BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

OS PAIS QUE SÃO TEMENTES A DEUS E OS QUE NÃO O SÃO.

 

Os pais que se ocupam em educar bem seus filhos não serão confundidos, no juízo particular e no juízo universal. Triste, porém, será o juízo de pais empenhados em apenas gozar a vida e despreocupados da educação de sua prole.

Neste sentido, é notório o conflito entre duas categorias de pessoas: os que desejam bem formar suas famílias de acordo com esses ensinamentos tradicionais; e aqueles que, devido às influências do neopaganismo atual -- como as provenientes da televisão, que invade incontáveis lares com suas telenovelas e programas de teor anticatólico --, procuram se adaptar às máximas da mentalidade moderna.

Como poderoso auxílio aos pais de família, transcrevemos alguns princípios que o grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, fundador dos Redentoristas, proclamou em seus Sermões.

 
"Quando Deus abençoa os pais dando-lhes filhos, o que Ele tem em vista não é a vantagem da casa; mas que os filhos sejam educados no santo temor e formados para a salvação eterna. Daí estas palavras de São João Crisóstomo: ‘Olhemos os filhos como precioso depósito, velemos por eles com toda a solicitude possível'. Se os filhos fossem um dom oferecido apenas aos pais, estes poderiam dispor deles como quisessem; mas como são um simples depósito, os pais deverão prestar contas a Deus por cada filho que se perca por sua negligência”.

Consequências de uma boa ou má formação

"Para nos fazer compreender que os pais, vivendo segundo a vontade de Deus, atraem as bênçãos celestes sobre eles e sobre toda a casa, a Sagrada Escritura diz: `Para que suceda bem a ti e aos teus filhos depois de ti, tendo feito o que é agradável aos olhos do Senhor' (Dt. 12, 25). Quem quiser saber se a conduta de um pai de família é boa ou má, examine a conduta do filho. `Pelo fruto conhecereis a árvore' (Mt 12, 33), diz Nosso Senhor. Quando um pai de família morre, mas deixa um filho, é como se ele não tivesse morrido, pois este filho o perpetua, o continuará. `Este homem morre, mas é como se não tivesse morrido, pois ele deixa em seu filho um outro ele mesmo depois dele' (Ecl. 30, 4). Pelos filhos que blasfemam, que dizem palavras impuras ou roubam, pode-se perceber os vícios do pai. Pois, diz o Eclesiástico, `Um homem conhecesse pelos filhos que deixa' (Ecl. 11, 30).

Responsabilidade dos pais

"Tranquila e feliz será a morte dos pais e mães de família que formam seus filhos na vida cristã. `Aquele que se ocupa em bem educar seus filhos, no dia da morte não será consternado nem confundido' (Ecl. 30, 5). E diz São Paulo: `Elas serão salvas por causa de seus filhos' (1Tim. 2, 15). Graças à boa educação que lhes terão dado. Ao contrário, bem triste, e mesmo desesperada, será a morte desses pais que unicamente cuidam em aumentar a fortuna e o brilho de sua casa, para gozar a vida, sem se preocupar nem um pouco em educar seus filhos. `Se alguém -- diz ainda São Paulo -- não tem cuidado com os seus, e principalmente com os de sua casa, negou a fé, e é pior do que um infiel' (1Tim. 5, 8)....

"Se ao menos certos pais cuidassem de seus filhos tanto quanto por seus animais! Quanta solicitude para que nada falte a estes! Que atenção para que a comida seja dada no tempo certo! E, com a atenção inteiramente posta nisso, não se preocupam se seus filhos conhecem ou não o catecismo, se assistem à missa e se confessam. `Sim -- lamenta São João Crisóstomo – cavalos e animais de carga lhes tomam mais o coração que os próprios filhos!'.

Consequências da negligência dos pais

"É uma grande desgraça para os filhos terem maus pais, não somente incapazes de educá-los, mas, pior ainda, indiferentes às suas condutas: que veem seus filhos em más companhias, discutindo, divertindo-se em relacionamentos ruins, e, em vez de repreendê-los e puni-los, os escusam dizendo: `Não se pode fazer nada, são coisas da juventude'. Bela máxima... bela educação!....

"Assim como é fácil aos filhos, ainda crianças, adquirirem bons hábitos, é difícil ao homem maduro corrigir-se dos maus hábitos contraídos na mocidade”.

"Passaremos ao segundo ponto, e eu vos suplico, pais e mães de família, de reterdes bem isto que vos direi sobre a maneira de bem educar vossos filhos".

A disciplina compreende o ensinamento da religião e da moral

"No que consiste precisamente a boa educação dos filhos? São Paulo nos diz claramente em duas palavras: `Educai vossos filhos na disciplina e na correção do Senhor' (Ef. 6, 4).

"Em primeiro lugar, por disciplina, é preciso compreender tudo que os pais devem fazer para formar os filhos nos bons costumes. Consiste em instruí-los e dar-lhes o bom exemplo.

"Que os pais tenham antes de tudo o dever de ensinar aos filhos o temor de Deus e a fuga do pecado. Assim fazia o justo Tobias em relação a seu filho. Com efeito, lemos na Sagrada Escritura: `Ao qual ensinou desde a infância a temer a Deus e abster-se de todo o pecado' (Tob. 1, 10).

"Que consolações e que alegrias o Céu reserva em recompensa pela solicitude dos pais cristãos! Sim, diz o Sábio: `Educa bem o teu filho, e ele consolar-te-á e será as delícias da tua alma' (Prov. 29, 17). Mas, se o filho bem instruído é a alegria de seus pais, os filhos ignorantes os enchem de tristezas; pois, ignorar as regras da vida cristã e se conduzir mal, é uma só coisa.

"Conta Thomas de Cantimpré que, em 1248, um sacerdote foi encarregado de fazer um discurso ao clero de Paris reunido em Sínodo. Este sacerdote era muito ignorante e, estando na presença de seu auditório, se confundiu completamente. Então o demônio veio em sua ajuda e lhe sugeriu que pronunciasse as seguintes palavras: `Os príncipes das trevas saúdam os príncipes da igreja, e nós lhes agradecemos vivamente pela negligência em instruir ao povo. Pois, as almas estagnadas na ignorância, seguem o caminho do mal e chegam ao inferno'. Linguagem semelhante bem se poderia dirigir a certo pais".


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(Sermons de S. Alphonse de Liguori, Analyses, commentaires, exposé du système de sa prédication, par le R.P. Basile Braeckman, de la Congrégation du T. S. Rédempteur, Tome Second. Jules de Meester-Imrimeur-Éditeur, Roulers, pp. 464-472).

http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/1D15A8DA-3048-560B-1C0363E7D0959E73/mes/Junho1998

domingo, 6 de novembro de 2011

NÃO QUERER TER FILHOS... A VOZ DA IGREJA. (Parte 2)


A Voz do Papa Pio XI

"O assunto precedente é de tanta importância e atualidade, que passo a estudá-lo com as palavras do Papa Pio XI (dirigida aos casados). A voz dele é voz do Bom Pastor. Quem a ouve, ouve a Deus. Quem a segue, segue o Divino Pastor. É ovelha Dele e por Ele será reconhe­cida. Deus garante pelo profeta que 'carregará nos ombros as ovelhas prenhes'. 

Ponhamos de um lado as desculpas e os princípios que se ouvem nas famílias e de ou­tro a decisão do Papa:

Desculpas das Famílias
A Decisão de Pio XI

► Famílias: Filhos é carga incômoda.

► Pio XI: Muitos 'ousam' chamar a prole de carga incômoda do Casamen­to, e afirmam dever ser cuidadosamente evitada pelos cônjuges. Mas isso, não já com a continência honesta permiti­da, também no Matrimônio, quando um e outro cônjuge nisso concordem, mas viciando o ato natural.

► Famílias: Os casados são livres na sua vida ín­tima!

► Pio XI: E alguns se arrogam esta criminosa li­cença, porque, tendo aversão aos cuidados da prole, pretendem somente satisfazer seus apetites, sem encargo algum.

► Famílias: É impossível a continência. E tam­bém a mulher não tem saúde, a família não tem recursos!

► Pio XI: Outros alegam para própria desculpa a incapacidade de observar continência, e a im­possibilidade de admitir a prole, por causa das dificuldades próprias, e da mãe, ou das condi­ções econômicas da família.

► Famílias: Tudo isso justifica que se evitem os filhos, porque assim procedendo nada se faz contra uma vida que começa a existir!

► Pio XI: No entanto, não pode haver razão algu­ma, embora gravíssima, que sirva para tornar conforme com a natureza e honesto o que é in­trinsecamente contrário à natureza.

► Famílias: Mas é um exagero chamar de deso­nestos os casados que, tendo relações, evi­tam as consequências!

► Pio XI: E, sendo que o ato conjugal, por sua 'própria natureza', tem em vista a geração da prole, os que, ao praticá-lo, o tornam conscien­temente incapaz dessa consequência, operam contra a natureza, e cometem uma ação tor­pe e intrinsecamente desonesta.

► Famílias: Mas Deus não pensa deste modo e sabe perdoar...!

► Pio XI: Pelo que, não é maravilha que a Majes­tade divi­na, segundo o atestam as próprias Es­crituras Sagradas, tenha em sumo ódio tão hor­rendo de­lito e o tenha, outrora, castigado com a pena de morte, como recorda Santo Agostinho: 'Porque se está desonestamente com a esposa legítima, quando se impede o fru­to da prole'.

► Famílias: E as causas mais do que justas que há para tantos casais?

► Pio XI: Os motivos que os levam a defender o uso perverso do Matrimônio são em geral imagi­nários ou exagerados, para não falar dos que são vergonhosos...

► Famílias: Não é por comodidade que evito. So­fro demais e quase morro com os partos re­petidos!...

► Pio XI: A Igreja, Mãe bondosa, compreende e conhece perfeitamente o que alegam a favor da saúde e do perigo de vida das mães. E quem poderá considerá-lo sem viva compaixão? Quem não se sentirá tomado de viva admiração ao ver uma mãe oferecer-se, com fortaleza heroica, a uma morte quase certa para poupar a vida à prole já concebida?

► Famílias: Mas se o marido não admite os fi­lhos e foge ao dever que lhe cabe?

► Pio XI: A Santa Igreja sabe, também, perfeita­mente que com frequência um dos cônjuges é mais vítima do que causa do pecado, quando, por motivos verdadeiramente graves, e sem que com isso concorde, permite a perversão da or­dem devida, da qual, portanto, não se torna réu, desde que se lembre das leis da caridade, procurando dissuadir e afastar o outro do peca­do.

► Famílias: Como vejo, não há concessão algu­ma no caso?

► Pio XI: Não pode dizer-se que procedam con­tra a ordem da natureza os cônjuges que usam do seu direito na forma devida e natural, ainda que, por causas naturais de tempo ou de outras circunstâncias defeituosas, não possam dar ori­gem a uma nova vida. – O Papa fala em segui­da dos fins secundários do Casamen­to, fins que aos cônjuges é lícito desejar, desde que respei­tem a natureza intrínseca do ato e, por con­seguinte, sua subordinação ao fim princi­pal...

► Famílias: Há ainda a pobreza dos casais!

► Pio XI: Igualmente chegam ao íntimo da nossa alma os gemidos daqueles cônjuges que, opri­midos duramente pela falta de meios, lutam com gravíssimas dificuldades para manter a sua pro­le. No entanto, é necessário estar bem vigilan­te, a fim de que, as deploráveis condições ma­teriais não induzam num erro bem mais fu­nesto, uma vez que não podem existir dificulda­des tão graves que sirvam para desobrigar dos Mandamen­tos de Deus, que proíbem todo o ato mau por sua própria natureza.

► Famílias: Pensando bem, há casos em que é impossível seguir semelhante doutrina e guardar Mandamen­to tão penoso.

► Pio XI: Em qualquer hipótese, os cônjuges, sustentados pela Graça de Deus, podem sempre cumprir fielmente a sua missão e conservar livre de toda a mancha a castidade no Matrimônio. Pois é uma verdade inconcussa da Fé cristã, expressamente declarada pelo Ma­gistério do Concílio de Trento, que 'ninguém deve seguir aquela opinião temerária, conde­nada pelos Padres, sob a ameaça de exco­munhão, que, para o homem justificado, não há possibilidade de cumprir os Mandamen­tos de Deus'. E isto, porque Deus não ordena coisas impossíveis, mas, ao ordenar, adverte que faças o que puderes e peças o que não puderes e ajuda-te a poder.

► Famílias: Estou sossegada, porque meu con­fessor nunca condenou meu procedimento!

► Pio XI: Se algum confessor ou pastor de al­mas, o que Deus não permita, induzisse ele próprio a tais erros os fiéis a si confiados ou neles os confirmasse, quer aprovando, quer calando-se culposamente, saiba que terá de prestar contas severas a Deus, Juiz Supre­mo, da traição à sua missão, e considere como dirigidas a si as palavras de Cristo: 'São cegos e guias cegos, e, se um cego serve de guia a outro cego, ambos caem no abismo'.

► Famílias: Posso ser religiosa, mesmo no caso de 'fazer como as outras'.

► Pio XI: Nossa palavra proclamada altamente e novamente decreta que, quando o uso do Ma­trimônio, devido à malicia humana, seja frus­trado da sua natural virtude procriadora, é contrário à Lei de Deus e da Natureza, e os que tal ousem praticar tornam-se réus de culpa grave.

► Famílias: Não gosto de ouvir os padres falar sobre isso...!

► Pio XI: Recomendamos, por isso, aos sacerdo­tes, que se ocupam na audição de confissões e a todos os outros, que têm cura de almas, não permitam que os fiéis entregues aos seus cuidados possam errar em ponto tão impor­tante da Lei de Deus, e principalmente insisti­mos em que se guardem a si mesmos dessas falsas opiniões e com elas jamais se tornem coniventes.

Então, leitora, estamos certos neste assunto: a voz do Pastor das almas é muito diferen­te das opiniões pronunciadas em rodas e palestras. Mesmo que no meio haja um senhor médico que, em nome da ciência, reclame liberdades, não vaciles. Fica com o Pastor da Cristandade! A ciência, há muito tempo, que já faliu perante a Fé, sustentando coisas hoje para desmenti-las amanhã. Parece ironia, mas é realidade. Em Paris, na mesma sala em que célebre professor exi­gia que se matasse o embrião, veio depois um seu discípulo, não menos célebre, ensinar que nunca se deve fazer isso. Palavras humanas são vãs, mas as vozes de Deus não passam nem desmerecem da verdade” (Rev. Pe. Geraldo Pires de Souza, C.Ss.R., “As Três Chamas do Lar”, Cap. IV, 25, pp. 55-59, 2ª Edição, Ed. Vozes Ltda, Petrópolis, 1939).


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Fonte: Acessar o ensaio "Em Defesa do Sacramento do Matrimônio" no link "Meus Documentos - Lista de Livros".

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

NÃO QUERER TER FILHOS É FATOR PREPONDERANTE DE NULIDADE NOS MATRIMÔNIOS CRISTÃOS. (Parte 1)


O Amor da Maternidade,
qualidade indispensável no
Coração de uma Noiva

Queridos paroquianos: A terceira qualidade que deve brilhar no coração de uma noi­va, é o amor da maternidade. O seu ideal mais alto deve ser, tornar-se mãe de uma prole numerosa, se Deus lha quiser dar.

Procure o noivo averiguar de uma maneira certa, positiva, o que pensa a este respeito aquela que ele se propõe escolher para esposa, pois, vai nisso o futuro e a felicidade do lar.

Antigamente, não era preciso fazer aos noivos semelhante recomendação, porque todos sabiam que a mulher desse tempo tinha pela missão maternal o mais elevado apreço, o mais en­tranhado amor. A esterilidade conjugal era mesmo considerada como desonra ou até maldição de Deus, e geralmente, a mulher casada tinha em ser mãe uma alegria profunda e uma honra sem igual.

Hoje, porém, não é assim.

Falando de um modo geral, que diferença, meus senhores, que diferença profunda, inco­mensurável, entre as noivas de outrora e as noivas do nosso tempo!

Externamente, ainda se parecem, todas graciosas e lindas no seu vestido branco, envol­tas no véu imaculado e puro, dissemelhando-se às vezes apenas no ramo de flores, em que as rosas exuberantes de vida e perfume foram substituídas pelos jarros, cuja beleza hirta e fria pare­ce nada dizer nem segredar a um coração feminino.

Sim, parecem-se muito por fora.


Mas, interiormente, na parte mais nobre do ser, que é a alma, que radical transformação! A noiva de hoje não pensa nem sente como pensava e sentia a noiva de ontem, de tempos ainda próximos. Trocaram-se os ideais, modificaram-se os horizontes, e são estes tão vastos que pare­ce não terem fim, tão largos que não há barreira moral que não se ultrapasse, desaparecendo as­sim a finalidade que devia orientar uma vida.

A noiva de ontem levava para o casamento, dentro do seu coração, um pensamento alto, um desejo grandioso: dar a vida a novos seres à custa da própria vida, se assim lhe fosse exigi­do, na missão sublime da Maternidade. Era uma inspiração digna.

Era um sonho lindo da sua alma, e ela só pedia a Deus, o tempo preciso para tornar esse sonho uma realidade viva. No seu olhar luminoso e puro lia-se um misto de anseio e de feli­cidade. O amor vivido à custa do sacrifício torná-la-ia feliz.

Assim se fundava um lar, assim se dava começo a uma vida entre esperanças altas e de­sejos nobres.

Hoje, porém, a realidade é muito outra. Nestes tempos calamitosos em que vivemos, tempos de egoísmo feroz e sede de prazer desenfreado, a palavra sacrifício soa muito mal aos ouvidos de tantas almas sensuais, e o coração feminino palpita de maneira muito diferente da de outrora.


A noiva de hoje, com o seu olhar glacial e cortante como uma espada afiada, perscruta o futuro que se vai abrir diante dela, procura avaliar quanta soma de prazer e gozo esse futuro lhe vai trazer, calcula tudo e depois decide-se. E dizem-me que não é raro, que é até muito frequente, ouvir-se as raparigas casadoras manifestarem o seu verdadeiro horror aos filhos, que consideram uma grande maçada (importunação), e declararem, em tom seco e sem réplica, que depois regu­larão isso à sua vontade, pois, precisam se divertir, de não perder a linha da elegância, e não es­tão dispostas a suportar as canseiras e os sacrifícios que os filhos exigem!

Um poeta espanhol – Martinez Sierra – cantando o amor da maternidade e querendo mostrar que esse amor é inato à mulher e deve existir em todo o coração feminino, diz engenho­samente numa mimosa poesia intitulada Canção do Berço: “Por vontade e permissão de Deus, há em toda a mulher, dentro do seu coração, um filho adormecido”.


E eu direi, meus senhores, que as noivas de outrora, desejando e aceitando a maternida­de como uma bênção divina, levavam para o casamento a intenção decidida de despertar esse fi­lho adormecido, tantas vezes quantas Deus quisesse, enchendo assim o lar de sorrisos e graças infantis.

Aquelas mesmas que não chegavam a casar-se, nem por isso deixavam adormecido o sentimento da maternidade: embalando no berço do seu coração todas as dores e misérias alhei­as, queriam ser as mães espirituais de tantos pequeninos que sofrem e choram, que padecem abandono e desconforto.

E hoje, queridos ouvintes, que presenciamos, que constatamos nós nesta sociedade tão paganizada, sem norte, sem rumo, sem ideal?


Custa-me muito dizê-lo, mas é preciso dizê-lo e em voz alta, para que todos possam ou­vir. É necessário que ao menos uma voz se levante, desassombrada e impertérrita, a dar o grito de alarme, a apontar o mal, a denunciar a catástrofe, embora essa voz venha a ser, como tantas outras vezes, a voz do que clama no deserto. E por isso eu digo: Hoje, meus senhores,
há noi­vas que levam para o Matrimônio a sua dignidade maculada com um pensamento de des­truição, pois, vão inteiramente resolvidas a nunca deixar despertar o filho adormecido que, no dizer do poeta espanhol, Deus dá ao coração de toda mulher; e pior ainda do que isso, vão com a intenção formal de matar esse filho, se ele teimar em acordar para a vida. Deste modo, essas noivas afogam em sua alma o sentimento divino da Maternidade e enchem o seu lar de ruínas e de morte.



Meu Deus, até onde desceu a mulher dos nossos dias na baixeza de sentimentos, sacri­ficando à sua frivolidade a honra inigualável de ser mãe, estrangulando e calcando aos pés o mais formoso ideal do seu sexo, depois da virgindade que é o mais alto! Pergunto, meus senhores: Com uma moça que assim pensa e sente, pode porventura um noivo constituir o seu lar, o lar cristão, ninho de amor, que é o objeto querido dos seus so­nhos?

Respondo com Jesus Cristo: Não pode nem deve.

Casando com essa moça, mesmo que seja o casamento celebrado na igreja com todas as cerimônias devidas, ele não funda um lar cristão, apenas estabelece uma socieda­de de prazer criminoso, em que os dois se juntam para se aviltarem. É que o seu casamen­to, apesar de feito na igreja, ficaria nulo e eles passariam, por isso, a viver em mero concu­binato legal.


Ficais certamente muito admirados desta minha afirmação, e isto é talvez para todos vós uma grande novidade. Não me surpreendo de que assim seja, porque geralmente a Doutrina da Igreja acerca do Casamento é lamentavelmente desconhecida.

E em abono e para justificação do que há pouco afirmei, quero dizer-vos que o Matrimô­nio Cristão é um contrato natural que Jesus Cristo elevou à dignidade de Sacramento.

Portanto, para haver Sacramento e deste modo Casamento Católico, é preciso que o contrato matrimonial seja válido, isto é, não falte nenhuma das partes essenciais desse contrato.

E como o consentimento dos contraentes é parte essencial e até causa de todo e qualquer contrato, segue-se que, sem consentimento, não pode nunca haver contrato váli­do.

Quereis saber agora o que acontece no contrato matrimonial? Como o fim principal desse contrato é a geração de filhos (pois foi, sobretudo, para isso que Deus instituiu o Casamento), devemos concluir que esse fim é condição essencial que tem de ser aceito por ambos os contraentes. Se algum deles a rejeitar excluindo-a da sua vontade e estando na resolução deliberada de defraudar o ato conju­gal no seu efeito próprio, o contrato matrimonial fica nulo por falta do con­sentimento devido.


Portanto, aquele noivo ou aquela noiva que vai para o Casamento com o propósito deliberado de não ter filhos, não dá aquele consentimento que Deus exige e a Igreja estabelece para esse ato grandioso, e por isso, não contrai Matrimônio Católico, Matrimônio Sacramento, porque Deus, que bem conhece a sua má intenção, não ratifica o contrato que é feito junto do altar. E assim, esses noivos, embora perante o público (estejam) catolicamente ca­sados, perante Deus e a sua consciência ficam a viver em mero concubinato, fora da Lei de Cristo e da Igreja.

Acautele-se, pois, o noivo, abra os olhos a tempo e evite escolher para companheira da sua vida a mulher frívola e egoísta, a inimiga dos filhos, que seria mais tarde fatalmente a ilusão de todas as suas esperanças.

Compreendeis agora bem, queridos ouvintes, quanta razão me assiste em aconselhar o noivo, a que procure saber ao certo, o que pensa a sua noiva acerca deste ponto importantíssimo da vida matrimonial. E se descobrir que ela pertence ao número das moças que têm repugnância e horror à Maternidade, fuja dela como de uma serpente, porque não lhe serve para esposa nem é digna de ser rainha do seu lar” (Mons. Ascânio Brandão, “O Matrimônio Católico”, Vol. II, Homilia 27ª, pp. 184-189, 2ª Edição, Porto, 1944).

Crime Gravíssimo

"Esta é também a única causa porque Deus desde o início instituiu o Matrimônio. Portan­to, é crime gravíssimo, quando pessoas casadas impedem a concepção ou pro­vocam aborto, por meio de medicamentos. Tal proceder equivale a uma ímpia cons­piração de homicidas (De fato, tal crime raramente se comete sem cúm­plices)” (Catecismo Romano, 2ª Parte, Cap. VIII – Do Sacramento do Matrimônio, § 13b, p. 332, traduzido do latim pelo Rev. Pe. Valdomiro Pires Martins, 2ª Edição, Ed. Vozes Ltda, Petrópolis – RJ, 1962).

Sois realmente Casados?

Fora da Igreja o Matrimônio, não somente, não é tratado como Sacramento, mas tem sido degradado a uma espécie de divertimento ou de uma farsa. A Igreja, porém, sustenta, di­ante do desprezo e da zombaria do mundo, a santidade do Matrimônio, tão energica­mente como nunca... Que contraste terrível com esta atitude divina da Igreja, se depara nestas macaquices nauseabundas de tanta gente moderna, que prestam mais atenção e empre­gam mais cui­dado, quando fazem uma transação para adquirir um automóvel, ou um terno novo, ou um cão favorito, do que quando procedem à escolha do companheiro ou da com­panheira para toda a vida. Que de admirar se mais tarde têm de pagar, bem caro, a sua fri­volidade e lou­cura. Deus não deixa zombar de Si, e a Natureza não permite ser escarneci­da...

Contraístes o Matrimônio. Mas, o fizestes de acordo com as leis da Igreja? Se não o fizeste, o vosso Casamento não é legítimo, é apenas uma relação pecaminosa com uma pessoa, que não é vossa cônjuge... Caso o vosso Matrimônio não seja legítimo, endireitai a vossa condição o quanto antes, contanto que seja possível. Por que prolongar sem necessidade, esse vosso afastamento de Deus? Por que amargurar a vida com o remorso da consciência? Por que correr perigo de perder a eterna salvação? O processo não é tão difícil nem tão incômodo como o imaginais. Encontrareis no vosso Bispo ou no vosso Vigário, discrição, simpatia e bonda­de. Nada pois, de hesitação, nada de adiamento! Procurai, imediatamente e sem perda de tempo, a paz para o vosso coração torturado e o bem-estar para a vossa alma imortal. Eis aqui, agora, o dia aceitável, eis aqui, agora, o dia da salvação (2 Cor. 6, 2)” (Rev. Pe. Fr. Fulgence Meyer, O.F.M., “Plain Talks on Marriage – Palavras Abertas sobre o Matrimônio”, p. 26.28.33, tra­duzido por F.B.K., 5ª Edição, Ed. Mensageiro da Fé Ltda, Bahia, 1962).

O quê fazer?

Usemos da seguinte regra: “Se o Matrimônio tiver sido contraído com impedimento di­rimente (que o anula), é neces­sário ou separar os cônjuges e declarar nulo tal Matri­mônio, ou re­nová-lo, depois de obtida a respectiva dispensa (com as Autoridades Eclesiásti­cas).

Se a nulidade do Matrimônio é conhecida publicamente, deve renovar-se o casa­mento na igreja, perante o Pároco e duas testemunhas; se não for pública, renova-se o consentimento em particular. E se apenas um dos esposos conhecer esta nulidade e recear que o outro aproveite esta circunstância para dissolver o Matrimônio, ou que se perturbe a felici­dade da família, o Papa pode então dispensar da renovação do consentimento e declarar válido o Matrimônio (é o que se chama a validação ou sanação in radice). Para se descobrirem mais fa­cilmente os impedimentos, procede-se na Paróquia ao exame dos noivos e publicam-se três vezes os banhos na igreja. Os noivos que ocultarem voluntariamente um impedi­mento, principalmente dirimente (que o anula), cometerão pecado mortal” (Rev. Pe. Francisco Spirago, “Catecismo Católico Popular”, 3ª Parte, Cap. As Fontes da Graça – Os Sa­cramentos, § Impedimentos do Matrimônio, p. 250, 4ª Edição, Lisboa, 1944).

A ignorância, ainda que não culpável,
dos impedimentos dirimentes,
não impede a invalidade do Matrimônio (cân. 16 § 1)”.

(Rev. Pe. Teodoro da Torre del Greco, O.F.M., “Teologia Moral, 
2ª Parte, Liv. 2º, Tratado VIII, Cap. IV, § I, p. 673, 1959).







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Fonte: Acessar o ensaio "Em Defesa do Sacramento do Matrimônio".

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