BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

O ROSÁRIO, LOUVADO PELOS DEMÔNIOS.


O poder da Bem-aventurada Virgem estende-se até os Infernos. Maria reina como Soberana sobre os próprios Demônios e os subjuga”, diz São Bernardino de Sena. Esta prerrogativa da divina Mãe foi anunciada desde o princípio do mundo, quando Deus predisse à Serpente infernal a vitória e o império que Maria, nossa Rainha, teria sobre ela. Maria é tão terrível aos Demônios como um exército disposto em ordem de batalha. Eles próprios são forçados muitas vezes a confessar e proclamar o poder de Maria e a excelência da devoção do Rosário.

Quando São Domingos pregava esta devoção em Carcassone, um herege albigense surgiu do meio da multidão caluniando e ofendendo o Santo pregador, numa contradita violenta, que evitou a conversão de muitos. Deus, por um justo castigo, permitiu que os Demônios em grande número se apoderassem do herege e o deixassem em um estado de loucura furiosa. Rasgava roupas, debatia-se, urrava, blasfemava, contava os pecados ocultos dos que o rodeavam. Seus pais querendo contê-lo, só a muito custo puderam prendê-lo em cadeias de ferro.

Dias depois, pregando São Domingos em uma praça pública, levaram-lhe este endemoniado, que se debatia e resistia com todas as suas forças. Perguntados os Demônios pelo Santo, porque haviam entrado no corpo desse homem, responderam-lhe que era por causa das suas irreverências para com a Santíssima Virgem e por causa de sua incredulidade. “Há um mês que este herege vos está ouvindo pregar sobre o culto da Virgem; não quis crer em vossa palavra e ao contrário, vos tem feito todo mal que pode. Eis porque, obrigados por um justo juízo de Deus, a quem não podemos resistir, entramos no corpo deste blasfemador. É bem contra nossa vontade: não queríamos atormentá-lo, pois ele nos ganhava muitas almas”.

Então São Domingos perguntou-lhes, se tudo o que havia dito da sua Augusta Rainha era verdade. Dando horrorosos gritos, disseram-lhe: “Maldita seja a hora em que entramos neste lodo impuro! Infelicidade para nós eternamente! Porque não matamos a este miserável antes de o trazerem aqui? Agora é tarde: cadeias de fogo nos obrigam a publicar a verdade, apesar das perdas certas que vão daí resultar para nós. Cristãos e Cristãs! Escutai logo e ficai sabendo: tudo o que Domingos tem pregado sobre Maria e seu culto é inteiramente conforme à verdade”.

Depois de outras perguntas, São Domingos lhes disse ainda: “Qual é no Céu a criatura mais terrível para vós, e ao mesmo tempo a mais digna do amor e do culto dos homens aqui na terra?” A esta pergunta os Demônios deram um grito agudo que espantou a todos os assistentes. Mas o Santo, impondo silêncio aos espíritos malignos, deu coragem ao povo consternado; obrigava todavia os Demônios a responder. “Ó homem de Deus”, gritaram eles, “porque vos agradam os tormentos que sofremos?!… Contentai-vos com as penas que sofremos no Inferno, e deixai-nos tranquilos!”

O Santo tornou: “Eu cessarei de vos atormentar quando tiverdes satisfeito à minha pergunta”. – “Ao menos”, responderam eles, “deixai-nos falar-vos em segredo e não diante desta multidão de homens e mulheres, porque senão perderemos muitos”. O Santo respondeu: “Isso é inútil, tendes de falar em alta voz e com voz clara e inteligível”.

Porém, estes espíritos rebeldes se calavam sempre e se estregavam a tristes lamentações. Vendo-os obstinados, São Domingos prostrou-se e exclamou: “Ó Maria, Virgem Santíssima! Pela virtude do vosso Rosário, obrigai os Inimigos do gênero humano a responder à minha pergunta”. Falava ainda e viam-se sair chamas dos ouvidos, do nariz e da boca do endemoniado. O povo tremendo de medo fazia o Sinal da Cruz. Entretanto, os Demônios diziam: “Ó Domingos, nós vo-lo rogamos, deixai-nos ir embora; quando quiserdes, os Anjos vos ensinarão. Nós somos mentirosos e enganadores; os cristãos não darão crédito as nossas palavras. Portanto, deixai-nos tranquilos”.

O Santo respondeu: “Não mereceis ser atendidos”. Depois, pôs-se de joelhos e exclamou: “Ó digníssima Mãe da Sabedoria encarnada! Este povo conhece já o culto do Rosário. Ah, pela salvação destas almas, eu vo-lo peço, obrigai vossos adversários a dizer claramente a verdade sobre o que lhes perguntei”.

Neste momento apareceu aos olhos de São Domingos uma multidão de Anjos cobertos de armas de ouro e no meio deles a gloriosa Mãe do Salvador. Maria tocou com um cetro de ouro no infeliz endemoniado, e imediatamente os Demônios gritaram: “Oh, nossa Inimiga! Nossa ruína! Oh, nossa confusão! Porque descestes do Céu para nos atormentar aqui? Ah, sois Vós que impedis o Inferno de se encher. Vós rogais pelos pecadores como poderosa Advogada, e sois para eles o caminho do Céu muito seguro e muito certo. É preciso responder-Vos sem tardar. É preciso publicarmos nós próprios o meio e a maneira de nos confundir. Ó necessidade cruel! Ó terrível maldição!… Cristãos, escutai-nos então”, gritaram eles: “a Mãe de Jesus, é toda poderosa para preservar os seus servos do Inferno. Como o sol expulsa as trevas, assim Maria dissipa nossas tramas e nossos laços. Nenhum dos nossos embustes Lhe escapa; inutiliza todos os nossos artifícios. Ai de nós! Somos forçados a confessá-lo: de todos os que se consagram ao culto de Maria e perseveram, nenhum se perde. Um só de seus suspiros oferecido à Santíssima Trindade é superior em excelência e em virtude às orações e promessas dos outros Santos. Assim, tememos mais a Ela só do que a todos os outros reunidos. É impossível vencermos a um só de seus servos fiéis. Infelizmente para nós, um grande número dos que nos pertencem, na hora da morte se salvam, porque invocam a Maria. Se esta Mulher não no-los retirasse e não reprimisse nossos esforços, há muito tempo que teríamos acabado com a Igreja; muitas vezes teríamos feito perder a fé a todas as classes da sociedade cristã. Também somos obrigados a revelar que nenhum daqueles que perseveram na devoção pregada por Domingos, sofrerá os tormentos do Inferno. Maria obterá para seus servos fiéis uma verdadeira contrição de seus pecados e a graça de fazer uma boa confissão”.

Após estas palavras dos Demônios, São Domingos convidou os assistentes a rezarem o Rosário, e a cada uma das Ave Marias que rezavam, viam-se grande número de Demônios saírem do corpo do possesso em forma de brasas de fogo. Maria estava presente ainda que invisível para o povo. Ao terminar o Rosário, o Santo deu sua bênção à multidão. Quanto ao endemoniado, estava são e salvo.

Este acontecimento converteu um grande número de hereges. Tal fato não tem necessidade alguma de argumentos. Notemos, entretanto, como as declarações dos Demônios são conformes à doutrina ensinada pelos Santos sobre o poder, a santidade, a bondade de Maria, sobre sua solicitude em salvar aqueles que A invocam, sejam quais forem os crimes que tiverem cometido, contanto que perseverem em orar à Mãe de Misericórdia com o desejo de se emendarem. Notemos também, quanto custou a Satanás confessar o poder do Rosário. Deixou esta confissão para o último lugar e a fez resumidamente, porque o Rosário é o meio mais fácil e mais eficaz para nos atrair a proteção d’Aquela que não deixa perecer a nenhum de seus filhos.

Os Demônios”, diz São Bernardo, “fogem e desaparecem como a cera no fogo, todas as vezes que estão em presença de uma alma que pensa sempre em Maria, que A invoca com amor e A imita piedosamente”. Ora, pela devoção ao Rosário preenchemos todas estas condições: pensamos na divina Mãe, rezamos, meditamos em suas virtudes e pedimos-Lhe forças para as imitarmos. “Quem é fiel em honrar a Maria deste modo”, diz São Boaventura, “não se perderá eternamente”. “Ficai certos”, acrescenta Santo Afonso, “de que, se perseverardes até a morte na devoção a Maria, vossa salvação é segura”.

Se os Demônios perseguem os servos da Rainha do Rosário, os bons Anjos, de sua parte, não cessam de os defender em nome de Sua amada Soberana. Lê-se na vida da Bem-aventurada Benedita Rencurel, santificada pela devoção do Rosário, que muitas vezes o Demônio a transportava para longe e a colocava sobre um rochedo inacessível. Acontecia então, que o Anjo custódio da Santa a ia buscar. Abria-lhe uma passagem através das rochas, dos gelos e dos abrolhos cobertos de neve, trazia-a dos lugares desconhecidos em que estava perdida pela malícia de Satanás e ajudava-a a transpor a torrente impetuosa que lhe embaraçava o caminho. Viva imagem do que fazem todos os dias nossos bons Anjos, para nos preservarem ou livrarem das astúcias de nossos Inimigos invisíveis, que procuram sem cessar fazer-nos cair no pecado e conduzir-nos à nossa perda eterna! Quando a Santa camponesa era levada pelo Demônio sobre o teto de certa igreja, o que aconteceu por mais de vinte vezes, um Anjo ajudava-a a descer, e abrindo a porta da igreja, rezava com ela o Rosário. Quando as perseguições do Demônio contra esta santa criatura chegavam a seu auge, os Anjos, sob a forma de passarinhos, vinham, rezando e cantando, assistir aos seus sacrifícios e provas. Ela os via, ora brancos, ora vermelhos, e sempre luminosos. Outras vezes, as duas cores alternavam-se na coroa que eles formavam voando sobre sua cabeça. O branco, sem dúvida, significava a virgindade tão perfeita desta Santa donzela, e o vermelho, o martírio causado pelas perseguições que sofria. Mas, o que podia representar a coroa, senão essa coroa mística de Ave Marias, que Benedita oferecia vinte vezes ao dia à Rainha do Santo Rosário?

Eis como os Anjos se comprazem em proteger, fortificar e consolar os verdadeiros servos e fiéis servas da Sua amável Soberana, especialmente aqueles e aquelas que põem todos os dias em Sua fronte o místico diadema do Terço ou do Rosário, e se esforçam para caminhar sobre Seus passos no caminho das virtudes.

Ó Rainha cheia de poder e misericórdia! Quantas vezes me esqueço e separo de Vós por minhas inúmeras faltas! Refúgio dos pobres, doce Alegria dos que sofrem! Todos esperam em Vós! Livrai-nos dos males que nos cercam, Vós que concedeis, com tanta profusão, os meios de salvação a todos aqueles que quereis salvar. Permanecei conosco, ò Virgem Santíssima, e não nos abandoneis. Livrai-nos das trevas e sombras da morte. Conduzi-nos à glória dos Bem-aventurados. Amém.



Ramalhete Espiritual

Nas tentações, fortalecei-vos contra o Inferno, rezando o Terço e meditando os Mistérios que encerra cada dezena. “O Rosário”, dizia o Papa Adriano VI, “é o flagelo dos Demônios”.


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Fonte: Trinta e Uma Meditações, sobre as Excelências do Santo Rosário”, pelo Padre Luiz Bronchain, CSSR, Meditação do 20º Dia, pp. 191-202. Tipografia de B. Herder, Livreiro-Editor Pontifício, Friburgo em Brisgau/Alemanha, 1913.


quarta-feira, 24 de novembro de 2021

SOBRE A MORAL CATÓLICA.


"Estoy convencido de que ésta es la única moral santa y razonada en todas sus partes: más aún, que toda corruptela viene de quebrantaria, de no conocerla o de interpretarla torcidamente.

... la moral que todos quisieran que practicaran los demás; la que, practicada por todos, nos llevaria al más alto grado de perfección y de felicidad, que se puede conseguir en esta terra...".


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Fonte: Alessandro Manzoni, "Observaciones sobre la moral católica", Pref. y cap. III.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

A EUCARISTIA – BOSSUET. 25ª PARTE.


A Eucaristia, viático dos moribundos.

Ela deposita no nosso corpo um gérmen

de vida e de imortalidade. Doce confiança

e invencíveis esperanças que ela faz nascer

nessa hora suprema. Antes de comungar,

pôr-se em estado de morte.


Consideremos aqui o Corpo do Salvador como o doce Viático dos moribundos.

Eu morro; meus sentidos se extinguem, minha vida se esvai: que tenho a desejar nesse estado senão alguma coisa que me tire o temor da morte, e me tire da escravidão em que essa apreensão me manteve durante todo o tempo de minha vida? Meu Salvador! Trazem-me o vosso Corpo, esse Corpo imortal, esse Corpo espiritualizado: recebe-O no meu: “Não morrerei, viverei. Quem comer a minha carne, dizeis vós, terá a vida eterna, e ressuscitá-lo-ei no último dia”. Restará nesse corpo morto um gérmen de vida que a podridão não poderá alterar; ficará nele uma impressão de vida que nada pode apagar. Todos os dias de minha vida quero comungar nesta esperança; quero considerar-me como moribundo, e o sou; quero receber-Vos em viático. Não temerei a morte: libertar-me-eis da servidão que esse temor me impunha. Porque temer o mal, se lhe tenho sempre o antídoto? Sem Vós, a morte é um jugo insuportável: Convosco, é um remédio, e uma passagem para a vida. Como sou feliz! Trazem-me o vosso precioso Corpo: vindes à minha casa, Hóspede celeste! E a este propósito que posso dizer: Senhor, não sou digno de que entreis em minha casa. A ela vindes, não obstante; entrais nela, e não é o bastante para o vosso amor: a casa em que quereis entrar é o meu corpo.

É aqui o tempo de nos lembrarmos da vossa Morte; dessa Morte pela qual a morte foi vencida; dessa Morte que nos faz dizer com confiança: “Ó morte, onde está teu aguilhão? Ó morte, onde está a tua vitória?” Dessa Morte pela qual é cumprida esta palavra: “Romperei o vosso pacto com a morte; e a vossa aliança com o túmulo não subsistirá mais”. E ainda: “A morte será precipitada para sempre no abismo. Fazei isto em memória de mim: lembrai-vos da minha morte: anunciai-a”.

Ó Senhor! Anunciaram-me a minha; anunciem-me, porém, a vossa, e nada mais temerei. Sim, agora poderei cantar com o salmista: “Se eu andar no meio da sombra da morte, não temerei nada, porque estais comigo”. Ah! Doce lembrança a da vossa Morte, que apagou os meus pecados, que me assegurou o vosso reino! Meu Salvador uno-me à vossa agonia; digo Convosco: In manus: “Meu Deus, nas vossas mãos entrego o meu espírito”. Como Vós mesmo o vindes buscar para apresentá-lo a vosso Pai! Acabou-se; tudo está consumado. Quero morrer como Vós, dizendo esta palavra: Tudo está consumado; não tenho mais nada na terra, e o vosso reino vai ser o meu quinhão. Tudo está consumado; vejo o vosso reino celeste, esse Santuário eterno, abrir-se para me receber por graça, por misericórdia, em vosso Nome, ó Jesus! Então será cumprida esta palavra: Quem me come fica em mim, e eu nele. Não Vos deixarei mais. Maldita seja a minha desgraçada e criminosa inconstância, que me fez deixar tantas vezes tão bom Senhor! E agora, meu Salvador, estarei sempre Convosco; ides marcar-me com o vosso cunho. Ah! Senhor, guardai-me até ao último suspiro, e exale-o eu nos vossos braços!

E este corpo, que será dele? Ei-lo unido ao vosso. Pelo vosso Corpo ressuscitado, ressuscitarei novinho; só deixarei na terra a mortalidade. Vivo nesta esperança; porém nela morro. Morro todos os dias, visto que não cesso de avançar para o último momento. Meus dias dissipam-se como uma fumaça, vão se como uma água rápida, cujo curso não se pode deter. Dentro de um momento, passarão onde eu estava, e não me acharão mais. Eis aí o quarto dele, ali está o seu leito, dirão; e de tudo isso, não resta mais senão o meu túmulo, onde dirão que estou; e não estou nele; haverá nele apenas um resto de mim mesmo; e esse resto, tal qual, diminuirá a cada momento, e se perderá afinal.

Como isso é triste! Sim, se eu não tivesse vosso Corpo para me tornar a dar a vida. Esta esperança me sustenta. Quero sempre me considerar em estado de morte, confessar-me qual um moribundo, dispor-me a cada vez como se fosse morrer. Morro: fechai-me os olhos; não veja eu mais as vaidades; envolvei-me com esse pano; não preciso mais de outra coisa, restitui-me a minha nobreza natural, metei-me na terra. É dela que venho segundo o corpo, é a ela que devo tornar; foi essa a minha mãe que me gerou para morrer; ela me dará à luz um dia para não morrer mais. Não falemos, pois, de morte; não passa de um nome, de morte só há o pecado.


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Fonte: Jacques-Bénigne Bossuet, Bispo de Meaux, “Meditações sobre o Evangelho” – Opúsculo “A Eucaristia”, Cap. XXV, pp. 111-114. Coleção Boa Imprensa, Livraria Boa Imprensa, Rio de Janeiro/RJ, 1942.


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