BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

SODOMIA – PEDERASTIA – HOMOSSEXUALISMO - O PECADO CONTRA A NATUREZA É O COMPÊNDIO UNIVERSAL DE TODAS AS IMPUREZAS. 7ª PARTE.


7ª Parte


A Possibilidade e a

Conveniência da Castidade1


Tudo posso naquEle que me conforta”

(São Paulo aos Filip., 4, 13).


Como é bela e esplendorosa a geração casta!

… Ela triunfa perpetuamente coroada”

(Sabedoria 4, 1-2).


Almas, flores murchas; almas perturbadas; almas inocentes. O instinto santificado. Naquelas páginas tão simples e tão belas, tão elegantes e tão doces do Peril des sens,2 – páginas tão embaladoras, que nos parece, ao lê-las, ouvir ruflar asas de Anjos e sentir a suavidade acariciante de brisas frescas, cheias de aromas do Céu –, encontro uma nomenclatura de almas simpáticas, – algumas que por sinal subiram de muito baixo, do fundo de abismos negros e tumultuantes – ouro que andou enterrado em escórias – e provam exuberantemente que o exercício da castidade é possível em todos os estados, a todos os indivíduos e a todas as classes.

Há as almas aviltadas, flores murchas, a quem o mundo cospe os baldões do seu desprezo… e diante de quem se roja, numa incoerência e num cinismo revoltantes, a reclamar prazer…

Chegar um dia em que essas tristes almas – astros apagados no lodo – se desgostam entranhadamente de si mesmas, e, pouco a pouco, se sentem conquistadas pela beleza dominadora e irresistível de Deus.

Correm, então, pressurosas, como fez a Madalena, – almas resgatadas, carnes redimidas – e lançam-se aos pés do Redentor, banhando-os de lágrimas, ungindo-os de beijos e de perfumes, enxugando-os com os cabelos, – a oferecer humildemente a homenagem de um coração despedaçado pelo arrependimento, cheio da fidelidade garantida por muita desilusão, por muito desengano…

E permanecem, transformadas e fortes, não se afastando jamais da Cruz, – verdadeira âncora salvadora no mar proceloso em que eram náufragas.

Há outras almas, perturbadas pela sedução, pelo artifício do pecado. Sentem o atrativo estonteante do vício; e, sem se deixarem cair, são o ludíbrio constante das inquietações horrorosas, que o delírio da imaginação e dos sentidos produz. Suspensas entre Deus e o mal, são almas hesitantes.

Imitam constantemente a Pedro: juram agora fidelidade; e, logo, negam a Cristo, abraçando o partido dos seus inimigos… que são os inimigos da alma.

Mas, como Pedro, rapidamente encontram o olhar doloroso do Mártir divino; e, confundidas, horrorizadas na consideração do crime que andavam a cometer e das vergonhosas preferências a que desciam, acolhem-se ao terno abrigo dos braços da Misericórdia – sempre abertos ao Pródigo desenganado – e encontram delícias íntimas, – que são divinos reconfortantes – em partilharem dos Seus martírios: tentações diabólicas, solitárias agonias, injustiças, ingratidões, irrisões, desprezos, desamparos, privações horríveis: maceradas sempre de ultrajes e angústias; mas nesta via de amarguras, por vezes incomportáveis, erguem sempre o olhar para o alto, para a Cruz – única esperança firme que lhes resta, entre tantas ilusões desfeitas.

Finalmente, há almas felizes entre todas as almas, perfumadas e douradas sempre pelo brilho da inocência, consumidas constantemente pelo desejo de Deus, sem jamais ansiarem por outro objeto, que não seja o Amabilíssimo Senhor, que por elas foi crucificado.

Procuram vivamente corresponder-lhe, servindo-O em perpétuo holocausto de sacrifícios, consagrando-lhe todas as suas afeições, todas as suas energias, todas as faculdades e sentidos, sem restrição alguma.

São almas de fogo e como o fogo, subindo sempre, sem jamais se inclinarem para a terra.



São Luís de Gonzaga


Levantam-se clamores altivos, acusando a Igreja de impor uma legislação despótica contra o próprio direito natural, colocando aos ombros da humanidade um peso insuportável.

É a voz dos que deformam o ensino da Igreja, não distinguindo entre Conselhos e Preceitos de Cristo.

A Igreja não condena, jamais condenou o apetite natural, de que o sensualismo é a alteração e o abuso.

A Igreja não desconhece nenhuma das legítimas reclamações da fisiologia humana.

Para a Igreja, o instinto sexual torna-se mau, quando obedece como escravo as indisciplinadas tendências. Torna-se bom, quando se faz dele uso legítimo. E por uso legítimo a Igreja entende o que é regulado pelo Autor da Natureza e pela Razão com que o mesmo Autor nos dotou.

A Igreja eleva a função do instinto sexual a uma alta dignidade, santificando-a até. Reconhece no poder procriador uma honra e uma prerrogativa sagrada, visto que o homem é, por meio de tal poder, associado à Paternidade de Deus, tomando ativa parte nos desígnios da Providência sobre os destinos da espécie.



Santo Estanislau Kostka

A Castidade é possível e é útil. E, de inteira harmonia com a ciência imparcial e austera, a Igreja afirma a possibilidade e alta conveniência da Castidade, – a virtude sublime que enobrece e angeliza as criaturas.

A afirmação contrária é um preconceito anticientífico, irreverente e blasfemo.

Não venham dizer, clama Gibergues, que a castidade é contra a natureza.

Também a obediência, a paciência, a caridade, a dedicação, o trabalho, a solidariedade, e a fraternidade, – todas estas admiráveis virtudes são contrárias à natureza, contrárias ao egoísmo de cada um. Mas são belas, convenientes e necessárias.

Utilizam aos outros e a nós próprios.

Combatem os gérmens viciosos e os princípios de morte, que existem entranhados na pobre natureza humana, e desenvolvem todas as aspirações nobres e generosas.

Assim a Castidade.



São João Berchmans

Só os surdos e os cegos voluntários negam a possibilidade da Continência. A ciência afirma tão peremptoriamente a possibilidade da virtude da castidade, que o sr. Dr. Georges Surbled sustenta que só “os surdos e os cegos voluntários” ousam negá-la.

Se abrirmos o seu magnífico, precioso livro La vie de Jeune homme, veremos, documentalmente provado, que só “os espíritos fortes” estão ainda agarrados às velhas ideias, às banalidades antigas, às calúnias e aos sofismas de um materialismo que passou de moda.

O sr. Dr. Cardia Pires, que foi Guarda-Mor de saúde, em Leixões, publicou, ainda não há muito, na revista do Porto A Medicina Moderna, muitos e bem fundamentados artigos, sustentando, calorosamente, a possibilidade da continência e as suas vantagens incalculáveis; mostrando que “há preceitos higiênicos que favorecem o domínio de nós mesmos na esfera genital” e que “o domínio da sensualidade é uma consequência lógica e necessária da educação da vontade”.

O Lente da Universidade de Coimbra Dr. Daniel de Matos, muitas vezes, na sua própria cátedra, preconizou a possibilidade, a conveniência e a necessidade da castidade.

O sr. Dr. Luís Antunes Serra disse, ainda há pouco, em Coimbra, diante de mestres e condiscípulos da Universidade, em uma conferência importante sobre o assunto: “A medicina não contradiz a verdade cristã; confirma-a até em nome dos clínicos”. E acrescentou… “posso afirmar-vos que não se lê em parte alguma da literatura médica, autenticamente científica, absolutamente nada que vá de encontro à castidade.

Os tratamentos e manuais médicos são, em geral, mudos neste ponto… Se algum diz alguma coisa, é para deitar asneira de pôr os ossos de Charcot em pé.

É o que acontece com o nosso professor Júlio de Matos...”

E referindo-se a um trabalho do sr. Egas Moniz sobre a vida sexual, esclareceu: “Seguiu este professor a sua época, caracterizada pelo ódio gratuito ao Catolicismo, ódio disfarçado com o nome de ciência, mais nada”.

E afirmou categoricamente: “A castidade é a mais sábia medida da higiene moral, social e médica e principalmente terapêutica”.

E concluiu que todo o homem, para cumprir a sua missão social, deve guardar a castidade própria do seu estado e nunca contra as leis da fisiologia humana”.


      Santo Antônio de Pádua

O Celibato. Em algumas nacionalidades, por exemplo na Holanda, as professoras de instrução primária são obrigadas ao celibato. E, ainda agora, o Conselho Municipal de Londres decidiu que as médicas não sejam admitidas nos hospitais de Inglaterra, desde que venham a contrair Matrimônio.3

E ninguém se escandalize, pois um sábio e ilustre Médico diz, que é necessário, não pode ser nem impossível nem perigoso. E ao mesmo tempo afirma que os males da incontinência são conhecidos e incontestados, mas que os resultantes da castidade são imaginários, são inventados.4

E Fonsagrives confirma, escrevendo que “as estatísticas despidas de toda a prevenção deixam ver que a continência voluntária, em vez de ser perigosa, é antes a origem de grande vigor físico e de grande energia moral”.

O celibato digno, íntegro é, portanto, fecundo em abnegações, em benefícios sociais de toda a ordem.

O Dr. Pedro Filipe Nery Pinto, na sua obra “O Casamento e o Celibato”, escreve a seguinte página muito interessante: “A frutificação das plantas, entre as herbáceas, é sinal da morte próxima e completa.

A frutificação dos vegetais vivazes causa-lhes a morte parcial. Se se promove, mediante bons adubos, a frutificação de plantas bisanuais durante o primeiro ano da sua existência, elas morrem no mesmo ano. Pelo contrário, a reseda de cheiro (minhonete) torna-se lenhosa e vivaz, se lhe cortam as flores antes da formação do grão. Os insetos vivem mais tempo, quando lhes seja embaraçada a união sexual; e muitos, como as borboletas másculas, morrem às vezes logo depois de executado o ato da procriação. O início das funções reprodutoras nos invertebrados, é o prenúncio da sua morte, ao passo que, os vertebrados, em que ela é mais tardia, vivem mais tempo. Nos animais e nos mesmos vegetais vemos, portanto, um – por assim dizer – estado celibatário conveniente para o prolongamento da vida, sem contudo, deixar de haver a reprodução da espécie em geral, para o que não é necessário que todos os seres exerçam as funções da geração.

Pelos dados que a Biologia nos oferece, vemos que a ausência do ato reprodutor parece prolongar a vida nos vegetais e nos animais, e o seu exercício encurtá-la. Como não deve suceder o mesmo com o homem, que pertence a um desses reinos, e havendo em ambos eles identidade de condições? Assim como o homem, apesar do natural instinto de conservação, sacrifica a vida a bem dos seus semelhantes, tornando-se imortal pelo seu heroísmo, até pelo martírio, igualmente pode vencer o instinto da propagação que também não é despótico, nem pode ter mais império que o outro”.

E prova assim, magnificamente, que o celibato não prejudica a vida do indivíduo.



São Luís Maria Grignion de Monfort

Opinião sem argumento sério – Opinião falsa e perniciosa. O Dr. Dir. Leonel Beabe, professor no Colégio Real de Londres, ensina: “Aqueles que sustentam que, nos casos em que o Matrimônio se torna impossível por causas diversas, é indispensável, por motivos fisiológicos, substituí-lo por outras uniões, esses não baseiam a sua opinião sobre nenhum argumento sério.

Nunca se repetirá de mais que a abstinência e a pureza mais absolutas são perfeitamente compatíveis com as leis fisiológicas e morais, e que a satisfação dos desejos sexuais não se justifica mais pela fisiologia e pela psicologia do que pela moral e pela religião”5

O célebre Dr. Toulouse deseja que os jovens sejam bem educados na ideia de que podem permanecer castos sem perigo. E afirma que é falso e pernicioso dizer-lhes que a função sexual deve ser exercida, sob pretexto de que todos os órgãos têm um destino fisiológico.

E o Dr. Georges H. Napheys, no seu livro La transmission de la vie, calorosamente, energicamente condena as teorias que pretendem fazer derivar qualquer mal de um celibato castamente observado. Considera-as das mais perniciosas doutrinas, sustentadas para servir o mal e para fomentar a pior forma do vício.

Júlio Payot, nA Educação da Vontade, incisivamente chama a essas teorias “pretensos axiomas, que servem para legitimar o triunfo da besta humana sobre a vontade racional”. São palavras textuais da obra de Payot, traduzida pelo sr. Jaime Cortezão.

O mesmo autor diz que os chamados perigos da continência são apenas problemáticos, e que a Igreja tem razão em ver na castidade a garantia suprema da energia da vontade, energia que por sua vez garante ao Padre a possibilidade de todos os outros sacrifícios. Este depoimento é muito interessante e de valor qualificado, por vir de quem vem. Júlio Payot, não é católico, nem o sr. Jaime Cortezão, seu tradutor. São dele ainda estas preciosas considerações:

– “Quando, só em Paris, há dois hospitais para as doenças dessa origem, quando cada ano o número de pessoas atingidas de amolecimento da medula espinhal e de ataxia locomotriz, em consequência de excessos, vai aumentando, é pelo menos irrisório ver o autor de um enorme livro de 1.500 páginas, em 8º, sobre higiene, proclamar que a continência definha a saúde”.

E houve em Portugal um professor que afirmou isso…6

Mas, continuemos a ouvir Payot:

Não é evidente que o prazer venéreo é ruinoso, e que, ao contrário, a continência dá ao organismo, à inteligência, um vigor, uma plenitude de energia admiráveis?

Ou será que o meio de triunfar dos nossos apetites consista em lhes ceder sempre? Não sabem, até mesmo os principiantes em psicologia, que o caráter essencial dos apetites, quaisquer que sejam, é uma espécie de insaciabilidade, que se exaspera tanto mais, quanto mais facilmente se lhes cede?

Curiosa maneira de reprimir a audácia do inimigo, essa de bater em retirada apenas ele aparece!

É principalmente dar provas de uma grande ignorância do eu, esperar dominar os apetites sexuais por meio de concessões.

Aqui, ceder não é apaziguar, mas exasperar”.7



Santa Maria Madalena

Não há uma só doença produzida pela castidade, diz Paulo Good e Mantegazza. E, energicamente, o Dr. Paulo Good lança um repto audacioso aos contraditores desta doutrina salutar:

Desafio-vos a que me encontreis, em toda a história da medicina, entre todos os povos, uma só doença, – ouvi bem! – uma só, que possa ser causada por uma vida continente, uma vida casta.

Os que dizem o contrário fazem pornografia médica, mas são indignos do nome de servidores da ciência”.

O Dr. Paulo Mantegazza, insuspeito de preocupações religiosas, diz que todos os homens e particularmente os rapazes podem fazer experiência dos benefícios imediatos da castidade. A memória é pronta e fiel, o pensamento vivo é fértil, a vontade enérgica, o caráter toma uma firmeza de que os libertinos não têm ideia alguma. Nenhum prisma nos mostra tudo o que nos rodeia sob cores tão celestes como o da castidade, que ilumina com seus raios os menores objetos do Universo e nos transporta às alegrias mais puras de uma felicidade constante, sem sombra e sem decadência.

E também garante que nunca viu uma só doença produzida unicamente pela castidade.

A castidade não prejudica o corpo nem a alma. A sua disciplina é preferível a todas as outras”, afirma também o Doutor Sir James Paget.



Santa Teresinha do Menino Jesus

A melhor salvaguarda dos jovens é a castidade. O Dr. Emílio Perier, o célebre fisiologista Dr. Krafft Ebing, o Dr. Acton e Oesterlen, higienista de fama universal proclamam, com sua reconhecida autoridade indiscutível, que a melhor salvaguarda física, moral e intelectual dos jovens é a integral observância da castidade.

O Dr. Oesterlen, com outros médicos afamados que cita, quer que se vulgarize entre a mocidade, a afirmação científica de que todo o rapaz auferirá da continência uma saúde florescente.

O Dr. Gramacho, lente da Faculdade de Medicina, do Porto, – casado, pai de bastantes filhos, faleceu há pouco, tendo mais de noventa anos. Perguntando-lhe alguém o segredo da sua longevidade e saúde constante, o venerando Professor de Medicina referiu ter sido moderado sempre no comer e beber, e também escrupuloso, austero observante da virtude da castidade, em qualquer estado da sua vida.

O Dr. Neisser, professor em Breslau, afirmando que é urgente levantar o nível moral da população, categoricamente propõe a todos que, por qualquer título, são encarregados da instrução e educação da juventude, mostrem a possibilidade da continência. E concluiu por estas palavras textuais:

Esta científica reação em favor da sã higiene e da velha moral é salutar e preciosa”.

O Dr. Augusto Forel e o próprio Krafft Ebing subscrevem a mesma opinião, sendo esta, aliás, a de todos os clínicos sérios, comenta o prestigioso autor dos Sofismas da Mocidade.

Leão Tolstoi, na primeira página do seu livro Amor e Liberdade, deixou dito: “O homem, casado ou solteiro, deve ser sempre, em todas as ocasiões, o mais casto possível, e não considerar a união sexual como um gozo. Creio que nenhum homem sério e sincero pode pensar de outro modo”.

Barbier, Baudrillart, Agostinho Gemelli, e quantos outros, consagrados apóstolos da ciência e mestres consumados, – todos quantos não sacrificam a preconceitos sectários a verdade científica, proclamam a possibilidade, a conveniência e a necessidade manifesta da castidade.



Santa Maria Goretti

Mozart e Vítor Hugo – Duas cartas. A necessidade da continência é evidente em todas as idades; mas impõe-se particularmente aos jovens, desde o início da puberdade ao casamento. É verdadeira garantia de uma união sã e fecunda; é simultaneamente a honra dos esposos e a condição da boa harmonia. É sobretudo, o meio de assegurar o desenvolvimento completo do organismo e de fazer atingir, sem dificuldades, a idade adulta, diz o citado autor de “La vie de Jeune homme”.

E, entre provas científicas e históricas, apresenta duas cartas de dois homens notabilíssimos, cartas que devem ser motivo de confusão e de vergonha para muitos.

Mozart, diz, chegou aos 26 anos sem violar a continência e pôde escrever a seu pai esta carta, que é uma honra:

A natureza fala em mim tão alto como em todos os outros… no entanto, torna-se-me impossível regular a minha conduta pela de muitos rapazes do meu tempo. Por um lado, tenho o espírito muito sinceramente religioso… para me resolver a enganar alguma inocente criatura. Por outro lado, a minha saúde me é bastante preciosa para que a arrisque num comércio equívoco. Assim, posso jurar diante de Deus que, até hoje, não tenho a censurar-me nenhuma queda”.

Vítor Hugo também escrevia à sua noiva, em vésperas do casamento, esta carta em que palpita o sentimento puro, encantador:

É o desejo de me tornar digno de ti, que me torna severo para com os meus defeitos.

Tudo te devo, e apraz-me repeti-lo.

Se eu mesmo me tenho preservado, constantemente, dos defeitos tão generalizados entre os meus contemporâneos e que o mundo tão facilmente desculpa, não é porque as ocasiões me tenham faltado, mas é porque a tua recordação me tem protegido continuamente.

Graças a ti, tenho conservados intactos os únicos bens que hoje posso oferecer-te: um corpo puro e um coração virgem”.

A Faculdade de Medicina de Cristiânia. A Faculdade de Medicina da Universidade de Cristiânia declara:

A asserção, proferida recentemente por muitas pessoas e reproduzida nos jornais e nas assembleias públicas, de que uma vida de pureza e moralidade seria prejudicial à saúde, não repousa, segundo as nossas experiências, unanimemente averiguadas, sobre nenhum fundamento”.



Santa Prisca, 
Proto-Mártir da Igreja de Roma.

A Conferência Internacional de Bruxelas. A Conferência Internacional de Bruxelas, por unanimidade de mais de 300 votantes, declarou:

Nunca tivemos conhecimento de qualquer prejuízo que, para a saúde resultasse de uma vida absolutamente pura e absolutamente moral. É preciso sobretudo ensinar à juventude masculina que não só a castidade e a continência não são nocivas, mas ainda que essas virtudes são das mais recomendáveis, sob o ponto de vista puramente médico e higiênico”.8

O Dr. Good citando isto, nomeia vários sábios da Alemanha, Bélgica, Brasil, Bulgária, Chile, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão, Noruega, Países Baixos, Portugal, Romênia, Rússia e Suíça, que subscrevem a mesma opinião.

Dr. Serras e Silva. O sr. Dr. Serras e Silva, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, ilustradíssimo escritor, uma figura marcante, uma glória inconfundível, – para documentar a afirmativa de que a castidade é possível, altamente conveniente ao indivíduo, à família e à sociedade, baseia a sua argumentação em dados de ciência, – “não a dos sábios improvisados, mas a dos verdadeiros sábios e conscienciosos observadores”, diz S. Exª., e afirma: “Não é portanto, em nome da higiene, nem com os sufrágios da ciência, que se pretende sustentar a tese da castidade absurda e fisiologicamente impossível. Defenda-se, por motivos de sensualidade e de prazer, essa tese dissolvente, porque a ciência não a pode sustentar”.9

D. Antônio Forjaz. E o mesmo ensinou, em duas conferências notabilíssimas em Lisboa, o Lente da Universidade da Capital, sr. D. Antônio Pereira Forjaz, dizendo:

Newton – a mais elevada produção do espírito humano – no conceito de Lagrange, diante do qual não há direito a ser-se invejoso, como dizia Voltaire, – Newton, irritável, orgulhoso, de forma alguma, cristão modelar, morreu alheio a qualquer impureza.

Podia citar-vos trechos numerosos, colhidos no estudo da correspondência particular dos homens célebres de todos os séculos, por exemplo, na dos insuspeitos d’Alembert e Lagrange, para vos mostrar como o simples grau de cultura é suficiente para anular, às vezes, as solicitações da carne.

Muitos conhecerão o que se passou com um filósofo virtuoso da Grécia – Xenócrates – da escola de Platão.

Laís, prodígio de formosura, que calcara aos pés Aristippes e Diógenes, que desprezara Demóstenes e deslumbrara a dissoluta Corinto, aceitou a aposta de fazer abalar a virtude filosófica de Xenócrates. Recorre aos mais ardilosos expedientes e é, friamente, altivamente derrotada.

Aquela, cuja fascinadora beleza mereceu à exigente Grécia um sepulcro faustoso, nos campos da Thessália e um monumento na voluptuosa Corinto, fora vencida, com simplicidade e firmeza, por qualquer coisa de mais forte e de maior: a virtude”.

Xenócrates, entre os filósofos pagãos; Víctor Hugo, entre os homens de letras; Newton, entre os cientistas antigos; Edson, entre os intelectuais de superior engenho; Mozart, entre os artistas, provam exuberantemente a possibilidade da continência, afirmo e concluo com o prestigioso autor citado:

Se tais figuras puderam resistir às solicitações da carne, como não considerar a tarefa mais leve, o combate menos rude, quando se tenha o Evangelho nas mãos e o crucifixo diante dos olhos…?10



Madre Mariana de Jesus Torres

O segredo da possibilidade da continência. A ciência dizendo hoje o que S. Agostinho dissera já no princípio do IV século. E aqui está, finalmente, o segredo da possibilidade da continência, – a mais elevada, a mais perfeita mesmo.

A pureza, é uma doce realidade – viva e reconfortante, porque o Sangue do Calvário purificou as almas e elevou-as, dando aos homens uma energia nova, energia prodigiosa, porque é sobrenatural, porque é divina.

Como disse um escritor, um dia: “César, talvez só com dificuldade encontrasse cem virgens em toda a vastidão do Império; se vivesse hoje, encontrá-las-ia aos milhares me toda a redondeza da terra, onde reina o Sacrossanto lábaro da Cruz, o símbolo da Religião Augusta do Divino Crucificado”.11

A Igreja, ao fixar o esplendoroso cortejo dos seus filhos, que desveladamente cultivam a flor branca e mimosa da Pureza, pode cantar, em arroubos de entusiasmo, a saudação do livro da Sabedoria: Ó quam pulchra est casta generatio cum claritate…

– “Oh! Como é bela a geração dos castos, no esplendor da virtude! Imortal é a sua memória, porque é conhecida de Deus e dos homens. Quando ela está presente imitam-na; depois de perdida, deixa saudades; triunfa na eternidade, coroada com o prêmio dos seus combates sem mácula”.12

Uma blasfêmia. E os que, numa estólida soberba, em um orgulho obstinado, proclamam legítimas as reclamações desordenadas da natureza decaída, implicitamente consideram a Deus um monstro perverso, um tirano odioso, que oprime e tortura as suas criaturas, comprazendo-se no martírio delas, sarcasticamente, porque lhes impõe Mandamentos impossíveis de cumprir. Considerar assim a Deus Nosso Senhor um tal carrasco, é uma irreverência inaudita, é uma blasfêmia sem nome.

Por isso, o Concílio de Trento fulminou de anátema, a quem disser que os Preceitos de Deus são impossíveis de guardar, mesmo ao homem justificado e com o auxílio da Graça.

Os servos maus continuamente vão repetindo o non serviam, que é o brado sacrílego de Lúcifer; mas, em um amplexo admirável, surpreendente e majestoso, em uma perfeita harmonia empolgante com a Religião, a Ciência e as Letras proclamam a grandeza e a bondade de Deus para conosco, – afirmando hoje, pela alta palavra dos seus mais eminentes representantes, a verdade que Santo Agostinho, – o Grande Doutor da Igreja – enunciou há tantos séculos, isto é: que “Deus jamais ordena coisa alguma que não seja para o maior bem daqueles a quem transmite as suas ordens”.13



Ordem Carmelitana:
Jardim de Açucenas e de Lírios.

A Lei e a Graça. É certo que alguns esmorecem, desanimam, na consideração das forças próprias, – mesquinhas e falazes.

Mas o Santo Doutor explica ainda: “a lei foi dada para pedirmos a graça, e a graça nos é concedida para podermos observar a lei”. De modo que podemos concluir com S. Paulino: “Deus não impõe Mandamentos senão para nos conceder a graça de nos recompensar”.

A recompensa. A intuição de Deus. E, no sopé da montanha sobranceira ao Lago de Tiberíades, erguendo o olhar para o alto – para Jesus que fala à multidão, envolvido em aromas e em brisas suaves, escutamos atentamente a doçura meiga, infinita da voz divina:

Bem-aventurados os puros, os castos, porque verão a Deus.

Ah! Ver, gozar a intuição do resplendor da Luz Eterna de Deus! Mergulhar-se a alma naquelas torrentes de delícias inefáveis, – inebriada eternamente, absolutamente!…

É a promessa consoladora e bendita de Jesus, – a Verdade que jamais falta.

E o condicionamento da ventura suprema, – a eterna felicidade de ver a Deus – é a pureza, a castidade.

As almas sublimadas no exercício desta virtude incomparável, serão como lírios frescos, brancos, rescendentes, transplantados para o Céu.

E muitíssimas, – as que aparecerem “sem mácula diante do trono de Deus” seguirão por toda a parte o Cordeiro, cantando um hino tão suave e estranho – um cântico novo –14, de harmonia tão embaladora e alta, que as outras almas eleitas não poderão acompanhar, nem compreender.


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1.  Rev. Pe. Silva Gonçalves, “Lutas do Espírito e da Carne”, Cap. I, pp. 57-81. Depositários Raúl Guimarães & Gualdino Correia, “Casa do Globo”, Braga/Portugal, 1926.

2.  A. M. Rouillon – Le Peril des sens, pág. 18.

3.  Nota do Compilador: Provavelmente nos dias atuais, essas Normas e Realidades não estejam mais em vigor.

4.  Celibat et mariage – Georges Surbled.

5.  Citado na “Higiene e Moral” do Dr. Paulo Good, p. 108.

6.  Foi o sr. Dr. Egas Moniz que, à mercê dos preconceitos da época, apostolizou incoerências impróprias de um verdadeiro homem de ciência, dando origem a muitas abjeções e torpezas inomináveis.

7.  Júlio Payot. – “A Educação da Vontade”, p. 121.

8.  Citadas estas declarações nos livros dos ilustres Médicos Georges Surbled – La vie de Jeune homme, e Paulo Good – Higiene e Moral, e em alguns outros por mim consultados.

9.  O Catolicismo e a Higiene, p. 27; 1922.

10.  Sofismas da Mocidade.

11.  Coleção “Ciência e Religião” – vol. XXXI, p. 65.

12.  Livro da Sabedoria IV, 1, 2.

13.  Apud Spirago, Catecismo Católico Popular, na 1ª pág. da 2ª Parte, na “versão feita sobre a tradução francesa do Padre N. Delsor, por Artur Bivar, Doutor em Filosofia pela Universidade Gregoriana.

14.  Apocalipse – XIV.


terça-feira, 17 de agosto de 2021

SODOMIA – PEDERASTIA – HOMOSSEXUALISMO - O PECADO CONTRA A NATUREZA É O COMPÊNDIO UNIVERSAL DE TODAS AS IMPUREZAS. 6ª PARTE.


6ª Parte


Sobre o Mal Intrínseco1

(Rom., 3, 8)


Destes é Justa a Condenação:Porque [dirá o ímpio] se a verdade de Deus, pela minha mentira, cresceu para glória Sua, por que sou eu assim julgado como pecador? E por que é que [como dizem caluniosamente de nós, e como alguns afirmam que nós dizemos] não havemos de fazer o mal para que venham bens? Destes é justa a condenação”.2

Comentário: “O Apóstolo mostra quanto é absurdo afirmar que os pecados, pelo fato de fazerem brilhar a Justiça de Deus, deixam de merecer castigo”.3

E o Apóstolo São Paulo continua a ensinar mais claramente: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a Graça? Deus nos livre. Porque, se nós ficamos mortos para o pecado, como viveremos ainda n'Ele… Porque, se nós [pelo Batismo] nos tornamos uma mesma planta com Ele [com Cristo], à semelhança da Sua Morte, sê-lo-emos também à semelhança da Sua Ressurreição, sabendo nós que o nosso homem velho foi crucificado, juntamente, com Ele, a fim de que seja destruído o corpo do pecado, para que não sirvamos jamais ao pecado”.4

Comentário: “Se nós, depois do Batismo, ficamos mortos para o pecado, rejeitando todas as suas obras, não será absurdo pretender continuar sob a sua tirania?

O Batismo, relativamente ao pecado, é, misticamente falando, uma cerimônia fúnebre. Põe-nos no túmulo com Cristo [o que é significado pela imersão na água], a fim de ressuscitarmos em seguida para viver uma vida nova.

Pelo Batismo como que nos tornamos uma mesma planta com Jesus morrendo por nós. Por isso, se somos participantes da Sua Morte, morrendo espiritualmente para o pecado, teremos também parte na Sua Ressurreição, ressuscitando espiritualmente para uma vida nova de virtude”.5

Ainda mais claro fala São Paulo: “Pois que? Pecaremos, porque não estamos sob a Lei, mas sob a Graça? Deus tal não nos permita. Não sabeis que, se vos entregais a alguém como escravos para [lhe] obedecer, ficais escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça?”6

Comentário: “Quem, voluntariamente, se entrega como escravo a um senhor, tem de o servir, não podendo servir outro, quer esse senhor seja o pecado, que leva para a morte, quer seja a obediência a Deus, que leva para a justificação”.7

São Pedro vem em auxílio de São Paulo, ensinando que: “Tendo pois, Cristo sofrido [por nós] na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; aquele que sofreu na carne, deixou de pecar, para viver durante o tempo que lhe resta [passar] na carne, não segundo as paixões do homem, mas segundo a vontade de Deus”.8

Comentário: “Os cristãos, que outrora imitaram os pagãos, não devem voltar aos mesmos vícios”.9

Conclui São Paulo, dizendo: “Não reine, pois, o pecado no vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas concupiscências. E não entregueis ao pecado os vossos membros, quais armas de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus, como vivos, depois de ter estado mortos [pelo pecado], e os vossos membros a Deus, como armas de justiça. Porque o pecado não vos dominará; pois já não estais sob a lei, mas sob a graça… Mas agora, que estais livres do pecado e feitos servos de Deus, tendes por vosso fruto a santificação, e por fim a vida eterna. Porque o estipêndio [o salário] do pecado é a morte. Mas a graça de Deus é a vida eterna em Nosso Senhor Jesus Cristo”.10

Por isso, a Igreja Católica sempre afirmou que: “É por toda forma ilícito e condenado por todo o direito, fazer um mal certo e maior, com pleno conhecimento, só porque há esperança de um pequeno bem que daí resulte”.11

São Luís Maria Grignion de Montfort, “o maior apóstolo do Rosário nos tempos modernos”, segundo o Breviário Romano, deixou escrito que: “Não procureis cruzes propositadamente ou por vossa culpa; não se deve fazer o mal para que dele resulte um bem;12 não se deve, sem inspiração especial,13 fazer as coisas de maneira má, para atrair sobre si mesmo o desprezo dos homens. É antes preciso, imitar Jesus Cristo, de quem se disse [que], fez bem todas as coisas,14 não por amor-próprio ou por vaidade, mas para agradar a Deus e conquistar a alma do próximo”.15

O Papa São João Paulo II, exercendo o Seu munus de ensinar, através do Magistério Ordinário, confirma os seus irmãos na fé,16 expondo a Doutrina sobre o Mal Intrínseco dizendo:

A moralidade do ato humano depende primária e fundamentalmente do objeto razoavelmente escolhido pela vontade deliberada, como prova também a profunda análise, ainda hoje válida, de São Tomás.17 Para poder identificar o objeto de um ato que o especifica moralmente, ocorre, pois, colocar-se na perspectiva da pessoa que age. De fato, o objeto do ato da vontade é um comportamento livremente escolhido. Enquanto conforme a ordem da razão, ele é causa da bondade da vontade, aperfeiçoa-nos moralmente e dispõe-nos a reconhecer o nosso fim último no bem perfeito, o amor original. Portanto, não se pode considerar como objeto de um determinado ato moral, um processo ou um acontecimento de ordem meramente física, a avaliar enquanto provoca um determinado estado de coisas no mundo exterior. Aquele é o fim próximo de uma escolha deliberada, que determina o ato do querer da pessoa que age. Neste sentido, como ensina o Catecismo da Igreja Católica, ‘há comportamentos concretos pelos quais é sempre errado optar, porque tal opção inclui uma desordem da vontade, isto é, um mal moral’.18 ‘De fato, é frequente – escreve o Aquinates – que alguém aja com reta intenção mas inutilmente, porque lhe falta a boa vontade: como no caso de alguém que roubasse para alimentar um pobre, a intenção é certamente boa, mas falta a devida retidão da vontade. Consequentemente, nenhum mal, mesmo realizado com reta intenção, pode ser desculpado: Como aqueles que dizem: Façamos o mal, para vir o bem. Desses, é justa a condenação’19.20

A razão pela qual não basta a reta intenção, mas ocorre também a reta escolha das obras, está no fato de que o ato humano depende do seu objeto, quer dizer, se este é ou não ordenável a Deus, aquEle que ‘só é Bom’, realizando assim a perfeição da pessoa. Portanto, o ato é bom, se o seu objeto é conforme ao bem da pessoa, no respeito dos bens moralmente significativos para ela. Assim, a ética cristã, que privilegia a atenção ao objeto moral, não recusa considerar a ‘teologia’ interior do agir, enquanto visa promover o verdadeiro bem da pessoa, mas reconhece que este só é realmente procurado quando se respeitam os elementos essenciais da natureza humana. O ato humano, bom segundo o seu objeto, é também ordenável ao fim último. O mesmo ato alcança, depois, a sua perfeição última e decisiva, quando a vontade o ordena efetivamente para Deus mediante a Caridade. Neste sentido, ensina o Patrono dos Moralistas e dos Confessores: ‘Não basta fazer boas obras, é preciso fazê-las bem. Para que as nossas obras sejam boas e perfeitas, é necessário fazê-las com o mero fim de agradar a Deus’.21



O Mal Intrínseco: Não é lícito praticar o mal para se conseguir o bem.22

Deve-se, portanto, rejeitar a tese, própria das teorias teleológicas e proporcionalistas, de que seria impossível qualificar como moralmente má segundo a sua espécie – o seu ‘objeto’ –, a escolha deliberada de alguns comportamentos ou atos determinados, prescindindo da intenção com que a escolha é feita ou da totalidade das consequências previsíveis daquele ato para todas as pessoas interessadas.

O elemento primário e decisivo para o juízo moral é o objeto do ato humano, o qual decide sobre a sua ordenabilidade ao bem e ao fim último, que é Deus. Esta ordenabilidade é identificada pela razão no mesmo ser do homem, considerado na sua verdade integral, e portanto, nas suas inclinações naturais, nos seus dinamismos e nas suas finalidades que têm sempre também uma dimensão espiritual: são exatamente estes os conteúdos da lei natural, e consequentemente o conjunto ordenado dos ‘bens para a pessoa’ que se põem a serviço do ‘bem da pessoa’, daquele bem que é ela mesma e a sua perfeição. São estes os bens tutelados pelos Mandamentos, os quais, segundo São Tomás, contêm toda a Lei Natural.23

Ora, a razão atesta que há objetos do ato humano, que se configuram como ‘não ordenáveis’ a Deus, porque contradizem radicalmente o bem da pessoa, feita à Sua Imagem. São os atos que, na Tradição Moral da Igreja, foram denominados ‘intrinsecamente maus’ (intrinsece malum): são-nos sempre e por isso mesmos, ou seja, pelo próprio objeto, independentemente das posteriores intenções de quem age e das circunstâncias. Por isso, sem querer minimamente negar o influxo que têm as circunstâncias e sobretudo as intenções sobre a moralidade, a Igreja ensina que ‘existem atos que, por si, e, em si mesmos, independentemente das circunstâncias, são sempre gravemente ilícitos, por motivo do seu objeto’.24

Deve-se evitar que os fiéis sejam induzidos a pensar diferentemente, como se agora, após o Concílio, fossem permitidos alguns comportamentos que, antes, a Igreja tinha declarado intrinsecamente maus. Quem não vê que resultaria daí um deplorável relativismo moral, que facilmente poderia colocar em discussão todo o Patrimônio da Doutrina da Igreja?’.25

O mesmo Concílio Vaticano II, no quadro do devido respeito pela pessoa humana, oferece uma ampla exemplificação de tais atos: ‘Tudo quanto se opõe à vida, como seja toda espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana, como as mutilações, os tormentos corporais e mentais e as tentativas para violentar as próprias consciências; tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, as prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e jovens; e também as condições degradantes de trabalho, em que os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis. Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador’.26

Sobre os atos intrinsecamente maus, e referindo-se às práticas contraceptivas [pílula anticoncepcional, preservativos, etc.] pelas quais o ato conjugal se torna intencionalmente infecundo, Paulo VI ensina: ‘Na verdade, se, por vezes, é lícito tolerar um mal menor, com o fim de evitar um mal mais grave ou de promover um bem maior, não é lícito, nem mesmo por gravíssimas razões, praticar o mal para se conseguir o bem,27 ou seja, fazer objeto de um ato positivo de vontade o que é intrinsecamente desordenado e, portanto, indigno da pessoa humana, mesmo com o intuito de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares ou sociais’.28



Ao ensinar a existência de atos intrinsecamente maus, a Igreja cinge-se à Doutrina da Sagrada Escritura. O Apóstolo São Paulo afirma categoricamente: ‘Não vos enganeis: nem os imorais, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os maldizentes, nem os que se dão à embriaguez, nem os salteadores possuirão o Reino de Deus’.29

Se os atos são intrinsecamente maus, uma intenção boa ou circunstâncias particulares podem atenuar a sua malícia, mas não suprimi-la: são atos ‘irremediavelmente maus’, que por si e em si mesmos não são ordenáveis a Deus e ao bem da pessoa: ‘Quanto aos atos que , por si mesmos, são pecados [cum iam opera ipsa peccata sunt] – escreve S. Agostinho – como o furto, a fornicação, a blasfêmia ou outros atos semelhantes, quem ousaria afirmar que, realizando-os por boas razões [causis bonis], já não seriam pecados ou, conclusão ainda mais absurda, que seriam pecados justificados?’30

Por isso, as circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ honesto ou defensível como opção.

De resto, a intenção é boa quando visa o verdadeiro bem da pessoa na perspectiva do seu fim último. Mas os atos, cujo objeto é ‘não ordenável’ a Deus e ‘indigno da pessoa humana’, opõem-se sempre e em qualquer caso a este bem. Neste sentido, o respeito das normas que proíbem tais atos e que obrigam ‘semper et pro semper’, ou seja, sem nenhuma exceção, não só não limita a boa intenção, mas constitui mesmo a sua expressão fundamental.

A Doutrina do objeto como fonte da moralidade constitui uma explicitação autêntica da moral bíblica da Aliança e dos Mandamentos, da Caridade e das Virtudes. A qualidade moral do agir humano depende desta fidelidade aos Mandamentos, expressão de obediência e amor. É por isso – repetimo-lo – que se deve rejeitar como errônea a opinião que considera impossível qualificar moralmente como má segundo a sua espécie, a opção deliberada de alguns comportamentos ou de certos atos, prescindindo da intenção com que a escolha é feita, ou da totalidade das consequências previsíveis daquele ato, para todas as pessoas interessadas. Sem esta determinação racional da moralidade do agir humano, seria impossível afirmar uma ‘ordem moral objetiva’31 e estabelecer qualquer norma determinada, do ponto de vista do conteúdo, que obrigasse sem exceção; e isto reverteria em dano da fraternidade humana e da verdade sobre o bem, e em prejuízo também da Comunhão Eclesial.

Como se vê, na questão da moralidade dos atos humanos, e particularmente na da existência dos atos intrinsecamente maus, concentra-se, de certo modo, a própria questão do homem, da sua verdade e das consequências morais que daí derivam. Ao reconhecer e ensinar a existência do Mal Intrínseco em determinados atos humanos, a Igreja permanece fiel à verdade integral do homem, e, portanto, respeita-o e promove-o na sua dignidade e vocação. Consequentemente, Ela deve recusar as teorias expostas acima, que estão em contraste com esta Verdade”.32




________________________

1.  Bíblia Sagrada, traduzida da Vulgata e anotada pelo Pe. Matos Soares. 13ª Edição, Edições Paulinas, São Paulo/SP, 1961.

2.  Rom., 3, 7-8.

3.  Rev. Pe. Matos Soares.

4.  Rom., 6, 1-6.

5.  Rev. Pe. Matos Soares.

6.  Rom., 6, 15.

7.  Rev. Pe. Matos Soares.

8.  I Ped., 4, 1-2.

9.  Rev. Pe. Matos Soares.

10.  Rom., 6, 12-23.

11.  S.S. Gregório XVI, Carta Encíclica “Mirari vos”, de 15-08-1832.

12.  Rom., 3, 8.

13.  Cfr., I Rs., 21, 10-15; 22, 1.

14.  Marc. 7, 37.

15.  “Carta Circular aos Amigos da Cruz”.

16.  Luc., 22, 31-32.

17.  Cfr. Summa Theologiae, I-II, q. 18, a. 6.

18.  n. 1761.

19.  Rom., 3, 8.

20.  In duo praecepta caritatis et in decem legis praecepta. Dei dilectione Dei Opuscula Theologica, II, n. 1168, Ed. Taurinens, (1954), 250.

21.  S. Afonso Maria de Ligório, “A Prática do Amor a Jesus Cristo”, VII, 3.

22.  Rom., 3, 8.

23.  Cfr. Summa Theologiae, I-II, q. 100, a. 1.

24.  Exort. Apost. pós-sinodal “Reconciliatio et Paenitentia”, [2/12/1984], 17: A.A.S. 77 [1985], 221.

25.  Cfr. Beato Paulo VI, “Alocução aos Membros da Congregação do Santíssimo Redentor”, [Setembro de 1976]: A.A.S. 59 [1967], 962.

26.  Const, Pastoral “Gaudium et Spes”, 27.

27.  São João Paulo II, Carta Encíclica, “Veritatis Splendor”, IV - O Ato Moral, n. 80, p. 839, Coleção Documentos da Igreja – Encíclicas de João Paulo II, T. 4. Editora Paulus, São Paulo/SP, 1997.

28.  Carta Encíclica “Humanae Vitae”, [25/7/1968], 14: A.A.S. 60 [1968] 490-491.

29.  I Cor., 6, 9-10.

30.  “Contra Mendacium”, VII, 18: PL 40, 528; cfr. S. Tomás de Aquino, “Quaestiones quodlibetales”, IX, q. 7, a. 2; Catecismo da Igreja Católica, nn. 1753-1755.

31.  Conc. Ecum. Vat. II, Declaração sobre a Liberdade Religiosa, “Dignitatis Humanae”, 7.

32.  São João Paulo II, Carta Encíclica “Veritatis Splendor”, Cap. IV, nn. 78-83, de 6/8/1993. Cfr. Documentos da Igreja – Encíclicas de João Paulo II, Paulus, 1997.


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