BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 16 de dezembro de 2012

Duas Formas Litúrgicas, Mas a Mesma Fé.


 ZP12121401 - 14-12-2012

Entrevista com o Pe. José Edilson de Lima, sacerdote da Adm. Apostólica São João Maria Vianney e Juiz auditor do Tribunal arquidiocesano do Rio de Janeiro

Por Thácio Siqueira

RIO DE JANEIRO, domingo, 14 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) – Em todos os domingos, às 9hs da manhã, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, na cidade do Rio de Janeiro, celebra-se a Santa Missa Prelatícia na Forma Extraordinária do Rito Romano.

Mas, o que é a Forma Extraordinária do Rito Romano? Tem aprovação do Papa? É de difícil compreensão e participação? Para responder a essa questão, ZENIT conversou com o Pe. José Edilson de Lima, sacerdote da Adm. Apostólica e Juiz auditor do Tribunal arquidiocesano do Rio de Janeiro.


ZENIT: Qual é a diferença entra a missa na forma extraordinária do rito romano e a missa na forma ordinária? Desde quando ela existe?

PE. JOSÉ:  A Missa na Forma Extraordinária é fruto de uma antiga tradição recolhida por São Gregório Magno (596-604) para uso em Roma, onda já fixa o cânon. Este cânon permaneceu o mesmo até o Beato João XXIII. Por ser a Liturgia da Igreja de Roma, generalizou-se em todo o Ocidente entre os anos 700 a 1500. Com Carlos Magno passa a ser usada no Império dos Francos e foi enriquecida no contato com as diversas liturgias galicanas e orientais. Com a crise na Igreja e no papado, o Missal, agora franco-germânico, volta para Roma e vai ser a base para a reforma gregoriana no século X. Os ritos foram simplificados para uso interno da Cúria em suas viagens e o Missal Romano passa a ser usado em toda parte. Os franciscanos o adotaram e acabaram por divulgá-lo em todo o Ocidente.

O Concílio de Trento, enfrentando a crise da Igreja na época e as investidas protestantes contra os dogmas eucarísticos, especialmente o valor da Santa Missa, da Eucaristia e do Sacerdócio,  ordenou a reforma do Missal e em 1570, com a Bula Quo primum tempore, o Papa São Pio V publicou o Missal Romano, tomando como base o Missal da Cúria e impondo-o como obrigatório em toda a Igreja Latina. Por isso o Missal na forma antiga é chamado erroneamente de São Pio V ou Tridentino. Na realidade é muito mais antigo.

Os Papas posteriores reeditaram o Missale Romanum realizando melhorias na formulação das rubricas, revisão de alguns textos e reformas no calendário. A última reforma das rubricas foi feita pelo Beato João XXIII através do Motu Próprio Rubricarum instructum em 25/07/1960. A última edição conforme as novas Rubricas é do ano 1962. É a chamada hoje pelo Papa Bento XVI Forma extraordinária do Rito Romano. O grande diferencial está na sua história, pois é fruto de uma evolução litúrgica homogênea, e na sua precisão teológica, principalmente no que diz respeito aos dogmas eucarísticos. Aparece mais o sentido do sagrado numa liturgia mais vertical. Pela precisão nas rubricas, está menos sujeita a alterações, o que dá uma certa garantia contra as inovações que podem ocorrer fruto de um mal conhecimento do verdadeiro sentido litúrgico.

ZENIT: O que é a admnistração apostólica São João Maria Vianney? Tem aprovação do Papa?

PE. JOSÉ:  A Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney é uma circunscrição eclesiástica, equiparada a uma Diocese, segundo os cânones 368 e 371 § 2, erigida canonicamente em 18 de janeiro de 2002, para atender a uma situação particularmente grave que existia na Diocese de Campos. Havia um Bispo e um grupo estável de sacerdotes e de religiosos, com várias comunidades estruturadas, obras sociais e de apostolado  e cerca de 30 mil fiéis organizados em torno da Santa Missa e disciplina litúrgica anterior ao Concílio Vaticano II. Formávamos uma União chamada São João Maria Vianney. Era uma situação incômoda para nós, pois sempre amamos a Santa Igreja e o Santo Padre, rezávamos por ele no Cânon da Missa e nunca nos consideramos outra Igreja, e sim Católicos romanos. Pedimos ao Santo Padre sermos reconhecidos como Católicos e podermos continuar com a Liturgia na forma antiga. Sua solicitude atendeu o nosso pedido e criou uma Administração Apostólica Pessoal.

Com o decreto da Congregação para os Bispos Animarum bonum, a União São João Maria Vianney foi transformada em Administração Apostólica Pessoal dentro dos limites da Diocese de Campos, tendo à frente um Administrador Apostólico que a governa em nome do Sumo Pontífice. Na verdade, são duas circunscrições eclesiásticas dentro do mesmo território, uma territorial, a Diocese de Campos com o seu Bispo próprio, e a Administração Apostólica Pessoal para os fiéis ligados à antiga forma do Rito Romano, hoje chamada Forma extraordinária. No mesmo território, duas formas litúrgicas, mas a mesma fé e a mesma submissão aos legítimos pastores da Igreja. A criação da Administração Apostólica acabou com uma divisão que havia em Campos e foi um fator de enriquecimento para a Igreja, não só em seus limites mas em todo o Brasil, mostrando que é possível conviverem as duas formas litúrgicas em perfeita harmonia, sem detrimento da unidade.

ZENIT - Que tipo de formação precisa o fiel que queira participar dessa missa?

PE. JOSÉ: Embora muitos que procuram a Santa Missa na forma extraordinária o façam devido a uma certa formação litúrgica, na verdade qualquer fiel bem disposto pode participar. Temos esta experiência em nossas inúmeras igrejas e paróquias. Pessoas muito simples, às vezes semi-analfabetas ou até crianças, acompanham e participam da Missa na Forma extraordinária sem problemas. Talvez se sinta alguma dificuldade no início, como poderia acontecer em qualquer rito desconhecido. No caso da Forma extraordinária, o rito é o mesmo.

É de muita utilidade o uso do Missal apropriado contendo os textos em latim e vernáculo. Caso não seja possível, que se tenha ao menos o texto do Ordinário da Missa para que o fiel possa acompanhar os diversos momentos da liturgia. Irá percebendo quando começam as orações ao pé do altar até o Glória e Coleta um caminhar em direção de Deus. Em seguida, Deus se volta para os assistentes com sua Palavra. Depois de professarmos nossa Fé, vamos mais uma vez ao Pai, oferecendo-nos ao Pai com a Vítima divina. São belíssimas as orações do ofertório e datam do século XIII. Deus recebe nossos dons e vem a nós, dando-nos agora o seu próprio Filho. Há, pois um duplo movimento, um ascendente e um descendente: nós vamos a Deus e Ele vem a nós. Isto fica bem claro a qualquer fiel, mesmo que não consiga compreender o teor de cada palavra dita em latim.

No Brasil, há muitas dioceses onde a Missa na forma extraordinária é celebrada e são muitas as pessoas que a procuram. Muitos procuram nossa Administração Apostólica para aprenderem a celebrar. Temos feito um encontro anual para reunir os sacerdotes ligados à Forma extraordinária, ajudando-os com formação teológica, espiritual e litúrgica. O grande fruto é não só um conhecimento maior da Forma antiga, mas uma melhor celebração, com mais respeito e dignidade da Forma ordinária em suas paróquias de origem, como deseja o Santo Padre.


 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Dogma da Imaculada Conceição de Maria, a Mãe de Deus. (Circunstâncias e Notícias)



Do Exílio de Gaeta

O ato mais memorável de Gaeta é a Encíclica do dia da Purificação, 2 de fevereiro de 1849, dirigida aos Patriarcas Primazes, Arcebispos e Bispos do Universo, para aceitarem a Tradição Universal tocante à crença da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

Nesta Encíclica, Pio IX afirma, que em toda a Cristandade se operou um movimento espontâneo em favor desta crença, de maneira que uma completa manifestação parece suficientemente preparada, não só pela Liturgia e pelas formais instâncias de numerosos Prelados, como pelos trabalhos dos mais sábios teólogos. E, acrescenta, que esta disposição geral corresponde perfeitamente às suas próprias ideias, e que no meio das horríveis calamidades da Igreja, seria grandemente consolador ajuntar mais um florão à coroa da Virgem poderosa, adquirindo mais um título para a sua especial proteção.

Nestas disposições, declarou mais, que instituiria uma Comissão de Cardeais para estudar a questão, convidando também todos os seus Veneráveis Irmãos no Episcopado, a darem a sua opinião, juntando suas orações às dele, para chamar as luzes do Divino Espírito.

Estas preocupações puramente teológicas, no momento que por assim dizer, lhe fugia a terra debaixo dos pés, acarretaram sobre o Pontífice os sarcasmos da sabedoria humana. Por algum tempo custou a compreender que um Papa é teólogo antes de ser rei, e como teólogo tem a certeza do dia seguinte; sendo, portanto, o solene procedimento de Pio IX uma triunfante resposta a todos os erros do espírito moderno. Com efeito, o Dogma da Imaculada Conceição esmaga e pulveriza todos os sistemas racionalistas, que não querem admitir na Natureza Humana nem Queda nem Redenção sobrenatural. Além disso, o modo como a promulgação se preparava, tendia a aproximar cada vez mais do centro comum todas as igrejas particulares. Logo que a impiedade compreendeu tudo isto, atacou furiosamente o que chamava “o novo dogma”, e tanto a heresia como a falsa filosofia deram a este respeito assaltos de inépcias e ignorâncias. Sem fazer caso destes vãos clamores, Pio IX prosseguiu serenamente na obra inspirada pelo Céu, obstinando-se em depositar sua confiança numa humilde Virgem, antes que nos sufrágios impersistentes dos povos, ou na força dos canhões.

“Temos a firme esperança, escrevia ele, que a Virgem que foi elevada pela grandeza de seu mérito acima de todos os coros dos Anjos até ao Trono de Deus,[1] a Virgem Cheia de Graça e suavidade, Aquela que tem sempre arrancado o Povo Cristão às ciladas do Inimigo..., se dignará com a imensa ternura, que é a natural efusão de seu Coração Maternal, compadecer-se de nós, conseguindo por sua altíssima e soberana proteção livrar-nos das cruéis angústias que sofremos... aplacando a cólera Divina que nos está ferindo, em razão de nossos pecados, apaziguando as terríveis tempestades que de toda a parte assaltam a Igreja, e que finalmente, a imensa dor de nossa alma se transformará em júbilo. Por que, sabeis perfeitamente, Veneráveis Irmãos, que o fundamento da nossa esperança é a Santíssima Virgem, por que é Nela, diz São Bernardo, que Deus concentrou a plenitude de todo o bem, de maneira que se temos alguma esperança, se obtemos algum favor, se há alguma salvação, saibamos que é Dela que nos vem... tal é a vontade Daquele, que quis, que tivéssemos tudo pela intercessão de Maria.[2]


Da Definição do Dogma

Devem lembrar-se que por uma Encíclica, datada de Gaeta, Pio IX tinha interrogado o Episcopado da Igreja Universal a respeito da crença na Imaculada Conceição. As respostas chegaram em número de seiscentas e três. Quinhentas e quarenta e seis pediam instantemente a Definição Doutrinal; e somente algumas, como por exemplo a de Monsenhor Sibour, Arcebispo de Paris, se mostrava hesitante no sentido da oportunidade; todavia, os sentimentos do Mundo Católico a tal respeito não eram duvidosos.

Nestas solenes circunstâncias, Pio IX chamou para seu lado todos os Bispos que pudessem ir à Roma, e ali se reuniram dois mil e noventa e dois de todos os países, à exceção da Rússia, onde o desconfiado despotismo do Imperador Nicolau se opôs à sua viagem.

Estes Prelados contribuíram para terminar o trabalho da Comissão encarregada de preparar a Bula; mas, no momento de assentar numa redação definitiva, consultaram se os Bispos assistiam como juízes, para pronunciar a definição simultaneamente com o Sucessor de São Pedro, devendo mencionar-se sua presença debaixo deste título, ou ser bastante para o julgamento supremo, a palavra do Soberano Pontífice.

A questão terminou repentinamente, como por inspiração do Espírito Divino.

Estava-se na última Sessão, conta Monsenhor Audisio, testemunha presencial, ao toque das badaladas do meio-dia, toda Assembleia ajoelhou para rezar o Angelus. Neste momento, e depois de cada um retomar seu lugar, apenas se tinha trocado algumas palavras, ouviu-se de golpe uma aclamação ao Santo Padre, um brado uníssono de adesão à primazia da Cadeira de São Pedro reboou no espaço, fechando o debate: Petre, doce nos; confirma frates tuos! Pedro, guia-Nos, confirma teus Irmãos. A luz que esses Pastores pediam ao Pastor Supremo, era a definição da Conceição Imaculada.

O dia 8 de dezembro de 1854 foi o grande dia, o dia triunfal que, segundo as formosas palavras de Monsenhor Dupanloup, “coroou as esperanças dos séculos passados, abençoou o século presente, atraiu para si o reconhecimento do futuro, legando-lhe uma lembrança imorredoura; o dia finalmente em que foi pronunciada a primeira definição de Fé, sem contestação, e que nenhuma heresia maculou. Roma inteira exultava. Uma imensa multidão de todos os países se apertava nas proximidades da ampla Basílica de São Pedro, demasiado pequena para acolher tanta gente. De repente, viu-se desfilar processionalmente os Bispos, por ordem de antiguidade e seguidos dos Cardeais. O Soberano Pontífice, no centro de um brilhante cortejo, fechava o préstito, enquanto que o canto das litanias dos Santos convidava a Corte Celestial a ajuntar-se à Igreja Militante, para honrar a Rainha dos Anjos e dos Homens. Sentado no Trono, Pio IX recebeu a obediência dos Cardeais e dos Bispos, e em seguida começou a Missa Pontifical.

Quando o Evangelho foi cantado em grego e em latim, o Cardeal Macchi, Decano do Sagrado Colégio, acompanhado dos Decanos, dos Arcebispos e Bispos presentes, de um Arcebispo do rito grego e de um Arcebispo Armênio, apresentou-se ao pé do Trono rogando à Sua Santidade, em nome de toda a Igreja, para que elevasse sua Voz Apostólica, pronunciando o Decreto Dogmático da Imaculada Conceição”. O Papa respondeu que alegremente acolhia este pedido, mas ainda uma vez, queria invocar o auxílio do Espírito Santo. Todas as vozes se uniram no cântico Veni Creator, e logo que este terminou, Sua Santidade de pé, e com aquela voz grave, sonora, e majestosa de que tantos milhares de fiéis conhecem a profunda magia, começou a leitura da Bula.

Em primeiro lugar estabelecia as razões teológicas da crença no privilégio de Maria; em seguida, evocava as Tradições Antigas e Universais, tanto no Oriente como no Ocidente,  o testemunho das Ordens Religiosas e dos Colégios de Teologia, dos Santos Padres e dos Concílios, e finalmente, os Atos Pontificais, tanto antigos como recentes.

Enquanto que o Papa expendia esses piedosos e magníficos Documentos, seu rosto denotava uma profunda comoção. Por muitas vezes teve de interromper-se. “Depois de, dizia ele, ter oferecido sem descanso, na oração e no jejum, nossas próprias orações e as orações públicas da Igreja a Deus, o Pai Eterno por seu Filho, a fim de que se dignasse dirigir e confirmar nossos pensamentos pela virtude do Espírito Santo; depois de ter invocado o auxílio de toda a Corte Celestial...; em honra da Santa e Indivisível Trindade, para glória da Virgem Mãe de Deus, pela exaltação da Fé Católica e aumento da Religião Cristã; por Autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e pela Nossa...”.

Neste ponto faltava-lhe a voz, parando para limpar as lágrimas.

Os assistentes, tão enternecidos como ele, mas mudos de respeito e admiração, escutavam no mais profundo silêncio. De repente, Pio IX continuou com voz forte, e elevando-a gradualmente numa espécie de entusiasmo:

“Nós declaramos, pronunciamos e definimos, que a doutrina que afirma que a Bem-aventurada Virgem Maria foi preservada e limpa de toda a mancha do Pecado Original, desde o primeiro instante de sua conceição, em vista dos merecimentos de Jesus Cristo, Salvador dos Homens, é uma doutrina revelada por Deus e por essa razão, todos os fiéis devem crer nela com firmeza e constância. Pelo que, se alguém tiver a presunção, o que Deus não permita, de admitir uma crença em contrário de Nossa definição, saiba que deslizou da Fé e se acha separado da Unidade da Igreja!...” .

O Cardeal Decano, prostrado segunda vez aos pés do Pontífice, suplicou-lhe então, que publicasse as Cartas Apostólicas contendo a Definição; e o Promotor da Fé, acompanhado dos Protonotários Apostólicos, pediu também que se lavrasse um Processo Verbal desse grande Ato. Ao mesmo tempo, o canhão de Santo Ângelo e todos os sinos da cidade eterna anunciavam a glorificação da Virgem Imaculada.

À noite, Roma, cheia de ruidosas e alegres orquestras, embandeirada, iluminada, coroada de inscrições e de transparentes emblemáticos foi imitada por milhares de vilas e cidades em toda a superfície do globo.

Se tentássemos contar todas as piedosas manifestações que então se deram, não só encheríamos volumes, mas bibliotecas.

As respostas dos Bispos ao Papa antes da definição foram publicadas em nove volumes; a Bula só por si, traduzida em todas as línguas e em todos os idiomas do universo, pelos cuidados de um sábio sulpiciano francês[3], encheu uma dezena; as Instruções Pastorais publicando e explicando a Bula, assim como os artigos religiosos formariam evidentemente muitas sentenças, sobretudo se lhe ajuntassem as poesias, os raptos de eloquência, e a descrição dos monumentos e dos festejos. Não esqueceria por certo notar as espontâneas e incomparáveis iluminações periódicas de Lyão, todas as vezes que o curso do ano tocou a meta do memorável dia 8 de dezembro.

A Virgem Imaculada recompensou visivelmente seu servidor,, estendendo sobre ele sua proteção de uma maneira quase miraculosa.

Passados alguns meses, em uma festa religiosa na igreja de Santa Inêz, próximo da Via Nomentana, achava-se o Pontífice sobre um tablado com algumas pessoas da sua corte, quando este abateu, arrastando na queda, da altura de quinze à vinte pés, todos os que ali se achavam. Este incidente podia ter sérias consequências; felizmente apenas se deram algumas contusões sem gravidade. Roma festejou estrepitosamente a preservação da vida de seu Soberano.

Vinte anos depois, a 12 de abril de 1875, reuniu-se ainda a Nobreza Romana para celebrar este aniversário, que era ao mesmo tempo o da chegada triunfal de Gaeta em 1852.

Em resposta aos protestos de dedicação que lhe foram lidos por tal motivo no Vaticano, Pio IX fez alusão aos meios empregados misteriosamente pela Providência. Disse ele: “A nossa queda em Santa Inêz pareceu-nos a princípio um desastre, aterrou-nos a todos extraordinariamente, mas no fundo, não teve outro resultado senão dar mais forte impulso aos trabalhos de solidez e aformoseamento da antiga Basílica. Agora sucederá o mesmo, acrescentou ele. Das ruínas morais que o Inferno acumula de todas as partes sobre nós e em redor de nós, a Igreja sairá rejuvenescida, mais vigorosa e mais bela do que nunca”.


_________________________

Fonte: J. M. Villefranche, Pio IX – Sua Vida, Sua História e Seu Século, Cap. VIII, pp. 133-135; Cap. X, pp. 153-157. Livraria Editora de Mattos Moreira & C.ª, Lisboa, 1877.

Esta Edição Portuguesa Prefaciada por Camillo Castello Branco, está com data de 1877, e cuja Casa Editora em tela, principiou a série da sua Biblioteca Religiosa.

Obs.: Esta portentosa obra foi escrita, quando o Beato Pio IX ainda vivia. Ouçamos o Autor: “Escrever a história de um homem enquanto vivo, é uma empresa delicadíssima senão impossível: todavia, neste caso, como se trata de Pio IX, a natural curiosidade e avidez do público custa-lhe a esperar pela posteridade” (Prefácio).

    
[1]   São Gregório, Papa, De Expositione in livros Regnum.

[2]   São Bernardo, In Nativit. B. Mariae.

[3]   M. o abade Sire.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Milhares de olhos voltados para a menina de Deus



ZP12121003 - 10-12-2012


Testemunho extraordinário de Gianna Jessen 
numa paróquia romana

Por Gaia Bottino

ROMA, segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) - Gianna Jessen é uma figura bem conhecida nas realidades dos movimentos em favor da vida, e no encontro em que ela foi protagonista no passado dia 4 de dezembro na paróquia Gran Mãe de Deus no Ponte Milvio, estavam presentes mais de mil pessoas, na maioria jovens, desejosos de escutar a história desta pequena mulher com olhos iluminados de uma alegria fora do normal, de como conseguiu transformar a sua vida numa obra prima.

Gianna Jessen tornou-se o símbolo do movimento pro-vida nos Estados Unidos. A sua história pessoal, que inspirou o filme October Baby, tem o sabor de milagre: há 35 anos, nasceu Gianna viva em uma clínica de aborto ligada à associação Planned Parenthood; sua mãe, então 17 anos de idade e no sétimo mês de gravidez, tinha sido aconselhada para abortar por meio do aborto salino que consiste na injeção no útero de uma solução salina que corroe o feto e o leva à morte em 24 horas.

Apesar dos planos humanos, Gianna vê a luz como decidido pelos projetos da Providência: a técnica do aborto salino não funcionou com o bebê e nasceu viva depois de 18 horas, ainda que a falta de oxigênio dentro do útero tenha provocado nela uma paralisia cerebral e muscular. No entanto Gianna aprendeu a caminhar com tutores aos três anos, aos vinte anos conseguiu caminhar sem tutor até correr no 2006 na maratona de Nova York para sensibilizar a opinião pública sobre o tema do aborto.

Gianna perdoou a sua mãe por ter tentado abortá-la: a sua dor se transformou em esperança, a sua raiva em desejo de realizar uma missão que está se revelando a vocação da sua vida: obter a igualdade de direitos do nascituro, bem como para a mulher que o concebeu.

"Se o aborto é uma questão de direitos da mulher, onde estavam os meus? - Perguntou Gianna com voz firme diante dos milhares presentes no Ponte Milvio -. Não existe nenhuma feminista que protesta porque os meus direitos foram violados e a vida foi sufocada em nome dos direitos das mulheres?".

O único propósito de Gianna que se chama "a criança de Deus" é o de fazer sorrir o Criador: “Odiaram-me desde a concepção. Mas tenho sido amada por muitas outras pessoas e especialmente por Deus. Sou a sua menina. Eu não posso estar neste mundo sem dar todo o meu coração, a minha mente, a minha alma e a minha força para Cristo que me deu a vida”.

A Beata Madre Teresa de Calcutá, disse isso sobre o testemunho de Gianna Jessen: “Deus está usando Gianna para lembrar ao mundo que cada ser humano é precioso para Ele. É bonito ver a força do amor de Jesus derramado em seu coração. A minha oração por Gianna, e por todos aqueles que a escutam, é que a mensagem do amor de Deus coloque fim ao aborto com o poder do amor”.

Gianna mostra a sua fé através de suas palavras e ações: deu provas de como Deus pode manifestar-se através das obras de um ser humano; a tarefa mais elevada à qual um indivíduo pode aspirar.

(Trad.TS)

http://www.zenit.org/article-31936?l=portuguese




Gianna. Abortada... e Viva para Contar Sobre Isso.





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