: “Não raciocineis sobre todos esses pensamentos de desconfiança (não se trata mais de raciocinar, para remediar isso, mas de se entregar a Deus). Assim que esses pensamentos se apresentarem voltai docemente vossa alma para Nosso Senhor, abandonando-vos com confiança, humildade e amor, abandonando-vos a sua direção e a seu bel-prazer”.12 Confiança, humildade, amor para se entregar à direção do Espírito Santo. Basta isso! E os dons agirão.

Ouçamos até o fim o Venerável Padre: é cada mais sublime: “Fazei tudo isso por um ato muito doce e pacífico. Que seja como um olhar de amor”. Teresa nos diz: Um olhar para Jesus, com o conhecimento de nossa miséria, tudo repara”. Não é identicamente o mesmo pensamento, com esta particularidade, implicitamente contida na palavra de Teresa: “Que seja como um olhar de amor”?

Humildade, confiança , amor: essas três coisas estão estreitamente unidas entre si! Na realidade, a confiança encerra o amor. Tender e chegar ao amor pela humildade e a confiança – o Evangelho não nos ensina outra coisa. Ora, quem nos conduzirá ao amor, quem suscitará em nós o amor? Certamente, não seremos nós! Será o próprio Amor: o Espírito que é Amor.

Quando se diz que o Amor deve fazer tudo em nós, esta palavra Amor não designa uma entidade abstrata ou uma tendência moral de nossa vontade: o Amor é um Ser concreto, pessoal e vivo, o próprio Deus (Caritas est) ou, o que é a mesma coisa o Espírito de Amor! Este Amor onipotente, presente em nós, não está aí senão para assimilar nossas almas e transformá-las em amor: – Ele é literalmente, “a alma de nossas almas”, como diz o Venerável Padre Libermann. E o que nos pede para isso? Humildade e confiança – com esta condição Ele nos fará viver de amor.

Uma última palavra, muito animadora, do Venerável Padre Libermann: “Não há grandeza verdadeira senão nesta vida… do Amor divino”.13 Eu sei bem que não chegaremos aí desde o primeiro momento: é preciso tempo, fidelidade… Mas, nada receies, meu caro, Nosso Senhor vos abriu a porta, vos fez entrar na via; Ele saberá levar-vos até o fim”.14

É Ele que nos levará, isto é, seu Espírito que está em nós: os dons do Espírito Santo estão em nossa alma para nos tornar sensíveis, dóceis e maleáveis sob a ação deste Espírito de Amor. Onde nos conduzirá Ele? Ao perfeito amor, ao ponto em que (são as próprias palavras do Servo de Deus) não somos mais nós que vivemos, mas Nosso Senhor que viverá e agirá em nossa alma, na sua doçura, na sua paz, na sua força e em seu amor.15

Humildade e confiança: como são importantes essas duas coisas a inculcar, na direção das almas! O privilégio de Teresa do Menino Jesus, foi de entrar, desde o princípio, nesta via. Mas sua “pequena via”, ela o diz e repete, está aberta também a toda alma desejosa de amar a Nosso Senhor, da maneira que ela O amou. Toda alma recebeu, do mesmo modo que ela, os dons do Espírito Santo; toda alma tem em si esse Guia divino, o Espírito Santo, que quer conduzi-la, igualmente, ao cume do Amor.

A porta que dá acesso à “Pequena Via” e que Nosso Senhor abre a toda alma de verdadeira boa vontade, é a humilde confiança! Ou a confiante humildade!


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Fonte: Rev. Pe. Liagre, Espiritano, “Retiro com Santa Teresinha do Menino Jesus”, Cap. VII, pp. 74-87. 2ª Edição, tradução do Carmelo do I. C. de Maria e Santa Teresinha, Cotia/SP, 1963.

1.  Gál. V, 25.

2.  Conselhos e Lembranças, pág. 290.

3.  N. B. Que esta alma não imagine, não espere receber do Espírito Santo, luzes extraordinárias, palavras distintamente ouvidas, revelações… nem tampouco impulsos sensíveis, impetuosos para ações brilhantes e raras… A ação normal do Espírito Santo nas almas (salvo em casos excepcionais), é suave, doce, silenciosa… É o Espírito de Amor!

4.  Cartas Espirituais, Tomo II, pág. 208 (156ª carta).

5.  Cartas Espirituais, Tomo II, pág. 232 (161ª carta).

6.  Cartas Espirituais, Tomo II, pág. 217 (158ª carta).

7.  Cartas Espirituais, Tomo II, pág. 231 (161ª carta).

8.  Cartas Espirituais, Tomo II, pág. 229.

9.  Cartas Espirituais, Tomo II, pág. 229.

10.  Cartas Espirituais, Tomo II, pág. 208 (156ª carta).

11.  Espírito, pág. 119.

12.  Cartas Espirituais, Tomo II, pág. 231 (161ª carta).

13.  Cartas Espirituais, Tomo III, pág. 14 (240ª carta).

14.  Cartas Espirituais, Tomo II, pág. 230 (161ª carta).

15.  Cartas Espirituais, Tomo II, pág. 230.


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