BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 3 de maio de 2022

NOVENA EM HONRA A NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE FÁTIMA - FATOS HISTÓRICOS.


FATOS HISTÓRICOS

Maria Auxílio dos Cristãos:1 O povo cristão implora as graças por intermédio de Maria não só individualmente, mas nos grandes momentos da história; povos e nações inteiras recorrem a Nossa Senhora para pedir seu auxílio no meio de graves calamidades.

A península Ibérica foi invadida, no século VII, pelos árabes muçulmanos, ameaçando a Europa recém-convertida ao Cristianismo. Os povos ibéricos, espanhóis e portugueses, lutaram durante nove séculos até realizar a tão almejada reconquista. No início dessas lutas, em 722, Pelayo venceu os muçulmanos em Covadonga, invocando a Virgem Santa Maria, porque Ela é a Mãe da piedade e misericórdia. Quando, no século XV, se realizou a total libertação da Espanha, pelas batalhas em que se levaram as bandeiras com a imagem da Virgem Maria, construiu-se, em ação de graças, em Toledo, a igreja da Virgem da Vitória.

No século XV, os muçulmanos avançaram do Oriente contra a Europa, e, em 1453, derrubaram o império cristão de Bizâncio. Naquele perigo, o Papa convocou o povo cristão da Europa para uma Cruzada de defesa e, em 1456, em Belgrado, os cruzados, dirigidos pelo herói João Hunyadi e São João Capistrano, infligiram grave derrota aos turcos, invocando os nomes de Jesus e Maria.

No século XVI, foi ameaçador o domínio do Mediterrâneo pela força naval dos turcos. O Papa São Pio V conseguiu unir a Espanha com Veneza, sob o comando de João da Áustria, e, em 1571, no estreito de Lepanto, destruiu-se totalmente a força naval da Turquia. Durante a batalha, o Papa rezava, com toda sua corte, o rosário de Nossa Senhora. Depois da vitória, São Pio V mandou incluir na Ladainha Lauretana a invocação: Auxílio dos Cristãos.

Em 1683, as tropas turcas atacaram Viena, querendo penetrar na Europa cristã. O exército reunido dos países cristãos venceu os agressores com a bravura do rei da Polônia, João Sobieski. Depois da brilhante vitória, iniciou-se a libertação da Hungria da opressão muçulmana de 150 anos. Em gratidão pelo auxílio de Nossa Senhora, o Papa Inocêncio XI instituiu a festa do Santíssimo nome de Maria, no dia 12 de Setembro.

Napoleão Bonaparte deportou o Papa Pio VII de Roma, que ficou prisioneiro na França entre 1809 e 1814. Tendo experimentado o poderoso auxílio da Mãe de Deus, quando recuperou a liberdade, Pio VII decretou a celebração da festa com o título Auxílio dos Cristãos, no dia 24 de maio do ano litúrgico.

Em nosso século, atribulado por duas grandes guerras, o Papa Pio XII consagrou, a pedido de Nossa Senhora de Fátima, a humanidade inteira ao Coração Imaculado de Maria. Essa consagração foi renovada também pelo Santo Padre João Paulo II.

O culto de Maria sob essa invocação. Os fiéis passaram a depositar sua confiança no auxílio de Nossa Senhora, pois, instruídos pelos símbolos veterotestamentários de socorro ao povo ameaçado (Judite e Ester), os cristãos tinham a certeza de que a Virgem Maria ajudaria o povo em todas as suas necessidades. Não foram os Evangelhos que tinham inspirado essa confiança pelo episódio da visitação a Isabel, pelas Bodas de Caná e por sua caridade misericordiosa debaixo da Cruz?

O Papa Pio IX exaltou a figura de Maria quando promulgou o dogma da Imaculada Conceição2 com estas palavras: “Maria é fidelíssima auxiliadora e poderosíssima Mediadora e Reconciliadora de toda a terra junto a seu Filho Unigênito. É glória e ornamento, como também defesa firmíssima, e sempre venceu todas as heresias e libertou os povos e nações das máximas calamidades e perigos de todo gênero”.

A invocação Auxílio dos Cristãos, é a forma pública e social da mediação que a Santíssima Virgem exerce não só a favor de pessoas, instituições e países, mas também para o bem de toda a Igreja Católica e do Vigário de Cristo, o Papa, principalmente nos momentos mais trágicos da humanidade e nos períodos mais perturbados da Santa Igreja.

Na época em que a Igreja foi duramente atacada em suas instituições, sua doutrina e disciplina e, principalmente, na pessoa do Santo Padre, São João Bosco3 colocou a invocação Auxílio dos Cristãos, sob o título de Nossa Senhora Auxiliadora, no centro da espiritualidade de suas Congregações recém-fundadas. São João Bosco escolheu esse título de Maria, porque os novos tempos se tornaram tão difíceis, que a Igreja necessita da ajuda especial de Maria para defender e conservar a fé cristã.

A devoção salesiana a Nossa Senhora Auxiliadora reflete o profundo espírito católico devotado à Igreja Romana e ao Santo Padre. As duas Congregações religiosas de Dom Bosco são, pelo mundo todo, zelosas promotoras da devoção a Nossa Senhora Auxiliadora.

No século XIII um perigo terrível ameaçava a Igreja Católica, sobretudo no sul da França: os hereges albigenses, mais perigosos que os próprios mouros, segundo declarou o Papa de então Inocêncio II.

Os cristãos organizam-se em Cruzadas para defesa da fé. Apesar disso, a sorte era-lhe desfavorável. Aparece São Domingos, que propaga e espalha o terço, e logo, a vitória sorri aos cristãos.

A 12 de Setembro de 1213 trava-se a célebre batalha de Muret, perto de Toulouse, em que 2.000 soldados cristãos derrotam o exército albigense de 100.00 homens, comandados por Raimundo de Tolosa e pelo rei Pedro de Aragão. Um contra 50!

Quem alcançou tão estrepitosa vitória, golpe decisivo na heresia albigense?

Que o diga o comandante do exército cristão, Simão de Monforte, que a atribuiu a Nossa Senhora do Rosário. Ali mesmo, mandou erguer, em ação de graças, uma capela sob a invocação da Senhora do Rosário.

Por isso, com razão escreveu o Papa Pio XI, a 29 de Setembro de 1937:

Desejamos vivamente que, durante o próximo mês de Outubro, o Santo Rosário seja rezado com devoção mais ardente por todos os cristãos… Que Aquela que vitoriosamente afastou das fronteiras dos povos cristãos a terrível Seita dos Albigenses, invocada e suplicada agora por nós, dissipe os novos erros, em particular os dos Comunistas, os quais por muitas razões e pelas suas numerosas perversidades recordam aquelas antigas heresias. E assim como no tempo das Cruzadas se elevava na Europa inteira, em todos os povos, uma súplica única, que também hoje, no mundo inteiro, nas metrópoles, nas cidades, vilas e aldeias, todos unidos pelo coração e pelo mesmo esforço, procurem com incessantes orações obter da poderosa Mãe de Deus, que sejam dissipados os destrutores da civilização cristã e humana, e que sobre as nações fatigadas e inquietas resplandeça a verdadeira paz”.4



FATOS RECENTES5


A Áustria

Na Europa central há um só pequeno país inteiramente livre – A Áustria. Fato mais maravilhoso ainda se considerarmos que a Áustria foi ocupada pelos russos em 1945, no final da II Guerra Mundial. E em 1954 declarava solenemente um dos chefes da Rússia: “Aquilo que nós um dia dominamos, nunca mais o perdemos”.

Por que perderam então a Áustria que dominavam? Por que deixaram livre, sem guerra, sem uso da força uma nação tão pequena e desarmada?

A resposta está no Terço Reparador, rezado no espírito da Mensagem de Fátima.

A Áustria tem 10 milhões de habitantes e um milhão deles, com o Primeiro-Ministro à frente, o Chanceler Dr. Figl, comprometeu-se a rezar todos os dias o terço. A 13 de Maio de 1955, aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima, os ocupantes retiraram-se e os austríacos viram a sua pátria livre e independente.

Teresa Neuman,6 que tinha no seu corpo as Chagas de Cristo e que durante dezenas de anos se alimentou somente com a Comunhão,7 disse pouco antes de morrer:

Com certeza, com certeza foram as orações e os muitos terços do povo da Áustria, que lhe mereceram a libertação”.

Todo o mundo se admirou e ainda hoje não compreende como é que este país ficou livre depois de esmagado durante 10 anos.

A resposta deu-a em Setembro de 1972, um Bispo da Áustria falando diante de todo o Episcopado a mais de 30 mil pessoas, na comemoração das Bodas de Prata da fundação da Obra do “Terço Reparador”:

Como em 1955 a Áustria foi libertada do jugo comunista pela fervorosa prece do Rosário, do mesmo modo e com igual arma, o mundo ficará livre dos atuais assaltos do Demônio e dos sequazes”.

Quer dizer, se rezarmos o terço, Nossa Senhora conceder-nos-á a verdadeira liberdade e paz.



O Brasil

Em 1964, o Brasil encontrava-se num momento perigosíssimo. Escreve uma revista alemã:

A comunização do Brasil estava iminente. Foi porém, frustrada, graças ao terço. Eis como as coisas se passaram:

Toda a vida pública fora declaradamente orientada para o marxismo pelas entidades oficiais, tanto na Política como na Economia, como na Instrução. O pior que se pode imaginar! Os erros do marxismo chegaram a introduzir-se no Clero… No Clero novo há, por vezes, muitas confusões de ordem ideológica… A ele cabe a responsabilidade de os marxistas terem tomado nas suas mãos a direção dos movimentos católicos juvenis.

Mas o povo conservou-se são. E o povo sublevou-se e começou a rezar o terço. Primeiro, as mulheres simples e piedosas, sozinhas. Depois, os homens e a juventude… A televisão captou e transmitiu a cena de mulheres, de terço na mão, a afugentar os comunistas…

Foi assim que o Brasil se salvou… à última hora, graças à reza do terço”.

Em Julho de 1964, veio a Fátima o Promotor das Congregações Marianas no Brasil, o Padre Valério Alberton,8 para agradecer à Santíssima Virgem a libertação da sua Pátria. Eis o que ele disse e escreveu:

Vencemos, graças a Nossa Senhora do Rosário. Foi a Mensagem de Fátima, vivida no Brasil, que nos libertou a tempo…

Era muito grave a situação do meu país. Todos os setores da atividade humana estavam minados. As posições-chave encontravam-se nas mãos dos comunistas notórios ou pró-comunistas. Os sindicatos, eram, na maioria, manobrados por eles.

Greves contínuas, algumas de caráter político, levavam a agitação a toda a parte. Também as Universidades foram penetradas… Eu mesmo constatei a gravidade da situação, porque viajei de Novembro (1963) a Março (1964), por todas as capitais do Brasil e estive em contato com os meios Universitários. Em meados de Março terminei a minha ‘volta’ com esta conclusão: ‘É um fato, que a Igreja perdeu o Mundo Universitário’.

A penetração era profunda nas Faculdades católicas. Até nos nossos colégios descobrimos células… Nem as Associações Católicas escaparam.

Só restava uma esperança: a devoção à Santíssima Virgem.

Os apelos reiterados e instantes à Oração e à Penitência, segundo o espírito de Fátima, reavivaram a Fé, que transporta montanhas e o impossível aconteceu; o milagre de uma guerra ganha sem uma gota de sangue, apesar de o Alto Comando Contra-revolucionário prever pelos menos três meses de luta encarniçada. Uma força inexplicável, humanamente falando, fez desmoronar, como por encanto, tal como um castelo de cartas, todo o dispositivo militar armado tão pacientemente e tão diabolicamente edificado… durante vários anos.

A evidência da graça era tal, que todos se convenceram, depois de uma vitória espetacular, e tão sem paralelo na História da Humanidade, de que ela não tem explicação humana. E, na verdade, os chefes militares e civis da Contra-revolução foram quase unânimes em atribuir a vitória a uma graça especial da Santíssima Virgem e muitos deles citam o Rosário como tendo sido a arma decisiva”.9

Perante o perigo, as Associações Católicas puseram a sua atividade ao serviço da Santíssima Virgem, 200.00 homens e rapazes inscritos nas 2.700 Congregações Marianas formaram um verdadeiro exército pacífico na luta pela liberdade.

As mulheres não ficaram atrás. Foram elas que levaram ao fracasso a Revolução Marxista de 1964, pela sua coragem e pela Fé e confiança, depositadas em Nossa Senhora. Foram elas e as crianças que distribuíram milhares de impressos com esta súplica: “Mãe de Deus, protegei-nos, defendei-nos e poupai-nos aos sofrimentos…”.

Atravessaram as ruas a rezar o terço e a entoar cânticos religiosos. Em 17 de Março de 1964 organizaram a “Marcha da Família pela Liberdade, com a ajuda de Deus”.

Todas as semanas, o Cardeal do Rio de Janeiro, alertava os católicos pedindo-lhes penitência, segundo o espírito de Fátima, para que Deus tivesse compaixão deles, por intercessão de Nossa Senhora.

No dia 31 de Março de 1964 sem guerra, sem luta, sem derramamento de sangue, raiou a hora da liberdade, da tranquilidade e da paz.


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1.  Veremundo Thoth, “Louvores à Virgem Maria ou Reflexões sobre a Ladainha de Nossa Senhora”, Cap. 38, pp. 103-105. AM edições, São Paulo/SP, 1993.

2.  Bula Ineffabilis Deus, 1854.

3.  1815-1888.

4.  Carta Encíclica “Ingravescentibus malis”, de 29 de Setembro de 1937.

5.  Rev. Pe. Fernando Leite, “Se Fizerem o que Eu vos disser, terão paz”, pp. 3-10. 12ª Edição, Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, Braga, 1981.

6.  Estigmatizada alemã.

7.  Eucarística.

8.  Padre Jesuíta.

9.  “Voz de Fátima”, Outubro de 1964.


terça-feira, 19 de abril de 2022

A HARMONIA DO CÉU, DESCANSANDO NOS BRAÇOS DO PARAÍSO DE DEUS.

 


Em Consideração do Menino Deus,

Dormindo nos Braços de Sua Mãe Santíssima.


Perguntáveis, Senhor, ao vosso servo Jó: Quem faria adormecer a harmonia do Céu: Concentum coeli quis dormire faciei?1 Muito obscuro era então este sagrado enigma: porém, já agora é muito claro; porque então este ocupavam a terra as sombras da Lei da Natureza: e agora, reina o formoso dia da vossa graça. A harmonia do Céu sois Vós meu Deus Menino: e a Donzela Mãe, no seu regaço fez dormir esta harmonia; dormir, porém, não para que emudeçais, senão para que respireis mais suavemente.

Nesta admirável partitura de Deus Menino, Vós mesmo, meu Deu Menino, sois o papel com notas, que são os membros de que se vestiu vossa Pessoa, para que Vos percebêssemos visivelmente: Cum ille (disse de Vós Crisóstomo) oculis cerni non posset, Deus ipsum literis, velut corpore vestivit, eique ceu carnem literas aspectabiles apposuit.2 E Vós mesmo também sois a clave: O clavis David, qui aperis, et nemo claudit.

Vós mesmo sois o compasso: porque a vossa mão, isto é, a vossa vontade e império, depois da anunciação maior de tantos séculos passados, assinalou o tempo perfeito, em que havíeis de baixar ao mundo no meio dos anos: In medio annorum notum facies,3 e no meio da noite, Dum nox in suo cursu medium iter haberet.4

Vós mesmo sois a voz que canta: Vox Dilecti mei, ecce iste venit. Ó, como esta voz é sonora? Tonabit in você sua mirabiliter, qui facit magna, et inscrutabilia.5 Ó, como é doce e suave, que faz derreter as almas! Anima mea liquefacta est, ut locutus est.6 Que destramente alterna e interpõem os pontos graves da Onipotência, com os agudos da Sabedoria, e os sobreagudos do Amor.

E não só sois a voz que canta; senão também o verso, ou canção que cantais; canção verdadeiramente nova, e admiravelmente composta para glória do Altíssimo. Porque, que consonâncias pode haver mais novas e esquisitas, que o Deus Homem, o Verbo feito carne, o Sol de noite, a Eternidade no tempo, o Imenso em faixas, o Infinito limitado? Christus (disse São Clemente de Alexandria) novum mihi vocantum est canticum; hoc est canticum novum,7 adventus qui nunc refulsit in carne.

E não somente sois o verso ou canção; senão também o instrumento musical em que cantais. Sois a suave cítara, por cuja vinda, como glória de toda vossa ascendência, suspirava vosso progenitor Davi: Exurge gloria mea, exurge psalterium, et cithara.8 Para a cítara dar sua melodia, três coisas concorrem: a arte, a mão e as cordas; as cordas tocadas da mão, e a mão governada pela arte. Vós sois a Arte, porque sois o Verbo, pelo qual o Supremo Artífice formou todas as coisas: Omnia per ipsum facta sunt.9 E sois também a mão, que desejava e pedia o mesmo Davi, que fosse feita para nos salvar: Fiat manus tua, ut salvet me10 verdadeiramente feita pela Encarnação quanto à Humanidade, abeterno éreis mão não feita, mas gerada: Manus quippe Dei (diz São Gregório) quae per Divinitatem non est facta, sed genita, per humanitatem facta est.11 E esta mão de Deus, que sois Vós, ó Unigênito do Pai, pegou das cordas, porque pegastes não dos Anjos, mas da nossa carne, fazendo-a instrumento de vossas maravilhas, que soasse nos Céus e na terra, e debaixo da terra: Sonum sola chorda excuitit, carnem solus Christus accepit:12 disse Santo Agostinho. Estas cordas de que pegastes como Mão e que tocastes como Arte, são as de Adão, com que tínheis prometido atrair-nos: In funiculis Adam traham eos.13 Ó, quanto melhor cítara é a vossa, meu Deus Menino, que a de Arião e a de Orfeu, celebradas pela fabulosa antiguidade! A cítara de Arião, dizem que edificou a Tebas atraindo pedras: a vossa edifica a Igreja militante e triunfante, atraindo os homens. A cítara de Orfeu, dizem que amansava as feras e transplantava as árvores: a vossa cítara, como tem tão finas cordas, tão destra mão, tão engenhosa arte, amantes os corações humanos, mais indomáveis que as mesmas feras; e transplanta as árvores estéreis do inculto deserto da Gentilidade, para o Paraíso da Igreja, onde levam frutos de vida eterna.

Pois se Vós, meu amantíssimo Menino, juntamente sois o papel, e as notas, e a clave, e o compasso, e a voz, e o verso, e o instrumento: quem negará que sois harmonia celestial: Concentum coeli? Esta harmonia pois do Céu, quem a faz adormecer, é MARIA, vossa Mãe Santíssima, reclinando-Vos amorosamente no recosto de seus braços. Os vales sombrios, a viração branda e o murmurar das fontes conciliam sono ao caminhante cansado. Caminhante sois, sendo juntamente compreensor, e estais cansadinho, porque vindes de muito longe, transpondo montes de dificuldades (Ecce iste venit saliens in montibus, transiliens valles)14, a fazer compreensores os caminhantes: que muito que adormecesses, se Vos recostastes no vale dos lírios e açucenas, nos braços, digo, de vossa Mãe puríssima: Maria vallis amoena, vernans virtutum lilijs:15 soando entretanto o brando sopro de suas aspirações amorosas, e o rugido manso de suas lágrimas puras? Vejo a MARIA como aurora, declinando para Vós seus olhos como estrelas: dormi meu belo infante; que a aurora traz consigo mais doce sono, e as estrelas ao caírem O persuadem: Suadent que codentia sydera somnos. Vendo-Vos assim reclinado no braço e ombro de MARIA Santíssima, Ela me parece Rainha, e Vós me pareceis Cetro: mas se o vosso Profeta Jeremias Vos visse agora, não diria que via um Cetro vigilante, Virgam vigilantem ego video:16 senão antes um Cetro dormente; pois, dormis Vós, que sois o Cetro ou Vara da virtude de Deus, mandado desde Sião a dominar o mundo: Sceptrum virtutis tuae emittet Dominus ex Sion dominare, etc. E se o Cetro vigiando é o símbolo da Justiça, e o Cetro dormindo é o símbolo da Misericórdia: a quem, meu Deus Menino, podia pertencer O tornar-Vos de vigilante para dormente, senão à vossa Mãe Santíssima, que trocou vossa justiça em misericórdia? A São Hadelino estando dormindo, o seu Anjo em figura de pomba, lhe fez sombra com as asas, porque o Sol dando-lhe nos olhos não o acordasse.17 Poderíamos temer, que os raios dos olhos de MARIA, dando-Vos no rosto, em que estão empregados, Vos acordassem: se assim como Ela é o Sol, Electa, ut Sol, não seria também pomba, Columba mea: e se como Sol com seus raios Vos descobre, como pomba com suas asas Vos ampara.

Dormi pois, meu precioso Menino, delícias de minha alma: dormi a bom levar; que se MARIA é poço, Puteus aquarum viventium,18 e Vós sois pedra, Petra autem erat Christus: ninguém estranhará que durmais como pedra em poço. Dormi; que bem é se sujeite às semelhanças da morte (Quid est somnus, gelidae nisi mortis imago?) quem se há de sujeitar às realidades, e se as realidades da morte as tereis nos braços de uma Cruz, as semelhanças hás tereis nos de uma Donzela. Dormi; que se Adão dormiu no Paraíso, Vós sois o Segundo Adão, MARIA o melhor Paraíso. Dormi, que ainda que Deus não dorme, é certo que descansou no Sábado: Requievit die septimo:19 e MARIA é o vosso Sábado delicado, onde achais o vosso descanso. Ó MARIA Santíssima, puríssima e formosíssima, pedi a essa harmonia do Céu, que em vossos braços tendes adormecida; que de tal sorte sossegue em nós o inquieto ruído de nossos remorsos e pecados, de nossas paixões e cuidados, de nossos sentidos e potências; que possamos pegar no sono da Oração de quietude, para acordar no dia de sua contemplação clara. Amém.


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Fonte: Ven. Pe. Manoel Bernardez, Oratoriano, “Luz e Calor – Obra Espiritual para os que Tratam do Exercício de Virtudes e Caminho de Perfeição”, 2ª Parte, Opúsculo IV, Solilóquio XIX, Pontos 395-396, pp. 444-447. Nova Edição, Lisboa, 1871.

1.  Job 38, 37.

2.  Ser. de Sigillis libror. t. 6. Graeco lat.

3.  Habac. 3, 2.

4.  Sap. 18, 14.

5.  Job 37, 5.

6.  Cânt. 5, 6.

7.  Initio Proterptici.

8.  Psalm. 56, 9.

9.  Joan. 1, 3.

10.  Psalm. 118, 173.

11.  Homil. 2. super Ezechi. Iem.

12.  Serm. 3. de Tempore.

13.  Osee. 11.

14.  Cânt. 2, 8.

15.  Lud. Blosius.

16.  Jeram. 1, 11.

17.  Acta Sanctorum 3. Februarij.

18.  Cânt. 4, 15.

19.  Gên. 2, 2.


sexta-feira, 15 de abril de 2022

NOVENA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, EM SUA SAGRADA PAIXÃO. 9º DIA.


Sofrimentos de Jesus no Gólgota 3


Invocação ao Divino Espírito Santo1

Vinde, ó Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado.

R. E renovareis a face da terra.

Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos que pelo mesmo Espírito, conheçamos tudo o que é reto e sempre gozemos de Suas consolações. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Ato de Contrição

Prostrados perante o Sacrário ou diante de uma imagem de Nosso Senhor, persignar-se e rezar:

Senhor meu Jesus Cristo. Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado, e porque Vos amo e estimo sobre todas as coisas, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração de Vos ter ofendido, pesa-me também, por ter perdido o Céu e merecido o Inferno, e proponho firmemente ajudado com o auxílio de vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender, espero alcançar o perdão de minhas culpas, pela vossa infinita misericórdia. Amém.


V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.

R. Apressai-Vos, Senhor, em me socorrer.

V. Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.2

R. Assim como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.



Vamos ao Calvário:

aí acharemos o Coração de Jesus aberto para todos.3


Quando os soldados foram quebrar as pernas aos dois ladrões, vendo que Jesus já estava morto, não Lhe aplicaram o mesmo tormento. Mas, um deles abriu-Lhe o Lado com a lança, e no mesmo instante correu Sangue e Água.4 Conforme São Cipriano, a lança foi diretamente ferir o Coração de Jesus de tal modo que foi dividido em duas partes, segundo a revelação feita à Santa Brígida. Crê-se por conseguinte, que a água saiu do Lado de Nosso Senhor com o Sangue, visto que a lança, para atingir o Coração, teve de ferir primeiro o pericárdio, isto é, a membrana que o cerca.

Santo Agostinho nota, que o Evangelista se serviu da palavra abrir: Aperuit, porque então se abriu no Coração do Salvador a porta da vida, por onde saíram os Sacramentos, sem os quais não se pode chegar à vida eterna. Diz-se que o Sangue e a Água que correram do Lado de Jesus Cristo, foram a figura dos Sacramentos, porque a Água é o símbolo do Batismo, que é o primeiro dos Sacramentos, e o Sangue do Divino Salvador é contido na Eucaristia, que é o maior dos Sacramentos.

São Bernardo ajunta, que Jesus Cristo quis receber a lançada que Lhe fez uma Chaga visível, para nos dar a entender, que Seu Coração trazia uma Chaga invisível de amor para com os homens. Quem então, conclui este grande Santo, não amaria este Coração ferido de amor?

Ó meu Redentor, de tal maneira tendes amado os homens, que não é possível que deixe de amar-Vos quem pensa nisto, porque vosso amor faz violência a nossos corações, como diz o Apóstolo.5 Este amor do Coração de Jesus aos homens vem do amor que Ele tem a Seu Pai; por isso, é que Ele dizia depois da Ceia: A fim de que o mundo saiba que amo a meu Pai, levantai-vos; vamos.6 E aonde queria ir? Morrer pelos homens sobre a Cruz.

Nenhuma inteligência pode compreender o ardor deste fogo divino no Coração de Jesus Cristo. Se, em vez de uma só morte, necessário Lhe fosse padecer mil, Jesus tinha amor bastante para sofrê-las. Se Lhe fosse preciso sofrer por todos, nosso Salvador não se teria negado a uma só de Suas imensas dores. Se, enfim, em lugar de ficar três horas na Cruz, necessário Lhe fosse ficar até o dia do juízo, Jesus amorosamente padeceria ainda este longo suplício. De sorte que o Coração de Jesus amou muito mais do que padeceu. Ó Coração de Jesus, vossa ternura é muito maior do que todos os sinais que me tendes dado dela. Estes sinais são grandes, porque tantas Chagas, tantas machucaduras, anunciam ardente amor; entretanto, só descobrem uma fraca parte da realidade; nós temos visto sair apenas uma centelha deste imenso fogo de amor. A maior prova de amor é dar a vida pelos amigos; isto não bastou a Jesus para exprimir toda a ternura do Seu Coração: Ele foi morto pelos Seus mais cruéis inimigos. Este prodígio de amor assombra as almas Santas, e as arrebata fora de si mesmas; faz nascer nelas os abrasados afetos, o desejo do martírio, a alegria nos padecimentos; ele é que faz triunfar nas grelhas ardentes, caminhar sobre os carvões acesos como sobre rosas, suspirar pelos tormentos, amar o que o mundo teme, abraçar com alegria o que o mundo odeia. Porquanto, Santo Ambrósio diz, que uma alma unida a Jesus na Cruz, não acha nada mais glorioso do que trazer sobre si as insígnias de Seu Esposo crucificado. Como, ó terno Coração de meu Salvador, como poderei Vos pagar este amor incomparável que me haveis testemunhado? Justo é que o sangue compense o sangue. Ah! Não me ver eu coberto deste Sangue Divino e cravado nesta Cruz que abraço! Ó Cruz Santa, recebe-me com Aquele que em ti está cravado, para minha salvação. Ó Coroa de espinhos, alarga-te, para que eu possa unir minha cabeça à do meu terno Senhor. Ó Cravos crudelíssimos, saí das Mãos inocentes de meu Deus, vinde penetrar meu coração de compaixão e amor.

São Paulo nos afirma, ó meu Jesus, que Vós morrestes para reinar sobre os vivos e sobre os mortos, não pelos castigos, mas pela doçura de vosso amor. Ó Conquistador dos corações, a força de vosso amor soube quebrar a dureza dos nossos. Vós abrasastes o mundo inteiro com vosso amor.7 Ó Jesus, vossa Cruz é um arco armado para ferir os corações. Saiba o mundo todo, que eu tenho o coração ferido… Ó Coração amantíssimo, que fizestes? Viestes para me curar, e me feristes!… Vistes para me ensinar a bem viver, e me tornastes como insensato!… Ó loucura cheia de sabedoria, não viva eu jamais sem Vós! Senhor, tudo o que meu olhar descobre na Cruz, convida-me a Vos amar; os cravos, os espinhos, o Sangue, as Chagas, principalmente, vosso Coração transpassado, tudo me convida a Vos amar e a não Vos esquecer jamais.

Prática

Por amor do Sagrado Coração, perdoo desde já a todos os meus inimigos. Minha reconciliação com eles se fará quanto antes possível; procurarei até esquecer as ofensas que eles me fizeram. – Perdoai, e sereis perdoados, diz Jesus.8



Afetos e Súplicas

Eu me compadeço, ó Mãe aflitíssima, da dor pungente que sentistes, quando vistes transpassar o doce Coração de vosso Filho já morto, morto por esses ingratos que, depois de Lhe terem tirado a vida, procuravam ainda atormentá-Lo. Por este cruel tormento, cuja pena sentistes, ó Mãe das Dores, eu Vos suplico que me obtenhais a graça de habitar no Coração de Jesus ferido e aberto para mim, nesse Coração, que é o belo asilo, o retiro de amor, onde vão repousar todas as almas que tem verdadeiro amor a Deus, e onde Deus somente, enquanto eu aí ficar, será o objeto de meus pensamentos e afetos. Virgem Santíssima, Vós podeis alcançar-me esta felicidade, de Vós a espero. Amém.

Oração Jaculatória

Ó Coração aberto para ser o refúgio das almas, recebei-me.



Exemplo

Santo Atanásio referiu a história seguinte aos Padres do Concílio de Niceia. Um cristão de Berito, devendo mudar de habitação, esqueceu de levar consigo, por descuido, uma bela imagem de Nosso Senhor em tamanho natural. A Providência quis que, depois de sua partida, um judeu fosse habitar na mesma casa, sem dar atenção à imagem que aí ficara. Tendo outro judeu visto a imagem, correu a avisar os rabinos do fato que presenciara. Estes, indignados, foram à casa indicada, e, vendo a imagem de que lhes tinham falado, exclamaram referindo-se a Cristo: “Como outrora Ele serviu de joguete a nossos pais, a nós também sirva agora”. E começaram a Lhe escarrar no rosto, a Lhe dar bofetadas, a ferir a Santa Imagem, dizendo: “Tudo o que nossos pais fizeram ao Nazareno, façamos à Sua Imagem”. E então meteram cravos nas Mãos e Pés do Salvador. Continuando na sua impiedade, disseram: “Consta-nos que Lhe deram a beber fel e vinagre; façamos nós também a mesma coisa”. Depois disseram: “Sabemos que nossos pais feriram Sua Cabeça com uma cana, firamo-la da mesma sorte”. E tomando uma cana, feriram a Cabeça do Salvador. Enfim, acrescentaram: “Afirmam que nossos pais transpassaram seu Lado e seu Coração com uma lança. Façamo-lo também, e ajuntemos este ultraje aos outros”. E um deles feriu com uma lança o Lado do Senhor. Mas, ó prodígio! Eis que grande quantidade de Sangue e Água corre por esta abertura… Vendo isto, disseram entre si: “Aqueles que adoram o Crucificado falam muitas vezes de curas por Ele operadas. Tomemos deste Sangue e desta Água, levemos à Sinagoga, reunamos todos os doentes, unjamo-los, e veremos se é verdade o que dizem”. Eles aproximaram então um vaso do Lado aberto pela lança, encheram-no de Sangue e Água que corriam dele, e o levaram proferindo blasfêmias. E tendo reunido todos os enfermos, ungiram primeiramente, em presença de todos os outros, um paralítico de nascimento, e de repente este se ergue e salta diante dos assistentes: estava perfeitamente curado. À esta notícia comoveu-se toda a cidade, os habitantes se deram pressa em levar para o lugar toda sorte de enfermos: paralíticos, coxos, cegos, leprosos, e à medida que os enfermos eram ungidos, cobravam saúde. À esta vista, todos os judeus exclamaram: “Glória ao Cristo, que nossos pais crucificaram, e nós crucificamos na Sua Imagem! Glória ao Filho de Deus, autor de tão grandes milagres! Nele cremos”. Eles então pediram o Batismo, e o Bispo, aquiescendo ao seu desejo, passou muitos dias batizando-os. Santo Atanásio, por esta narração, comoveu todos os Padres do Concílio e fez correr as lágrimas. Desta sorte é que ele mostrou que se deve honrar as Santas Imagens, e que elas eram a fonte das maiores graças.9 Imitemos nosso Divino Mestre, cujo Coração foi tão bondoso para com Seus mais cruéis inimigos, e demos, como Ele, o bem pelo mal.



Ladainha da Paixão10

Senhor, tende compaixão de nós.

Jesus Cristo, tende compaixão de nós.

Senhor, tende compaixão de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Deus Pai dos Céus, tende compaixão de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende compaixão de nós.

Deus Espírito Santo, tende compaixão de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende compaixão de nós.


Jesus, Rei da Glória, que fizestes a vossa entrada em Jerusalém para consumar a obra da nossa Redenção, tende compaixão de nós.

Jesus, prostrado no jardim das oliveiras, diante de vosso Pai, e carregado com os crimes do mundo inteiro, tende compaixão de nós.

Jesus, acabrunhado de tristeza, reduzido à agonia e abismado num mar de dores, tende compaixão de nós.

Jesus, que de todas as partes do vosso Corpo suastes sangue em abundância, tende compaixão de nós.

Jesus, traído por um Apóstolo pérfido e vendido a vil preço como um escravo, tende compaixão de nós.

Jesus, que abraçastes com amor o traidor Judas, tende compaixão de nós.

Jesus, arrastado por uma corda no pescoço pelas ruas de Jerusalém e coberto de maldições, tende compaixão de nós.

Jesus, injustamente acusado e condenado, tende compaixão de nós.

Jesus, saciado de opróbrios, coberto de escarros e contundido de bofetadas, tende compaixão de nós.

Jesus, vestido com um manto de ignomínias e tratado como insensato na corte de Herodes, tende compaixão de nós.

Jesus, flagelado, rasgado por golpes e alagado no vosso Sangue, tende compaixão de nós.

Jesus, coroado de agudos espinhos, tende compaixão de nós.

Jesus, tratado como um rei de comédia, tende compaixão de nós.

Jesus, que fostes comparado com Barrabás e proposto a ele, tende compaixão de nós.

Jesus, entregue por Pilatos à raiva dos vossos inimigos, tende compaixão de nós.

Jesus, esgotado de sofrimentos e sucumbido sob o peso da vossa Cruz, tende compaixão de nós.

Jesus, pregado na Cruz entre dois malfeitores, tende compaixão de nós.

Jesus, homem das dores, tende compaixão de nós.

Jesus, obediente até a morte, e morte horrorosa da Cruz, tende compaixão de nós.

Jesus, cheio de doçura para aqueles que Vos davam a beber fel e vinagre, tende compaixão de nós.

Jesus, que pedistes perdão pelos vossos algozes, tomando a defesa deles ante o vosso Pai, tende compaixão de nós.

Jesus, que pela nossa Redenção sacrificastes honra e vida, tende compaixão de nós.

Jesus, que expirastes na Cruz por amor de nós, tende compaixão de nós.


Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.

Sede-nos propício, escutai-nos, Senhor.


De todo o mal, livrai-nos, Senhor.

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.

Da morte em mau estado, livrai-nos, Senhor.

Da condenação eterna, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa agonia e suor de sangue, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa cruel flagelação, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa coroa de espinhos, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa Cruz e sofrimentos, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa sede e suspiros, livrai-nos, Senhor.

Pelas vossas cinco Chagas, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa morte, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa Ressurreição, livrai-nos, Senhor.

No dia do Juízo, livrai-nos, Senhor.


Ainda que muito pecadores, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que pela vossa Paixão aprendamos a conhecer a enormidade do pecado por cuja causa sofrestes, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que pela lembrança das vossas dores e sofrimentos, possamos suportar com paciência todas as penas, adversidades e doenças, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que em todas as nossas aflições, tristezas e tribulações, nos voltemos para Vós para obtermos paciência, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que recebamos da vossa mão sem murmurar as humilhações, desprezos, ultrajes, perseguições, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que suportemos a vosso exemplo as falsas acusações e juízos injustos, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que Vos digneis de nos tornar participantes dos frutos da vossa Cruz, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, pela virtude da vossa Cruz, triunfemos do Demônio, do mundo e da carne, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que possamos ser purificados de todo o pecado no vosso Sangue, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que possamos todos os dias levar a nossa cruz e seguir-Vos, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que pensemos muitas vezes com amor e reconhecimento na vossa Paixão, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, lembrando-nos de que morrestes pelo nosso amor, Vos amemos de todo o nosso coração, e só para Vós vivamos, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, na hora da nossa morte, Vos digneis de nos fortalecer pela vossa Cruz e Morte, nós Vos pedimos, atendei-nos.

Que, pela vossa Cruz, Vos digneis conduzir-nos a glória eterna, nós Vos pedimos, atendei-nos.


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Jesus.


Oremos: Senhor Jesus, que, descido do Céu e do seio de vosso Pai, derramastes o vosso precioso Sangue para remissão dos nossos pecados, humildemente Vos pedimos, que sejamos no dia do juízo colocados a vossa direita e mereçamos ouvir da vossa boca estas palavras: Vinde, benditos de meu Pai. Amém.


_____________________

1.  Manual das Indulgências – Normas e Concessões, Cap. “Outras Concessões” – Concessão 62, p. 72. Editora Paulus, 2ª Edição, São Paulo, 1990.

2.  Indulgência parcial. (Manual das Indulgências, ob. cit., Apêndice).

3.  “O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Afonso de Ligório – ou Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês”, coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.SS.R., 2ª Parte, 21º Dia, pp. 130-136. Tradução Portuguesa feita da 83ª Edição; 5ª Edição; Tipografia de Frederico Pustet, Impressor da Santa Sé; Ratisbona, 1926.

4.  Jo. 19, 34.

5.  II Cor. 5, 14.

6.  Jo. 14, 31.

7.  Luc. 12, 49.

8.  Luc. 6, 37.

9.  Labbe. Conc. t. 7.

10.  “As Mais Belas Orações de Santo Afonso de Ligório”, pelo Pe. Saint-Omer, C.Ss.R., Parte IV, Art. 2, § 3, pp. 514-516. Imprimé par les Etablissements Casterman, S.A., Tournai/Bélgica, 1921.


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