BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 2 de julho de 2021

A PRIMEIRA SEXTA-FEIRA DO MÊS DE JULHO.


Coração de Jesus, Modelo de Humildade.

Ó quanto é bela a alma ornada da virtude da humildade! O humilde de coração, nos diz São Paulino, torna-se o Coração de Jesus Cristo mesmo: Humilis corde Cor Christi est. E por quê? Porque a humildade nos une ao Coração de Jesus Cristo, que é a humildade mesma, como Ele nos ensina por sua própria boca: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.1 Antes de Jesus Cristo, esta bela virtude era pouco conhecida e pouco estimada, ou antes era aborrecida sobre a terra; por toda a parte reinava o maldito orgulho, que causou a desgraça de Adão e de todo o gênero humano; por isso, o Filho de Deus veio do Céu para no-la ensinar, não somente por sua palavra, mas ainda por seu exemplo; a este fim Ele se humilhou até fazer-se homem, tomando a forma de servo.2 Ele quis até, entre os homens, ser tratado como objeto de desprezo e como o último de todos, conforme o que disse Isaías.3 Com efeito, em Belém, nós O vemos nascido num presépio e deitado numa manjedoura; em Nazaré, vemo-lO desconhecido e pobre numa oficina, fazendo o ofício de servo de um pobre artesão. Vemo-lO, finalmente, em Jerusalém, flagelado como escravo, esbofeteado como homem vil, coroado como rei de teatro e crucificado como criminoso. Escutemos agora, o que Ele nos recomenda: Eu vos dei o exemplo, a fim de que façais, o que eu fiz por vós.4 Como se dissesse: Meus filhos, se abracei todas estas ignomínias, é para que, seguindo meu exemplo, não as desdenheis.

Santo Agostinho, falando da humildade de Jesus Cristo, diz que, se tal remédio não nos cura de nosso orgulho, difícil será achar-se outro meio de nos livrarmos dele. Eis aqui o que o mesmo Santo escrevia a um amigo: Se quereis saber qual é a virtude principal, que nos cumpre praticar para nos tornarmos discípulos de Jesus Cristo, e a mais eficaz para nos unir a Deus, dir-vos-ei que é primeiramente a humildade, em segundo lugar a humildade, em terceiro lugar a humildade; interrogai-me quantas vezes quiserdes, sempre tereis a mesma resposta.

A humildade de espírito consiste em nos julgarmos dignos de desprezo; mas a humildade de coração consiste em desejarmos ser desprezados dos outros e nos comprazermos nas humilhações. Esta é propriamente a humildade que Jesus Cristo veio nos ensinar por seu exemplo, quando disse: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração. Muitas pessoas são humilde de boca, sem o serem de coração; há, diz São Gregório, pessoas que se declaram criminosas, dignas de todos os suplícios, mas que não creem no que dizem; porque, se alguém as repreende, logo se amofinam e sustentam que não têm a falta que se lhes imputa, não deram escândalo nenhum, valem mais do que muitas outras a quem não repreendem, etc. Esta humildade é só de boca; não é a humildade recomendada e praticada por Jesus Cristo, isto é, a humildade de coração. A humildade, diz São Vicente de Paulo, parece bela em especulação, mas na prática é horrível, porque consiste em amar os abatimentos e desprezos. Conforme São Francisco Xavier, o amor das honras é coisa indigna de todo cristão, que deve ter sem cessar diante dos olhos as ignomínias de Jesus Cristo; quanto mais indigno é esse amor da alma que se diz discípula do Coração infinitamente humilde de Jesus Cristo! Se queremos, pois, santificar-nos, apreciaremos, segundo o conselho de São Boaventura, viver ignorados e ser tidos em nada.

Prática

Evitarei falar em meu louvor; se outros me louvam, humilhar-me-ei interiormente lançando um olhar sobre minhas faltas e dizendo: Eu só valho aquilo que sou diante de Deus. Quando delinquir neste ponto, pedirei perdão logo ao Coração tão humilde de Jesus. Direi muitas vezes esta bela jaculatória:

“Jesus, manso e humilde de coração,

fazei meu coração semelhante ao vosso”.5


Afetos e Súplicas

Ó Coração humilíssimo de Jesus, que, por amor de mim, quisestes ser obediente até a morte de Cruz, como ouso aparecer ante Vós e dizer-me discípulo vosso, eu, tão grande pecador, e contudo tão orgulhoso, que não posso suportar um desprezo sem ressentir-me? Donde me vem esse orgulho, se, por meus pecados, tenho merecido tantas vezes ser calcado aos pés do Demônio nos Infernos? Ó Coração divino, abeberado de tantos desprezos, fazei que eu me torne semelhante a Vós. Sinceramente desejo mudar de proceder; por meu amor sofrestes todos os opróbrios; quero por vosso amor suportar todas as injúrias. Meu divino Redentor, pelo fato de abraçardes as humilhações com tanto amor durante vossa vida, Vós as tornastes tão honrosas e desejáveis, que eu de agora em diante quero por toda a minha glória em sofrer convosco e por Vós: Longe de mim o pensamento de buscar minha glória em outra coisa fora da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.6 Ó humilíssima Maria, Rainha do Céu e Mãe de Deus, em todas as coisas e especialmente nos padecimentos, adquiristes a mais perfeita semelhança com vosso divino Filho; obtende-me a graça de suportar com resignação todos os ultrajes que me forem feitos no futuro. Assim seja.

Oração Jaculatória

Coração Sagrado de Jesus, tende compaixão de mim.7


Santa Germana de Cousin

Exemplo

A Bem-aventurada Germana Cousin tinha apenas 22 anos quando morreu em 1601. Sua vida nos mostra que se pode adquirir a santificação em todos os estados e em qualquer idade, mas não sem o sofrimento, que é o caminho real da santidade. Aos cinco anos ela perdeu sua mãe. Tendo seu pai contraído novas núpcias, viu-se Cousin sob o jugo de uma cruel madrasta, cujo capricho era obrigar a menina a trabalhar acima de suas forças. Germana, tão estimada de sua mãe, achou duríssima sua nova situação. Também, ela não cessava de chorar; mas pouco a pouco se acostumou a sofrer em silêncio, e a buscar somente na oração e no amor de Jesus e de Maria a consolação e força de que tinha necessidade nas suas dores. Depois de sua Primeira Comunhão, sua madrasta, para tê-la fora de sua companhia, decidiu-se a empregá-la na guarda do rebanho. Germana aceitou o cargo sem murmurar. Todas as manhãs, depois de ter recebido um duro pedaço de pão, e tomando lã para fiar, dirigia-se com seu rebanho para um pequeno vale. Lá sob um velho carvalho, trabalhando ou ajoelhada, ela não cessava de orar. Em certas horas, falava de Deus às meninas da aldeia que eram atraídas por sua doçura, e quando acontecia passar um mendigo, ela dividia com ele seu pão. Quando, ao anoitecer, recolhia-se do campo para a casa, não lhe era permitido aproximar-se do fogão nem da mesa, protestando a madrasta que Germana tinha uma enfermidade que podia passar a outros meninos; para repousar, destinou-lhe a madrasta um leito de sarmento colocado sob uma escada, numa galeria aberta a todos os ventos. Entretanto, nunca fez ouvir uma queixa. Cada Domingo, ela se aproximava devotamente da Santa Mesa e ficava todo o dia na igreja perto do Coração do seu Amado. Durante a semana, quando ouvia o sino chamar os fiéis para o Santo Sacrifício da Missa, Germana ardia em desejos de assistir a ele e unir-se assim mais intimamente ao Coração de Jesus, Sacerdote e Vítima. Mas aí! Seu dever a retinha perto do seu rebanho. Um dia enfim, inspirada do alto, ela chama seus cordeiros e ovelhas, planta sua roca no meio deles, recomenda-os aos Anjos, e vai tranquilamente à Missa. Ao voltar, encontra o rebanho pacificamente deitado em torno da roca, como o tinha deixado. Desde então, ela não se privou mais da felicidade de assistir ao Santo Sacrifício. Cada dia, quando o sino tocava, ela fincava a roca no chão, e os animais dóceis vinham colocar-se em torno dela; e embora a floresta vizinha fosse povoada de lobos, nunca faltou-lhe ovelha nem cordeirinho. Para ir à igreja, preciso lhe era atravessar um arroio, que as cheias convertiam em torrente impetuosa; mas quando Germana tinha de passar, as águas se dividiam, e assim passava para o outro lado sem se molhar. Entretanto, o coração da madrasta não mudava para com ela. Um dia em que Germana saía de casa, levando em seu avental alguns pedaços de pão já abandonados, a madrasta, crendo-se roubada, pôs-se à sua perseguição, furiosa, tendo na mão um bastão, e lhe ordenou abrir o avental diante de todos os que se tinham reunido ao redor dela. Germana obedeceu: ó prodígio! O pão tinha desaparecido, e do avental só caíram flores perfumadas e que pareciam colhidas naquele momento; era entretanto rigoroso inverno. Este milagre fez entrar a madrasta em si mesma; mas Germana estava madura para o Céu; acharam-na morta certa manhã sobre seu leito de sarmento. Dois religiosos viram coros de virgens, vindas do Céu, para acompanharem sua irmã no glorioso triunfo com que Deus lhe remunerava os merecimentos.

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Fonte: O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório, ou, Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês; coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.Ss.R., “A Primeira Sexta-feira do Mês de Julho”, pp. 331-337. 5ª Edição Portuguesa, Tipografia de Frederico Pustet, Impressores da Santa Sé. Ratisbona/Alemanha, 1926.

1.  Mat. 11, 29.

2.  Filip. 2, 7.

3.  Is. 58, 3.

4.  Jo. 13, 15.

5.  300 dias de indulg. Uma vez por dia – 25 de Janeiro de 1868.

6.  Gál. 6, 14.

7.  100 dias de indulg. para os membros do Apostolado da Oração – 26 de Junho de 1867.


quinta-feira, 1 de julho de 2021

LADAINHA DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.


O texto desta litania em honra ao Preciosíssimo Sangue de Cristo foi composto pela Sagrada Congregação dos Ritos — hoje, Congregação para o Culto Divino — e promulgada pelo Papa João XXIII no dia 24 de fevereiro de 1960. A sua forma é mais antiga, na verdade, pois textos similares podem ser encontrados em livros de orações do início do século XX. Aos fiéis que a recitarem devotamente concede-se indulgência parcial.


Ladainha do Preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo


Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.

Deus Filho, redentor do mundo, tende piedade de nós.

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Sangue de Cristo, Sangue do Filho Unigênito do Eterno Pai, salvai-nos.

Sangue de Cristo, Sangue do Verbo de Deus encarnado, salvai-nos.

Sangue de Cristo, Sangue do Novo e Eterno Testamento, salvai-nos.

Sangue de Cristo, correndo pela terra na agonia, salvai-nos.

Sangue de Cristo, manando abundante na flagelação, salvai-nos.

Sangue de Cristo, gotejando na coroação de espinhos, salvai-nos.

Sangue de Cristo, derramado na cruz, salvai-nos.

Sangue de Cristo, preço da nossa salvação, salvai-nos.

Sangue de Cristo, sem o qual não pode haver redenção, salvai-nos.

Sangue de Cristo, que apagais a sede das almas e as purificais na Eucaristia, salvai-nos.

Sangue de Cristo, torrente de misericórdia, salvai-nos.

Sangue de Cristo, vencedor dos demônios, salvai-nos.

Sangue de Cristo, fortaleza dos mártires, salvai-nos.

Sangue de Cristo, virtude dos confessores, salvai-nos.

Sangue de Cristo, que suscitais almas virgens, salvai-nos.

Sangue de Cristo, força dos tentados, salvai-nos.

Sangue de Cristo, alívio dos que trabalham, salvai-nos.

Sangue de Cristo, consolação dos que choram, salvai-nos.

Sangue de Cristo, esperança dos penitentes, salvai-nos.

Sangue de Cristo, conforto dos moribundos, salvai-nos.

Sangue de Cristo, paz e doçura dos corações, salvai-nos.

Sangue de Cristo, penhor de eterna vida, salvai-nos.

Sangue de Cristo, que libertais as almas do Purgatório, salvai-nos.

Sangue de Cristo, digno de toda a honra e glória, salvai-nos.


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Senhor.


V. Remistes-nos, Senhor com o Vosso Sangue.

R. E fizestes de nós um reino para o nosso Deus.


Oremos: Todo-Poderoso e Eterno Deus, que constituístes o Vosso Unigênito Filho, Redentor do mundo, e quisestes ser aplacado com o seu Sangue, concedei-nos a graça de venerar o preço da nossa salvação e de encontrar, na virtude que Ele contém, defesa contra os males da vida presente, de tal modo que eternamente gozemos dos seus frutos no Céu. Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. Assim seja.


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Ladainha em honra ao Preciosíssimo Sangue de Cristo (padrepauloricardo.org)



Em Latim


Kyrie, eleison.

Christe, eleison.

Kyrie, eleison.


Christe, audi nos

R. Christe, [ex]audi nos.


Pater de caelis, Deus,

R. miserere nobis.


Fili[i], Redemptor mundi, Deus,

R. miserere nobis.


Spiritus Sancte, Deus,

R. miserere nobis.


Sancta Trinitas, unus Deus,

R. miserere nobis.


Sanguis Christi, Unigeniti Patris aeterni, salva nos.

Sanguis Christi, Verbi Dei incarnati, salva nos.

Sanguis Christi, Novi et Aeterni Testamenti, salva nos.

Sanguis Christi, in agonia decurrens in terram, salva nos.

Sanguis Christi, in flagellatione profluens, salva nos.

Sanguis Christi, in coronatione spinarum emanans, salva nos.

Sanguis Christi, in Cruce effusus, salva nos.

Sanguis Christi, pretium nostrae salutis, salva nos.

Sanguis Christi, sine quo non fit remissio, salva nos.

Sanguis Christi, in Eucharistia potus et lavacrum animarum, salva nos.

Sanguis Christi, flumen misericordiae, salva nos.

Sanguis Christi, victor daemonum, salva nos.

Sanguis Christi, fortitudo martyrum, salva nos.

Sanguis Christi, virtus confessorum, salva nos.

Sanguis Christi, germinans virgines, salva nos.

Sanguis Christi, robur periclitantium, salva nos.

Sanguis Christi, levamen laborantium, salva nos.

Sanguis Christi, in fletu solatium, salva nos.

Sanguis Christi, spes paenitentium, salva nos.

Sanguis Christi, solamen morientium, salva nos.

Sanguis Christi, pax et dulcedo cordium, salva nos.

Sanguis Christi, pignus vitae aeternae, salva nos.

Sanguis Christi, animas liberans de lacu Purgatorii, salva nos.

Sanguis Christi, omni gloria et honore dignissimus, salva nos.


Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,

R. parce nobis, Domine.


Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,

R. exaudi nos, Domine.


Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,

R. miserere nobis, Domine.


V. Redemisti nos, Domine, in sanguine tuo.

R. Et fecisti nos Deo nostro regnum.


Oremus: Omnipotens sempiterne Deus, qui unigenitum Filium tuum mundi Redemptorem constituisti, ac eius sanguine placari voluisti: concede, quaesumus, salutis nostrae pretium ita venerari, atque a praesentis vitae malis eius virtute defendi in terris, ut fructu perpetuo laetemur in caelis. Per eundem Christum Dominum nostrum.

R. Amen.

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Salvem a Liturgia!: Ladainha do Preciosíssimo Sangue, em latim, por ocasião da festa (no calendário antigo) de hoje


Sponsys Sanguinum ob Circuncisionem


Esposo de Sangues pela Circuncisão

(Êxod. 4, 26)


A Moisés disse Séfora, sua Esposa, acabando de circuncidar um filho seu: Que era seu esposo de sangue por amor da circuncisão. Com muito melhor direito pode dizer o mesmo a Igreja, e qualquer alma ao Menino Deus no dia de sua Circuncisão. Porque pelas primícias de seu Sangue comprou então o Senhor esta sua Esposa, e lhe deu por prendas o sagrado anel de sua carnezinha circuncidada. Pondera com que humildade e paciência se sujeita o Divino Infante aos rigores deste golpe, contando-se entre os demais pecadores, que segundo a Lei, necessitavam passar por ele: e com que sentida ternura assiste a Virgem, cortando aquele duro instrumento, mais vivamente pela sua alma, do que pelo Corpo do seu diletíssimo Menino. Ó, quanto, e quão precioso Sangue derramado, em tão terna idade! Se tão custoso é o desposório no presépio, quão custoso será o matrimônio consumado na Cruz? Verdadeiramente, Senhor, Vós para mim sois Esposo de Sangue, e de muitos sangues: Sangue da Circuncisão, Sangue no Horto, Sangue na coluna, Sangue na Coroação de Espinhos, Sangue na Crucifixão, Sangue na Lançada: Sponsus Sanguinum tu mihi es. E com todos estes Sangues me pretendeis unir convosco. Ó, não permitais meu bem, que eu desestime tantas finezas, e perca a fé que devo a tão nobre desposório: e dai-me valor, para que eu corte por mim, e circuncide por vosso amor todos os meus apetites, até chegar a dar sangue por sangue.



Fonte: Rev. Pe. Manoel Bernardez, Oratoriano, “Luz e Calor”, 2ª Parte, Opúsculo III, Meditação V, I Ponto, NN. 333, pp. 338-339. Nova Edição, Lisboa, 1871.


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