BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

A GLÓRIA DA ESCOLÁSTICA: O BOI MUDO!


“… Temendo os Superiores que segunda vez lhe roubassem aquele tesouro, enviaram-no para Roma, donde o Geral da Ordem o fez partir para Paris, e dali para Colônia, onde estava então ensinando teologia Alberto Magno, o mais famoso doutor que naquele tempo tinha a Ordem dos Pregadores.

Sob a direção de tal mestre, fez Tomás assombrosos progressos; porém, tão ocultos no véu da modéstia, que os seus condiscípulos chamavam-lhe o boi mudo. Mas, por maior cuidado que tivesse de confirmar pelo silêncio a opinião menos vantajosa que corria da sua capacidade, a penetração do seu espírito transluzia através da profunda humildade, e aquele pretenso boi mudo, tornou-se dentro de pouco tempo o oráculo de todo o universo e o Anjo das Escolas…

A facilidade que tinha em aclarar e resolver as dificuldades mais obscuras, comprovam o que o Papa João XXII diz na Bula da sua canonização: Que a sua doutrina teve mais de infusa que de adquirida…

Posto que houvesse recebido por especial privilégio o dom da pureza, nada poupou que pudesse servir à conservação de tão delicada virtude. Nunca fitou o rosto de mulher alguma, e toda a vida evitou escrupulosamente todas as conversações que pode escusar com este sexo…

A ternura de Santo Tomás para com a Santíssima Virgem constituiu desde o berço parte do seu caráter. Muitas vezes lhe apareceu esta Soberana Rainha durante a vida; e poucos dias antes de morrer assegurou-lhe que ele nada tinha pedido ao Filho por intercessão da Mãe, que não tivesse conseguido.

Seria interminável a relação das virtudes e das maravilhas deste grande gênio. Nunca deixava de pregar a Palavra de Deus; e estando a exercer este Ministério pela Oitava da Páscoa na Basílica de São Pedro, curou de um fluxo de sangue uma mulher, que tocou a fímbria das suas vestes.

A sua vida foi uma perpétua cadeia de milagres, o mais visível dos quais, como notaram os próprios Sumos Pontífices, é que um só homem em menos de vinte anos pudesse ensinar com inaudito aplauso em quase todas as universidades mais célebres da Europa; combater e dissipar com os seus escritos os maiores inimigos da Igreja; converter com os seus sermões grande número de pecadores e de hereges; compor aquela prodigiosa multidão de sapientíssimas obras, que podem chamar-se o Tesouro da Religião; explicar com tanta precisão e com tanta solidez os Mistérios mais obscuros da teologia; ensinar com tanta unção e nitidez as verdades da moral; expor com tanta clareza nos seus sábios comentários os livros da Sagrada Escritura; satisfazer tão plenamente a quantas dúvidas que incessantemente e de todas as partes lhe propunham como a oráculo; e apesar disto, dar todos os dias muitas horas à oração; não se dispensar quase nunca dos mais ordinários exercícios da comunidade; macerar a sua carne com austeríssima penitência, sem embargo de ter uma saúde débil. Tal foi a vida de Santo Tomás de Aquino.

Mas não se deve admirar, diz Santo Antonino, falando do nosso grande Santo, que um homem que nunca perdia a Deus de vista e tinha frequente conversação com as celestiais inteligências; que um homem, a quem tantas vezes se viu arrebatado em êxtases maravilhosos, durando alguns por espaço de três dias inteiros; um homem a quem os Apóstolos São Pedro e São Paulo ditavam a exposição de suas Epístolas; não se deve admirar, que um homem assim possuísse uma ciência tão profunda e operasse tantas maravilhas em favor da Religião…”.1



Doctor communis Ecclesiae

O Papa Pio XI “como seus antecessores, é a Santo Tomás que recorre para dirigir a especulação teológica e filosófica. Com ênfase não comum, Pio XI, em Alocuções e, principalmente, na Encíclica Studiorum Ducem,2 valoriza a doutrina de Santo Tomás e o proclama Doutor Universal da Igreja. Lê-se nesta Encíclica: A sua doutrina3 acerca da ciência metafísica, não obstante ter sido frequentemente impugnada por uma crítica contumaz e injusta, retém integralmente toda sua força e esplendor, como o ouro, que por ácido algum pode ser dissolvido. Bem dizia o nosso Predecessor Pio X: Não se pode abandonar S. Tomás nas questões metafísicas, principalmente, sem grave detrimento4”.5

“… o Cardeal Gaetano não hesitou em escrever – e o texto é citado na Encíclica:6 Santo Tomás, porque teve em suma reverência os Doutores Sagrados, herdou, em certo sentido, o pensamento de todos eles... As obras do Angélico, escreve ainda Leão XIII, contém a doutrina mais conforme ao Magistério da Igreja”.7


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1.  Pe. Croiset, “Ano Cristão – ou Devocionário para Todos os Dias do Ano”, Vol. III – 7 de Março, pp. 88-84. Traduzido do Francês, revisto e adaptado às últimas reformas litúrgicas pelo Pe. Matos Soares, Professor do Seminário do Porto, A. Campos – Livraria Católica, São Paulo, 1923.

2.  29/5/1923.

3.  De S. Tomás.

4.  Cfr. Santiago Ramirez, “Introduction a Tomás de Aquino”, Madrid, BAC, 1957.

5.  D. Odilão Moura, O.S.B., “Ideias Católicas no Brasil – Direção do Pensamento Católico do Brasil no Século XX”, Cap. III, pp. 92-93. Ed. Convívio, São Paulo, 1978.

6.  Leão XIII, Carta Encíclica “Aeterni Patris”, de 4/8/1879.

7.  S. Tomás de Aquino, Exposição Sobre o Credo, Apresentação, pp. 9-10. 4ª Edição, Tradução de D. Odilão Moura, O.S.B., Edições Loyola, São Paulo, 1997.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

REMINISCÊNCIAS.


Ubi Petrus, Ibi Ecclesia”: “Esse aforismo se deve a Santo Ambrósio, Doutor da Igreja, Bispo de Milão e Mestre de Santo Agostinho. Insere-se no seguinte contexto: ‘Este é Pedro, a quem disse Cristo: Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a Minha Igreja’. Portanto, onde estiver Pedro aí estará a Igreja. E onde está a Igreja não há morte’ (‘Ipse est Petrus cui dixit: Tu es Petrus et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam. Ubi ergo Petrus, ibi Ecclesia. Ubi Ecclesia, ibi nulla mors’, In. Ps. XL, n. 30, ML, XIV, ed. 1844 sqts., col. 1082)”.1

Predestinação e Graças suficientes: “Aquilo que se chama em teologia ‘graças suficientes’, oferecidas por Deus mas recusadas pelos que irão para o Inferno, são a mesma coisa que São Paulo chama os ‘gemidos inenarráveis do Espírito Santo’, com que Nosso Senhor persegue o pecador, até a hora de sua morte, com a Sua misericórdia”.2



Bi-milenário de Nossa Senhora: “Três canonistas franceses, entre os quais Jean Crété, lembraram às Autoridades do Vaticano, em 1979, que os cálculos conjecturais mais prováveis indicavam o período 1979-1980, como o que melhor compreenderia a comemoração do Bi-milenário do Nascimento de Nossa Senhora. Nenhum interesse despertou esta lembrança. Mais uma vez enviaram ao Vaticano em 1983 a lembrança do fato, já que o período 1983-1984 poderia também ser adotado para tal comemoração, tendo em vista a alegada diferença 4 ou 5 anos entre as datas reais dos fatos bíblicos e a referência que deles ficou. Desta vez tiveram uma resposta: Não é oportuna a comemoração.3



Os Papas e os Anjos da Guarda: “O grande Papa Pio XI falava com muita devoção no seu Anjo da Guarda e dizia que sempre se aconselhava com ele. Pio XII, numa famosa Alocução, lembrava que, com o favor de Deus, teremos uma eternidade de alegria na companhia dos Anjos: ‘Aprendei a conhecê-los desde agora’. O Papa João XXIII, com grande simplicidade entretinha familiar conversação com seu Anjo da Guarda”.4


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1.  Revista Permanência, Ano I, n. 2, Novembro de 1968, p. 31.

2.  Revista Permanência, n. 208-209, Março-Abril de 1986, p. 4.

3.  Revista Permanência, n. 176-177, Julho-Agosto de 1983, p. 9.

4.  Revista Permanência, n. 53, Março de 1973, p. 52.


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

CARMELITAS NO ZELO E NO ESPÍRITO DE ELIAS.


Santa Teresa de Jesus

e o Protestantismo


Nesse tempo tive conhecimento das desgraças da França e do mal que lá tinham feito aqueles luteranos. Era uma aflição para mim e chorava diante do Senhor, pedindo-Lhe remédio, como se pudesse alguma coisa. Teria dado a minha vida mil vezes para salvar uma só das almas que por lá se perdiam…”.1

Tinha eu lido em certo livro que é imperfeição ter imagens primorosas, e andava querendo desfazer-me de uma que tinha na cela. Mesmo antes, parecia-me ser conforme à pobreza só ter alguma de papel; e como um dia destes li isso, já não as quisera de outra qualidade. E, estando bem descuidada deste assunto, foi-me dito: ‘Não era boa essa mortificação. Que coisa é melhor: pobreza ou caridade? Se melhor é o amor, tudo o que a ele me movesse não deixasse eu de lado, nem o tirasse às minhas monjas, pois o livro se referia a molduras ricas e ornamentos custosos, e não propriamente às imagens. O que o Demônio fazia entre os luteranos, era tirar-lhes todos os meios de se afervorarem, e assim os ia perdendo. Meus cristãos, filha, agora mais do que nunca, hão de fazer o contrário do que eles fazem’.2



Santa Teresinha do Menino Jesus

e os Hereges


Adormeci um segundo durante a oração. Sonhei que faltavam soldados para uma guerra.

Você disse: É preciso enviar Irmã Teresa do Menino Jesus. Respondi que preferiria que fosse para uma guerra santa. Finalmente, parti assim mesmo.

Oh! não, não teria medo de ir para a guerra. Com que felicidade, por exemplo, teria partido para combater os hereges, no tempo das cruzadas. Ora! Não teria tido medo de levar um tiro!

E eu que desejava o martírio, é possível que morra numa cama?”3


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1.  S. Teresa d’Ávila; cfr. Marcelle Auclair, Santa Teresa de Ávila – A Dama Errante de Deus”, 2ª Parte, Cap. V, p. 123. Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1959.

2.  Santa Teresa de Jesus, “As Relações e Favores”, nº 30, p. 819; cfr. Obras Completas, Edições Loyola, São Paulo, 1995.

3.  Santa Teresinha do Menino Jesus, “Novissima Verba – Últimas Palavras”, palavras dirigidas à Madre Inês de Jesus em 4 de Agosto de 1897, p. 1153; cfr. Obras Completas, Edições Loyola, São Paulo, 1997.


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