
Oração
Ó
Maria Imaculada, Soberana Rainha das virgens, eis que me ponho sob a
vossa maternal proteção e me consagro neste dia totalmente a Vós.
Consagro-Vos
o meu corpo com todos os seus sentidos, o meu coração com todos os
seus afetos, a minha alma com todas as suas potências, a minha vida
inteira, para que todos os meus movimentos sejam um contínuo ato de
amor.
Coloco
também, ó minha Mãe, sob a vossa salvaguarda as minhas penas e
consolações, as minhas misérias passadas, presentes e futuras,
sobretudo, os meus últimos momentos, suplicando-Vos que, assim como
entrastes no mundo isenta de pecado, me obtenhais de Jesus, vosso
Divino Filho, a graça de sair deste exílio sem pecado.
Finalmente,
Mãe Santíssima, ensinai-me a amar a Jesus, para que comece já aqui
na terra a viver, a vida que viverei por toda a eternidade, entoando
o cântico de amor na vossa companhia e na de todos os Anjos e Santos
por todos os séculos dos séculos. Assim seja.
Aos
Pés de Maria
I
MÃE
PURÍSSIMA. A Virgem Maria, porque nasceu já Imaculada,
Imaculada viveu e Imaculada morreu. Sem a mais leve mancha do Pecado
Original, a sua Alma nunca foi contaminada pela sombra sequer de
pecado algum atual. Prodígio único de pureza de alma no mundo
sensível das puras criaturas.
Entre
Deus e o pecado, incompatibilidade absoluta, infinita. Impossível,
portanto, a alma aproximar-se de Deus, senão na medida em que se
afasta do pecado. E vice-versa, tanto mais se afastará do pecado,
quanto mais se aproximar do Santo dos santos.
E o Santo dos santos é o superlativo infinito e personificado da
santidade, a própria santidade personificada.
E
quem pode sequer imaginar criatura, que com o Deus de toda a
santidade, tivesse sido unida por laços de maior intimidade do que
Sua Mãe? E quem poderá , então, conceber criatura que pudesse ter
atingido a pureza de alma, que atingiu a Mãe Puríssima?
Não
é caso, portanto, de dar a Maria o primeiro lugar simplesmente na
Hierarquia dos Santos. A pureza da sua Alma transcende todas as
categorias de almas puras. Entre os Santos todos Ela sobressai como
o lírio entre os espinhos.
A
verdadeira pureza de alma exclui, não só o pecado, mas ainda todo o
afeto e inclinação a ele e a tudo o que constitui perigo, não só
próximo, mas remoto também de ofender a Deus. É a isenção do
mal, de complacências e contemporizações com o mal, de tudo o que
de algum modo conduz ao mal.
Essa
pureza de coração, assim como é condição essencial da visão
divina, assim também será a medida dela, pois na casa do Pai
celeste há muitas moradas, e nem todas as estrelas brilham com a
mesma claridade. Não são os que na terra tiverem tido da Divindade
as ideias mais exatas, mais sublimes, mais teologicamente sutis; são
os que tiverem tido o coração mais puros, que mais plenamente
gozarão da vista de Deus.
Tal
é o prêmio e a Bem-aventurança dos limpos de coração: verão
a Deus. E, vendo a Deus, verão
toda a verdade, toda a beleza, toda a bondade, toda a perfeição, a
fonte, enfim, de todo o bem.
II
Mãe
puríssima! É puríssima, e é mãe. E nada mais anti-natural do que
não se parecerem os filhos com sua mãe. Espúrios,
é o nome que lhes compete. E para o não serem, têm de conservar
pura, como Ela, a sua alma. E para isso é necessário mantê-la num
prudente isolamento, que a preserve de todo o contágio do pecado.
Para
proteger as cidades contra o assalto dos inimigos, levantaram-se
muralhas e ante-muralhas, que eram os seus baluartes de defesa. O
mesmo tem de fazer a alma que verdadeiramente deseja manter-se
ilibada. Esses baluartes são os sentidos externos, é a imaginação,
são as potências da alma. O recato, a modéstia, a mortificação
de uns e de outros constituem o isolamento moral do coração puro.
A
vontade é o último reduto da cidadela da alma e o seu principal
núcleo de resistência. Livre e reguladora de todas as energias da
natureza, a ela pertence fazer-se obedecer das potências inferiores.
Mas, ai dela e ai da alma, se, acovardada
diante da insolência das paixões e cúmplice delas, a vontade
capitula e deixa arrebatar o seu cetro de rainha. Passará a ser
escrava. Não será só cúmplice de paixões degradantes; será
também sua prisioneira. E, em vez de mandar, obedecerá servilmente
a todas as suas exigências. Rendida a vontade, está rendida a
praça, está escravizada a alma.
Diversões
e espetáculos libertinos, modas imodestas, seduções despudoradas,
cinemas, teatros, bailes impudentes, jornais e ilustrações
pornográficas, novelas e romances libertinos, conversas licenciosas,
músicas e canções provocadoras, praias de escandalosa
desenvoltura, promiscuidades de educação selvagem, ensino de
habilidades fraudulentas, sugestões de enriquecimento fácil, eis as
principais forças e armas de guerra, que os exércitos sitiantes
assentam contra a praça sitiada (contra o coração, a vontade, a
alma).
É,
pois, uma questão de vida ou de morte, que a vontade se mantenha no
seu posto de honra (na cadeia
de comando).
III
Mas
não atinge a vontade, o que não passou primeiro pelo pensamento.
Não se pode desejar o que não se conhece. É, pois, o pensamento
que deve resguardar quem verdadeiramente quer defender a fortaleza da
vontade. O pensamento é a sua grande muralha defensiva. Mas o
pensamento, antes de ser ato espiritual da inteligência, foi imagem
material da fantasia, dessa veloz vagabunda, que das suas excursões
aventureiras traz imagens, lembranças, impressões, cujo efeito é
perturbar a alma, fasciná-la, solicitá-la ao mal. Na
defesa da alma a imaginação é um reduto intermediário entre a
muralha espiritual do pensamento e a ante-muralha dos sentidos.
Defenda-se esse reduto, vigiem-se e refreiem-se as suas
extravagâncias. Esse papel pertence à vontade, a principal
interessada, visada como é pelos golpes do inimigo.
Mas
só penetra na imaginação e no pensamento, o que primeiro invadiu
as portas dos sentidos exteriores, que são a ante-muralha e o
primeiro baluarte do coração puro. À vontade cabe ainda a
responsabilidade dos seus desmandos. A lei que rege a vida destas
faculdades é a da modéstia, do recato, da temperança. E, sendo
elas as últimas, ou as primeiras portas, que nos põem em contato
com o mundo exterior, abrir-lhe essas portas é facilitar-lhe a
investida da alma. Quem vê e ouve o que não devia ver nem ouvir,
que muito é que passe a imaginar, a pensar, a desejar e a tragar,
por fim, o veneno mortífero da alma?
Eis
os meios de preservar a alma de toda a impureza, meios que a Mãe
Puríssima nos ensinou com os
exemplos da Sua vida puríssima.
Mas
ao coração, que não soube preservar-se, veio Ela também ensinar
em Fátima , os meios de se purificar das manchas já contraídas, de
se reabilitar, de se regenerar e de se preservar de novas quedas. É
a oração e a penitência. É, sobretudo, o grande Sacramento da
regeneração espiritual instituído por Seu Filho; é a absolvição
sacramental (ou seja, a Confissão).
Eis
a grande lição de Fátima, com os seus inumeráveis confessionários
semeados em todos os cantos do Santuário e funcionando dia e noite
nas suas grandes peregrinações. Fátima, tornou-se o grande
Confessionário do mundo, aonde acodem de todas as partes os grandes
resistentes do Sacramento,
para dizerem aos seus Ministros armados do poder de purificar as
almas, que há 20, 30, 40 e mais anos, não voltaram a ajoelhar-se no
tribunal da Penitência e para ouvirem de seus lábios onipotentes a
alvissareira nova: “Eu te absolvo dos teus pecados”.
Vai em paz e não voltes a pecar.
A
tua alma está purificada, é o
desfecho do grande drama da alma, de tantas almas que só ali,
acharam a coragem que nunca tiveram de confessar o seu “mea culpa”.
Tal
é ainda a lição que a mesma Virgem de Fátima nos está dando pelo
mundo das Suas peregrinações, atraindo aos confessionários
desertos os seus inúmeros desertores.
Exemplo
“Antes
sofrer que ofender-Vos”
D.
Glória Ferreira da Rocha Malheiro, de Paredes, Diocese do Porto,
sofria há três anos e meio de gravíssima periviscerite abdominal
direita, comprovada não só pelas radiografias, mas também pela
intervenção cirúrgica. Recebe os últimos Sacramentos, inclusive a
Extrema-Unção, porque a doença, agravada dia a dia, tornara-se
humanamente incurável. Mais para obedecer ao Confessor, do que pelo
desejo de curar, vai a Fátima pedir à Saúde dos enfermos, o que a
ciência não lhe podia dar.
Acompanhada
do marido e das filhas, partiu no dia 11 de Maio (1937) de automóvel
transformado em cama. O marido julgando que a doente ia determinada a
não implorar a cura, limitou-se a pedir ao médico assistente um
atestado que apenas lhe desse direito a ser recebida no hospital.
Em
Fátima, pouco antes de ser transportada para a Missa dos Doentes,
bebeu um copo de água do Santuário e dirigiu a Nossa Senhora a
seguinte prece: “Ó
minha Mãe do Céu, mandaram-me pedir-Vos a minha cura; e por
obediência peço. Se for da vossa vontade curar-me, para
manifestardes a vossa glória, curai. Mas, minha Mãe querida, eu
de muito boa vontade cedo a minha cura em favor de qualquer destes
doentinhos. E vou muito contente assim para minha casa, continuar a
sofrer, até Vos ir ver ao Céu”.
Podemos
crer que estas palavras foram as que mais fundo penetraram no Coração
da Mãe de Deus.
Já
no pavilhão dos doentes, ao passar por eles a Imagem de Nossa
Senhora, ergue-se, senta-se na maca e de mãos postas e olhos fixos
na Senhora, diz-Lhe: “Ó
minha Mãe do Céu, tomai conta das minhas filhinhas”.
Sentiu-se
logo perfeitamente curada. “Foi
como se estivesse toda presa por cordas, que naquele momento fossem
cortadas”,
é a expressão com que ela traduz o que sentiu.
Ainda
tentou com a mão qualquer pressão, qualquer contato para verificar
se as dores habituais permaneciam. Nem vestígios.
E
ela que tanto amava o sofrimento, volta-se ainda para Nossa Senhora,
e Lhe diz baixinho, mas com toda a alma e por três vezes: “Ó
minha Mãe do Céu, eu antes quero sofrer no meu quarto do que
ofender-Vos. Eu sozinha nada posso”.
E
ficou depois alheia a tudo, absorta só em Nossa Senhora, sem mesmo
saber onde estava a Sua querida Imagem, só voltando a si a certa
altura da Missa.
O
milagre tinha-se operado sem deixar vestígios da doença.
Entretanto, permanecia silenciosa, sem nada dizer da transformação
que em si sentia, não fosse caso que estivesse iludida.
Só
no hospital, é que diz à filha mais nova: “Eu
creio que já podia ir a pé para o carro, mas cala-te”.
Entretanto,
o marido ia dando fé da transformação nela operada, das suas novas
disposições, da facilidade dos seus movimentos, do insólito
apetite com que começava a alimentar-se, mas sem se persuadir que
tivesse sido miraculada. “Não,
pensava ele, se
Nossa Senhora a tivesse curado, já ela mo teria dito”.
Só
no dia 15, de manhã, dois dias depois da cura, é que ela acabou de
se convencer, que não era vítima de ilusão. Estava curada e bem
curada. E só, então, deu a conhecer à família o milagre de Nossa
Senhora.
Milagre,
sim, pois sabido é, como a 29 de Junho de 1941, Pio XII conferia a
esta cura foros de autêntico milagre.
Oração
pelos Sacerdotes
Jacinta,
a angelical vidente de Fátima, chorou de pena ao saber um dia, que
um Sacerdote fora proibido de celebrar. E no seu leito de morte
recomendou insistentemente, que se rezasse pelos Sacerdotes.
Rezem
pelos Sacerdotes, foi o
testamento da inocente menina, ditado sem dúvida, pela Mãe de Deus,
que tão bondosamente lhe aparecia durante a doença.
Este
rasgo tão comovente da sua vida reparadora, levou-nos a acrescentar…
esta curta oração pelos Sacerdotes:
Ó
Jesus, Verbo Eterno do Pai, Fogo abrasador, abrasai as almas dos
vossos Sacerdotes no fogo do amor divino, que devora o vosso Coração,
para que eles ardam no zelo das almas e as salvem, e, salvando-as, se
salvem com elas. Amém.
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Fonte: Rev.
Pe. José de Oliveira Dias, S.J., “Florilégio
Ilustrado da Fátima – Novo Mês de Maria”, Dia
4
de Maio, pp. 59-65/15
e 22.
3ª Edição, Edição da Sociedade Brasileira de Educação,
Braga/Portugal, 1952.