BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 16 de outubro de 2011

DO ÓDIO AO PRÓXIMO E SUAS CONSEQUÊNCIAS.


São Nicéforo, Mártir.
(† 259 ou 260)

“Quando Valeriano e Galieno eram imperadores, viviam em Antioquia o Sacerdote Saprício e seu amigo íntimo Nicéforo. O Inimigo de todo o bem semeou cizânia, e a amizade dos dois transformou-se em inimizade acérrima. Algum tempo depois Nicéforo, caindo em si, procurou aproximar-se de Saprício, oferecendo-lhe plena satisfação do mal, que lhe reconheceu ter feito. Saprício, porém, não lhe quis perdoar; uma segunda tentativa, feita por intermédio de outros amigos, não teve melhor resultado. Ainda pela terceira e quarta vez Nicéforo procurou o ex-amigo, chegando a prostrar-se diante dele, dizendo: 'Pai, perdoai-me pelo amor de Deus!' Inútil esperança!

Saprício, esquecendo-se por completo do dever de cristão e Sacerdote, fechou o coração aos sentimentos de perdão.

Aconteceu que, ao mesmo tempo rebentasse em Antioquia uma terrível perseguição da Religião Cristã. Os cárceres enchiam-se de prisioneiros, cujo único crime consistia em serem cristãos, e muitos tiveram a morte gloriosa do martírio. Também Saprício foi preso e levado à presença do governador, o qual fez o seguinte inquérito:
  • – 'Como te chamas?'
  • – 'Chamo-me Saprício'.
  • – 'Tua profissão, qual é?'
  • – 'Sou cristão'.
  • – 'Não és sacerdote?'
  • – 'Sou'.
  • – 'Eis a ordem dos imperadores Valeriano e Galieno, segundo a qual todos aqueles que se dizem cristãos, devem sacrificar aos deuses imortais. Quem se negar a prestar esta homenagem, será condenado a torturas e multas, e, se não ceder, será morto'.
  • – Saprício respondeu: 'Nosso Rei é Cristo. Só Ele é o Deus verdadeiro, Criador do Céu, da terra e do mar. Os deuses dos pagãos, porém, são ídolos, que devem desaparecer do mundo, pois nenhum poder têm, visto serem feitos por mão humana'.
Em paga desta confissão, Saprício foi cruelmente torturado. O Mártir, porém, ficou firme na Fé e disse ao governador: 'Tens, apenas, poder sobre minha carne; minha alma está nas mãos de Jesus Cristo, Daquele que a formou. O governador, vendo que nada conseguia com torturas, condenou Saprício à morte pela espada. O sentenciado foi levado imediatamente ao lugar da execução. Nicéforo, sabendo o que acontecera, veio de encontro a Saprício, lançou-se-lhe aos pés, dizendo: 'Mártir de Cristo, perdoe-me o que contra vós fiz!' Saprício nada respondeu. Nicéforo reiterou o pedido: 'Mártir de Cristo – assim falou a Saprício – perdoai-me o que em humana fraqueza contra vós fiz. Eis a coroa que Cristo vos oferece, em recompensa da Fé, que corajosamente confessastes, em presença de muitas pessoas'. Saprício ficou inflexível, e da boca não lhe saiu a palavra do perdão. Aconteceu, então, o que era de esperar: Deus, vendo seu Preceito desatendido pelo Seu ministro, retirou-lhe a Graça e a assistência na hora da morte. Quando chegaram ao lugar do suplício, Saprício recebeu ordem de ajoelhar-se. 'Por que devo ajoelhar-me?' Perguntou aos carrascos.
  • ➔ 'Para levar a efeito a execução', responderam.
  • ➔ 'Que fiz eu, para que deva morrer?'
  • ➔ 'Porque negaste sacrificar aos deuses, conforme ordenam os imperadores'.
  • ➔ 'Não quero morrer. Farei o que me mandarem e prestarei homenagem aos deuses'. 
Imediatamente foi posto em liberdade.

Outra vez apareceu Nicéforo e, vendo o grande escândalo que Saprício acabava de dar, dirigiu-se-lhe dizendo: 'Não peques, meu irmão, negando a Nosso Senhor Jesus Cristo. Peço-te que não O abandones para que não percas a coroa, que já tinhas segura, como recompensa da tua fidelidade no martírio'. Saprício ficou insensível ainda diante deste último apelo. Para reparar a infidelidade de Saprício, Nicéforo apresentou-se dizendo: 'Sou Cristão e creio em Jesus Cristo, cujo Nome Saprício acaba de negar. Eis-me aqui, pronto para morrer em seu lugar'. Todos os circunstantes se admiraram da coragem de Nicéforo. Os algozes não se atreveram a pôr-lhe a mão, sem a autorização do governador. Esta não se fez esperar, e poucos minutos depois, rolou a cabeça de Nicéforo na arena, aos pés de Saprício e dos algozes, e sua alma, aureolada com a glória do martírio, voou para o Céu, para fazer parte do glorioso exército dos Mártires e cantar louvor ao Rei eterno, Jesus Cristo”.


Reflexões: 
  • O amor de Deus é inseparável do amor do próximo. 'Quem diz que ama a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso, e a verdade não está nele' (1ª Jo. 4, 20). Exemplo frisante desta verdade temos na história de Saprício, que perdeu a coroa do martírio, porque embora quisesse morrer pela Fé, não soube lançar do coração o ódio contra uma pessoa, que o ofendera. Quem odeia a seu irmão, não é amigo de Deus, por mais que insista em afirmá-lo. 
  •  Saprício era Sacerdote e, não obstante, perdeu a Fé e deu escândalo. Perante Deus não há acepção de pessoa. O estado sacerdotal, como tal, não é garantia nenhuma da felicidade eterna, e embora seja de todos os estados o mais santo e venerável, não santifica sem a cooperação pessoal de quem o abraçou. O pecado do Sacerdote é maior, maior é a responsabilidade do Sacerdote, porque maiores são as graças que recebe, mais clara é sua compreensão das coisas de Deus. Os fiéis devem rezar pelos Sacerdotes, para que Deus os conserve na Sua graça. Se um mau procedimento de um Sacerdote os escandalizar, como aconteceu a Nicéforo, que apesar de sua insistência não pode mover a Saprício, para que lhe perdoasse, procurem ignorá-lo, e lembrem-se que cada um responderá a Deus pelos seus atos. Entre os 12 Apóstolos houve um apenas, Judas. O exemplo deste por ninguém deve ser imitado, enquanto que muito nos deve animar, edificar e entusiasmar a virtude, a dedicação de um São Pedro, de um São João e demais Apóstolos.
__________________________________

(Rev. Pe. João Batista Lehmann, S.V.D., “Na Luz Perpétua”, Vol. 1, Festa de São Nicéforo, Mártir, 27 de Fevereiro, pp. 172-174, 5ª Edição, Ed. Lar Cristão, Juiz de Fora – MG, 1959).


“Quem não conhece em presença disto, que todas as obras que um cristão faz, se não procedem da caridade e amor de Deus e do próximo, não são agradáveis aos olhos do Senhor?

Os Gregos e os Latinos celebram a sua memória no dia de hoje (9 ou 27 Fevereiro)”.
_____________________________

(Rev. Pe. Croiset, S.J., “Ano Cristão”, Vol. II, 9 de Fevereiro, pp. 130-131, Tradução do Rev. Pe. Matos Soares, Porto, 1923).


“Não julgueis, e não sereis julgados;
não condeneis, e não sereis condenados.
Perdoai, e sereis perdoados.
Dai, e dar-se-vos-á;
no seio vos será lançada uma medida boa,
cheia, recalcada e abarrotada.
Porque, com a mesma medida
com que medirdes (para os outros),
será medido para vós”

(S. Luc. 6, 37-38).

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A Realeza da Verdade


Dom Fernado Arêas Rifan


Artigo publicado no jornal "A Folha da Manhã", 
Campos, no dia 13 de abril de 2011, quarta-feira.

No seu julgamento, Jesus explicara a Pilatos a natureza e o caráter específico da sua realeza: a verdade. Conforme nos explica Bento XVI no livro “Jesus de Nazaré II”, esse enfoque é de suma importância. Na ocasião, Pilatos perguntou a Jesus: “O que é a verdade?”.
    
“O que é verdade? A pergunta do pragmatista, jogada com um grau de ceticismo, é uma pergunta muito séria, a ver com o destino da humanidade. O que, então, é verdade? Somos capazes de reconhecê-la? Ela pode servir como critério para nosso intelecto e vontade, tanto nas escolhas individuais como na vida da comunidade?”

“A definição clássica da filosofia Escolástica designa a verdade como ‘adaequatio intellectus et rei’ (conformidade entre o intelecto e a realidade – S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae I, p. 21, r. 2c). Se o intelecto do homem reflete uma coisa como ela é em si mesma, então ele encontrou a verdade: mas apenas um pequeno fragmento da verdade, não a verdade na sua grandeza e sua integridade”.
    
“Chegamos mais perto do que Jesus quis dizer com outro dos ensinamentos de Santo Tomás: ‘a verdade está propriamente e em primeiro lugar no intelecto de Deus; no intelecto humano está presente propria e derivadamente’ (De Verit., p. 1, a. 4 c). E para terminar chegamos à fórmula sucinta: Deus é ‘a própria verdade, a soberana e primeira verdade’”.
    
“Esta fórmula nos traz perto do que Jesus quer dizer quando ele fala da verdade, quando diz que seu objetivo na vinda ao mundo foi ‘testemunhar a verdade’. Frequentemente no mundo, verdade e erro, verdade e inverdade, são quase inseparavelmente misturadas. A verdade em toda a sua grandeza e pureza não aparece. O mundo é ‘verdadeiro’, na medida em que ele reflete a Deus: a lógica criativa, a razão eterna que o trouxe para a existência. E ele se torna mais e mais verdadeiro quanto mais ele se aproxima de Deus. O homem torna-se verdadeiro, ele se realiza, quando cresce na semelhança de Deus. Então ele alcança a sua própria natureza. Deus é a realidade que dá o ser e a inteligibilidade”.
“ ‘Dar testemunho da verdade’ significa dar prioridade a Deus e à sua vontade sobre e contra os interesses do mundo e seus poderes. Deus é o critério de ser. Neste sentido, a verdade é o verdadeiro ‘rei’ que confere luz e grandeza a todas as coisas. Pode-se dizer também que o dar testemunho da verdade significa fazer a criação inteligível e sua verdade acessível do ponto de vista de Deus — a perspectiva da razão criadora — de forma que ela possa servir como um critério e uma orientação a este nosso mundo, de modo a que os grandes e os poderosos sejam expostos ao poder da verdade, à lei comum, à lei da verdade”.
    
“Digamos claramente: a fracassada situação do mundo consiste precisamente na falha em compreender o significado da criação, na falha em reconhecer a verdade; como resultado, a regra do pragmatismo é imposta, pelo qual o braço forte do poderoso torna-se o ‘Deus’ deste mundo”.



Dom Fernando Arêas Rifan
Bisbo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://www.adapostolica.org/modules/wfsection/article.php?articleid=638

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Uma Questão de Bom Senso

Bux: “No campo litúrgico, estamos frente a uma desregulação insuportável”

Como ir à Missa e não Perder a Fé


Por Mariaelena Finessi

ROMA, terça-feira, 8 de março de 2011 (ZENIT.org) - Um enfraquecimento da fé e a diminuição do número de fiéis poderiam ser atribuídos aos abusos litúrgicos e às Missas ruins, quer dizer, às que traem seu sentido original e onde, no centro, já não está Deus, mas o homem, com a bagagem de suas perguntas existenciais.

Essa é uma ideia sustentada por Nicola Bux, teólogo e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.


Apresentado em Roma no dia 2 de março, em seu livro "Come andare a Messa e non perdere la fede" [Como ir à Missa e não perder a fé, N. do T.], Bux lança-se contra a virada antropológica da liturgia.

Bux replica a quantos criticaram Bento XVI, acusando-o de ter traído o espírito conciliar. Ao contrário – argumenta o teólogo – os documentos oficiais do Concílio Vaticano II foram traídos precisamente por essas pessoas, bispos e sacerdotes à frente, que alteraram a liturgia com “deformações ao limite do suportável”.

Participar de uma celebração eucarística pode significar, de fato, também se encontrar perante as formas litúrgicas mais estranhas, com sacerdotes que discutem economia, política e sociologia, tecendo homilias em que Deus desaparece. Proliferam os ensaios de antropologia litúrgica até reduzir a esta dimensão os próprios sinais sacramentais, “agora chamados – denuncia Bux – preferivelmente de símbolos”. A questão não é pequena: enfrentá-la implica ser tachado de anticonciliar.

Todos se sentem com o direito de ensinar e praticar uma liturgia “ao seu modo”, tanto que hoje é possível assistir, por exemplo, “à afirmação de políticos católicos que, considerando-se ‘adultos’, propõem ideias de Igreja e de moral em contraste com a doutrina”.

Entre aqueles que iniciaram esta mudança, Bux recorda Karl Rahner, quem, à raiz do Concílio, denunciava a reflexão teológica então imperante que, em sua opinião, mostrava-se pouco atenta ou esquecida da realidade do homem.

O jesuíta alemão sustentava em contrapartida que todo discurso sobre Deus brotaria da pergunta que o homem lança sobre si mesmo. Em consequência – esta é a síntese – a tarefa da teologia deveria ser falar do homem e de sua salvação, lançando as perguntas sobre si e sobre o mundo. Um pensamento teológico que, com triste evidência, foi capaz de gerar erros, o mais clamoroso dos quais é o modo de entender o sacramento, hoje já não sentido como procedente do Alto, de Deus, mas como participação em algo que o cristão já possui.

“A conclusão que Häuβling tira disso – recuerda Bux – é que o homem, nos sacramentos, acabaria por participar de uma ação que não corresponde realmente a sua exigência de ser salvo”, já que abre mão da intervenção divina. A semelhante tese “sacramental” e à derivação anexa da liturgia, responde Joseph Ratzinger, que já no dorso do volume XI, “Teologia da Liturgia”, de sua Opera omnia, escreve: “Na relação com a liturgia se decide o destino da fé e da Igreja”.

A liturgia é sagrada, de fato, se tiver suas regras. Apesar disso, se por um lado o ethos, ou seja, a vida moral, é um elemento claro para todos, por outro lado, ignora-se quase totalmente que existe também um “jus divinum”, um direito de Deus a ser adorado. “O Senhor é zeloso de suas competências – sustenta Bux –, e o culto é o que lhe é mais próprio. Em contrapartida, precisamente no campo litúrgico, estamos frente a uma desregulação”.

Sublinhando, em contrapartida, que sem “jus” o culto torna-se necessariamente idolátrico, em seu livro o teólogo cita uma passagem da “Introdução ao espírito da liturgia”, de Ratzinger, que escreve: “Na aparência, tudo está em ordem e presumivelmente também o ritual procede segundo as prescrições. E no entanto é uma queda na idolatria (...), faz-se Deus descer ao nível próprio, reduzindo-o a categorias de visibilidade e compreensibilidade”.

E acrescenta: “trata-se de um culto feito à própria medida (...), converte-se em uma festa que a comunidade faz para si mesma; celebrando-a, a comunidade não faz mais que confirmar a si mesma”. O resultado é irremediável: “Da adoração a Deus se passa a um círculo que gira em torno de si mesmo: comer, beber, divertir-se”. Em sua autobiografia (Mi vida), Ratzinger declara: “Estou convencido de que a crise eclesial em que hoje nos encontramos depende em grande parte do colapso da liturgia”.

Para encerrar, uma sugestão e uma advertência. A primeira é relançar a liturgia romana “olhando para o futuro da Igreja – escreve Bux –, em cujo centro está a cruz de Cristo, como está no centro do altar: Ele, Sumo Sacerdote a quem a Igreja dirige seu olhar hoje, como ontem e sempre”. A segunda é inequívoca: “se acreditamos que o Papa herdou as chaves de Pedro – conclui –, quem não o obedece, antes de tudo em matéria litúrgica e sacramental, não entra no Paraíso”.

Fonte: Acessar o link "Meus Documentos".

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