BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 24 de julho de 2012

A Igreja pode se negar a celebrar um Matrimônio?


Há alguns dias foi noticiado que um pároco de Niterói, RJ, não aceitou celebrar o matrimônio de um casal, pois julgou haver um impedimento dirimente; isto é, algo que tornaria o matrimônio nulo. Algumas pessoas até se revoltaram e julgaram que a Igreja Católica foi cruel com o casal; mas não se trata disso.
 

Vamos esclarecer a questão, sem entrar no mérito da questão do caso de Niterói.

Muitos casamentos são declarados nulos pelos Tribunais eclesiásticos porque pode ter havido faltas que tornam nulo o sacramento; sem valor. Essas falhas são muitas; por exemplo: falta de capacidade para consentir (cânon 1095), se um dos cônjuges não tem juízo perfeito e não tem condições mentais de assumir as obrigações do matrimônio; Ignorância (cânon 1096) sobre a vida sexual no casamento; emprego da simulação para enganar o cônjuge (cânon 1101); uso da violência ou medo para conseguir o consentimento do outro (cânon 1103); condição não cumprida (cânon 1102); falta de idade mínima (cânon 1083); impotência permanente para o ato sexual (cânon 1084); o fato da pessoa já ser casada (cânon 1085); se o cônjuge é um padre ou uma irmã consagrada (cânon 1087 e 1088); rapto do cônjuge (cânon 1089); crime cometido para se casar com alguém (cânon 1090); cônjuges parentes (pai e filha; avo e neta, irmãos, etc.) (cânon 1091); parentesco legal por adoção (cânon 1094).

Nesses casos e em outros o casamento seria inválido; então, o pároco se souber do impedimento antes do casamento, não pode realizá-lo.

Um dos impedimentos que o Código de Direito Canônico coloca para a validade de um matrimônio, é a impotência para o ato sexual, permanente e irreversível, atestada por um médico.

Diz o Código de Direito Canônico: Cân. 1084 – §1. A impotência para copular, antecedente e perpétua, absoluta ou relativa, por parte do homem ou da mulher, dirime o matrimônio por sua própria natureza.§2. Se o impedimento de impotência for duvidoso, por dúvida quer de direito quer de fato, não se deve impedir o matrimônio nem, permanecendo a dúvida, declará-lo nulo.§3. A esterilidade não proíbe nem dirime o matrimônio, salva a prescrição do cânon 1098.

É bom notar que a esterilidade não é causa de nulidade. O que torna nulo o matrimônio é a impossibilidade definitiva do ato sexual por problema físico ou de outra natureza. Por que isso?

Porque uma das finalidades do matrimônio é gerar os filhos; e esses só podem ser gerados – no entendimento da moral católica – por meio do ato sexual. É este ato próprio do casal que “consuma” o matrimônio; sem ele o sacramento não será completo; é por isso que o casal que não pode copular não pode receber o matrimônio, pois ele seria nulo.

É bom dizer que esta norma da Igreja é antiquíssima, vem desde o Código anterior, e está vinculada à natureza do matrimônio.

Portanto, não se trata de uma maldade da Igreja; mas apenas uma coerência com o sacramento do matrimônio cuja finalidade principal é gerar os filhos. Se um casal recebesse o matrimônio com o propósito de nunca ter filhos, este matrimônio seria nulo. É por isso que o sacerdote pergunta aos noivos no altar: “Estais dispostos a receber os filhos que Deus lhes enviar, e educá-los na fé do Cristo e da Igreja?” A resposta deve ser “sim” para o matrimônio ser válido. A Igreja ensina que os casais precisam estar abertos aos filhos, pois isto é inerente ao sacramento do matrimônio; os filhos são o maior dom do matrimônio, ensina o Catecismo da Igreja. Um matrimônio sem filhos, exceto o caso de infertilidade, é como uma colméia sem abelhas.

“A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais” (CIC, 2373; GS, 50,2).

E conclui dizendo que: “os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais” (CIC, 2378).

Para o casal que se ama, mas não pode copular por problemas de saúde definitivos, e que por isso não podem receber o matrimônio, há a possibilidade de viverem juntos como irmãos, ajudando-se mutuamente.

Professor Felipe Aquino



Conferir, também, o ensaio "Em Defesa do Sacramento do Matrimônio", no link "Meus Documentos - Lista de Livros".

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Freud e a Cocaína


Dezembro 2, 2011


Publicado em Uncategorized às 12:28 pm por FBMV

Por Elisabeth M. Thornton¹

Artigo publicado na Revista Le Cep (41 rue Patenôtre. Bât. 5, RAMBOUILLET 1010 – France.  site: http://le-cep.org/ ), revista interessante sob vários aspectos, mas que contêm também  artigos que merecem alguma reserva.

O centenário do nascimento de Freud, em 1956 tornou conhecido a uma nova geração o ensinamento do médico psicanalista vienense, que então estava meio esquecido.

O interesse foi suscitado por uma campanha de conferências, emissões de rádio e artigos de jornal, todos feitos por amigos pessoais de Freud ou psicanalistas de renome.

As teorias psicanalistas foram apresentadas como fatos tão bem estabelecidos, que se tratou Freud como um gênio comparável a Copérnico, Newton ou Einstein. Sobretudo, Ernest Jones, amigo íntimo e discípulo de Freud, publicou os primeiros volumes da biografia de seu mestre.

Assim, foram vulgarizados os trabalhos do célebre médico, em particular sua hipótese central segundo a qual a repressão sexual seria a causa primeira da neurose e de todas as doenças mentais.

Desde os anos sessenta, viu-se constituir um grupo de universitários e escritores que pleiteavam a modificação urgente dos comportamentos sociais relativos à moral sexual, “afim de evitar a destruição da civilização”, como disse Alex Comfort. The Observer, de Londres, reclamou a criação de uma cátedra na Universidade para que se estudasse o inconsciente. E apesar de que Freud tenha qualificado a religião de “neurose obsessional universal” (uma de suas numerosas expressões contraditórias), clérigos “atualizados” apoiaram teses freudianas com entusiasmo.  Veio então Marcuse, que fez um amálgama das teorias de Karl Marx e de Sigmund Freud.


Houve até intelectuais que reclamaram a incorporação do marxismo e do freudismo na doutrina da Igreja!

Hoje, mais de quarenta anos nos separam desses dias de exaltação e a sociedade permissiva engendrada por este retorno do freudismo fracassou. Os anos noventa viram emergir uma sociedade sem alegria, acabrunhada pelos problemas que a revolução sexual deixou na sua passagem. Não seria, portanto, bem-vinda a aceitação, sem reservas, das teorias do médico vienense: a “terra prometida”, liberada da neurose e das doenças mentais se revelou como um deserto rochoso.

Ora, olhando o passado, parece que muitos dos recentes partidários das teorias psicanalíticas não leram jamais, os livros de Freud com a caneta à mão para anotações.

Se o tivessem feito, teriam descoberto que o autor não apoiava, com provas, nenhuma de suas ideias. No máximo ele prometia que, em obras posteriores, mostraria as tão esperadas provas decisivas. Mas esses textos anunciados não foram jamais redigidos.


Quando Freud citava suas primeiras obras, como contendo a justificação de suas teorias, devemos crer que ele, ou tinha lapsos de memória, ou que ele assumiu o risco calculado, achando que ninguém se daria ao trabalho de verificar suas asserções.

Neste último caso, é preciso reconhecer que o jogo valia a pena! As obras de juventude de Freud estão cheias de contradições, de círculos viciosos, no meio dos quais pleiteia pelas suas ideias sem as justificar.  Assim, por exemplo, no mais famoso dos casos dos anais da psicanálise, o caso de “Ana O.”, caso contado pela lenda como sendo a cura psicanalítica primordial, que lançou Freud no caminho que ele deveria seguir durante toda a vida.


Só depois de muitos anos é que a inconsistência da história de Ana O. foi descoberta. Primeiramente, Jung (que se tinha separado de Freud), num seminário em Zurique, em 1925, declarou que “quanto a este caso famoso de um sucesso terapêutico brilhante, nada disto ocorreu (…) Na verdade, não houve nenhuma cura da maneira como Freud apresentava”. Depois disto, em 1953, na biografia de seu mestre, Ernest Jones revelou o verdadeiro nome da doente. Não era uma desconhecida, ao contrário, tinha se tornado célebre como pioneira da ajuda social, oradora do movimento feminista e autora de diversas obras, sobretudo de sociologia.

Quando o eminente historiador H.F. Ellenberger veio a Viena para trabalhar em seu livro sobre a psicanálise, pôde recolher numerosos elementos biográficos dela. Os dados fornecidos pelo estado civil levaram-no finalmente a descobrir, nos subterrâneos de um sanatório suíço, o relatório médico e a correspondência relativa ao caso de Ana O. Tudo estava esquecido ali há mais de 80 anos. Os documentos mostraram que a doente tinha sido curada não por um tratamento “catártico”, e que Freud tinha consciência do fato. Também se constatou que a doente não sofria de neurose, mas de histeria.

Os sintomas diagnosticados não podiam ser de origem psíquica, mas resultavam pura e simplesmente de uma deficiência orgânica do cérebro.


A publicação da correspondência de Sigmund Freud com Wilhelm Fliess²  foi um outro golpe, este mortal, na reputação do inventor da psicanálise.

Estas cartas cobrem o período de 1892-1900, durante o qual Freud voltou as costas à medicina clássica, que ele tinha até então praticado, afim de estabelecer as bases teóricas da psicanálise. Trata-se de um apanhado de interesse inestimável sobre esses anos críticos. E, no entanto, há décadas que a família de Freud recusava a consulta destas cartas a historiadores e pesquisadores. Portanto, uma auréola de mistério rodeava estas famosas cartas. Como a pressão dos curiosos se tornou insuportável, a família autorizou enfim sua publicação completa. Da leitura destas cartas se depreende uma estranha história.

Wilhelm Fliess era um otorrinolaringologista berlinense. Tinha ficado amigo de Freud em 1892, ano onde ele veio várias vezes a Viena, por causa de seu noivado e, depois, de seu casamento com uma herdeira vienense, Ida Bondy. Tempos depois os dois homens se encontraram várias vezes por ano para realizar o que eles chamaram “congressos científicos”. Entre dois “congressos”, trocava numerosas correspondências. Estas correspondências passaram por muitas vicissitudes,em particular Freudtentou destruí-las, quando as viu reaparecer, logo depois da morte de Fliess (1858-1928).


Nos anos oitenta, Freud tinha usado várias vezes a cocaína, recentemente descoberta, mas de maneira esporádica e por via oral. As cartas enviadas a Fliess provam que Freud usou cocaína em 1892, e desta vez por via nasal, o que é muito mais perigoso, e usou-a regularmente.

Fliess tinha experimentado a cocaína sobre as vias respiratórias dos seus doentes. Servia-se dela como anestesia local e percebia seus efeitos sobre os sintomas de seus pacientes. Elaborou a partir daí uma teoria audaciosa: a cocaína podia aliviar as dores dos órgãos genitais e também as dores de cabeça, em particular a enxaqueca. Partindo destes fatos, postulou que estas doenças não passavam de “neuroses nasais reflexas” e que o remédio principal era a aplicação de cocaína no nariz. Fliess e Freud sofriam de enxaqueca, e se constata na correspondência entre os dois que, desde o final de 1892, ambos trataram os seus ataques de enxaqueca através de aplicações repetidas de cocaína no nariz.

A “neurose nasal reflexa” não existia somente na imaginação de Fliess. Muitos tratados de otorrinolaringologia da época mencionavam esta hipótese. Tinha acabado de se descobrir o funcionamento reflexo do sistema nervoso, e a caça aos reflexos  era uma moda na medicina, a tal ponto que um observador podia ironicamente escrever que se tinha presumivelmente descoberto e descrito mais reflexos novos do que o corpo humano podia comportar de nervos e músculos!

Na realidade, Fliess cometera o erro colossal de se enganar sobre as propriedades da cocaína. Com efeito, quando a droga é aplicada sobre as mucosas, ela penetra rapidamente no sistema sanguíneo através da membrana. No caso do nariz, a droga afeta o cérebro em poucos segundos. O que os dois homens supunham que era de natureza local e reflexa, era em realidade o efeito de  uma droga que agia poderosamente sobre células nervosas muito sensíveis.

Ora,a cocaína tem outros efeitos. Ela é altamente vaso-constringente, ou seja, ela provoca o estreitamento dos vasos sanguíneos vizinhos ao seu ponto de aplicação. Entretanto, quando o efeito desaparece, os vasos se dilatam rapidamente e um afluxo de sangue se produz.

Como a enxaqueca é causada pela inflamação dos vasos sanguíneos na zona cerebral, uma primeira aplicação de cocaína causava um alívio inicial. Mas a dor volta mais forte quando a droga deixa de agir e a dilatação se repete. É preciso então mais cocaína para aliviar a dor, formando-se assim um círculo vicioso.

Mais ainda, as inflamações nasais eram consideradas, nesta época, como uma causa de todo um processo (ao invés de serem consideradas como um efeito secundário do tratamento), e assim novas doses de cocaína eram logo aplicadas.

Tendo a cocaína atacado as mucosas, logo sintomas patológicos graves apareceram nos dois homens, como necroses e úlceras. Mas eles viram nisto uma confirmação a mais de sua teoria do reflexo nasal, e continuaram o tratamento com cocaína…

E assim, durante anos, durante os quais elaborava suas principais teses, Freud estava sob o efeito de uma droga altamente tóxica que afetava seletivamente o cérebro; a correspondência com Fliess mostra isso de modo evidente, inegável. E este fato basta para explicar muitos outros: as excentricidades de Freud nos anos 1880 (que Jones desculpava como sendo pecadinhos inofensivos de um homem de gênio), as alterações de humor que iam do orgulho exaltado até a depressão profunda, seguidos de períodos de hiperatividade (interpretada por Ernest Jones como o sinal de uma “neurose criativa”), seus misteriosos sintomas cardíacos que o atormentaram nos meados desta década, os vazios de memória inexplicáveis, as contradições e inconsistências nas suas obras que tanto perturbam seus tradutores e editores. Todos estes sintomas são efeitos específicos da cocaína.

Quando Freud recusou tão bruscamente a moralidade comum de seu tempo, para adotar a causa da liberdade sexual, ou quando ele denunciou o mal suscitado pela repressão da agressividade, estes comportamentos podem ser explicados pela influência da cocaína.

Hoje em dia é raro utilizar somente a cocaína pura e concentrada. Mas a literatura do século XIX registra epidemias de vício de cocaína que se espalharam muito nos Estados Unidos durante os anos 1880-1890, quando se considerava a cocaína uma droga  benéfica, sem perigos. Quem quiser emitir um julgamento a respeito das teorias de Freud deve considerar dois efeitos desta droga.

O primeiro é o estímulo inicial das funções sexuais, como aconteceu com o próprio Freud. No entanto, o uso repetido da cocaína leva à redução da atividade sexual, redução esta que pode ir até à cessação completa. também neste ponto, Freud nos dá o exemplo típico de um viciado inveterado. E assim, o pan-sexualismo que infesta suas teorias é uma consequência previsível de sua dependência à cocaína.

O segundo efeito, mais importante, é o de um aumento da agressividade, que se traduziu no final do século XIX por uma elevação notável das taxas de homicídio, até que a venda livre da cocaína foi proibida. Então se pode compreender melhor porque Freud defendeu não somente a liberdade sexual, mais ainda a não repressão das tendências agressivas.


Esta história deveria servir de lição àqueles que recusam o ensinamento da Igreja em nome das “descobertas da ciência moderna” de Sigmund Freud. As verdades eternas saídas da boca de Jesus Cristo triunfarão sempre sobre as pretensas sabedorias na moda, por mais que elas pareçam sedutoras e convincentes à primeira vista.

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¹ – E. M.. Thorntoné autora de Freud and Cocaina – The Freudian Fallacy (Blond and Briggs Limited, Dataday House, Alexandra Road London Sw 19 75 Z).

² – Freud, Sigmund, Lettres a Wilhelm Fliess, Paris, PUF, 2006.




domingo, 15 de julho de 2012

A Mentira que Traiu a Fé dos Brasileiros



ABORTO NO BRASIL 

– Pronunciamento da Comissão em Defesa da Vida 

do Regional Sul 1 da CNBB

Por   /   12 de julho de 2012



GOVERNO DILMA FALTA COM A PALAVRA E PROMOVE O ABORTO(Texto aprovado na reunião extraordinária de 23/06/2012, POR Dom José Benedito Simão)No dia 16 de outubro de 2010, a então candidata a Presidente da República, Dilma Rousseff, assinou uma carta de compromisso na qual afirmava:
 
“Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto. Eleita Presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família”. 
 
Em 4 de outubro de 2010, o Diário Oficial da União publicava a prorrogação, até fevereiro de 2011, do termo de cooperação Nº 137/2009, assinado alguns dias antes pelo governo Lula, criando no Ministério da Saúde um grupo de “estudo e pesquisa para despenalizar o aborto no Brasil e fortalecer o SUS”.

Se a Presidente Dilma fosse coerente com o que escreveu na carta de 16 de outubro, logo eleita, acabaria com este grupo de estudo e pesquisa. Mas não foi isto que ela fez.

Um novo termo de cooperação Nº 217/2010 foi publicado no Diário Oficial do dia 23/12/10 para criar um “grupo de estudo e pesquisa para estudar o aborto no Brasil e fortalecer o SUS”. Do nome do grupo foi retirado o termo “despenalizar”, mas os demais nomes e detalhes são os mesmos. Este novo termo de cooperação foi prorrogado através de nova publicação no Diário Oficial de 22/12/11 e novamente prorrogado com publicação no Diário Oficial de 09/01/12 para vigorar até 30/08/12.

Em fevereiro deste ano, a Presidente Dilma designou a socióloga Eleonora Menicucci para Ministra da Secretaria de Políticas das Mulheres. A nova Ministra, que também integra o grupo de estudo sobre o aborto, fez apologia do mesmo, relatou ter-se submetido pessoalmente duas vezes a esta prática e afirmou que levaria para o governo sua militância pelos “direitos sexuais e reprodutivos das mulheres” (Folha de São Paulo, 07-02-2012) expressão eufemística para abrir espaço ao direito ao aborto. Ela também declarou ter participado na Colômbia de um curso de autocapacitação para que pessoas não médicas pudessem praticar o aborto pela técnica da aspiração manual intra-uterina (Estado de São Paulo, 13-02-2012).

As decisões e os atos de uma pessoa falam mais alto do que as palavras faladas ou escritas. Com a designação de Eleonora Menicucci como Ministra das Políticas para as Mulheres, a Presidente Dilma rasgou a carta de 16 de outubro de 2010, pois entrou em contradição com o compromisso assumido naquele documento.

Os jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e Correio Braziliense noticiaram, na primeira semana de junho deste ano, que o governo Dilma, quebrando todas as promessas feitas, estaria implantando, através do Ministério da Saúde, uma nova estratégia, desenvolvida pelos promotores internacionais do aborto, para difundir esta prática, burlando a lei sem, por enquanto, modificá-la. Segundo esta estratégia, o sistema de saúde passará a acolher as mulheres que desejam fazer aborto e as orientará sobre como usar corretamente os abortivos químicos, garantindo em seguida o atendimento hospitalar, e serão criados centros de aconselhamento para isso (Folha de São Paulo, 06-06-12).

Na última semana de maio a Ministra Eleonora Menicucci afirmou à Folha de São Paulo que “Somente é crime praticar o próprio aborto, mas que o governo entende que não é crime orientar uma mulher sobre como praticar o aborto” (Folha de São Paulo, 06-06-12).

Ainda, segundo a imprensa, estaria sendo elaborada uma cartilha para orientar as mulheres na realização do aborto com segurança (Estado de São Paulo, 07-06-12). Estaria também sendo elaborada, por parte do Ministério da Saúde, uma nova Norma Técnica sobre os cuidados do pré-aborto, sendo que os do pós-aborto já estão garantidos por Norma Técnica anteriormente publicada (Correio Braziliense, 09-06-12).

Como coroamento de todo este trabalho de difusão da prática do aborto, mesmo deixando as leis como estão, o Correio Braziliense, do dia 9 de junho, noticia a possibilidade por parte do Ministério da Saúde de liberar para o público a venda de drogas abortivos, atualmente em uso somente nos hospitais.

De fato, esta é a política da Presidente Dilma: incentivar e difundir o aborto, favorecendo os interesses de organismos internacionais que querem impor o controle demográfico aos países em desenvolvimento, mesmo se isto leva a Presidente a desrespeitar a vontade da maioria do povo brasileiro, que é contrária ao aborto, e a infringir as mais elementares regras da democracia.

Não queremos que a Presidente Dilma faça pronunciamentos por palavras ou por escrito, queremos fatos:

1. A demissão imediata da Ministra Eleonora Menicucci da Secretaria das Políticas para as Mulheres.

2. A demissão imediata do Secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, que está coordenando a implantação das novas medidas a serem tomadas por esse Ministério.

3. O rompimento imediato dos convênios do Ministério da Saúde com o grupo de estudo e pesquisa sobre o aborto no Brasil.

Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB


http://reporterdecristo.com/aborto-brasil-descomprometimento-vida/


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