BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

As Heresias do Corifeu do Marxismo na Teologia

Album de Família: netinhos carinhosos de Bela Khun



O que é a Teologia da Libertação?

Que é então a “teologia da libertação”? É uma reviravolta de todo o Cristianismo sub specie marxismi. O próprio Boff confessa no artigo Marxismo na teologia[1]: “Que tipo de marxismo pode ser útil à teologia? Podemos agora responder: o marxismo como teologia científica das realidades sócio-históricas. Ele nos ajuda a entender, não a Deus, a graça, o Reino, mas a formação, os conflitos e o desenvolvimento das sociedades humanas”. É o chamado materialismo histórico. Ouçamos um pouco mais a confissão marxista de Boff: “O marxismo não entra em todas as partes da construção teológica; entra no momento da apreensão que o teólogo faz da realidade social; utiliza este método e não outro porque lhe parece mais adequado para denunciar as falsificações ideológicas do capitalismo, ocultando as verdadeiras causas que geram o empobrecimento que é principalmente a acumulação da riqueza em poucas mãos com a exclusão das grandes maiorias. Este tipo de análise se afina melhor com a intenção da Fé”. (grifos nossos). E arremata Boff: “O que propomos não é teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da teologia”.

Para dar somente alguns exemplos dos erros de Leonardo Boff[2]:

- Eclesiogênese, pp. 79-80, em que afirma que um leigo, não ordenado, pode, em caso de necessidade, tornar Cristo presente sacramentalmente;

- Jesus Cristo Libertador, pp. 11-285, em que nega a Divindade e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Recomendamos vivamente a crítica feita ao livro na Revue Thomiste, nº 79 (1979), pelo consagrado teólogo dominicano Marie-Vincent Leroy;

- Una Iglesia que nace del pueblo[3], em que nega a Igreja Institucional em favor de uma Igreja Popular. Recomendamos a leitura da Carta do Papa João Paulo II aos Bispos da Nicarágua, de 29-6-1982[4], em que o Santo Padre condena formalmente a chamada “Igreja Popular” ou “Igreja-que-nasce-do-povo”. Recomendamos também a crítica feita ao livro de Boff pelo Pe. A. Perego, S.J., na revista DivusThomas, de Piacenza, 83.3 (1980), pp. 289-291;

- Igreja: Carisma e Poder[5], em que nega ou relativiza diversos Dogmas Católicos, dentre os quais os referentes à estrutura da Igreja, à concepção do próprio Dogma, ao exercício do Poder sagrado e ao profetismo. Conferir a Notificação sobre o livro “Igreja: Carisma e Poder – Ensaios  de Eclesiologia Militante”, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, de 11-3-1985, aprovada e mandada publicar pelo Papa, e em que se diz na Conclusão: “Ao tornar público o que acima ficou exposto, a Congregação sente-se na obrigação de declarar, outrossim, que as opções aqui analisadas de Frei Leonardo Boff são de tal natureza que põem em perigo a sã Doutrina da Fé, que esta mesma Congregação tem o dever de promover e tutelar”. Recomendamos também a crítica feita ao livro pelo teólogo franciscano, hoje Bispo - Auxiliar de Salvador-BA, Dom Boaventura Kloppenburg, na revista Communio[6], pp. 126-147, como também em seu livro Igreja Popular[7], 179-186. Recomendamos ainda a crítica do saudoso Pe. Paulo Bannwarth, S.J., no seu livro Em Defesa das Sagradas Escrituras[8], pp. 45-52 e 61-71;

- Os Sacramentos da Vida e a Vida dos Sacramentos, pp. 9-80, em que afirma que os Sacramentos instituídos por Jesus Cristo não são sete, como ensina a Igreja, mas que existem sacramentos naturais, que toda religião cristã ou pagã possui também uma estrutura sacramental; que o dia a dia é cheio de sacramentos, como o “sacramento da caneca” (p. 16) e o “sacramento do toco de cigarro” (p. 21);

- A Ressurreição de Cristo – A nossa ressurreição na morte[9], pp. 9-109, em que nega a Ressurreição de Cristo e a nossa, tal como ensina a Santa Igreja Católica. Recomendamos a crítica do Pe. Paulo Bannwarth, S.J., ainda no seu livro Em Defesa das Sagradas Escrituras, pp. 73-83. Conferir também Armando Bandeira, O.P., La Muerte de Jesucristo en la Cristologia de Leonardo Boff[10].


Fonte: Paulo Rodrigues, “Igreja e Anti-Igreja – Teologia da Libertação”, pp. 27; 36-37; T.A. Queiroz, Editor, São Paulo, 1985.




[1]   in Jornal do Brasil, de 6 de Abril de 1980.
[2]   Elevado em 1982 pela CNBB à categoria de teólogo da Comissão Episcopal de Doutrina.
[3]   Ed. Sígueme, Salamanca, 1979.
[4]   in L'Osservatore Romano, ed. Em português, de 15-8-1982.
[5]   Ed. Vozes, Petrópolis, 1981.
[6]   Ed. Brasileira, nº 2 de 1982.
[7]   Ed. Agir, Rio de Janeiro.
[8]   Rio de Janeiro, 1973.
[9]   Ed. Vozes, Petrópolis, 1973.
[10] Universidade de Navarra, Espanha, 1981.



Entrevista de Leonardo Boff pela Revista "Isto é"

"O Papa deveria renunciar"
Teólogo diz que Bento XVI infantiliza os fiéis, é complacente com os pedófilos e fechou as portas para as outras religiões.
Débora Crivellaro
 

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CRISE

Para o ex-frei, a Igreja ainda funciona como na Idade Média

O brasileiro Leonardo Boff, 71 anos, e o alemão Joseph Ratzinger, 83, têm uma longa história em comum. Intelectuais de fôlego, respeitados fora dos muros da Igreja Católica, os teólogos se conhecem há mais de 40 anos, quando conviveram na universidade, em Munique, Alemanha. O atual pontífice já era um cultuado professor, admirado pelo jovem franciscano que frequentava como ouvinte suas conferências, enquanto preparava a tese de doutorado – que contou com a ajuda providencial do alemão para ser publicada. Tempos depois, os dois trabalharam juntos em uma prestigiosa revista de teologia.

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"A Igreja Católica é mais que Bento XVI. É também o papa
João XXIII, é dom Helder Câmara, é a Irmã Dulce (foto)"

Durou pouco, pois as contendas ideológicas provocaram a saída de Ratzinger. Mas o encontro mais marcante aconteceu em 1985, quando ambos estavam, definitivamente, em trincheiras opostas, dentro da mesma instituição. Boff já era o grande mentor por trás da Teologia da Libertação, movimento que interpreta o Evangelho à luz das questões sociais. E Ratzinger já havia se tornado o temido cardeal que punia severamente quem se atrevesse a mudar, uma vírgula que fosse, a interpretação oficial da “Bíblia”. O embate terminou com o silêncio forçado do franciscano e sua posterior saída da ordem, em 1992. Vinte e cinco anos depois desse encontro, casado com Márcia Miranda, padrasto de seis filhos e autor de mais de 60 livros traduzidos para diversas línguas, Boff analisa a Igreja da qual nunca se afastou e seu líder máximo. Que ele conhece como poucos.

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"O cristianismo (dos padres cantores, como Marcelo Rossi)
não pode funcionar como um ansiolítico que nos alivia"
Istoé - A Igreja Católica está em crise?
Leonardo Boff - A Igreja possui uma crise própria: até hoje ela não encontrou seu lugar no mundo moderno e  no mundo globalizado. Suas estruturas são medievais. Ela é a única monarquia absolutista do mundo, concentrando o poder em pouquíssimas mãos. Nesse sentido ela está em contradição com o sonho originário de Jesus que foi o de criar uma comunidade fraterna de iguais e sem nenhuma discriminação.
Istoé - Mas a Igreja Católica pode se modernizar sem perder a essência de seus princípios e, consequentemente, sua identidade?
Leonardo Boff - A Igreja se engessou em suas doutrinas, em suas normas, em seus ritos que poucos entendem e num direito canônico escrito para legitimar desigualdades e conservadorismos. Os homens de hoje têm o direito de receber a mensagem de Jesus na linguagem de nossa cultura moderna, coisa que a Igreja não faz. Ela coloca sob suspeita e até persegue quem tenta fazer.
Istoé - O que o sr. acha que a Igreja Católica deveria fazer para sair dessa crise?
Leonardo Boff - Ela deveria ser menos arrogante, deixando de se imaginar a exclusiva portadora dos meios de salvação, a única verdadeira. Ela se diz perita em humanidade, mas maltrata a muitos desta humanidade internamente e ofende a vários direitos humanos. Por isso que até hoje não subscreveu a Carta dos Direitos Humanos da ONU, sob o pretexto de que ela não faz nenhuma referência a Deus, e retirou seu apoio ao Unicef, porque ele aconselha o uso de preservativos para combater a Aids e fazer o planejamento familiar. Uma igreja que afirma constantemente que fora dela não há salvação, ela mesma precisa de salvação.
Istoé - O sr. acha que os escândalos de pedofilia contribuem para a debandada católica, com fiéis migrando, no Brasil, principalmente, para as igrejas evangélicas?
Leonardo Boff - Muitos cristãos não aceitam ser infantilizados pela Igreja como se nada soubessem e tivessem que receber a comida na boca. Estes estão emigrando em massa. Mas é uma emigração interna. Continuam se sentindo dentro da Igreja, mas não identificados com as doutrinas deste papa, nem com o estilo com o qual ela se apresenta no mundo, com hábitos e símbolos palacianos que os tornam simplesmente ridículos. As igrejas evangélicas crescem porque a católica deixou um espaço vazio.
Istoé - Muitos vaticanistas dizem que Bento XVI pensa em termos de séculos e não está preocupado em conquistar mais fiéis. O sr. concorda?
Leonardo Boff - Bento XVI é fiel a uma esdrúxula teologia que sempre defendeu e da qual eu ainda como estudante e ouvinte dele discordava. Ele é um especialista em Santo Agostinho, grande teólogo. Santo Agostinho partia do fato de que a humanidade é uma “massa condenada” pelo pecado original e pelos demais pecados. Cristo a redimiu. Criou um oásis onde só há salvação e graça. Esse oásis é a Igreja. Ocorre que esse oásis é uma fantasia. Ele é tão contaminado como qualquer ambiente, haja vista os pedófilos e outros escândalos financeiros.
Istoé - Como o sr. avalia o pontificado de Bento XVI?
Leonardo Boff - Do ponto de vista da fé, este papa é um flagelo. Ele fechou a Igreja de tal forma  sobre si mesma que rompeu com mais de 50 anos de diálogo ecumênico, vive criticando a cultura moderna, desestimula qualquer pensamento criativo, mantendo-o sob suspeita. Todo papa tem a missão imposta por Jesus de “confirmar os irmãos e as irmãs na fé”. Esta missão, a meu ver, não está sendo cumprida.
Istoé - Por quê?
Leonardo Boff - Bento XVI cometeu vários erros de governo com respeito aos muçulmanos, aos judeus, às mulheres e às religiões do mundo. Reintroduziu o latim nas missas em que se reza ainda pela conversão dos judeus, reconciliou-se com os mais duros seguidores de Lefebvre (Marcel Lefebvre arcebispo católico ultraconservador, que morreu em 1991), verdadeiros cismáticos. Enquanto trata a nós teólogos da libertação a bastonadas, trata os conservadores com mão de pelica. É um papa que não suscita entusiasmo. Mesmo assim, convivemos com ele, porque a Igreja é mais que Bento XVI. É também o papa João XXIII, é dom Helder Câmara, é a Irmã Dulce, a Irmã Doroty Stang, é dom Pedro Casaldáliga e tantos e tantas.
Istoé - O sr. acha que ele deveria renunciar?
Leonardo Boff - O papa, para o bem dele e da Igreja, deveria renunciar. Devemos exercer a compaixão: ele é um homem doente, velho, com achaques próprios da idade e com dificuldades de administração, pois é mais professor que pastor. Em razão disso, faria bem se fosse para um convento rezar sua missa em latim, cantar seu canto gregoriano que tanto aprecia, rezar pela humanidade sofredora, especialmente pelas vítimas da pedofilia, e se preparar para o grande encontro com o Senhor da Igreja e da história. E pedir misericórdia divina.
Istoé - Como foi a convivência dos srs. no mesmo ambiente acadêmico?
Leonardo Boff - Ouvi-o muitas vezes, pois era um apreciado conferencista. Teve um papel importante na publicação de minha tese doutoral, que, por seu tamanho – mais de 500 páginas –, encontrava dificuldades junto às editoras. Ele encontrou uma, arranjou-me boa parte do dinheiro para a impressão em forma de livro. Depois fomos colegas nas reuniões anuais da revista internacional “Concilium”. Mas ele se desentendeu com a linha da revista e criou uma outra, a “Communio”, em franca oposição à “Concilium”.
Istoé - Anos depois, em 1985, já na  Congregação para a Doutrina da Fé, ele o puniu. Como foi esse encontro?
Leonardo Boff - Ele me fez sentar na cadeira onde sentou Galileo Galilei,  no famoso edifício, ao lado do Vaticano, do Santo Ofício e da antiga Santa Inquisição. Foi meu “inquisidor”, interrogando-me por mais de três horas sobre o livro “Igreja: Carisma e Poder”, que me custou o “silêncio obsequioso”, a deposição de cátedra e a proibição de publicar qualquer coisa. Mas devo dizer que é uma pessoa finíssima, extremamente elegante na relação, mas determinado em suas opiniões. E muito, mas muito, tímido.
Istoé - O sr. é a favor da ordenação de mulheres pela Igreja Católica?
Leonardo Boff - Não há nenhuma doutrina ou dogma que impeça as mulheres de serem ordenadas e até de serem bispos. O patriarcalismo intrínseco à instituição, governada só por homens e celibatários, faz com que não se tenha apreço pelas mulheres nem se reconheça o imenso trabalho que fazem dentro da Igreja. E, no entanto, devemos reconhecer que as mulheres, nos evangelhos, nunca traíram Jesus, como fez Pedro, foram as primeiras testemunhas do fato maior para a fé cristã, que é a ressurreição, e também foram discípulas.
Istoé - O sr. também é a favor do fim da obrigatoriedade do celibato?
Leonardo Boff - O primeiro papa, Pedro, era casado. Aceito o celibato livremente assumido pelos que se propõem a servir às comunidades cristãs. Seria tão enriquecedor para a própria Igreja se houvesse, como há em outras igrejas, padres casados e padres celibatários. Mas o celibato desempenha uma função importante no estilo autoritário da instituição: ela pode dispor totalmente dos celibatários, sem laços com a família, transferi-los para onde quiser e ver-se livre de problemas de herança.
Istoé - O sr. acha que os casos de pedofilia cometidos por padres têm relação com a obrigatoriedade da castidade?
Leonardo Boff - Entre a pedofilia e o celibato há um denominador comum que é a ­sexualidade. A educação sexual que os candidatos ao sacerdócio recebem é carregada de suspeitas e distorções e é feita longe do contato com as mulheres. Hoje sabemos que o homem amadurece sob o olhar da mulher e vice-versa. Quando se tolhe um desses polos da equação, pode surgir o recalque, a sublimação e as eventuais distorções. A pedofilia é uma distorção de uma educação sexual mal realizada. Ademais, a pedofilia é um pecado e um delito.
Istoé - O sr. pode explicar melhor?
Leonardo Boff - A Igreja só via o pecado que podia ser perdoado, e tudo terminava aí. Não via as vítimas, que eram crianças e adolescentes que sofreram violência. Ela não via o delito que deve ser levado aos tribunais para ser julgado e receber a punição adequada. Este lado sempre foi mantido em sigilo, para não prejudicar a imagem da Igreja. Isso configura cumplicidade no crime. Graças a Deus, o papa agora acordou, se redimiu, reconheceu o delito e exige a denúncia dos pedófilos aos tribunais civis.
Istoé - Quando o sr. era frei franciscano, soube de casos de abuso sexual?
Leonardo Boff - Nunca soube de nada.
Istoé - O que o sr. acha da Renovação Carismática Católica?
Leonardo Boff - É um movimento forte, que trouxe muitos elementos positivos, pois tirou o monopólio dos padres. Agora o leigo fala e inventa orações, coisa que não ocorria. Deu certa leveza ao cristianismo, muito centrado na cruz e na paixão e menos na alegria e na celebração. Mas, a meu ver, ela ficou a meio caminho.
Istoé - Por quê?
Leonardo Boff - Não se pode pensar no cristianismo sem justiça social e preocupação com os pobres. Todo carismatismo corre o risco de alienação. Eles se perdem no louvor, no cantar e dançar.
Istoé - E como o sr. avalia os padres cantores, como Marcelo Rossi e Fábio de Melo?
Leonardo Boff - Eles produzem um tipo de evangelização adequada ao que é dominante hoje, que é o mercado. Mas com as limitações que o mercado impõe, tenham eles consciência disso ou não. É sempre problemático, do ponto de vista teológico, transformar a mensagem cristã numa mercadoria de fácil consumo e de pacificação das consciências atribuladas. Noto que as grandes questões sociais estão ausentes em seus discursos e cânticos.
Istoé - Por quê?
Leonardo Boff - Eles falam sobre questões subjetivas. O cristianismo não pode funcionar como um ansiolítico que nos alivia, mas deve falar às consciências para que as pessoas tomem decisões que vão na direção do outro. Para mim, a mensagem cristã não significa buscar um porto seguro onde ancoramos para repousar. Mas é um chamado para irmos ao mar alto, para enfrentar as ondas perigosas. E não pedimos a Deus que nos livre das ondas, mas que nos dê força e coragem para enfrentá-las.

 Leonardo Boff e sua companheira Márcia Miranda

Istoé - O sr. ainda é católico?
Leonardo Boff - Sou católico apostólico franciscano. Acho que São Francisco foi o último cristão verdadeiro e talvez o primeiro depois do Único, que foi Jesus Cristo. O franciscanismo me inspira mais do que o romanismo porque o romano é apenas uma qualificação geográfica. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Líder pró-família espanhol Ignacio Arsuaga afirma: "Não chamarei de matrimônio aquilo que não é".


MADRI, 09 Nov. 12 / 12:36 pm (ACI/EWTN Noticias).- O presidente do grupo pró-vida HazteOír, Ignacio Arsuaga, assegurou que apesar da recente sentença do Tribunal Constitucional (TC) da Espanha que permite o mal chamado "matrimônio" gay, "não chamarei de matrimônio aquilo que não é".

Em uma carta dirigida aos mais de 300,000 membros do grupo espanhol defensor da família, Arsuaga assinalou que "o Tribunal Constitucional diz que a união de dois homens ou duas mulheres é um matrimônio. Eu sei que não é assim".

"O matrimônio e as uniões homossexuais são realidades distintas e, portanto, não podem ser regulamentadas da mesma forma", assegurou.

Arsuaga advertiu em sua missiva que "se o matrimônio se desnaturalizar, se qualquer outra realidade for um matrimônio, então, a família, que é o refúgio mais seguro da liberdade e do amor, corre um sério perigo".

"Se as crianças perderem o direito a ter um pai e uma mãe, então, nossos legisladores os estão usando como cobaias em um irresponsável experimento de engenharia social", denunciou.

O presidente do HazteOír advertiu que o TC também aprovou que casais do mesmo sexo possam adotar crianças, por isso estes "já não têm direito a um pai e uma mãe".

"Nego-me a aceitar que sejam feitas experiências com as crianças", disse.

Por sua parte, Álvaro Zululeta, em representação do HazteOír e do Congresso Mundial de Famílias (WCF), apresentou-se na sede das Nações Unidas em Genebra (Suíça), na sala em que se realizam as reuniões plenárias do Conselho de Direitos Humanos, e denunciou ao Tribunal Constitucional espanhol por recortar os direitos e liberdades individuais, ao legalizar o "matrimônio" gay.

Zululeta assinalou que o respeito devido aos direitos das pessoas com atração ao mesmo sexo (AMS) não deve levar a restringir ou violentar a liberdade de quem não compartilha esta redefinição da instituição matrimonial, afastada da realidade.

A equiparação do matrimônio a outras uniões é um atentado direto contra a família, sublinhou.
Zululeta indicou que a resolução do TC viola o direito à objeção de consciência, ao impor sanções, incluídas expulsões e multas, a quem não acate a imposição da ideologia gay.

O TC também violenta a liberdade educativa, pois os menores serão doutrinados desde pequenos na nova "ortodoxia homossexual", tirando dos pais o direito de ser os primeiros educadores de seus filhos, denunciou.

A liberdade de expressão e religiosa também se encontram ameaçadas penalmente, assinalou, pois quem não aceite as uniões homossexuais como equivalentes ao matrimônio natural será acusado de discriminação, e poderá ser denunciado, como ocorreu com o Bispo de Alcalá de Henares, Dom Juan Antonio Reig Plà.

Zululeta remarcou que a sentença do TC a favor dos "matrimônios" homossexuais agravará a crise social que a Espanha sofre atualmente, ao minar a natureza da instituição fundamental da família.

Os recortes de liberdades, assinalou, só favorecem aos interesses de um grupo de pressão minoritário, que com tais imposições demonstra sua intolerância.

Ignacio Arsuaga sublinhou que equiparar o matrimônio às uniões homossexuais seria dizer que "a contribuição do matrimônio e da família ao bem-estar e à prosperidade da sociedade terão o mesmo valor que a de outras realidades que não contribuem o mesmo".

"É injusto que as leis reconheçam e regulem da mesma forma realidades que são diferentes".

Por isso, Arsuaga anunciou o lançamento da campanha "Eu não o chamarei matrimônio", que tem como objetivo enviar petições ao presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, pedindo-lhe "que recupere o matrimônio no Código Civil".

"As palavras importam. Respeitar a natureza das coisas e seu significado é transcendental, quando falamos de leis", indicou.

Esta carta, explicou o presidente do HazteOír, é também um pedido a Rajoy para que seja consequente com o recurso de inconstitucionalidade apresentado pelo Partido Popular em 2005 contra o "matrimônio" gay, que foi recentemente desprezado pelo TC.

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=24438

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

ISABEL, A CATÓLICA, RAINHA QUE EMPREENDEU UMA CRUZADA.



Figura feminina extraordinária a muitos títulos, essa soberana exerceu papel decisivo na Historia da Espanha e de toda a Cristandade por seu espírito de cruzada contra o poder muçulmano da época.

José Maria dos Santos

Muito foi escrito sobre esta soberana cujo processo de canonização está em andamento. Seguem algumas pinceladas de sua extraordinária existência, ressaltando do seu aspecto guerreiro e espírito de cruzada, o que é possível transmitir num simples artigo.


Filha de João II, Rei de Castela, e sua segunda esposa, nasceu Isabel a 22 de abril de 1451 na pequena cidade de Madrigal. Aquela que seria a última mulher cruzada descendia, tanto pelo lado paterno quanto pelo materno, de dois reis santos e cruzados: São Luís IX, da França, e seu primo São Fernando III, de Castela.
Falecendo o pai quando sua idade era pouco mais de três anos, foi educada piedosamente pela mãe, juntamente com seu irmão menor Afonso. “Bordava telas e casulas, costurava roupas para os pobres, aprendia a fiar como as mulheres do povo. Tecia sedas, urdia e confeccionava tapetes com assombrosa habilidade”.(1) Aos 11 anos foi levada com Afonso por Henrique IV, seu meio-irmão, para a corte castelhana, considerada então a mais corrompida da Europa.
Na corte castelhana, dois partidos em disputa.
Na corte castelhana, “a princesinha estudava música, pintura, poesia, costura e gramática. Cada dia passava muito tempo em oração pedindo a Deus que os guardasse, a ela e a Afonso, livres de todo pecado; e especialmente invocava a Bem-aventurada Virgem, São João Evangelista e o apóstolo São Tiago, patrono de Castela”.(2)
Pela fraqueza dos reis castelhanos, “nesse período [os nobres] tinham chegado ao ponto de despojar completamente o trono de sua autoridade. Aproveitavam-se da incrível imbecilidade de Henrique IV e das escandalosas relações entre Joana de Portugal, sua segunda mulher, e seu favorito Beltran de la Cueva”,(3) a quem atribuíam a paternidade da infanta Joana, por isso cognominada la Beltraneja.


Com a chegada dos jovens príncipes, formaram-se logo na corte dois partidos: um que defendia a legitimidade destes ao trono, e outro que defendia a da Beltraneja. O primeiro partido tornou-se tão poderoso, que obteve do fraco rei que reconhecesse Afonso e Isabel como seus legítimos herdeiros.
Falecendo o príncipe Afonso, o partido de Isabel quis aclamá-la rainha no lugar de Henrique IV. “Nessa ocasião, Isabel deu uma das primeiras provas de suas grandes qualidades, recusando a coroa usurpada que lhe era oferecida, e declarando que nunca, enquanto seu irmão vivesse, aceitaria ela o título de rainha”.(4)
Aos 18 anos, Isabel casou-se secretamente com o herdeiro da coroa de Aragão, o príncipe D. Fernando, para evitar as tratativas que seu irmão fazia para casá-la com outro pretendente.
Assume as rédeas do governo e reconstrói o país
Isabel assumiu o governo aos 23 anos, à morte de Henrique IV. Com sua energia, e acompanhada de seu marido Fernando, foi obtendo a adesão de cada cidade para sua causa. Mas o Rei de Portugal, Afonso V, querendo assenhorear-se de Castela, entrou no país para casar-se com a Beltraneja, a qual, afirmava ele, era a legítima herdeira do trono. Vários potentados castelhanos tomaram seu partido, aliando-se a ele. A alternativa para Isabel era ceder, ou então guerrear. E ela não cedia num ponto em que julgava estar inteiramente com a razão. Assim, apesar de estar esperando um segundo filho, pôs a cota de malhas e, a cavalo, foi recrutando gente em todas as suas cidades, enquanto Fernando fazia o mesmo em Aragão. Habilíssimo general e grande estrategista, Fernando obteve retumbante vitória sobre o soberano português, consolidando assim Isabel no trono.


Triste foi a herança que recebeu Isabel de seu fraco e imoral meio-irmão. “As indústrias quebravam, a moeda andava escassa, centenas de cidades desafiavam sua autoridade sob o mando de prefeitos que se criam reis delas, o povo morria de fome e de epidemias. A Igreja necessitava de reforma, o governo existia só de nome, e por todas as partes os camponeses estavam oprimidos por bandos de ladrões”.(5)
Os jovens soberanos entregaram-se com energia à tarefa de reconstruir o país. Começaram a reprimir severamente os abusos e aplicar a justiça contra quem quer que fosse. Fizeram reviver, para isso, a Santa Irmandade, força de voluntários que servia de polícia local, com jurisdição sobre assassinatos, atos de violência, rapina, atentados a mulheres e desobediência às leis e aos magistrados. Isabel obteve do Papa a instauração da Santa Inquisição em Castela para pôr fim aos abusos, na esfera religiosa, principalmente de cristãos-novos (judeus convertidos), muitos dos quais tinham fé duvidosa e utilizavam a usura para pressionar os cristãos.
Isabel era muito ciosa de sua autoridade como rainha. Por isso, em 1475 firmou com seu esposo o acordo denominado Concórdia de Segóvia, pelo qual recebeu o título de Rainha e proprietária de Castela, e seu esposo o de rei consorte. “Desde esse momento os esposos formam um bloco impossível de dividir, e com essa firmeza podem fazer frente ao estalido da guerra”.(6)


A cruzada contra os infiéis maometanos
Um dos maiores empenhos que Isabel teve em seu reinado foi mover a guerra santa contra o invasor muçulmano. Para esse empreendimento, obteve do Papa as mesmas indulgências de Cruzada concedidas aos que iam lutar na Terra Santa, tendo o Sumo Pontífice lhe enviado uma cruz de prata para ir à frente de seus exércitos.
Nas várias campanhas que encetou, e sobretudo na reconquista de Granada, Isabel arrebatava seus soldados por sua energia sobre-humana, senso do dever e espírito sobrenatural. Estes “criam que ela era uma santa. Como Santa Joana d’Arc, sempre lhes recomendava viver honestamente e falar bem. Não havia nem blasfêmias nem obscenidades no acampamento onde ela se achava, e viam-se curtidos soldados ajoelhar-se para rezar, enquanto se celebrava a missa ao ar livre por ordem da piedosa rainha”.(7) A presença da soberana era para os guerreiros como uma garantia de vitória, pois lhes inspirava valor e confiança. Até os mouros admiravam a grande rainha, cantando sua bondade e beleza em suas canções, apesar de a temerem como inimiga.
Enquanto Fernando, um dos melhores guerreiros de sua época, comandava o exército, a rainha cuidava de toda a retaguarda, como recrutamento de reforços, envio de alimentos e munições, bem como projetava os hospitais — foi ela quem instituiu o primeiro hospital militar da História, e suas enfermeiras precederam as da Cruz Vermelha em mais de trezentos anos. Cavalgava de um lugar a outro, indo mesmo aos acampamentos revestida de leve armadura de aço, para elevar o moral dos soldados. Mas essa rainha guerreira fazia questão de ela mesma costurar a roupa de seu marido, nunca usando o monarca outras senão as confeccionadas pelas hábeis mãos de Isabel ou de suas filhas.
Título glorioso de “Reis Católicos”


Um fato mostra a têmpera dessa rainha. No cerco de Granada, uma vela mal colocada ateou fogo na tenda ao lado da rainha, e desta propagou-se para todo o acampamento, que foi tomado pelas chamas. Os mouros, das muralhas, cantavam vitória. Mas a enérgica soberana, para mostrar sua determinação de conquistar a cidade, mandou edificar novo acampamento de pedra, surgindo assim uma verdadeira cidade à qual deu o nome de Santa Fé. Foi de lá que partiram as investidas contra Granada, obtendo-se sua capitulação.
O Papa Alexandre VI concedeu ao real casal, por seus serviços em prol da Cristandade, o título de Reis Católicos, em harmonia com o de Rei Cristianíssimo, concedido anteriormente ao monarca francês.
A política matrimonial que seguiram os Reis Católicos teve como intuito isolar a França, sua grande rival na época. Mas não tiveram felicidade com seus filhos. A primogênita, também chamada Isabel, casou-se com o jovem príncipe português Afonso e, ao enviuvar precocemente, contraiu matrimônio com o seu herdeiro Dom Manuel, o Venturoso. O príncipe João casar-se-ia com Margarida de Áustria, filha do Imperador Maximiliano I, mas morreria jovem. Joana, que entrará para a História como Joana a Louca, contraiu matrimônio com Felipe de Áustria, o Formoso, e tornou-se herdeira do trono que passou para seu filho, o futuro Carlos V. Maria casa-se com seu cunhado, o viúvo Dom Manuel, e Catarina será a desafortunada esposa do lúbrico Henrique VIII, da Inglaterra.
“O bom governo dos soberanos católicos levou a prosperidade da Espanha ao seu apogeu e inaugurou a Idade de Ouro do país”.(8)
Três meses após a conquista de Granada, Isabel assinou uma ordem de expulsão dos judeus de seus territórios; e favoreceu a empresa de Cristóvão Colombo, que descobriria assim a América.
A morte desta grande rainha foi muito lamentada pelos seus contemporâneos. Um deles deixou este depoimento: “O mundo perdeu seu adorno mais nobre; uma perda que deve chorar não somente a Espanha, que ela já não levará mais no caminho da glória, mas todas as nações da Cristandade, porque ela era o espelho de todas as virtudes, o amparo do inocente e o sabre vingador do culpado. Não conheço ninguém de seu sexo, nos tempos antigos nem nos modernos, que, a meu juízo, possa equiparar-se com esta mulher incomparável”.(9)

Notas:
1. Luis Amador Sanchez, Isabel, a Católica, tradução de Mario Donato, Empresa Gráfica O Cruzeiro S. A., Rio de Janeiro, 1945, p. 55.
2. William Thomas Walsh, Isabel de España, tradução castelhana de Alberto de Mestas, Cultura Española, 1938, p. 49.
3. Ramón Ruiz Amado, DO, The Catholic Encyclopedia, Vol. VIII, transcrito por WGKofron, copyright © 1910 de Robert Appleton Company, online edition copyright © 1999 by Kevin Knight.4. Id. ibid.
5. William Thomas Walsh, op.cit., p. 171.
6. (Site: www.artehistoria.com, Protagonistas de la História, Isabel la Católica.)
7. Walsh, op.cit., p. 160.
8. The Catholic Encyclopedia, online edition.
9. Carta de Pedro Mártir, um dos secretários da rainha, comunicando a morte de Isabel ao Arcebispo Talavera, in William Thomas Walsh, Isabel de España, p. 599.
E-mail do autor : josemaria@catolicismo.com.br




Oração de Isabel I de Castela
(Isabel a Católica)
 
"Senhor, que conheceis os segredos do coração humano. Sabeis que a fraude, a injustiça e a tirania não tiveram parte na minha elevação ao trono. Subi a ele para não deixar aos estrangeiros o cetro que tanto sangue custou a meus antepassados. Ponho em vossas mãos, Deus poderoso, Senhor dos reis e dos reinos, minhas pretensões e minha causa. Fazei-me sentir Vossa Vontade Suprema, e se meu direito não é bom, permiti-me que não peque por ignorância; mas, se meu direito é bom, ajudai-me com as forças de Vosso Braço!" (Luiz Amador Sanchez, Isabel a Católica).

 

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