BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

MARIA TEOTÓKOS.


Maria Teotókos
Maria Mater Dei
Maria a Mãe de Deus


Maria é Mãe de Deus
Qualificação: De Fé1


“É de fé que Cristo, e mais especialmente o homem-Cristo, foi realmente gerado de mãe humana, e portanto, é real e propriamente filho de mãe humana, como qualquer outro filho de homem. Ao lado da origem sobrenatural da sua pessoa, tem pois, uma filiação humana real e própria. Em atenção ao princípio maternal que intervém nesta obra, é preciso dizer que esta filiação humana de Cristo e a Maternidade que lhe corresponde são naturais. No que concerne à geração da natureza humana e à sua comunicação à pessoa de Cristo pela conceição e pelo nascimento, tudo o que uma mãe faz naturalmente foi feito positivamente por Maria”.2

São Bernadino de Sena, em um de seus deliciosos sermões marianos, dizia: “Vem-me à memória um dito de Santo Agostinho. Dizia ele, ‘que tinha três desejos: um, de ver a Jesus Cristo corporalmente; outro, de ouvir São Paulo pregar; o terceiro, de ver Roma triunfar’. E eu acrescento um quarto: ver a Virgem Maria com seu doce Filho no colo, com toda inocência e pureza”.3

O primeiro alicerce sobre que se levanta o edifício da grandeza mariana é constituído pelo fato, ou melhor, pela missão da Maternidade Divina. Este é um fato que excede de tal modo a força cognoscitiva do homem que deve ser enumerado entre os Mistérios maiores de nossa Fé, Mistérios que, para serem conhecidos por nós, devem ser revelados por Deus. Que uma humilde mulher deste nosso pobre planeta, que uma de nossas irmãs, semelhante a nós, descendente de Adão como nós, se torne Mãe de Deus é um Mistério tão sublime de elevação do homem e de condescendência divina que deixa atônita qualquer inteligência, angélica ou humana, no século e na eternidade.4


Provas


Escritura: Segundo a Escritura, Maria deu à luz Jesus Cristo, seu Filho Primogênito: ora, Jesus Cristo é Deus; logo Maria, segundo o modo de falar da Escritura, é Mãe de Deus.

Tradição: “Se alguém não confessa… que a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, já que deu à luz, segundo a carne, o Verbo de Deus feito homem, seja anátema”.5

“Se alguém diz que a Santa, gloriosa e sempre Virgem Maria é imprópria e não verdadeiramente Mãe de Deus… seja anátema”.6

Toda a Tradição cristã, a partir dos tempos apostólicos, é uma proclamação contínua desta verdade mariológica fundamental. Nos dois primeiros séculos, os Padres ensinaram que Maria concebeu e deu à luz a Deus. No terceiro século, começa o uso do termo que se tornou clássico: Theotokos, ou seja, Mãe de Deus. O primeiro a usar esse título parece ter sido Orígenes,7 chefe da célebre escola de Alexandria. Também na célebre prece “Sub tuum praesidium”, muito difundida entre os cristãos do século III, a Virgem Santíssima é invocada como Mãe de Deus.8

No século IV, mesmo antes do Concílio de Éfeso, a expressão Mãe de Deus se tornara tão comum entre os cristãos, que dava nos nervos do Imperador Juliano, o Apóstata, o qual se lamentava de os cristãos não se cansarem nunca de chamar a Maria de Mãe de Deus. João de Antioquia, aconselhava a seu amigo Nestório para não insistir demasiado em negar este título, a fim de evitar tumulto do povo. O próprio Alexandre de Hierápolis, cognominado de “outro Nestório”, reconhecia que a expressão “Mãe de Deus” estava em uso entre os fiéis desde muito tempo. – A exultação mesma que os fiéis demonstraram, quando a Maternidade divina foi definida solenemente como Dogma de Fé, comprova até à evidência quão profundamente estava radicada essa verdade fundamental na alma daqueles antigos cristãos. Com efeito, sabe-se que, logo que teve conhecimento da notícia, a população de Éfeso aclamou entusiasticamente os Padres do Concílio e os acompanhou a suas residências com archotes acesos.9


Conclusão


Logo, segundo a Escritura e a Tradição, Maria há de chamar-se Mãe de Deus, porque dela nasceu Jesus Cristo, que é Deus. É este o grande privilégio de Maria. Os outros, ou são preparação para esta grande dignidade, como a sua Conceição Imaculada, ou são consequências dela, como a excelência de graças e méritos, e a Assunção gloriosa, em corpo e alma.10

A Virgem e, portanto, verdadeira e própria Mãe de Deus! Prostrados humildemente a seus pés, possamos nós saudá-La e repetir-lhe com a maior certeza: Ave, ó Mãe de Deus! Pode-se, porventura, imaginar uma saudação mais solene do que esta?

Mas, afastando um momento o olhar do fulgor de tanta grandeza e pousando-o por alguns instantes em nossa baixeza, unamos à saudação ainda a invocação de seu valioso patrocínio, dizendo-lhe: “Ó Mãe de Deus, tão grande e tão Santa recordai-Vos de mim, tão pequeno e tão pecador!”11


“Não vos deprecieis, ó homens:
o Filho de Deus se fez homem.
E vós, mulheres, não vos deprecieis:
o Filho de Deus nasceu de uma mulher”.12



_____________________________

1. Rev. Pe. J. Bujanda, S.J., “Manual de Teologia Dogmática”, 1ª Parte, Tratado Oitavo, Cap. IV, Art. 1º, p. 323. Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1944.

2. Rev. Pe. Matthias Joseph Scheeben, “A Mãe do Senhor”, Cap. “Maria Gera Uma Pessoa Divina”, p. 39. Cultor de Livros, São Paulo/SP, 2017.

3. Pred. Vulgari, I, 21.

4. Rev. Pe. Gabriel Roschini, O.S.M., “Instruções Marianas”, Instrução IV, Cap. III, Art. I, pp. 41-42. Edições Paulinas, São Paulo/SP. 1960.

5. Concílio de Éfeso, anatematismo 1. D. 113.

6. Concílio 2º de Constantinopla. D. 218.

7. Socrate, Hist. Ecla. VII, 32, PG. 68, 812.

8. Marianum, T. III (1941) 97-101.

9. Rev. Pe. Gabriel Roschini, ob. cit., p. 44.

10. Rev. Pe. J. Bujanda, S.J., ob. cit., p. 324.

11. Rev. Pe. Gabriel Roschini, ob. cit., p. 48.

12. Santo Agostinho, In Ps. 118, V, 9.


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Retrato dos Jesuítas Feito ao Natural.



Retrato dos Jesuítas Feito ao Natural
Pelos Mais Sábios, e Mais Ilustres Católicos:
Ou Juízo Feito à Cerca dos Jesuítas Pelos Maiores,
e Mais Esclarecidos Homens da Igreja, e do Estado:


Desde o Ano de 1540, Em Que Foi a Sua Fundação,
Até ao Ano de 1650 Antes Das Disputas,
Que se Levantaram a Respeito do Livro de Jansênio.



Lisboa, 1761.



Com Censura do M.R.P.M. Doutor Fr. João Batista de S. Caietano, Monge da Congregação de S. Bento, Opositor às Cadeiras de Teologia na Universidade de Coimbra, e Qualificador do Santo Ofício etc. Lisboa, Colégio de Nossa Senhora da Estrela, 2 de Dezembro de 1761.

Com Censura do M.R.P.M. Doutor Fr. Francisco de S. Bento, Monge da Congregação de S. Bento.

Vistas as informações, pode-se imprimir o Livro, de que se trata, e depois voltará conferido para se dar licença que corra, sem a qual não correrá. Lisboa, 4 de Dezembro de 1761.

Trigozo. Silveiro – Lobo. Carvalho.



- DO ORDINÁRIO -

Pode-se imprimir o livro, de que trata a petição, e depois de impresso torne, para se dar licença para correr. Lisboa, 6 de Dezembro de 1761.

D. J. A. L.


Do Paço.


Censura do Bacharel Matias de Carvalho Coutinho etc… Lisboa, 25 de Dezembro de 1762.

Que se possa imprimir, vistas as licenças do Santo Ofício, e Ordinário: e depois de impresso, tornará à Mesa para se conferir, e dar licença para que corra. Lisboa, 25 de Janeiro de 1762.


Carvalho. Doutor Velho. Castelo. Siqueira Afonseca. Castro.




Alguns Excertos


Ano de 1545

Melchior Cano, O.P., Bispo de Canárias, um dos mais santos, e mais sábios Teólogos do seu século, no seu juízo feito sobre a Companhia, e referido pelo Jesuíta Orlandino na sua História da Companhia, livro 8., núm. 45 e 46.

Dizia este ilustre, e religioso Prelado, que esta Companhia causaria à Igreja males sem número, que era uma sociedade anticristã, Companhia dos Precursores do Anticristo, que não podia deixar de aparecer brevemente, pois começavam a aparecer os seus precursores, e os seus emissários.

É deles (acrescentava o mesmo Prelado) que falou São Paulo no Cap. 3, da sua segunda Carta a Timóteo nestes termos: “Mas sabeis, que nos últimos tempos se verão homens amantes de si mesmos, avarentos, gloriosos, soberbos, malédicos, desobedientes a seus Pais e Mães, ingratos, ímpios, inumanos, inimigos da paz, caluniadores, imoderados, sem afeto às pessoas virtuosas, traidores, insolentes, inchados de orgulho, mais amantes do apetite que de Deus, trazendo aparência de piedade, mas na verdade arruinarão o espírito e a virtude… introduzindo-se nas casas e levando atrás de si como cativas, mulheres carregadas de pecados, e possuídas de diversas paixões, as quais querem sempre aprender e nunca chegam ao conhecimento da verdade. Assim como Janes e Mambres resistiram a Moisés, da mesma sorte resistirão estes à verdade. São homens perversos no espírito e corruptos na fé. Mas os progressos que eles fizerem, terão seus limites, porque em fim, será conhecida de todo o mundo a sua loucura, assim como o foi então a dos mágicos… Todos os que querem viver com piedade em Jesus, Nosso Senhor, serão perseguidos, mas estes homens maus e impostores se fortificarão cada vez mais no mal, enganando os outros e enganando-se a si mesmos”.

Ano de 1548

O mesmo Prelado na sua Carta ao Padre Regla, Confessor de Carlos V, em 1548: “Oxalá, que se desse crédito às minhas palavras… se se deixarem caminhar os Padres da Companhia no mesmo passo em que tem começado, queira Deus que não chegue tempo, em que os Reis lhe queiram resistir e não possam. (da pág. 1-2)


Ano de 1560

São Francisco de Borja, Terceiro Geral dos Jesuítas, na sua Carta do mês de abril de 1560, escrita aos Padres da Companhia:

Virá tempo, em que a Companhia será toda ocupada nas Ciências Humanas; mas sem alguma aplicação à virtude. A ambição dominará nela: a soberba e o orgulho entrarão nela a rédea solta… não haverá ninguém que a possa reprimir (isto é o que havia já dito também Melchior Cano). Se os olhos de nossos Irmãos se voltarem para as riquezas, para as grandes alianças; se fizerem demasiado caso destas sortes de vantagens, ver-se-ão, eu o confesso assim, em abundância de bens do mundo, mas com uma inteira privação de virtudes sólidas, e bens espirituais. Este é o primeiro aviso que eu tenho que lhes dar… temendo que, em fim, uma funesta experiência ensine a verdade do que o meu espírito está prevendo muito claramente. Aprouvesse a Deus, que ela não vos tivesse dado tantas vezes provas mui convincentes, de que já havia todos estes males na Companhia antes de nós… O espírito de nossos Irmãos está cheio de uma paixão sem limites dos bens temporais. Trabalham em os acumular com mais paixão, que os mesmos Seculares.

Ai! Quão grande é o número daqueles (esta palavra de S. Francisco de Borja é referida pelo Geral Mucio Viteleschi), que vem para nós para se enriquecer! Mas quão poucos são os que vem para se fazer melhor!” (pág. 5-6)


Ano de 1587

Cláudio Aquaviva, 5º Geral dos Jesuítas, na sua Carta aos Superiores da Companhia em 1587:

O amor das coisas do século e o espírito da Corte (saecularistas et aulicismus), que se introduz na familiaridade e bom agrado dos Externos, é uma doença perigosa na nossa Companhia e faz sentir o seu perigo dentro e fora, da parte dos que são acometidos dela.

Quase sem nós o sentirmos, se introduz o mal pouco a pouco debaixo do belo pretexto de ganhar os Príncipes, os Prelados, os Grandes e conciliar à Companhia estas grandes pessoas para o serviço de Deus e do próximo: mas na verdade os nossos próprios interesses são o que nós buscamos; e isto é o que nos inclina pouco a pouco às paixões do século”.

O mesmo Geral na sua Instrução aos Superiores, Cap. I: “Há na nossa Companhia outra fonte de males, muito mais perniciosa, e tanto mais arriscada, quanto se julga menos prejudicial: é este ardor e impaciência excessiva de se meterem nos negócios externos, aos quais se entregam a maior parte dos Superiores por diversos motivos. Com o pretexto de ganhar amigos à Companhia, se dão a fazer visitas sem número, sem necessidade, sem utilidade; e nisto gastam tempo tão considerável, que tomam modos e costumes inteiramente semelhantes aos da gente do mundo”. (pág. 22)


Ano de 1592

O Papa Clemente VIII, presidindo a um Capítulo Geral dos Jesuítas, em 1592. No Discurso que lhes fez para os exortar a se reformarem, referido no Teatro Jesuítico, 2 Parte, Art. 4, e lhe argue entre outras coisas:

O primeiro grau de orgulho, que é a curiosidade, que os move a se introduzir em toda a parte, e principalmente nos confessionários, para saber dos penitentes tudo que se passa nas suas casas entre seus filhos, os seus domésticos e as outras pessoas que aí moram, ou aí vão, e da mesma sorte no bairro: curiosidade capaz de produzir os piores efeitos. Se confessam um Príncipe, fazem-se senhores do governo de todo o seu Palácio. Também querem governar-lhe os seus Estados, fazendo-lhe crer que nada lhe sairá bem, sem o seu cuidado ou a sua indústria. O segundo ponto, que Nós temos de arguir, (continua o Papa), é a sua singularidade afetada: querem ser singulares, em tudo. Ainda em matérias de Doutrina fazem profissão de não abraçar as opiniões de nenhum Doutor aprovado, com o pretexto de que não são homens que jurem ‘in verba magistri’, isto é, o que faz que censurem Santo Tomás e todos os Santos Padres. Cada um deles tem por glória o ter sua Doutrina à parte. Distinguem-se de todos os mais Religiosos pelo seu gosto da singularidade… Tem-se por irrepreensíveis em tudo: tomam a liberdade de anotar todos os outros de Monaquismo, e práticas supersticiosas.

O terceiro grau de orgulho aparece também eminentemente neles, em não querer reconhecer os seus defeitos, e em porfiar em defender os seus erros e desculpar todos os seus vícios. Querem que tudo o que fazem seja bom, como se fossem impecáveis e infalíveis. Tanto que alguém quer meter a mão à reforma dos seus abusos, que razões não lhe dão para provar que tudo o que se lhes argue, é bom e que neles ou não há correção que fazer, ou não há nada defeituoso?…

Quisera saber o que fazeis todos os dias, metidos três ou quatro horas no confessionário com pessoas, que se confessam todos os dias; porque estas almas timoratas, que frequentam tanto os Sacramentos, não podem ter nada, ou quase nada que vos digam, que tenham necessidade de absolvição? Eu não posso deixar de tirar por conclusão desta vossa prática a verdade de uma coisa, que se vos argue, e é que por meio da Confissão, vós sabeis muito bem tudo, o que se passa no mundo. Mas há abuso maior, do que servir de um Sacramento tão Santo, para procurar notícias tão profanas? Olhai que eu estou bem informado de tudo o que se passa na vossa Companhia: tomai o trabalho de corrigir todos estes abusos; se não, Nós empregaremos toda a Nossa Autoridade para vos obrigar a isso”. (pág. 33-35)

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Nota: Não lhe deram os Jesuítas tempo para o fazer, como se verá adiante no ano de 1605.

O mesmo Papa no seu Discurso aos Jesuítas em 20 de Março de 1602. Tuba Magna, Tom. 2, pág. 9:

Estas disputas (sobre a Graça), que se levantaram entre vós, e que de tanto tempo a esta parte tem feito estrondo no mundo, tem agitado tantos espíritos em toda a Europa, e causado tantas perturbações em muitas Universidades, que parecem ameaçar a República Cristã com os maiores perigos.

Tendes infeccionado de tal sorte os espíritos dos católicos com vossas novas opiniões (digamos antes, com estes antigos erros condenados pela Igreja, e sepultados há mil e duzentos anos), que certamente há todo o direito para vos acusar de terdes perturbado a paz e rasgado a túnica inconsútil do Senhor, e quererdes ressuscitar na Igreja a heresia de Pelágio.

Que outra coisa se pode dizer de vós, quando vos vemos desprezar os antiquíssimos e santíssimos Doutores Jerônimo, Ambrósio, Agostinho, Próspero… para lhes preferirdes não sabemos que Escritores modernos da mais pequena, ou, para o dizer melhor, de nenhuma autoridade, que vós tomais por abonadores das vossas opiniões?… Não tem havido razão de vos acusar de que queríeis de novo manchar e infectar a Igreja com os erros dos Pelagianos? Qual é logo o fim dos vossos esforços e das vossas pretensões? Intentais com a defesa do vosso Molina tornar à Igreja de Deus o dogma de Pelágio? Refleti, eu vo-lo advirto agora sobre o perigo imenso, em que pondes todo o mundo cristão com as vossas contestações. Não prefirais as vossas ideias particulares à salvação e necessidade comum da Igreja. Cedei aos Santos Padres; sujeitai-vos à verdade”. (pág. 35-36)

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Nota: O Cardeal de Noris, atesta no seu livro “Vindiciae Augustinianae”, Cap. 9, que ele viu todo este Discurso de que aqui damos o extrato, escrito pela mão do Papa Clemente VIII.


Ano de 1597

O Padre Henrique Henrique, Jesuíta, na sua segunda Censura do livro de Molina, seu religioso, em 1597:

Este livro prepara o caminho ao Anticristo, pela afetação com que eleva as forças naturais do livre-arbítrio contra os merecimentos de Jesus Cristo, e os socorros da graça e da Predestinação… Se uma tal Doutrina chegar a ser sustentada por homens maliciosos e poderosos, que sejam membros de alguma Ordem Religiosa, porá toda a Igreja em perigo, e causara a perda de grande número de católicos”. (pág. 52)


Ano de 1603

O Cardeal Barônio, Oratoriano, na Carta de 15 de Março de 1603, a Pedro de Vilars, Arcebispo de Vienna, referida na História das Congregações de Auxiliis, in Appendice:

Não pude ler sem indignação os livros de Molina; porque parece que não tem por fim, senão, condenar Santo Agostinho, repreender-lhe a sua negligência; e fazer ver que, sobre estas questões, tem ele outras muitas luzes, do que as deste grande Bispo, ao qual afeta não dar nunca o nome de Santo. Pode-se ver sem impaciência a sua vaidade? Ele se introduz com tudo, como uma serpente e procura escapar de todos os combates que dá, de sorte, que é mais fácil convencê-lo de temeridade, do que de heresia.

Achei, contudo, no seu livro mais de cinquenta proposições e modos de falar, que chegam ao menos aos erros dos Pelagianos e dos Semi-Pelagianos: e isto é o de que seguramente todo o homem, que ler sem prevenção, ficará de acordo… Eu advertir aos Reverendos Padres Jesuítas que, sem arriscar a sua reputação, não podiam defender esta obra. Deus sabe que eu os honro como a meus Pais...”. (pág. 65)


Ano de 1614

O Venerável Jerônimo Batista de Lanuza, O.P., Bispo de Albarazem, e depois de Balbastro, no Comentário sobre a Profecia de Santa Hildegardes, que ele aplica aos Jesuítas, Theat. Jesuit., Parte 2, pág. 183, Mor. Prat. Tom. I. (Referirei somente a Profecia – N. do C.):

Levantar-se-ão uns homens sem cabeça, que se engrossarão, e sustentarão com os pecados do povo. Farão profissão de ser do número dos mendicantes…

Eles viverão como se não tivessem nem vergonha, nem pejo…

Estudarão em inventar novos meios de fazer mal…

Será esta perniciosa Ordem amaldiçoada pelos Sábios e pelos que forem fiéis a Jesus Cristo…

Aplicar-se-ão com grande cuidado a resistir aos Doutores que ensinam a verdade…

Servir-se-ão do crédito que tiverem com os Grandes, para perder os Inocentes…

Arreigará, o Diabo, nos seus corações, quatro vícios principais: a Lisonja, de que eles usarão para obrigar os homens a que lhes façam grandes liberalidades; a Inveja, que fará que eles não possam sofrer que se faça o bem a mais alguém, do que a eles; a Hipocrisia, com a qual se contrafarão para agradar ao mundo; a Maledicência, que não cessarão de empregar para se fazerem mais recomendáveis, dizendo mal de todos os outros…

Estimarão pregar continuamente diante dos Príncipes, mas sem devoção e sem se expôr ao perigo do Martírio; antes para adquirir louvores dos homens e enganar os simples… roubarão aos verdadeiros Pastores os Direitos, que tem, de administrar os Sacramentos…

Tirarão as esmolas aos pobres, aos miseráveis e aos enfermos: atrairão a si a plebe…

Farão amizades com as mulheres, e lhes ensinarão a enganar seus maridos; e lhes darem os seus bens às escondidas…

Tomarão uma infinidade de coisas mal adquiridas: receberão bens da mão dos ladrões de estradas públicas; dos extorquidores injustos; dos sacrílegos; dos usurários; dos devassos; dos adúlteros; dos hereges; dos cismáticos; dos apóstatas; das mulheres públicas; dos mercadores perjuros; dos juízes injustos; dos soldados mal procedidos; dos Príncipes, que vivem contra a Lei de Deus; e geralmente de todos os maus, por persuasão do Diabo…

Levarão uma vida delicada e sensual (sem mortificações)…

Todas as coisas lhes sairão conforme o seu desejo…

Passarão esta vida em uma Sociedade ou Companhia, que os conduzirá à morte eterna…

Porém o povo, pouco a pouco, começará a esfriar para com eles: e tendo reconhecido, pela experiência que são uns enganadores, cessará de lhes dar; e então andarão vagando ao redor das casas, como cães famintos e raivosos, os olhos baixos, voltado o pescoço como abutres, buscando pão para se fartarem. Mas o povo lhes bradará: infelizes vós, filhos da desolação! O mundo vos enganou, o Diabo se fez senhor de vossos corações e de vossas línguas; o vosso espírito delirou em especulações vãs; vossos olhos se desfizeram em lágrimas nas vaidades do século; vossos ventres delicados buscaram vinhos agradáveis; vossos pés eram apressados e ligeiros para correr a toda a sorte de males. Lembrai-vos que não praticais bem algum…

Lembrai-vos que ereis devotos falsos, cheios de inveja e de emulação…

Vós vos fingíeis pobres, ainda que na realidade fôsseis ricos…

Vós vos fingíeis simples, sendo poderosíssimos…

Vós éreis devotos lisonjeiros…

Vós éreis hipócritas santos, mendicantes soberbos…

Homens, que perdíeis, oferecendo…

Doutores ligeiros e inconstantes…

Mártires delicados…

Confessores cobiçosos de ganho…

Humildes soberbos…

Piedosos endurecidos para com as aflições dos outros…

Caluniadores melífluos…

Benignos perseguidores…

Cheios de amor do mundo…

Mercadores de indulgências…

Diretores de comodidades…

Muito habilidosos para procurar as suas comodidades…

Fautores das desordens do apetite…

Cheios de ambição das honras…

Mercadores, que tem casa, ou possuidores de casas de mercadorias…

Semeadores de discórdias…

Vós edificáveis sempre, elevando-vos; mas não pudestes chegar tão alto, como o desejáveis…

Então, caístes como Simão Mago, a quem Deus quebrou os ossos, e feriu com uma ferida mortal a petição dos Apóstolos. Assim será destruída a vossa Ordem, por causa dos vossos enganos e iniquidades. Ide, Doutores do pecado, e desordem, Pais da corrupção, Filhos da maldade; não queremos seguir já a vossa direção, nem escutar as vossas máximas.

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Nota: Santa Hildegardes, Religiosa da Ordem de Sister e Abadessa do Monte de S. Roberto. Faleceu no ano de 1180. São Bernardo, que a respeitava muito, defendeu as suas revelações; que foram julgadas verdadeiras, graves, santas, depois de um exame sério pelo Concílio de Rheims no ano de 1148, onde presidia o Papa Eugênio III.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

MARIA SANTÍSSIMA AOS PÉS DA CRUZ.


1º Ponto

Aos sofrimentos inúmeros, vários e requintados com que os judeus martirizam na alma e no corpo o Filho de Deus, se deve acrescentar o que porventura é o mais penoso e sensível dentre eles todos, a vista de sua Mãe Santíssima1 que, de pé e em frente, O contempla a poucos passos de distância.2

Para termos a exata compreensão da dor de Jesus em ver Maria aos pés da Cruz é necessário que formemos uma ideia o menos imperfeita possível das angústias e mágoas que alanceiam o Coração de Maria à vista do Crucificado.

A Santíssima Virgem que ama a Jesus com um amor maternal3 que os Santos consideram superior, e síntese do amor de todas as mães, sofre na Alma e no Coração4 o que o Filho padece na Alma e no Corpo.5 Por sua vez Jesus, pela lei da repercussão, ao contemplar os espasmos que constringem aquela melíflua e dulcíssima alma, sente o eco doloroso em seu Coração de Filho afetuoso, dedicado e amantíssimo.6

Os olhos do Filho e da Mãe querida encontram-se e como através de dois espelhos, lê um o que se passa nos íntimos refolhos da outra; vê esta o que se aninha nos recônditos d’Aquele.

Intraduzível é a dor de Maria em contemplar o quadro desolador da Paixão do queridíssimo fruto de suas entranhas.7 Indizível é a dor de Jesus, ao ver a cândida e imaculada Alma da criatura mais Santa do universo, d’Aquela que lhe é Mãe terníssima, nadar num mar de angústias e beber a largos sorvos a linfa amargosa do sofrimento!8 Jesus é a Cruz e o martírio de Maria!9 Maria é a Cruz e a dor de Jesus!10

Quanto a nós que meditamos cenas tão pungentes, melhor será para o nosso proveito espiritual e de maior consolação aos Corações de Jesus e Maria que, em lugar de suscitar doces e suaves afetos sondemos qual a verdadeira causa dos sofrimentos d’Eles e de onde a origem de tais martírios?

Ainda que nos custe confessá-lo, é preciso chegar aí, ó Virgem da Dores, a causa da vossa dor foi o pecado. Logo, eu sou realmente um dos que concorreram para crucificar-Vos a Alma após haver crucificado o Corpo do vosso querido Jesus.

Quisera não fosse isto verdade, como infelizmente é. Todas as Chagas que cobrem vossas carnes deificadas, ó Jesus, assim como todas as Chagas morais que alanham vosso Espírito, ó Virgem bendita, tem-me a mim como cúmplice e co-autor e co-responsável.11 Ninguém pois mais do que eu deve sentir pena, compaixão e desgosto em vos ver em transes tão aflitivos.

No entanto, como infeliz miserável e desgraçado! Parece que tenho uma alma de mármore; fria e gélida, tão grande é a aridez e a insensibilidade que experimento ao contemplar-vos desfeita sob o peso da dor aos pés da Cruz do vosso Filho.12

De quem me hei de valer senão de Vós que sois a Mãe das misericórdias e pedir-Vos que me tomeis sob o vosso poderoso patrocínio e me oculteis nas dobras do vosso manto das iras de Deus?

Ah! Senhora, pedi ao Vosso Filho que me perdoe e deixai-me aqui ficar junto de Vós aos pés da Cruz. Justa crucem tecum stare et me tibi sociare in planctu desidero.

Propósito. Hoje pedirei a Santíssima Virgem, que não esqueça o pobre filho pródigo, que vive exposto a mil perigos de perder-se. Suplica-la-ei que não consinta, que fique inutilizado o Sangue de suas veias.


2º Ponto

Se por uma parte o amor filial que Jesus consagra à sua querida Mãe, mostra que Ele é homem, por outra parte a calma e a suave tranquilidade com que suporta tamanhas dores, nos diz haver n’Ele alguma coisa de sobre-humano.13

Observe-se com que serenidade de espírito vai ditando do alto da Cruz o seu testamento.14

Após haver legado aos seus inimigos o perdão; deixado ao bom ladrão o Paraíso,15 confia ainda o discípulo dileto São João como filho da Santíssima Virgem, e a São João, como a mais preciosa herança entrega e recomenda a Nossa Senhora como Mãe carinhosíssima.16

Observe-se como Maria Santíssima enquanto se dá a conhecer mulher pelo afeto maternal que demonstra para o Filho, oferece a prova de haver n’Ela uma virtude superior, pela fortaleza, constância e intrepidez com que sofre tantas adversidades.17 A dor é suma18 e transcende toda concepção humana, não obstante isto, resiste-lhe com coragem, aceita com dignidade, sofre sem dar o menor sinal de perturbação, ou covardia ou revolta.19

Isto significa estar conformado com a vontade Santíssima de Deus.

Jesus e Maria nada querem senão o que o Eterno Pai quer; nada pensam, desejam e pedem senão que se realize o eterno decreto, a Redenção do mundo;20 vindo-lhe desta disposição do espírito uma inalterável calma, ainda que a natureza sensível gema e sinta o aguilhão da dor. Não há de negá-lo, nesta resignação é que tem sua origem, a paz e a felicidade neste vale de pranto.

Aparecem de vez em quando, nuvens tempestuosas no Céu da minha alma enfarrusco-me e fico de semblante carregado: saem-me da alma gemidos, suspiros, frases, e de dentes cerrados eu me pareço tanto com um dia de inverno quando o zimbo açoita as árvores esqueléticas da serrania. O sol sumiu-se, caem as gotas finas e frias e vou repetindo: oh! Como sou infeliz! Porque vim eu a este mundo? A perturbação me empolga. Qual a origem de tudo isto? É que eu quero o que Deus não quer.

Ó Jesus, ó Maria, vos comova o meu estado lastimável, a minha miséria, emprestando-me forças para tomar o remédio que tenho à mão, tão fácil, tão suave, como é o de abandonar-me confiadamente aos braços da divina e paternal providência.

É certo que se em tudo me deixasse guiar pela Divina vontade, e me conservasse sempre mudo e resignado ao divino beneplácito, grande paz interior havia de fruir;21 acariciados de meigos abismos haviam de me correr os dias, intensa felicidade havia de encher-me a alma; prenúncio daquela felicidade sem fim que Deus prepara aos que O servem e n’Ele confiam.22

É o que proponho fazer de futuro: submissamente adoro nas adversidades a divina vontade. Ainda que a natureza se revolte, embora a carne proteste, acalmar-me-ei, quer humilhando-me em seguida e consolando-me em fazer a adorável, santa e amável vontade do Pai que está no Céu.

Tal é a resolução que tomo. Conhecendo todavia, ó Pai Celeste, quão fácil seja minha vontade em deixar-se arrastar, dominar pelo meu amor-próprio cego, rebelde e insolente, rogo-Vos insistentemente pelos méritos de Jesus e Maria, me conserveis tão estreitamente ligado à vossa vontade, que criatura alguma me possa dela separar.23

Propósito. Todas as vezes que me aparecerem perturbações de espírito, acusarei como causador o meu amor-próprio, acalmando-me logo ao reflexo que Deus é Pai, que estremece infinitamente aos seus filhos.


3º Ponto

Insistamos em ilustrar ainda mais este piedoso episódio do Calvário, frisando o cuidado que tem o divino Mestre, quer do futuro de sua Mãe querida, quer dos interesses do discípulo amado, o Apóstolo São João.24 Pede a Maria que tenha e considere a João como filho; pede a João que tenha a Maria em conta de Mãe.

Com a minha morte, quer Jesus dizer – perdeis, ó Mãe terníssima o vosso Filho; mas eis que em meu lugar deixo-Vos um substituto.

Tu perdes, ó João, em minha Pessoa a teu Pai; deixo-te, porém, em meu lugar minha querida Mãe.25 Consola a Maria Santíssima o cuidado que o Filho crucificado tem d’Ela; mas não deixa de ser grande sua dor ao ver trocado o Deus verdadeiro por um homem, Santo, embora, e puro.26 Extraordinariamente honroso é para São João haver sido eleito guarda e protetor da Santíssima Virgem,27 mas isto não lhe diminui a mágoa de se ver privado da Presença de um tal Pai.28

É esta uma das páginas mais belas da história do Cristianismo. Jesus no fato acima narrado estabeleceu o fundamento da maternidade espiritual da Santíssima Virgem em nosso favor.

Maria não é somente a mãe adotiva de São João, também o é de todos que pertencem à Família de Jesus pelo Santo Batismo. O Apóstolo dileto não é exclusivamente o filho adotivo da Rainha dos Anjos, mas este título de ufania, este brasão de nobreza espiritual cabe também a cada um de nós, se o quisermos.29

Maria é espiritualmente nossa legítima Mãe, havendo-nos gerado e dado à luz entre espasmos atrozes ao pé da Cruz, no cume do Calvário.30

Foi aí que a Santíssima Virgem provou aqueles apertos que não experimentara lá na choupana de Belém, quando do Nascimento de Jesus.31

Imensa, pois, é nossa honra, sumo o nosso jubilo, incomensurável a nossa felicidade em conhecer como Mãe, a criatura mais Santa, a mais amorosa do Universo.32

Que ações de graças, Vos darei eu, ó Jesus afetuosíssimo, por haver-me dado Vossa Mãe, como se fosse minha?33 É este um benefício que tanto mais avulta aos meus olhos, quanto mais o considero; porquanto haverá graça que não possa esperar; benefício que me seja por Vós renegado, estando junto de Vós a defender-me e a interceder por mim a Autora dos Vossos dias?

Sei que não tenho posses para liquidar esta grande dívida para convosco; acho, porém, que se Vós me comunicardes um pouco daquele espírito dedicado e afetuoso que tínheis para com Ela, de maneira que eu venha a cultuá-lA e a amá-lA como Mãe, com isto chegaria a salvar o meu débito de gratidão que contraí para com Vossa bondade.

Ó Maria, tão cheia de caridade para comigo, como retribuirei o afeto de me haverdes aceito como filho, eu que me reconheço tão carente de virtudes, tão defeituoso, tão indigno pelo meu passado. Ah! Para Vós não houve nenhuma vantagem em acolher-me como filho; ao passo que para mim há todos os interesses.

Escolho-Vos, pois, e Vos aceito como minha terna e dulcíssima Mãe. Sede-me mãe a alcançar-me as graças de que tanto necessito, máxime a da perseverança;34 sede-me mãe na vida, mãe na hora da minha morte.

Propósito. Não há de passar dia da minha vida, que não me lembre do pacto solene que hoje celebrei com a Santíssima Virgem. Ela é minha mãe; eu sou seu filho.35




__________________________________

Fonte: Pe. Caetano Maria de Bergamo, O.F.M.Cap., “Pensamentos e Afetos sobre a Paixão de Jesus Cristo para cada dia do ano – Extraídos da Sagrada Escritura e dos Santos Padres”, Vol. 2, Caps. CCCXXXIX-CCCXLI, pp. 948-956; Tradução de Frei Marcellino de Milão, O.F.M.Cap.; Escola Typographica Salesiana, Bahia, 1933.

1.  Arnold. Carnot. de laud. Virg.

2.  S. Bern. Tract. De pass. Dom. c. 10.

3.  S. Alselm. De excell. Virgo., cap. 4.

4.  S. Bern., de lament. Virg.

5.  S. Brigit. Lib. 1 Revel., cap. 35.

6.  S. Bern de lament. Virg. et tract. de pass. Dom., c. 10. S. Th., 3 p., qn. 46, art. 6.

7.  S. Bonav., Stim. am., part. 1, cap. 4.

8.  S. Brigit., loc. cit.

9.  S. Bern., tract. de pass. Dom. cap. 10.

10.  S. Bern., sem., tom. 3. serm. 45.

11.  S. Bonav., Stim. am., part. 1, cap. 4.

12.  S. August. Medit., cap. 41.

13.  S. J. Chrysost., hom. 84 in Jo.

14.  S. Ambr. in Luc. 23.

15.  S. Bern., serm. de pass. Dom., cap. 10.

16.  Jo. 19, 26.

17.  Guerr. Abb. Serm. 4 de assupt. Virg.

18.  S. Bern., tract. De pass. Dom., cap. 10.

19.  Metaphor. 15 aug. ap. Baron. an. 44.

20.  S. Ambr. In Luc. 29.

21.  S. August. Enarr. 2 in ps. 32.

22.  Matth. 7, 21.

23.  S. August., in ps. 4, 7.

24.  S. Ambr. in Cat. Jo. 19.

25.  S. Bern., tract. de pass. Dom. cap. 10.

26.  S. Bern., serm. Signum magnum. de b. Virg.

27.  S. J. Chrysost. Hom, 84 in Jo.

28.  S. Bern. de lament. Virg.

29.  Dionys. Carthus. In Jo.

30.  S. Bern., sen. serm. 56 de pass. Dom.

31.  S. Bonav., Specul. Virg., cap. 3.

32.  Is. 66, 8.

33.  S. Bonav., loc. cit.

34.  Hym., in offic. b. M. Virg.

35.  S. Beda in Jo. 19.

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