BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 6 de novembro de 2022

FONTES INEXAURÍVEIS DE INDULGÊNCIAS E RIQUEZAS ESPIRITUAIS, EM FAVOR DAS BENDITAS ALMAS DO PURGATÓRIO.


A VIA SACRA E O ROSÁRIO

DE NOSSA SENHORA


Para alívio das Almas do Purgatório, temos uma fonte de indulgências e de riquezas espirituais – é a Via Sacra. Esta meditação da Paixão e Morte do nosso Divino Redentor, nos lembra o Sangue Precioso derramado pela salvação das almas, e nos faz pedir pelo Sangue de Cristo a libertação das Almas do Purgatório. Quanto alívio não traz às almas sofredoras uma piedosa Via Sacra! É uma devoção santificadora para nós e um sufrágio precioso para as pobres almas. Dizia São Boaventura: “Se quereis crescer de virtude em virtude, atrair para vossa alma graça sobre graça, entregai-vos muitas vezes ao exercício da Via Sacra”. A Paixão de Jesus Cristo é remédio para nossa alma pecadora, e este Sangue Precioso cairá sobre as almas como doce refrigério.


Na Vida da V. Maria d’Antiga, se conta que esta serva de Deus tinha o piedoso costume de fazer todos os dias a Via Sacra pelos defuntos. Depois, com outras ocupações e devoções, se descuidou desta. Um dia, uma religiosa do mosteiro, falecida há pouco tempo, lhe apareceu e lhe disse, gemendo: “Minha Irmã, porque não faz as estações da Via Sacra por mim e pelas almas como antes?” Neste momento, apareceu-lhe Nosso Senhor e disse-lhe: “Filha, estou muito triste com tua negligência. É preciso que saibas, que a Via Sacra é muito proveitosa para os defuntos, e eis porque permiti que esta alma viesse reclamá-la em seu nome e em nome das outras almas padecentes. É um sufrágio muito importante. É preciso tornar este tesouro mais conhecido em favor das almas”.

Desde esse dia, a serva de Deus se dedicou a este exercício e o propagou com muito zelo. Pelo menos às sextas-feiras, se possível, façamos uma Via Sacra pelos mortos. Como a Via Sacra, o Rosário é um tesouro para os mortos também.

Um dia, São Domingos pregava sobre a eficácia do Rosário em favor das almas sofredoras. Era nas planícies do Languedoc. Um homem incrédulo zombou do Santo. Naquela noite teve uma misteriosa visão. Via as almas se precipitarem nos abismos do Purgatório e Maria Santíssima, com uma cadeia de ouro, as tirava do abismo e as punha em terra firme. Era uma imagem do Rosário, cadeia de ouro pela qual Nossa Senhora arranca do Purgatório as pobres almas sofredoras.

Quantos prodígios faz o Rosário em favor dos seus devotos na vida, na morte e depois da morte, no Purgatório! Além do mais, o Rosário é um tesouro de muitas indulgências que podemos aplicar em sufrágio das pobres almas. Vamos rezá-lo sempre, nas horas vagas, pelas estradas, em toda parte, não percamos o tempo. Aproveitemos para rezar muitos rosários pelas pobres almas. Temos tantos parentes e amigos e tantas almas queridas no Purgatório! Vamos aliviá-las com nosso Rosário bendito!



O “De Profundis”.


Que é o De Profundis? É o Salmo dos mortos, a oração que outrora nos lábios do Profeta Davi chegou até nós e parece vir das profundezas do abismo do Purgatório a implorar nossa compaixão para com as pobres almas. É um dos Sete Salmos Penitenciais. O Padre, diante do cadáver reza o De Profundis. Depois, ao vir buscar o cadáver para a sepultura, de novo reza o Salmo dos Mortos. No cemitério e a caminho da sepultura o De Profundis. Os fiéis, depois do Pai Nosso e da Ave Maria, rezam o De Profundis. Por que esta prece? Por que se tornou a oração dos defuntos? Porque assim começa: De Profundis… das profundezas… Não parece um gemido saído do Purgatório? O sentido deste Salmo é este: o seu esquema pode ser o seguinte: O salmista, imerso na profundeza dos pecados, invoca a Deus.1 Como somos pecadores, só a confiança em Deus, só o perdão de Deus nos pode salvar.2 Com muita confiança e um desejo ardente, o pecador aguarda este perdão.3 O povo de Israel também alimenta esta mesma esperança de perdão e de Redenção e de Redenção copiosa.4

Ora, estes gemidos, estas aspirações de Redenção e de perdão copioso, este clamor doloroso colocamos em nossos lábios e suplicamos pelas almas que sofrem no abismo do Purgatório. Não é verdadeiramente próprio e significativo para uma súplica dos defuntos o De Profundis? Eis agora o texto do Salmo, na tradução nova do Novo Saltério:

Das profundezas clamo a Vós, Senhor,

Ouvi, Senhor, a minha voz!

Atendam os vossos ouvidos

O brado da minha súplica,

Se conservardes, Senhor, a memória das ofensas,

Quem, Senhor, poderá subsistir?

Mas em Vós está o perdão dos pecados,

Para que sejais servido com reverência.

No Senhor ponho a minha esperança,

Espera minha alma na sua palavra,

Aguarda minha alma o Senhor,

mais do que os vigias da noite a aurora,

Sim, mais do que os vigias da noite

a aurora aguarde Israel o Senhor,

Porque no Senhor a misericórdia,

Nele há Redenção abundante.

E Ele resgatará Israel

De todas as suas iniquidades”.

Eis o Salmo na nova tradução. Muita gente nossa o recita já de cor e em outras palavras. Não importa. O essencial é que o recitem com piedade e fervor e se lembrem que é Salmo dos Defuntos, muito alívio pode trazer às benditas Almas do Purgatório.



Práticas devotas


Há muitos meios de sufragar os mortos. Escolhamos a segunda-feira consagrada pela tradicional piedade do povo a devoção do Purgatório. Há o piedoso costume de se fazer tudo quanto possível na segunda-feira pelas almas. Dar esmolas aos pobres, visitar os doentes, praticar algumas mortificações, etc. Felizes se pudermos comungar, assistir a Santa Missa nesse dia, enfim, fazermos por juntar muitos tesouros de sufrágios pelas almas. Temos o Domingo, dia do Senhor; a terça-feira, consagrada aos Santos Anjos; a quarta-feira, consagrada a São José; a quinta-feira, consagrada ao Santíssimo Sacramento; a sexta-feira, consagrada ao Sagrado Coração de Jesus e à Paixão; o sábado consagrado a Nossa Senhora. Seja a segunda-feira dos fiéis defuntos. Dia do nosso sufrágio, da nossa caridade para com as almas que padecem nas chamas expiadoras. Em algumas Paróquias e Comunidades Religiosas há piedosos exercícios neste dia. Por que não havemos de concorrer para que sejam eles frequentados, e estabelecidos onde não se fazem? Muitas pessoas entre nós têm um costume que às vezes toma um cunho supersticioso: o de acender velas em portas de cemitérios e em cruzes da estrada (Cruzeiros), ou pelos campos em favor das Almas do Purgatório. Não poderia ser reprovado, se não tivesse às vezes um cunho muito supersticioso. Velas acesas sem oração, pouco adiantam para os mortos. A vela é para lembrar Cristo, Luz do mundo, e sendo de cera, e benta, é um sacramental.

Por que não acender então velas bentas? E rezar mais ao invés de queimar tanta vela, sem um sufrágio, sem uma prece pelos mortos?

Nosso povo tem uma grande devoção pela vela acesa. Não a reprovamos, mas desejaríamos que houvesse mais compreensão da necessidade da oração pelos mortos. A vela simboliza a Luz que os defuntos esperam no Céu. Diz tantas vezes a Liturgia: Que a luz perpétua resplandeça para eles. Talvez por esta súplica, repetida muitas vezes, este pedido de luz, é que o povo tomando num sentido muito material o belo simbolismo da vela, gosta de acendê-la em profusão. Não deixa de ser edificante e impressionante a multidão de velas acesas nas sepulturas de nossos mortos. Disse e repito: longe de mim reprovar tão piedosa prática, mas desejaria vê-la mais compreendida no seu simbolismo e preferiria ver acesas velas bentas nas sepulturas e nos cemitérios.

Nosso povo tem muitas tradições de devoção às almas. Havia pelos nossos sertões os grupos de suplicantes de orações pelas almas, que muitas vezes degeneraram em abusos. Estão abolindo um costume piedoso e tocante. Quando morre alguém numa família, durante nove dias, a contar do dia da morte, todas as noites se reúnem os parentes e amigos do morto para a recitação do Terço ou da Novena das Almas em sufrágio do morto. Por que não conservar esta bela tradição?

Enfim, já vimos e meditamos durante este mês quanto é necessária e útil a devoção às santas Almas do Purgatório. Façamos tudo por elas, pobrezinhas, que só tudo esperam de nós. Sejamos dedicados apóstolos do Purgatório.



Exemplo


Proteção das Santas Almas


Mons. Louvet, na sua obra “Le purgatoire d’ápres les revelations des Saints”, narra um fato prodigioso da proteção das almas aos que a elas socorrem com sufrágios.

Um Padre italiano, Luiz Monaci, religioso dos Clérigos Menores, era um fervoroso devoto das almas. Em toda parte e em todas as ocasiões procurava meios de ajudar as benditas almas sofredoras. Em uma noite teve de viajar e atravessar sozinho uma planície deserta e perigosa, porque, infestada de bandidos e salteadores, haviam já tirado a vida a muita gente para roubar. Pelo caminho, o bom Padre não perdia tempo: ia recitando piedosamente o Rosário de Maria pelas Almas do Purgatório. Ao avistar de longe o pobre Sacerdote sozinho e desprovido de armas, um grupo de bandidos se preparou para o assaltar e puseram-se de emboscada. Qual não foi o espanto de todos quando ouviram o soar de trombetas e um grupo de soldados que marchava armado ao lado do Padre. Aterrorizados, esconderam-se os bandidos; pensaram em soldados que os vinham prender. Viam, entretanto, o Padre muito tranquilo a caminhar, recitando o Rosário. Entrou este numa hospedaria próxima. Enquanto o Padre ceava, dois bandidos curiosos se aproximaram e perguntaram curiosos:

Que Padre é este que anda acompanhado pelas estradas de soldados que o protegem?

Aqui não chegou soldado algum a este Padre, nunca andou assim em viagem…

Os bandidos, curiosos, procuraram entrar em palestra com o Sacerdote e perguntaram-lhe do batalhão que o escoltava.

Meus filhos, eu ando sozinho pelos caminhos. Só tenho um companheiro, o meu Rosário, que recito sempre pelas Santas Almas do Purgatório para que elas me protejam.

Pois bem, meu Padre, confessa um bandido, estas Almas vos salvaram. Somos bandidos e estávamos na estrada, prontos para vos despojar e matar. E só não o fizemos porque um batalhão vos seguia pela estrada, e, aterrorizados, fugimos e viemos aqui curiosos saber do que se trata. Cremos que as Almas das quais sois tão devoto vos salvaram da morte.

Os bandidos, tocados pela graça, ali mesmo de joelhos pediram perdão dos pecados e confessaram-se humildemente.

O Pe. Rossignoli e outros autores contam inúmeros casos de proteção das Santa Almas em favor dos seus benfeitores.

Na verdade, mesmo nas coisas temporais os devotos caridosos que nunca se esquecem de socorrer as benditas Almas do Purgatório, podem contar com uma proteção segura da Divina Providência em todas as circunstâncias difíceis, porque Deus sempre recompensa esta grande caridade.


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Fonte: Mons. Ascânio Brandão, “Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!”, Cap. A Via Sacra e o Rosário, pp. 147-153. 2ª Edição, Editora “Ave Maria” Ltda, São Paulo/SP, 1956.

1.  Vs. 1 e 2.

2.  Vs. 3 e 4.

3.  Vs. 5 e 6.

4.  Vs. 6 a 8.


A BENDITA RAINHA DO PURGATÓRIO.

 

Maria Santíssima,

Mãe e Consoladora

do Purgatório.


Maria pode socorrer as almas. “Um dia, escreve Santa Brígida nas suas Revelações, disse-me a Virgem Santíssima: – ‘Eu sou a Rainha do Céu, eu sou a Mãe de misericórdia, e o caminho por onde voltam os pecadores a Deus. Não há pena no Purgatório que não se alivie e que por mim não se torne menor do que se o fosse sem mim”.1 Outra vez a Santa ouviu Jesus dizer à sua Mãe: “Tu és minha Mãe, és a Rainha do Céu, és a Mãe de misericórdia, és o consolo dos que estão no Purgatório e a esperança dos pecadores na terra”.2 A Providência maternal de Nossa Senhora se estende sobre seus filhos, na terra e no Purgatório. Ela nos socorre e ajuda até depois da morte nas chamas expiadoras. É uma verdade de fé, que as Almas do Purgatório podem ser não só aliviadas em seus padecimentos, mas até libertadas das chamas expiadoras pelas orações, satisfações e boas obras, e pelo Santo Sacrifício da Missa, enfim, pelos sufrágios dos vivos. Todavia, a Igreja nada definiu sobre o socorro que possam os Santos do Céu dar às almas padecentes. Não houve necessidade de uma definição, porque o que os hereges contestaram desde Lutero, principalmente, foi o sufrágio dos vivos e até a existência do Purgatório. Quem, entretanto, pode negar que a Igreja Triunfante possa auxiliar a Igreja Padecente?

Segundo São Tomás de Aquino, duas coisas concorrem para que o sufrágio dos vivos aproveitem aos mortos: a caridade que une a todos, e a intenção que tem eles de socorrer os mortos. Quanto ao primeiro, nenhum meio existe maior de um vínculo de caridade que o Santo Sacrifício da Missa, o Sacramento que é o vínculo dos fiéis da Igreja. Quanto à outra, a oração, tem a vantagem de levar nossa intenção diretamente a Deus, quando se invoca a Divina Misericórdia.

Ora, quem pode negar que os Santos do Céu já purificados, possuam a caridade em estado de perfeição na glória e a intenção reta de ajudar às benditas almas sofredoras? Quem melhor do que eles conhece o sofrimento daquelas almas? Não há dúvida, os Santos na glória podem e socorrem as Almas do Purgatório. Quanto mais a Rainha dos Santos!

Contestaram alguns com sutilidades teológicas, que Maria nada poderia fazer pelas almas entregues à Justiça Divina no Purgatório. “Alguns autores, diz o piedoso P. Faber, pretendem que a Santíssima Virgem não pode ajudar as Almas do Purgatório senão de uma maneira indireta, porque não está mais em estado de satisfazer por elas. Não gosto de ouvir isto. Não gosto que falem de uma coisa que nossa terna Mãe não possa fazer”.3

Pois se Maria tem todo poder no Céu e na terra, se é Mãe dos remidos, Mãe de Deus, não há de poder socorrer como e quando queira os seus filhos da Igreja Padecente?

Sim, não há teólogo seguro que o conteste, e a Tradição de tantos séculos confirma esta consoladora verdade: Maria socorre seus fiéis servos depois da morte. Estende até o Purgatório seu manto protetor de Mãe e Refúgio dos pecadores.



Como socorre Maria as Almas sofredoras?


Há muitas maneiras do poder misericordioso de Maria socorrer as benditas almas padecentes. O primeiro meio e mais frequente, diz o Pe. Terrien, S.J.,4 é o pensamento e a vontade que inspira aos fiéis ainda vivos neste mundo, de orar, sofrer e trabalhar pela libertação das pobres almas. Quantos devotos de Nossa Senhora não sentem de repente uma inspiração, um desejo de sufragar os seus mortos queridos ou o desejo de trabalharem pelo sufrágio do Purgatório! É a Mãe bendita quem inspira estes bons desejos e resoluções. Não tem Ela nas mãos os corações de seus filhos? Um dia um santo Irmão coadjutor da Companhia de Jesus orava fervorosamente diante de uma imagem da Virgem Imaculada. Enquanto rezava, veio-lhe um certo escrúpulo do pouco zelo que tinha em orar e sufragar as Almas do Purgatório. Uma voz misteriosa lhe disse, então:

– “Meu filho, meu filho, lembra-te dos defuntos! – Sim, minha Mãe, o farei doravante”, respondeu o piedoso Irmão. E desde aquele dia se entregou às boas obras e sacrifícios e orações pelas Almas.5

Quantas vezes Nossa Senhora em tantas revelações particulares pediu orações pelos mortos! Maria, pois, ajuda os fiéis do Purgatório inspirando sufrágios aos seus filhos da terra e depois, oferecendo por estas almas cativas, não as satisfações atuais, pois no Céu não há sofrimento nem expiação, mas o que Ela padeceu e mereceu neste mundo. Haverá maior tesouro depois dos méritos de Cristo do que os méritos de Maria?

Maria Santíssima, pois, por estes dois meios pode e realmente socorre as almas. A Igreja, na sua liturgia, confirma esta piedosa crença e esta verdade consoladora quando assim ora na Missa dos Defuntos: “Ó Deus, que perdoais aos pecadores e desejais a salvação dos homens, imploramos a vossa clemência por intercessão da Bem-aventurada Maria sempre Virgem, e de todos os Santos em favor de nossos irmãos, parentes e benfeitores que saíram deste mundo, a fim de que alcancem a Bem-aventurança eterna”.

Por terem as almas maior precisão de socorro, escreve Santo Afonso de Ligório, empenha-se a Mãe de Misericórdia com zelo ainda mais intenso em auxiliá-las. Elas muito padecem e nada podem fazer por si mesmas. Diz São Bernardino, que Maria desce ao cárcere do Purgatório, onde tem certo domínio e poder para aliviar e libertar estas esposas de Jesus Cristo. Trás alívio às almas. Aplica-lhes o Santo estas palavras do Eclesiástico: “Caminho por sobre as ondas do mar.6 Compara as ondas às penas do Purgatório, porque são transitórias, e por isso diferentes das do Inferno, que nunca passam. Chama-as ondas do mar, porque são penas muito amargas. Os devotos da Virgem, aflitos com estas penas, são por Ela visitados e socorridos frequentemente. Eis pois como socorre Maria as Almas do Purgatório.



Nossa Senhora do Carmo,

Mãe do Purgatório.


As aparições da Virgem Misericordiosa a São Simão Stock e ao Papa João XXII, são muito conhecidas e hoje a piedade de toda Igreja tem na devoção à Virgem do Carmo, um motivo para chamar a Nossa Senhora Mãe e Rainha do Purgatório. Diz a Mãe de Deus a São Simão: “Recebe, meu querido filho, este escapulário de tua Ordem como sinal distintivo da minha confraria e prova de privilégio que obtive para ti e para os filhos do Carmo. Aquele que morrer revestido do escapulário será preservado das penas do outro mundo. É um sinal de salvação, uma defesa nos perigos, o penhor de paz e proteção especial até o fim dos séculos”. Promete a Virgem a proteção aos seus fiéis devotos do escapulário. Esta promessa foi confirmada setenta anos depois, após uma revelação feita por Maria ao Papa João XXII. Declarou este Pontífice numa Bula, que estando em oração, Maria lhe apareceu e disse: “João, Vigário de meu Filho, és devedor da alta dignidade a que chegaste a mim, que pedi por ti. Eu te livrei dos laços dos teus adversários; espero de ti uma confirmação da Ordem do Carmo, que me foi sempre especialmente dedicada. Se entre os religiosos ou confrades, quando morrerem, se acharem alguns cujos pecados tiverem merecido o Purgatório, eu descerei como terna Mãe no meio deles, no Purgatório, no sábado que seguir a sua morte. Livrarei aqueles que eu lá encontrar e os levarei à Montanha Santa, à feliz morada da vida eterna”.

É Maria revelando-se Mãe carinhosa das Almas do Purgatório.

A arte cristã sempre representa a Virgem do Carmo estendendo o seu escapulário sobre o Purgatório, onde as almas em meio das chamas expiadoras levantam os braços e os olhos suplicantes implorando a misericórdia da boa Mãe e procurando no escapulário um meio de saírem das chamas.

Como isto é significativo e simbólico! Não é esta a Missão da Virgem Santíssima, consolo e alívio e libertação do Purgatório e o que encontram com segurança os devotos verdadeiros de Maria Santíssima? Podemos crer no grande privilégio dos Carmelitas. A Sagrada Congregação das Indulgências em 1º de Dezembro de 1886 decidiu: “Seja permitido aos Padres Carmelitas pregarem ao povo, que se pode crer piedosamente na assistência que esperam os Irmãos e confrades da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, a saber: que esta Senhora ajudará com suas orações contínuas e sufrágios e méritos e com uma proteção especial depois da sua morte (principalmente ao sábado, dia que lhe está consagrado pela Igreja), aos irmãos e confrades falecidos na caridade, com a condição de que tenham levado durante a vida o escapulário, guardado a castidade de seu estado, rezado o Ofício Parvo, ou se não puderem rezá-lo, que hajam observado os jejuns da Igreja e abstido de carne nas quartas e sábados”.

Este decreto foi publicado em Roma, em 15 de Fevereiro de 1615, pelo Santo Ofício. Ora, não é a Igreja confirmando a consoladora doutrina da assistência e proteção de Maria sobre o Purgatório? Invoquemos sempre a Mãe querida das pobres Almas do Purgatório. Sejamos devotos da Virgem do Carmo e do Santo Escapulário.



Exemplo


Maria liberta as Santas Almas nas suas Festas


Diz o Venerável Dionísio Cartusiano, que cada ano, nas grandes festas, a Mãe de Deus desce ao Purgatório e liberta muitas Almas do sofrimento, levando-as para a glória, sobretudo, nas festas da Páscoa, do Natal e da Assunção. São Pedro Damião conta a propósito um caso que diz ter ouvido de um Sacerdote fidedigno. Vou traduzi-lo do latim tal como o deixou escrito São Pedro Damião:

Uma mulher em Roma entrou no dia da Assunção, na basílica erigida em honra da Santíssima Virgem no Capitólio. Grande foi a sua surpresa ao ver ali uma das suas vizinhas, que um ano antes havia morrido. Não podendo chegar-se a ela pela multidão que enchia o templo, foi esperá-la ao sair da igreja numa das ruas estreitas da cidade, por onde havia de passar.

Não és Marozia, minha vizinha, lhe perguntou, que morreu há cerca de um ano?

Sim, sou eu mesma.

E como estás aqui?

E Marozia confessou, que havia sofrido muito no Purgatório, por umas faltas da meninice e acrescentou: “Hoje, porém, a Rainha do mundo rogou por mim e tirou a mim e a muitas outras Almas do lugar da expiação e é tão grande o número das almas libertadas, que sobrepuja aos habitantes de Roma. Eis porque visitamos, em ação de graças, os lugares consagrados à nossa gloriosa Rainha”.

E como prova da verdade da aparição, anunciou que a sua amiga dentro de um ano morreria também. O que de fato aconteceu”.

Santa Francisca Romana, favorecida com tantas visões, contemplou também, num dia da Assunção, o triunfo de Maria e uma multidão de Almas libertadas do Purgatório, pela intercessão da Mãe de Misericórdia.7


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Fonte: Mons. Ascânio Brandão, “Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!”, Cap. Maria Santíssima, Mãe e Consoladora do Purgatório, pp. 162-169. 2ª Edição, Editora “Ave Maria” Ltda, São Paulo/SP, 1956.

1.  Revel. Sanct. Birgitae – I, VI.

2.  Idem – Cap. X, I – Cap. XVI.

3.  Faber: “Tudo por Jesus” – C. IX – Purgatório, 5.

4.  Terrien, S.J. – “La Mere de Dieu et la Mere de homes” – Tom. II – Lib. X, cap. II.

5.  La Quente – “Vida del P. Baltazar Alvares” – C. 44.

6.  Eccl. XXXIV, 8 – “Glórias de Maria” – Santo Afonso – I. Par. Cap. VIII.

7.  S. Petr. Damian, Opusc. XXXIV – Disput. de variis apparition, et miraculis. C. 3. P. L. CXLV – 586-587.


sábado, 5 de novembro de 2022

A SANTA MISSA E O PURGATÓRIO.


O Maior dos Sufrágios


Incontestavelmente, não há maior nem mais poderoso e eficaz sufrágio1 que possamos oferecer a Deus pelos defuntos que a Santa Missa. A Igreja não definiu muita coisa sobre o Purgatório, mas o essencial das suas definições está nestes dois princípios, duas verdades de fé que somos obrigados a crer se quisermos pertencer ao grêmio da Igreja de Nosso Senhor, porque, do contrário, o anátema pesará sobre os descrentes.

O Concílio de Trento define a existência do Purgatório, como já vimos, e uma segunda definição: Se alguém disser, que o Santo Sacrifício da Missa não deve ser oferecido pelos vivos e os mortos, pelos pecados, penas e satisfações, seja anátema.2 Eis aí o sufrágio por excelência, o verdadeiro sufrágio que podemos oferecer a Deus pelos nossos mortos, na certeza de que é sempre eficaz e poderoso. No Sacrifício do Altar se oferece a grande Vítima e o Sacrificador é o próprio Cristo Senhor Nosso. É o mesmo Sacrifício do Calvário. Tem o mesmo mérito da Cruz. Donde se conclui que as Almas do Purgatório recebem da Santa Missa o mesmo tesouro do Sangue Precioso de Nosso Senhor derramado na Cruz e pela nossa salvação. Pode haver maior sufrágio que a Santa Missa?

Distinguem-se quatro frutos principais do Santo Sacrifício: Um fruto geral, aplicado a todos os fiéis vivos e defuntos não separados da Comunhão da Igreja; um fruto especial, aplicado aos que assistem atualmente a Santa Missa; um fruto especialíssimo, aplicado aos que mandam celebrar a Santa Missa; e um fruto ministerial, que pertence ao celebrante e é inalienável.

Ora, quem não pode aproveitar pois este grande tesouro da Igreja, oferecido cada manhã em nossos altares? Não há obra mais agradável a Deus nem mais meritória e própria para alimentar a verdadeira piedade, que a assistência à Santa Missa. “Não há maior socorro às Almas do Purgatório”, disse D. Gueranger, o ilustrado e piedoso beneditino do L’Anné Liturgique. Quando o Padre celebra, diz a Imitação de Cristo, honra a Deus, alegra os Anjos, edifica a Igreja, ajuda os vivos, procura o descanso para os mortos e se torna participante de todos os bens”.3

A Santa Missa é a riqueza do Purgatório, a esperança das santas almas sofredoras. Não podemos oferecer nada melhor e nada mais eficaz para aliviá-las que o Santo Sacrifício. “A Missa é o sol da Igreja”, diz São Francisco de Sales. É o sol que dissipa as trevas do Purgatório. Podemos talvez duvidar às vezes da eficácia e do poder de nossas orações feitas com tantas distrações e em condições tão precárias; mas, do poder e da eficácia do Santo Sacrifício, no qual se oferece o Sangue de Jesus Cristo pelas Almas, que dúvida nos pode ficar do valor desta Obra?

Não podemos fazer nada maior nem melhor do que oferecer o Santo Sacrifício pelas Almas.



O Tesouro das Almas


Sim, a Santa Missa é o tesouro das pobres Almas. Nenhum meio é mais poderoso e eficaz para libertá-las, já o vimos. São Leonardo de Porto Maurício, que foi um grande apóstolo e devoto do Santo Sacrifício, dizia: “Quereis uma prova de que a Missa, trás alívio às pobres almas? Ouvi um dos mais sábios Doutores da Igreja, São Jerônimo:Durante a celebração de uma Missa por uma alma sofredora, esta alma pode ser preservada de todo ou em parte da pena do fogo. Em cada Missa que se celebra, diversas almas são livres do Purgatório. Refleti ainda nisto: a vossa caridade por estas almas será de muita vantagem para vós, Ó Missa bendita, és útil a um tempo para os vivos e os mortos! No tempo e na eternidade!’ Permiti que vos dirija uma súplica, acrescenta São Leonardo, e quero vos pedir de joelhos: tomai a firme resolução de ouvir ou de fazer celebrar todas as Missas que vossas ocupações e vossos recursos vos permitirem, não só pelos defuntos mas também por vossas almas. Dois motivos devem vos decidir: o primeiro motivo, alcançar uma boa morte… Ó, como será doce e tranquila a morte de quem empregou sua vida em ouvir o maior número de Missas que pode! O segundo motivo é alcançar para vós mesmos o imenso favor de roubar o Céu até sem passar pelo Purgatório, ou abreviar muito o tempo de permanência naquelas chamas expiadoras”.

Ao Beato João d’Ávila,4 ao chegar aos últimos instantes da vida, perguntaram o que mais desejaria depois da morte: – Missas! Missas! Missas!5

Santa Mônica estava às portas da eternidade. No leito de morte, disse ao filho querido, Agostinho, que lhe custara tantas lágrimas e que a havia enchido de tantas consolações nos últimos dias: “Meu filho, logo não tereis mãe. Quando eu não estiver mais neste mundo, rezai pela minha alma, não vos esqueçais daquela que tanto vos amou. No Sacrifício do Cordeiro sem mancha, recomendai minha alma a Deus”.

O Santo Doutor jamais se esqueceu da recomendação materna. Chorou muito quando morreu Santa Mônica, mas suas lágrimas foram sempre acompanhadas de muitas preces fervorosas e sufrágios. “Deus de misericórdia, dizia ele,6 perdoai à minha mãe e não entreis em juízo com ela. Lembrai-Vos de que antes de deixar este vale de lágrimas, não pediu para os seus restos mortais funerais pomposos, mas somente que vossos Ministros se lembrassem dela no Altar do Divino Sacrifício”.

O Bem-aventurado Henrique Suzo fez um contrato com um dos amigos mais íntimo: “O que morresse primeiro, teria um certo número de Missas, que o outro sobrevivente se obrigaria a mandar celebrar o mais depressa possível”. O amigo do Bem-aventurado partiu primeiro para outra vida. Algum tempo depois, apareceu a Henrique Suzo, gemendo de dor e a se queixar:

–“Ai, já te esquecestes da promessa…

Não, meu amigo, responde o Bem-aventurado, eu não cesso de rezar pela tua alma desde que morreste…

Ó, mas isto não me basta, não, não basta, geme o defunto; falta-me, para apagar as chamas que me abrasam, falta-me o Sangue de Jesus Cristo! O Sangue de Jesus Cristo!”

O Bem-aventurado compreendeu logo que faltavam as Missas.

No dia seguinte ao da aparição, foi logo à igreja pedir muitas Missas pelo amigo defunto. Obteve diversas nesta intenção. O amigo lhe aparece já glorificado e agradece-lhe feliz: “Meu querido amigo, mil vezes agradecido! Graças ao Sangue de Jesus Cristo Salvador, estou livre das chamas expiadoras. Subo ao Céu e lá nunca te esquecerei!”7



Missas Gregorianas


Que são as Missas Gregorianas? Antes de responder, vejamos a sua origem.

Num mosteiro de São Gregório, um monge chamado Justo, contrariando o voto de pobreza a que são obrigados os religiosos, se apoderou de três moedas de ouro. Quando estava para morrer, arrependido, confessou a um seu Irmão a falta. Realmente, se encontraram as três moedas entre os guardados do moribundo monge.

Chegou isto ao conhecimento de São Gregório. O Santo, que zelava tanto a disciplina e tinha horror à violação do voto de pobreza, proibiu qualquer visita ao enfermo. Este, sentindo-se abandonado, queixou-se. É o castigo da tua falta contra a pobreza, disseram-lhe.

Morreu o Irmão Justo pouco depois e São Gregório não permitiu que fosse sepultado entre os seus Irmãos. Mandou lançá-lo numa sepultura, fora do Convento, e as três moedas de ouro foram enterradas com ele, enquanto a Comunidade repetia as palavras de São Pedro a Simão de Samaria: “Pereça contigo o teu dinheiro!”8

Isto produziu uma impressão profunda entre os monges, que dalí por diante se despojaram de tudo e viveram na mais estrita pobreza.

Trinta dias depois, São Gregório, entretanto, compadecido da alma do pobre monge, mandou celebrar vários dias a Santa Missa por sua alma. Apareceu a alma de Justo no fim de trinta dias e disse: “Até agora estava muito mal e sofria muito, mas agora estou muito bem, fui admitido na companhia dos Santos”. E desapareceu.

O Irmão narrou as Superiores e contaram justamente trinta dias desde a primeira Missa celebrada. Daí a origem de se mandar celebrar as Missas chamadas Gregorianas, em trinta dias seguidos. Segundo a crença piedosa, elas libertam as almas por quem é oferecida.

Eis a origem das Missas Gregorianas. A fé que tem o povo cristão na eficácia destas Santas Missas Gregorianas é piedosa e racional e aprovada pela Igreja, diz a Sagrada Congregação das Indulgências – Decreto – 11 de Março de 1884.9

As condições são as seguintes: as trinta Missas devem ser celebradas em trinta dias contínuos e sem interrupção. Se por acaso nestes dias caírem os três últimos dias da Semana Santa, a interrupção não altera. Podem ser celebradas depois em seguida. Assim decidiu o Papa Bento XIV. Devem ser aplicadas as trintas Missas por uma só e mesma alma e não por diversas. À alma cuja libertação do Purgatório se deseja. Todavia, não é necessário que as Missas sejam celebradas pelo mesmo Sacerdote, numa mesma igreja e altar.

Também não é necessário que sejam Missas de Réquiem, de paramento preto, etc., mesmo nos dias em que as rubricas o permitam. Seria louvável e se recomenda muito que o façam, mas não há obrigação. O essencial é que sejam celebradas trinta Missas por um defunto em trinta dias consecutivos.

Eis o que são, e as condições das Missas Gregorianas.

Por que deixar este tesouro, quando nos é possível mandar aplicá-lo no resgate de almas de entes queridos nossos?



Exemplo


São Nicolau de Tolentino,

Advogado das Almas do Purgatório.


São Nicolau de Tolentino é um dos Santos mais prodigiosos da Igreja. A vida deste grande Taumaturgo é um tecido de milagres e prodígios, que raramente se encontram em outros Santos da Igreja. O Papa Eugênio IV disse: “Não houve Santo desde o tempo dos Apóstolos, que superasse a São Nicolau de Tolentino em número e grandeza de milagres”. Dentre as obras de caridade do grande Santo, a principal era o socorro às Santas Almas do Purgatório. Fez-se o Protetor do Purgatório e Advogado das Almas. É célebre o seguinte prodígio. Em um sábado, o Santo se encontrava na ermida de Valvamanente, junto da cidade de Pézaro, onde havia sido enviado para pregar uma missão. Havia orado muito e feito muita penitência, maltratando o corpo inocente com duras disciplinas. Resolveu tomar uma hora de repouso sobre um leito duro. Mal havia começado a dormir, quando foi despertado por gemidos lancinantes e doloridos como nunca ouvira iguais. Uma voz gemia:

Irmão meu Nicolau, homem de Deus, olha-me por favor, não me conheces?

Dize-me quem és, disse o Santo, eu quero ajudar-te. Que posso fazer para te aliviar?

E uma sombra pálida se movia no ar:

Ah Nicolau, eis aqui o teu caríssimo Irmão Frei Peregrino de Osino. Há muito tempo que estou atormentado nas chamas do Purgatório, onde me encontro pela misericórdia de Deus, devido aos teus grandes méritos, embora os meus pecados me tenham valido a condenação eterna. Se celebrares amanhã por mim o Santo Sacrifício da Missa, amanhã mesmo eu me livrarei.

Cheio de amargura, o coração de Nicolau parecia estalar de dor. Viu que a obediência não lhe permitiria celebrar aquela Missa: – Meu irmão, Jesus Cristo, por seu Preciosíssimo Sangue te seja propício, mas não posso te atender, pois sou obrigado pela obediência a celebrar esta semana toda nas intenções da Comunidade.

O Venerável Padre, então, queira me acompanhar, já que os meus tormentos não te comovem para a Santa Missa. Verás os sofrimentos das multidões de pobres almas, que imploram teu sufrágio.

Em poucos instantes o Santo se viu levado ao alto de uma montanha banhada de luz e cheia de beleza, mas aos pés deste monte, num imenso vale, um espetáculo triste encheu de horror ao Santo. Multidões de almas se retorciam de dor num braseiro imenso e gemiam de cortar o coração. Ao perceberem o Santo no alto da montanha, bradavam suplicantes, estendendo os braços e pedindo misericórdia e socorro. “Padre Nicolau, diz Frei Peregrino, tem piedade destas pobres almas, que imploram teu socorro. Se celebrares a Santa Missa por nós, quase todas seremos libertadas de nossos dolorosos e horríveis tormentos”.

Nicolau não pode se conter. Como Moisés, passou a noite com os braços estendidos em Cruz, implorando misericórdia. Depois, foi ter com o Superior e contou a Visão. Obteve licença para celebrar a Santa Missa durante sete dias em seguida pelas Almas do Purgatório.

Frei Peregrino durante a Missa do Santo, apareceu-lhe resplandecente de glória, cercado de uma multidão de almas libertadas do Purgatório, que subiam ao Céu. Desde então, veio a São Nicolau o título de Protetor das Almas do Purgatório. Daí também a origem do piedoso costume de mandar celebrar sete Missas em sete dias consecutivos pelas Almas dos Defuntos queridos, pais, parentes, amigos, etc.

S.S. Bento XV concedeu em 15 de Maio de 1920, o privilégio de que as Missas celebradas nas igrejas dos Padres Agostinianos durante sete dias, em sufrágios de algum defunto, sejam celebradas como as de altar privilegiado.

Invoquemos a São Nicolau de Tolentino na nossa devoção às Santas Almas do Purgatório. É um rico Protetor dos devotos das Santas Almas.


______________________

Fonte: Mons. Ascânio Brandão, “Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!”, Cap. A Santa Missa e o Purgatório, pp. 92-100. 2ª Edição, Editora “Ave Maria” Ltda, São Paulo/SP, 1956.

1.  Oração, ajuda, auxílio, etc.

2.  Trident, Sess. VI, Cân. 30.

3.  Imitação – Liv. IV, Cap. V.

4.  Hoje Santo Canonizado: São João de Ávila, e declarado Doutor da Igreja.

5.  S. Leonardo de Porto Maurício – Excelência do Santo Sacrifício, Cap. VII.

6.  Confessiones – Lib. IX.

7.  Rossignoli, S.J., XXXIV Maravilha.

8.  At. 8, 18-24.

9.  Theol. Moral., Ferreres – Tom. II, Tract. XIV.


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