BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A Falsidade do Islamismo Segundo o Pe. Júlio Maria


Por um instante deixemos de lado, a vida, os ensinamentos e a propagação da religião de Maomé, para entrar no julgamento sereno da sua doutrina, estudando-a, por parte de seu autor, conforme os princípios de uma dedução inteligente e lógica.

Há várias religiões, porém, só há uma religião verdadeira, porque havendo um só Deus, só pode haver um modo certo de servir a este Deus.

Como descobrir a religião verdadeira no meio das numerosas seitas que se dizem possuidoras da verdade?

É simples e ao alcance de todos.

1. Deus é o Criador e o Senhor do homem. Consiste a religião nas relações entre Deus e o homem e tais relações nasceram no ato mesmo da criação do homem.

Foi naquele momento sublime que, dando a vida ao homem, Deus se tornou seu pai e o homem se tornou filho de Deus.

Aquele que dá a vida, chama-se pai e aquele que recebe a vida chama-se filho.

Logo, a religião verdadeira deve ter nascido no próprio berço da humanidade, junto ao primeiro homem.

2. A religião verdadeira, sendo obra do pai para com o filho, deve necessariamente adaptar-se a todas as faculdades do homem: deve ser luz para a inteligência, amor para o coração, força para a vontade, conduzindo o homem ao seu supremo destino, que é a felicidade eterna.

3. Sendo Deus a própria verdade, a religião, feita por ele, deve ser coerente e imutável, excluindo absolutamente toda contradição e toda mudança sucessiva.

Eis três princípios que nos permitem, sem receio de erros, descobrir a religião verdadeira.


Apliquemos agora estes três princípios ao Islamismo, e veremos logo destacar-se a sua falsidade, por não satisfazer a nenhum destes requisitos, absolutamente exigidos.

O Islamismo não nasceu no berço da humanidade, mas proveio dos ensinamentos de Maomé, que o imaginou, codificou e legou aos homens, não no começo da humanidade, mas sim, no ano 612, em Meca, organizando-o no ano 622 em Medina, onde o pseudo-profeta fixou o centro da sua reforma.

Antes desta época, não existia nem Alcorão, nem lei maometana. Começou neste ponto, e não pode passar além.

O reformador atribui a sua doutrina ao Arcanjo Gabriel. Nada, porém, tem ele com este Arcanjo, pois a religião deve ser revelada pelo próprio Deus, e não pelos Anjos que, sendo eles também servos de Deus, nenhum poder possuem para estabelecer uma religião divina.

O Islamismo não pode descer além de Maomé, e nenhuma relação, nenhuma ligação possui com a religião fundada por Deus, transmitida por Moisés e os Patriarcas, até chegar a Jesus Cristo, que realizou em sua pessoa, todas as profecias, e encerrou pelo Apóstolo São João, o ciclo das revelações divinas autênticas.

Não chegando até Deus a religião de Maomé, não é uma religião divina. É obra de seu fundador, uma religião humana, em contradição com a religião divina.

Logo, é uma religião falsa.


A religião verdadeira deve adaptar-se às faculdades do homem, isto é, deve ser luz, amor e força e conduzir o homem ao seu destino eterno.

Como vimos, o islamismo não realiza nenhum destes requisitos.

Não é luz.

O islamismo em nada contribuiu para o desenvolto do espírito humano. Pelo contrário, materializa o espírito, fecha-lhe o horizonte de uma vida pura, santa, abnegada, que termina na felicidade divina, e não numa felicidade material como ensina o Alcorão.

O céu do islamismo oferece o vício como suprema recompensa da virtude: até haverá palácios, riquezas, prazeres, mulheres e tudo o que a miséria humana pode sonhar para conhecer a si mesma e satisfazer os seus instintos humanos.

Não é amor.

O amor divino não figura no Alcorão, nele existe o medo, o terror, até a admiração das grandezas e do poder de Deus, nunca o amor. O amor espiritual, santo, sobrenatural é desconhecido na lei do pseudo-profeta. Nele figura somente a volúpia do prazer, da sensualidade, embrutecido, aniquilando, deste modo, o amor puro, o amor ideal que Deus semeou no coração humano. Para o maometano, amar é gozar. Para o homem espiritual, amar é dar. Para o islamismo o amor está no prazer; para o Cristianismo, o amor está em agradar aquele a quem se ama.

Não é força.

É uma violência de guerra, de luta, de conquista pelo fanatismo da dominação, porém, não é força de vontade pelo bem, pela virtude, pela grandeza espiritual do homem, pelo seu aperfeiçoamento, pela realização de um ideal superior.

Tudo é materializado. O espiritual, a santidade, é um ideal desconhecido para o islam.

Só conhece a força bruta da guerra. Ignora a força construtora da vontade, na virtude.

E depois, não conduz à salvação eterna. Esta salvação é a virtude, a santidade, o heroísmo espiritual, a abnegação própria, o desprezo dos bens passageiros do mundo.

Tudo isto não existe no islamismo. Logo, é uma religião falsa.


O terceiro requisito, é a coerência e a imutabilidade, partes essenciais da doutrina divina.

Aqui, mais ainda do que nos pontos precedentes, a religião de Maomé está fora de toda apreciação.

Facilmente, parece que o islamismo podia evitar toda aparência de contradição, pois, tomou como bagagem intelectual, apenas três dogmas simples e claros, emprestados à Filosofia: – a Unidade de Deus, a Imortalidade da Alma e a Sanção na eternidade, do bem e do mal.

Infelizmente, Maomé fez o seu comentário e as aplicações da sua doutrina, e neles semeou as contradições, a mãos cheias.

Ele se apresenta como continuador de Jesus Cristo e o selo do profetas.1

Ora, Jesus declarou que não seria continuado nem completado por ninguém e que a sua Igreja (doutrina) permaneceria até a consumação dos séculos, até ao dia do Juízo Geral.2

De outra parte, salta aos olhos que a obra de Maomé, pela sua moral, sua doutrinal social e religiosa, não é um progresso, mas um imenso recuo na doutrina de Jesus Cristo, como vemos claramente na exposição dos capítulos anteriores deste estudo.

E o próprio Alcorão, o livro sagrado do Islã, quantas incoerências não apresenta!

O pseudo-profeta o compôs, ou o fez compor do começo até ao fim, tendo que ser coerente consigo mesmo. Não soube, porém, fazê-lo e ele mesmo o percebia.

Para se tirar do embaraço, atribuía a São Gabriel esta frase tão admirável de incoerências e contradição, como é ofensiva e blasfema a Deus: “Se omitimos um versículo do Alcorão, ou se apagamos a sua lembrança de teu coração, nós te trazemos outro melhor ou semelhante”.

Eis Deus que se corrige a si mesmo, que se completa, que se aperfeiçoa.

Como consequência, os teólogos muçulmanos retiraram do Alcorão um certo número de passagens, visivelmente esquecidas. Umas foram ab-rogadas quanto à letra e ao estudo; não contam mais. São lapsos divinos, distrações de Deus, falta de memória de Deus. Outras passagens foram ab-rogadas quanto à letra, porém, foram substituídas, quanto ao sentido, por outras semelhantes.

Outras ainda foram completamente riscadas e canceladas: eram ignorâncias divinas. Outras, enfim, ficaram no livro, mas ab-rogadas, quanto ao sentido, constituindo (notem bem isso) as contradições oficialmente reconhecidas e conservadas…

Há no Alcorão, 207 versículos que sempre figuram no texto, mas que são ab-rogados por 93 outros.

O quinto versículo da Sura 9 ab-roga, ele só, 124 outros. As revelações ab-rogadas foram substituídas por melhores ou mais cômodas, as quais, à medida das necessidades, permitiram a Maomé violar suas próprias leis sobre o Matrimônio, de continuar em nome de Alá (Deus) os seus saques, roubos, assassínios e tráficos vergonhosos.3

O próprio profeta se envergonha destas contradições e crimes e confessa, no Alcorão, a enormidade de seu crime.

Bossuet havia formulado este princípio seguro: “O que muda é falso: a verdade não muda”.

O Islamismo mudou, se contradiz, se corrige; logo, ele é falso.

Paremos aqui; é o bastante para uma pessoa sincera, leal, à procura da verdade, verificar que o Islamismo é uma religião falsa, não é a religião divina, a única religião verdadeira.

Onde está esta religião? Já o dissemos: É a religião de Jesus Cristo, conservada intacta no ensino da Igreja Católica, Apostólica, Romana.

Só a religião católica se apoia no berço da humanidade, só ela se adapta perfeitamente às necessidades do homem; só ela é coerente em seu ensino e imutável em sua doutrina; só ela tem as promessas da vida eterna e a certeza da existência perpétua.



Fonte: Rev. Pe. Júlio Maria, S.D.N., “São Gabriel, Maomé e o Islamismo”, Cap. XII, pp. 153-159; 1ª Edição, Editora “O Lutador”, Manhumirim – MG, 1954.



1Cap. III do Alcorão – V. 77; Cap. IV – V. 161; Cap. XXXIII – V. 40.
2Mat. 28, 19 – 17, 17 – XXIV, 24.
3Alcorão C. 33-V. 28-53-66, 1 – 2 etc.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

CATECISMO DA ORDEM TERCEIRA SECULAR DE NOSSA SENHORA DO CARMO.



1. – Destina-se a Ordem Terceira a qualquer pessoa?

Não. A Ordem Terceira destina-se a um grupo seleto de homens e mulheres que, por amor de Deus e maior honra de Sua Santíssima Mãe, estão dispostos a fazer mais do que é exigido de um simples católico. A entrada na Confraria de Nossa Senhora do Carmo é facilitada a todos os fiéis, todavia, a da Ordem Terceira fica reservada a poucos escolhidos.

2. – Qual é a diferença entre a Ordem Terceira e a Confraria?

a) O Terceiro é de fato membro da Ordem ainda que leigo. O membro da Confraria, porém, não pertence à Ordem, mas, está simplesmente a ela agregado, participando das suas orações e boas obras.

b) O Terceiro deve seguir a Regra de Santo Alberto, enquanto que o Confrade não está ligado a regra alguma, exigindo-se simplesmente dele o uso do Escapulário e uma devoção especial para com Nossa Senhora do Carmo.

c) O sinal exterior do Terceiro é o Escapulário grande, enquanto que o do Confrade é o pequeno.

d) Pelo fato de o Terceiro ser membro da Ordem, ele participa do seu tesouro espiritual mais abundantemente do que o Confrade.

3. – O que é que se entende por participação do tesouro espiritual da Ordem?

Em virtude de a Ordem ser um corpo místico dentro do Corpo Místico Geral da Igreja, ela tem a sua própria comunicação dos Santos, o seu Tesouro espiritual de oração, boas obras, etc. Através de todo o corpo místico do Carmelo circula a mesma vida espiritual, portadora de vida, mérito, fortaleza e vigor espiritual.

Quando alguém se torna membro da Ordem, participa dos méritos super-abundantes dos Santos do Carmelo e das orações, sacrifícios e boas obras de toda a Ordem.

4. – Qual é o espírito da Ordem Terceira?

Em geral, o espírito, segundo o qual se vive, é uma atitude da alma que tendo a sua origem numa escolha deliberada, se torna como que uma segunda natureza; é uma via espontânea de pensar, julgar e estimar as coisas. Na vida do Terceiro esta força vivificante é constituída por um amor profundo e permanente a Nossa Senhora do Carmo, a qual, fermenta, por assim dizer, o seu pensamento, transformando-o, incita a sua vontade e faz com que viva habitualmente em união amorosa com Ela. Exemplos magníficos da força transformante deste amor de Maria, encontramo-lo na vida dos Santos Carmelitas, tais como São Pedro Tomás, Santa Maria Madalena de Pazzi, Santa Teresinha e especialmente na vida espiritual da Terceira Carmelita, Maria Petyt.

5. – Como é que se pode adquirir o espírito do Carmelo?

Vivendo e caminhando na presença de Deus e de sua Mãe Santíssima, num esforço constante em imitar as suas virtudes e numa dependência amorosa d’Ela em tudo o que diz respeito à nossa felicidade espiritual e material.

6. – A nossa imitação de Maria leva-nos a negligenciar de algum modo o dever de nos tornarmos semelhantes a Cristo?

Não. O caminho mais curto e fácil para uma vida semelhante à de Cristo é por Maria, Mãe de Cristo. Ser filho de Maria é ser irmão de Cristo. Ele vem até nós através d’Ela e Ele quer que vamos até Ele através d’Ela. O seu desejo íntimo é de formar Cristo nas nossas almas e quando vê a Sua imagem em nós, regozija-se dos frutos da sua maternidade espiritual. O verdadeiro amor de Maria consiste em trazer Cristo interiormente na sua própria natureza e vivendo no seu espírito, gera o espírito de Seu Filho.

7. – O espírito do Carmelo é filial ou servil?

O espírito do Carmelo é filial. Maria é a Mãe do Carmelo e todos os que pertencem à sua Ordem são membros da Sua Família, filhos e filhas de seu amor predileto. Desta maneira nossas relações para com Ela, são as de uma criança para com a mãe e não as de um escravo para com o seu senhor. O Carmelo é a família espiritual mais antiga de Nossa Senhora, e toda a sua história revela um espírito familiar nascido de um amor filial para com ela.

8. – Qual foi na história do Carmelo, o século de maior esplendor do espírito mariano da Ordem?

A tradição mariana da Ordem alcança o seu esplendor no século XVII, especialmente com a Reforma de Touraine. A Terceira, Maria Petyt é talvez a maior mística mariana da Igreja.

9. – Deu Maria algum sinal de ser Ela mais Mãe do que Rainha do Carmelo?

A dádiva do hábito, o nosso Escapulário, é evidentemente uma prova do seu desejo de se mostrar como Mãe do Carmelo. O hábito do Carmelo tem de ser visto à luz do seu fundo bíblico, especialmente do Antigo Testamento. Em linguagem bíblica, o traje tinha um profundo significado místico, por isso, que sempre continha algo à maneira de uma herança espiritual. O vestuário era precisamente o sinal exterior de alguma coisa interior ou espiritual. Por exemplo, quando Elias encontrou Eliseu a lavrar a terra, lançou o seu manto sobre ele e Eliseu levantou-se, seguiu-o e pôs-se a seu serviço. E quando o Profeta subiu ao Céu no seu carro de fogo, lançou a sua capa sobre os ombros de Eliseu, o que duplicou nele o espírito de seu mestre.

À luz deste fundo pode-se compreender o significado espiritual do nosso vestuário no antigo hábito do Carmo, que muito antes da aparição de Nossa Senhora a São Simão Stock, era um sinal de especial amor para com Ela. Não há gesto mais indicativo do amor maternal, do que o de vestir um filho. Quando Maria deu à luz o seu Primogênito, envolveu-O em faixas e podemos ter quase a certeza de ter sido Ela quem fez a túnica inconsútil que Ele levou até o Calvário.

Dessa maneira, na cerimônia de tomada de hábito na Ordem, é Maria, a Mãe, que veste os seus “outros filhos”, para que sob o seu cuidado amoroso e sua proteção, possam crescer em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens.

10. – O hábito ou Escapulário tem em si mesmo algum valor sobrenatural?

Não. Todo o seu valor espiritual está na fé, que na Onipotência Suplicante da Mãe de Deus, tem aquele que o veste.

11. – Pode-se dizer que o hábito ou o Escapulário seja um meio de Consagração a Maria?

O hábito do Carmo foi desde o início de sua história um meio de consagração a Deus e Nossa Senhora. Os primeiros eremitas do Monte Carmelo consagravam as suas vidas a Deus e à Mãe Santíssima e entregavam-se à contemplação para A honrarem. O Pontífice Pio XII, pediu a todos que vissem no hábito ou Escapulário, um sinal de Consagração ao Imaculado Coração de Maria (Carta pela Comemoração do VII Centenário do Escapulário, em 1950).

12. – Como sinal da Consagração a Maria, deve-se preferir o hábito (Escapulário), ou a medalha?

Quem estiver familiarizado com o simbolismo antigo do vestuário, não pode ter dúvida de que o Hábito ou Escapulário ser preferível à medalha; porque o Hábito, tal como um uniforme ou libré, cobre toda a pessoa e mostra a sua pertença a outrem. A medalha, é aliás frequentemente, um mero substituto do Hábito ou Escapulário. Além disso, está prescrito aos Terceiros, o uso do Escapulário.

13. – O que é que se entende, por Consagração por meio do Hábito?

Por consagração, entende-se que uma pessoa, um local ou uma coisa, deixa de ser posse de homem, para se tornar, de uma maneira especial, propriedade de Deus. Assim, o Padre é escolhido entre os homens, para se tornar Ministro de Deus, e, o Cálice, taça vulgar, é retirado do uso profano, para servir somente no altar. Dessa maneira, na consagração pelo hábito ou Escapulário, tornamo-nos, se assim se pode dizer, propriedade de Maria; tornamo-nos Seus de uma maneira especial e comprometemo-nos a serví-lA sempre.

14. – Poderá a própria vida de Maria servir-nos de Modelo de Consagração?

Maria tinha continuamente a consciência da sua pertença a Deus, e de estar na terra para realizar a Sua Vontade como ela se realiza no Céu. As suas palavras: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra” mostram que era para servir e praticar a Verdade na Caridade que Ela vivia. O Terceiro deve estar repleto dos mesmos sentimentos de espírito e coração em veneração a Nossa Senhora. Embora a nossa dependência d’Ela seja essencialmente diferente da nossa dependência de Deus, sabemos que Ela é a Mãe da Divina Graça e que todos os favores de Deus, mesmo a vida eterna, vem até nós através d’Ela. Servi-La é reinar.

15. – Deve o Terceiro renovar com frequência a sua consagração a Nossa Senhora?

O Terceiro deverá renovar se possível diariamente a sua consagração a Ela, a fim de alcançar uma dependência amorosa, viva e duradoura.

16. – O que é que se entende por Consagração Total a Maria?

Por consagração total entende-se que a nossa vida inteira deve ser vivida para Maria e que Ela em troca a oferecerá a Deus, enriquecida com os seus próprios méritos e doçura do seu amor.

17. – Para nos consagrarmos a Nossa Senhora serão necessários os dois votos prescritos pela Regra?

Em virtude do Hábito ou Escapulário ser um sinal de consagração a Maria, sua simples imposição, mesmo sem os votos, é já de per si um ato de consagração a Ela.

18. – Sendo assim, qual é o valor dos votos?

O fato de se prestar os votos fortalece a nossa vontade para dar algo a Deus corroborando o motivo. Além disso, dá às nossas boas ações um valor e um mérito particular, tornando-os atos de virtude de religião. Os dois votos da Regra da Ordem Terceira tornam também a nossa consagração a Nossa Senhora mais íntima e mais perfeita.

19. – Espera-se do Terceiro Carmelita que ele ore mais do que o simples Católico?

Sendo a oração o fim primário de toda a vocação Carmelita deverá o Terceiro torná-la a ocupação principal da sua vida. Mais do que qualquer outro católico, deverá ele aprender a arte da oração contínua.

20. – Haverá algum Método de Oração Carmelitano?

Sim, se tomarmos o termo “método” num sentido lato. O método carmelitano de oração, é o que é conhecido como afetivo, porquanto acentua a importância do amor e do afeto na oração, encoraja a espontaneidade e pretende levar a alma à contemplação.

21. – Segundo a tradição Carmelitana, o que se deve entender por Contemplação?

Segundo os autores carmelitas, a contemplação é uma união permanente e consciente da alma com a Santíssima Trindade, com Cristo ou com Sua Santíssima Mãe, a qual nos leva a um colóquio amoroso com Eles.

22. – Para o Terceiro que vive no mundo, será possível a aquisição e a prática do espírito de Contemplação?

Há uma forma de contemplação chamada infusa, que é dádiva gratuita de Deus. Todavia, a forma chamada contemplação adquirida está ao alcance de toda a gente. O Terceiro que procura Deus com um coração limpo e espírito puro, tornar-se-á um contemplativo.

23. – Terá grande importância na vida do Terceiro a Meditação diária?

Sim, visto ser impossível sem meditação atingir a perfeição na vida espiritual. O Terceiro deverá imitar Maria, que guardava a Palavra de Deus no seu Coração e meditava nela. É durante a meditação, que a Palavra de Deus se torna luz, amor e força espiritual na alma.

24. – Há na Espiritualidade Carmelitana alguns exercícios espirituais, particularmente indicados, para alentar o espírito carmelitano de oração e de união com Deus?

Sim: os dois mais importantes são: 1) a prática da presença de Deus e de Nossa Senhora e, 2) uma especial devoção a Nossa Senhora.

A prática da presença de Deus, remonta através da história Carmelitana até Santo Elias, o Profeta, que sempre permanecia e caminhava na presença de Deus. Os seus filhos espirituais seguiram sempre o seu exemplo. Podia-se dizer que, antes de a vida espiritual se ter organizado na sua forma atual, toda a espiritualidade carmelita se baseava neste exercício. Um dos melhores tratados sobre este assunto foi escrito pelo Irmão Lourenço, Carmelita do século XVII. É de admitir que a especial devoção para com Nossa Senhora do Carmo tivesse desenvolvido o espírito Carmelita. Muitos Santos Carmelitas tinham-lhe tal devoção, que vivendo na Sua presença, foram por Ela levados ao estado mais alto de perfeição e adquiriram o Seu espírito de íntima união com Deus.

25. – O que é que se entende por uma Devoção especial a Maria?

O Terceiro, além de cumprir as prescrições da Regra, que constitui um compêndio da vida de Maria, mostrará o seu especial amor a Ela, imitando as suas virtudes próprias. Ainda que Ela fosse em tudo o espelho perfeito da santidade de Seu Filho, algumas de suas virtudes parecem, todavia, brilhar com um esplendor especial. A sua humildade mereceu-lhe o privilégio de se tornar a Mãe de Deus; a pureza de espírito e de corpo, foi a sua virtude favorita; a obediência total à Vontade de Deus, explica toda a sua vida e aí está a essência do seu sacrifício por nós; o seu “Magnificat”, como oração, fica somente abaixo do Pai Nosso e foi o seu heroico amor ao próximo a levá-lA até ao pé da Cruz. São estas virtudes os traços salientes da sua vida e todos os que por Ela tem um amor especial, deveriam empenhar-se em imitá-lA.

26. – Porque se deve preferir o Pequeno Ofício da Virgem Santíssima à “coroinha” dos 25 Pai Nossos e Ave Marias?

Por ser o Pequeno Ofício uma oração litúrgica. Quando o rezamos, é em união com todo o Corpo, cuja Cabeça é Cristo que oramos, associando-nos por assim dizer ao concerto de oração de Cristo, do Espírito Santo, da Santíssima Mãe, dos Coros Angélicos, dos Santos e de todos os fiéis da Terra. Nenhuma oração particular, por mais excelente que ela seja, pode possuir tamanho valor espiritual.

27. – Poderá o Terceiro rezar o Ofício Divino ou o chamado Ofício Laico em vez do Pequeno Ofício?

Sem dúvida; e se houver dificuldade em encontrar tempo, dever-se-á sacrificar algumas devoções particulares para o poder fazer. A Oração, como tudo o que fazemos, pode-se tornar monótona. Ora bem, a mudança de Festas Litúrgicas, que se encontra no Ofício Divino e no Ofício Laico, ajuda de maneira eficaz a evitar a monotonia na oração.

28. – Deverá o Terceiro rezar o Ofício segundo o Rito Carmelita (do Santo Sepulcro)?

É privilégio dos Terceiros, rezar segundo o Rito Carmelita. Assim fazendo penetrará mais intimamente na vida de oração da Ordem.

29. – Tem a Missa algum significado especial para o Terceiro?

Sim; desde que o Terceiro se consagrou a Deus, através de Nossa Senhora, cada Missa tem de testemunhar uma renovação da sua resolução de consagrar a sua vida a Deus, devendo empenhar-se em assistir à Missa com os mesmos sentimentos de espírito e coração que Nossa Senhora possuía ao pé da Cruz, no Calvário.

30. – É coisa importante a leitura espiritual para o Terceiro?

Visto o mundo em que o Terceiro tem de viver estar cheio de concupiscência da carne e da soberba da vida, o Terceiro deverá encher o espírito de santos pensamentos e desejos, ocupando-se na leitura espiritual. Do conhecimento, nasce o amor e não podemos esperar amar e servir a Deus senão conhecendo-O.

31. – Como é que se deverá fazer a Leitura Espiritual?

Devemos fazer a leitura espiritual unicamente para melhor conhecer e amar a Deus. Além disso, deverá ser feita lentamente, acompanhada de oração e meditação. Sob o ponto de vista espiritual, é inútil o conhecimento que não reverte em amor.

32. – porque é que a Regra liga tanta importância ao espírito de renúncia?

É para o Terceiro se obrigar a um esforço tendente a alcançar um estado de perfeição mais alto do que o de um simples católico, e para o progresso espiritual estar em proporção direta com o espírito de renúncia, que a Regra dá importância a todas as formas de abnegação. Com efeito, a vida da graça veio até nós por uma Cruz, e é somente no espírito do sacrifício que ela amadurece e se aperfeiçoa. O Terceiro que não se esforça por viver neste espírito, nunca chega a uma íntima conversação com Deus.

33. – Há alguma forma prática de Abnegação?

Uma forma prática de abnegação, é a Caridade no falar. O Apóstolo São Tiago assegura-nos ser homem perfeito quem a ninguém ofende por palavras.

34. – Será o apostolado ativo uma parte necessária da vida do Terceiro?

Embora a ocupação principal de todo o Carmelita, seja a oração, nenhum Carmelita pode amar Maria sem amar aqueles sem os quais Ela se tornou Rainha dos Mártires. Maria é para toda a Humanidade a portadora de Cristo, e aqueles que A querem imitar, tem de sê-lo igualmente. Apenas Ela concebeu Cristo, levantou-se e caminhou apressadamente para repartir o seu Tesouro com Isabel e João Batista. Deste modo, todo o Terceiro deverá ser como Maria, portador de Cristo, levando aos outros as riquezas de nossa fé.

35. – Qual é o Apostolado mais eficaz?

O Apostolado mais eficaz, é o do bom exemplo. O Terceiro deverá ser um fermento na vida dos outros, um exemplo ardente e brilhante numa sociedade paganizada. Deve ser para a sociedade o sal que detém a corrupção da sua moralidade e que mantém o bem que nela resta. A ação católica deverá sempre começar em nós mesmos, e nunca se deverá pregar antes de se ter praticado. Esquece-se demasiadamente, que a santidade pessoal nunca permanece pessoal, mas que na realidade se espalha pelos outros membros do Corpo Místico, fazendo com que a vida da graça circule neles. “Toda a alma fiel, ao fazer a Vontade do Pai com a mais frutuosa Caridade, é mãe de Cristo e daqueles que Ele incita até Cristo se formar neles” (Santo Agostinho).

36. – O Terceiro está obrigado a exercer algum apostolado especial?

O apostolado da Ordem Terceira é o da Igreja e o da Ordem. O Terceiro tem de estudar as necessidades presentes da Igreja e da Ordem, a fim de as ajudar com o melhor de seus dons. O Sodalício local estudará as necessidades locais e elaborará um plano de ação para os seus membros.

37. – Pode-se pertencer ao mesmo tempo a mais de uma Ordem Terceira?

Sim, mas só com a permissão da Santa Sé.

38. – Deverão os Terceiros tomar parte ativa nas atividades paroquiais?

Sim. Deverão ser guias em tudo o que interessar à sua Paróquia.


______________________

Fonte: Frei Kiliano Linch, O.Carm., "Catecismo da Ordem Terceira do Carmo".


Redes Sociais

Continue Acessando

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...