BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 1 de maio de 2019

O TRABALHO SANTIFICADO.


Hoje celebramos a festa de São José operário, patrono dos trabalhadores. Desejoso de ajudar os trabalhadores a santificar o seu dia, já mundialmente comemorado, o Papa Pio XII instituiu esta festa de São José, modelo do trabalhador. De origem nobre da Casa de Davi, ganhando a vida como simples carpinteiro, São José harmoniza bem a união, não a luta, de classes que deve existir em uma sociedade cristã.
O trabalho é obra de Deus. Deus, ao criar o homem, colocou-o no jardim do Éden para nele trabalhar. O trabalho existe, portanto, antes do pecado. Depois deste, passou a ter a conotação de penitência, pois adquiriu uma nota de dificuldade e o necessário esforço para desempenhá-lo: “Comerás o pão com o suor do teu rosto” (Gn 3,19).
Assim, o trabalho tem o aspecto natural necessário para o nosso sustento e o aspecto adicional de penitência, pois ele contraria nossa tendência, exacerbada pelo pecado, à preguiça e ao relaxamento. O trabalho é algo muito digno e nobre, seja ele qual for, desde que seja honesto e nos encaminhe para Deus, seu autor. Desse modo, o trabalho é santificador. O nobre e o mais humilde.
O trabalho é também expressão do amor. “A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o Evangelista, a seguir ao episódio que sucedeu no templo: “Depois, desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso” (Lc 2, 51).
Esta submissão, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado como o ‘filho do carpinteiro’, tinha aprendido o ofício de seu ‘pai’ adotivo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro. Na nossa época, a Igreja pôs em realce isto mesmo, também com a memória de São José Operário, fixada no primeiro de maio.
O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus, ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção” (S. João Paulo II, Ex. Apost. Redemptoris Custos).
Para uma sadia economia, são necessários o trabalho e o capital, como ensina o Papa Leão XIII na sua clássica formulação: “Elas (as duas classes – a dos detentores do capital e a dos que oferecem a mão-de-obra) têm imperiosa necessidade uma da outra: não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital” (Rerum Novarum 28). E fundamenta o “direito de propriedade mobiliária e imobiliária” (incluídos os bens de produção) no fato de ela, a propriedade, nada mais ser do que “o salário transformado” (Rerum Novarum 9).


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

sábado, 20 de abril de 2019

O REDENTOR E A CO-REDENTORA, SE ENCONTRAM NUM PRODÍGIO DE AMOR E DOR.



Uma das dores mais cruciantes que suporta Jesus em Sua ida ao Calvário é, sem dúvida, o encontro com Sua Mãe Santíssima.1 Impelida pelo amor e acossada pela dor, vencendo todo obstáculo que lhe opõe a multidão de povo e os cordões dos legionários romanos,2 ei-la à porta da cidade, a espera que por lá passe o Filho querido. Chega-lhe aos ouvidos o clamor blasfemo do populacho embriagado de ódio; percebe o som baço das pancadas com que apressam a marcha dos condenados,3 até que O avista, curvo sob o peso da Cruz, cercado pelos ladrões, coroado de espinhos e arrastado pelos puxões e violentamente. Ah! Como, à tal vista Vossa Alma não separou-se do Vosso Corpo, ó Virgem Dolorosa?4 Encontram-se os olhos da Mãe e do Filho, mas não lhe sendo possível proferir palavras, pela pressa diabólica que tem os judeus de suprimir o Cordeiro inocente;5 falam-se na mudez eloquente dos Corações.

Querido Filho, meu único amor, diz Maria!6 Minha boa e terna Mãe, única consolação Minha! Responde Jesus.7

Neste tácito e silencioso diálogo, estreitamente unem-se os dois Corações, penetram-se mutuamente, formando Um, como único Coração pela intensidade da dor e pela veemência do amor.

Um veste o luto do outro, partilhando-se reciprocamente a onda amargosa da aflição; e enquanto esforçam-se para se aliviarem mutuamente, veem com isto, aumentar o Martírio e redobrarem os padecimentos.

Recebe Maria todo o mar de dor, que ameaça afogar Jesus; experimenta Jesus todas as agonias que lancinam a Alma de Sua Mãe querida. A vista de Maria, é para Jesus uma nova Cruz; a vista de Jesus, é para Maria, uma paixão adicionada às paixões do passado!

Assim sofrem os dois Corações mais puros, mais Santos e mais amáveis do Céu e da terra!




Sei, ó Jesus, que o Vosso Coração tem a amplitude do mar, mas sabendo ao mesmo tempo que ele está repleto, a transbordar de tristezas, como é possível que acheis lugar, para receber este novo caudal de amarguras?

Minha pobre mente vagueia trescalam-te nesta região do Amor Divino, impotente a solucionar este problema; por isto, humilho-me e limito-me, embora mesquinhamente, a oferecer-Vos o tributo da minha sincera compaixão; a Vós também recorro, ó Virgem das Dores, e vendo-Vos toda absorvida na Paixão do Filho;8 e sabendo ao mesmo tempo que ofereceis misericórdia e compassivamente todos os sofrimentos que espicaçam Vossa Alma, para regeneração dos pobres filhos de Eva,9 humildemente Vos rogo, enterneçais o meu duro coração, para que juntamente Convosco e ao Vosso lado, derrame ao menos uma lágrima de compaixão.10

Comunicai-me alguns dos sentimentos piedosos de que está embebida toda Vossa Alma; porquanto, homenagem mais agradável não poderia eu oferecer a Jesus, do que a minha compaixão santificada e valorizada pela Vossa. Por muito feliz me darei, se conseguir partilhar dos Vossos sofrimentos, a fim de aliviar os de Jesus, valendo mais uma gota das Vossas amarguras, do que todo o oceano espumejante das doçuras mundanas.

Sim, minha boa e terna Mãe, isto quereria eu fazer, se a isto não se opusesse o pensamento dos meus pecados.

Pois se Vós sofreis, se Jesus, Vosso Filho, sofre, é por minha causa;11 é que minhas iniquidades concorreram para os Vossos martírios. Ah! Mãe aflita, alcançai-me uma dor viva, uma contrição sincera, para destarte consolar-Vos e ao Vosso querido Jesus.

Propósito: Proponho ter devoção especial à Virgem das Dores;12 sendo esta eficacíssima para alimentar a contrição dos pecados e o amor de Deus.




Reminiscências

- O lugar do encontro também é indicado aos peregrinos da Terra Santa.

- “Não podendo a Mãe bendita suportar aquela vista de Seu Filho divino, em tal estado, desmaiou13 nos braços das piedosas mulheres, enquanto Jesus, amargurado por mais essa dor, teve de continuar o Seu caminho. À multidão e aos carniceiros pouco lhes importava os sofrimentos de um e de outro”.14

- “Quando o cortejo se pôs em movimento, Maria seguiu uma rua paralela e veio esperar Seu Filho na rua de Efraim.15 O encontro foi para Ela de horrível agonia”.16


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Fonte: Pe. Caetano Maria de Bergamo, O.F.M.Cap., “Pensamentos e Afetos sobre a Paixão de Jesus Cristo para cada dia do ano – Extraídos da Sagrada Escritura e dos Santos Padres”, Vol. 2, Caps. CCCVII, pp. 856-859; Tradução de Frei Marcellino de Milão, O.F.M.Cap.; Escola Typographica Salesiana, Bahia, 1933.

1.  S. Bern., de lament. Virg.

2.  S. Bonav., Stim. am., p. 1, c. 4.

3.  S. Brigit., Revel., cap. 10.

4.  S. Bonav., Medit., vit. Chr., c. 77.

5.  S. Bonav., Medit., loc. cit.

6.  S. Bonav., Stim., am., p. 1, c. 4; S. Ephr., de lament., b. Virg.; Cant., 8, 1.

7.  Cant., cap. 2 et 5.

8.  S. Bonav., Stim., am., p. 1, cap. 4.

9.  Idem. Ibid.

10.  Hymn., Eccl., de dolor. Virg., in offic.

11.  Ibid.

12.  S. Aug., Medit., c. 41.

13.  É a Tradição que no-lo diz. Ludulph. Cart: “Vita Christi”.

14.  Rev. Pe. Luiz de S. Carlos, C.P., “A Paixão de N. S. Jesus Cristo, narrada ao povo conforme os Santos Evangelhos e a Tradição”, pp. 145-146. Tipografia “O Calvário”, São Paulo/SP, 1952.

15.  A piedade dos fiéis aí construiu uma igreja, denominada, ainda hoje – Nossa Senhora do Espasmo.Ainda hoje lá se lhe veem as ruínas” (R.Pe. Berthe, C.Ss.R., “Jesus Cristo – Sua Vida, Sua Paixão, Seu Triunfo”, Cap. VI, pp. 389-390. Einsiedeln/Suíça, 1925).

16.  “A Paixão de Jesus Cristo”, pela Associação da Adoração Contínua a Jesus Sacramentado, pp. 167-169. Editora Vozes Ltda., Petrópolis/RJ, 1925.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

“BUSQUEI ALGUÉM QUE ME CONSOLASSE E NÃO O ENCONTREI”.



Vida Desolada de
Nosso Senhor Jesus Cristo.


A vida de nosso amante Redentor, foi toda desolada e privada de todo o conforto. Sua vida foi aquele grande mar inteiramente amargo, sem nenhuma gota de doçura ou consolação: “Grande como o mar é a tua dor”.1 O Senhor revelou um dia a Santa Margarida de Cortona, que durante Sua vida inteira, não experimentou uma só consolação sensível.

A tristeza que Ele experimentou no jardim de Getsêmani era tão grande, que bastaria para tirar-lhe a vida, e essa tristeza Ele não a sofreu só, então, mas o afligiu sempre desde o primeiro instante de Sua Encarnação, pois todas as penas e ignomínias que Ele deveria suportar até a morte, lhe estavam sempre presentes. Mas não foi tanto essa vista quanto a de todos os pecados, que os homens cometeriam depois de Sua morte, que O afligiu sumamente durante Sua vida inteira. Ele viera por meio de Sua morte, a tirar os pecados do mundo e a resgatar as almas do Inferno; mas via que, apesar de Sua morte, todas as iniquidades possíveis seriam cometidas na terra, das quais cada uma, vista distintamente por Ele, O afligia imensamente, como escreve São Bernardino de Sena: “Ele viu em particular, cada uma das culpas”. E foi essa a dor que Ele tinha sempre diante dos olhos e sempre O afligia: “Minha dor está sempre na Minha presença”.2 Santo Tomás diz, que a vista dos pecados dos homens e da ruína de tantas almas, que se haviam de perder, foi para Jesus Cristo um tormento tão grande, que sobrepujou as dores de todos os penitentes, mesmo daqueles que morreram de pura dor. Os Mártires sofreram grandes dores, cavaletes, unhas de ferro, couraças ardentes, mas suas dores eram sempre mitigadas por Deus com doçuras internas. Entre tantos Mártires, não houve um só tão penoso como o de Jesus Cristo, já que Sua dor e Sua tristeza, foram pura dor e pura tristeza, sem mistura de consolação: “A grandeza da dor de Cristo se aprecia da inteireza da dor e da tristeza”.3 Tal foi a vida de nosso Redentor, e tal foi a Sua morte, inteiramente desolada. Ao morrer na Cruz, privado de todo o alívio, procurava alguém que O consolasse, mas não encontrou: “Busquei alguém que Me consolasse e não o encontrei”.4 Não encontrou, então, senão escarnecedores e blasfemadores, que lhe diziam: “Se és o Filho de Deus, desce da Cruz. Salvou os outros e não pode salvar-se a Si mesmo”.5 E assim o aflito Jesus, achando-se abandonado de todos, se voltou para Seu eterno Pai; vendo, porém, que até Seu Pai O havia abandonado, deu um grande grito e exclamou num lamento supremo: “Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonastes?”.6 E assim terminou a vida de nosso Salvador, morrendo como Ele predisse por Davi, submergido numa tempestade de ignomínias e de dores: “Eu cheguei ao alto mar e a tempestade Me submergiu”.7 Quando nos sentirmos desolados, consolemo-nos com a morte desolada de Jesus Cristo; ofereçamos-lhe então a nossa desolação, unindo-a com a que Ele, inocentemente, padeceu no Calvário por nosso amor.

Ah, meu Jesus, quem não Vos amará, vendo-Vos morrer assim desolado e consumido de dores, para pagar os nossos pecados? E eu sou um dos carrascos, que tanto Vos afligi durante toda a Vossa vida, com a vista de meus pecados. Mas já que me chamastes à penitência, concedei-me ao menos, que eu participe daquela dor, que sentistes das minhas culpas durante a Vossa Paixão. Como posso procurar prazeres, eu que tanto Vos afligi, com os pecados de minha vida? Não, eu não Vos peço prazeres e delícias, eu Vos suplico lágrimas e dor: fazei que eu viva o resto de minha vida, chorando sempre os desgostos que Vos dei. Abraço Vossos sagrados pés, ó meu Jesus crucificado e desolado, e assim eu quero morrer. Ó Maria, Mãe das dores, rogai a Jesus por mim. Amém.


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Fonte: Santo Afonso Maria de Ligório, “A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, II Volume, Cap. X, Meditações Sobre a Paixão de Jesus Cristo – 5ª Meditação, pp. 179-181. Editora Vozes Ltda., Petrópolis/RJ, 1940.

1.  Lam. Jr. 2, 13.

2.  Salm. 37, 18.

3.  S. Tom., 3 p. q. 46 a. 6.

4.  Salm., 68, 21.

5.  Mat., 27, 46.

6.  Mat., 27, 46.

7.  Salm., 68, 3.

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